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fevereiro 28, 2007

Papa Bento XVI: Angelus - Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

PAPA BENTO XVI

ANGELUS

Domingo, 18 de Fevereiro de 2007


Queridos irmãos e irmãs!

O Evangelho deste domingo contém uma das palavras mais típicas e fortes da pregação de Jesus: "Amai os vossos inimigos" (Lc 6, 27). É tirada do Evangelho de Lucas, mas se encontra também no de Mateus (5, 44), no contexto do discurso programático que se abre com as famosas "Bem-Aventuranças". Jesus pronunciou-o na Galileia, no início da sua vida pública: quase uma "declaração" apresentada a todos, com a qual Ele pede a adesão dos seus discípulos, propondo-lhes em termos radicais o seu modelo de vida. Mas qual é o sentido desta sua palavra? Por que Jesus pede para amar os próprios inimigos, isto é, um amor que excede as capacidades humanas?

Na realidade, a proposta de Cristo é realista, pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça, e portanto, não se pode superar esta situação excepto se lhe contrapuser um algo mais de amor, um algo mais de bondade. Este "algo mais" vem de Deus: é a sua misericórdia, que se fez carne em Jesus e que sozinha pode "inclinar" o mundo do mal para o bem, a partir daquele pequeno e decisivo "mundo" que é o coração do homem.

Exactamente esta página evangélica é considerada a magna charta da não-violência cristã, que não consiste em entregar-se ao mal segundo uma falsa interpretação do "oferecer a outra face" (cf. Lc 6, 29) mas em responder ao mal com o bem (cf. Rm 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça. Então, compreende-se que a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento táctico, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder, que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da "revolução cristã", uma revolução baseada não em estratégias de poder económico, político ou mediático. A revolução do amor, um amor que definitivamente não se apoia nos recursos humanos, mas é dom de Deus que se obtém confiando unicamente e sem reservas na sua bondade misericordiosa. Eis a novidade do Evangelho, que muda o mundo sem fazer rumor. Eis o heroísmo dos "pequenos", que crêem no amor de Deus e o difundem até à custa da vida.

Queridos irmãos e irmãs, a Quaresma, que iniciará na quarta-feira próxima com o rito das Cinzas, é um período favorável no qual todos os cristãos estão convidados a converter-se cada vez mais profundamente ao amor de Cristo. Peçamos à Virgem Maria, meiga discípula do Redentor, que nos ajude a deixarmo-nos conquistar sem reservas por aquele amor, a aprendermos a amar como Ele nos amou, para sermos misericordiosos como é misericordioso o nosso Pai que está nos céus (cf. Lc 6, 36).

Fonte: Vaticano

Agência Ecclesia: Proposta de lei sobre o aborto não satisfaz

Proposta de lei sobre o aborto não satisfaz

Movimentos pela Vida prometem estar atentos e defendem necessidade de promover alternativas

Foi ontem apresentada a proposta de lei sobre o aborto. Resultante de um entendimento entre PS, PCP e Bloco de Esquerda, a proposta defende que o aconselhamento não deve ser obrigatório, propõe um período de reflexão de três dias e a criação de um registo nacional de médicos objectores de consciência.

Isilda Pegado vê esta proposta como “a mais fundamentalista que existe na Europa e uma clara demonstração que afinal não somos todos contra o aborto, pelo contrário”. A proposta de regulamentação apresentada na Assembleia da República demonstra que há pessoas que “não estão empenhadas no combate ao aborto e a actual maioria parlamentar enquadra-se nesta definição”, afirma a presidente da Federação Portuguesa pela Vida à Agência ECCLESIA, que adianta que “esta lei vem contra aquilo que foram as promessas eleitorais”.

Os três dias são «uma brincadeira», pois “uma reflexão que não é acompanhada com a apresentação de propostas concretas à mulher que está aflita e incapaz de sozinha ultrapassar as dificuldades, não adianta”. O aconselhamento que existe na maioria dos países europeus destina-se a apresentar alternativas ao aborto, de carácter social, económico e que têm uma função dissuasora e o que “verificamos neste projecto apresentado é que esta parte não existe, é facultativa, portanto é apenas uma proposta que não tem qualquer consistência na aplicação prática” e visa a liberalização completa.

Por outro lado, Isilda Pegado regista que o período de reflexão estabelecido de três dias é o mais pequeno encontrado em toda a Europa. “Copiámos o mau do sistema alemão e do sistema belga tem e criámos em Portugal uma mistura das coisas más que acontecem nos outros países”, sublinha.

Outra “situação grave” que a lei prevê é a lista de objectores de consciência. “Preferia ver a lista dos médicos que fazem aborto, seria possivelmente uma lista mais positiva”, considera a Presidente da Federação Portuguesa pela Vida, que adianta ser gravíssimo e uma forma de estigma ter o nome de um médico que se recusa a fazer um aborto numa lista nacional.

Em resposta à divulgação da proposta de lei, as deputadas independentes eleitas pelo PS apresentaram um aditamento onde defendem que a mulher que deseje abortar deve possuir toda a informação possível nomeadamente o respectivo procedimento, as consequências, os riscos, os possíveis efeitos de toda a ordem, bem como sobre as alternativas de natureza social que possam levar a uma eventual manutenção da gravidez.

O aconselhamento não é apenas informar as pessoas do ponto de vista técnico, mas “tem por objectivo apresentar uma solução alternativa ao aborto” e o Estado “não se pode demitir da defesa do direito à vida”, que no caso do aborto legalizado, “implica que se apresentem alternativas ao aborto, essa é a obrigação do Estado”, aponta Isilda Pegado.

Neste momento os Movimentos pela Vida estão “a fazer o estudo e a ver as alternativas que vão aparecer dentro do Parlamento” e prometem uma tomada de posição pública.

Nacional | Lígia Silveira| 28/02/2007 | 17:02 | 3010 Caracteres | 64 | Aborto

Fonte: Agência Ecclesia

Agência Ecclesia: Arqueólogos desacreditam «descoberta» do túmulo de Jesus

Arqueólogos desacreditam «descoberta» do túmulo de Jesus

O anúncio da alegada descoberta do "túmulo perdido de Jesus" foi recebido pelos especialistas católicos em arqueologia com duras críticas contra a "fantasia" e a intenção "publicitária" dos produtores do documentário.
O Studium Franciscanum Biblicum de Jerusalém, através da sua Faculdade de Ciências Bíblicas e Arqueológicas, considera que as declarações de James Cameron estão marcadas por "arqueologia inventada, publicidade e vontade de vender".

Fabrizio Bisconti, secretário da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra (instituída em 1852), refere à Rádio Vaticano que os nomes a que se fazem referência estavam "muito difundidos" no tempo de Jesus Cristo, em especial a inscrição "Jeshua bar Joseph" (Jesus filho de José), que aparece "pelo menos 70 vezes" nos ossários encontrados até hoje.

"De forma alguma podem ser identificados com o túmulo de Jesus", assegura.

Est responsável lembra que os arqueólogos israelitas não sustentam as teses de Cameron, mais preocupado "com o comércio e a divulgação" e longe das "fases científicas em que se constrói a arqueologia".

Sobre a descoberta que serve de base ao documentário realizado por Simcha Jacobovici e produzido por James Cameron, o membro da Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra lembra que ela data já de 1980, e que o arqueólogo Amos Kloner "explicou de modo exemplar o tipo de descoberta que efectuou, ou seja, um túmulo familiar que continha ossários com inscrições referentes a nomes como Jesus, Maria ou Marta".

Em reacção às declarações de James Cameron, Kloner declarou que "os autores do documentário estão a tentar vender o filme", frisando que os nomes inscritos eram "muito comuns e populares" no primeiro século depois de Cristo, época a que, no seu entender, remonta o túmulo do Bairro de Talpiot. "Jesus e os seus parentes eram uma família da Galileia, sem laços a Jerusalém. O túmulo de Talpiot pertencia a uma família de classe média do século primeiro", declarou Amos Kloner.

Fabrizio Bisconti lembrou ainda que, em 1980, a reacção a esta descoberta "não foi tão espectacular como agora se quer fazer crer".

