agosto 26, 2006

Fundamentos e Projectos de Vida!


Quando pretendo comunicar um sentimento, não vou estar a fazer o calculo sentimental, isto é, qual a acepção predominante neste tipo de comunicação: se sentimento de carácter cognitivo, psicológico, emocional ou afectivo e o de carácter valorativo, moral ou dos princípios éticos.
Contudo, o sentimento emana da faculdade humana dos estados afectivos e emocionais ou sentimentais. Evidentemente, que ao querer transmitir a alguém coisas do estado de afectividade, não será fácil para quem sente na pele uma coisa e diz outra completamente diferente, ou até, para quem não saiba reconhecer que pôr em comum os sentimentos, implica primeiro uma aceitação da outra pessoa para a escuta atenta e demorada, paciente e enternecedora ou até avassaladora; pois será numa dupla completa disponibilidade de quem fala da sua experiência …
Segundo a tradição filosófica o sentimento entende-se como uma faculdade espiritual contraposta à razão.
Em sua Psicologia Rosmini aduz ao termo de “sentimento fundamental” para indicar o sentimento como consciência que o sujeito tem do próprio eu em conjunção entre alma e corpo.
Ao analisar a função cognoscitiva do sentimento, Max Scheler distingue – como já o fez Kant – a emoção pura e simples do sentimento como reacção do eu a um estado emotivo, caracterizada pela intencionalidade. Esta assumindo uma ordem representativa ou mental de acordo com tipo de comunicação traduz efectivamente aquilo que a pessoa pensa, sente e quer.
No entanto, querer nunca significa poder, o que por vezes traduz-se numa espécie de confusão de ideias, descobrindo sempre como poder alcançar uma determinada pessoa, objecto ou um objectivo especifico, por que na verdade não houve uma vontade constante de perseverança diante de alguém que não soube “dançar”. Ou melhor ainda, talvez não estivesse preparada para dançar naquele nível. Por isso, será necessário haver uma coordenação mutua ao nível dos movimentos, pois não posso querer “dar um passo maior que a perna”, eis que, por vezes, excedo demasiado e, tal como a dança a comunicação não depende somente de quem toma a liderança de falar em primeiro!
O sentimento é uma faculdade humana que transversalmente afecta em todas as dimensões o ser humano. É no plano da dimensão afectiva que ele existe e persiste a todos os intervenientes (em todas as latitudes e longitudes) dentro do ser humano, exibindo-se para o exterior como uma expressão de comunicação ténue e pouco perceptível à luz de um mecanismo de controlo físico ou natural. Advém daqui o fenómeno do sentimento da natureza que muitas das vezes é participante e confidente dos meus sentimentos, criando uma empatia ao nível dos cinco sentidos. Mas não é dessa que versa o texto, vendo que à uma perfeita intencionalidade, um querer, um dirigir-se a um tu que também é sujeito que pensa e sente e por isso logo existe.
O sentimento aliado à vida afectiva por norma, concebido na dimensão humana e para a vida humana; presume um lugar de manifestação na própria vida do homem, no seu modo de manifestar e comunicar os mais altos desígnios da afectividade. Por que urge simplificar o complexo dos seus sentimentos.
O fenómeno afectivo que pressupõe do sentimento uma manifestação da subjectividade e das próprias tendências radicadas no sujeito; mas é também reacção a determinada situação, reacção-reguladora, que implica adaptação de mim à realidade, ausente ou menos presente na emoção, da qual se distingue por ser menos intenso e mais durável.
A vontade, como o sentimento, não é senão a relação de representações.
A comunicação entre pessoas é melhorada e bem aceite quando se percebe o alcance do “Quero falar contigo sobre os meus sentimentos”.
No âmbito educativo, na maior parte das vezes estou a comunicar e a interceptar-me com outras pessoas diferentes de mim e vindas de contextos diferentes.
Apesar de tudo esse tipo de comunicação é boa, porque satisfaz a minha necessidade por ter encontrado alguém e, considerando esta pessoa como única.
De certa forma, no processo da comunicação estão implicados dois seres, duas pessoas que, através de sinais verbais ou não verbais têm a intenção de se relacionar.
A pessoa que considero única para mim é um ser humano distinto dos outros, no que respeita a determinados sentimentos, valores e crenças.
Porventura é “a qualidade das nossas relações interpessoais determina quem vamos chegar a ser como pessoas.”
Para falar contigo sobre os meus sentimentos tenho que filtrar as minhas informações, o conteúdo, pois fazem referências às representações que o ser humano realiza baseando-se na sua própria história individual.
Eu imito muito através da linguagem não verbal, isto é, com expressões faciais, os olhares, os gestos,... tudo o que dê cor e movimento. Por isso, no plano dos sentimentos aparecem como verdadeiramente importantes todas essas acções no âmbito da relação da comunicação. Para preservar uma boa comunicação entre um sujeito (Eu) e um outro (Tu) que “quer ouvir-te falar sobre os teus sentimentos” e lhe deres tempo e espaço propício a que a relação não fique por uma mera “instrumentalização” – um sujeito que utiliza um tu e vice-versa – é inevitável, porque é o repercutir dos teus ideais/ interesses em comunicação.
