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fevereiro 28, 2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho






Obrigada, Esteva.



Publicado por samartaime às 01:56 PM | Comentários (0)

fevereiro 24, 2011

Gageiro (3)



JGomes Ferreira_Gageiro.jpg

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação.

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
a melodia sem contorno
deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.


JOSÉ GOMES FERREIRA




Publicado por samartaime às 10:33 AM | Comentários (0)

fevereiro 21, 2011

UM PAÍS INSUPORTÁVEL



«A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso.

Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros).

Este caso, cujos pormenores têm sido abundantemente relatados na comunicação social, interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos.

Apenas duas ou três pessoas se interessaram pelo desaparecimento daquela mulher, fazendo, aliás, o que lhes competia. Com efeito, uma vizinha e um familiar comunicaram o desaparecimento às autoridades policiais e judiciais mas ninguém na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária e no tribunal de Sintra se incomodou o suficiente para ordenar as providências adequadas. Em face da participação do desaparecimento de uma idosa a diligência mais elementar que se impunha era ir à sua residência habitual recolher todos os indícios sobre o seu desaparecimento. É isto que num sistema judicial de um país minimamente civilizado se espera das autoridades policiais e judiciais, até porque o caso era susceptível de constituir um crime. O assalto e até assassínio de idosos nas suas residências não são, infelizmente, casos assim tão raros em Portugal. Mas, sintomaticamente, as autoridades judiciais não só não se deram ao trabalho de se deslocar à residência como, inclusivamente, recusaram-se a autorizar os familiares a procederem ao arrombamento da porta de entrada.

E tudo seria tão simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Mas não. Dava muito trabalho ir à uma residência procurar pistas sobre o desaparecimento de uma pessoa. Dava muito trabalho oficiar outras instituições para prestar informações sobre esse desaparecimento. Sublinhe-se que um primo da idosa se deslocou treze vezes ao tribunal de Sintra para que este autorizasse o arrombamento da porta da sua residência. Mas, em vez disso, o tribunal, lá do alto da sua soberba, decretou que a desaparecida não estava morta em casa, pois, se estivesse, teria provocado mau cheiro no prédio. É esta falta de bom-senso e humildade perante a realidade que constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Os nossos investigadores (magistrados e polícias) não investigam para encontrar a verdade, mas sim para confirmarem as verdades que previamente decretam. E, como algumas dessas verdades são axiomáticas, não carecem de demonstração.

Mas há mais entidades cujo comportamento revela que a pessoa humana não constitui motivo suficientemente forte para as obrigar a alterar as rotinas burocráticas e impessoais.

A luz da cozinha daquele apartamento esteve permanentemente acesa durante um ano, ao fim do qual a EDP cortou o fornecimento de energia eléctrica, sem se interessar em averiguar o motivo pelo qual um consumidor deixou de cumprir o contrato celebrado entre ambos.

Os vales da pensão de reforma deixaram de ser levantados pela destinatária, mas a segurança social nada se preocupou com isso. Ninguém nessa instituição estranhou que a pensão de reforma deixasse de ser recebida, ou seja, que passasse a haver uma receita extraordinária sem uma causa. E isto é tanto mais insólito quanto os reformados são periodicamente obrigados a fazerem prova de vida. Mas isso é só quando estão vivos e recebem a pensão.

Os CTT atulharam a caixa de correio daquela habitação de correspondência que não era recebida sem que nenhum alerta alterasse as suas rotinas.

Finalmente, as finanças penhoraram uma casa e venderam-na sem que o respectivo proprietário fosse citado. Como é que é possível num país civilizado penhorar e vender a habitação de uma pessoa, aliás, por uma dívida insignificante, sem que essa pessoa seja citada para contestar? Sem que ninguém se certifique de que o visado tomou conhecimento desse processo? Como é possível comprar uma casa sem a avaliar, sem sequer a ver por dentro? Quem avaliou a casa? Quem fixou o seu preço?

Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável.»



A. Marinho e Pinto.

no Jornal de Notícias




Nota pessoal: escusam vir dizer que o bastonário é «populista» que nisto a esmagadora maioria do povo é populista.
E por mim, gozo o prato das finanças só apanharem mortos e inocentes - que no mais, «tá quiet'ó mau!»



Publicado por samartaime às 11:17 AM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2011

EUCALIPTAL



Quem regressa a Portugal regressa ao medo
de falar sem alçapões de protecção
conventual, ao respeitinho pelos títulos
de borra, à timidez de protestar nas oficinas,
nos cvempregos, nos polés, nos hospitais.

Volta ao gozo bichaneiro da franqueza
pelas costas, ao bitate regougado
pela incúria, ao leve gás do palavrão
desopilante, pulsilânime, vendado,
ao complacente desamor da liberdade.

Regressar a Portugal é regressar
ao desapego por direitos e deveres,
à indiferença pela história colectiva,
pelo que quer que sobrepuje o cá-se-vai
dum comodismo sem coragem nem prazer.

É regressar a horizontes de betão
e eucalipto, a frustrados atoleiros
de automóveis à deriva, ao fanico
de salários sobrevivos, mordaçantes,
ao cajado da lisonja e da preguiça.

Quem regressa a Portugal, regressa ao tempo,
sobretudo, da infância, que o lugar
já foi levado (não me canso de o dizer,
nem me conformo) pelo tufão da mais-valia
predial. Mas se o tempo da infância

cabe inteiro na memória, quem regressa
a Portugal, regressa a quê e para quê?


JOSÉ MIGUEL SILVA



Publicado por samartaime às 01:08 PM | Comentários (0)

GAGEIRO (2)



Salazar_Gageiro.jpg

Salazar

Canta o Zeca Afonso



Publicado por samartaime às 12:51 PM | Comentários (0)

RESPOSTA POSSÍVEL À PERGUNTA ANTERIOR



Os amigos, a família mais próxima,
esta lingua que nos coube, a timidez
alcandorada em cerimónia, o SG,
o vinho bom, a francesinha, os varandins
da burguesia duriense, o Alentejo,
a tradição arquitectónica da pedra,
da modéstia, do adobe, a cortesia
de ser pobre. A quietude remissiva
dos lugares frequentados p'la renúncia.




JOSÈ MIGUEL SILVA



Publicado por samartaime às 11:34 AM | Comentários (0)

fevereiro 16, 2011

GAGEIRO (1)



Rosa Ramalho_Gageiro.jpg


Rosa Ramalho

(canta António Variações )



Publicado por samartaime às 07:06 PM | Comentários (0)

fevereiro 15, 2011

A música portuguesa a gostar dela própria!



A música portuguesa a gostar dela própria from Tiago Pereira on Vimeo.






Márcia - "Reino costa azul" from Tiago Pereira on Vimeo.




Márcia - "misturas" from Tiago Pereira on Vimeo.





a música portuguesa a gostar dela própria





Publicado por samartaime às 11:15 AM | Comentários (0)

fevereiro 14, 2011

Teotónio Agostinho
pintura e desenho



Digitalizar0001.jpg

s/titulo, 1995, acrilico s/tela, (75X68cm)


Digitalizar0003.jpg
s/título, 2010, Aguarela s/ papel, (32X24cm)



Digitalizar0004.jpg
s/ titulo, 2010, Aguarela s/papel, (32X24)



Digitalizar0015.jpg
s/titulo, 2008; Tinta-da-China s/papel, (30,5X21cm)


Digitalizar0014.jpg
s/titulo, 2008; Tinta-da-China s/papel, (30,5X21)

até 26 de Março no Centro Cultural de Cascais

Fundação D.Luís I



Publicado por samartaime às 03:25 PM | Comentários (0)

fevereiro 13, 2011

Galandum Galundaina



Fraile Cornudo

(video manelmeirinhos )