Joe Zias, antropólogo, referiu que "cerca de 48% das mulheres do período a que se referem os ossários chamam-se Mariam, Maria ou Shlomtzion. O mesmo sucedia com nomes como José, Jesus, e por aí adiante". "O que aqui fizeram foi simplesmente tentar, de um modo muito desonesto, penso, enganar o público levando-o a acreditar que este é o túmulo de Jesus, ou da família de Cristo. Não tem nada a ver com ele", explicou.

Stephen Pfann, professor de estudos bíblicos, chegou mesmo a dizer que o que vê claramente na ciaxa tumular é o nome Hanun e não Jesus.


Ciência e ficção

Yossef Gat, arqueólogo dependente da Autoridade de Antiguidades de Israel, foi o responsável pela descoberta da câmara mortuária no sudeste de Jerusalém, em 1980. Ali encontrou um túmulo tipicamente judaico, que remontava ao tempo do Rei Herodes.

Os arqueólogos constataram que o espaço principal tinha sido coberto com terra e detritos, escondendo seis "kokhim" (ver foto), espaços onde os corpos permaneciam um ano ou o tempo necessário para a decomposição, segundo os ritos judaicos, antes de os parentes poderem recolher os ossos para guardá-los num ossário.

Yossef Gat descobriu 10 ossários com inscrições em hebraico e grego antigo, uma das quais dizia " Jeshua bar Joseph", outra "Mara" (forma comum de Maria) e outra "Yose" (forma comum de José).

O interior da câmara mortuária esteve encerrado durante longos anos por causa da construção de um edifício precisamente por cima do espaço.

Amos Kloner, braço direito de Gat, entretanto falecido, publicou os resultados da descoberta em 1996, na revista da Autoridade de Antiguidades de Israel. O arqueólogo considera que, de forma alguma, este túmulo de Jerusalém poderia ter sido a sepultura da Sagrada Família, natural da Galileia, ao longo de várias gerações.


Internacional | Octávio Carmo| 28/02/2007 | 17:58 | 3907 Caracteres | 27 | Sagrada Escritura

Fonte: Agência Ecclesia

Agência Ecclesia: «O Túmulo de Jesus»

«O Túmulo de Jesus»

Alegada «decoberta» da sepultura de Cristo retoma polémicas (muito) antigas sobre a relação com Madalena e a ressurreição

Depois da grande "revelação" sobre a vida de Jesus, trazida por Dan Brown no seu "Código da Vinci", é agora a vez dos realizadores James Cameron e Simcha Jacobovici apresentarem um documentário com novas "revelações": Jesus não ressuscitou, mas está sepultado em Jerusalém, com a família, incluindo o filho que teve com Maria Madalena.
A produção aproveita a onda mediática produzida pelo sucesso de Dan Brown - embora as novas teorias entrem em contradição com várias das suas teses. O documentário produzido pelo realizador de Titanic, James Cameron e realizado pelo judeu canadiano Simcha Jacobovici, estreia esta semana no Discovery Channel.

"O Túmulo Perdido de Jesus" parte da análises de dez ossários encontrados em 1980, no Bairro de Talpiot, em Jerusalém, e que presentemente estão entregues à Autoridade de Antiguidades de Israel e guardados num armazém em Bet Shemesh.

Os arqueólogos que estudaram as peças chegaram à conclusão, em 2003, de que o sarcófago data do século I d.C. No entanto, conteúdo, caligrafia e revestimento da inscrição tornam a sua autenticidade duvidosa. Além disso, salientam que os nomes nas inscrições eram muito comuns na altura.

"A afirmação de que o túmulo (de Jesus) foi encontrado não está apoiada em nenhuma prova e é somente uma manobra publicitária”, afirma o professor Amos Kloner, da Universidade Bar-Ilan e arqueólogo oficial do Distrito de Jerusalém, que fiscalizou as escavações do mesmo local em 1980.

"É muito pouco provável que Jesus e seus parentes tivessem um túmulo familiar ", explicou Kloner. "Eles eram uma família da Galileia sem vínculos em Jerusalém. O túmulo de Talpiot pertenceu a uma família de classe média do primeiro século de nossa era", defende.

"É uma óptima história para um filme, mas é impossível. É um disparate»", disse ao jornal Jerusalem Post.


Madalena, outra vez

O exegeta português Joaquim Carreira das Neves lamenta que, de forma subconsciente, teorias como o casamento entre Jesus e a Madalena estejam a ser tomadas como um dado adquirido por muitas pessoas, "inclusive católicos".

A relação entre Jesus e Maria Madalena tem sido um assunto debatido quando se lança a questão sobre se Jesus era solteiro. Alguns dos escritos Gnósticos têm sido usados para sustentar a tese de que Maria Madalena seria a esposa de Jesus. Além do mais, alguns alegam que Jesus pretendia que ela fosse a chefe da sua Igreja.

A evidência para estas alegações supostamente reside nalgumas passagens dos escritos Gnósticos que demonstram uma proximidade entre Jesus e Maria Madalena e alguma hostilidade em relação a ela por parte de São Pedro e Santo André. Mas essas passagens não declaram, de facto, que Maria Madalena e Jesus eram casados, nem que Ele pretenderia que ela fosse a cabeça da sua Igreja.

No Novo Testamento, Maria Madalena é uma discípula proeminente de Cristo. Ela é uma das mulheres descritas como acompanhando Jesus na sua missão terrena depois de Ele ter expulso dela sete demónios. (Mc.16:9, Lc.8:1-3).

Os quatro Evangelhos referem-se a Maria Madalena como estando presente no Calvário quando Jesus foi crucificado e presente no seu túmulo estando entre as primeiras a testemunhar a ressurreição. No Evangelho de S. João, ela é referida como a primeira pessoa a encontrar-se com o ressuscitado.


A ressurreição

Joaquim Carreira das Neves lembra que, a este respeito, não há "provas históricas, mas provas humanas", a primeira das quais, em perspectiva cronológica, descrita na primeira Carta aos Coríntios, em que São Paulo apresenta a ressurreição de Jesus como o acto fundador do Cristianismo. O Pe. Carreira das Neves sublinha que, para os católicos, este é um dado de fé fundamental.

A narrativa de Paulo, contudo, não apresenta provas históricas da ressurreição: quem é que viu Jesus a ressuscitar? Em que dia e hora? Em que forma? Apenas apresenta o facto em si, através de provas de testemunho de fé existencial.

"Todas as narrativas da ressurreição são narrativas catequéticas, apresentam o dado da fé: pessoas que não acreditavam e que começaram a acreditar", refere Joaquim Carreira das Neves.

Na Carta aos Coríntios, por exemplo, não há sequer referência à modalidade da sepultura de Jesus. O túmulo vazio de que falam as narrativas evangélicas "é um sinal", refere o especialista em Sagrada Escritura.

Os Evangelhos Sinópticos descrevem a ida das mulheres ao túmulo, na manhã de Domingo, algo que o Pe. Carreira das Neves considera "normal", dado que seria uma grande desonra que o corpo se corrompesse antes de ser perfumado. "O que não era normal é que as mulheres andassem com ele desde a Galileia até Jerusalém", conclui, lembrando que os rabinos e os filósofos gregos da altura não se faziam acompanhar por mulheres.


Internacional | Octávio Carmo| 27/02/2007 | 13:17 | 4755 Caracteres | 1240 | Sagrada Escritura

Fonte: Agência Ecclesia

fevereiro 25, 2007

Textos de S. Josemaria: “Fazer da sua vida diária um testemunho de Fé”

Muitas realidades materiais, técnicas, económicas, sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou nas mãos de quem carece da luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos formidáveis à vida sobrenatural: formam como que um couto cerrado e hostil à Igreja. Tu, por seres cristão – investigador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo inteiro – escreve o Apóstolo – está a gemer como que em dores de parto, esperando a libertação dos filhos de Deus. (Sulco, 311)

Já falámos muito deste tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem levantava barreiras desnecessárias.

Por isso, ainda que possa ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade. Respeito a opinião oposta, mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar, com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar a solução.

