outubro 27, 2003

Casal Gay - a contradição

A respeito de um artigo antigo sobre a poligamia e o facto como esta é pior encarada socialmente do que a homossexualidade, recebi um comentário do Casal Gay.

E aqui surgiu a dúvida: Poderá existir um Casal Homossexual ou isto é nitidamente um oxímoro, uma contradição? Por definição.

casal: s. m., [...] par composto de macho e fêmea;

Deste modo será que o que temos são Pares homossexuais? Também por definição:

par: adj. 2 gén., igual; semelhante; ou então:
par: s. m., duas pessoas do mesmo ou diferente sexo, especialmente marido e mulher; casal;

Ou seja um casal é um par, mas um par não é necessariamente um casal. Neste caso, porque querem os homossexuais ser apelidados de casais em vez de pares? (ou parelhas?)

Publicado por cparis em 09:19 AM | Comentários (8)

outubro 24, 2003

Escutas, e a memória curta

Andava eu envolvido em lides académicas, quando se começou a perceber que os principais dirigentes estudantis andavam sob escuta do SIS. Inclusivé na Academia foram criados uns autocolantes do tipo "Cuidado - SIS à escuta" para gozar com a situação, ao mesmo tempo que se alertava para esta nova realidade.
Agora os políticos ficaram sob escuta e parece o fim do mundo.

Publicado por cparis em 07:45 PM | Comentários (0)

outubro 23, 2003

Barnabé seguidista

Diz o Daniel que é homem de partido. E como tal não compreende Carrilho.

Daniel acha que para se ser de um partido tem de se ser seguidista. Tem futuro.

Pois caro Daniel, o PS pode falar de outra coisa se não levar Pedroso para a AR. Pode também impedir que António Costa fale com Júdice para este atacar o PGR. Pode acima de tudo perceber de uma vez por todas que o problema é única e exclusivamente de Pedroso e não do PS.

Se o seu pescoço Lhe permitisse olhar para a direita, bastaria ver como Durão tratou o caso Portas e o caso Moderna. E aí Ferro perde claramente. Porque não tem sentido de Estado e do que é importante para o País.

A propósito do Barnabé encontrei um aliado nesta relação esquisita que tenho com o barnabé. É que nunca consigo concordar minimamente com o que eles dizem. Mas nunca fui capaz de me exprimir tão bem quanto isto, a respeito da opinião (nada seguidista) do Daniel pelo discurso do Presidente.

Investigámos os blogues da moda. Todos são concordantes: O Sampaio não disse nada. - Não houve seguidismo porque tivemos o cuidado de ver a hora da publicação das postas destes blogues-.
Fomos a um Blogue de Esquerda: 'O Barnabé' - Gostaram!
- De quê?
Não disseram.
in a Planície heróca

Boa sorte Daniel. Tenho a certeza de que se alguma vez o PS e o BE se unirem para formar Governo, terá um brilhante futuro. Nada como começar já a trabalhar para isso.

Publicado por cparis em 06:49 PM | Comentários (2)

PS - A sucessão

Barnabé critica Carrilho.. Partilho mais da visão do Adufe sobre o tema. Mas convinha ver um cenário mais global.

Jorge Coelho regressou ao activo. Devagar, devagarinho anda por todo o País em reuniões com vários membros do PS. Sem nenhum motivo especial. As autárquicas estão a cargo de Maria de Belém, e pensa-se que este movimento de Coelho tenha a ver com um regresso de Guterres para as Presidenciais. Sempre à margem de Ferro.

O que é um facto é que o núcleo mais próximo de Ferro está rebentado. Ferro não sabe falar de outra coisa que não a Casa Pia. E a revelação das escutas caiu muito mal, mesmo muito mal, na classe mais conservadora do PS.

Manuel Alegre deu-se conta disso. E daí ter proposto um Congresso tentando calar algumas vozes. No Congresso ver-se-ia melhor quem era a Oposição. E poderia reforçar a liderança de Ferro ou então dar uma oportunidade de saída digna a um líder que ele preza e acima de tudo respeita.

