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setembro 30, 2011

Alô Alô Marciano



Elis Regina







Publicado por samartaime às 11:36 PM | Comentários (0)

Grande fumaça sobre Lisboa




Proveniente do albergue da dona Judite, levantou-se uma tal fumarada sobre Lisboa

que toda a gente pensou que tinha voltado o fog londrino, o vulcão islandês,

o Etna Menor da Berlenga Pequena ou similitudinesca situação.

Mas nada disso: libertaram o fumador de charutos e o Tejo voltou a correr de carreirinha sob a Ponte mais poderosa do mundo.


Esta história anda anda anda e ainda vai ficar parecida com a do exilado de Londres.

E a dos outros todos, bentinhos que são - sursum corda, frates!






Cantiga partindo-se

navigare necesse   vivere non necesse.gif




Publicado por samartaime às 09:04 PM | Comentários (0)

Achega à edificação das almas lusas




Já temos


um ex-presidente de um clube ladino asilado numa esburacada mansão londrina;


um ex-presidente bancário retido no recato do lar por doença e pulseira eletrónica;


um ex- presidente da sucata numa incerta e vaga masmorra sem robalos;


um ex- presidente de autarquia a fumar charuto no albergue da dona Judite;


um ex-vice-presidente de uma comissão política de um partido, desaparecido na companhia do seu piano;


e há uma série de ex-presidentes de qualquer coisinha amplamente mergulhados nos calabouços do silêncio.



Decididamente, Portugal não é um país presidencialista.




Publicado por samartaime às 12:31 PM | Comentários (1)

setembro 29, 2011

«Meu deus, cabrão, » (*) [2]



Exemplo de reações boateiras à entrevista do sr. Silva:

jump2.gif


Conjugação platónica antiperipatética unipessoal

Eu não salto à corda
tu saltas
ela ou ele salta prá cadeia
nós não saltamos
vós saltais de corda ao pescoço
Elas ou eles tiram o banco.







(*)[2] - Uso indevido de propriedade alheia, dois.

Publicado por samartaime às 09:25 PM | Comentários (0)

setembro 28, 2011

Odalisca com... nêsperas



matisse_Odalisque with magnolias.jpg

Matisse, «Odalisque with Magnolias» /1923/24 / Oil on canvas / (65 x 81 cm) / Private collection







Madeleine Peyroux, La javanaise

Publicado por samartaime às 01:21 PM | Comentários (0)

setembro 26, 2011

POESIA & LDA: ANNE SEXTON


EM CELEBRAÇÃO DO MEU ÚTERO

Tudo em mim é um pássaro.
Adejo com todas as minhas asas.
Queriam extirpar-te
mas não o farão.
Diziam que estavas incomensuravelmente vazio
mas não estás.
Diziam que estavas doente prestes a morrer
mas estavam errados.
Cantas como uma colegial
Tu não estás desfeito.

Doce peso,
em celebração da mulher que sou
e da alma da mulher que sou
e da criatura central e do seu prazer
canto para ti. Atrevo-me a viver.
Olá, espírito. Olá, taça.
Fixar, cobrir. Cobre o que contém.
Olá, terra dos campos.
Bem-vindas, raízes.

Cada célula tem uma vida.
Há aqui bastantes para satisfazer uma nação.
Chega que a populaça possua estes bens.
Qualquer pessoa, qualquer grupo diria:
Está tudo tão bem este ano que podemos plantar de novo
e pensar noutra colheita.
Uma praga tinha sido prevista e foi eliminada.
Por isso muitas mulheres cantam em uníssono:
uma numa fábrica de sapatos amaldiçoando a máquina,
uma no aquário cuidando da foca,
uma aborrecida ao volante do seu FORD,
uma cobradora na portagem,
uma no Arizona enlaçando um bezerro,
uma na Rússia com uma perna de cada lado do violoncelo,
uma trocando panelas num fogão no Egipto,
uma pintando da cor da lua as paredes do quarto,
uma no seu leito de morte mas recordando um pequeno almoço,
uma na Tailândia deitada na esteira,
uma limpando o rabo ao seu bebé,
uma olhando pela janela do comboio,
no meio do Wyomming e uma está
em qualquer lado e algumas estão em todo o lado e todas
parecem estar cantando, embora haja quem
não possa cantar uma nota sequer.

Doce peso
em celebração da mulher que sou
deixa-me levar uma echarpe de três metros,
deixa-me tocar o tambor pelas que têm dezanove anos,
deixa-me levar taças para oferecer
(se é isso o que me toca).
deixa-me estudar o tecido cardiovascular,
deixa-me calcular a distância angular dos meteoros,
deixa-me chupar o pecíolo das flores
(se é isso o que me toca).
Deixa-me imitar certas figuras tribais
(se é isso o que me toca).
Pois o corpo preciso disso,
que me deixes cantar
para a ceia,
para o beijo,
para a correcta
afirmação.