O católico, assumindo tudo isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas, pondo de manifesto – com a coerência da sua vida – a presença constante da Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus. (Cristo que passa, 53).

Fonte:http://www.opusdei.pt/sec.php?s=337

fevereiro 24, 2007

Textos de S. Josemaria: “Não há razão para que a Igreja e o Estado choquem”

“Não há razão para que a Igreja e o Estado choquem”

Não é verdade que haja oposição entre ser bom católico e servir fielmente a sociedade civil. Como não há razão para que a Igreja e o Estado choquem no exercício legítimo das respectivas autoridades, em cumprimento da missão que Deus lhes confiou. Mentem (isso mesmo: mentem!) os que afirmam o contrário. São os mesmos que, em aras de uma falsa liberdade, quereriam "amavelmente" que os católicos voltassem às catacumbas. (Sulco, 301)

Tendes de difundir por toda a parte uma verdadeira mentalidade laical, que há-de levar os cristãos a três consequências:

– a serem suficientemente honrados para arcarem com a sua responsabilidade pessoal;

– a serem suficientemente cristãos para respeitarem os seus irmãos na fé que proponham – em matérias discutíveis – soluções diversas das suas

– e a serem suficientemente católicos para não se servirem da Igreja, nossa Mãe, misturando-a com partidarismos humanos.

Vê-se claramente que, neste terreno como em todos, não poderíeis realizar o programa de viver santamente a vida diária se não gozásseis de toda a liberdade que vos é reconhecida – simultaneamente – pela Igreja e pela vossa dignidade de homens e de mulheres criados à imagem de Deus. A liberdade pessoal é essencial para a vida cristã. Mas não vos esqueçais, meus filhos, de que falo sempre de uma liberdade responsável.

Interpretai, portanto, as minhas palavras como o que são: um chamamento a exercerdes – diariamente!, não apenas em situações de emergência – os vossos direitos; e a cumprirdes nobremente as vossas obrigações como cidadãos – na vida política, na vida económica, na vida universitária, na vida profissional –, assumindo com coragem todas as consequências das vossas decisões, arcando com a independência pessoal que vos corresponde. E essa mentalidade laical cristã permitir-vos-á fugir de toda a intolerância, de todo o fanatismo. Di-lo-ei de um modo positivo: far-vos-á conviver em paz com todos os vossos concidadãos e fomentar também a convivência nos diversos sectores da vida social. (Temas Actuais do Cristianismo, n. 117).

Fonte: http://www.opusdei.pt/art.php?p=21636

fevereiro 19, 2007

Agência Zenit - Nem por Deus nem pelo homem: violência é inaceitável, alerta cardeal Martino

Nem por Deus nem pelo homem: violência é inaceitável, alerta cardeal Martino


VALLETA, segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Toda autêntica religião jamais deve converter-se em pretexto para alimentar conflitos, ódios e violência, adverte o presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz.

O cardeal Renato Raffaele Martino recordou esta chave aos jovens do St. Aloysius College, em Malta, no marco de três jornadas de estudo sobre a Doutrina Social da Igreja.

Indivíduos e comunidades têm o dever de manifestar claramente sua completa e radical rejeição à violência, de toda violência, especialmente da que se alimenta do nome santo de Deus, alertou o presidente do dicastério vaticano.

Também a humanidade espera gestos dos crentes, gestos de paz e solidariedade, e palavras confiáveis de esperança, afirmou no encontro sobre o tema «Paz, violência e religiões», explica um comunicado de seu dicastério.

Estas jornadas foram abertas na tarde da sexta-feira, apresentando a mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial da Paz deste ano, cujo título é: «A pessoa humana, coração da paz».

E enfatizou em que «uma guerra em nome de Deus jamais é aceitável, e tampouco em nome do homem».

Só «respeitando a pessoa humana se promove a paz, e construindo a paz se colocam as premissas para um autêntico humanismo integral», sublinhou.

Abordou, no dia seguinte, as modificadas conotações sociológicas da guerra e da paz na atualidade, pelo prevalecimento do terrorismo e a urgência de defender a sacralidade da vida humana, promover a família, eliminar a pobreza, comprometer-se eficazmente no desarmamento e no sustento do desenvolvimento.

É o contexto no qual o purpurado insistiu no conceito de que «nenhum motivo autenticamente religioso pode induzir-nos a considerar os outros como inimigos de combate».

Entrando no fenômeno do terrorismo, advertiu que «se transformou, de atos isolados de indivíduos extremistas, em uma sofisticada rede de cooperação política, tecnológica e econômica, com acesso, freqüentemente, a imensos recursos financeiros e estratégias planificadas em grande escala».

E indivíduos e nações, no ponto de vista do terrorismo, têm a tentação de devolver «olho por olho, dente por dente», com espírito de vingança, coisas que não fazem senão aumentar a violência em um trágico círculo vicioso, lamentou o cardeal Martino.

Contudo, o que é necessário é «uma eficaz cooperação internacional no âmbito político -- assinalou -- para resolver com valor e determinação os problemas que, em certas situações dramáticas, colocam mais lenha no fogo do terrorismo».

Não hesitou em recordar que «é profanação e blasfêmia proclamar-se terrorista em nome de Deus».

Citando o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, acrescentou: «Nenhuma religião pode tolerar o terrorismo, e menos ainda pregá-lo».

«É um imprescindível dever das grandes religiões da humanidade -- afirmou -- trabalhar juntas para difundir uma maior consciência da unidade da família humana, a fim de eliminar as causas culturais do terrorismo, ensinando que grande é a dignidade da pessoa humana aos olhos de Deus e que a violência jamais pode ser justificada em nome d’Aquele que é Amor.»

«O serviço que as religiões podem pretar à paz e à luta contra o terrorismo consiste exatamente na pedagogia do amor e da reconciliação», concluiu.


ZP07021902

Fonte: Agência Zenit

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fevereiro 17, 2007

O novo contexto da luta pela vida

Conferência Episcopal Portuguesa

O NOVO CONTEXTO DA LUTA PELA VIDA


Nota Pastoral


Reunida em Assembleia extraordinária, após o habitual retiro, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sequência do referendo de 11 de Fevereiro, decidiu propor algumas reflexões pastorais aos cristãos e à sociedade em geral.

1. Apesar de a maioria dos eleitores não se ter pronunciado, o resultado favorável ao “Sim” é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo português, que temos de enfrentar com realismo, pois indicia o contexto em que a Igreja é chamada a exercer a sua missão. Manifestou-se uma cultura que não está impregnada de valores éticos fundamentais, que deveriam inspirar o sentido das leis, como é o do carácter inviolável da vida humana, aliás consagrado na nossa Constituição. Esta mutação cultural tem várias causas, nomeadamente: a mediatização globalizada das maneiras de pensar e das correntes de opinião; as lacunas na formação da inteligência, que o sistema educativo não prepara para se interrogar sobre o sentido da vida e as questões primordiais do ser humano; o individualismo no uso da liberdade e na busca da verdade, que influencia o conceito e o exercício da consciência pessoal; a relativização dos valores e princípios que afectam a vida das pessoas e da sociedade.

Reconhecemos, também, que esta realidade social, em muitas das suas manifestações, tem posto a descoberto, em vários aspectos, alguma fragilidade do processo evangelizador, mormente em relação aos jovens. A nossa missão pastoral, por todos os meios ao nosso alcance, tem de visar este fenómeno da mutação cultural, pois só assim ajudaremos a que os grandes valores éticos continuem presentes na compreensão e no exercício da liberdade.

2. Congratulamo-nos com a vasta e qualificada mobilização, verificada nas últimas semanas, em volta da defesa do carácter inviolável da vida humana e da dignidade da maternidade. É um sinal positivo de esperança. É importante que permaneça activa, que encontre a estrutura organizativa necessária, para continuar a participar neste debate de civilização.

