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junho 01, 2012

ANJOS



Às vezes penso que todos os anjos são negros,
caídos, como a fé vinda da mão de porcelana
de algum deus; que todos os anjos são anjos de novembro,
do inverno chegando, de mutilações, vícios,
crianças mortas e jovens abatidos na guerra,
anjos de luto, que vêm cantando endechas,
são eles que tomam em si a dor,
é isso que lhes dá forma, é isso que os torna
tão negros – o que os infla como velas de barcos
que nunca voltarão a casa, ou ventres de mulheres
grávidas e esfomeadas. Eu gosto do modo como a sua canção
flutua em noites enevoadas, essa negra graça,
como chuva fustigando as almas ressequidas,
as línguas vazias.


SHERYL ST. GERMAIN


Trad. Maria Andresen e Alexis Levitin

Relâmpago 28, Abril 2011




Publicado por samartaime às junho 1, 2012 09:51 AM

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