maio 17, 2012

Guiné-Bissau - Situação de desespero



Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
Guiné-Bissau - Situação de desespero

Caro Amigo
Agradecia que publicasse no teu blog, caso seja possível, o e-mail abaixo reencaminhado, em meu nome, uma vez que os seus autores não querem ser identificados.
Abraço.


ESTE É UM PEDIDO DE DESESPERO, AJUDEM-NOS DESDE FORA, FAÇAM VER QUE A NOSSA SITUAÇAO AQUÍ PENDE DE UM FIO. ESTAMOS ASSUSTADOS.

NAO PODEMOS FALAR POR TELEFONE, HA ESCUTAS E TUDO O K DIZEMOS É COM O MEDO DE SERMOS OUVIDOS, NAO PERGUNTEM NADA SE FALARMOS. EM SEGUIDA VEM ALGUEM À TUA CASA BUSCAR-TE OU AMEAÇAR-TE.

TEMOS MEDO PORQUE NAO PODEMOS EXPRESSAR-NOS, NAO PODEMOS MANISFESTAR-NOS E NEM PODEMOS REUNIR-NOS EM GRUPOS.

SENTIMOS-NOS COMPLETAMENTE OPRIMDOS E SUFOCADOS. POR ISSO PEDIMOS A TODOS VOCÊS GUINEEENSES QUE ESTAO FORA NO ESTRANGEIRO E PODEM GRITAR, GRITEM POR NÓS,QUE SEJAM A NOSSA VOZ LÁ FORA E DIVULGUEM O K SE ESTÁ A PASSAR. AJUDEM-NOS A FAZER CHEGAR A NOSSA VOZ AÍ FORA.

PEÇO-VOS USEM AS REDES SOCIAIS, O FACEBOOK E DIVULGUEM ESTA MENSAGEM:

“BASTA DE VIOLÊNCIA NA GUINÉ-BISSAU. O POVO NAO AGUENTA MAIS”.

PEÇO A AJUDA DE TODOS QUE RECEBEREM ESTA MENSAGEM QUE SAO DA MINHA CONFIANÇA, QUE APAGUEM O REMITENTE E ENVIEM A MENSAGEM AO MAXIMO DE PESSOAS DA COMUNIDADE GUINEENSE NO EXTERIOR PARA QUE TOMEM UMA POSIÇAO, QUE GRITEM POR NÓS QUE NAO PODEMOS FAZE-LO.

ESTAMOS SUFOCADOS, ANGUSTIADOS E TEMOS MEDO DAS REPRESÁLIAS.

TODOS OS QUE PARTICIPAMOS NA CAMPANHA ESTAMOS AMEAÇADOS, ESTAMOS CONTROLADOS E SOMOS VIGIADOS.

SENTIMOS UM SUFOCO TAO GRANDE QUE REVOLTA.

NEM UMA MARCHA PELA PAZ NOS PERMITEM FAZER…

GRITEM POR NÓS… AJUDEM-NOS A FAZER O MUNDO SABER QUE ESTAMOS CANSADOS… QUE NAO PODEMOS CONTINUAR ASSIM.

CHEGA DE VIOLÊNCIA NESTE PAÍS.

OBRIGADO




Publicado por samartaime às 10:08 AM | Comentários (0)

maio 11, 2012

irreparavelmente







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maio 08, 2012

Touros e touradas




Não sou nada fã de touros e touradas. E tenho particular embirração pela tourada à portuguesa – que reconheço ser muito portuguesa. Muito portuguesa naquilo do «oito ou oitenta» que a caracteriza.

Os senhores cavaleiros são, obviamente, portugueses fidalgos: montam-se num cavalo que nada tem a ver com nem a haver do negócio e andam ali a picar e a baratinar o touro à custa do cavalo – como qualquer senhor português que se preze: o cavalo que dê o corpo ao manifesto. É o oito do provérbio.

O oitenta do mesmo provérbio está guardado para os apeados, os forcados. É a esses que compete pegar o bicho pelos cornos, sem intermediário que os safe da besta. «É toiro lindo! Eh!» e o cabo que se aguente e encaixe nos cornos, com os ajudas todos em bicha pirilau atrás dele, pró que der e vier.

Mas embora eu deteste muito os touros, não vou assim tão longe que lhes deseje a extinção. E é neste «pequeno» pormenor da extinção que eu não entendo os amigos dos touros: não lhes oiço qualquer alternativa de vida para o touro.

Porque, acabadas as touradas, quem pensam que vai ralar-se com a salvação do bicho? E, tanto quanto se sabe, eles não são propriamente de geração espontânea.



Publicado por samartaime às 10:43 PM | Comentários (0)

maio 01, 2012

Primeiro de Maio !



( Só faltou o Miguel para a festa ser completa )

Publicado por samartaime às 11:49 AM | Comentários (2)

abril 20, 2012

vivere necesse




Lisboa: advogada presa por roubar na rua, de esticão, 15 idosas.




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abril 18, 2012

Sem papas na língua







Publicado por samartaime às 07:43 PM | Comentários (0)

abril 03, 2012

NÃO, NÃO, NÃO SUBSCREVO...

Jorge Sena.jpg

Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas - armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos que
irão secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de faláeia imensa.
E todos eram povo e em nome del' falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e à inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do país no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois que
do lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Áfricas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o OteIo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocrata
do oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio
o navegante intrépido). Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa - defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte. Não é tempo
para tratar de poéticas agora.


Jorge de Sena , Fevereiro 1976



Mário Viegas diz : não não não subscrevo



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fevereiro 28, 2012

The Fantastic Flying Books
of Mr. Morris Lessmore (2011)







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fevereiro 21, 2012

Carnaval, entrada na quaresma




Há sinais de Carnaval há mais de 4 mil anos antes de Cristo, no antigo Egipto, nas festas de culto a Ísis. Eram festividades religiosas e agrárias no tempo das colheita e as pessoas já se pintavam , bebiam e dançavam. Outros festas rituais pagãs, mais ocidentais e a norte do Mediterrâneo, como as chamadas Dionisíacas (Gregas) e as Bacanais (Romanas) terão revigorado e/ou enriquecido a velha tendência carnavalesca.

Com o desenvolvimento do cristianismo, a Igreja Católica Romana procurou moderar «o paganismo» grosseiro popular do Carnaval. Em vão. Inteligentemente, incluiu o Carnaval no calendário das festividades católicas. Assim, a partir de 590 d.c. o carnaval (Entrudo) passa a indicar o começo ( entrudo) da quaresma, dos quarenta dias de jejum e abstinência até à Páscoa.

O grande dia da «livre e total expressão», digamos assim, era a Terça Feira Gorda: ele era comer carne, bailar, beber e fornicar até aguentar – que no outro dia havia (há) a missa da imposição das cinzas (quarta feira de cinzas) e já estavamos na Quaresma em que nada era permitido além da santidade.

Com o correr dos séculos, o Entrudo português passou por uma fase de grande rudeza e desbragamento (séculos XVII e XVIII) que o tornou perigoso e foi afastando o povo mais pacato das grandes correrias e folguedos de rua.
E acabou pulverizando-se em pequenas festas reservadas ou de grupos de amigos e familiares que faziam a partida de se juntarem, sem aviso ao próprio, em casa de um deles, «assaltando-o» com farnel, bebidas e música - e todos mascarados.

Voltou no século XX a recuperar o seu ar brincalhão, crítico, rebelde e de novo na rua. E a retomar o seu espaço público nas festividades religiosas. Salazar deu uma ajuda ao Cardeal Cerejeira e atribuiu-lhe a «tolerância de ponto», matando três coelhos com uma cajadada: ver-se o povo sorridente na rua, a sátira «livre» a descomprimir, a animação dos vendedores ambulantes, tabernas e casas de pasto.

Hoje, dadas as proporções que tomou
lutar contra a Terça Feira Gorda é ridiculo, má politica e pior negócio.

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janeiro 18, 2012

Auditoria Cidadã à Divida








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outubro 31, 2011

Os ninguéns ( Galeano)









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outubro 04, 2011

Ora agora criso eu, ora agora crisas tu



(Le Monde.fr/Economie /04/10/2011 )


Les actionnaires de Dexia amorcent un démantèlement de la banque

Cécile de Corbière

Ce mandat revient à lui demander d'organiser le démantèlement de Dexia, victime de la crise des dettes souveraines en Europe, devenue ingérable. Lundi, quelques heures avant le conseil d'administration, l'agence de notation Moody's avait menacé d'abaisser sa note, pointant notamment les difficultés qu'elle pourrait rencontrer en matière de refinancement.
Plusieurs pistes sont à l'étude pour soulager le groupe plombé par ses faiblesses structurelles. La banque pourrait d'abord procéder à l'isolement de son portefeuille d'actifs non stratégiques. D'une valeur de 125 milliards d'euros, c'est un véritable boulet hérité de l'avant crise de 2008, qui pèse très fortement sur les besoins en financement de l'établissement.

CRÉATION D'UNE "BAD BANK"

Dexia pourrait loger ces actifs dans une "bad bank", une structure de défaisance qui, le cas échéant, bénéficierait de la garantie des Etats actionnaires (France et Belgique). Dans ce portefeuille, sont notamment réunies les branches italienne et espagnole, Crediop et Dexia Sabadell, ainsi que les dettes souveraines (près de 21 milliards d'euros sur les pays périphériques de la zone euro).

Avant la crise de 2008, la banque s'était fait une spécialité dans le rachat d'obligations souvent très longues, financées à court terme, "quasiment au jour le jour", expliquait Pierre Mariani. Un comportement très risqué, qui rendait la banque extrêmement dépendante des marchés. En 2008, ces besoins en financement à court terme s'élevaient à 265 milliards d'euros.

Propulsé aux commandes de la banque au plus fort de la tempête financière qui a suivi l'effondrement de la banque d'affaires américaine Lehman Brothers en septembre 2008, M. Mariani a dû réduire massivement les besoins en liquidité de l'établissement. Au 30 juin 2011, ces besoins avaient été ramenés à 96 milliards d'euros. Autre enjeu pour la banque, le sauvetage de ses activités commerciales viable. Il pourrait passer par des adossements, des partenariats ou même des cessions. Depuis l'automne 2008, la banque a vendu 74 milliards d'actifs jugés non stratégiques.

OPTIONS DE RAPPROCHEMENT SUR LA TABLE

L'option d'un rapprochement de la branche Dexia Municipal Agency, spécialisée dans le financement des collectivités locales, avec la Caisse des dépôts et consignations (CDC) ou encore la Banque postale est sur la table, sans que le schéma ne soit encore totalement arrêté. Toutes les autres activités commerciales, dont la filiale turque Denizbank, sur laquelle Dexia fondait beaucoup d'espoir pour restaurer sa rentabilité, sont également dans la balance.

La banque doit aussi mener à leur terme les multiples procédures engagées par les collectivités locales françaises ayant contracté des prêts auprès d'elle et qui s'estiment flouées sur la nature exacte de ces emprunts. Une fois essorée, que restera-t-il de Dexia ? La question hante les actionnaires.

04/10/2011 - EL PAYS:

Dexia, de sobresaliente a suspenso en menos de tres meses

MIiguel Jiménez

La entidad francobelga en crisis fue una de las que mejor nota sacó en las pruebas de resistencia. -Su caída da la puntilla a la credibilidad de las pruebas, como antes lo hizo la banca irlandesa

Dexia sacó un 10 en las pruebas a la banca en julio. O, para ser más exactos, un 10,38%. Esa era la solvencia con que la entidad francobelga resistiría el escenario más adverso de los contemplados por la Autoridad Bancaria Europea (EBA, por sus siglas en inglés) para los próximos dos años. Entre los bancos con más de 100.000 millones de euros en activos ponderados por riesgo, hubo solo dos (Rabobank y Danske Bank) que mejoraron esa nota. Ahora, cuando aún no han pasado ni tres meses, la entidad busca alternativas para sobrevivir entre las que se encuentra el segundo rescate por parte de las autoridades, la venta de activos o el troceamiento de la entidad.

Por el camino, Dexia publicó en agosto unas pérdidas trimestrales de más de 4.000 millones de euros, las mayores de su historia, como consecuencia del deterioro de su cartera de deuda griega. Esos resultados ya pusieron de manifiesto que algo no cuadraba con las pruebas europeas. Y lo que no cuadraba era, precisamente, que las pruebas no contemplaban la hipótesis de un impago o quita de la deuda por parte de ningún país.
Solo una semana después de la publicación de las pruebas, la Unión Europea y los principales bancos y aseguradoras pergeñaron una reestructuración "voluntaria" de la deuda griega que implica una quita equivalente al 21% y tras el agravamiento de la crisis griega es posible que la participación privada en el rescate sea aún mayor.

Por eso, en España provocó indignación que el comisario de Mercado Interior, el francés Michel Barnier, utilizase como referencia lo resultados de las pruebas para pedir una nueva ronda de recapitalización en la banca europea. Barnier sugería que las entidades que debían buscar capital eran las 14 que habían pasado las pruebas con una solvencia entre el 5% y el 6%, entre ellas siete españolas y, curiosamente, ninguna francesa. Pero se olvidaba de que lo que genera miedo entre los inversores es precisamente la exposición a la deuda soberana, la que apenas se tenía en cuenta en el examen a la hora de calibrar la solvencia.

Por segundo año consecutivo, las pruebas de resistencia a la banca no solo no han servido para que se recupere la confianza de los inversores, sino más bien para todo lo contrario. En 2010, el efecto balsámico de las pruebas duró unos meses, hasta que los agujeros de los bancos irlandeses que habían pasado el examen holgadamente pusieron en entredicho la credibilidad de los resultados.

Las autoridades europeas se conjuraron para que la historia no se repitiese. Diseñaron unas pruebas más duras, exigieron una solvencia mayor para pasar el corte, pero, de nuevo, se olvidaron de la deuda soberana (o de contemplar la hipótesis de una quita), que es justo el factor que genera incertidumbre entre los inversores. Y la historia se repitió, solo que esta vez peor.

Solo unas semanas después de publicarse los resultados de las pruebas de este año, los inversores empezaron a poner contra las cuerdas a los bancos de toda la zona euro. Algunos de los que habían aprobado el examen con nota muy alta, como BNP o Société Générale, han vivido en vilo todo el verano. Algunos de los mayores bancos de la zona euro se han visto zarandeados en los mercados como vulgares chicharros, el término despectivo que se usa para empresas de baja capitalización y liquidez que se disparan a se desploman en Bolsa cada dos por tres ante cualquier noticia buena o mala (o incluso sin noticia alguna).

En todos los casos, el volumen de la cartera de deuda de los países periféricos, con Grecia en primer plano, ha sido uno de los factores clave. La credibilidad de las pruebas a la banca, que mostraron solo un ramillete de suspensos, entre ellos varias cajas españolas que ya estaban en proceso de recapitalización, quedó en entredicho. La caída de Dexia, que ya fue objeto de un multimillonario rescate en 2008 (y que gracias al dinero público de entonces sacó buena nota en las pruebas) es la puntilla.


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outubro 03, 2011

economiaComFuturo




GENTES & TERRITÓRIOS

- uma combinação virtuosa para o Progresso !



Desde há muito que considero e publicamente defendo que o Desafio da “Coesão Territorial” é uma questão central nos impasses e oportunidades dos nossos Desenvolvimentos. Hoje essa ideia está reforçada e mais clara. Porque os desequilíbrios territoriais continuam a agravar-se e, principalmente, porque concluo que a desvinculação das Pessoas e actividades económicas com os Territórios é a causa das causas das nossas actuais Crises.
Esta visão e postura aérea não tem a ver connosco Humanos, porque não somos Pássaros. Nós temos obrigatoriamente de ter cabeça, tronco e membros ligados à Terra. Só artificialmente e a espaços planamos sobre a Terra. Quando somos afastados dos nossos Locais-Comunidades vamos perdendo identidades e visões humanistas. Vamos sacrificando os nossos futuros, particularmente os dos vindouros, porque nas pressas dos voos do já, hoje e na hora perdemos lucidez estratégica.
Exemplo claro e brutal do afirmado são os “Impérios Financeiros”, que voam nos céus observando e intervindo em todas as partes do Mundo, mas sempre desligados dos Territórios e das Gentes. E todos sabemos o que essas práticas e posturas provocaram no nosso Mundo, Continente, País, Região e Local. Diremos que uns encavalitados lhes vai faltando o ar e outros sem calor de largas envolvências humanas vão arrefecendo, mas uns e outros tristes e sem irem tocando e perspectivando as possíveis felicidades terrenas.
Exige-se, pois, que se desenhe e incremente Estratégias que gerem “uma combinação virtuosa de Gentes & Territórios para o Progresso. Esta é uma opção de vida ou morte para TODOS NÓS E PARA O NOSSO PLANETA.
Repovoar e descongestionar Territórios será imprescindível. Mesmo do ponto de vista estritamente económico, densidades demográficas equilibradas favorecem um desenvolvimento sustentável, particularmente agora com o estreitamento de distâncias, face ao avanço fabuloso das comunicações entre Pessoas e Territórios.
Este caminho implica que todas as lideranças – políticas, sociais, económicas e territoriais – se envolvam neste Desígnio, o que significa abandonar “mais do mesmo” e combater os “lobbys conservadores”. Ao Estado exige-se Políticas Públicas que incrementem, favoreçam e facilitem este caminho, seguindo as conclusões das avaliações críticas do que foi e não feito nas últimas três décadas. À Sociedade Civil Organizada caberá o imprescindível papel de mobilização dos actores e empreendedores nos diferentes Territórios para, de forma conjugada, para novos e renovados projectos e iniciativas. Mobilização que exigirá divulgação, sensibilização e formação de grande qualidade e amplamente participada.
Como diz o Povo, “mais vale tarde, que nunca!”. Mas o tempo URGE!
Façamo-nos ao caminho!