O debate do referendo esteve centrado na justeza de um projecto de lei que, ao procurar despenalizar, acaba por legalizar o aborto. A partir de agora o nosso combate pela vida humana tem de visar, com mais intensidade e novos meios, os objectivos de sempre: ajudar as pessoas, esclarecer as consciências, criar condições para evitar o recurso ao aborto, legal ou clandestino. Esta luta deveria empenhar, progressivamente, toda a sociedade portuguesa: Estado, Igrejas, movimentos e grupos e restante sociedade civil. E os caminhos para se chegar a resultados positivos são, a nosso ver: a alteração de mentalidades, a formação da consciência, a ajuda concreta às mães em dificuldade.

3. A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam.

Faz parte dessa missão evangelizadora o esclarecimento das consciências. A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da liberdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade.

Esta verdade iluminadora das consciências provém de um sadio exercício da razão, no quadro da cultura; é-nos revelada por Deus, que vem ao encontro do ser humano; é património de uma comunidade, cuja tradição viva é fonte de verdade, enquadrando a dimensão individual da liberdade e da busca da verdade. Para os católicos, a verdade revelada, transmitida pela Igreja no quadro de uma tradição viva, é elemento fundamental no esclarecimento das consciências.

Aos católicos que, no aceso deste debate, se afastaram da verdade revelada e da doutrina da Igreja, convidamo-los a examinarem, no silêncio e tranquilidade do seu íntimo, as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina.

Aos fiéis católicos lembramos, neste momento, que o facto de o aborto passar a ser legal, não o torna moralmente legítimo. Todo o aborto continua a ser um pecado grave, por não cumprimento do mandamento do Senhor, “não matarás”.

Apelamos aos médicos e profissionais de saúde para não hesitarem em recorrer ao estatuto de “objectores de consciência” que a Lei lhes garante.

Às mulheres grávidas que se sintam tentadas a recorrer ao aborto, aos pais dos seus filhos, pedimos que não se precipitem. A decisão de abortar é, na maior parte dos casos, tomada em grande solidão e sofrimento. Um filho que, no início, aparece como um problema, revela-se, tantas vezes, como a solução das suas vidas. Tantas mulheres que abortaram sentem, mais tarde, que se pudessem voltar atrás teriam evitado o acto errado. Abram-se com alguém, reflictam, em diálogo, na gravidade da sua decisão.

4. Mas há uma resposta urgente a dar ao drama do aborto: criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo. Estudos recentes mostram que a maior parte das mulheres nessas circunstâncias, se fossem ajudadas não recorreriam ao aborto. É um dever de todos nós, de toda a sociedade, criar essas estruturas de apoio.

Uma das novidades da campanha do referendo foi o facto de muitos defensores do “Sim” – a começar pelo Governo da Nação, que se quis comprometer numa questão que não é de natureza estritamente política – afirmarem ser contra o aborto, quererem acabar com o aborto clandestino e diminuir o número de abortos. Registamos esse objectivo, mas pensamos que o único caminho eficaz e verdadeiramente humano é avançarmos significativamente na formação da juventude e no apoio à maternidade e à família. Não poderemos esquecer que, no quadro social actual, a maternidade se tornou mais difícil. No actual contexto das nossas sociedades ocidentais só se chegará a uma política equilibrada de natalidade com um apoio eficaz à maternidade, com particular atenção à maternidade em circunstâncias difíceis e, por vezes, dramáticas.

No que à Igreja diz respeito, continuaremos a incluir esta acção de acolhimento e ajuda às mães entre as nossas prioridades. Mas para que esta acção seja eficaz, precisa-se da convergência de todos, Estado e sociedade civil. Demo-nos as mãos para acabar com o aborto e tornar a lei, que agora se vai fazer, numa lei inútil.

5. A busca de uma solução, a médio e a longo prazo, tem de passar, também, por uma política de educação que forme para a liberdade, na responsabilidade, concretizada numa correcta educação da sexualidade. Esta constitui um dos dinamismos mais ricos e complexos do ser humano, onde se exprimem a dimensão relacional e a vocação para o amor e para a comunhão. Uma vivência desregrada da sexualidade é uma das principais causas das disfunções sociais e da infelicidade das pessoas. A sã educação da sexualidade há-de abrir para a gestão responsável da própria fecundidade, através de um planeamento familiar sadio, que respeite e integre as opções morais de cada um. Quando a geração de um filho não for fruto de irreflexão, mas de um acto responsável, estará resolvido, em grande parte, o problema do aborto.

6. A luta pela vida, pela dignificação de toda a vida humana, é uma das mais nobres tarefas civilizacionais. Não será o novo contexto legal que nos enfraquecerá no prosseguimento desta luta. A Igreja continuará fiel à sua missão de anúncio do Evangelho da vida em plenitude e de denúncia dos atentados contra a vida.


Fátima, 16 de Fevereiro de 2007

Documentos | Conferência Episcopal Portuguesa| 16/02/2007 | 14:29 | 7748 Caracteres | 938 | Aborto

Fonte: http://agencia.ecclesia.pt

fevereiro 11, 2007

O "SIM" ganhou o referendo

Neste blogue defendi, ao longo dos últimos meses, o voto NÂO no referendo sobre o aborto. Votei com liberdade de consciência e no exercício da minha responsabilidade democrática de me pronunciar, tal como os outros cidadãos, sobre a questão que foi colocada no referendo.

É o momento de respeitar os resultados do referendo e aceitar, de forma pacífica e sem acrimónia, as alterações que se vão produzir na legislação em vigor.

Isso não impede, todavia, que continue a defender o direito à vida e os valores humanistas que lhe estão subjacentes. Não mudo de opinião, mas respeito a decisão tomada pela maioria.

Renee Fleeming - Ave Maria

fevereiro 10, 2007

Roberto Carlos - As baleias (1981)

fevereiro 09, 2007

Associação Mulheres em Acção: No Domingo vota NÃO!

VOTA NÃO!

Fonte: http://www.portinaoaborto.com

fevereiro 08, 2007

Agência Ecclesia: Porque NÃO?

Porque NÃO?

Posição do Movimento Comunhão e Libertação sobre a questão do Referendo do próximo dia 11 de Fevereiro

No dia 11 de Fevereiro vai ser referendada a liberalização do aborto até às dez semanas. Partidários do Sim e do NÃO vêm apresentando os seus argumentos.

Deste debate ressalta o confronto clamoroso entre uma posição ideológica - o Sim - e uma posição de estima por cada mulher e cada filho por nascer - o NÃO. O Sim agrega meras conivências ideológicas, juntas de forma provisória em torno da campanha. O NÃO traz consigo o testemunho de vidas e obras dedicadas diariamente a uma ajuda concreta às Mães em aflição e aos Filhos em risco. Por isso, no dia 12 de Fevereiro, seja qual for o resultado, o Sim fragmenta-se e o NÃO permanece.

O principal factor em jogo é a queda da Razão ou, pelo contrário, a sua vitória. A objectividade do valor da vida humana, reconhecida quase por todos, é posta debaixo do poder de decidir individualístico e prepotente, entregue à subjectividade de cada mulher. Ora, quando se chega a um olhar livre de preconceitos para esta brutalidade, a evidência da única resposta razoável - afirmar a vida - impõe-se com clareza.

Finalmente, é manifesto que a defesa incondicional da vida humana congrega um Povo, unido em torno de um juízo claro e de uma paixão pelo humano. O seu trabalho árduo, a sua vivacidade expressiva e a sua organização disciplinada não obedecem a lógicas partidárias nem a ambições políticas, mas à gratuidade de quem reconhece na própria existência uma origem e um destino que valem a pena.

Este reconhecimento traz à existência um gosto de vida nova e uma comunhão objectiva, que move um povo na defesa daquilo que afirma o valor único e irrepetível da pessoa, maior do que todo o universo.

Documentos | Movimento Comunhão e Libertação | 06/02/2007 | 17:00 | 1654 Caracteres | 319 | Aborto

Fonte: Agência Ecclesia

fevereiro 07, 2007

As soluções do NÃO: Proteger SEM Julgar!

Consulte o website http://www.protegersemjulgar.com/ para conhecer o projecto de Lei sobre a aplicação da suspensão provisória do processo penal relativo ao crime de aborto consentido em que é autora a mulher grávida.

