outubro 01, 2003

A democracia hipócrita

E mais um conjunto de nomes feios. Reparem como existe uma esquerda em Portugal que sempre que enfrenta a derrota gosta de vir adjectivar a oposição e puxar dos galões de um pretensa superioridade intelectualidade e/ou moral.

Diz o barnabé que, eu e uma larga quantidade de portugueses, somos serôdios. Pois bem, quando se perde a substância da argumentação, usam-se os adjectivos.

Chamar-Lhe hipócrita é apenas e só uma constatação de facto. De facto, se há coisa que me revolta é não admitir que a maioria não partilha da nossa opinião. Então, puxa-se um coelho da cartola e conclui-se que a votação é nula. Reparem bem neste atentado à democracia plasmado no barnabé:

"menos de metade (um terço) dos eleitores portugueses votou no último referendo, o que o torna, do ponto de vista formal, inexistente"

INEXISTENTE? Existiu, e quem achava que o assunto era importante votou. E houve uma maioria. Pela mesma ordem de ideias, o nosso Presidente da República é inexistente. A maioria dos portugueses não votou.

Não existe NENHUM motivo para repetir um referendo (seja este ou outro qualquer), porque já todos tiveram oportunidade de exprimir a sua opinião e houve uma MAIORIA que deve ser respeitada.

Se o resultado fosse o oposto, qual era a opinião do barnabé se fosse tentado repetir o referendo? De certo não era esta, daí o apelidar esta "democracia" onde a esquerda vive de falsa, fingida, e hipócrita.

Já agora, barnabé, a respeito do medo de perder o referendo: antes da outra eleição vocês também achavam que existia uma fortíssima probabilidade (na altura era certeza) de que iriam ganhar. Daí que não se importaram de ir para referendo. Foi a Vossa presunção de superioridade intelectual quem vos impediu de ver que existem pessoas, várias, que gostam de defender a Vida como ela é.

Não houve nenhum facto novo, como diz. O que se passa é que o BE já não tem o tempo de antena na televisão que tinha no Governo Guterres. E sabe que perde a questão da imigração, porque pura e simplesmente é incoerente nas afirmações que faz. Daí tiveram que ir buscar ao baú, a única causa mediática que é (reconheço) facturante na opinião pública.

Só que antes de se discutir o tema em si (aborto) importa discutir a legitimidade de voltar a referendar o que já foi referendado. E se o fizermos de novo, quais são as consequências? Voltamos a referendar sempre que o BE perder? E se alguma vez ganhar o BE? Podem continuar-se a fazer referendos sobre o mesmo tema, ou aí sim, o povo já é soberano?


hipócrita: adj. e s. 2 gén., que ou pessoa que usa de hipocrisia; falso; fingido.

Publicado por cparis em outubro 1, 2003 12:10 PM
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