fevereiro 22, 2005

O tempo do Tempo

Aquilo que uma maioria absoluta dá, é tempo. Tempo para se pensar no que é prioritário, tempo para se planear e tempo para se fazer as coisas no seu tempo certo.

Aliás, o que faltou a Santana Lopes foi sempre tempo. Tempo para refletir, tempo para amadurecer ideias antes de as expor, tempo para escolher o que se vai propor, etc...etc... Exemplos são vários, mas o melhor é ler os jornais da época e reparar que todos os dias havia desencontros entre o que os ministros diziam, provando que não tinha havido tempo sequer para concertar posições.

Sócrates vai (deveria) ter esse tempo. E espanta ver uma esquerda ansiosa em retirar-lhe o tempo, tentando obrigá-lo a tomar decisões apressadas numa altura e num tempo onde se justifica o oposto.

Odete Santos falava em revisão do Código do Trabalho? Não foi 2004 o ano mais calmo em termos de agitação social? Será esse o nosso maior problema? Louçã falou outra vez no aborto. Não deveríamos mudar primeiro a Constituição de maneira a que um referendo possa ser feito ao mesmo tempo que outras eleições? Ou vamos outra vez parar o país em mais uma campanha no ano das Presidenciais, para o ano as autárquicas e o referendo da União Europeia.

Mais espantoso ainda é vir o Presidente da República fazer o mesmo, querendo antecipar em um dia (?!) a indicação do PM. Porquê? Para quê?

Espanta-me que quem ache normal ver o país 2 meses parado à espera de eleições, não possa esperar agora mais um dia ou mais uma semana na definição de linhas fundamentais daquilo que vão ser os próximos 4 anos.

Sócrates tem que ter tempo para escolher os melhores ministros: os mais competentes, os que se identificam com as suas ideias e as suas prioridades. Ter tempo para definir uma estratégia com objectivos de curto, médio e longo prazo.

Espero pois que Sócrates me surpreenda e escolha ministros capazes e não aqueles que estavam na primeira linha apressados a serem os primeiros a cumprimentá-lo. Odiaria voltar a ver Edite Estrela, João Cravinho ou Jorge Coelho a assumirem responsabilidades no país.

Gostaria de ver homens da estirpe de António Mexia (uso este como exemplo) que decerto também haverá no campo socialista. E sem esquecer, um bom ministro das Finanças que o país não suporta outro Pina Moura.

Por favor, dêem tempo ao tempo. Daqui a duas semanas veremos de que material vai ser feito este Governo.

Publicado por cparis em fevereiro 22, 2005 02:47 PM
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