Mas no PS as coisas não funcionam assim. Constâncio teve 96% num Congresso e durou meses o seu reinado. Daí que Carrilho não tenha querido esperar. Porque para ele não há nada a esperar. Fica com aquele prazer interno (chamam-lhe arrogância) de dizer o que todos pensam mas ninguém tem coragem. As críticas virão de todos os lados. Principalmente de quem prefere ter um líder do PS fragilizado.


Publicado por cparis em 06:22 PM | Comentários (0)

Primeira impressão

Sempre desconfiei de ideias pré-concebidas. Principalmente daquelas que nos levam a evitar conhecer algo que podemos vir a gostar. Irrita-me sobremaneira as pessoas que dizem logo não gostar de determinado prato sem nunca o provarem.

Esforço-me para não ser uma dessas pessoas. Tanto na comida como na vida. E por isso fui consultar um blog de uma pessoa sobre a qual não tinha boa impressão. Fui espreitar o parapeito.

O resultado foi um misto de emoções: vergonha pelos meus sentimentos infundados, alegria por ter decidido arriscar e ter sido recompensado com algo de maravilhoso.

No parapeito, posso encontrar aqueles sentimentos nobres de quem tem um filho. Sentimentos tão belos, quanto a prosa em que são escritos.

Por isso, e porque os meus elogios de nada valem comparados com o que poderão ler, aconselho a espreitar pelo parapeito, e desfrutarem de alguns momentos de pura beleza.

Publicado por cparis em 05:30 PM | Comentários (0)

Azulices

Que Deco é bom jogador ninguém questiona. Agora afirmar que "Deco é o melhor jogador português desde Eusébio", é assumir que não se percebe nada de futebol. Ou que se vê então tudo muito azul.

Publicado por cparis em 05:17 PM | Comentários (0)

Ferro deve sair

Já aqui tinha defendido esta tese. Ferro não está à altura do cargo que ocupa. Vários motivos justificam essa saída:

1. Pedroso está preso, também, por culpa do Ferro e do PS. Herman José também foi arguido e nada se passou. Mas Ferro quis pressionar. Falar aqui e falar ali. Quis exercer influência e isso foi fatal para Pedroso.

2. Ferro não sabe estar quando é atacado. Ferro transformou o caso Caso Pia num atque ao PS, apontando como inimigo o PGR. Mais ninguém o fez. António Costa suplantou-o por diversas vezes em inteligência e discrição. Inteligentemente disse que os inimigos do PS são os mesmos que os da Justiça: os mentirosos.

3. Frases a pedir para "puxar dos galões", revelam aquilo que todos nós sabemos: os políticos, e Ferro em particular, gostam de exercer influências. Afinal, Martins da Cruz também "só" puxou dos galões.

4. A admissão de Paulo Pedroso no Parlamento foi insensata. Lembro que o PS sempre se orgulhou de ser contra quaqluer suspeita. Pedia para Portas se demitir apenas porque era testemunha e foi investigado pela PJ. Até Vitorino saiu de Ministro (quanto a mim erradamente) porque havia uma suspeita de erro na SISA (provou-se que tinha pago a mais). Paulo Pedroso é arguido. Inocente até ao momento, mas arguido. Por isso, ou Ferro não aceita Pedroso, ou então sai, porque pratica o contrário do que apregoou.

Muita gente no PS já viu que Ferrro não deve continuar. Só que são pessoas muito bem educadas. Manuel Alegre (enorme dignidade) tentou segredar-Lhe ao ouvido pedindo um Congresso. Carrilho, hoje vai mais longe e traduz em letra de imprensa aquilo que muitos pensam.

Mas terá de ser Ferro a dar o passo. É-lhe permitido o acto de nobreza máximo (abdicar) e ajudar a escolher um sucessor.

Convinha que Ferro, recatado, pensasse seriamente no assunto. Senão o PS vai ser vítima do velho ditado: "quem com Ferro mata, ..."