BALADA DA MASTURBADORA SOLITÁRIA

O final de um caso é sempre a morte.
Ela é a minha oficina. Olho escorregadio,
fora da tribo de mim mesma o meu fôlego
encontra-te ausente. Escandalizo
os que estão presentes. Estou saciada.
De noite, só, caso-me com a cama.

Dedo a dedo, agora é minha.
Ela não está demasiado longe. Ela é o meu encontro.
Toco-a como um sino. Reclino-me
no caramanchão onde costumavas montá-la.
Possuíste-me na colcha florida.
À noite, só, caso-me com a cama.

Toma por exemplo esta noite, meu amor,
em que cada casal mistura
com uma reviravolta conjunta, para baixo, para cima,
o dois abundante sobre esponja e pena,
ajoelhando-se e empurrando, cabeça contra cabeça.
De noite, só, caso-me com a cama.

Desta forma escapo do meu corpo,
um milagre irritante. Podia eu
colocar o mercado dos sonhos em exibição?
Espalho-me. Crucifico.
Minha pequena ameixa, dizias tu.
Á noite, só, caso-me com a cama.

Então chegou a minha rival de olhos escuros.
A dama de água, erguendo-se na praia,
um piano nas pontas dos dedos, vergonha
nos seus lábios e uma voz de flauta.
Entretanto, passei a ser a vassoura usada.
Á noite, só, caso-me com a cama.

Ela agarrou-te como uma mulher agarra
um vestido de saldo de uma estante
e eu parti da mesma forma que uma pedra parte.
Devolvo-te os teus livros e a tua cana de pesca.
No jornal de hoje dizem que és casado.
Á noite, só, caso-me com a cama.

Rapazes e raparigas são um esta noite.
Desabotoam blusas. Abrem fechos.
Descalçam sapatos. Apagam a luz.
As criaturas bruxuleantes estão cheias de mentiras.
Comem-se uns aos outros. Estão repletos.
Á noite, só, caso-me com a cama.


dois poemas de ANNE SEXTON

Tradução [ fiel e verdadeira ] de JORGE SOUSA BRAGA

in POESIA & LDA

anne-sexton.jpg

ANNE SEXTON - (USA, Newton, 1928 – Weston, 1974)





Publicado por samartaime às 10:15 AM | Comentários (1)

setembro 25, 2011

Novidades, novidades...



EuConto.jpg


(anónimo na net)



Publicado por samartaime às 11:47 AM | Comentários (1)

setembro 13, 2011

O beijo do sol







PEDRO OSÓRIO





Publicado por samartaime às 04:40 PM | Comentários (0)

setembro 12, 2011

Anti-écloga




A verdade é que também as urtigas
me aborrecem. Esta doçura dos pássaros,
a silvestre quietude da tarde atravessada
pelo balido das ovelhas, grandes imitadoras
de Edith Piaf, tudo isso não chega a ser
tão daninho como a luz de um semáforo
vermelho, mas um pouco de sangue
na biqueira do sapato faz-me falta.
Faz-me falta praguejar, ter um lago
de cimento onde cuspir, obstáculos
de fogo, fantasias, a metralha dos calinos.
Não me sinto nada bem com a doçura,
com a paz dos ermitérios, de onde Deus
se retirou há quinze anos. Esta resignação
das árvores, dos faunos, das silvanas,
da restante bicharada típica dos lugares
onde sofrer é natural como estar só,
a conclusão é que não sei caminhar sem sapatos
que me apertem. As sandálias do pescador,
as botas do alpinista, não me levam
a lado nenhum. Detesto confessá-lo,
mas eu sou da cidade até à raiz do terror.
Não consigo viver sem o saco de areia
onde exercito o excessivo golpe da exasperação.
Sem esse esbracejar a minha seiva coagula,
torna-se pastosa, sonolenta, felizita
como um rio de meandros preguiçosos,
lamacentos, imprestáveis - de que me serve
fingir o sossego a que não chego, brincar
às Arcádias em que não acredito?
Está decidido, prefiro sofrer.
Amanhã de manhã regresso ao abismo.



JOSÉ MIGUEL SILVA

Publicado por samartaime às 07:10 PM | Comentários (0)

setembro 11, 2011

Um amor de pai




O meu filho é paneleiro


Ontem, um engenheiro de Valadares, Gaia, foi entregar o filho de 15 anos a uma esquadra de polícia: O meu filho é paneleiro, não o quero em casa. O rapaz foi surpreendido na discoteca Pride (rua do Bonjardim, 1121, Porto) e levado à força para casa, na presença da polícia, chamada ao local.