Consulte também a página http://www.protegersemjulgar.com/perguntas.htm para conhecer o alcance, sentido e finalidades da iniciativa.

Nota: o título do post é foi retirado do mail que recebi da Associação Mulheres em Acção

Proteger a Vida sem Julgar a Mulher

Proteger a Vida sem Julgar a Mulher

Iniciativa Legislativa de Cidadãos

· Muitos dizem: “eu sou contra o aborto, mas não quero ver as mulheres que abortam no tribunal”. Será que é preciso descriminalizar, legalizar ou liberalizar o aborto para evitar julgamentos de mulheres grávidas que abortam?

· Com esta iniciativa legislativa, pretendemos conciliar a censura do aborto enquanto atentado à vida humana com uma atitude solidária para com as mulheres que, muitas vezes em situações dramáticas ou sob fortes pressões externas, são levadas a essa prática. Por isso, entendemos que deverá fazer-se uso da suspensão provisória do processo. Este instrumento processual penal, sem prescindir de uma função sancionatória, pedagógica ou de advertência, evita o julgamento dessas mulheres e a publicidade que lhe está associada e, sobretudo, contribui para enfrentar, com medidas de apoio psico-social, as causas que levam à prática do aborto.

· A presente iniciativa pretende reunir 35.000 assinaturas que permitam apresentar à Assembleia da República o Projecto de Lei sobre a aplicação da suspensão provisória do processo penal relativo ao crime de aborto consentido em que é autora a mulher grávida.

· É um desafio de cidadania que lançamos à sociedade civil: vermos pela primeira vez uma Lei aprovada por iniciativa de cidadãos. Adira, imprimindo o impresso para a recolha de assinaturas. Envie-as posteriormente para o endereço postal indicado na própria folha.

“A vida defende-se não contra as mulheres, mas com as mulheres”.

João Paulo II

Fonte: http://www.protegersemjulgar.com/

Agência Zenit: Médico de Ciência & Vida explica mentiras sobre aborto e convida portugueses ao «não»

Código: ZP07020616

Data de publicação: 2007-02-06

Médico de Ciência & Vida explica mentiras sobre aborto e convida portugueses ao «não»


ROMA, terça-feira, 6 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- Em uma entrevista concedida a Zenit, o Dr. Renzo Puccetti, especialista em Medicina Interna e secretário do Comitê «Ciência & Vida» de Pisa-Livrono, explicou quais e quantas mentiras foram contadas para fazer a população aceitar, sobretudo as mulheres, a liberação do aborto.

Tendo em conta que em Portugal será votado no dia 11 de fevereiro um referendo que tenta legalizar o aborto, o Dr. Puccetti reportou a trágica experiência vivida nos diversos países onde o aborto foi legalizado.

Dado o fato de que em poucos dias os cidadãos de Portugal serão chamados a exprimir sobre a legalização do aborto, o secretario do Comitê «Ciência & Vida» de Pisa-Lavorno comentou: «Reconhecê-los-ão por seus frutos», é uma máxima evangélica, tão densa de verdade que está penetrada com facilidade no senso comum».

«Elemento constante dos abortistas —precisou Puccetti— é a falsificação dos dados, da manipulação da verdade com fim de apresentar a supressão de uma vida humana inocente como necessária para a salvaguarda da vida, da saúde, da liberdade da mulher. Nada é mais falso. Defesa da vida e defesa da mulher não estão absolutamente em antítese, afirmar isto da parte dos médicos que conhecem os dados é mentir, sabendo que está mentindo».

Zenit questionou quais são as mentiras apregoadas pelos abortistas, e o médico de Pisa respondeu: «Afirma-se que a legalização do aborto fará acabar o aborto clandestino, mas isto é falso. Na Itália, depois de 29 anos de aborto legal e mais de 4.600.000 abortos legais, o Instituto Superior de Saúde estima em 20.000 o número de abortos clandestinos por ano (Relatório do ministro da saúde sobre a atuação da lei sobre a tutela social da maternidade e a interrupção voluntária da gravidez (lei 194/78) no ano de 2006)».

A quem diz que legalizando o aborto e combatendo assim o aborto clandestino se evita que as mulheres morram por causa das complicações de tal prática que, por sua própria natureza, não assegura a mesma segurança de um aborto legal, o Dr. Puccetti respondeu: «Os dados da OMS referem que a mortalidade materna (a mortalidade da mulher no período do início da gravidez até o quadragésimo segundo dia depois do término da gravidez, conduzida ao término ou interrompida) em Portugal, Irlanda e Polônia, onde o aborto é ilegal, é em média mais baixa em relação a dos países vizinhos, respectivamente Espanha, Inglaterra e República Tcheca».

«Por outro lado —acrescentou— há um estudo que fez definitivamente cair o presumido rol “salvífico” do aborto em relação à mulher. Na Finlândia foram avaliados os falecimentos de todas as mulheres em idade fértil entre um ano do término da gravidez; o resultado é que as mulheres que abortaram voluntariamente tiveram uma mortalidade três vezes maior em relação àquelas que deram à luz, com uma taixa de suicídio de 700% (Gisler M, Berg C, Bouvier-Colle MH, Buekens P. Am J Obstet Gynecol. 2004 Feb; 190(2):422-7).

«O estudo do professor Fergusson, —explicou o médico— conduzido controlando um grupo de fatores, mostrou o aumento da incidência de depressão e dos distúrbios de ansiedade nas mulheres que abortaram (Fergusson DM et al. J Child Psychol Psychiatry. 2006 jan; 47(1):16-24)».

«Sobre a base das evidências —sublinhou Puccetti— está claro que o aborto é nocivo para a saúde da mulher; as verdadeiras feministas, aquelas que devem combater pela tutela da vida e da dignidade da mulher, não conheço muitas, são firmemente contrárias ao aborto, vendo como isto é simplesmente o primeiro passo de uma tecno-ciência que, prometendo à mulher maior liberdade, na verdade lhe tira do próprio corpo, roubando o “know-how” da mulher para confiá-lo a um técnico do corpo feminino».

Segundo o secretário de Ciência & Vida de Pisa-Livorno, «entre os frutos da mentalidade abortista não é estranho o inverno demográfico. Não são raros os casos que depois de um ou mais abortos, efetuados porque não era o momento oportuno para uma gravidez, voltam-se desesperados a buscar o tratamento pró-criativo com as técnicas mais invasivas, mas na maior parte falhas, de procriação artifical».

«Se se admite por lei que o direito a decidir o quando da maternidade prevalece sobre tudo, até poder sacrificar a vida humana, —revelou o médico de Pisa— é fácil que na sociedade prospere uma cultura de aniquilamento demográfico. Também considerando as mães imigrantes que giram em torno de 12%, em geral têm dois filhos e antecipam a gravidez geralmente em quatro anos em relação às mulheres italianas, na Itália a natalidade está no limite mínimo».

Um dos argumentos utilizados pelos que sustentam a interrupção voluntária da gravidez é aquele de fazer acreditar que o aborto é bom para a mulher vitima de violência ou incesto.

«Na verdade —explicou Puccetti— tais motivações entram em jogo em menos de 0,5% dos casos (Lawrence B. Finer Perspectives on Sexual and Reproductive Health Volume 37, Number 3, September 2005). Também nestes dolorosos casos, de todas as formas, o aborto não constitui uma ajuda para estas mulheres, mas também pode acrescentar uma outra ferida a uma já aberta, como testemunhado por um documento específico redigido por mulheres americanas que ficaram grávidas apos um ato de violência (http://www.afterabortion.info/news/WPSApetition.htm).

Também a argumentação dos defensores da interrupção voluntária da gravidez, segundo os quais se diz que o recurso ao aborto é excepcional, é para Pucetti «uma motivação fraudulenta».

O secretário de Ciência & Vida afirmou que «os dados desmentem esta tese». Justamente «a abortividade há anos na Itália é estável em torno de 250 abortos entre 1000 nascidos vivos. A legalização se associa a uma adição à prática abortiva: na Itália, somente no ano de 2004, 23.431 mulheres abortaram pela segunda vez, 6.861 pela terceira, 2.136 pela quarta e 1.433 por, pelo menos, a quinta vez».