Publicado por cparis em 11:34 AM | Comentários (0)

outubro 20, 2003

Sete mortos

Resultantes de acidentes com viaturas que circulam em contra-mão nas vias rápidas.

No outro dia, houve um que foi apanhado. Pena: quatro meses sem carta. Serei eu o único que acha esta pena completamente desajustada?

Publicado por cparis em 06:46 PM | Comentários (0)

Obrigatório

Já foi um ano, depois quatro meses e agora protesta-se por ser um dia? No meu tempo, só "as inspecções" eram dia e meio.

Acho espantoso é não haver nenhuma liga feminista a queixar-se da discriminação sexual. Afinal se há direitos iguais, o direito a ser informada é fundamental. Assim se consegue uma tropa limpa de mulheres, discretamente, e com o amén da activistas femininas que, diga-se em abono da verdade, quando falam em direitos nunca acharem que os deveres devessem ser incluídos.

Publicado por cparis em 02:19 PM | Comentários (0)

Populismo

Ferro Rodrigues disse estar a ser alvo de "ataques selectivos de um populismo". Ele que traduza isto por míudos que eu não percebo.
Nas notícias ouvi "a direita populista venceu as eleições na Suiça". Isto ainda me deixou mais inquieto.
Este termo populista, afinal é o quê? Tem a ver com Povo? Se for assim, a CGTP anda metida? E a CGTP faz parte da direita populista? Alguém me explica se em Portugal há direita populista?

P.S. A expressão "traduzir por míudos" não tem nada a ver com a Casa Pia, e significa "explicar".
As siglas P.S. significam Post Scriptum e não é nenhuma tentativa populista de ligar o Partido Socialista a uma frase onde se fala em Casa Pia.

Publicado por cparis em 09:35 AM | Comentários (0)

outubro 15, 2003

Time fora de jogo

Governo suspende publicidade na «Time»

Fiquei contente e surpreso. Surpreendido por ver o Governo tomar uma posição imediata e enérgica. Como decisão que revela coragem invulgar, fiquei expectante para ver as reacções negativas.

O santaignorancia foi dos primeiros. Acha o protesto incipiente e que nos prejudica mais a nós (Portugal) que a AOL. O ilhaperdida também a considera de carácter duvidoso.

Pois cá eu defendo-a a 100%. O artigo da TIME não é jornalismo isento, é difamação. Continuar a alimentar a revista, é concordar com ela. Acho que o Governo, como qualquer consumidor, deve protestar da única forma que tem ao seu alcance. Ignorando e recusando-se a pactuar. Como consumidores devemos ser mais exigentes. Mesmo que a luta seja contra grandes corporações, onde o nosso protesto é apenas uma gota no oceano.

No fundo também só temos um voto e essa é a nossa única arma. Ignorar isso, é tornar mais forte quem queremos combater.

PS. Há ainda mais críticas que podem ser feitas e que aguardo: são os defensores da liberdade de expressão que ainda vêm para aí dizer que esta atitude legitima os actos censórios.

Publicado por cparis em 06:30 PM | Comentários (4)

Afinal são culpados de estarem presos.

Vários alunos da casa Pia indicaram uns quantos nomes de famos:

Carlos Cruz. Resolveu ir falar com o Procurador. Foi preso sendo alegado que estava a perturbar o inquérito.

Paulo Pedroso. António Costa fala com Ferro Rodrigues sobre ir falar com o Procurador. Foi preso sendo alegado que estava a perturbar o inquérito.

Herman José. Saiu dizendo que tudo era mentira e que ia aguardar serenamente. Continua em liberdade e sem que nada se especule a seu respeito.

Será que sou o único que detecta aqui um padrão? Será que é assim tão improvável o cenário de que quem está preso (destas três personalidades) o está, apenas e só, porque uma vez em liberdade tudo fez para perturbar o inquérito. Se fosse assim há uma certa ironia. De que quem é poderoso e acha que resolve as coisas por essa via, é o único culpado de estar preso.