Horas depois, o pai despejou-o na esquadra de Valadares. A polícia accionou o serviço de emergência social para tentar encontrar alojamento para o rapaz.

Três perguntas [que subscrevo] :

a) Não há uma mãe nesta história?

b) A polícia alertou o Ministério Público para o comportamento do pai do rapaz?

c) A APAV vai, como lhe compete, tomar conta da ocorrência?


Eduardo Pitta in Da Literatura

Publicado por samartaime às 11:05 AM | Comentários (3)

O direito a viver em paz




que Victor Jara desejou e cantou mas não teve.
Apanhado pelos militares de Pinochet no golpe de 11 de setembro, metido no campo de concentração em que foi transformado o estádio Chile, Jara foi pormenorizadamente espancado, as mãos esmagadas à coronhada e crivado de 49 balas ali mesmo no estádio. Depois o cadáver foi atirado para terrenos baldios na vizinhamça de um cemitério.





a gravação não é boa, mas dá para entender.


[...]
«Se instó a denunciar a los adherentes al gobierno, por ser traidores a la Patria, según decía el comunicado militar denunciándolos ante las comandancias y cantones. Se publicaron bandos que instaban a la población a delatar a los líderes más prominentes de la UP tales como Carlos Altamirano, Volodia Teitelboim, José Tohá, Luis Corvalán y otros.

Se llamó a aquellos que tuvieran cargos y representatividades de grupos sociales a entregarse a las comisarías para regularizar su situación. Se detuvieron a miles de personas y fueron conducidas el Estadio Chile y luego al Nacional, a aquellas personas que fueron llamadas a viva voz y respondieron de entre la multitud fueron ejecutadas en el mismo lugar, como es el caso de Víctor Jara.

En la Universidad Técnica del Estado, militares hicieron allanamientos y ejecutaron a decenas de estudiantes combatientes en las mismas aulas. Muchas ejecuciones fueron hechas a la "bala en fila". Fueron allanadas las fábricas, las reparticiones públicas y las mineras forzando a los trabajadores a seguir laborando y manteniendo la producción en marcha. En muchas fábricas se realizaron detenciones de todos los sindicalistas y representantes de gremios de la Unidad Popular.

Las poblaciones populares tales como La Legua, La Victoria y San Ramón (La Bandera) fueron allanadas y sus pobladores detenidos en masa. En la Villa La Reina se produjeron ejecuciones sumarias a aquellos líderes que se sorprendieron ocultos. Durante todo el día y la noche y toda la semana se escucharon disparos de ametralladoras en distintos puntos de la capital.»
[...]




Mais sobre Victor Jara


Sobre o Golpe no Chile, leia «Golpe de Estado en Chile de 1973






Publicado por samartaime às 12:15 AM | Comentários (0)

setembro 10, 2011

O império das matracas



Confesso a minha extrema dificuldade em ouvir coelhos falantes, a matraca falante relvas, o interface falante gaspar e, ó tempos ó costumes, seguros falantes. Demasiados decibéis para tão pouco pavilhão auricular.

Nas secretas e toupeiras não vale a pena falar, já que são secretas e toupeiras: basta desligar o telemóvel.





Publicado por samartaime às 11:32 AM | Comentários (0)

setembro 07, 2011

ULTIMATO




O país dança? disse-lhe,
tropeçando na sombra
que o seu vestido carimbava
no largo da Matriz.
Mas o país alegou cansaço
pé de chumbo, futuro
comprometido.


O país dança?, tornei,
a coberto das canas
que os céus assobiavam,
mas o país não dançava
e nas trevas circundantes
as silvas o emboscavam
com juras de morte ao campo
que fora de canto segador.


O vento angariava palavras para partir.


O país dança? Pois dance agora
ou cale-se para sempre
e decida-se depressa
enquanto a música não cessa


ou entre nós
está tudo acabado.




RUI LAGE



UM ARRAIAL PORTUGUÊS
na p.13 e na contracapa [porque merece]



Publicado por samartaime às 10:19 AM | Comentários (1)

setembro 05, 2011

Moçambique




Massoukos - Mozambique


Musica da Resistência sanitária

-




Publicado por samartaime às 08:02 AM | Comentários (0)

setembro 04, 2011

Livro de Horas extraordinárias (15)






Nas vastas águas que as remadas medem,
tranquila a noite está adormecida.
Deslisa o barco, sem que se conheça
que o espaço ou tempo existe noutra vida,
em que os barcos naufragam, e nas praias
há cascos arruinados que apodrecem,
a desfazer-se ao sol, ao vento, à chuva,
e cujos nomes se não vêem já.
Ao que singrando vai, a noite esconde o nome.



