outubro 03, 2003

Saúde Pública

Passo pela rua e vejo toxicodependentes arrastando-se à procura da vida perdida. Os olhos vazios no horizonte, o destino traçado por esse HIV que conhecem, não pelos manuais, mas pelo sofrimento que Lhes causa na noite negra da vida.

Olho para eles e não sei o que fazer. Caso de Polícia? Ou de Saúde Pública? E qual a solução? Quantas vidas mais não se vão perder provocadas por este assassino sem nome?


Não refeito desta visão, ligo o computador e leio no Viva Espanha:

"O aborto, para além de uma questão de ética ou moral, é também uma questão de saúde pública"

Que moralidade é esta que dá todas as hipóteses a um toxicodependente, já condenado pela vida e a condenar os outros e nenhuma a um bebé? Não quero ser demagógico, mas se tiver de salvar a vida apenas a um, eu sei a quem salvaria. Cada um faz a sua escolha. A minha é de tentar salvar os dois, mas um é claramente a minha primeira opção.

PS1: Foi a primeira vez que ouvi falar em questão ética. Não vejo qual a ética no SIM. Aliás, eticamente são vários os motivos para o NÃO: Pode um médico que jurou proteger a vida, matar um bebé? Pode um médico recusar-se a prestar esse serviço? O caminho mais fácil raramente é o mais ético. Não creio que o seja aqui também.
PS2: O Miguel diz que não discute a "questão da pretensa superioridade intelectual ou moral da esquerda, que nem sequer me parece aflorada". Ou seja, tem uma opinião e já a manifestou. Pedi-Lhe a ele esclarecimentos em concreto com exemplos. Não as tem que dar, mas não diga que foi pelo facto de não as ter proferido. Porque isso não o inibiu do primeiro juízo de valor.

Publicado por cparis em outubro 3, 2003 09:36 PM
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