novembro 29, 2003

Sim, Sr Ministro!

Brilhante! É o que se pode afirmar da entrecista dada por Manuela Arcanjo na Antena 1. Pena que não tenha sido dada a um jornal, para que as suas afirmações ganhassem a força que só a letra de forma empresta.

Um discurso desassombrado da política, explicando as suas convicções e abrindo um pouco o jogo sobre algumas politiquices e intrigas bem ao estilo da série britânica que dá o mote para o título deste post.

Como exemplo e tendo sido o principal motivo para a sua demissão o facto de não concordar com o favorecimento que Sousa Franco dava aos ministros com os quais tinha boas relações de amizade em detrimento de outros. Dizia ela que não havia uma política, havia um exercer de influências sendo que dos mais beneficiados era Ferro Rodrigues que tinha sempre verba para tudo o que se pretendia fazer ("o Prof. de Economia por quem Sousa Franco tinha admiração"), ao contrário de João Cravinho que "se não fossem os Secretários de Estado a exercerem a sua influência nunca teria nenhuma verba aprovada".

Brilhante!

Publicado por cparis em 05:21 PM | Comentários (0)

novembro 26, 2003

Um Rei na manga

Portugal perdeu a organização da America's Cup. É pena. Pena é a politiquice barata que vem agora. Em Portugal continua sem se sabe ganhar nem perder.
José Lello vem dizer que Portugal não teve lobby suficiente. Tem razão. Mas devia estar calado.... Porque o Governo não tem culpa de ter um Presidente irrelevante. Quem é Jorge Sampaio no panorama internacional? O que é que ele representa a mais do que Portugal? nada.

Espanha jogou nesta competição com o sue maior trunfo. O Rei. Coisa que não fez no Euro. O Rei Juan Carlos usou de toda a sua influência para conseguir trazer a organização. E a sua influência é a família grega, holandesa, inglesa. Família de sangue, não partidária. E obviamente que a organização sabe que irá ser tratada em Espanha a um nível de dignidade que o nunca será em Portugal. Coisas da Monarquia. Aliás em 2007 a organização nem sequer sabe se o Presidente da altura apoiará ou não o evento. Coisas da República.

Por isso, um republicano que se preze devia estar calado. A vitória de Valência foi ela também uma vitória da Monarquia.

Publicado por cparis em 01:15 PM | Comentários (0)

Será que não se aborta o aborto

Volta, não volta discute-se o aborto. Nem uma linha a questionar o porquê de não haver educação sexual nas escolas.. Nahhh... isso dá trabalho e depois todos os anos tinha de se avaliar a implementação e a metodologia a usar... Se ensinar português gera aquela confusão toda com o big brother nos manuais, agora vai-se lá ensinar os miúdos sobre sexualidade. Nahh.... nada disso... mata-se e pronto...

PS. Se quiser acompanhar a discussão ela passa pela Bloguítica, a Praia, o Glória Fácil e o VivaEspanha.

Publicado por cparis em 12:18 AM | Comentários (1)

novembro 24, 2003

Imigrantes e Desemprego

Sempre defendi a existência de uma política de imigração. Acusado de xenófobo, respondem-me que os imigrantes fazem os trabalhos que os portugueses não querem, não tirando nenhum emprego aos já residentes.

Sem paciência para demonstrar o absurdo de tal afirmação (mais mão de obra, obriga a menos trabalho disponível), gostava de saber qual o argumento que usam quando se sabe agora que uma percentagem importante desses imigrantes se encontra desempregada, e alguma já está a receber dinheiro do Subsídio de Desemprego e o Rendimento Mínimo Garantido.

Quando é que de uma vez por todas se deixa de ser hipócrita e se assume que o País não se pode dar ao luxo de acolher a quem não é capaz de integrar.

Publicado por cparis em 09:15 PM | Comentários (0)

Ferro Rodrigues é culpado

Digo mais. Ferro Rodrigues é o único culpado de o PS andar sempre envolvido no caso Casa Pia.

Se foi Ferro Rodrigues fez, e bem, um pedido para saber quem o acusou. Ora quando o Procurador negou o pedido (uma vez que em Janeiro já será público e iria abrir um precedente, porque é que sai um comunicado do PS a explicar a situação? Se Ferro Rodrigues achava que devia emitir um comunicado, devia ser ele a faze-lo e nunca o PS.