José Carlos Albino

Messejana, 26 de Setembro de 2011.



in economiaComFuturo




Publicado por samartaime às 07:05 PM | Comentários (0)

agosto 28, 2011

«E ninguém protesta?» (*)

(*) Manuel Villaverde Cabral (e Boaventura Sousa Santos) no Público num artigo relevante sobre o regresso à ribalta do assistencialismo salazarista e da caridade.




Protestam os que sabem - como sempre.
E tem servido de alguma coisa?
Alguém adulto, escolarizado e em seu perfeito juízo, pode hoje acreditar que os pobrezinhos eram pobrezinhos porque eram coitadinhos?
Ou porque tinham nascido preguiçosos?
Ou porque eram incapazes de tomar conta de si próprios?
Ou porque eram - todos e só - «doentes»?
Mas, pelo que se ouve e vê, acreditam. Porque lhes dá jeito, evidentemente.


E não havia em Lisboa a Mitra e os sócios da Mitra com placa pregada na porta da casa para que os pobrezinhos não fossem incomodar os caridosos sócios da agremiação? E não se achava isso a boa prática da bondade, a justa caridade?

E não havia tanta gente boazinha que dava esmolinhas aos pobrezinhos e até faziam uma festinha, apiedada mas fugidia, na cabecinha das inocentes criancinhas muito provavelmente tão piolhosas quanto fadadas com tão triste destino?

E não se prendiam os pobrezinhos que costumavam andar a pedir numa zona quando algo de «importante», tipo actuais eventos, ia ocorrer nessa zona?
E não se proibiu os pobrezinhos e os trabalhadores pobres de andarem descalços em Lisboa porque dava mau ar?

E não pregava fartamente a santa madre igreja em favor dos pobrezinhos e os pobrezinhos eram cada vez mais?
E que se fez contra isso do fatídico nascer pobrezinho, coitadinho?
Ensinavam-se as pessoas, desde a escola, a conformarem-se:
«É a vida! Sempre foi assim, sempre houve pobrezinhos, coitadinhos, que triste sina!»

Ou dava-se a sugestão brejeira do Estado Novo publicitário:
«Beba vinho, viva contente!»
Porque, para o bem e para o mal, eles diziam
«Beber vinho é dar trabalho a um milhão de portugueses»


Como podem as pessoas indignar-se se não imaginam o que era, se nem percebem – e muitos nem querem perceber, sequer - como é hoje?
Como podem avaliar se andaram meticulosamente arredados da literatura graças à escola? Pois é, a aprendizagem da língua materna não serve só para desenvolver as cabecinhas e permitir o entendimento do enunciado dos problemas da matemática e da física.
Também serve para desenvolver o gosto pela leitura – que é na literatura que se conta e descodifica a vida, não na história.

Como subentender a vida escondida na cronologia das páginas? O que são factos, reis, estilos, pestes, cavalarias, igrejas, juízes de fora parte, dízimas e guerras se não houver uma literatura que dê humanidade ao paleio?
Eram da Nike? Da Channel? Qual era o clube e o ginásio mais altamente? E a roupa para usar, man? Isto sim são problemas, e plasmas e games, nice games sobre Cabul, man. Ya!


Como se indignariam com o passado se hoje, todos os dias, se ouve falar nos preguiçosos dos desempregados que não querem aceitar «qualquer» trabalho e raros se indignam?

Como se indignariam se ouviram durante meses e meses atacar os funcionários públicos e nunca tiveram cabeça para pensar que iam ficar sem médicos, polícias, enfermeiros, professores, etc., e até sorriam cúmplices à «perda dos direitos adquiridos» dos outros sem perceberem que eram os seus próprios direitos adquiridos que diminuíam?

Como se indignariam com o passado se hoje aceitam que os alimentos doados aos «carenciados» e às instituições que os alimentam estejam, ó execrável, isentos à partida da vigilância da ASAE?

Como indignar-se com as evidência do passado se hoje lhes dizem que «os desfavorecidos» vão ter gratuitamente medicamentos FORA DE PRAZO e ninguém saiu à rua para protestar contra mais essa barbaridade?

Como vão indignar-se se até Américo Amorim, publicitado como o detentor da maior fortuna portuguesa, tem o desplante de se declarar na televisão um trabalhador - e ninguém se lhe ri na cara? Claro que trabalha, olha que dúvida.
Trabalha, trabalha até o melhor que pode e sabe e LHE deixam, mas para que LHE aproveite.


Como vão indignar-se se os papás os tiraram da escola pública - onde havia ao tempo os melhores professores -- para os proteger dos «maus hábitos» dos seus companheiros de idade mas não de sorte?

Como vão indignar-se se uns andam ocupados a tentar sobreviver e os outros andam a acotovelar a carreira? Não são ocupações bastantes? E aquela conversa é com eles? Claro que é com «os outros».

Acaso se indignaram com a exploração e clandestinidade impostas aos imigrantes? E já tomaram consciência que este país tende a perder toda a sua população? Não estou muito certa que isso «lhes diga respeito».

Até a maioria dos políticos perderam a qualidade de se indignar exceto no que lhes diz direto respeito aos interesses – sejam públicos, sejam privados.

Esqueceram-se dos que não votam, dos que votam branco, dos que votam nulo. Deslumbrados com o «arco» do poder, esqueceram a «circunferência».

Como esqueceram o inato desenrasca – o desenrasca que há, o latente e o que a contingência ditará.


O Vasco PV diz que sempre que Portugal precisou de ricos, ninguém apareceu.

Talvez por isso o nosso arguto governo tenha resolvido pegar nos «subsidiados» e por a malta nos trabalhos forçados. [que polícia chamaremos?]

Pacheco Pereira alertará as pessoas para o perigo de se tomar a parte pelo todo, só comparavel ao erro de tomar o todo pela parte.


E eu - que não sou maltesa que se fique - digo-vos: irmãos, manos,
a pior praga do universo são as mães,
que encheram o mundo de filhos da mãe.







Publicado por samartaime às 10:50 AM | Comentários (0)

abril 13, 2011

Em Portugal só o tabaco mata

Eu não acredito no FMI, podem vir prender-me.

E não acredito porque foi criado na sequência da II Grande Guerra, sob o horizonte negro de milhões de mortos e estropiados, as casas negras e aplainadas. E, ainda, a lembrança assaz pungente, em alguns bolsos, da «grande depressão de 1929».

O Fundo Monetário Internacional, e seus sucedâneos e comparsas, é um velho manga de alpaca, um agiota cerzideiro e, pior que velho, mecânico. Memória escaldada pelas guerras loucas alemãs do século passado - apesar dos alemães quererem que se esqueça a sua congénita loucura megalómana.

Criado nos Estados Unidos, o FMI (e correlativos & afins) pretende assegurar (entenda-se: controlar) o bom funcionamento do sistema financeiro mundial - o que não conseguiu nem nos USA, vide Madoff, só para não puxar muito pela memória.

O FMI, queiram ou não as suas magníficas máquinas pensantes de calcular, acaba por não ser mais do que um corretor ortográfico do sistema capitalista. Não há memória de um país a que a ajuda do FMI tenha melhorado, posto a navegar ou, pelo menos, desenvolvido um qualquer sistema sustentável de progresso, sequer económico. Acertam as contitas - para isso lhes pagam - espremem tudo até arrancarem a divida e os juros do deve e haver e ala magala, que já confere.

Em Portugal, o FMI já veio de ajuda duas vezes e só deu para confirmar que «não há duas sem três».

É triste que Portugal, o país do desenrasca, se tenha deixado enrascar por subsídios da treta para acabar com a agricultura, a pesca e a marinha mercante que tinha - ainda que pobres - para se entregar ao supino deleite de viver dos excedentes agrícolas e industriais da Holanda, da França, da Alemanha e, até, da Espanha.

Albardou-se o asno à Zezé da praia, a servir cófis e frutos do mar no bar da areia, em tronco nu pró frisson e boné de pala comprida amaricana, à vontade dos pagantes de fora-parte - que hoje parecem ter esquecido que muito lucraram com o «sistema de bom aluno» com que nos miNaram a indolência e a miséria.

A Merkelândia, então, é o usual descaramento da ganância alemã: reduzida a escombros pela guerra que TRAMOU e PERDEU, renasceu das cinzas pela ajuda incomensurável de europeus e americanos mais o famoso Plano Marshal.

Até nós, os desgraçados portugueses do Salazar, que andou a jogar com o usual pau de dois bicos da neutralidade enquanto fornecia volfrâmio a uns e dizia que sim a outros, que acolhia espiões de todos e virava costas para não «tomar conhecimento» da passagem ininterrupta dos infelizes judeus e outros refugiados do ódio nazi alemão. Até nós, portugueses miseráveis e descalços, tivemos de aguentar o racionamento da nossa própria miséria. A Alemanha já nos pagou isso? Já nos pediu desculpa?

Estarão esses salsicheiros novos-ricos esquecidos da sua história? Quando andaram por cá a ver o mar e a aprender o sol, alguém os ferrou, como se fazia aos bois, com a suástica na testa? Alguém lhes exigiu que mostrassem o braço com o número do campo de concentração ferrado no braço para poderem passar a fronteira em Portugal – mesmo depois do 25 de Abril?

O que é a Merkelândia, quem é a Merkel para falar de alto a qualquer povo europeu?

O que sabem eles de solidariedade além do preço do seu marco mascarado de euro?
Que pena tenho de não ter um presidente maluco que fosse capaz de lhe berrar na cara «meta os seus marcos no cu!» Caramba! Por uma hora que fosse, até eu me tornava presidencialista!

Poucos de nós, cada vez mais muito poucos de nós, continuarão a usufruir da penhora coletiva a que a incompetência, a parolice e a imoralidade dos politico portugueses nos arrastaram.

Muitos de nós pagaremos até à exaustão esse arroubo de desafogo virtual.

Os mais débeis de nós morrerão sem que tenhamos sequer um pão de papoilas que lhes engane a dor.

Contudo, morrer é bom, mesmo antes de tempo, é um serviço público à pátria: alivia o sistema de segurança social, aduba campos de golf (diga-se gólfff), descongestiona centros de saúde, dispensa médicos de família, alivia escolas, limpa a paisagem urbana, recicla os campos .

Que em Portugal só o tabaco mata. Nunca a vida.

Mas sobreviveremos - para desassossego dos pacatos inteligentes.

Temos um treino de quase nove séculos: ainda somos imortais.

Continuaremos.

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março 19, 2011

Crucifixos nas escolas




A presença dos crucifixos nas escolas poderá não ser um atentado aos direitos humanos.

Mas é, com toda a certeza, uma grave falta aos deveres públicos da escola.

A não ser que se pretenda encher as paredes das salas de aula com crucifixos, budas, mesas pé-de- galo, alguidares com água para recolha noturna do grande astral, mapas astrológicos, fotos do Dalai Lama, Biblias e Corões e até com as inefáveis e estimulantes imagens do Kama Sutra - por que não?

É interessante notar como é fácil as pessoas entenderem que ter na parede uma bandeirola do Benfica é uma apologia do Benfica e não entenderem que ter um crucifixo é uma apologia do «crucificado».

Por questão de forma, os simbolos devem estar ausentes dos espaços públicos democráticos, que são pertença de todos os cidadãos.

Os conteúdos, sempre impositivos, não fazem parte da democracia: são apanágio das ditaduras.




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fevereiro 21, 2011

UM PAÍS INSUPORTÁVEL



«A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso.

Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros).

Este caso, cujos pormenores têm sido abundantemente relatados na comunicação social, interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos.

Apenas duas ou três pessoas se interessaram pelo desaparecimento daquela mulher, fazendo, aliás, o que lhes competia. Com efeito, uma vizinha e um familiar comunicaram o desaparecimento às autoridades policiais e judiciais mas ninguém na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária e no tribunal de Sintra se incomodou o suficiente para ordenar as providências adequadas. Em face da participação do desaparecimento de uma idosa a diligência mais elementar que se impunha era ir à sua residência habitual recolher todos os indícios sobre o seu desaparecimento. É isto que num sistema judicial de um país minimamente civilizado se espera das autoridades policiais e judiciais, até porque o caso era susceptível de constituir um crime. O assalto e até assassínio de idosos nas suas residências não são, infelizmente, casos assim tão raros em Portugal. Mas, sintomaticamente, as autoridades judiciais não só não se deram ao trabalho de se deslocar à residência como, inclusivamente, recusaram-se a autorizar os familiares a procederem ao arrombamento da porta de entrada.

E tudo seria tão simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Mas não. Dava muito trabalho ir à uma residência procurar pistas sobre o desaparecimento de uma pessoa. Dava muito trabalho oficiar outras instituições para prestar informações sobre esse desaparecimento. Sublinhe-se que um primo da idosa se deslocou treze vezes ao tribunal de Sintra para que este autorizasse o arrombamento da porta da sua residência. Mas, em vez disso, o tribunal, lá do alto da sua soberba, decretou que a desaparecida não estava morta em casa, pois, se estivesse, teria provocado mau cheiro no prédio. É esta falta de bom-senso e humildade perante a realidade que constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Os nossos investigadores (magistrados e polícias) não investigam para encontrar a verdade, mas sim para confirmarem as verdades que previamente decretam. E, como algumas dessas verdades são axiomáticas, não carecem de demonstração.

Mas há mais entidades cujo comportamento revela que a pessoa humana não constitui motivo suficientemente forte para as obrigar a alterar as rotinas burocráticas e impessoais.

A luz da cozinha daquele apartamento esteve permanentemente acesa durante um ano, ao fim do qual a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica, sem se interessar em averiguar o motivo pelo qual um consumidor deixou de cumprir o contrato celebrado entre ambos.

Os vales da pensão de reforma deixaram de ser levantados pela destinatária, mas a segurança social nada se preocupou com isso. Ninguém nessa instituição estranhou que a pensão de reforma deixasse de ser recebida, ou seja, que passasse a haver uma receita extraordinária sem uma causa. E isto é tanto mais insólito quanto os reformados são periodicamente obrigados a fazerem prova de vida. Mas isso é só quando estão vivos e recebem a pensão.

Os CTT atulharam a caixa de correio daquela habitação de correspondência que não era recebida sem que nenhum alerta alterasse as suas rotinas.

Finalmente, as finanças penhoraram uma casa e venderam-na sem que o respectivo proprietário fosse citado. Como é que é possível num país civilizado penhorar e vender a habitação de uma pessoa, aliás, por uma dívida insignificante, sem que essa pessoa seja citada para contestar? Sem que ninguém se certifique de que o visado tomou conhecimento desse processo? Como é possível comprar uma casa sem a avaliar, sem sequer a ver por dentro? Quem avaliou a casa? Quem fixou o seu preço?

Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável.»



A. Marinho e Pinto.

no Jornal de Notícias




Nota pessoal: escusam vir dizer que o bastonário é «populista» que nisto a esmagadora maioria do povo é populista.
E por mim, gozo o prato das finanças só apanharem mortos e inocentes - que no mais, «tá quiet'ó mau!»



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fevereiro 01, 2011

VAMOS LÁ VER SE A GENTE SE ENTENDE

Não me incomoda e até compreendo que Cavaco Silva tenha optado pela reforma em vez do salário.
Mas incomoda-me que um reformado, seja ele o próprio Cavaco Silva, possa auferir mais enquanto reformado que enquanto Presidente da República em exercício.
Como me incomoda, também, que o Presidente da República, enquanto Presidente da República, possa alienar o salário das funções para que foi eleito.
Não me interessam as pessoas e as casualidades da vida. Interessam-me as bagunças que se escondem atrás das leis sem lei dos artigos e articulados.
Não tem jeito que aquele que o povo escolhe directamente para o representar acabe auferindo umas lecas que qualquer reforma abafa.