Redondo

(video manelmeirinhos )


La Lhoba

(video rumonordeste )



Publicado por samartaime às 01:10 AM | Comentários (0)

fevereiro 09, 2011

Sofia Gubaidulina



Sofia Gubaidulina, Concerto para viola de arco (1996/97)

Yuri Bashmet, viola de arco (violeta)

Orquestra Sinfónica de Colónia

Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4



Sofia Gubaidulina.jpg



Gubaidulina, compositora que avançou por caminho incorrecto


Sofia Gubaidulina é, talvez, a mulher que mais longe foi como compositora de música clássica, estando entre os maiores vultos nesse campo do séc. XX e início do séc. XXI. Mas a sua carreira não foi fácil pois a sua música não estava conforme os cânones do “realismo socialista”.
Sofia Gubaidulina, a quem o Centro Cultural de Belém dedica um ciclo de 05 a 12 de fevereiro, nasceu em 1931 na Tartária, na União Soviética, numa família tártaro-russa. O avô tártaro, Masgud Gubaidulin, era um líder religioso islâmico, mas ela escolheu a religião cristã ortodoxa da mãe, uma pedagoga russa.

Tinha apenas quatro anos quando ingressou numa escola de música, continuando depois os estudos no Liceu Musical de Kazan, capital da Tartária.

Em 1954, começou a estudar composição e piano no Conservatório de Moscovo, tendo recebido a Bolsa de Estudo Estalinista, concedida a estudantes particularmente dotados. Entre os seus mestres estiveram pedagogos soviéticos como Albett Leman, Grigori Kogan e Iúri Chaporin.

Foi nessa altura que Gubaidulina ouviu da boca do grande compositor soviético, Dmitri Schostakovitch, as seguintes palavras: “Desejo-lhe que avance pelo seu caminho ‘incorreto’”.

Em 1969 e 1970, trabalhou no Estúdio Experimental de Música Eletrónica do Museu Skriabin de Moscovo e compôs a peça “Vivente – non vivente”. Nessa altura, dedicou-se também à composição de música para o cinema, tendo composto obras para 25 filmes soviéticos, entre os quais se distingue o “Espantalho” (1983).

A partir de 1975, Gubaidulina dedicou-se à composição de improvisações no conjunto “Astreia”, com outros conhecidos compositores soviéticos como Victor Suslin e Viatcheslav Artiomov.

Porém, o regime comunista não tolerava inovações no campo da música clássica, nem admitia que as obras dos vanguardistas fossem interpretadas no estrangeiro sem autorização.

No VI Congresso da União dos Compositores Soviéticos, Sofia Gubaidulina e mais seis compositores foram “crucificados” pelos “comissários do realismo socialista”.

“Obras compostas só em prol de combinações sonoras estranhas e de efeitos excêntricos, onde a ideia musical, se existir, se afoga irremediavelmente na corrente de ruídos insuportáveis, de gritos bruscos ou murmúrios incompreensíveis”, declarou Tikhon Khrenikov, dirigente dessa união.

“Será que eles têm direito a representar o nosso país, a nossa música?”, perguntou Khrenikov.

Repetia-se a história. Em 1948, no I Congresso da União dos Compositores da URSS, músicos como Serguei Prokofiev e Dmitri Chostakovitch tinham sido acusados de “cacofonia sonora”.

As obras de Gubaidulina e dos outros seis compositores proscritos não podiam ser transmitidas pela rádio e televisão, não podiam ser interpretadas em concertos.

Por isso, quatro dos sete compositores “malditos”, entre os quais se encontrava Gubaidulina, emigraram da União Soviética em 1991.

Maestros como Simon Rattle, Guennadi Rojdestvenski, Kurt Masur ou Valery Gerguiev e solistas como Mstislav Rostropovich, Anne-Sophie Mutter ou Guidon Kremer estão entre os que solicitaram a Sofia Gubaidulina composições, prova de que realmente estamos perante um génio musical com reconhecimento mundial.