Ou seja, mais uma vez é Ferro Rodrigues o único culpado de o PS andar sempre a falar na Casa Pia.

Publicado por cparis em 11:31 AM | Comentários (0)

novembro 23, 2003

O Presidente inútil

Já aqui disse e repito que o nosso Presidente da República é um inútil. E não me refiro apenas a Jorge Sampaio, mas ao cargo em si. A sua única função é ser parte do problema, adiando as decisões (Códgo do Trabalho) mas nunca pode ser parte da solução.

Basta ver: é contra apoio de Portugal aos US, e teve de meter a viola no saco. É contra a política orçamental e mais não pode fazer do que afirmar isso entre dentes de modo a criar desconfiança no Povo em relação ao Governo por ele eleito. Felizmente a comunicação ao País teve 6% de audiência.

Claro que isto vem a propósito da proposta que Manuel Monteiro. Concordo com o Bloguítica que a medida iria mudar muito o nosso panorama e não sei se será a melhor. Já o Mata-Mouros defende mais o Sistema francês.

Eu só digo: O NOSSO SISTEMA É MUITO MAU. Mude-se porque não conheço pior. Claro que se me pedirem a opinião preferia o Espanhol ou o Holandês.

Publicado por cparis em 05:18 PM | Comentários (0)

novembro 20, 2003

actualizar links

Actualizei os links da coluna. Adicionei vários links à secção principal e à esporadicamente. Juntei muitos, muitos links que espero descobrir quando tiver tempo.

As maiores subidas vão para o Bloguítica, e NoParapeito: dois blogs que muito me surpreenderam pela personalidade de quem os escreve. Nas despromoções , o Abrupto merece destaque. Teve o azar de falar (sem muito acerto) de algo que conheço bem, e a partir daí tudo se põe em causa.

P.S. Entretanto adicionei outros que me tinha esquecido e que estavam noutro bookmark: a blogotinha, o blog da inês (onde tentei concorrer mas não consegui acompanhar o ritmo), 3tesas e o lérias.

Publicado por cparis em 07:34 PM | Comentários (6)

Laicicismo, anti-religião, ou simplesmente estupidez?

Desde que ouvi o Fernando Rosas queixar-se de que a RTP não deveria dar a transmissão do 13 de Maio porque o Estado é laico, fiquei com a pulga atrás da orelha a respeito deste pretenso Laicicismo.

Agora é a França que a coberto de uma falsa moralidade vem proibir o uso de sinais exteriores de religiosidade. Absurdo. Incongruente e não consegui ler em nenhum lado nenhum motivo válido que sustente tal decisão.

Claro que a embrulhada onde eles se meteram tem razão de existir. A França, cheia dos seus "Fernandos Rosas" esforçou-se por combater a Igreja Católica transformando a laicicidade numa luta anti-Igreja. Na altura era a "escola sem Deus", onde os directores das escolas vigiavam os alunos que tentavam entrar na escola com uma medalha vísivel do santo de estimação.

Ou seja, o aluno pode adorar um cantor rock, Che, um jogador de futebol mas nunca um santo. Laicicidade, anti-Igreja, ou simplesmente estupidez? Creio que no fundo se trata apenas de uma certa arrogância intelectual em que se pretende dominar o pensamento e as convicções dos outros. Estilo Hitler, estão a ver.

PS. Estou a escrever a respeito do véu que cobre a cabeça, e não do véu que cobre o rosto. A respeito deste último, sou sensível às teses que dizem dificultar a comunicação.

Publicado por cparis em 01:10 PM | Comentários (3)

(In)dignidade

Não considero digno entrar no meu local de trabalho por uma porta lateral.
Carlos Reis, Prof. da Fac. Letras da Universidade de Coimbra

Não só constitui um sério aviso ao Reitor para nunca fazer obras no edíficio que obstruam a entrada, sob pena de paralisação geral, como vem mostrar a picuinhice de alguns dos Professores do Burgo.

De facto, para eles é digno haver assistentes sem direito a gabinete, leccionarem sem condições (houve uma aula suspensa em Direito porque havia mais alunos do que lugares sentados), mas não é digno entrarem numa porta lateral. É caso para dizer: O Rei vai nu.