Publicado por cparis em 10:32 AM | Comentários (1)

outubro 14, 2003

Bragança na Time

Com este título tão sugestivo como cómico:

When The Meninas Came To Town.

A revista Time dedica espaço a uma cidade portuguesa. Fazem-se tantas coisas boas que nunca são motivo de notícia e agora somos conhecidos por isto, pela Casa Pia e pelo Zéze Camarinha. Que grandes machos latinos. %-p

Publicado por cparis em 04:10 PM | Comentários (2)

Fellatio faz bem à saúde

E não só dos Homens. Andava eu a pensar que já não havia boas notícias nos jornais e eis senão quando deparo com este título divino com a chancela da CNN.

Study: Fellatio may significantly decrease the risk of breast cancer in women

Pois é. Segundo o estudo dois fellatio por semana diminuem a propensão para o cancro da mama.

Estava a procurar mais informação e eis que reparo que o endereço da notícia não era ligado à CNN. Afinal tinha sido uma piada. Mil desilusões.

Para quem quiser ver o motivo da minha ilusão, aqui está uma cópia do suposto artigo.

Publicado por cparis em 03:46 PM | Comentários (0)

outubro 13, 2003

É praxista? SIM !

Existe um grande conjunto de blogs, desde o abrupto ao Aviz que andam a criticar as praxes e as desobediências civis, como se uma coisa fosse igual à outra. Vamos por partes:

1. O Traje é uma farda. Ponto final. Nada mais. Usa quem quer e quem se identifica com ela. Fardas há muitas em Portugal, as de lei e as outras.

O interesse é acima de tudo pedagógico. Dois estudantes fardados esbatem diferenças sociais que aparecem refletidas nas marcas das roupas. Deixam de existir os Lacoste, Benetton e outros que tais. Eu sei que em Lisboa isso deve ser uma chatice.

Também deve ser uma chatice não ter espelhos em casa. A maioria dos que se opõem às fardas anda com uma diariamente: calça de vinco, com blaser e gravatinha, olarilolé. Quando o José Pacheco Pereira aparecer nas suas intervenções na SIC e no Parlamento Europeu sem a sua gravatinha, tem autoridade moral para falar contra as fardas.

Como disse, umas assumem-se, outras são impingidas.

2. Desobediência Civil
Portagens, Ponte 25 de Abril? Barrancos? Alberto João Jardim? Canas de Senhorim?
Todos esses podem e os outros não? Ahhh. Já me esqueci. O rapaz é de Coimbra, não tem o direito de dizer o que pode vir a fazer (nem sequer fez).

PS. Não digo uma única linha sobre se o motivo dos protestos é ou não válido. Não é isso que está em causa.

Publicado por cparis em 11:56 PM | Comentários (1)

Livros e mais livros

Confesso que fico um pouco saturado com a obsessão que existe de quem não lê livros não é culto. Acho perfeitamente idiota definir uma pessoa pela pergunta:

"Qual o seu livro de mesinha de cabeceira"

Mais irritante ainda é a obsessão pela Nobel da Literatura. Irritante e demonstrativo da nossa pequenez. Porque o tempo dispendido a este Nobel contrasta com todo o tempo que é devotado a Homens de Ciência. Duvido que alguém me diga de cor quem foram os laureados e o que fizeram nos campos da Medicina ou da Física.

Os nossos media também pouco explicam. Afinal, devemos saber que o Nobel da literatura é sul africano, que escreveu um livro editado em português pela Texto Editora cuja capa nada tem a ver com o conteúdo, e fica a anos luz da versão inglesa. Como se isso fosse informação necessária.

E a Ciência, estúpido? apetece perguntar parafraseando um blog cá do brugo

Já ninguém espera que em Portugal se ganhe um Nobel a sério, daqueles que fazem mover o Mundo. O nosso destino é esperar 50 anos até chegar a nossa vez no prémio dos pobres: a Literatura.

Pois o meu livro de mesa de cabeceira foi escrito por João Magueijo, autor de um livro soberbo e que contribui mais para a nossa imagem no estrangeiro do que a Agustina, o Lobo Antunes e outros tantos.

