março 03, 2005

O futuro (CDS-PP)

A decisão do Presidente da República foi um autêntico tiro nas aspirações de Paulo Portas. Este sabia-o desde logo e a campanha eleitoral foi feita a contra gosto, como um mal necessário. Daí que a sua decisão de abandonar tenha surgido rápida na noite eleitoral porque esse era um cenário já antecipado.

Aliás, olhando agora, podemos até colocar em causa se algumas das metas de Portas (10%) não terão sido colocadas com o objectivo de tornar irreversível a sua decisão.

O futuro do CDS-PP está assim intimamente ligado à sua capacidade de encontrar um líder e também de acordo com o que se passar no PSD.

O problema é que no CDS-PP não há políticos de carreira como Portas (ou até Manuel Monteiro). Portas tinha construído à sua volta um grupo de pessoas desinteressadas desse protagonismo evitando deste modo "facadas nas costas". Pires de Lima é o melhor exemplo de uma pessoa cujo último interesse será o de ir para Presidente do Partido.

Com 4 anos de Socialistas há espaço para um crescimento de votos à direita, mas estes têm de ser bem conquistados, bem trabalhados e não seria um ministro do anterior Governo que seria capaz de fazer isso (como Ferro Rodrigues não foi capaz de o fazer no PS).

O futuro do Partido terá de vir de pessoas como Telmo Correia ou João Melo, por exemplo e seguramente que a solução será negociada por várias pessoas entre elas Paulo Portas. Quanto ao futuro deste, Paulo Portas não deverá excluir voltar para a política, mas provavelmente apenas como ministro num eventual retorno ao Governo. O que todos sabemos será daqui a muito tempo.

Publicado por cparis em março 3, 2005 11:49 AM
Comentários

"Aliás, olhando agora, podemos até colocar em causa se algumas das metas de Portas (10%) não terão sido colocadas com o objectivo de tornar irreversível a sua decisão."

Concordo inteiramente.

Afixado por: Miguel Silva em março 4, 2005 10:31 AM