Publicado por cparis em 10:22 AM | Comentários (1)

novembro 18, 2003

Política a sério

Está a haver uma discussão política neste momento que merece ser acompanhada. VivaEspanha, Bloguítica e o Irreflexões estão a discutir o posicionamento do PS pós-Guterres no panorama político.

Vale a pena passar por lá.

Publicado por cparis em 06:32 PM | Comentários (0)

novembro 17, 2003

O VLX tenta, tenta

mas afoga-se no seu mar salgado.... Porque insiste em corrigir a sombra e não a árvore.

Fala nos alunos que passam 8 anos a estudar, mas não questiona porque é que há licenciaturas em Portugal de 6 anos de duração. Para quê? Por quê? E as de 5, se nos outros países chegam quatro? Já pensou VLX que cursos de 3, 4 anos, terão obviamente menos custos directos e indirectos (menor índice de reprovações)?

E fala nos alunos que mudam de curso, mas não questiona duas coisas simples:
1. Onde está a orientação profissional no secundário? Eu tive de me deslocar à capital do Distrito e o único apoio que tive foi o Guia de Acesso.
2. Porque é que temos licenciaturas estanques? Porque é que um aluno de Ciências não pode ter uma percentagem da sua formação (5, 10%) em disciplinas das Humanidades?

Meu caro VLX, eu vim para a Universidade para me formar, e a Universidade só me deu a componente científica. Quando fazia jornalismo faltava a Geometria Diferencial, quando fui empreendedor faltava a Análise infinitesimal. Os contribuintes pagaram isso tudo? Pagaram, mas também pagaram o Estádio das Antas, assunto tão do agrado da Vossa nau, as SCUTS no Algarve. Quer comparar?

Quanto ao Ensino tenho pena que haja tempo perdido em vez de se exigirem licenciaturas completas, modernas e europeias. O Acordo de Bolonha está aí (grau único - 4 anos) e os Srs. Reitores demoram a acertar o passo. E quando o fizerem nunca será diminuindo disciplinas (acabam cargos para professores) mas sim reduzindo cargas horárias, fazendo com que os alunos tenham 6, 7, e 8 disciplinas por semestre.

Caro VLX, tente apenas não ser preconceituoso e admitir que possa haver pessoas tão inteligentes ou dignas de mérito quanto Va. Ex.a, mesmo que tenham opções diferentes. E que o País precisa delas.

Publicado por cparis em 09:21 PM | Comentários (3)

À moda do Porto

Um relvado esburacado, uma equipa com 24 ausências do plantel principal, uma simulação de penalty que ilude o árbitro amigo e Isabel Silvestre a cantar o hino com a ajuda de uma cábula. São momentos, onde se esquece a humildade e profissionalismo que criaram a grandeza do Norte, e estão a dar uma nova dimensão à expressão à moda do Porto.

Publicado por cparis em 05:50 PM | Comentários (0)

novembro 14, 2003

Portugueses feridos no Iraque

Anda a passear pelos blogues, com um comentário aqui, outro ali, quando soube pelo outro-eu que havia Portugueses feridos no Iraque.

Tudo o que escrevi, e tudo o que li, me pareceu fútil ao ver que alguém arrisca a vida para me informar de algo que eu passava bem sem saber.

Sinto-me vazio.

Publicado por cparis em 05:18 PM | Comentários (0)

novembro 13, 2003

Propinas

Não vou perder mais tempo com este assunto. Já aqui disse que acho que está empolado. Bastaria não haver derrapagem na Ponte Europa para pagar as propinas da Univ. Coimbra dos próximos 50 anos.

Mas peço só que leiam esta brilhante explicação do Adeodato, para perceberem um pouco melhor como estas coisas não são lineares.

Publicado por cparis em 11:19 AM | Comentários (1)

A Inutilidade do Ferro

A entrevista de Ferro Rodrigues foi um atestado de inutilidade. Gostava inclusive de saber a sua audiência porque duvido que alguém tenha assistido até ao fim. Além da parte da Casa Pia onde concordo com a razaodascoisas, Ferro tentou falar um pouco de política.

E foi elucidativo: "se o PS tivesse usado receitas extraordinárias não tinha tido aquele deficit escandaloso de 2001"

Não sei que mensagem pretende passar. Eu oiço: >"se o nosso ministro das finanças tivesse trabalhado bem não nos teríamos endividado mais, não tinhamos criado uma má imagem e não teríamos perdido as eleições".