«Todos os estudiosos, mesmo os abortistas, —concluiu Puccetti— admitem que aumentar o acesso ao aborto aumenta o recurso a esta medida. Entre os numerosos exemplos há o da Irlanda: é sabido que mulheres irlandesas vão abortar na Inglaterra, mas o fenômeno abortivo na Irlanda é um terço do inglês, onde o aborto é legal se requerido; é bom ter em mente que a tais áridos números correspondem 10.555 vidas humanas que nascem, vivem, se alegram e sofrem como todos nós, ao invés de ser jogadas no lixo entre os refugos especiais de um hospital».

Fonte: Agência de Informação Zenit

Reprodução autorizada pelo editor. A reprodução dos serviços de ZENIT necessitam da permissão expressa do editor.

fevereiro 06, 2007

Nuno Morujão: As razões por que vou votar NÃO no dia 11 de Fevereiro

* Porque não tenho dúvidas – sou licenciado em Biologia –, que logo após a fecundação há vida humana.

* Porque considero tão humano um embrião/feto às 1, 2, 10, 11, 20, 25 semanas ou 1 minuto antes do parto.

* Porque considero que um aborto provocado voluntariamente, constitui a morte consciente de um ser humano.

* Porque vivo num país e numa sociedade em que a pena de morte não existe, mesmo para aqueles que cometeram os mais hediondos crimes (genocídios, violações, torturas) e que são objectivamente responsáveis pelos crimes que cometeram. Veja-se o exemplo da reacção das sociedades ocidentais e democráticas face à execução de Sadam Husein.

* Porque vivo num mundo e num país que defende até algumas plantas e animais (golfinhos, touros, linces, sobreiros, azevinhos, etc.) tendo até criado leis que condenam quem os matam.

* Porque num aborto provocado voluntariamente é condenado à morte o único inocente em todo o processo, sem ter sequer direito a julgamento nem advogado de defesa e sem que haja necessariamente qualquer motivo para tal.

* Porque a lei actual já consagra as razões mais do que suficientes para a prática legal do aborto.

* Porque considero que o facto de descriminalizar um aborto feito a pedido da mãe, desde que seja praticado num hospital, nem por isso deixa de ser matar um ser humano, o que para mim é inaceitável.

E não falo, como a maioria, sem ter passado pelo dilema do aborto.

Ao sétimo mês da gravidez do NOSSO primeiro filho (sim, porque todas as crianças têm PAI), os médicos diagnosticaram malformações neurológicas no feto, que implicariam que permanecesse toda a sua vida numa cama em estado vegetativo.

Não nos faltaram na altura “amigos” que nos aconselharam a ir ao estrangeiro (por uma questão legal) abortar.

Porque somos a favor da vida e porque seríamos incapazes de matar alguém indefeso, quaisquer que fossem as circunstâncias, decidimos dizer sim à vida e dissemos não ao aborto.

Já agora, o nosso filho nasceu saudável!

Nuno Morujão

Reprodução autorizada pelo autor do texto

Mensagem do Patriarca - Referendo: Sim ou Não? V - A dignidade da consciência

Referendo: Sim ou Não? *

V – A dignidade da consciência


1. Ao sermos consultados sobre uma questão tão delicada como é a legalização do aborto, a resposta é pessoal e livre, empenhativa da própria consciência. Quanto mais grave é a questão, maior é a responsabilidade da consciência. É como se dependesse de cada um de nós permitir ou proibir a legalização do aborto. São momentos em que a responsabilidade da liberdade é enorme, pois cada um torna-se corresponsável da decisão que vier a ser tomada.
Todos parecem estar de acordo que esta é uma questão de consciência, embora na maneira como o afirmam, nem sempre transpareça o sentido da sua dignidade. A consciência é o santuário mais íntimo da pessoa humana, expressão máxima da liberdade e da capacidade de dar sentido à própria existência, onde se afere o que é bem e o que é mal, onde se adopta o sentido radical da vida, onde se tomam as opções que a guiam e comprometem.
A consciência é o encontro das mais nobres faculdades humanas: a inteligência, a vontade, a liberdade. Por isso, ela tem de ser iluminada pela verdade, sustentada pela capacidade de decisão e exprimir-se livremente. O exercício da liberdade deveria ser sempre uma opção de consciência.
Não se pode violentar a consciência, pressionando-a, iludindo-a com falsas verdades, desviando-a do essencial da sua responsabilidade. Violentar a consciência é o mais grave atropelo da dignidade da pessoa humana.

2. Dada a sua dignidade e responsabilidade, a consciência precisa de ser iluminada pela verdade. Formar a própria consciência é sempre, mas sobretudo nas questões mais graves, procurar a luz da verdade. A consciência do cristão precisa de ser iluminada, não apenas pela luz natural, mas pela Palavra de Deus e pelo ensinamento da Igreja, coerente e unânime ao longo de uma longa tradição. Só a luz da verdade indica com clareza o caminho a seguir e a decisão a tomar.
Neste caso concreto é preciso escutar o essencial dessa mensagem: toda a vida é um dom de Deus, só Deus é Senhor da vida, nenhuma decisão humana contra a vida é legítima e honesta. Este respeito pela vida radicaliza-se no mandamento novo do amor: amai-vos uns aos outros. Só no amor fraterno a consciência atinge a plenitude da sua dignidade. Isso aliás está expresso no quinto mandamento da Lei de Deus: “Não matarás nem causarás dano, a ti mesmo, ou ao teu próximo”. Ninguém pode fazer mal ao seu semelhante.
Nem todos são capazes de acolher a luz da Palavra de Deus, que supõe a fé. Mas no caso do respeito pela vida, esta Palavra está impressa no coração de cada homem, é uma lei natural, que é parte constitutiva da dignidade do ser humano e que iluminará a consciência, se esta não for perturbada com mentiras ou meias verdades.

3. Situações como esta, em que uma comunidade inteira é convidada, ao mesmo tempo, a tomar uma decisão de consciência das mais empenhativas da liberdade humana, não são frequentes, penso mesmo que devem ser excepcionais, para não se tornarem ilegítimas. Pedir aos portugueses que, todos ao mesmo tempo, tomem uma decisão de tal gravidade, é muito mais que o vulgar exercício da democracia, em si mesma, como sistema político, orientada para a gestão da “coisa pública”. Não se pode perguntar, repetidamente, aos portugueses se aceitam a legalização do aborto, ao sabor dos ritmos políticos.

4. Neste tempo de esclarecimento, todos se devem confrontar com a verdade acerca da vida desde o seu início. Escutem, antes de mais, a voz íntima do seu coração, tantas vezes abafada pelos afectos e pelo barulho feito à volta desta questão. Escutem o testemunho da ciência, de médicos e psicólogos que nos têm vindo a proclamar a beleza da vida, desde o seu início, e dos traumas humanos provocados nas mulheres que abortam. Escutem o testemunho comovido de mulheres que abortaram e a alegria já manifestada por aquelas que venceram essa tentação e sentem hoje a alegria do filho que deixaram nascer. Escutemos, sobretudo, a Palavra de Deus e a voz da Igreja, que tem a doutrina que afirma, não por contradição, mas na fidelidade à verdade fundamental sobre a vida e sobre o homem. A defesa desta verdade, a Igreja fá-la por fidelidade, tantas vezes partilhando a dor de quem sofre este drama, e que ela toca ao vivo no mais discreto do seu ministério.
Nesta abertura à verdade que ilumina a nossa consciência, temos de nos defender de alguns obstáculos: da pressão sobre nós exercida por visões ideológico-partidárias e por movimentos de opinião. Mas temos, sobretudo, de nos defender de meias verdades e, sobretudo, das inverdades que podem surgir no calor da campanha em favor da opção que se deseja. Antes da responsabilidade do voto, cada um de nós tem, neste momento, a responsabilidade de procurar a verdade, pois só ela nos iluminará. E isso faz-se escutando os outros, esclarecendo dúvidas, debatendo perspectivas.