Como não tem jeito que um gestor, ainda que milagroso, de uma empresa, possa «gerir» mais
do que o primeiro-ministro desse país. Não tem sentido, não tem comparação, não tem justiça.
Já disse, acima, que não me interessam as pessoas nem as casualidades da vida.
Como também não me interessam os lucros, sejam de empresas sejam da Bolsa.
E não, não estou a tentar passar aquela de «os ricos que paguem a crise», embora existam uns quantos ricos que eu penso que a deveriam pagar mais os respectivos juros, e não «nós» - aleguem o que aleguem os que por eles alegam: conversa velha de comadres.
O que eu quero, e nem é querer muito, é que os salários tenham uma equivalência transparente. E que todos (inclusive os ricos) paguem os devidos impostos, tudo com muita transparência. O mais, não me diz respeito direto.

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novembro 24, 2010

Solidariedade à Greve Geral





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outubro 06, 2010

Branduras e costumices




Os diversos fascismos sempre chegaram de forma doce: para salvar do desespero populações de vários estratos sociais mas «de brandos costumes», aterrorizadas com a «ingovernabilidade», a «insustentabilidade», o medo da rua.
Em nome da reposição da ordem, descambou-se sempre num novo «progresso»: uma cabeça lúcida, altruísta e corajosa, um salvador do caos, uma atração fatal para o grande desígnio do futuro da Pátria, a grande madrasta.

Os «brandos» primeiro acalmam-se, depois desculpam os excessos «por uma boa causa»: o sossego de vida. E alheiam-se, que não é nada com eles.
O «povo» vai serenando e volta ao desenrasca, que a fome é prioritária e o trabalho a única alavanca sempre barata para a sobrevivência.

E já está: são as décadas do silêncio, das entrelinhas, do gelo para uns. Do pão selvagem da época para muitíssimos.
Ou do pão de papoilas do tempo, por caridade.

Na muito amada Paris, logo em Paris - a mãe de todos os deserdados das artes, artesanatos e outros malabarismos -, até já encontraram uns bodes: umas dúzias de ciganos.
Na Alemanha vão ser uns milhares, silenciosos.

Entretanto, eu pergunto: cesteiro que faz um cesto e até dois cestos, Entretanto, eu pergunto: cesteiro que faz um cesto e até dois cestos, porque deixará de fazer o terceiro cesto?
E os cestos serão, obrigatoriamente, de fogo de artifício? Porquê?

E insisto no perguntar: quem afiança que a Europa é mediterrânica? E não é eslava, prussiana, báltica, nórdica? Quem pode afiançar que a união é para cá e não para um qualquer lá?

E lembro: saírem os mediterrânicos «do euro» é difícil, não é impossível mas é o caos. Pois é verdade. Para os «mediterrânicos», evidentemente.

Mas há uma saída muito mais fácil, limpa e independente e com os mesmos efeitos: sair a Alemanha.
Não, não me venham com a conversa do fim da Europa. Esta Europa será onde estiver esta Alemanha. Não se ralem com as «Agencias de ranking» - elas sempre rankinzarão como as mandarem. É para isso que existem, é isso que lhes paga as despesas correntes e decorrentes.

O Reino Unido, como de costume, está meio cá meio lá.
Agora, espreita à janela e diz: «Temos nevoeiro: o continente está isolado!». E recolhe-se para reler a grande aventura americana.

A França é diferente: sempre teve a mania de dar nas vistas e de perder a cabeça e o pé com a Alemanha.

E a Alemanha? Ah!... Essa, reunida, aplicados os milhões e exaurido «o ocidente mediterrâneo», vai agora recolher os dividendos do esforçado investimento que deslocalizou para leste, para a alta escolaridade e baixos
salários que lhe deixaram os obsoletos sovietes de antanho e as consequentes crises. Esguardae as falências a leste.

Até a inefável e sábia China já se anuncia disposta a ajudar a Europa do sul. Tenta ganhar tempo ou espaço? Ou ambas as coisas? Ou já ganhou? São grandes e impávidos jogadores, há milénios.

Não seria o primeiro «Tratado de Tordesilhas», pois não?
E, havendo, quem desta vez o assinou?
Globalização terá mesmo e só o significado que lhe atribuímos?

Faz um tempão, eu acreditei empenhadamente que o avanço tecnológico seria um passo fundamental para «o avanço da humanidade».
E de facto tem sido, concretamente, um grande avanço:
para o incremento do desemprego, para o incremento da fome.
E não incluo «para o incremento da doença» porquanto necessitam de cobaias para «o progresso da sua saúde» - e sempre há alguém que apanha a boleia, felizmente.
Portugal é disto um retrato fiel e verdadeiro que poucos se atrevem a encarar.

Quem insiste nos mesmos métodos e operadores para debelar crises iguais, só pode zelar pela manutenção do seu estatuto.
Não perante quem neles vota, que as votações têm mil meandros que as escolas não chegam para revelar.
Mas perante quem neles manda, escolhe e coloca.

Até o FMI já avisa que vamos entrar em recessão em 2011.
Forte novidade!
Como se não estivéssemos há mais de setenta anos em recessão instável.

Como se o FMI não tivesse estado aqui para «reorganizar» essa recessão.
Como se a Europa não tivesse dado milhões para fomentar os nossos novos empregos de criados de mesa, estafetas de serviços, jardineiros e carregadores de tacos de golf.
Como se os inteligentes não tivessem sido alunos «exemplares» do desmantelamento do pouco de que tínhamos sido capazes.

Quando oiço Cavaco falar no mar penso sempre ah, coitado, como ele se esforçou a plantar eucaliptos! Afinal, era o apelo das caravelas de papel!

Quando oiço Soares falar no mar penso sempre ah, coitado, como ele se esforçou para ser o afundador da nossa marinha lazarenta. Afinal, era o apelo do mar!

E o que vale para o mar, vale para tudo.

Insistir no esmagamento da possibilidade de vida de uma população envelhecida, débil e imigrante num país também ele - e por isso mesmo – envelhecido, débil e emigrante é, além de aviltante, loucura pouco mansa.
Portugal ainda é mais alguma coisa que a nova Mitra para tranquilidade moral da consciência dos nepotismos residentes.
Portugal precisa de gente natural, de portugueses.
Sem família, sem herança, sem dono.
Gente disponível para o futuro – haja o que houver, dure o que durar.
Gente. Como sempre fomos.



(Todas as cartas de amor são ridículas 1 )

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agosto 25, 2010

Múmias? Que múmias são essas?






Desde que ouvi falar nestas múmias que me assaltou a terrivel

e desmedida dúvida

se serãos estas as múmias do Fradique Mendes.

E sempre terão entrado como arenques fumados?

E eu com o Eça numa prateleira de Lisboa!

Não sei se resistirei até ao fim do verão com esta angústia.





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agosto 17, 2010

Falar de incêndios de cabeça fria



Coisas que ouvi e que me esclareceram:

1) Da área ardida este ano na UE, 75% pertence a Portugal.

2) Estavamos organizados para 240 e tal incêndios por dia mas em julho tivemos cerca de 500/dia.

3) Muitos incêndios deflagraram durante a noite

4) A maioria dos incêndios tem origem criminosa ou em «irresponsabilidades».

5) Morreram três bombeiros e outros tantos estão no hospital em dificuldades.

6) Da lista de incendiários constam pastores, trolhas, pedreiros, bêbados, dementes..

7) Foram detidos 15 incendiários, 3 ficaram presos.

E o melhor é ficarmos por aqui, antes que a cabeça esquente.



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agosto 10, 2010

Lisboa e dona Prudência Naftalina




Polícia compra blindados de guerra

para a Cimeira da Nato


por VALENTINA MARCELINO


Lei especial para proibir manifestações e expulsar desordeiros e a reposição das fronteiras estão em discussão. Autoridades preocupadas com segurança da cimeira de Novembro.


A polícia quer "blindar" o Parque das Nações durante a realização da Cimeira da NATO, agendada para os dias 19 e 20 de Novembro. A segurança máxima que exige o evento - vão estar presentes os principais líderes mundiais, entre os quais Barack Obama - levou a concluir pela necessidade de, não só limitar a circulação em toda a área, com vários perímetros de segurança e check-points, como também de aprovar um regime legislativo de excepção, temporário, que permita proibir manifestações que possam resultar em violência urbana, como tem sucedido em anteriores encontros de alto nível.

O espaço Schengen também pode ser suspenso e as fronteiras voltarem a ter controlo apertado. À semelhança do que aconteceu durante a realização do campeonato europeu de futebol, em 2004, durante o qual também vigorou um regime especial, os processos de expulsão de quem perturbe a ordem pública serão quase imediatos.

A lei de excepção vai ainda permitir a colocação em locais públicos de uma vasta rede de câmaras de videovigilância para recolher e gravar imagens.

Os serviços de informações estão a trabalhar com os congéneres dos vários países participantes para listar os elementos de organizações radicais, já referenciados em anteriores tumultos.

O Diário de Notícias (DN) soube que a principal preocupação é o movimento Black Block (ver caixa) que provocou o caos em Toronto na última reunião do G20. Apesar dos 20 mil polícias destacados para a segurança do encontro e dos mil milhões de dólares investidos na segurança, cerca de 3000 activistas vandalizaram e incendiaram edifícios e viaturas.

Neste momento existem três grupos de trabalho designados no âmbito do Gabinete Coordenador de Segurança (GCS): um de Coordenação Geral e Planeamento; outro do Informações; outro para avaliar a necessidade de aprovação de legislação especial temporária. PSP, GNR, PJ, SIS são as entidades com mais participação. Cada uma das forças intervenientes está a fazer o seu levantamento para apresentar nas próximas reuniões.

A PSP, entidade responsável pelo policiamento do evento, já entregou ao GCS uma extensa lista de equipamento de ordem pública, desde barreiras de protecção, a gás lacrimogéneo, que entende ser necessário adquirir.

Na lista estão ainda carros blindados (ver foto) para transporte de pessoal para zonas 'quentes' de grandes distúrbios e colocar homens equipados no local. Tem capacidade para seis pessoas. Anti-bomba, antifogo e antiminas, são utilizados pelos militares bri- tanicos e norte-americanos no Iraque, mas o seu uso urbano, anti-motim, é também conhecido.

O DN soube que, entretanto, a Unidade Especial de Polícia, da PSP, também conseguiu ver aprovado um recrutamento de emergência de 60 elementos para reforçar o Corpo de Intervenção.

Na avaliação de ameaça à cimeira, há três factores principais que estão em cima da mesa: o primeiro é a importância política da própria cimeira, onde será aprovado o novo conceito estratégico da NATO; o segundo é o facto de virem todos os grandes líderes mundias, que vão estar concentrados numa capital dois dias, no mesmo local; e em terceiro a presença de militares portugueses no Afeganistão.

Estes pressupostos tornam inevitavelmente esta cimeira um possível alvo de um ataque terrorista, mas principalmente de violência urbana, por parte de grupos extremistas que contestam a NATO e que normalmente aproveitam estes encontros para protestos mais violentos.

Em Portugal existe a Plataforma Anti-Nato (PAGAN) que faz parte de uma rede internacional de organizações. A cimeira de Lisboa está na agenda e nos sites estrangeiros já estão apelos aos "protestos" e à "desobediência civil".


? O movimento 'Black Bloc' são a maior dor de cabeça para a segurança de encontros de alto nível, como vai ser a Cimeira da NATO, em Lisboa.
O SIS entende-os como um grupo, sem hierarquias definidas, mas com várias células organizadas e com lideranças assumidas e uma grande capacidade de actuar inesperadamente. Há quem não os defina como um grupo, mas sim como uma 'táctica' operacional.

? Num momento são manifestantes pacíficos e, de repente, vestidos de negro, caras tapadas com lenços, máscaras de ski ou capacetes de moto, agem com grande violência.
O vestuário é escolhido para evitar a identificação e por isso na legislação especial que a polícia quer ver aprovada deve ser proibido o uso de qualquer peça que oculte a identidade. Quando actuam, em bloco, o negro das roupas faz aparentar uma grande massa, 'solidária' e cria a ilusão de um grupo maior.

? Os alvos dos 'Black Bloc' são normalmente símbolos da 'globalização capitalista', como lojas de grandes marcas (que abundam no Parque das Nações), bancos, postos de gasolina, estruturas militares e... a polícia.
Apesar da preocupação em impedir a sua acção junto à Cimeira, as 'secretas' já alertaram para a possibilidade de outras zonas da cidade, com policiamento menor, poderem ser alvos.




[Fonte: Diário de Notícias de 08 de agosto de 2010]



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Nota em 11 de agosto de 2010:


O movimento português PAGAN – Plataforma Anti-Guerra Anti-NATO - enviou uma nota à imprensa repudiando as associações feitas no artigo do DN, recusando “liminarmente” a associação do seu nome “a actos violentos ou ameaçadores da ordem pública”.

A plataforma assume-se como um movimento que “quer exercer o seu direito de expressão e opinião, demonstrando desacordo e desagrado quanto às políticas belicistas da NATO e, mais especificamente, quanto à participação portuguesa na absurda guerra levada a cabo no Afeganistão”. A rede internacional, na qual se insere, acolhe organizações muito diversas, e “tem como base comum os conceitos de Pacifismo e Não-Violência”, diz o movimento.

Além disso, a PAGAN considera “moralmente inaceitável” a instrumentalização do nome de uma plataforma de cidadãos, “no sentido de legitimar o investimento do Estado português em meios de repressão social como os blindados que veremos nas ruas de Lisboa”.


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carro_blindado_0.jpg

Estes são os carros blindados que a nossa polícia pretende para os tais «motins sociais». Têm um ar de lata de sardinhas mal amanhada mas são tal e qual os que aparecem nos noticiários sobre o Afeganistão.

pandur_0.jpg

E este é o PANDUR, um carro blindado urbano e todo pentiadinho que era o favorito do Paulo Portas.




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maio 13, 2010

casamento civil de homossexuais

O ar «amarfanhado» do sr. Silva ao anunciar
a promulgação do acesso de todos os cidadãos ao casamento civil
foi um sucesso televisivo como não se via desde os fatídicos
jornais das sextas de Manuela Moura Guedes.
Não sei se teve maior audiência, mas que teve grande incidência de gritos
«anda cá depressa»,
«olha a cara do gajo!»
e de telefonemas tipo «liga o televisor!»
lá isso foi um estrondo.

Como eu entendo aquele ar amarelento de limão espremido até à exaustão.
Pobre homem, pobre filho de deus.
O que lhe terá custado sentir-se encurralado entre a promulgação já ou daqui a uns tempos.
Ó rútil alma solitária entregue aos malefícios do fodibundo poder.
Numa assinatura se esvai a vida de quem não lhe diz respeito.
São as fodibundas agruras do poder.
O poder, que muito pode: assina e pronto, dever cumprido.
Desta vez o dever cumprido saiu-lhe comprido. Coitado.

De alma atormentada pelo incomensurável peso do pecado
pelas densas trevas eternas
por pesadelos freudianos de macacos escarninhos e macacas aleivosas infestando-lhe os jardins íntimos dos lares
pelo mundo de extravagância moral e pesadas dívidas
- sobre o qual «nunca teve dúvidas e raramente se enganou » -
e que agora, ó profundidades divinas,
deixa de herança aos seus entes queridos.
Ah!, para o que um homem está guardado! Miserere nobis.


Porém, ser igual aos outros e ter um segundo mandato... compensa
e como recompensa, deus meu:

«Senhor, levai-me as dores físicas que as morais suporto eu! »

Publicado por samartaime às 08:09 PM | Comentários (0)

março 11, 2010

«Fazem dinheiro com o desastre que eles próprios criaram»



Entrevista a Joseph Stigliz, prémio Nobel da Economia 2001

conduzida por Stefano Lepri

5 de Fevereiro de 2010

«É um paradoxo absurdo, uma ironia da história» – inflama-se Joseph Stigliz, prémio Nobel da Economia 2001 – «para vós na Europa. Não se dão conta? Os governos contraíram muitas dívidas para salvar o sistema financeiro, os bancos centrais mantêm as taxas baixas para ajudá-lo a recompor-se, não para favorecer a recuperação. E que faz a grande finança? Usa as taxas de juro baixas para especular contra os governos endividados. Conseguem fazer dinheiro com o desastre que eles próprios criaram.»

– O que pode acontecer agora?

Espere. Não acaba aqui. Os governos decretam medidas de austeridade para reduzir o endividamento. Os mercados decidem que não são suficientes e especulam com os seus títulos em baixa. Deste modo os governos são constrangidos a medidas de austeridade adicionais. As pessoas comuns perdem ainda mais, a grande finança ganha ainda mais. A moral da história é: culpados premiados, inocentes punidos.

– Como se pode remediar?

Três pontos. Primeiro: nada de dinheiro para a especulação. Nos EUA como na Europa, é preciso estabelecer novas regras para os bancos. Devem financiar as empresas produtivas, não os hedge funds. É preciso impedi-los de especular».