Também foi interessante estar preocupado com o facto da redução de verbas não permitir uma correcta manutenção das pontes (sim, ele falou que havia pontes a cair em Portugal por falta de manutenção. vá-se lá saber porquê).

Quanto ao resto: gráficos e mais gráficos. Alguns bem elucidativos, mas quando alguém com formação vê a completa manipulação que o gráfico de desemprego tinha, coloca em causa a veracidade de todos os outros. Aliás esta gráfico revela uma desonestidade intelectual incrível, que não acredito que tenha sido do Ferro, mas sim de algum marketeer novato a querer deixar marca.

No final, dos bocados que vi, Ferro tinha uma solução: aumentar a receita fiscal permitiria ao Governo investir mais. Ora até aqui fez asneira, por dois motivos:

1. A eficiência da máquina fiscal é algo que se vai construindo ao longo dos anos. Se ela não é boa é culpa obviamente do Governo actual, mas também em certa medida do anterior.

2. Em tempo de cortes, o Ministério das Finanças é aquele que mais aumento irá ter exactamente para permitir uma maior actuação no campo da receita fiscal.

Honra seja feita ao PCP que sempre asteou esta bandeira bem alto em todos os Governos desde Cavaco Silva.

Ou seja, se a sua ideia inovadora é esta, não se percebe porque não se lembrou dela muito mais cedo e importa referir que o Governo não só se lembrou (quanto a mim tarde. Perdeu 2 anos injustificadamente !! ) como a está a implementar.

Publicado por cparis em 10:51 AM | Comentários (1)

novembro 12, 2003

Mulheres na Igreja (resp. VivaEspanha)

Diz o VivaEspanha que:
A subalternização e as dificuldades acrescidas que as mulheres enfrentam na sociedade são, numa parte significativa, um reflexo do que a Igreja estabeleceu.

Recordo ao VivaEspanha que a sociedade é mais antiga do que a Igreja, e que quando esta se fundou, a mulher era sinónimo de mentira e falsidade, tendo a Igreja tido um papel preponderante para devolver à mulher a dignidade que tem direito (basta ler um bocadinho a Bíblia).

A mulher não tem acesso ao poder na Igreja. Voilá. É o grande pecado apontado a uma Igreja que convictamente acha que o representante de Deus na Terra deve ser um homem. Obviamente que se pode discutir esta interpretação, mas esta decisão em nada atenta com sugere VivaEspanha contra a dignidade da mulher.

A Igreja é uma associação livre, e a ela adere quem partilha dos seus princípios. E se ela, e as pessoas que a ela aderirem, efectivamente discordarem desta interpretação, provavelmente ela será mudada, como o foram várias posições no Concílio Vaticano II.

Quanto ao resto, caro VivaEspanha, a Igreja não funciona por dogmas, mas por convicções. E (infelizmente porque senão tudo seria mais fácil) por interpretações humanas dessas convicções. Quem não partilha dessas convicções não se deve associar.

Quem não partilha das interpretações mas acredita nas convicções deve tentar encontrar o seu espaço lá dentro e mudar o que pode ser mudado.

Tudo se passa como em qualquer associação política ou social. Só que sabe sempre bem atacar a Igreja. É fácil porque a Igreja é coerente e intransigente na defesa da sua verdade.

Publicado por cparis em 01:36 PM | Comentários (1)

novembro 05, 2003

Bispos homossexuais, mulheres na Igreja (resp. a VivaEspanha)

O VivaEspanha, a propósito do escândalo que envolveu a nomeação de um bispo homossexual pela Igreja anglicana, aproveita para de caminho dar uma tacada na Igreja católica.

Podia perguntar-Lhe quantas mulheres existem na maçonaria, ou quantos homossexuais existem na liderança dos partidos (já reparou que até o Bloco de Esquerda que gosta de se arrogar o defensor das minorias e dos homossexuais e não teve nunca a coragem de colocar lá nenhum) mas nem sequer quero ir para perguntas tão óbvias.

Ora, na Igreja católica, como é possível falar da possibilidade de existência de eclesiásticos homossexuais se é presumido que eles devem suprimir a sua sexualidade (opção voluntária)? Não faria sentido, como não faz sequer sentido falar em padres heterossexuais.

