março 02, 2004

Adopção por homossexuais (II)

Estive tentado a não responder ao rol de críticas que o meu post anterior sofreu. Seria o mais fácil. Mas algumas questões, pelo modo como foram colocadas merecem-me muito respeito :
Cara AssumidaMente,
Quanto à formalização da união, ponto menos importante para mim, se já existe esse reconhecimento tenho a certeza que seria fácil encontrar uma solução.
O segundo ponto, para mim, é o mais importante. AssumidaMente julga ser uma falsa questão. Eu também não tenho a certeza de ser questão, mas como passar o dilema? Arriscar com a vida de algumas crianças e ver no que dá?
Se AssumidaMente conseguir explicar como é que uma criança diz que os pais são duas mulheres sem ser discriminada por isso, ou sem mais tarde se sentir revoltada por isso, é provável que se mude de ideias. Até lá o que temos são incertezas e com elas os medos e o conservadorismo.
É óbvio que o facto do casal escolhido ser heterossexual não significa isenção de erro, mas é aquele que dá mais garantias. Querem um sistema de adopção com menos garantias? Estão no Vosso direito, mas não me podem exigir que concorde.

Publicado por cparis em março 2, 2004 05:26 PM
Comentários

A comunidade gay não desarma e tudo irá fazer para que consiga levar avante as suas ideias, mesmo que, para isso, tenha de instrumentalizar as crianças, fazendo de conta que duas mulheres ou dois homens podem significar pai e mãe...
Felizmente, a maioria da população portuguesa ainda manifesta algum respeito pelo futuro e bem-estar das crianças que vão para adopção...

Afixado por: Peixoto em março 2, 2004 10:25 PM

Quem começou a "instrumentalizar" isto foi o Sr. Villas-Boas ao dizer que preferia uma criança numa "instituição" a tê-la educada por uma casal de homossexuais... convém não esquecer isto...

Afixado por: Casal Gay em março 3, 2004 01:04 AM

Ponto 2. Muitos dos casais gays que querem, realmente, adoptar uma criança estão numa situação muito caricata: um dos elementos do casal é pai (ou mãe) biológico com tutela da criança (quer por ordem do tribunal quer porque o outro progenitor não está disponível), e o parceiro não pode, por muito estável que seja a relação dos dois e apesar de estar de facto a educar a criança, adoptá-la conjuntamente. Isto é um claro exemplo que a lei actual está mal porque se está perfeitamente nas tintas para estas crianças.

Afixado por: Casal Gay em março 3, 2004 11:14 AM

A lei, seguramente, está longe de ser perfeita. Mas quando fala em muitos estamos a falar em que ordem de grandeza? 100? 1000?

E o meu problema é só um: conseguiremos nós fazer uma lei perfeita neste caso? Liberalizar não vai criar o mesmo número de problemas, talvez de maior gravidade?

Afixado por: cparis em março 3, 2004 02:56 PM

Mas então falemos dos problemas reais e não de "dogmas"... não vamos continuar a bater na parede com princípios caducos e pensar nos verdadeiros problemas que a adopção por casais do mesmo sexo poderia trazer e não esquecer os benefícios da mesma... os homossexuais querem adoptar crianças pelas mesmas razões que qualquer outra pessoa. Se calhar deveríamos começar por aí... porque é que as pessoas adoptam crianças? porque é que há uma lei de adopção? Nós (casal gay) já pensamos muito nisto, pois é um tema que nos diz respeito directamente, já discutimos muito com muitas pessoas e ainda não obtivemos nenhuma razão concreta contra a adopção por casais do mesmo sexo que não se aplique a pessoas que neste momento já podem legalmente adoptar em Portugal.

Afixado por: Casal Gay em março 4, 2004 10:52 AM

CParis,

I
Acredito sinceramente que uma criança possa dizer que tem duas mães sem se sentir discriminada e muito menos revoltada!
Obviamente os colegas inicialmente poderão comentar, rir até com piadas de mau gosto, como um dia se riram das crianças negras ou dos filhos de pais divorciados, mas:
1.º elas não estarão sozinhas no mundo, terão a protegê-las e a ensiná-las a lidar positivamente com essas questões dois seres humanos que as amam muito e que saberão subvalorizar essas piadas;
2.º as piadas passarão com o tempo e com o convívio entre si. Bem sei que as crianças podem ser cruéis, entre si, mas facilmente esquecem diferenças menores e encontram empatias nas brincadeiras e num saudável crescimento em conjunto.
Quanto a isto, a análise de outras histórias de discriminação no passado (volto a referir o racismo e a questão das famílias monoparentais), não me deixa dúvidas de que assim seja.

II
Quanto à afirmação de que os casais heterossexuais darem "mais garantias", concordo se com ela quiser afirmar que há mais garantias de as crianças não serem discriminadas pelos seus pais serem homossexuais! La Palisse concordaria também!
Obviamente não concordo se as garantias forem de felicidade, amor, crescimento saudável, carinho e cuidado... Aí, concordará comigo, o acento tónico não pode ser colocado na orientação sexual do casal, mas nos circunstancialismos de vida que, só casuisticamente, se poderão aferir!

III
Independentemente das discordâncias profundas de opinião, aproveito para lhe agradecer a forma correcta e racional como tem discutido esta questão. É assim, esgrimindo argumentos, sem atacarmos as pessoas, que podemos chegar a algum lado!

Afixado por: Assumida Mente em março 6, 2004 05:47 PM

Acho o argumento de que a adopção por homosexuais deve ser proibida para as crianças não serem discriminadas na escola duma enorme desonestidade intelectual. Lembram-se daquelas 4 crianças negras, nos anos 60, que foram as primeiras a serem admitidas num liceu branco no sul dos EUA? Lembram-se da cara delas a sairem do autocarro escoltadas pelo exército federal (porque a policia era controlada pelo presidente da câmaria e portanto contra)? É claro que devem ter sido discriminadas e muito. Conclusão: viva o racismo???

Afixado por: JP em março 7, 2004 12:00 PM