– Uma palavra. Se for o governo a dirigir o crédito, o risco é de distribuí-lo ainda pior.

Não creio. Na minha opinião, pode-se e deve-se intervir. Segundo ponto: é necessário impor taxas muito altas sobre os ganhos de capital. Hoje em dia é mais vantajoso especular que trabalhar para viver. Deve voltar a ser ao contrário.

– E depois?

Ponto três: na Europa deveis apoiar os governos em dificuldades.

– Corre-se o risco de premiar os políticos que governam mal.

Não. A prova é dada pela Espanha. Actualmente está em dificuldades sem ter cometido erros. O governo tinha um balanço positivo até ao ano passado; o Banco Central vigiou muito bem os bancos, tanto que é citado como um exemplo mundial. Que culpa têm? É certo que também eles viram crescer a bolha no mercado imobiliário e não a detiveram. Mas é o erro que todos cometeram. Estava no espírito do momento. Inspirava-o a ideologia neoliberal que dominou por nuitos anos.

– Na Grécia contudo erraram. Até falsearam as contas.

Não o actual governo, o precedente. Foram golpeados pela crise da navegação comercial, um sector muito importante para eles, e pela queda do turismo. Em suma, por que devemos obrigar as pessoas a fazer mais sacrifícios, se não têm culpa?

– A dívida existe. Tarde ou cedo, os Estados deverão pagá-la.

Mas por que devemos dar ouvidos aos mercados? Os mercados não se comportam de forma racional, vimo-lo pelo modo como se produziu a crise. Então, por que deveriam ter razão ao pedir mais sacrifícios aos cidadãos daqueles países? Mais, ainda que a tivessem, comportam-se de forma demasiado errática. E, para terminar, aqui está em curso um ataque especulativo: não é que não golpeiem quem se porte bem, é que se o puderem pôr à margem, põem-no à margem.

– Como podemos fazer, na Europa?

Devem construir mecanismos de solidariedade entre Estados. A União deveria ter mais recursos à disposição. Gasta-se um monte de dinheiro na política agrária comum, que é um desperdício, enquanto…

– Poder-se-ia emitir títulos europeus, os Eurobonds.

Certamente. E depois é preciso taxar as actividades nocivas. Sobretudo duas: a finança e as emissões de anidrido carbónico. Nos EUA também.

– Conseguirá Obama impor-se aos bancos?

Será uma longa batalha. Mas a ira das pessoas é forte, e o presidente sabe-o. Os banqueiros têm toda a população contra eles.

– O Congresso está relutante.

Espero que não se tenha que chegar a outra crise, antes de se conseguir pôr a finança sob controle. Seria realmente triste. Pense em todo o dano que causaram. Sabe você que segundo as estimativas do CBO, o Gabinete de Balanços do Congresso, o desemprego só começará a diminuir a meio do decénio? Estas são coisas que ficam durante muito tempo na memória das pessoas.

Fonte: La Stampa



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janeiro 31, 2010

Burkas e «burkinaus»

Adoro conversas e debates de burkas.
O que eu me tenho cultivado só à conta das burkas.

Primeiro, aprendi que espaços públicos são só os espaços públicos.
Se pensavamm que as ruas, praças, pracetas, jardins, alamedas e outras quejandices são espaços públicos, desenganem-se.
Espaços públicos são só as repartições. Sejam elas repartições da saúde, da justiça, da educação , da religião, do cinema do circo, do cidadão, etc.. E independentemente do aparato do edifício.

Segundo, aprendi que da porta de casa até à porta duma repartição da saúde ou da justiça, por exemplo, não percorremos um espaço público mas sim um espaço de liberdade de expressão. Portanto, tanto pode ir nu como pode ir em cuecas e peúgas e na cabeça um chapéu aos quadradinhos, como pode ir de burka.
Ou pode, se gostar de emoções mais fortes, ir todo nu com um carapuço enfiado na cabeça que ninguém pensará que é o vizinho mas sim o encapuzado que assaltou a bomba da gasolina.
Porém, não se lembre de ir todo nu com um preservativo às bolinhas cor-de-rosa enfiado no pirilau - que está aí a chegar o santo papa e é capaz de parecer provocação !

Terceiro, aprendi que as estrangeiras alternativas às mães de Bragança podem recorrer ao encapuzamento fronteiriço para evitarem o constrangimento, e subsequente desconforto, da guarda republicana de cá e da guarda civil de lá.

E a terminar, a minha hora de sorte: vou finalmente deitar fora esse resquício do passaporte soviético que é o bilhete de identidade! Ponho uma burka e se a polícia me perguntar quem sou eu, digo que sou o Dr. Dias Loureiro e vou à minha vidinha, olarila!


Nota aos distraídos: a mulher que usa burka não tem de mostrar a cara quando vai ao hospital pela simples razão de que ela nem vai ao hospital - fica em casa. Quem «vai à consulta» é o marido. Estamos conversados?

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janeiro 28, 2010

Pelo Haiti



ajude a cancelar


a dívida externa do Haiti




assine a petição aqui



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outubro 21, 2009


José Saramago 1.jpg
Lançando o Ensaio sobre a cegueira



obrigada Saramago


por seres um coração livre.


Que nunca te canses de ser português.




Publicado por samartaime às 10:43 PM | Comentários (0)

setembro 20, 2009

Aos bons ofícios da Polícia Judiciária,
que tem costas largas como eu



Fui uma das pessoas contempladas com um mail timbrado da Polícia Judiciária avisando-me que o meu IP andava a ser muito notado em visitas indevidas.

Não me esclareciam sobre quais os sitios indevidos onde o meu IP foi muito notado, mas enviavam-me anexo um programinha da MSoft (diziam eles) para eu activar e ficar, assim, protegida desses caminhos invios. Devia ser um programinha do tipo «só digo uma vez e no fim faço bang!»
Apaguei tudo: Judiciária, parecer, aconselhamento e programa para a virtude eterna.
Tudo para o lixo, «rapidamente e em força» - como dizia o Salazar a propósito de Angola, que nunca foi minha.
Ao contrário de Moçambique que foi, é e será sempre também meu.


E fiz bem: à noite vi na tv um fac simile electrónico do e-mail que recebi, enquanto ouvia que tinha sido coisa de pirata informático e que a Judiciária já lhe andava na peugada.


Porém, dormida a noite, fiquei um tanto preocupada.
Não com a ameaça mas com a proveniência do pirata.
E com alguma razão.

Nos tempos que correm, já não sei se o pirata é da presidência e me confundiu com o executivo Sócrates ou a douta Rodrigues;

ou se, sendo do executivo, me confundiu com o pleno da presidência cavaquista;

ou se, sendo da Judiciária, descobriu em mim uma nova falta de memória de Dias Loureiro;

ou, quiçá, pertencerá à Prisa e manobra escutas e contra-escutas para colocar-me no palanque do Jornal de Sexta em substituição da corajosa boca de Manuela Moura Guedes?

Ou, quiçá, pertencerá às hostes da Santa Condestável Ferreira Leite e pretende contar com o meu elmo na próxima reedição da batalha de aljubarrota para nos libertar da tremebunda e hirsuta Castela donde não vem nem bom vento nem bom casamento devidamente procriador?

Ou, caspite, será o fantasma do Sadam Hussein que me viu nos Açores e me confundiu com o Durão Barroso?!

Ó tempos!, ó costumes!... bradou de cabeça amofinada o coitado do Cícero - e como eu o entendo!




Bah!


Vão-se catar, meninos, enquanto a fava não enche!



Publicado por samartaime às 03:08 PM | Comentários (1)

abril 26, 2009

De ocasião





A liberdade é como a luz:

só ganha cor por decomposição.



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março 31, 2009





Publicado por samartaime às 10:54 AM | Comentários (0)

fevereiro 10, 2009

Excisão genital feminina


A notícia vem hoje no Público, embora diluída pela crise milionária, pelo despedimento do «pobre» Scolari e pelo fotogénico mas execravel branqueamento, agora «amoroso», do fascista Salazar e dos «rigores morais» do fascista Cardeal Cerejeira em quem ninguém parece ter reparado.

Mas é a notícia da excisão genital feminina que me choca pela fragilidade que ressalta da nótícia do Público.

O jornal sabe do que fala (lembra-se do que publicou), mas tem pouco a acrescentar ao que já sabiamos. É mais um alerta para a situação do que um apuramento de resultados: continuamos pródigos em reuniões inconclusivas.

E também eu me pergunto: - Será que é desta que se leva a sério a questão da excisão genital feminina?

Nem sequer existirem técnicos suficientes e/ou devidamente preparados
para o acompanhamento das vitimas é ignominioso.


Publicado por samartaime às 11:13 AM | Comentários (0)

dezembro 26, 2008

THOMAS JEFFERSON

(13:ABR: 1743 – 4 : JUL:1826)

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Publicado por samartaime às 02:51 PM | Comentários (2)

dezembro 03, 2008

Vamos a feijões:



Diz o inefável ministério: Só dez por cento das escolas FECHARAM!!!!!
Digo eu: Claro!... As secretarias e restante pessoal não fizeram greve. Será que nem isso a ilustre tutela sabe?!

Dizem alguns ilustres pais de alunos do 3º ciclo do Básico e do Secundário: Os nossos filhos estão abandonados à porta da escola e pelas ruas !..
Digo eu: Entreguem-nos à guarda de quem os deixa nas discotecas madrugadas fóra.

Dizem ilustres pais e avós das crianças do primeiro e segundo ciclos do Básico: As nossas crianças estão nas escolas sem professores para tomarem conta deles!
Digo eu: Não acham que formar professores sai demasiado caro para estarem a tomar conta de crianças? Pois deviam pensar nisso antes que tenham só auxiliares pedagógicos (na melhor das hipóteses) a ensiná-los. E, já agora, por que motivo não chamam uns engenheiro ou uns médico ou uns advogado para tomarem conta das crianças?

Dizem economistas, gestores e financeiros: Eles (os professores) querem é regalias, trabalhar pouco e promoções automáticas!
Digo eu: Aí estamos de acordo - os nossos economistas e gestores são tão maus (vide país Portugal) que lamento, profundamente, todos os professores que os deixaram prosseguir estudos até ao diploma final.
E, já agora, - têm a certeza de que economistas e gestores foram devidamente avaliados? Que eu saiba, nas empresas avaliam-se os «quadros» pelos lucros fáceis e chapeladas do momento ao dono. E avalia-se da qualidade dos «quadros» pelos prémios, carros e cartões no bolso a curto prazo. E, reparem, nem chamo para aqui a banca mais a nacionalização dos prejuízos e a privativatização dos lucros.

Voltam os pais: Em 2005 o meu filho esteve 20% do ano sem aulas por causa das faltas dos professores!
Digo eu: Claro! Com a sabedoria do ministério é perfeitamente natural que não saibam estimar quantos professores necessitam, quantos terão de ser substituidos e onde, quantos podem adoecer, etc., etc.. Os professores não se colocam a si próprios, são colocados ou destacados pelo ministério. Além disso, têm direito a faltas, por lei. Mas têm de descontar nas férias essas faltas - sabiam?

Voltam os sábios: Os professorecos são uns ignorantes.
Digo eu: É natural, foram vossos colegas de curso.

Tornam os sábios: Mas não têm formação científica igual à nossa.
Digo eu: A esmagadora maioria tem formação científica igual à vossa e até tem formação profissional superior à vossa - visto que vocês entram, na generalidade, directamente na vida activa e eles não. No entanto há
alguns, muito poucos, que não têm formação científica igual à vossa, é verdade. Mas sobre isso deviam ter inquirido Veiga Simão, antigo ministro da educação do PS.

Outra vez os sábios: Mas isso foi há muito tempo!
Digo eu: Nem tanto assim que nisto da educação é sempre o longo prazo que está em causa.

Continuam os sábios: Então por que os gajos não querem ser avaliados?
Digo eu: Chegou de Marte?? Nessa já nem o PSocrático acredita!

ULTIMA HORA

Sua Alteza Imperial o Ministério da Educação acaba de declarar que a greve dos professores falhou!

Falhou porque os objectivos não foram alcançados, a saber:
1)porque só fizeram greve 61% dos professores quando «os sindicatos» esperavam 90% ;
2) porque só 10% das escolas fecharam.

Temos aqui um caso e é de avaliação: nem o ministério se entende com a avaliação que fez!
Bem que os professores os avisaram!

3ª Aula Pública de Rua
3 de Dezembro de 2008
Sumário:

A Plataforma das Organizações dos Professores anunciam que fizeram greve 94% dos professores.

O Presidente da República apela, de novo, à serenidade e ao diálogo.

Sócrates, para não perder a face, continua a perder a cabeça com a Escola Pública.


E depois a quem vai Sócrates dar os benditos dos seus magalhães?


Publicado por samartaime às 07:53 PM | Comentários (0)

novembro 19, 2008

As inóspitas maquinações temporãs

O nosso Super Star
eufórico, belo, perfumado e optimista,
em Maio de 2008 correu a Aljustrel a inaugurar
com grandes risos e foguetes e pela certa boa açorda de perdiz
uma novíssima fábrica daquelas de que o País precisa:
moderna, confiante e cantando e rindo pela planície alentejana
o esplendor da garantia de dez anos, Hermengarda,
perdão Herculano, digo Aljustrel,
de trabalho moderno, histórico,
para partir os dentes à infame crise alheia que nos invadiu!

Ai Aljustrel, Aljustrel que nem na tua mais rica feira
conseguiste sonhar d' além lá longe tal par de botas:
Novembro de 2008 e a opípara fábrica fechou.

E agora, Super Star?
Pino seduziu a dona com contrapartidas e quem casa é Aljustrel? !
Estou à espera do que dirá alguma lei de novo tipo:
nacionaliza-se, não se nacionaliza, partes tu ou baralho eu?

Publicado por samartaime às 11:45 AM | Comentários (0)

Bicabornato para a queda do cabelo

Contou o Sol que uma cidadã foi ao médico e descobriu que tinha dois polipos.
E que havia necessidade de os retirar.
Seguiu o conselho técnico e tratou da operação com traquilidade: tinha Seguro de Saúde.

Foi operada e retiraram-lhe UM polipo. E remeteram-na ao Hospital de Cascais,
para a extracção do desolado restante.
O precioso Seguro, afinal, só dava para UM polipo.

Agora, quando vou comprar sapatos, pergunto sempre se o preço inclui
os DOIS atacadores.


Publicado por samartaime às 10:55 AM | Comentários (0)

novembro 18, 2008

«Erros de palmatória»


Não percebo como José Sócrates caíu nesta querela com os professores.

Calhando esqueceu-se que a esmagadora maioria deles foram formados
pelo Técnico e pelas Universidades Públicas.



Publicado por samartaime às 11:30 AM | Comentários (0)

novembro 13, 2008

Proposta de emenda



Diz José Sócrates:

«Manuel Alegre nunca dá razão ao PS»

Talvez fosse melhor José Sócrates dizer

Já nem Manuel Alegre consegue dar razão ao PS

Publicado por samartaime às 10:40 AM | Comentários (0)

outubro 08, 2008

todos.bmp

«Direitos fundamentais são contramaioritários »

Entrevista a Isabel Mayer Moreira, constitucionalista, assistente universitária.

É autora de um dos pareceres entregues no Tribunal Constitucional (TC) no âmbito do recurso interposto por duas mulheres cuja tentativa de casamento civil, em 2006, foi recusada. Por que decidiu escrever esse parecer?

Por imperativo de cidadania. Escrevi-o pro bono [a título gratuito], e por saber que podia pôr os meus conhecimentos de Direito Constitucional ao serviço de uma causa que me parece essencial não ser adiada mais tempo.

Tem-se repetido muito que esta causa não é prioritária...

Os direitos fundamentais são sempre prioritários. As conquistas dos direitos das minorias nunca foram vistas, à data das mesmas, como preocupações da maioria da sociedade. Basta pensar o que aconteceu com a escravatura, com os direitos das mulheres ou com a igualdade entre raças, que também não eram questões vistas como prioritárias. Mas à luz da dignidade da pessoa humana há questões que por natureza são sempre prioritárias.

Aceita o rótulo que tem sido aposto a esta causa, de "fracturante" e "radical"?

Acho excessivo, porque a questão me parece excessivamente simples. Defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é, ao contrário do que acreditam muitos conservadores, atacar visões mais tradicionalistas da família. Há lugar para todos. É apenas defender o alargamento da titularidade do casamento. O que se pretende é que haja mais família, mais casamento.

Que pensa que vai acontecer no TC?

O ideal seria um dos projectos de lei, o do BE ou o de Os Verdes, ser aprovado no Parlamento no dia 10 de Outubro e a lei entrar em vigor antes de o tribunal se pronunciar. A decisão seria assim tomada pelo órgão democrático por excelência, que é o Parlamento. A não ser assim, ainda tenho a esperança de que o TC leia a Constituição.