Quanto ao papel da mulher na Igreja. Respondo-Lhe de uma simples penada: ele é o reflexo do papel da mulher na Sociedade, e da (enorme) importância que Lhe é dado no seio da família. Será errado? Talvez, mas dispenso as falinhas mansas ao dizerem que é "menos digno".

É que acho sempre muita piada a certos idealistas que dizem a Igreja isto, a Igreja aquilo, e se esquecem que esta Igreja movimenta algo como 1 bilião de pessoas e é nesta comunidade alargada que deve encontrar os seus consensos.

Basta ver a dificuldade que os países têm para os encontrar internamente (em França quiseram proibir uma criança de entrar na escola de burka), para ver a dificuldade que é a Igreja doutrinar sobre certos usos e costumes.

Publicado por cparis em 11:49 PM | Comentários (3)

Ideias (mal) feitas

Pensava eu que resistia a comentar algumas das ideias (mal) feitas que existem sobe o financiamento do Ensino Superior. Afinal um artigo do Mar Salgado (VLX) conseguiu-me tirar do sério.

Primeiro revela ignorância, o que não costuma ser frequente por ali. Depois alguma arrogância e preconceito o que ainda é mais raro.

Comete erros crassos no que diz ao respeito ao tipo de ensino que se dever ter e ao seu modo de financiamento.

Respondendo ponto a ponto:

1. Muito se fala no custo do aluno. Mas digam-me então quanto custa um aluno? As universdiades fazem as contas deste modo: custo total a dividir pelo nuemro de alunos. Feito. Ou seja, em Coimbra um aluno paga as despesas com a Biblioteca Joanina, os livros para estarem no gabinete dos professores, as sabáticas, os honoris causa, as viagens ao estrangeiro. Tudo.

2. Afinal qual é o objectivo da Universidade? ensinar, investigar? Quanto é que o Estado paga para a Universidade investigar? E para as mordomias? A investigação, os doutoramentos são feitos na óptica das necessidades do Ensino ou nas necessidades da Investigação?

3. Ao nível do Ensino, o objectivo da Universidade deve ser o de formar os alunos e independentemente do tempo que isso demorar. O aluno deve ter o direito de demorar o tempo que quer a tirar um curso.

4. Diz VLX que após o segundo ano a mais, o aluno devia pagar a propina por inteiro? Até posso concordar. Mas tambem tem de concordar que um aluno não devia pagar propina por ano. Devia pagar por disciplina. Qualquer cidadão deve ter o direito de pagar apenas pelo que consome. Seria bom ver esta medida implementada. Aí sim fechariam as universidades.

O que se passa é que há vários alunos, os tais que se dizem deviam abandonar a Universidade a pagar sem ir às aulas. São estes que na prática garantem algum dinheiro para os outros.

5. Um estudante não paga 14 contecos. Pode ter sido o seu caso. Eu tive de alugar quarto, pagar transportes, além dos livros e fotocópias. Curiosamente os meus pais podem descontar o mesmo que os meninos com possibilidade de estudar na própria terra.
Esta é a primeira injustiça do Sistema de Ensino Superior, que beneficia claramente os estudantes das grandes cdides em detrimento dos do interior.

6. Demorei orgulhosamente 8 anos a tirar o curso. Nunca chumbei três vezes a nenhuma disciplina, só que tomei as minhas opções. No meu sexto ano já estava a trabalhar, e no ano seguinte já era gestor de projecto com vários recém licenciados na equipa. Alguns tinham sido meus colegas e ganhavam menos do que eu. Pelo meio tive experiências enriquecedoras em diversas áreas que me preparam muito bem para a minha vida profissional.

Deve ser essa a missão da universidade e não a de fornecedora industrial de canudos.

Quanto ao resto: folclore. Olhe em Coimbra temos uma ponte que por defeito de fiscalização está numa derrapagem fenomenal. Só o dinheiro já gasto a mais (e ainda sem problema resolvido) dava para pagar as propinas da Universidade dos próximos 50 anos. É aqui que o Estado devia poupar dinheiro, no desperdício , e considerar o Ensino Superior um investimento.

