novembro 12, 2003

Deixa-me rir

(esta impressão andou perdida, mas quis o acaso que ela surgisse, como que por magia, no meu ecrã. Faço pois a vontade ao Destino, publicando-a)

Há cromos que, com o tempo, viraram postais. Postais que ilustram o quanto a inveja, a mesquinhez, a hipocrisia, as vistas curtas - o "umbiguismo", se me permitem o neologismo - pode toldar mentes e comportamentos. Vem isto a propósito da recente "polémica" sobre a decisão do FCPorto em não convidar o presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, algo que, na perspectiva de alguns postais, constitui um gesto de desrespeito, se não mesmo insulto, para com a instituição parlamentar. Perdão?

Definitivamente, os tais postais continuam iludidos, pensando viverem no tempo da Grande Metrópole, de onde, sobranceiros, espreitavam para a paisagem que os rodeava com o mesmo espírito paternalista que se confundia com o desdém, decretando o que estava certo e o que estava errado, o que importava e o que nem por isso. Apesar de tudo, a verdade é que, no caso da cidade do Porto, a nossa secular história está enriquecida por episódios que demonstram claramente que, por cá, só pisa ramo verde quem nós queremos. Ora, sendo certa e sabida a enorme identificação que existe entre a cidade (e região), as suas gentes e o FCPorto, adivinha-se que os espasmos alucinados daqueles iluminados terão o mesmo efeito que têm as abelhas na cultura da batata...

Neste caso, os espasmos, para além de alucinados, expõem ao ridículo quem os sofreu. Censurar o FCPorto, mais concretamente o seu Presidente, por não convidar Mota Amaral, é apenas (mais) uma desculpa para tentarem denegrir quem lhes provoca tanta asia e noites mal dormidas. Primeiro, porque em situações similares, nunca o presidente da AR foi convidado pelo clube, privilegiando-se sempre o Presidente da República e/ou o Primeiro-Ministro; depois, porque mesmo que a decisão de não o convidar se relacionasse com o caso das multas aplicadas aos deputados, o FCPorto teria todo o direito, decorrente de vivermos em democracia, de demonstrar o seu desagrado para com aquela decisão (já agora, imagino se o mesmo grau de "moralidade" seria respeitado fosse o Benfica ou o Sporting a estarem em Sevilha. Hipótese que, diga-se, exige mesmo MUITA imaginação...).

Mas Pinto da Costa já veio desmentir tal hipótese. E eu acredito nele. É que, ao contrário de outros, ele não teria qualquer problema em dizê-lo publicamente se tal fosse verdade. E isso também os irrita...

Publicado por Gonçalves em novembro 12, 2003 12:06 AM
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