dezembro 30, 2004

Matilde de Sousa Franco

Tive aqui há uns posts atrás uma discussão assaz veemente com o meu querido amigo João André, onde me congratulava por haver uma esquerda envelhecida e como tal próxima da morte.

João André dizia, e com alguma razão, que ficar contente com a morte de pessoas independentemente do mal que nos fizeram não estava correcto. Eu não desejava a morte delas, nem sequer ficava contente quando morriam, apenas me alegrava saber que brevemente não iriam estar vivas ...

De facto usar a morte como argumento está errado, e ainda mais em política.

A escolha de Matilde de Sousa Franco para cabeça de lista pelo PS em Coimbra não tem nada a ver com esse pensamento ignóbil de usar a morte. Aliás Matilde de Sousa Franco, é uma política com um passado riquíssimo de intervenção e ninguém se atrve a dizer que só é cabeça de lista por ter sido casada com Sousa Franco. Este faleceu de modo trágico, e assim "usa-se" a sua memória através da mulher... Usa-se o melhor, claro, porque neste caso o facto de ter morrido impede que se faça uma crítica... Os únicos políticos mortos de quem se pode dizer mal neste país são os de direita. Todos os outros entram para a galeria de grandes figuras que tiveram razão em tudo o que fizeram

Matilde de Sousa Franco não tem uma única opinião publicada sobre o que foi mais relevante em Coimbra nas últimas eleições: co-incineração.
Atrevo-me a dizer que a sua única posição, é a ausência de posição. Ela é escolhida precisamente para Coimbra, porque Manuel Alegre quer manter a sua integridade. Manuel Alegre sabe que não pode apoiar Sócrates e ser eleito por Coimbra... Matilde está-se pouco importando para isso....

Publicado por cparis em dezembro 30, 2004 06:19 PM
Comentários

Perfeitamente de acordo meu caro César. Matilde de Sousa Franco até pode vir a ser uma das mais brilhantes deputadas portuguesas, mas só é escolhida por ser viúva de quem é.

Quanto a só se falar mal de políticos falecidos se forem de direita, bem, isso não é exactamente verdade. Sá Carneiro continua a ser (e cada vez mais) bem visto pela esquerda e mesmo sobre Mota Pinto não ouço assim tantos comentários (maus ou bons).

Já na esquerda não existem assim tantos políticos relevantes que tenham falecido. Tivemos Sousa Franco que realmente foi elevado a santo após a sua morte mas isso é comum nos tempos que correm. Tivemos Lourdes Pintassilgo que foi reconhecida pelo que era: uma mulher de convicções e que as defendia. De resto não teve tempo para influenciar muito da esquerda politicamente.

A direita, aparentemente, não tem tido assim tantos mortos recentes, felizmente. O mais recente terá mesmo sido Lucas Pires que recebeu diversos elogios após a sua morte. Mesmo Adriano Moreira, que previsivelmente será o próximo (e espero que ainda demore) a deixar-nos, receberá certamente um coro de elogios. E independentemente das discordâncias políticas, serão merecidos.

Afixado por: João André em janeiro 6, 2005 11:05 AM