Como vê a argumentação do PS, que afirma não ter legitimidade para votar a favor?

Não colhe. Em primeiro lugar, porque está no programa do PS remover todas as discriminações fundadas na orientação sexual; mas, ainda que não estivesse no programa, cumprir a Constituição não tem de estar nos programas eleitorais, é um imperativo constitucional. Por fim, concretizar um direito fundamental não pode estar dependente do que ditam conjunturalmente maiorias, opiniões, etc. É nesse sentido que se aponta para uma vocação contramaioritária dos direitos fundamentais.

(entrevista no DN)

Publicado por samartaime às 09:44 AM | Comentários (0)

julho 03, 2008

A Dr.ª Ferreira Leite e os homossexuais


Disse a Dr.ª Ferreira Leite na TV - e o Público, qual espadilha, confirma - ,
que não tem nada contra a homossexualidade. Entendo-a: como qualquer tecnocrata foi clara, eficiente e banal.
No seguimento do seu raciocínio e já um tanto agastada pelo peso do esforço de entendimento, adiantou a Dr.ª Ferreira Leite que, no entanto, é contra o casamento legal entre homossexuais.
Aqui, baralhei-me.
A Dr.ª Ferreira Leite defende, implicitamente, dois tipos de casamento: o legal e o ilegal. E é aqui que a porca torce o rabo: não entendo essa figura do casamento ilegal. Sempre pensei que o casamento ou era ou não era. O casamento ilegal é que não entendo mesmo: lá vou ter de esperar que o Pacheco Pereira troque em miúdos essa complexidade inóspita!
A Dr.ª Ferreira Leite mais uma vez me azedou o leite sem que lhe veja utilidade.
Querem ver que eu, que sou contra o casamento, que vivo há 30 e tal anos com a mesma pessoa, não querem lá ver que, calhando, não só estou casada contra a minha vontade como ninguém se lembrou de me participar o tal do meu casamento e, ainda por cima, só 30 anos depois, qual Conde de Monte-Cristo do matrimónio, sei que estou num casamento ilegal?
E isso dá direito a quê?
A prisão preventiva?
A cadeia?
A pulseira electrónica?

A estrela amarela ao peito?

A cruz roxa na testa?

Não contente, a Dr.ª Ferreira Leite com receio de não ter sido suficientemente explícita esclareceu «que não se pode dar o mesmo estatuto» - aos homossexuais, evidentemente.
Que nisto do estatuto é que reside o busílis do desempenho ou não do papel – sociologicamente falando;
e, muito paralela e popularmente dito, de ter ou não ter papel passado - civilmente falando.

No Teatro, o faz de conta da vida, o problema não se põe: qualquer homossexual pode, com toda a dignidade, representar o papel de casado e dar um enxurro de porrada na mulher que nem a ASAE se alarma.
Mas podemos muito bem à saída ouvir comentários do tipo: «Viste como o cabrão do maricas fez aquilo bem?».
Estes comentadores são os seus companheiros de ocasião, Dr.ª Ferreira Leite.
Esperava melhor da sua capacidade.
Na Vida a homossexualidade existe, simplesmente.
E os «actos que definem socialmente a homossexualidade» são ainda mais comuns e correntes do que os tecnocratas e burocratas da moral vigente sempre pretenderam e pretendem fazer crer.
Olhe à sua volta, olhe os seus pares, olhe o seu povo.
Não lhes olhe as carteiras: olhe-lhes «as cadeiras».
E quando, desassombradamente embora, voltar a assumir que pretende discriminar os homossexuais unicamente pela sua diferença, lembre-se que é concorrente a um lugar político.
E que mesmo eu, que não gosto do político José Sócrates, votaria nele contra si.

Publicado por samartaime às 07:47 PM | Comentários (0)

julho 02, 2008

A Drª Ferreira Leite e os homossexuais



Disse a Dr.ª Ferreira Leite na TV - e o Público, qual espadilha, confirma - ,
que não tem nada contra a homossexualidade. Entendo-a: como qualquer tecnocrata foi clara, eficiente e banal.

No seguimento do seu raciocínio e já um tanto agastada pelo peso do esforço de entendimento, adiantou a Dr.ª Ferreira Leite que, no entanto, é contra o casamento legal entre homossexuais.
Aqui, baralhei-me.

A Dr.ª Ferreira Leite defende, implicitamente, dois tipos de casamento: o legal e o ilegal. E é aqui que a porca torce o rabo: não entendo essa figura do casamento ilegal. Sempre pensei que o casamento ou era ou não era. O casamento ilegal é que não entendo mesmo: lá vou ter de esperar que o Pacheco Pereira troque em miúdos essa complexidade inóspita!

A Dr.ª Ferreira Leite mais uma vez me azedou o leite sem que lhe veja utilidade.
Querem ver que eu, que sou contra o casamento, que vivo há 30 e tal anos com a mesma pessoa, não querem lá ver que, calhando, não só estou casada contra a minha vontade como ninguém se lembrou de me participar o tal do meu casamento e, ainda por cima, só 30 anos depois, qual Conde de Monte-Cristo do matrimónio, sei que estou num casamento ilegal?
E isso dá direito a quê?
A prisão preventiva?
A cadeia?
A pulseira electrónica?
A estrela amarela ao peito?
A cruz roxa na testa?


Não contente, a Dr.ª Ferreira Leite com receio de não ter sido suficientemente explícita esclareceu «que não se pode dar o mesmo estatuto» - aos homossexuais, evidentemente.

Que nisto do estatuto é que reside o busílis do desempenho ou não do papel – sociologicamente falando;
e, muito paralela e popularmente dito, de ter ou não ter papel passado - civilmente falando.

No Teatro, o faz de conta da vida, o problema não se põe: qualquer homossexual pode, com toda a dignidade, representar o papel de casado e dar um enxurro de porrada na mulher que nem a ASAE se alarma.
Mas podemos muito bem à saída ouvir comentários do tipo: «Viste como o cabrão do maricas fez aquilo bem?».
Estes comentadores são os seus companheiros de ocasião, Dr.ª Ferreira Leite.
Esperava melhor da sua capacidade.

Na Vida a homossexualidade existe, simplesmente.
E os «actos que definem socialmente a homossexualidade» são ainda mais comuns e correntes do que os tecnocratas e burocratas da moral vigente sempre pretenderam e pretendem fazer crer.

Olhe à sua volta, olhe os seus pares, olhe o seu povo.
Não lhes olhe as carteiras: olhe-lhes «as cadeiras».

E quando, desassombradamente embora, voltar a assumir que pretende discriminar os homossexuais unicamente pela sua diferença, lembre-se que é concorrente a um lugar político.
E que mesmo eu, que não gosto do político José Sócrates, votaria nele contra si.


Publicado por samartaime às 12:05 PM | Comentários (0)

junho 05, 2008

Tem vinte e tres anos.



Lembram-se, ficou no ouvido. E alegrámo-nos muito muito muito.

Que era bonito de ver, de ouvir e de cantar!

Depois veio este:

E ficou tudo igual.

Sabem quais são as verdadeiras diferenças entre estes dois pequenos videos cantantes?

Os americanos tiveram mais mulheres em palco que os europeus!

E tinham um índio!

Publicado por samartaime às 06:29 PM | Comentários (0)

maio 25, 2008

Albarde-se o burro...



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Se querem continuar a viver num país sem transportes públicos

e com combustível só para alguns,

o melhor é comprarem já as marmitas e a lancheira,

e ir aprendendo a deitar meias solas nos sapatos !

Publicado por samartaime às 05:16 PM | Comentários (0)

abril 25, 2008

25 de Abril



Dave.jpg No dia 25 de Abril de 1974, esta era a fotografia do meu bilhete de identidade renovado em Fevereiro do mesmo ano.

Nascida de duas famílias republicanas, uma delas com «vastas tradições» de fugas, prisões, mortes e exílios, eu era uma jovem rebelde e activa que amava a liberdade sobre todas as coisas e acreditava que a escola, a saúde e a justiça eram pilares decisivos para a igualdade de oportunidades num mundo melhor. Para mim, o trabalho estava implicito na condição humana e «desemprego» era, apenas, uma questão residual de incapacidade profunda ou acidental.
Hoje sorrio e penso, com ternura, que o romantismo faz parte da juventude e, felizmente, de alguns sobreviventes de outros grupos etários.

Chegado o 25 de Abril e querendo contribuir activamente para a liberdade e o futuro, não tendo «armas» para a saúde nem para a justiça, optei pela Alfabetização. E os dias e as noites nunca foram suficientes para a formação de monitores. E os monitores nunca foram suficientes. E faltavam espaços, faltavam materiais, faltavam meios. Em contrapartida, sobravam os analfabetos. Viviamos prensados entre o querer, o poder e o conseguir.
Exterminada a Alfabetização, passei às editoriais, à imprensa. Até que um dia fui atacada pela «incapacidade acidental» !

Saída IPO.jpg Trinta e dois anos depois do 25 de Abril de 1974, eu estava como aí se vê e a situação do País foi piorando - ou clarificando, como queiram.

A verdade é que a escola pública continua com os problemas que tinha mais os derivados do agudizar da situação social.

O Serviço de Saúde é cada vez mais privado do que público. E talvez venha a ser, apenas, mais um chequezinho aos privados para que atendam , por misericórdia, os pobrezinhos necessitados de uma caridadezinha não vão morrer pelas ruas, embaraçando os transeuntes e assustando os turistas.

A Justiça consiste em não haver dinheiro para se recorrer a ela; em esperar anos e anos por arquivamentos, sentenças e indeminizações de 150 euros; em polícias sem meios nem para eles se defenderem dos marginais; em prender a raia miúda do costume mais os presumiveis; em deixar colarinhos e financiadores em paz .

Não fora tudo isto bastante, ainda pairam no ar o trio maravilhas Santana, Menezes e Ribau, Jardim bota insulto em cima de insulto, Cavaco cala-se, e Lurdes Rodrigues despeja ódio sobre os únicos que lhe podem valer - os professores.
Entretanto, Sócrates está optimista: pudera, quem paga somos nós!


PELINGRAFIAS 030.jpg Trinta e quatro anos depois, é evidente que eu só podia estar assim! Mas ainda me ficou a liberdade de escrever isto e não ter que o meter na gaveta. Portanto, apesar dos inúmeros pesares,

VIVA O 25 DE ABRIL!

25 de Abril, sempre!

[Obrigada à minha fotógrafa de todas as horas e um bom 25 de Abril (sempre!) mais um abraço para ela]

Publicado por samartaime às 10:34 AM | Comentários (0)

março 25, 2008

Escola... de quê?



Finalmente alguém deu pelo facto de nas escolas públicas haver duas espécies de desmandos:

os derivados da pura falta de educação familiar dos alunos e que tende a agravar-se em grupo;

e os autênticos focos de marginalidade e violência.

O caso da Escola Carolina Michaelis é um exemplo perfeito dos extremos a que pode chegar a «má educação geral»: o quero-posso-e-mando de uma aluna leva-a ao método do empurrão para cortar o passo e agredir a professora por causa de um telemóvel. Tudo isto acompanhado de uma inaudita guincharia da menina e da risota desbragada dos colegas que, entretanto, vão lançando achas a preceito. Um colega mais cinéfilo aproveita a cena para rodar um documentário neorrealista sobre «comportamentos desviantes na sala de aula» e corre a publicitá-lo no You Tube esperando os louros da homérica façanha. E teve-a: conseguiu uma prova documental isenta (leia-se «dos alunos») sobre aquilo para que os professores chamam a atenção há anos e que pais e tutela encobrem ou desvalorizam.

Mas há muito pior do que o Episódio da Carolina:
há alunos «empurrados» de outras escolas para «limpeza de ambiente», o que origina escolas «depósito» de alunos em dificuldades várias;
há gangs dentro das escolas que roubam e sovam outros alunos;
há os que passam droga ou a vendem à porta desta ou daquela escola;
há elementos ou acompanhantes de gangs extraescolares;
e há os alunos de pulseira electrónica.

Evidentemente que os casos mais extremos não são a rotina da generalidade das escolas.
Mas é bom que se tenha em conta que assim como a «má educação» propicia comportamentos desviantes graves, também a rotina dos comportamentos desviantes favorece a marginalidade e a violência.

E «os pais» são outro ponto a ter em consideração: é que também há marginais com filhos. E também os marginais tem filhos nas escolas - felizmente!
E não façam sorrisos entendidos e piscadelas de olho: a marginalidade verifica-se em todas as classes sociais – é como a violência sobre as mulheres, esqueceram?

Foi a «instabilidade» crescente nas escolas públicas que levou os pais mais segregacionistas e/ou timoratos e/ou prudentes a retirarem os filhos da escola pública para os colégios - mesmo os pais que sabiam que era na escola pública que estava a grande maioria dos professores com maior preparação científica e pedagógica. Depois, também sabemos, tornou-se moda e colateral correnteza de vaidades e exibições. Hoje é cada vez mais difícil aos pais não fazerem o impossível para evitarem a escola pública. Embora existam escolas públicas que conseguiram passar o tumulto democrático com poucas interferências e «alguma imaginação» nem sempre muito democrática. Mas tudo bem só no reino de Pangloss.

Sendo a escola uma reprodutora da sociedade e por conseguinte um seu espelho, uma escola democrática teria forçosamente de passar por esta crise. E nenhum governo foi capaz de ter um ministério da educação à altura das circunstâncias. Não vale a pena chorarmos sobre o leite derramado, é preciso andar para a frente.

Hoje, temos técnicos que conhecem profundamente o meio, os recursos e as dificuldades e que conhecem também variadas experiências que falharam onde, como e porquê. Por certo não será uma classe igualitária nem será desejável que o seja. Mas são os ÚNICOS técnicos que temos – e não se vê que possamos esperar outros trinta anos por uma geração finalmente redentora da educação nacional.

O que é inadmissível é que exactamente os professores, a classe profissional determinante para o futuro, tenha uma tutela mais preocupada com a imposição das suas vaidadezinhas intelectuais provincianas do que interessada em definir projectos e estratégias e discuti-las e aferi-las com os professores.

O que é execrável é todos os dias ouvir retirar autoridade aos professores enquanto se palra sobre o reforço da autoridade na escola.

O que é execrável é ver que os professores precisam e pedem reforço e formação para poderem exercer a sua actividade convenientemente ajustada às novas exigências postas pela alteração social e tecnológica, enquanto a tutela lhes responde com horários, fichas, substituições, títulos e outras mesquinhices lazarentas e jericocéfalas, próprias de quem acha que o futuro e a salvação da pátria estão na «pedagogia do carregar pela boca» de crianças, adolescentes e professores.

Entretanto, aqui mesmo ao meu lado, oiço o brilhante e gracioso Sr. Valter Lemos na TV explicando «aos portugueses» que:
a droga não vem da escola, vem do exterior;
os gangs não são da escola, são das redondezas da escola;
as escolas são locais seguros e tranquilos

Este senhor terá consciência plena do que realmente diz?
Este senhor está a falar para quem? Para os bairros sociais? Para a campanha «Escola Segura»? Para os pais que optaram pelos colégios? Para a banalidade dos dealers? Para a apatia dos jovens enquanto alunos?

Para completar o quadro democrático, evidentemente, a TV intercalado as declarações do Sr. Valter Lemos com o parecer do Procurador Geral da República sobre a preocupante proximidade entre a escola e a marginalidade.

Mas tenhamos esperança:
o Sr. Procurador já mando instaurar processo.
E a Srª Ministra vai, pela certa, desencantar gestores capazes e que - no caso das escolas mais envolvidas pelas redondezas - poderão ser assessorados por um polícia reformado à paisana, obviamente.

Publicado por samartaime às 11:44 AM | Comentários (0)

março 23, 2008

Do ministério da boa educação e da virtude que ele tem



Ainda se lembram?...

Ministra da educação entrevistada

Pros e Contras - As Escolas e a Ministra

Prós e Contras - Os Professores e a Ministra

Prós e Contras: avaliação de alunos e «estatísticas»

A Ministra da Educação vaiada por alunos, responde:


A Escola Carolina Michaelis

Que mais falta acontecer?

Publicado por samartaime às 09:27 PM | Comentários (0)

janeiro 19, 2008

« e pur... se muove! » (*)

O sr. Presidente da República atreveu-se, imaginem, a aludir discreta e sensatamente às discrepâncias salariais portuguesas e logo se levantaram os usuais prós e contras em gastos de tinta, papel e teleopiniões.

Os pensadores mais informados e ousados lembraram, até, o mérito e demérito implícitos na prosaica «retribuição salarial»: que, num País de rústicos, obviamente a genialidade paga-se por assalto à mão armada de lei.