Publicado por cparis em 11:21 PM | Comentários (0)

outubro 10, 2003

Comparações

Comparar Martins da Cruz com Paulo Pedroso é de uma demagogia terrível. Absurda. Mete nojo.

A diferença é que um, Martins da Cruz, é considerado culpado sem tribunal. A sua palavra de nada serve porque toda a gente o acha culpado. Outro, Paulo Pedroso a quem é permitido advogado e defender-se de acusações (reais) é considerado um santo, porque e só porque ele o diz.

A presunção de inocência deve existir para Pedroso. Mas também o deve para Mrtins da Cruz. E se querem colocar as coisas na dignidade (palavra que soa a oco de tanto usada sem sentido), Martins da Cruz demitiu-se e Paulo Pedroso não. Apesar de no PS se achar que uma testemunha se deve demitir.

Paulo Pedroso tem-se portado muito bem (muitíssimo mesmo) em todo o processo. Ao contrário do PS. Só espero que ainda possa haver justiça.

Publicado por cparis em 10:01 AM | Comentários (1)

outubro 09, 2003

quem com Ferro mata ....

Ferro Rodrigues dizia que Paulo Portas devia demitir-se.... Porquê? Porque o facto de um ministro estar envolvido (era testemunha) num processo em tribunal, desprestigiava o Governo e a Assembleia da República.

Mas Ferro já nada diz a respeito de Paulo Pedroso querer voltar ao Parlamento. Parece que um deputado acusado de crime já não causa mácula.

Pessoalmente acho que Paulo Pedroso faz muito bem em voltar à AR. Como Paulo Portas fez bem em ficar. E que deveria continuar mesmo que fosse indiciado. Porque, se efectivamente um homem é inocente até prova em contrário, não se deve demitir. Nem que seja o Primeiro Ministro.

O que deve levar à demissão é a falta de coerência. As regras são iguais para todos. Mas Ferro Rodrigues aceita um cunha de Paulo Pedroso e admite que este volte. Contra os seus príncipios e as regras que ele estipulou. Não seria altura de Ferro Rodrigues tirar as suas próprias consequências em relação ao que disse e ao que efectivamente pratica?

Publicado por cparis em 06:02 PM | Comentários (2)

Juízo no juiz

Os jaquinzinhos vêm pedir pena para o juiz que condenou Paulo Pedroso, como se um juiz devesse ser castigado por cumprir o seu papel.

Se atentarmos ao caso do Paulo Pedroso veremos que ele está em liberdade porque (só) há dois juízes que assim pensam. Faz sentido, castigar os outros dois que pensam o oposto. Aliás, olhando para o acórdão da Relação, castigar Rui Teixeira, seria admitir que se teria de castigar um terço dos juízes, porque um terço dos juízes decidiriam do mesmo modo.

Um juiz tem de decidir sempre. Nunca se pode abster. E não pode ter o ónus sobre si, de que se enganar será punido. Porque isso será um convite a que decida não perante o caso que tem à sua frente, mas da melhor maneira de se defender.

Por outro lado, castigar o juiz da primeira instância seria também um forte incentivo para que o réu não visse o seu recurso atendido. Não se pode colocar ao juiz do recurso o ónus de vir a penalizar um colega, sob o risco de as suas decisões virem a ser afectadas por isso.

É um facto que a prisão preventiva em Portugal é um exagero. Mas a culpa não é da decisão dos juízes. Estes interpretam a lei e funcionam enquadrados num sistema, cuja autoria não é deles.

Todo o processo se arrasta muito. Neste momento, todos os presos deveriam estar a ser julgados. Uma maior celeridade no processo implicaria menos sofrimento aos indiciados e menos trabalho burocrático aos tribunais com recursos em cima de recursos - só Paulo Pedroso entregou 9 (?!).