PS: A minha opinião, não significa que tudo esteja bem.
- Acho por exemplo que se podia facilmente implementar um Sistema de pagamento de propina por disciplina, em que por cada ano que se chumbasse a propina aumentava. Era mais justo (pagar pelo consumido) e incentivava a um planeamento mais correcto por parte dos alunos. O Sistema actual é uma fantochada. Os professores têm 200 alunos inscritos, preparam laboratórios para 120, nas aulas aparecem 80 e nos exames 60.
- Devia haver mais rigor na contratação de docentes, dispensas para doutoramentos e sabáticas. A alegada falta de docentes tem muito que ver com deficientes planeamentos por parte das Universidades. Contrata-se quando falta, e depois quando sobra gente, nada se faz. Promove-se porque há dinheiro num ano, esquecendo-se que depois não pode haver despromoção.

Publicado por cparis em 12:43 PM | Comentários (0)

novembro 03, 2003

aborto

Vale a pena ler o que diz o pobre de mim sobre o aborto. Não que concorde totalmente com ele, mas levanta algumas questões que nos fazem pensar. Transcrevo a última:

A Natureza (…) torna fortes e robustos os que são bem constituídos e faz morrer todos os outros; difere nisto das nossas Sociedades, em que o Estado, tornando os filhos onerosos aos pais, os mata indistintamente antes do seu nascimento.
Jean -Jacques Rousseau (1712-1778), Origem e Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, Livros de Bolso Europa-América, página 27

Publicado por cparis em 11:16 PM | Comentários (1)

O Acórdão da Discórdia

O Barnabé ficou ofendido com o Acórdão do Supremo que distinguia os acto homossexuais com menores dos heterossexuais.
Ora essa distinção não foi feita pelo Supremo, mas sim pelo Artº 175º do Código Penal. Basta ler com atenção o protesto (bem redigido) feito pelos Activistas homossexuais para se depreender isso.
Mais uma vez, como no caso Casa Pia, acusa-se a Justiça pela incompetência dos legisladores e da Assembleia da República.
Efectivamente se discriminação existe foi a AR que a provocou, e é à AR que cabe propor alguma mudança. E que me lembre nunca tal foi feito por nenhum partido.

Publicado por cparis em 02:25 PM | Comentários (5)

Presidencialmente Incorrecto

Numa atitude de deplorável consenso nacional, anda toda a gente com medo de criticar o Presidente. Mas o que é um facto é que a entrevista dele só veio provar a sua inutilidade (menos audiência do que as eleições do Benfica) e a deplorável visão que a esquerda tem da justiça e da democracia. De facto um responsável político não pode, em circunstância alguma, dizer o que ele disse:

“Rio-me e faço brincadeiras (com a hipótese de estar a ser escutado). Agora ouçam lá o que estou a dizer: Zás!... cinco palavrões!”

Ou seja, ele afirma leviana e deploravelmente que quem faz as escutas deve ser gozado.
Afinal são meros funcionários públicos a mando de um juiz. Num país de faz de conta, que mal faz um Presidente da República mostra desrespeito pelo funcionamento das instituições judiciais?

Se calhar tem razão. Devíamos todos dizer bem alto cinco palavrões, não só à justiça, mas à classe política, inoperante e bafienta, onde o Presidente se insere. Todos estamos fartos de políticos bem falantes que só sabem discursar e criticar, quando são eles os principais responsáveis pelo estado das coisas que criticam.
Afinal esta lei das escutas, que tanto repugna Jorge Sampaio, foi por ele promulgada.

PS: Aquilo que Jorge Sampaio defende, é o mesmo que legitimar as ofensas dos estudantes ou o comportamento das claques de futebol em relação às forças policiais. No fundo são tudo actos de ofensa cobarde e gratuita.

Publicado por cparis em 11:45 AM | Comentários (2)

novembro 01, 2003

Sorte do acaso

Nesta coisa de arrumar referências, descubro que o de direita acabou por me colocar entre A Cagada e A Razão das Coisas.
Espero estar à altura desse espaço :-)

Publicado por cparis em 07:30 PM | Comentários (0)

Eu também não tenho nada a ver com isso

Não sou nada responsável com o que quer que tenha acontecido na Casa Pia. Concordo totalmente com o ZDQ, a respeito do discurso da Catalina Pestana onde ela dizia: "Somos todos responsáveis".
A não ser que o nós dizesse respeito apenas aos presentes naquela sala (jornalistas e funcionários da Casa Pia). Aí sim já a frase fazia sentido.

Publicado por cparis em 06:45 PM | Comentários (0)