Não apreciando muito a conversa, os rústicos assobiaram para o lado e foram à vidinha, esperando do sr. Presidente que os represente numa mais viva prática e meta os génios e afins na ordem: a usual delegação de poderes e fé na esperança de milagre, próprios dos brandos costumes rústicos.

Estávamos todos neste remanso quando o sr. Governador, do Banco de Portugal, nos vem esclarecer da possivel existência de presumíveis factos paralelos para já inomináveis que, a querer uma colagem mínima à verdade pressentida, nos leva a ter de acrescentar à «retribuição salarial à mão armada de lei» dos génios também a «retribuição salarial à mão desarmada de lei » desses e de outros génios.

Ora, a ser como se diz nas tvês e jornais, «os trabalhadores», neste particular os bancários portugueses, têm um altíssimo índice de produtividade, capaz mesmo de envergonhar muito sheik das arábias! Esperemos agora que isto da alta glória produtiva da banca acabe com o moderno sistema de sol a sol regressado aos horários . Que, pelo menos, algum ousado génio não se lembre de multar os bancários por excesso de zelo posto na alta glória da produtividade dos banqueiros.

Infelizmente, quem diz da «produção» dos banqueiros, diz da de industriais, de comerciantes, da alta administração pública, etc., - que esses sim, se tiverem unhas, definem, traçam e decidem estratégias e rumos da produtividade - não «os trabalhadores». Que «os trabalhadores», por aqui, continuam a não ser muito mais do que um ocasional bom ou mau recrutamento de hipotéticos departamentos ou secções de «recursos humanos», consoante o porte «empresarial». E tudo isso muito ao sabor do apetite voraz (e bilateral) da Srª Dona Cunha.

Mas desta vez ninguém falou de produtividade.
Nem da falta de formação, sequer da insufîciência das escolas.
Nem do incomensurável peso da justiça.
Nem de chicos-espertos.
Que o respeito ao carcanhol é uma coisa bonita - se queres os teus trocados.

Mas o futuro é que já não é como era: desiludam-se.

(*) «Contudo, ela move-se!», Galileu.

Publicado por samartaime às 05:59 PM | Comentários (0)

janeiro 03, 2008

Tudo como dantes: quartel general em Abrantes - que tem boa palha!

Por entre as espirais de fumo inóquo do fogo de artifício do ano novo, entrou em vigor o novo Acordo Ortográfico - apesar da cândida moratória de dez anos.

Registei ainda que os portugueses retomaram velhos costumes de bufaria e se apressaram a denunciar o chefe da ASAE afoitamente entregue ao vício da cigarrilha.

Continuo a aguardar pela proibição da morte, já que é ela a principal responsavel pelo genocídio da vida.

Publicado por samartaime às 05:18 PM | Comentários (0)

dezembro 15, 2007

Com o alto patrocínio presidencial e sob auspiciosa proposta da investigação científica, foi enviada à posta restante do simplex mais uma norma comunitária para a modernização portuga:

Querida ASAE, cá te esperamos!...

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novembro 12, 2007

O futebol e os broncos

O clube de futebol, como qualquer banco, tasca, indústria & afins e desafins, é uma empresa para dar lucro.

Em todas elas os broncos rendem como cães de trenó, para que os lucros sejam cada vez maiores.

Em todas elas os broncos rebentam: uns mais cedo, outros mais tarde. Conforme esse tempo de duração, uns chegam a chefe de qualquer espécie, outros nem isso.

Em todas elas se compram e vendem broncos: umas compram pernas, outras braços, outras cérebros.
Em todas elas os broncos se vendem tentando fazer valer os seus dotes de pernas ou de braços ou de cérebros.

Subjacente a qualquer empresa, existe uma praça de jorna de broncos onde se tenta comprar o melhor e mais barato para garantir a desglobalização dos lucros ao mais baixo custo.

O objectivo dos broncos, em qualquer praça de jorna, é tentarem vender pernas, braços e cérebros pelo maior preço - em busca de melhor salário para mais vida fácil.

O sonho de todos os broncos é «subirem na vida» como o Jardim Gonçalves e um dia terem dinheiro e poder para se perdoarem as próprias dívidas e as dos filhos.

Não posso culpar os broncos por fazerem render o seu peixe e sonharem. Se o fazem vendendo as pernas, os braços ou os cérebros - o que têm de melhor - já me parece prova de inteligência e honestidade bastante.

Triste é ver a quem tem pernas comprarem-lhe a cabeça. E a quem tem cabeça pagarem-lhe as pernas.

No futebol tal e qual, já que não é mais que um pequeno conjunto dentro do conjunto maior vida - logicamente falando.

O problema é um falso problema: não nos reconhecemos nos broncos, sonhamos que somos Tarzans.

E por que não?

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outubro 17, 2007

Diz-me o Diário de Notícias de hoje que um jovem casal ( 18 e 17 anos) vendeu o filho de nove meses por uma TV, um DVD e mais 20 € . Automaticamente fiquei cheia de dúvidas: 20 € para o táxi ou para preservativos? !Inclinei-me 170 graus para o táxi, evidentemente.

Tirando os fora parte e respectivos considerandos, busquei outras leituras mais serenas e saudáveis à minha tranquilidade.
Topei logo com o sr. Ministro da Economia escrevendo uma página com gráficos e tudo - mas passei adiante, que hoje não é o Dia Mundial da Criança.

E caí no «nacional», benza-o deus que eu cá não posso.

Depois da querela do anúncio do 2.1 que se transmutou em 2.3 no estadão de orçamento / 08 ;

depois do infindável embuste de se referirem aos reajustamentos salariais como «aumentos salariais»;

depois da descoberta magnífica de que quem recebe 700 € / mês é rico;

depois de saber da presuntiva [de presunto] explicação do sr.Ministro da Administração Interna acerca dos prolegómenos à brava achega psicológica de dois polícias à paisana a um sindiato de professores e rebeubéu pardais ao ninho;

depois de ler que o BCP ainda não justificou nada ( a obra de deus é omnisciente) ;

depois de me lembrar que há gente a quem a banca perdoa milhões enquanto a outros lhes põe a casa de meia leca a leilão ;

depois de verificar que aos que recebem MENOS de 300 € de reforma a banca lhes cobra uma multidão de taxas
para se dignar transferir e guardar essa pesadíssima maquia ;

depois de verificar que até aos reformados vão sacar mais impostos com a desculpa que não é moral que recebam mais do que os que estão no activo (compararam varredores activos com generais reformados, aposto!) ;

depois de verificar que os portugueses mais pobres e os «no activo do trabalho» continuarão a ser espremidos
para que se preserve o bem estar das grandes fortunas;

e depois disto e outras equivalências e inspirando-me do edificante jovem casal lá de arriba,

pergunto-me se não seria bem melhor para nós adquirir uns quantos espremedores pagando-os a pronto com presidente, ministros e secretários que temos.

Pelo menos os espremedores não falam !

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setembro 13, 2007

Outros dias, outros modos... A mesma guerra.

"A Song For George W. Bush" (David Slattery/Original)

Iraq War Song - Culture Club (Boy George)

Luar Na Lubre, El Derecho de Vivir En Paz (Vitor Jara)

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julho 04, 2007

Maravilhas portuguesas para o próximo 7 de Julho

1) O metro da Margem Sul:

Metro_Sul_Do_Tejo.jpg

2) O mistério do inaudito troço:

METROTERREIRODOPAÇO.jpg



3) A eternidade do prognóstico de Eça

ega1.jpg.jpg


Ah!.... perdão perdão PERDÃO!

Esqueci os testes da OTA !

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junho 29, 2007

Sobre as veneráveis bençãos da saúde pública e das virtudes que ela contém, tipo Brantome e a bela perna




O sr. ministro da Saúde ofendeu-se com um cartaz que dizia não sei o quê num posto de saúde não sei onde.
E mandou instaurar processo.

Não me interessa nada o que estava escrito no cartaz, dissesse ele o que dissesse - em portugês de salão ou em vernáculo de caserna.

Como não me interessa nada onde estava colocado, exposto na roda ou crucificado.

O que eu lamento, e lamento mesmo muito, é que um ministro da SAÚDE do meu País, um MÉDICO,
não ENTENDA a angústia das pessoas que se sentem completamente desprotegidas, sem socorro, sem o conforto
sequer de uma bata branca mesmo que suja por perto - graças às medidas que o sr. ministro tem tomado.
E, pior ainda, que só o saiba resolver recorrendo à bufaria e tornando-o num caso de polícia!

Não, não me fale em deslealdade para com as chefias, quando se é desleal para com quem lhe paga salário e benesses e estatuto e até as obras mal amadas!

Não, não me faça discursos sobre higiéne relativamente a pessoas privadas da pouca higiéne que possuiam.

Não, não me venha falar de caldos de galinha a pessoas sem galinha.

Não, não me fale na justeza das suas brilhantes poupanças e dos seus claros raciocínios nem da sua preclara sapiência quando as pessoas (os seus utentes) se sentem cada vez mais afastados de qualquer sombra, asa, miragem do seu ministério - perdido algures na confluência do deserto dos caminhos com a excelência da morte em trânsito sacolejado em simulacros de ambulâncias.

Quem morre pelo caminho, sr ministro, são os nómadas do seu deserto de humanidade.

E desumana seria eu se não lhe desejasse aqui, a si e a todos os seus diversos colegas da vã glória que, passados, esquecidos e aposentados os tempos rubicundos do festim da obra, que nunca vos aconteça um ACV ou um AVC ou um qualquer acidente a 50 quilómetros dos vossos benditos e miraculosos hospitais.

Porque aí, sr. dr. ministro, os senhores vão rapidamente entender do que falavam quando falavam do vosso estatisticamente irrelevante. Mas será tarde.

Que a vossa senhora de Fátima vos acompanhe nesse milagre.

Por mim, fique tranquilo com as estatísticas: sou ateia, sou irrelevante.

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junho 26, 2007

Do esquecimento

Quando se recordam as atrocidades do século XX, vê-se que o pior não foram as malfeitorias dos assassinos, mas o silêncio das boas pessoas.
Martin Luther King




Martin Luther King teve um sonho, no século XX.
Pagou-o com tudo o que tinha e as boas pessoas assistiram em silêncio.

Mas o século XXI, não vai melhor.
Já se chegou ao ponto de se ser acusado de dizer a verdade, isto é, que José Sócrates é engenheiro técnico e não engenheiro DO Técnico ou afins.

A história é ridícula, bem mais rídicula que a do «falso padre» aparecido recentemente. Que este, pelo menos, andava nas bençãos possivelmente para umas banqueteadelas à borliú e mais uns trocos prás sandocas e bjécas do alterne - digo eu, que sou pérfida !

E a «história de Sócrates» é tão ou mais ridícula porquanto o cidadão José Sócrates não precisava para nada de se intitular varredor, doutor, cozinheiro, padre, engenheiro, tropa ou jardineiro para ser primeiro-ministro ! Precisava, apenas, da confiança de um conjunto de cidadãos - e teve-a, a do PS. Todo o mundo sabe.

Mais lamentavel ainda, José Sócrates não entendeu que a entrevista com Judite de Sousa era a melhor das oportunidades para terminar com a querela da manjerona - com alguma bonomia e simplicidade. Mas não foi capaz.
Do alto do seu autoritarismo autista pretendeu planar sobre a vaidadezinha da auto- promoção intelectual contínua, sobre a confusão do caos, sobre o primado da má-fé armadilhando a boa-fé. O que está um pouco gasto para a sua resplandecente modernidade.

Esqueceu-se, evidentemente, de que há muitos milhares de universitários e ex-universitários e para - universitários portugueses.

Esqueceu-se, evidentemente, que há milhares de funcionários públicos que sabem como os procedimentos legais são «burocraticamente procedidos».

Esqueceu-se, evidentemente, que só uma pequena e triste fatia de portugueses acredita em milagres e taludas.

Pior ainda, José Sócrates esqueceu-se que é o primeiro-ministro do país dos chicos-espertos (para o bem e para o mal) e que era para chicos-espertos que falava.

Como pode estranhar o evidente «Tá na cara, meu!»?

Só por genética chica-espertice.

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junho 08, 2007

Em Lisboa, «Todo o mundo» vai ao Chiado
e «Ninguém» sabe porquê...

POETA CHIADO

CASAMENTO DE BEATRIZ VARELA COM CORIGO

Noivo - Sim.
Padrinho -…Está bem:
iguais estais nas vontades.
Dai cá as mãos, e dizei assim:
- Digo eu, Beatriz Varela,
que por meu marido e amigo
recebo a vós, João Corigo.
Tomai agora a mão dela,
e dizei, como eu disser:
- Digo eu, Lourenço Corigo,
que com vontade singela
recebo a vós, Beatriz Varela,
por mulher.
Comadre - Que fazeis? Deitai-lhe o trigo.
Quis Deus que fosseis casados.
Para que são mais trapaças?
Alçai as mãos, dai-lhe graças.
Filhos, sejais bem logrados!
Ela moça, e ele moço,
bem se foram ajuntar.
Por vós se pode cantar:
Deitem o noivo ao poço,
se com a noiva não brincar.

«Auto das Regateiras», excerto
[in: «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (dos Cancioneiros Medievais à Actualidade)», Selecção, prefácio e notas de NATÁLIA CORREIA; Ilustrações de CRUZEIRO SEIXAS; Edição de FERNANDO RIBEIRO DE MELLO (Afrodite); Lisboa, 1965.]


António Ribeiro (o Chiado)
Poeta jocoso que viveu no século XVI.
Era conhecido pelo Chiado, por ter morado muitos anos em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, nome que se conservou até meados do século XIX, em que foi mudado para o de Rua Garrett. Nasceu (1520?) num humilde arrabalde de Évora, e faleceu no ano de 1591, em Lisboa. Quis professar na ordem de S. Francisco, mas não se lhe dando por válida a profissão, passou o resto da vida como celibatário, vestido sempre com hábito clerical. Apesar de não ser muito douto, tinha verdadeiro talento e bastante conhecimento das boas letras. Improvisava versos com a maior facilidade, mais pelo impulso da natureza, que de arte, sendo os seus versos muito jocosos e joviais, provocando festivos aplausos a quem os escutava. Também imitava com muita propriedade e galanteria as vozes e os gestos de diversas pessoas conhecidas. Todos estes predicados lhe alcançaram a estima geral e a maior popularidade.

Escreveu dois autos, que se imprimiram depois da sua morte, e em que seguia os modelos de Gil Vicente. São os seguintes: Auto de Gonçalo Chambão, Lisboa, 1613, 1615 e 1630; parece que anteriormente houve outras edições, ainda em vida do autor; Auto da natural invenção, que, segundo diz Barbosa Machado, foi representado na presença de D. João III, e se imprimiu, mas não declara quando, nem onde. Escreveu também umas obras religiosas, provando assim a sua afeição ao hábito franciscano que vestia, apesar de não ter podido ser frade. São elas as seguintes: Philomena dos louvores dos Santos com outros cantos devotos, Lisboa, 1585; consta de vários géneros de versos; Letreiros sentenciosos, os quaes se acharam em certas sepulturas de Hespanha feitos em trovas, Lisboa, 1602. Destes Letreiros, diz Farinha, que vira outra edição mais «antiga, feita em letra quadrada», e sem ano nem lugar de impressão, a qual estava na livraria real; diz mais, que nesta edição, além dos letreiros, vinham outras peças, o que tudo ele reimprimiu, publicando uma colecção cujo título é: Letreyros muyto sentenciosos, os quaes se acharam em certas sepulturas de Espanha, feitos por Antonio Chiado em trovas, as quaes sepulturas elle viu. E hua regra spiritual que elle fez ao Geral de S. Francisco, e assi hua petição que o mesmo Chiado fez ao Commissario, e a reposta do Geral, feita por Affonso Alvares, Lisboa, 1783. Na livraria de D. Francisco Manuel de Melo, que passou para a Biblioteca Nacional de Lisboa, existiam num livro de miscelâneas, os três seguintes autos: Pratica Doyto feguras; Auto das Regateiras; Pratica dos compadres. António Ribeiro Chiado deixou muitos manuscritos, cujos títulos vêm mencionados na Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado, vol. I, pág. 373. (in Dicionário Histórico)

mais informação


At_Tambur,Dança do Urso

Antonio+Ribeiro++(+Chiado+).jpg
Estátua de António Ribeiro (Chiado)
(1520? – 1591)

Informação camarária disponível:

Localização da estátua
Largo do Chiado, Lisboa

Autoria da estátua
Estátua de António Augusto da Costa Mota (tio) e pedestal do arquitecto José Alexandre Soares.

Inauguração da estátua
18 de Dezembro de 1925

António Ribeiro, conhecido como Chiado, era natural de Évora, vindo para Lisboa após abandonar a Ordem dos Franciscanos aqui falecendo em 1591.
A estátua em bronze representa-o sentado sobre um banco, com a mão direita soerguida, em atitude de contador de histórias.