Publicado por cparis em 05:51 PM | Comentários (0)

outubro 08, 2003

Despedido com justa causa

Não poderia estar mais de acordo com o liberdade-de-expressao.blogspot.com a respeito do despedimento do jornalista Daniel Schneidermann.

É errado afirmar que Lhe foi impedida a liberdade de expressão. Apenas se Lhe recusou o privilégio de ser pago pela mesma. Se é um facto que a sua profissão é efectivamente expressar-se também é um facto que a avaliação do seu desempenho foi considerada negativa por quem tinha esse direito.

Mais pró-demissão: Jaquinzinhos
Contra demissão: Carlos Vaz Marques, Franciso José Viegas,

Publicado por cparis em 05:33 PM | Comentários (0)

Estilo muitomentiroso

Ferro Rodrigues optou ontem por incuir no seu discurso um conjunto de perguntas, a relembrar o melhor estilo muitomentiroso:

"Porque é que o primeiro-ministro se manteve calado como se nada de grave se estivesse a passar, contribuindo assim para uma remodelação dirigida pela televisão e não por si próprio?"

Prosseguindo neste estilo:

1. Será que Ferro Rodrigues percebeu que o muitomentiroso é mais credível e popular que a maioria dos políticos, tendo optado por se colar a este personagem?

2. Será Ferro Rodrigues, ou alguém da sua equipa, o autor do muitomentiroso?

3. Porque é que Ferro Rodrigues está admirado com o facto de o Durão ter mantido a boca fechada em todo o processo?

4. Gostaria Ferro que o Durão tivesse a boca aberta? (vou parar por aqui. esta última deixou-me assustado)

Publicado por cparis em 10:13 AM | Comentários (7)

outubro 06, 2003

Ofensas de Esquerda

Já na discussão sobre o aborto reagi à forma ofensiva como o barnabé colocava as questões. Reparo contudo que se transforma numa questão cultural (ou falta dela). Porque, também o Blog de esquerda gosta de apelidar os outros de ignorantes sempre que estes exprimem ideias diferentes das suas. Vem isto a propósito da última questão onde a respeito de uma proposta de regras de Decoro na Congregação se aproveitou para falar em "ignorância contra os preservativos".

A táctica é simples. Deturpa-se uma coisa, inventa-se outra e arranja-se uma (pseudo)verdade.

Não sou, nem poderia ser contra os preservativos. Mas sou, e serei sempre contra a atitude acéfala e criminosa de usar o preservativo como medida principal de prevenção de DST ou de planeamento familiar.

Aliás, é graças a esta política desajustada de prevenção que o números de infectados não pára de aumentar em Portugal, ao contrário de outros países onde não existindo uma extrema esquerda se podem praticar medidas profiláticas sem complexos.

Provo o que digo a quem quiser fazer o seguinte exercício: vão buscar as recomendações da Organização Mundial de Saúde (entidade laica, moderna e progressista) e vejam as duas primeiras recomendações no combate às DST. Vão ver que são iguais às do "monolitismo conservador da Igreja católica". O preservativo apenas vem em terceiro lugar. Afinal, caro Tiago Barbosa Ribeiro, quem é ignorante?

Publicado por cparis em 09:18 PM | Comentários (4)

Igreja plural

O que mais me surpreende em qualquer medida no Vaticano é a atenção que lhes é dedicada por uma Esquerda ansiosa de dar nas vistas. As críticas às últimas propostas de um projecto para a Congregação são disso exemplo. Críticas perigosas por eivarem inverdades e malícia na forma de expor a situação.

Primeiro há que perceber que a Igreja é plural, havendo nela lugar para diversas tendências e opiniões. É normal que um partido que se reúne todo numa garagem não sinta essas questões, mas tudo se torna diferente quando se pensa em um bilião de pessoas em cinco continentes distintos.

Segundo, o que surgiu foi uma proposta. Apenas e só isso. Recomendo que leiam Frei Bento Domingues, teólogo genial de uma simplicidade suprema:

Se a proposta da Cúria Romana for, de facto, aquela que foi noticiada, o caixote do lixo é o seu melhor destino.