5. No dia 11 de Fevereiro próximo, na solidão de um voto, cada um de nós estará sozinho com a sua consciência, tornando-se corresponsável de uma decisão grave para a vida de pessoas e para a sociedade como um todo. O momento do voto não é comparável àquele em que uma mulher, também sozinha, tem de tomar a decisão de abortar ou não. Aí a decisão é envolta em drama, diz respeito a uma vida concreta, a que tem no seu seio, e aí joga a sua dignidade e o seu futuro. Mas a nossa decisão tem também a densidade de decidir do destino de muitos seres humanos e da grandeza e dignidade da sociedade que somos. Transformar a possibilidade do aborto num direito adquirido, tem consequências de civilização.

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

* Quinto de 5 textos (semanais) do Cardeal Patriarca de Lisboa, a respeito do Referendo sobre o Aborto

Fonte: Patriarcado de Lisboa

fevereiro 04, 2007

D. Januário Torgal Ferreira: A dúvida no próximo referendo

Perguntou-me (a D. Januário Torgal Mendes Ferreira) há dias um jornal diário de Lisboa o que decidir no caso de um estado de dúvida no próximo referendo sobre o aborto.

Não se tratava da dúvida metódica. Mesmo diversa, a dúvida só tem a beneficiar do que o método propicia, ou seja, porque há dúvidas, importa perseguir a solução própria, ver claro, vislumbrar a evidência, longe do instalamento, em depósitos adquiridos. Mas uma questão se levanta: e se não houver tempo para tal correria, e, devendo alguém decidir-se à boca das urnas, que solução propor/votar?

Se de um magistrado se tratasse, como proceder diante do réu, de cuja inocência ou culpabilidade se não tem a certeza, sendo urgente um procedimento conclusivo? Das alternativas (sim ou não), que escolher?

Não nego o sentido e o alcance da abstenção em não poucas matérias. Mas em realidades de primeiro tomo, a indecisão é inquietante.

O princípio jurídico é antigo como o tempo e transporta uma sabedoria única. É muito simples: «na dúvida, decide-se a favor do réu», ou seja, da parte mais fraca. Entre a meritíssima bancada que julga e a de quem lhe está submetido, se emerge a incerteza, o escuro/claro, a indefinição… «quid iuris»?, ou seja, que decisão legal deve ser assumida?

Nestas circunstâncias, o direito não tem rebuços. A parte mais frágil (a qual está em julgamento) tem a seu favor a debilidade de estado. Na dúvida (e, se após tão longo período de investigação, um espaço de mais tempo não é passível de clarificar o enigma), tome-se partido pelo réu, pelo seu sub mundo ou «desvalor»…

Perguntaram-me, na tal entrevista, qual então a parte desfavorecida, naquele novelo de protagonistas e razões?

Não tenho dúvida. Mas se a houvesse, não a teria: a pessoa mais frágil, é a criança.

Sem falsa retórica (porque a retórica tem linhagem literária e filosófica, de respeito), o julgamento não procede a propósito da entidade mais visível. A decisão joga-se a respeito da mais escondida. Quem não se vê, não tem oportunidade para uma opinião. O mínimo gesto defensivo. Tudo se joga a respeito de outros. Mas ela, a mais fraca e, como tal, desaparecida, aí está: sem voz, sem decisão, e sobretudo, sem importância. Bem sei, que não estando esta realidade em causa, é por causa da sua realidade, que os mais adultos são avaliados.

Na dúvida ou na certeza, os mais pobres deverão sempre mobilizar a nossa justiça. Nada contra ninguém. Tudo, a respeito de alguém. Da criança, o momento menos forte da existência!

Lisboa, 06 de Outubro de 2006

D. Januário Torgal Mendes Ferreira
Bispo das Forças Armadas e de Segurança

(in O Centurião, Set/Out 2006)
(ver em: www.cliturgica.org nº 1 Ano C 2006/2007)

fevereiro 03, 2007

Bernardo Motta: "Porquê votar NÃO"- Argumentário contra o direito ao aborto

Bernardo Sanchez da Motta produziu um excelente argumentário contra o direito ao aborto que reproduzimos neste blogue com autorização do autor. No blogue http://espectadores.blogspot.com poderão os interessados consultar documentos mais completos e detalhados sobre este tema.

Não foi possível integrar duas tabelas que constam do documento e que estão "identificadas" com "(...)". Por isso, aconselho os interessados a consultar o documento original em Porquê votar "Não" - Questões e afirmações comuns

1.Qual é a pergunta do referendo?

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

2. O que está em jogo se votarmos “sim” no referendo?

A resposta afirmativa traz a despenalização, a descriminalização, a legalização e a liberalização do aborto a pedido da mulher até às dez semanas de gestação:

(...)

A pergunta recorre habilmente ao termo “despenalização”, mas na prática permite muito mais. A expressão “por opção da mulher” faz do aborto uma conduta lícita porque passa a ser lícito optar pelo aborto. A expressão “estabelecimento de saúde legalmente autorizado” introduz o direito legal ao aborto. As recentes declarações do Ministro de Saúde materializam o acesso livre ao aborto, porque o Estado passa a subsidiá-lo, seja no sistema público de Saúde, seja em clínicas privadas.

3. «Não concordo com o aborto, mas não quero ver as mulheres na prisão»

Não é uma razão válida para votar “sim”. Se está contra o aborto, isso é uma razão para votar ”não”. Nunca nenhuma mulher foi presa no nosso país por ter abortado a sua gravidez. Os raros processos por crime de aborto no nosso país incidiram sobre gravidezes avançadas, sobre os terceiros que “ajudaram” nesses crimes de aborto e não resultaram na prisão das mulheres que abortaram.

A pena máxima, seja no crime de aborto, seja noutros crimes, é aplicada apenas em último recurso. Serve para marcar, de certo modo, a gravidade objectiva de um crime. Sempre que se verificarem atenuantes ou circunstâncias desculpabilizantes, o processo poderá ser suspenso e não ir a Tribunal. E mesmo no raríssimo caso de ser levado a Tribunal, o juiz tem ampla margem de decisão para aplicar uma pena detentiva abaixo da pena máxima de três anos, uma pena não detentiva, ou mesmo não aplicar pena alguma. Tudo dependerá das circunstâncias em que o crime de aborto foi praticado.

A vitória do “sim” permitiria que as pessoas que “ajudam” uma mulher a abortar conseguissem ficar fora da alçada da Justiça. A vitória do “sim” transformaria o pessoal médico que actualmente faz abortos na clandestinidade, técnicos de ética duvidosa que violam o Juramento de Hipócrates, em “profissionais de IVG”. Fomentaria ainda o mercado privado de clínicas de aborto em Portugal, e o compromisso do Estado para com o subsídio destas intervenções.

4.«Se Espanha já tem uma lei mais avançada, porque não Portugal?»

Este equívoco é comum. Espanha tem uma lei do aborto equivalente à nossa actual lei. O que se passa é que ambas as leis permitem o aborto em caso de “risco para a saúde psíquica” da mulher. Isto é tão vago e abrangente que constitui 98% das justificações para o aborto praticado em clínicas privadas espanholas. Para além do mais, uma lei permissiva em matéria de aborto deve ser vista como retrógrada porque desprotege a vida humana abaixo de certa idade, sendo um recuo na protecção do direito mais fundamental de todos: o direito à vida. Todos os direitos fundamentais se apoiam neste direito não negociável, essencial e primordial.

5.«O “sim” protege as mulheres dos riscos do aborto clandestino»

Em determinados aspectos, isto não é verdade. A legalização do aborto apenas minora certos riscos, enquanto mantém outros riscos graves. Vejamos quais os riscos para a saúde da mulher que aborta:

1) Risco para a saúde física:
a) Decorrente da intervenção em si mesma (intrínseco)
b) Decorrente da falta de qualificação técnica ou material adequado (incúria)

2) Risco para a saúde psíquica (trauma psicológico):
a) Decorrente do ambiente e circunstâncias nas quais abortou (circunstancial)
b) Decorrente da consciencialização de ter morto o seu filho

Vejamos agora as duas grandes categorias de aborto clandestino que existem:

1) Aborto clandestino, dito “de vão-de-escada”: aborto feito sem condições médicas adequadas e por pessoal não qualificado nem tecnicamente equipado;

2) Aborto profissional, mas feito na clandestinidade: aborto feito em clínicas ou hospitais, em condições médicas mínimas e por pessoal minimamente qualificado e equipado.