Obras:
Auto das regateyras per Antonio Ribeyro. Pratica de treze figuras, Velha, Briatiz, Negra, Comadre, Pero Vaz, Noyuo, May, Ioã Duarte, Afonso Tome, Frenã Dãdrade, Gomez Godinho, Brimanesa

Pratica dos compadres, Fernam dorta, Brasia machada, Isabel, Vasco Lourenço, o compadre, Siluestra, Moço, namorado, a comadre, caualeyro Esteuam

Pratica de oyto feguras, Faria & Payua moços, Ambrosio da gama, Lopo da silueira, Gomez da Rocha fidalgos, Negro capelã, Ayres galuam

Publicado por samartaime às 08:47 AM | Comentários (0)

maio 26, 2007

Portugal é tão interessante!

Ainda há pouco tinhamos um governo que os narizes de cêra diziam extraordinário de reformista, faltando-lhe apenas um pouco mais de agressividade viril de execução para atingir a sustentabilidade da excelência.

Mas, de um dia para o outro, a serena e bucólica paisagem de Bernardim, turvou-se.

O país que fervilha de concursos por medida, de doutores e engenheiros com tirocínio em piano-bar, dos MBAs de pacotilha, dos curriculos de encomenda, das teses made in net e por aí abaixo, escandaliza-se porque o cidadão Sócrates afinal não é tão engenheiro como os outros engenheiros !

E durante semanas e semanas não se fala de outra coisa. «Todo o Mundo» se justifica e atesta a excelência de, e «Ninguém paga o que deve» ! Os negócios dão para o torto, os sorrisos amarelecem e... destapam-se as verdades - que toda a gente já sabia.

Até o Ministro Mario Lino, perante toda a sustentabilidade de um auditório de excelência, numa «crise de charme adolescente», invocou a bela graça de ser «engenheiro inscrito na ordem dos engenheiros» para gáudio da magna assembléia! É o que se chama a verdadeira solidariedade institucional com o chefe - ou o chefe já é outro??

Foi uma sorte a dona Chefe da DRE do Norte não estar presente, que este desbocado ministro por certo teria ido fazer companhia ao professor que amandou uma merecida boca aos desempenhos por fax!

Pois o facto do cidadão Sócrates não ser engenheiro de papel passado dá-me um certo conforto. Pelo menos sei, dele, que não é o engenheiro de papel passado culpado directo das pontes caídas, dos túneis inundados, do betão desenfreado, etc. É mais um dos pobres que acreditaram nos engenheiros de papel passado e que agora «paga e não bufa» como mandam as finanças!

Como uma desgraça nunca vem só, aproveitando a visivel magreza do cidadão Sócrates, instalou-se o regabofe do falatório governamental: cada um diz o que lhe parece e passadas horas alguém desdiz o que ao outro parecia. Isto quando não é o próprio que vem explicar-se ao contrário depois do almoço !
Razão tem o frondoso ministro Pinho que instado sobre as trapalhadas do emprego desempregado respondeu:« EU ESTOU AQUI PARA FALAR DE TURISMO!» e abalou, de olhos redondos e baços, em busca dos allgarves.

Está-me cá a parecer que este governo está a representar o segundo acto dos edis lisbonenses e que um destes dias retoma a sua qualidade de pó - qualidade donde nunca deveria ter saído.

Publicado por samartaime às 12:33 PM | Comentários (0)

maio 24, 2007

Sonetos e emendas

Setúbal fez-se ao mar?

O Alentejo abalou?

O Algarve é uma ilha? Chatice, os bifes nunca mais vão atinar com o Allgarve pinhoso!

O Dr Almeida Santos está tão aflitinho que já sonha com terroristas e bombas nas pontes sobre o Tejo!

Mas agora a sério: pontes no Tejo para quê? ! Para Portugal incrementar a exportação de camelos para o sul?

Publicado por samartaime às 07:47 PM | Comentários (0)

maio 22, 2007

Conversas aluadas

O código de Hamura-ki proibe a circulação da arte.

Coisa de juizes, diz-se. Mas não. Os juízes são seres que não existem sequer na justiça - pese embora a São Tomás. Porque na justiça o que realmente existe é a Senhora Dona Lei. Os juízes não são mais do que o aparelho nos dentes tortos da sociedade.

O ministério da educação também não foi. Um ministério da educação é, por definição, o ministério de amestrar. Ora a arte é a capacidade exorbitante de cada um para se desamestrar - donde, um ministério da educação está sempre impavidamente a montante ou a juzante do entendimento. Também não foi ele!

Um ministério da cultura é um imenso obituário em work-shop de almas penadas. E agora que se sabe que o belo e o execrável não são mais que uns míseros e ínfimos pontinhos ocasionalmente excitáveis dentro da nossa cabeça, facilmente se entende que as almas penadas estão fora do circuito quanto mais o obituário!

A critica da arte, por sua vez, é um modo de ganhar dinheiro tal e qual como vender batatas ou rins de porco!Portanto, a essa o que lhe interessa é a circulação da mercadoria - também não foi ela!

Da arte, em si mesma, só existe o que sobrou. E de quem são as sobras?
Quem dá mais, quem é?
O Hamura-ki, só pode!
Por isso o código tem o nome dele!!!
Simplex!

Pastemos irmãs e irmãos!

Guy Debord - La Refutation PART 1/3 (sub ITA)

(Obrigada Cesar!

Publicado por samartaime às 10:46 PM | Comentários (0)

fevereiro 07, 2007

Novas pérolas edificantes

A noite passada alguns adeptos do não andaram a pintar o chão junto à sede do PS no Rato. Frases abjectas como «não me pise...», manchas de sangue, etc.,.

Embora eu ache que o PS tem graves responsabilidades em toda esta confusão em que «o esclarecimento democrático e responsável» se tornou, é indiscritível, abjecto e horrivel semelhante atitude.

Já calculava que muita coisa horrivel se iria passar porque, evidentemente, um grande peso qualquer do NÃO está por certo ligado ao negócio do aborto clandestino: quem, senão desesperados, utilizariam a espantosa campanha de manipulação terrorista a que estamos a assistir? Quem?
Não é gente de pouca cultura que aguenta «diálogos» destes.

Uma coisa é uma pessoa estar honestamente convencida dos seus medos, crenças e pruridos. Outra coisa é a retórica maldosa para a confusão geral dos menos esclarecidos.

Já repararam que os argumentos de ambas as partes são quase iguais? Já repararam como o NAO joga com as palavras? Já repararam na deturpação das argumentações? Já repararam como o NAO nega a ciência? Como torpedeia as duvidas da ciência? É de facto espetacular!


Mas o mais extraordinário de toda este democrático exercício, para mim, é que se gastem horas, dias a discutir os direitos do feto e NINGUEM fale nos direitos da mulher, da grávida -- sobre a qual não há nenhuma dúvida que é uma pessoa!

Isto espanta-me.

Espanta-me que ainda nenhuma mulher presente nestas farsas tenha berrado .«Bolas! Ela está viva, é uma pessoa, paga impostos, é uma cidadã! OU NÂO È?»

Caramba! Que ódio!

Publicado por samartaime às 01:00 AM | Comentários (0)

fevereiro 01, 2007

«ó gente do meu país»

Vai que nem peixe espada a conversa «sobre o aborto»: comprida e chata.

Acima de tudo, vai hipócrita.

Imagine-se que até já invocam o ADN do feto para apoiar o «não à descriminalização». Mas não os oiço falar no ADN da mulher. Aliás, se é da mulher, que mal faz que esse ADN «morra» nas consequências de um aborto clandestino? Não tem importância! O que importa é salvar a todo o custo a incógnita ADN «feto» que até pode legal e clinicamente ser anulado semanas mais tarde por ser considerado que, afinal, era um «ADN incompetente» para nascer!

Como é possível ser tão manipulador?

Como é possível que as «mulheres do não» não vejam que estão contra si próprias?

Como é possível tanta posta de pescada cientificamente bacoca?

Como é possível anular-se a pessoa-mulher por um presumível existente?

Não é isso um crime contra a vida? Ou a Mulher não conta como ser vivo?


Mas o cortejo continua nas suas falácias tragico-cómicas (trágicas pela parte da mãe, cómicas pela parte do pai, digo eu parafraseando a Francelina) :

até Marcelo Rebelo de Sousa e o Bispo de Viseu não se coíbem de aparecerem a dizer que, imaginem, se fosse para «despenalizar tudo», votariam sim. Mas como é para despenalizar só o aborto (entenda-se: a mulher), votam não.

Esta é da melhor retórica misógina que já alguma vez escutei! O que eles querem de facto dizer é que penalizam mesmo a mulher, querem – mais que todos – penalizar a mulher.

A Mulher, para eles, vale o que vale a reprodução da espécie, a procriação dos filhos, de preferência o almejado e ímpar filho varão! Tudo o mais é o natural «gozo» da condição masculina!

E digo isto porque, ao engendrarem a despenalização «geral e simplex» do aborto estão, simultaneamente, a despenalizar os HOMENS-MARIDOS-AMANTES-COMPANHEIROS-NAMORADOS -PAIS E OUTROS que pressionam, obrigam, a mulher a abortar ou lhes causam traumatismos que as levam ao «aborto natural e espontâneo», vejam lá vocês!!

A esmagadora maioria dos homens sempre foi socialmente cobarde no assumir da sua sexualidade e paternidade. Essa é uma das razões pelas quais são na generalidade mulheres que acompanham a mulher desesperada que caminha para a viagem opaca e negra do aborto.

Mas isso agora não interessa nada, que essa proposta não existe nem nunca existiu mesmo: é só uma cortina de fumo para desviar as atenções e , principalmente, para confundir as pessoas menos escolarizadas .
E se fosse tempo de propostas, claro que os sapientes retóricos não apresentariam nem coisa nem loisa. O «despenalizar tudo» de agora é mais uma conversa de café: pura basófia.
Qualquer coisa como eu dizer que aquele tipo ali disse que todos nós somos filhos da mãe mas que do pai são só 33,333333 %. Boa! Mas esqueceram-se dos in vitro, das barrigas de aluguer, da produção independente, eu sei lá!

Eu quero aqui dizer que voto SIM não só para que se altere a lei que penaliza a Mulher, mas também porque entendo que a MULHER, TAL COMO O HOMEM, tem direito a uma vida sexual que só a ela diz respeito.
Porque é isto que o «não» nega implicitamente às mulheres.
O «não» sabe que fornica mais do que os filhos que tem.
O «não» sabe que não há planeamento familiar de facto.
O «não» sabe que a pílula falha.
O «não» sabe que o preservativo é falível.
O «não» sabe que não há educação sexual nas escolas.
O «não» sabe quanto custa um aborto feito em clínicas todas artilhadas.
O «não» sabe que só as mulheres pobres e muito jovens não têm dinheiro para isso!
O «não» sabe que é hipócrita.

Ou terei de concluir que todos os filhos dos «pais não» nasceram por mero acidente?
Pobres filhos do acaso!

 


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eu só posso votar sim !

SAMARTAIME

 

LUDÍBRIOS

As pessoas que integram os numerosos "movimentos" pelo NÃO no referendo da IVG, continuam as suas repelentes e sofísticas campanhas de desinformação científica, jurídica, ética e política, perseguindo um status quo despótico e obscurantista que infecta um país laico, que não é uma teocracia como o Irão e outros países congéneres, e se diz pertencente à Europa civilizada.

Os senhores bispos deviam ser objecto de processos judiciais por difamação, pois sairam dos seus púlpitos e dioceses, para os ecrãs das televisões e outros espaços civis, acusando muitos milhões de mulheres portuguesas - desde as nossas avós às nossas netas - de "terroristas", "nazis" e carrascos similares aos executores de Saddam.

Eu assinaria um documento em que alguém alertasse para esse estigma sinistro atirado por alguns bispos às nossas antepassadas e familiares actuais, nos espaços da laicidade.

Porque é muito cómodo ser "voz de Deus" e voz dos Bancos e Universidades Vaticanas, cá e em tantos países, e Opus e recebedor de triliões de rendimentos de Santuários, sem imposto, e pastor de beatas analfabetas, tudo ao mesmo tempo.

Quando falam em "mulheres", os movimentos do NÃO só vêem as "putéfias" que abriram a perna indevidamente ou desmazeladamente e que não interessa se têm 12 anos ou 50, pois transportam um útero sob sequestro jurídico, para, independendo da sua consciência, vontade e circunstâncias, pôrem neste mundo um desgraçado qualquer, porque sim, como as fêmeas de qualquer espécie animal.

AS MULHERES são as filhas e as mães deles e delas, as esposas, as irmãs, as avós e vão continuar a ser as netas.

VIDA INVOLUNTÁRIA

 


SIM PORQUE NÃO
________ _______

SIM PELA DIGNIDADE.


NÃO SE NASCE MÃE OU PAI.

NASCE-SE FILHO.
QUERE-SE UM FILHO.
NÃO UM ACASO.

_______ ________

UM ESTADO QUE NÃO SE CUIDA COMO PODE CUIDAR DOS DESCUIDADOS?.

_______ ________

SIM. PORQUE NÃO É SIM À INDIGNIDADE..

SIM.
PORQUE A VIDA NÃO É UM REMEDEIO PARAPLÉGICO.

MAS SIM UMA OPÇÃO ÉTICA E CONSCIENTE..


SIM PORQUE O NÃO .
É UM GRITO SURDO E SUJO NUM SACO DE PLÁSTICO...

SIM!.
SIM!.


PIANO

 

Li seu post e os comentários. E,tal qual na música do Chico- que sei que não gostas - peço: "...mande um cravo para mim...", pois que apesar das justas críticas, receios e denúncias, há aí um debate público, que aqui sequer deixou a condição de murmúrio.
Por aqui essa questão só emerge nas pequenas rodas de grupos de mulheres que lutam por isso - e ainda são poucos,muito poucos- e há "meia dúzia de três" parlamentares (dos nossos 547) que colocam o assunto no plenário da Câmara.
Enquanto isso, há uma expansão estúpida e assustadora do turismo sexual infantil, da prostituição geral e irrestrita, da AIDS, que afeta hoje prevalentemente as mulheres casadas.
Invejo-vos, portuguêsas!

Publicado por: BIA (Brasil)

 

Estou de porta fechada mas já me cansei de comentar em blogs pelo voto no SIM. De qualquer forma, não queria deixar de dizer aqui que todas estas postagens esclarecedoras e não mascaradas de falsidade e ignorância são importantíssimas, assim como os comentários respectivos.

Pela minha parte, não tenho certezas absolutas que o Sim vai ganhar (já o confidenciei) mas mantenho a esperança até ao fim. Nove anos se passaram sobre o 1º referendo e em nove anos será que alguma coisa de fundo realmente mudou em Portugal? Penso que não. Sinto que o país, na generalidade e na mentalidade continua o mesmo de sempre. Espero apenas que o processo da Casa Pia e outros, como o recente caso Esmeralda, possam ter "abanado" um pouco as consciências. Não sei se em faço entender...

Pelo SIM, pela vida DIGNA, pela LIBERDADE DE ESCOLHA, POR TODAS AS MULHERES!

VENTANIA

 

... agora veio o bastonário da ordem dos médicos dizer, caso o sim ganhe, que os médicos que se declararem objectores de consciência no SNS e praticarem aborto em clinícas privadas, terão graves consequências ...

está tudo dito, não está?????? ele conhece-os!!!!!

<ora venha de lá um huge SIM !!!!

SEGURADEMIM


Publicado por samartaime às 11:38 PM | Comentários (0)

janeiro 14, 2007

Pela Mulher !

portuga001.gif

 


Artigo 140.º do Código Penal Português.

A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiros, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.


Quer mudar esta lei?

 


Vote sim !

 



Comentários:

Não posso votar. Mas, cá, no abracadabra, posso: SIM!
Publicado por: Bia às janeiro 14, 2007 07:11 PM

... eu vou votar com convicção porque sou um cidadão de convicções e a minha convicção é que os portugueses devem ter a convicção de que a lei precisa de ser mudada. Por isso, convictamente, voto SIM!
Publicado por: legivel às janeiro 14, 2007 10:10 PM

Sim.
Publicado por: hfm às janeiro 15, 2007 09:25 AM

Ah, vamos a votos, é?!... :)
Publicado por: sotavento às janeiro 15, 2007 12:39 PM

por mim já teria acabado com a miseravel lei
e é claro que eu voto S I M
sem equivocos nem pesos de consciencia
Publicado por: holeart às janeiro 15, 2007 06:57 PM

Seguramente, sim!
Publicado por: Bandida às janeiro 16, 2007 01:38 AM

Que venha de lá esse SIM!! :)
Publicado por: Boo às janeiro 16, 2007 09:52 PM

Dia 11 de fev lá estarei para votar SIM!
Publicado por: indigo des urtigues às janeiro 17, 2007 01:29 PM

Sim!
Publicado por: Antonia às janeiro 17, 2007 01:46 PM

quantas vezes mais SIM?
sim sim sim sim sim sim sim sim.
Publicado por: arasaroceu às janeiro 18, 2007 06:07 PM

pela minha parte, farei o que tenho a fazer e irei votar SIM!
Publicado por: segurademim às janeiro 19, 2007 09:54 AM


Publicado por samartaime às 12:50 PM | Comentários (0)

novembro 21, 2006

Ó RAPARIGA, Ó-RA-PA-RI-GAAA!...