Não há mais nada a discutir. Esperemos para ver.

Publicado por cparis em 08:23 PM | Comentários (0)

outubro 03, 2003

Saúde Pública

Passo pela rua e vejo toxicodependentes arrastando-se à procura da vida perdida. Os olhos vazios no horizonte, o destino traçado por esse HIV que conhecem, não pelos manuais, mas pelo sofrimento que Lhes causa na noite negra da vida.

Olho para eles e não sei o que fazer. Caso de Polícia? Ou de Saúde Pública? E qual a solução? Quantas vidas mais não se vão perder provocadas por este assassino sem nome?


Não refeito desta visão, ligo o computador e leio no Viva Espanha:

"O aborto, para além de uma questão de ética ou moral, é também uma questão de saúde pública"

Que moralidade é esta que dá todas as hipóteses a um toxicodependente, já condenado pela vida e a condenar os outros e nenhuma a um bebé? Não quero ser demagógico, mas se tiver de salvar a vida apenas a um, eu sei a quem salvaria. Cada um faz a sua escolha. A minha é de tentar salvar os dois, mas um é claramente a minha primeira opção.

PS1: Foi a primeira vez que ouvi falar em questão ética. Não vejo qual a ética no SIM. Aliás, eticamente são vários os motivos para o NÃO: Pode um médico que jurou proteger a vida, matar um bebé? Pode um médico recusar-se a prestar esse serviço? O caminho mais fácil raramente é o mais ético. Não creio que o seja aqui também.
PS2: O Miguel diz que não discute a "questão da pretensa superioridade intelectual ou moral da esquerda, que nem sequer me parece aflorada". Ou seja, tem uma opinião e já a manifestou. Pedi-Lhe a ele esclarecimentos em concreto com exemplos. Não as tem que dar, mas não diga que foi pelo facto de não as ter proferido. Porque isso não o inibiu do primeiro juízo de valor.

Publicado por cparis em 09:36 PM | Comentários (0)

outubro 01, 2003

Viva Espanha - Aborto

O Viva Espanha tece umas linhas interessantes sobre este tema e que importa ir respondendo.

1. O Daniel Oliveira diz (nos comentários) que "a legalização do aborto não é uma questão da esquerda. É uma questão de civilização". Também diz, entre outras coisas, que importa derrotar "o conservadorismo mais serôdio". No outro lado fala na exploração da ignorância do povo.

São tipicamente insultos fáceis reflexo de uma pretensa superioridade intelectual. Do género: quem não concorda comigo só pode ser bárbaro, ignorante e que vive no passado. Posso estar errado. Mas já agora, pedia que o Viva Espanha tentasse classificar este tipo de expressões.

2. Sei que, por lei, o referendo não foi vinculativo. Para mim quem se recusa a expressar o voto é porque acha que a sua opinião é indiferente para o desfecho final. Se esta opinião é redutora, venha outra. Já agora uma que explique como é que numa nova votação se consegue maior adesão. Porque não hão-de existir dias perfeitos, nem campanhas perfeitas, nem perguntas perfeitas.

3. Quanto a repetir o referendo, só gostaria que tanto o Viva Espanha como o Daniel Oliveira me explicassem quais são os critérios para isso ser feito. A minha pergunta é tão simples quanto isto: Se o SIM ou o NÃO ganhar, faz-se um novo daqui a 5 anos? Quando é que o resultado de um referendo é definitivo? (sabendo de antemão que poucos ou nenhuns referendos atingirão os 50%).

4. Defendo a VIDA de todos. Dos fetos, como dos deficientes em estado avançado, como dos criminosos ou dos doentes em último grau. Não creio que o Miguel esteja a insinuar que só devem viver aqueles que têm garantido um determinado nível de qualidade de vida.