Quem é capaz de quantificar estas duas categorias e identificar qual é a mais significativa, quando não há informação? Todavia, é essencial distingui-las quando se faz a análise e ponderação dos riscos. Esta tabela mostra que, com o aborto legal, se mantêm todos os riscos, mesmo os físicos:

(...)

6. «A vitória do “sim” vai ajudar a baixar o número de abortos»

Isto faz tanto sentido como supor que a legalização de qualquer outro crime faria reduzir a sua incidência. O acesso livre ao aborto, com subsídio do Estado, é um “semáforo verde” à mulher que deseja abortar. O Estado dar-lhe-á a entender que não há mal em abortar e que é um direito seu optar por fazê-lo. Para mais, o Estado passará a apoiar financeiramente estas operações e dará alvarás de aborto a clínicas privadas. Como negar que o número de abortos terá que aumentar?
Os defensores desta tese absurda baseiam-se em empolados números de abortos clandestinos, manipulados a gosto e apresentados por organizações que promovem o acesso ao aborto.

7. «Voto “sim” porque a lei actual nada fez para evitar o aborto»

Poderíamos também afirmar que a lei que criminaliza a violação pouco fez para a evitar, sobretudo no âmbito da violência doméstica, ou que a lei que criminaliza o tráfico de droga pouco fez para o evitar. A solução para combater um crime nunca passa por o legalizar.

8.«Ninguém sabe ao certo quando começa a vida humana»

Isto é manifestamente falso. A ciência prova que vida humana principia na concepção. O termo científico é “fertilização”, quando o material genético do espermatozóide se funde com o material genético do óvulo fecundado. Esta fusão chama-se “singamia”. Após esta fusão, a nova célula gerada, o zigoto, inicia o seu metabolismo e respiração celular. A partir daqui estamos perante um novo ser vivo, que é humano porque possui o genoma do Homo Sapiens.

9.Porque é que o direito à vida deve ser reconhecido na fertilização?

- O direito à vida é um predicado ético universal (ou seja, válido em qualquer época ou local); a Ética existe para dar resposta a uma necessidade de Justiça; apenas os seres humanos (Homo Sapiens) são dotados da capacidade de pensamento abstracto e, por isso, de procurar a Justiça

- Com a fertilização, forma-se o zigoto, que é uma célula humana totipotente, isto é, tem tudo o que é geneticamente necessário para que o novo ser humano se desenvolva totalmente
- O direito à vida reconhece-se por aquilo que se é, geneticamente, e não por aquilo que se é capaz de fazer numa dada altura da vida: o zigoto é uma pessoa no sentido ético do termo
- Não é adicionada informação genética nova após a fertilização e até à morte do ser humano

10. Porque é que o direito à vida se sobrepõe a outros direitos?

O direito à vida é o direito primordial que está na base de uma sociedade justa. Todos os restantes direitos fundamentais, como o direito à liberdade, o direito à propriedade privada, o direito à privacidade, o direito à igualdade perante a lei, entre outros, são direitos que se apoiam no primeiro. Logo, o direito à vida do zigoto, do embrião, do feto, sobrepõe-se sempre ao direito da mulher em relação à liberdade do seu corpo, aos seus projectos de vida, aos seus desejos pessoais.

Certos defensores do direito ao aborto argumentam que, mesmo reconhecendo ao ser humano por nascer o seu direito à vida, a mãe não deveria ser obrigada a sustentá-lo fisiologicamente.

Em primeiro lugar, o sacrifício da mãe grávida, sem nunca o menosprezar, não é o da perda da própria vida, mas sim um sacrifício menor em comparação com o sacrifício da vida do ser humano que é abortado. Se a mãe não desejar o seu filho após o nascimento, ou não o puder sustentar, pode dá-lo para adopção ou entregá-lo a uma instituição adequada. Em segundo lugar, a mãe tem a responsabilidade biológica de levar a sua gravidez adiante, uma vez que ela, como mãe, representa metade das causas biológicas que levaram à formação do novo ser. Para além disso, qualquer mãe sabe e sente que tem uma obrigação especial de protecção em relação ao seu filho durante todo o seu desenvolvimento intra-uterino. Sem a protecção do útero materno, o seu filho não sobreviveria. Por tudo isto, o aborto é considerado uma conduta ilícita grave (“crime”) em todas as sociedades justas.
A nossa Constituição, no seu Art.º 24.º, afirma claramente que “a vida humana é inviolável”.

11.Então porque é que o Tribunal Constitucional aprovou a pergunta?

Em 1998, sete magistrados votaram a favor da constitucionalidade da pergunta. Seis votaram contra. Em 2006, repetiu-se a mesma votação. Quem votou contra sempre deixou bem claro que a pergunta era inconstitucional. Por exemplo, o magistrado Rui Ramos escreveu que, com a resposta afirmativa à pergunta, «se lesa, de forma constitucionalmente insuportável, o princípio da inviolabilidade da vida humana consagrado no artigo 24º, nº 1 da Constituição». E se a votação tivesse sido de sete contra a constitucionalidade da pergunta e seis a favor da mesma? Já não haveria referendo!

12. O que é que se deve fazer para combater o aborto?

O Estado deve apoiar as mães e a sua maternidade. Deve também agilizar o processo de adopção: a burocracia e os tempos de espera para adoptar são inaceitáveis. As empresas devem promover acções de apoio às suas colaboradoras para que estas se sintam encorajadas e apoiadas, não só na opção pela maternidade, mas sobretudo depois do nascimento. Todos devemos apoiar os inúmeros movimentos cívicos que, graças a esforço maioritariamente voluntário, acolhem e cuidam de crianças abandonadas ou cujas famílias não as podem sustentar. Toda a sociedade deve ainda mudar a sua mentalidade superficial, assumir uma cultura de responsabilidade, que passa sem dúvida pela educação sexual, mas sem nunca abdicar do dever de inculcar nos adolescentes e também nos adultos a necessidade de responsabilidade perante a sexualidade, e o respeito pelos compromissos que ela acarreta.

fevereiro 01, 2007

Agência Ecclesia: Bíblia para Crianças é um sucesso

Bíblia para Crianças é um sucesso

A Bíblia para Crianças, uma iniciativa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), é um projecto que vive desde 1979, sendo um sucesso em vários países de todo o mundo.

“É o nosso maior projecto”, refere à AIS o Pe. Tomás Langarica, SVD, que trabalha na editora do Verbo Divino. Só no último ano foram ultimadas traduções para Lugbari (Uganda), Tiv (Nigéria) e Umbundu (Angola).

A AIS apoia este projecto desde o início, na sua implementação e financiamento.

A editora dos Missionários do Verbo Divino, localizada em Estella, perto de Pamplona (Espanha) é especializada em literatura bíblica, editando cerca de mil títulos, neste momento. A Bíblia para Crianças da AIS já foi traduzida para 153 línguas e dialectos.

O Pe. Langarica não esconde a satisfação pelo sucesso deste projecto e lembra que “mais de 44 milhões de cópias” desta obra já foram distribuídas.

A Bíblia para Crianças – Deus Fala aos Seus Filhos é uma recolha essencial dos Textos Bíblicos, realizada pela teóloga alemã Eleonore Beck, que recebeu em 2004 uma condecoração da Santa Sé por este trabalho.

O livro, que conta ainda com as ilustrações de Miren Sorne foi editado em Portugal pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre em 1997, como contributo para o conhecimento da Palavra de Deus no Ano Internacional da Bíblia, que se comemorou nesse ano.

Nacional | Fundação AIS| 01/02/2007 | 14:24 | 1335 Caracteres | 123 | Sagrada Escritura

Fonte: Agência Ecclesia