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."o desafio chegou-me via A rapariga que se apaixonou pelo amor

1) não viajo com horários. itinerários e hotéis marcados

2) perco-me nas conversas e nos caminhos

3) não me penteio

4) detesto ópera

5) adoro chapéus


Vamos aos "desgraçados" a quem vou passar este "inquérito":


Rach

Ventania

Segurademim

Bandida

Isabel Magalhães

Publicado por samartaime às 10:12 PM | Comentários (0)

novembro 19, 2006

TU CÁ TU LÁ COM A CRISE

CRISE.jpg

Publicado por samartaime às 10:56 AM | Comentários (0)

outubro 19, 2006

RIVOLIÇÃO.jpg
( Fragilidad, Mercedes Sosa )
file retirado










RIVOLI.jpg
(Todo Cambia, Mercedes Sosa)
file retirado


Publicado por samartaime às 01:39 AM | Comentários (0)

setembro 05, 2006

Vem aí o terror de mais uma ano escolar.

E Lisboa já começou a engarrafar nas estradas e nas tvês.

Hoje o MEZZO não se lembrou de mim, o ingrato, e brindou-me com a pianista chinesa que toca muito bem Beethoven . Um encanto. Pena que eu não goste de Beethoven e esteja farta dela. Bah!...

Voltei às notícias.
Apanhei com uma espectacular mãe loira (boa como o milho geneticamente já transtornado) da Confederação de Pais de Vou Ali Já Volto, que estava preocupadíssima com o bem das crianças e o bem das famílias, o bom relacionamentos com os municípios atempadamente e paciente no que respeita ao caso da misteriosa lista das escolas a encerrar o que ela, a loira, compreende porque as escolas da lista ainda estão a encerrar e, como tal e por isso mesmo não se pode encerrar o que está em encerramento. Desde o ovo de Colombo que não se via tal clareza singela.
E, obviamente, o jornalista inferiu logo que a senhora ( a loira) estaria supinamente angustiada, muito a propósito, com isso dos pais avaliarem os professores. E ela (a loira) que evidentemente que sim senhor, pois claro, até é um direito que lhe assiste.
Cá por mim, estou de acordo. É um direito que lhes assiste e até sentados nos restos de cadeiras que os filhos lhes deixarem.

Só nos falta saber como avaliam os professores os pais dos alunos!

Temos uma razoável quantidade de professores, temos pais quanto baste -- do que estamos à espera?

CALHANDO NÂO É POLITICAMENTE CORRECTO AVALIAR OS PAIS?!


Publicado por samartaime às 12:08 PM | Comentários (0)

agosto 13, 2006

Mudam-se os tempos, não se mudam as vontades...

Durante muitos anos guardei comigo um pequeno disco de 45 rotações que um dia o meu pai me trouxe, clandestinamente, de uma viagem à Bélgica.

Eram cânticos impressionantes de um Rabi que os cantava num Campo de Concentração Nazi, já não lembro qual, enquanto os seus irmãos judeus eram levados para os «duches da morte».

Hoje, passados tantos anos, tantas terras, tantas casas, sinto profundamente ter perdido esse disco.

Porque gostaria muito de o ouvir aqui cantando em memória dos libaneses mortos por Israel .

Publicado por samartaime às 08:04 PM | Comentários (0)

junho 27, 2006

LUIZA NETO JORGE num relâmpago

Anunciado o lançamento do número 18 da revista Relâmpago para as 18:30 de ontem,
a sessão começou meia hora depois com cadeiras gentilmente acrescentadas pelas relações-públicas do Teatro da Cornucópia já fora das portas, visto a sala ter ficado esgotada..

Depois de um quarto de hora de monólogo enquadrando a Relâmpago e o seu Prémio de Poesia, foi anunciado que o prémio deste ano foi para o jovem Luís Quintais, cujo livro se vendia na mesa da sala, ao lado da Relâmpago nº 18 «dedicada» a LUIZA NETO JORGE.

Fátima Morna falou meia hora, analisando a obra de Quintais e dizendo alguns versos dele. José Quintais esteve
quase outro tanto tempo a agradecer e a ler alguns poemas seus.
Ao meu lado, Eduardo Prado Coelho lamentava a excessiva extensão dessas falas e de vez em quando, inevitavelmente, cabeceava. Entretanto eu, entregava-me a mil exercícios de pernas e pés para afugentar os cabeceamentos.

Finalmente Rosa Martelo lá falou de Luiza Neto Jorge, outra meia hora.
O melhor de tudo estava guardado para o final : Luisa Cruz, Lima Barreto e Luís Miguel Cintra leram poemas de LUIZA NETO JORGE (LNJ) os únicos bem ditos e escutados. Já que os restantes foram em vozes sumidas e abafadas de pessoas conturbadas, sentadas, etc..

Lamentei a ausência da voz de Maria Emília Correia. Pela Luiza gostar especialmente de a ouvir ler os seus poemas.

A Relâmpago ( € 10 ou 11) está on line : www.relampago.pt

O actual nº 18 ( 208 pp, incluindo ilustrações) inclui:

. Inédito (LNJ-trad de Teatro)
. Ensaio (LNJ)
. Testemunhos (12, sobre LNJ)
. A Autora (Biobibliograf.s de LNJ)
. Poesia de Armando Silva Carvalho, Ferndo Echevarria e Isabel de Sá
. Crítica p/ Rosa Martelo, João Barrento e António Carlos Cortez.

(Manuela Imar)

Publicado por samartaime às 09:49 AM | Comentários (0)

maio 03, 2006

BOO, esta é nossa!

BORA!

Bis!..!... Biiiiiiisss!...


(Obrigada BOO!)

Publicado por samartaime às 12:59 PM | Comentários (0)

março 14, 2006

BORA À FUN FAIR ! BORA PRA NASHVILLE!

Quem não tiver Harley D., dou boleia e empresto botas!
Cai o Carmo e a Trindade? rsrsrsrs sou do melhor pano, tenho direito a nódoa! E como eu gramo esta nódoa, caramba!

Georgia pines

New beginning

Nashville highway

A woman like u

Girl, I love u

Pois é, «eram» os Nashville Friends!... Espero que tenham dado pela harmónica e a guitarra do Charlie McCoy
e o banjo, o violino e o bandolim da Wanda Vick!... Não? ó ó ó... voltem ao princípio! rsrsrsrs

Mas ainda dou mais um presente ...
Nora Jones e Dolly Parton, Creep'in!

(Files retirados)

Que tal? Também querem ir à Fun Fair? Não chorem que estão a tempo: é em Junho!

Animem-se!... « Rir desopila o ventre! », dizia o insigne Ricardo Jorge!

Beijos alegres e boa feira!

Publicado por samartaime às 09:53 AM | Comentários (0)

março 09, 2006

PRIMEIRO DIA DA CLONAGEM CENTRALIZANTE PORTUGUESA

cavacosocrates.jpg
(juro que não fui eu! Mas juro que tenho muita inveja!)

Menin@s, tod@s calad@s e quiet@s:

Passa a ser obrigatória a gravata preta de nó estreito e a mini saia para alegrar o país.
Está proibido o Carnaval, o Santo António, o São João e o São Pedro.
Para romarias, fica o dia de finados.
Para as correrias, fica o dia 1º de Maio.
Para a apresentação do Orçamento de Estado, fica o 13 de Maio.
Todos os cidadãos terão o chichi cobrado a 7% de IVA para evitar que vão fazer chichi a Espanha provocando uma acentuada fuga de capitais e um avultado decréscimo na área de regadio
E o 9 de Março passa a ter tolerância de ponto em homenagem à partida das primeiras naus para a descoberta do Brasil.

Publicado por samartaime às 03:11 PM | Comentários (0)

fevereiro 02, 2006

UM CASAMENTO INSIGNE FICANTE

Estou quase feliz :
o casamento da Teresa e da Lena correu muito melhor do que eu esperava!
O Movimento LGBT compareceu em número suficiente e alegrou a paisagem sem lhe quebrar a dignidade que esta «primeira vez» merecia. Havia nos olhos da minha gente uma esperança contida, convicta e tranquila que me encheu de orgulho: o futuro é nosso, custe o que custar, seja quando for !

A comunicação social (nacional e internacional) deu-lhe a cobertura necessária. E ao longo do dia vi a Lena e a Teresa aparecerem, com assiduidade, na televisão.

Registo que na SIC-notícias o usual «opinião pública» foi dedicado ao casamento entre homossexuais e que apesar, evidentemente, dos votantes se terem pronunciado maioritariamente CONTRA nem por isso deixou de ser agradável verificar o profissionalismo da jornalista presente, a abertura e tolerância da maioria das intervenções telefonadas e, até, o ridículo e a rusticidade da maioria dessas mesmas intervenções telefonadas que se manifestaram «contra»!

No campo da Justiça também realçaram as usuais contradições:

- enquanto o Conservador do Registo Civil, invocando a novidade e a complexidade do caso, pede mais tempo do que o usual no intuito de elaborar um despacho técnico-jurídico devidamente fundamentado e correcto

- o sagaz Ministro da Justiça declara, desassombradamente, que os agentes administrativos do Estado têm somente de cumprir a Lei civil, não lhes competindo o cumprimento da Constituição!

«Tudo como antes, quartel general em Abrantes», donde resta aguardar que o pedido de casamento seja «indeferido» para que se continue o processo.

No campo político também há a registar factos relacionados:

a) o PS apressou-se a declarar, pelo seu porta-voz, que não considera o assunto prioritário,

b) enquanto a JS diz que em breve apresentará um projecto específico e equivalente ao do Bloco de Esquerda;

c) o PSD/PPD, está consonante ao PS;

d) o Bloco de Esquerda saudou a data e comemorou-a apresentando hoje, 2 de FEV, em conferência de imprensa, um projecto relativo ao casamento entre homossexuais;

e) o CDS/PP não prevê.

g) O PCP... é o PCP !

Os deputados estão seriamente preocupados com a discriminação concretamente exercida sobre as minorias;

a deputada Odete Santos é, publicamente, uma das assinantes da petição «quatro mil pelo casamento» da ILGA;

Jerónimo de Sousa (o afável, social, mediático e operário Secretário Geral do PCP) já declarou, a propósito dos homossexuais, que é necessário integrar mais activamente a luta das minorias sem discriminar quaisquer pessoas.

Mas, digo eu ao PCP, não se nota. Não se nota mais que uma declaração afável e urbana de boas maneiras para o convívio entre vizinhos.

Bem sei que está registada «nos documentos», já os li, tive o cuidado de os ler cuidadosamente até nas entrelinhas, vasculhei todo o vosso site.

Mas, volto eu a dizer, não basta escrever «integrar a luta das minorias» , como não basta inscrevê-la «na luta mais alargada das massas trabalhadoras». É necessário que as minorias o saibam, o sintam, o percebam e contem com isso.

O PCP não é mais a «vanguarda da classe operária» - seja o que for, hoje, essa «classe operária»?
É que há homossexuais no «vosso operariado-seja-ele-o-que-for».

O PCP não é mais o partido dos humilhados e explorados?
É que os homossexuais são humilhados e explorados.

O PCP já não defende o mundo do trabalho?
É que os homossexuais trabalham. E até sofrem o desemprego quando os heterossexuais até nem por isso.

O PCP não defende a Constituição?
É que os homossexuais querem que se cumpra a Constituição.

O PCP não está interessado na renovação de mentalidades dos próprios militantes e sua esfera de influência?
Talvez aqui não nos possamos entender : os homossexuais desejam-na e lutam por ela.

O PCP tem vergonha e medo de assumir publicamente que defende os homossexuais?
Já é tempo de Ary dos Santos vos merecer mais e... ter melhor herdeiro!


Acabo de saber que o pedido de casamento da Teresa e da Lena foi já «indeferido», conforme se esperava. E quase me apetece acrescentar um «felizmente»! Que a continuação do processo vai esclarecer muita coisa, muita gente, muitas declarações, muitas posições.
Bem hajam, Lena e Teresa! Bem hajam! O país cinzentão não vai mais ficar igual!


Dave
( ideias_amigas )


Para mais informação, ver:

Advogado de Teresa e Lena

Anabela Rocha

Assumidamente

Os Tempos que correm

Renas& Veados


Publicado por samartaime às 01:33 PM | Comentários (0)

janeiro 19, 2006

ESTE BLOG É PAISANO

por farda, só usa jeans

ESTE BLOG É FRÁGIL
não trepa a coqueiros

ESTE BLOG É DISCRETO
mastiga de boca fechada

ESTE BLOG É DUVIDOSO
está cheio de dúvidas

ESTE BLOG É POLÍTICO
questiona a política do preço da batata

ESTE BLOG « HAS A DREAM »
não gosta de fobias

ESTE BLOG É ELITISTA
não suporta miserabilistas

Publicado por samartaime às 12:39 PM | Comentários (0)

dezembro 11, 2005

AS INAUDITAS NOTAS À MARGEM


A emérita Inês Dentinho contou:

«Na Alemanha, uma jovem de 20 anos ficou sem trabalho e foi inscrever-se no Instituto para o Desemprego, passando a receber o devido subsídio de desemprego. Passados tempos foi chamada para um emprego como «trabalhadora de sexo», que a joven recusou. Foi-lhe cortado o subsídio de desemprego. »

É caso para dizer que «foi pior a amêndoa que o sinete».

Resta saber quanto tempo demorará o «reajustamento».

Publicado por samartaime às 07:31 PM | Comentários (0)

novembro 30, 2005

DÁ GOSTO VER A EVOLUÇÃO DA «CRISE»!

É sempre bom lembrar


Lucros do BCP sobem para 302,9 milhões (act2)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262278
19/07/2005

Lucro do BPI cresce 22% para 107,3 milhões de euros (act.)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262433
21/07/2005

Lucros da Media Capital mais que duplicam no primeiro semestre (act)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262559
26/07/2005

Lucros da Impresa superam previsões no primeiro semestre
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262497
25/07/2005


BES duplica lucros no primeiro semestre (act)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262681
28/07/2005

Lucros da Novabase sobem 6,8% no primeiro semestre (act.)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262661
27/07/2005

Lucros da Brisa sobem 10,2% enquanto tráfego desce 3,7%
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262600
26/07/2005

Lucros da EDP sobem 11% no primeiro semestre
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=262729
28/07/2005

Lucros da Mota-Engil sobem 39% no primeiro semestre (corr.)
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=263983
31/08/2005

Lucros da Modelo Continente sobem para 43 milhões no primeiro semestre
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=264361
07/09/2005

Teixeira Duarte aumenta lucros em 54,2% com menos custos operacionais e financeiros
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=264825
16/09/2005

Lucros da Cofina sobem 10,3% para 6,9 milhões
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=264479
09/09/2005

Resultados da PT Multimedia sobem 18,1% no primeiro semestre
http://www.negocios.pt/default.asp?SqlPage=folder&CpFolderId=59&CpContentId=264717
15/09/2005

Publicado por samartaime às 07:12 PM | Comentários (0)

novembro 28, 2005

Sibilinas outonais

A família republicana portuguesa está cada vez mais fotocópia castelhana del Bourbon:

1. Mario Soares está à beira de uma taque de nervos para ser o nosso Rei das farturas

2. Sócrates parece procurar uma jornalista portuguesa com quem possa hablar

3. Lino, está a um passo de se tornar Mário, Conde da Ota e al redores

4. E eu, que vou a Infanta de la Movida com a correria para Moscavide-B em busca do esqueleto de dinossauro da gare para apanhar o vai-vem dos vinte minutos para a Ota e encontrar aberta a porta para a manga que me levará em duas horas sófetes para Paris. Caramba, que até me faltou o ar! Livra!


Bem faz a Senhora Ministra da Educação que diz que não disse para tirarem os crucifixos!
E como eu a entendo! Sem vai-vem da OTA como iria a Senhora aviar-se com os crucifixos?
E, mais complicado ainda, aos pés do quê rezaria absorto o distinto e caluniado Walter Lemos?


Enfim, voltemos à música que ao menos aqui a música é outra!

Piazolla e Yo-Yo Ma (cello) interpretam Mumuki (file retirado)

Publicado por samartaime às 05:25 PM | Comentários (0)

novembro 10, 2005

Anibal2.JPG


... e mai nada!

Publicado por samartaime às 05:27 PM | Comentários (0)