JORGE DE SENA






Publicado por samartaime às 12:47 PM | Comentários (0)

setembro 03, 2011

Livro de Horas extraordinárias (14)






Nevoeiro (Fernando Pessoa)




Amélia Muge




Publicado por samartaime às 04:36 PM | Comentários (0)

setembro 02, 2011

A LIBERALIZAÇÃO DO ESTADO SOCIAL




Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar quanto ganha


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é paraplégico


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que não lhe pagaram


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é um reformado miserável


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é cego


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que não há trabalho


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é excluído


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é canceroso


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é pobrezinho


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é analfabeto


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que tem fome


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que vive na rua


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que tem frio


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que é carenciado


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que precisa do passe


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que o banco de jardim é público


Tem aqui, grátis, a minuta do requerimento:
é só provar que está inocente







Publicado por samartaime às 12:02 PM | Comentários (1)

setembro 01, 2011

Livro de Horas extraordinárias (13)



O BOI DA PACIÊNCIA

Noite dos limites e das esquinas nos ombros
noite por de mais aguentada com filosofia a mais
que faz o boi da paciência aqui?
que fazemos nós aqui?

Este espectáculo que não vem anunciado
todos os dias cumprido com as leis do diabo
todos os dias metido pelos olhos adentro
numa evidência que nos cega
até quando?

Era tempo de começar a fazer qualquer coisa
os meus nervos estão presos na encruzilhada
e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante
e a minha vida não é mais que um teorema
por demais sabido!

Na pobreza do meu caderno
como inscrever este céu que suspeito
como amortecer um pouco a vertigem desta órbita
e todo o entusiasmo destas mãos de universo
cuja carícia é um deslizarr de estrelas?

Há uma casa que me espera
para uma festa de irmãos
há toda esta noite a negar que me esperam
e estes rostos de insónia
e o martelar opaco num muro de papel
e o arranhar persistente duma pena implacável

e a surpresa subornada pela rotina
e o muro destrutível destruindo as nossas vidas
e o marcar passo à frente deste muro
e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro
até quando? até quando?

Teoricamente livre para navegar entre estrelas
minha vida tem limites assassinos
Supliquei aos meus companheiros.Mas fuzilem-me!

Inventei um Deus só para que me matasse
Muralhei-me de amor e o amor desabrigou-me
Escrevi cartas a minha mãe desesperadas
colori mitos e distribuí-me em segredo
e ao fim ao cabo
recomeçar
Mas estou cansado de recomeçar!

Quereria gritar: Dêem árvores para um novo
recomeço!
Aproximem-me a natureza até que a cheire!
Desertem-me este quarto onde me perco!
Deixem-me livre por um momento em qualquer parte
para uma meditação mais natural e fecunda
que me limpe o sangue!
Recomeçar!

Mas originalmente com uma nova respiração
que me limpe o sangue deste polvo de detritos
que eu sinta os pulmões com duas velas pandas

e que eu diga em nome dos mortos e dos vivos
em nome do sofrimento e da felicidade
em nome dos animais e dos utensílios criadores
em nome de todas as vidas sacrificadas
em nome dos sonhos
em nome das colheitas em nome das raízes
em nome dos países em nome das crianças
em nome da paz

que a vida vale a pena que ela é a nossa medida
que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias
que o reino da bondade dos olhos dos poetas
vai começar na terra sobre o horror e a miséria

que o nosso coração se deve engrandecer
por ser tamanho de todas as esperanças
e tão claro como os olhos das crianças
e tão pequenino que uma delas possa brincar com ele

Mas o homenzinho diário recomeça
no seu giro de desencontros
A fadiga substituiu-lhe o coração
As cores da inércia giram-lhe nos olhos
Um quarto de aluguel
Como perservar este amor
ostentando-o na sombra

Somos colegas forçados
Os mais simples são os melhores
nos seus limites conservam a humanidade

Mas este sedento lúcido e implacável
familiar do absurdo que o envolve
como uma vida de relógio a funcionar
e um mapa da terra com rios verdadeiros
correndo-lhe na cabeça
como poderá suportar viver na contenção total
na recusa permanente a este absurdo vivo?

Ó boi da paciência que fazes tu aqui?
Quis tornar-te amável ser teu familiar
fabriquei projectos com teus cornos
lambi o teu focinho acariciei-te em vão

A tua marcha lenta enerva-me e satura-me
As constelações são mais rápidas nos céus
a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo

Lá fora os homens caminham realmente
Há tanta coisa que eu ignoro
e é tão irremediável este tempo perdido!
Ó boi da paciência sê meu amigo!





ANTÓNIO RAMOS ROSA






Publicado por samartaime às 10:34 PM | Comentários (1)