As principais conclusões a tirar deste grande jogo (que é a comunicação de afectos) da temporada da vida (verdadeiramente sentida e consentida) mal ou bem durante o ‘crónos’ (tempo de vida limitado) que há para viver – parece um caos – que busca a organização – perante um ‘Kairós’ (tempo de graça).
Ao longo da minha vida procurei viver o Amor e transmiti-lo à outra pessoa com mais significado. Isto vem de encontro àquilo que quero na realidade explicar, por se estar a passar comigo.
A(s) hipótese(s) é minimizada (diante dos factores concernentes à apresentação deste trabalho. Diante do dilema (da imagem/metáfora da bola para falar de sentimentos) apresentado no lançamento da bola (e se ela não a apanha, se a pessoa não consegue recebê-la, então, terei de lançá-la novamente…).
Para mim esta imagem da bola adequa-se em parte àquilo que quero também fazer passar com este caderno, nele vai uma espécie de bola que está aumentado de tamanho consoante o poder de expressão e de examinação no interior de mim mesmo e da consciência. Tudo isto serve para mostrar à semelhança do texto sobre “falar contigo sobre os meus sentimentos” para revelar o processo de comunicação dos meus sentimentos pessoais.
Numa tomada de consciência ainda maior, devido à interiorização daquelas definições pessoais, que me pode ser oferecida uma clarificação do que realmente sou, como “eu mesmo” na implicação comigo mesmo e com os outros.
Será sempre impossível explicar os meus sentimentos. Porém, advém-me exprimir por palavras o que sinto. E se o que sinto és tu que me fazes sentir, então à partida no processo de comunicação interpessoal há a intenção de influir de algum modo na conduta do outro. Além do mais, o sentimento é um estado afectivo que tem por antecedente imediato uma representação mental, que depois de assimilada irá fazer actuar a vontade de acordo com o próprio sentimento de si.
Há um conhecimento resultante de uma experiência vivida, já sentida, com um “feedback” das leituras e interpretações recentes, construídas sobre as diversas representações ocorridas perante o comportamento adoptado para uma determinada realidade. Acontece na interacção entre dois seres que, conhecendo algo um do outro, se obtém uma imagem de si e da realidade pré-concebida. Portanto, seria necessário que cada um organizasse as suas experiências, para que o diálogo empreendido não caísse no vazio de uma intencionalidade, onde os conceitos usados não dão as respostas, ficando sem significado para as nossas relações.
É possível criar este diálogo que é congénere ao ser humano, ser de relação, que procura continuamente responder aos porquês?
Certamente, algo mais poderia dizer, mas não mais além disso, tendo em conta que as percepções são variadas, e na realidade os verdadeiros sentimentos encontram eco: na tomada de consciência – pensar como sou verdadeiramente; no assumir-me, aceitando-me realmente como sou, com a minha imagem; nas decisões tomadas perante os acontecimentos mais variados e sentidos; e na execução do propósito de levar à acção, através de uma comunicação perfeita da linguagem estando atento ao mesmo “eu” que fala é também o que escuta.
Mas assim começa tudo, porque tu queres ouvir-me ou estás disponível para atender-me noutra hora, para poderes ouvir-me mais atentamente.
A relação é ambígua (enigmática). Conjuguei todas as formas possíveis e até impossíveis – direi eu em primeira pessoa) – quando de facto percebi e senti que nada é impossível a Deus.
Então, comuniquei com alguém que me escuta atento!
Comunicar é ligar, é transmitir, é ir à frente deste conhecimento adquirido, concebido em ‘grades’, em ‘maquetes’, em ‘slogans’ feitos e refeitos ao género de publicidade; produzindo o efeito apenas desejado. Por isso, é importante sonhar a comunicação!...
Com as diversas imagens e publicidades /recortes salvo a expressão, não quis fugir à (não descuidei do) interioridade que se previa nesta parte do trabalho. Simplesmente, quis mostrar algo de mim, que possa manifestar a dignidade da minha própria humanidade, contida ante semelhante espectáculo que é a vida em si. A vida em si já é comunicação de algo, que tão evidente é na sua forma biológica, mas eu não me ficava por aí, adentro na “maré alta” deste porto que vive e pressente a morte, isto é, (sofrimento) que dá sentido à vida.
Ao conseguir entrar em mim mesmo e ao aprofundar bem esta envolvência para a qual não tenho palavras. Desbravando o acesso ao interior, para poder fazer um “exame de consciência”, para melhor me encontrar e ver em que ponto estou, qual a minha situação actual, perante a reflexão amorosa, porque se trata de amores perdidos e encontrados.
Não pretendi de todo definir-me desta ou daquela maneira, mas procurei ajustar e adequar às realidades de hoje, onde me encontro e estou presente para efectuar verdadeiras comunicações no ser.
Talvez eu possa ser confirmado na esperança que me guia, e inclusive naquilo que possa chegar a ser, enquanto, caminhando rumo à história definitiva não deixe de comunicar a pessoa que sou, como sou e sempre serei graças a um tu que me quer ouvir.

Publicado por AnAreal às 12:30 PM | Comentários (0) | TrackBack (0)