novembro 15, 2003

Jornalistas no Iraque - 1

Há muita emoção ainda no ar, mas vários aspectos começam já a ser focados:

1. A irresponsabilidade das empresas de comunicação social ao não apostarem na formação dos jornalistas para teatros de guerra.
É inadmíssivel este amadorismo. É inconcebível que se continue a olhar para os jornalistas como meros redactores de factos, capazes de escrever sobre tudo e mais alguma coisa sem a devida preparação. A formação profissional é um conceito alargado a quase todo o tecido empresarial, não se percebe que ainda não tenha chegado às empresas de media (portuguesas). A lógica de poupar uns tostões, alicerçada na pequenez da nossa mentalidade, dá nestas coisas.

2. A inconsciência dos jornalistas
Todos têm culpa, incluíndo os jornalistas. Para além da falta de preparação, decorrente do que escrevi no ponto anterior, eles não souberam avaliar correctamente a situação. Há, aliás, uma intervenção, creio que da própria Maria João Ruela, já depois da operação cirúrgica, que deixa entender que eles não tinham a noção de que a situação no Iraque tinha atingido tamanho grau de instabilidade. Óu seja, encararam a viagem com espírito de aventura e não com profissionalismo, não fazendo uma avaliação fria, objectiva, cautelosa e rigorosa do ambiente que iam enfrentar - por outras palavras, não fizeram o trabalho de casa.

3. O governo...
... ou dever-se-á escrever desgoverno? Porque é que é, uma vez chegados ao Kuweit, os responsáveis da missão se descartaram dos jornalistas, deixando-os sem qualquer tipo de protecção? Não sei, mas isto é, realmente, deplorável e censurável, pois esta atitude só revela que se serviram dos jornalistas para montar o show-off mediático - uma vez longe dos olhos dos portugueses, é cada um por si.

Publicado por Gonçalves em novembro 15, 2003 01:15 AM
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