« março 2010 | Entrada | junho 2010 »

maio 14, 2010

Mais impostos: fardo de uns, alívio de outros…

Em resposta à pergunta “a subida de impostos é a melhor solução?”, Jorge Coelho respondeu que “o que tem de ser tem muita força” (Jornal I, 14 de Maio, pp. 26). Por outras palavras e em português comum, será o “fado”, o “destino”, a “cruz” que a maioria dos portugueses têm de carregar para que os restantes possam respirar aliviados.

É fácil de perceber o alcance da resposta do Dr. Jorge Coelho: face às crescentes dificuldades de endividamento externo do País, de que outra forma iria o Governo arranjar dinheiro para conseguir “honrar” os contratos de obras públicas que tem andado a celebrar à pressa com a Mota-Engil e outras empresas do sector, senão recorrendo ao aumento de impostos?

Apesar do descalabro das contas públicas, muitos continuam a defender que os grandes investimentos públicos não devem ser travados, como garantia de crescimento e de emprego. Será? Mesmo que tais investimentos não sejam considerados prioritários e a sua exploração venha a ser deficitária no futuro? Mesmo que o seu impacto sobre a economia e o emprego seja apenas temporário? Mesmo que para isso o país tenha de endividar-se insuportavelmente e os cidadãos e as empresas sejam sobrecarregados com mais impostos? Mesmo que o aumento generalizado de impostos tenha um efeito negativo na economia, afectando o consumo e o investimento internos e, desta forma, o universo das pequenas e médias empresas, aquelas que representam o grosso do tecido empresarial e do emprego e que não vivem à sombra dos negócios e dos favores do Estado?

Publicado por Conceição Pereira às 05:09 PM | Comentários (0)