5. Se percebo o que entende por celebração do amor, não concordo quando fala neste acto como o estado privilegiado da vida. E a relação entre isso e a defesa da VIDA é bastante forçada. Indo por esse caminho, e não quero, poderia então colocar-se questões como: porque será que os que por opção não querem gerar vida naturalmente, são os principais defensores do aborto. Acho arriscado ligar as duas coisas e muito dado a más interpretações. Preferia centrar-me na questão 3. Também podemos falar na 4, mas a realidade é que já muito foi dito.

Publicado por cparis em 09:00 PM | Comentários (0)

O insulto fácil

O Daniel respondeu. E voltou o insulto fácil. Diz ele:

Esse movimento [o NÃO ] explorou a ignorância do povo

Ou seja, só perderam porque os outros são ignorantes. Se fossem elucidados votariam SIM. Brilhante. Claro que o SIM tinha como rostos de campanha a Catarina Furtado e o Diogo Infante e o NÃO teve como rostos Bagão Félix, Daniel Serrão e pessoas obviamente mais ignorantes do que as primeiras.

Mas o mais hilariante é isto:

Na minha opinião, o movimento de apoio ao NÃO, serviu-se de imagens horríveis [...]

As imagens eram ou não verdadeiras? E se o são, acha que não deviam ser passadas? Não importava informar as pessoas sobre o que se passava? Então afinal, quem é que quer manter o povo na ignorância?

Publicado por cparis em 08:05 PM | Comentários (0)

A democracia hipócrita

E mais um conjunto de nomes feios. Reparem como existe uma esquerda em Portugal que sempre que enfrenta a derrota gosta de vir adjectivar a oposição e puxar dos galões de um pretensa superioridade intelectualidade e/ou moral.

Diz o barnabé que, eu e uma larga quantidade de portugueses, somos serôdios. Pois bem, quando se perde a substância da argumentação, usam-se os adjectivos.

Chamar-Lhe hipócrita é apenas e só uma constatação de facto. De facto, se há coisa que me revolta é não admitir que a maioria não partilha da nossa opinião. Então, puxa-se um coelho da cartola e conclui-se que a votação é nula. Reparem bem neste atentado à democracia plasmado no barnabé:

"menos de metade (um terço) dos eleitores portugueses votou no último referendo, o que o torna, do ponto de vista formal, inexistente"

INEXISTENTE? Existiu, e quem achava que o assunto era importante votou. E houve uma maioria. Pela mesma ordem de ideias, o nosso Presidente da República é inexistente. A maioria dos portugueses não votou.

Não existe NENHUM motivo para repetir um referendo (seja este ou outro qualquer), porque já todos tiveram oportunidade de exprimir a sua opinião e houve uma MAIORIA que deve ser respeitada.

Se o resultado fosse o oposto, qual era a opinião do barnabé se fosse tentado repetir o referendo? De certo não era esta, daí o apelidar esta "democracia" onde a esquerda vive de falsa, fingida, e hipócrita.

Já agora, barnabé, a respeito do medo de perder o referendo: antes da outra eleição vocês também achavam que existia uma fortíssima probabilidade (na altura era certeza) de que iriam ganhar. Daí que não se importaram de ir para referendo. Foi a Vossa presunção de superioridade intelectual quem vos impediu de ver que existem pessoas, várias, que gostam de defender a Vida como ela é.

Não houve nenhum facto novo, como diz. O que se passa é que o BE já não tem o tempo de antena na televisão que tinha no Governo Guterres. E sabe que perde a questão da imigração, porque pura e simplesmente é incoerente nas afirmações que faz. Daí tiveram que ir buscar ao baú, a única causa mediática que é (reconheço) facturante na opinião pública.

Só que antes de se discutir o tema em si (aborto) importa discutir a legitimidade de voltar a referendar o que já foi referendado. E se o fizermos de novo, quais são as consequências? Voltamos a referendar sempre que o BE perder? E se alguma vez ganhar o BE? Podem continuar-se a fazer referendos sobre o mesmo tema, ou aí sim, o povo já é soberano?


hipócrita: adj. e s. 2 gén., que ou pessoa que usa de hipocrisia; falso; fingido.

Publicado por cparis em 12:10 PM | Comentários (0)