Misturando influências eslavas, tártaras, judaicas e ortodoxas russas, o universo da música de Sofia Gubaidulina é caracterizado por uma variedade de sons, ritmos selvagens, descrições musicais apocalípticas e paradisíacas.


( Fonte: Diário Digital / Lusa; sábado, 29 de Janeiro de 2011 )


Informação pormenorizada sobre a vida, carreira, obra, filmes e discografia; aqui





Publicado por samartaime às 11:23 AM | Comentários (0)

fevereiro 07, 2011

Até quando, CATILINAS,


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consentiremos nesta VERGONHA NACIONAL?





Publicado por samartaime às 10:05 AM | Comentários (0)

fevereiro 05, 2011

Mare nostrum



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Fiesta Jerezana - Carmen Amaya


E Viva Mandiant- La Compagnie Vocale


Maruzela - Roberto Murolo


El Guelsa di Fez - Lili Labassi


Hakad - Shoshsna Damari


Ya Laylet El-Id Insitina - Oum Kalthoum


Ma Guarda Guarda - Alpio Antico


Kaan Ya Ma Kaan - Marwan Abado


Cifte Telli - Sukru Tunar


Pare Me Maro - Tsitanis


Larere Mombo - Alberto Balia & Enrico Frongia


Huzz-Imanim (danse) - Yelas


Sen titulo - Vários

Publicado por samartaime às 06:57 PM | Comentários (0)

fevereiro 03, 2011

Concha Buika



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Mira el tiempo


how many things


Por qué


mi ninã Lola


El ultimo trago


No somos iguales


Yo quiero


somos sueño impossible


Concha Buika 1.jpg Buika





Publicado por samartaime às 02:01 PM | Comentários (0)

fevereiro 01, 2011

Fra Angelico mocking of



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Fra Angelico (Vicchio di Mugello, 1387 — Roma, 18 de Fevereiro de 1455)
«Mocking of Christ with the Virgin and Saint Dominic»
1439-1443 / Fresco (187 x 151 cm)
Cell 7, Convent of San Marco, Florence



Publicado por samartaime às 08:53 PM | Comentários (0)

VAMOS LÁ VER SE A GENTE SE ENTENDE

Não me incomoda e até compreendo que Cavaco Silva tenha optado pela reforma em vez do salário.
Mas incomoda-me que um reformado, seja ele o próprio Cavaco Silva, possa auferir mais enquanto reformado que enquanto Presidente da República em exercício.
Como me incomoda, também, que o Presidente da República, enquanto Presidente da República, possa alienar o salário das funções para que foi eleito.
Não me interessam as pessoas e as casualidades da vida. Interessam-me as bagunças que se escondem atrás das leis sem lei dos artigos e articulados.
Não tem jeito que aquele que o povo escolhe directamente para o representar acabe auferindo umas lecas que qualquer reforma abafa.

Como não tem jeito que um gestor, ainda que milagroso, de uma empresa, possa «gerir» mais
do que o primeiro-ministro desse país. Não tem sentido, não tem comparação, não tem justiça.
Já disse, acima, que não me interessam as pessoas nem as casualidades da vida.
Como também não me interessam os lucros, sejam de empresas sejam da Bolsa.
E não, não estou a tentar passar aquela de «os ricos que paguem a crise», embora existam uns quantos ricos que eu penso que a deveriam pagar mais os respectivos juros, e não «nós» - aleguem o que aleguem os que por eles alegam: conversa velha de comadres.
O que eu quero, e nem é querer muito, é que os salários tenham uma equivalência transparente. E que todos (inclusive os ricos) paguem os devidos impostos, tudo com muita transparência. O mais, não me diz respeito direto.

Publicado por samartaime às 07:53 PM | Comentários (0)

Do ocidente (2)



Terça 30.JPG



Publicado por samartaime às 12:47 PM | Comentários (0)