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novembro 30, 2009

Por António Tabucchi


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Publicado por samartaime às 12:24 AM | Comentários (0)

novembro 29, 2009

Ovelhas na névoa



As colinas penetram na brancura.
Homens ou estrelas
olham-me com tristeza, desiludo-os.

O comboio deixa um rastro do seu alento.
Oh vagaroso
cavalo da cor da ferrugem,

Cascos, dolorosos sinos...
Toda a manhã
a manhã obscureceu

uma flor abandonada.
Os meus ossos absorvem a quietude, longínquos
campos enternecem o meu coração.

Ameaçam
levar-me para um céu
sem estrelas e sem pai: uma água negra.


Sylvia Plath

Trad. Maria de Lourdes Guimarães



Publicado por samartaime às 07:51 PM | Comentários (0)

novembro 27, 2009

outra vez o público



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bom de ver e bom de ler:

à esquerda, sonhamos; à direita... penamos.



Publicado por samartaime às 10:24 AM | Comentários (2)

novembro 25, 2009

Parabéns ao público !





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Não é a mais bonita primeira página do público


Mas é uma das mais conseguidas:


em meia página se conta da injustiça de um povo.

Publicado por samartaime às 11:11 AM | Comentários (1)

novembro 24, 2009

Mértola



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Publicado por samartaime às 11:02 PM | Comentários (1)

novembro 22, 2009

Bach pelo mundo fora



BACH TO AFRICA - Sankanda+Lasset uns den nicht zerteilen



Bach in Brasil - Invenção de duas partes nº 8



Bach to Cuba - Brandenburg Concerto nº 3 - 1º andamento




Publicado por samartaime às 08:02 PM | Comentários (0)

novembro 21, 2009

Mel Com Cicuta



Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Sim
Fui, durante anos, contra o acesso ao casamento por pessoas do mesmo sexo. Por uma única razão: não faz sentido dissociar o casamento da adopção. Há um elefante no meio da sala que muitas pessoas do Sim teimam em ignorar e que muitas pessoas do Não querem transformar numa espécie de fim da civilização ocidental. Vamos por partes e devagarinho:

1. Uma notinha prévia para dois tipos de pessoas:

a. as que usam o argumento de que os homossexuais já se podem casar, só não podem fazê-lo uns com os outros;

b. e aquelas que dizem que o país tem assuntos mais graves e, portanto, este não tem a dignidade da urgência que o faria merecer se discutido.

Vão para o raio que vos parta. Todos. Os primeiros porque são imbecis e os segundos porque não têm a mínima noção do que é um contrato social ou, mais ainda, do que é ser cristão. Em que momento da vossa infeliz e ressabiada vida é que olharam directamente nos olhos de alguém que está a tentar discutir uma coisa essencial para a sua vida e tiveram a coragem de lhe dizer:” — Agora não, pá, que estou a tentar resolver os problemas das exportações”.

Caso consigam identificar esse momento — esse no qual a resolução hipotética de um problema vos ocupa mais disponibilidade mental do que o sofrimento de um outro ser humano — chegou a altura de entalarem as mãozinhas na porta do forno (ligado) para terem mais uma coisinha com que se entreter.


2. O Referendo (que apareceu agora como bóia de salvação dos que vêem a iminência da lei) não me merece muitos comentários além do senso comum:

a. Referendar direitos de minorias é uma tolice. Bacelar Gouveia iluminou-nos ontem com o caso da independência de Timor-leste, mas talvez fosse útil alguém mostrar-lhe uns bonecos que expliquem que quem votou foi exactamente essa minoria que reclamava o direito e não a totalidade dos timorenses e indonésios. (se alguém tiver dificuldades em perceber esta terrífica equação, por favor avise, temos plasticinas disponíveis).

b. Ao contrário da questão do aborto — em que conflituavam o direito à vida e a liberdade da mulher (ambos constitucionalmente tutelados) — neste caso não temos qualquer conflito de direitos.

c. Acresce que a essência da nossa democracia é representativa e não directa. Havendo um sufrágio desta questão nos programas eleitorais relevantes, a devolução desta matéria ao eleitorado (quando não existem bens constitucionais conflituantes) deturpa a lógica da nossa democracia e levaria ao exercício absurdo de exigir referendos para todos os pontos do programa eleitoral do partido que ganhou sem maioria absoluta.


3. Independentemente da questão jurídica (admito que a maioria dos gays e lésbicas se estejam nas tintas para ela), do que se trata aqui é de uma questão de reconhecimento social, de aceitação de uma situação que, de facto, já existe, da legitimação, pela sociedade, da relação entre duas pessoas e dos efeitos desta decorrentes (se alguém puder fazer a fineza de recuperar aquele argumento delicioso de Bacelar Gouveia sobre as dívidas dos cônjuges, por favor use o e-mail lá em cima, já que raras vezes vi exemplares tão bons do famoso “raciocínio em espiral”). Dito isto, porque é que duas pessoas do mesmo sexo não podem ter o mesmo reconhecimento social do seu amor do que eu? O casamento, que foi consagrado juridicamente para tutelar a família, tem de tutelar as famílias. Todas. Mesmo aquelas que não seguem as ilustrações dos livros da primeira classe.


4. E, agora sim, não faz sentido, do ponto de vista jurídico também, mas, sobretudo, do ponto de vista humano, conceber um acesso ao casamento que omite a possibilidade de reconhecimento do direito a constituir família adoptando. É certo que a adopção tem como bem único tutelado o interesse da criança e não o direito de quem quer que seja a constituir família, mas, se os homossexuais podem já adoptar sozinhos (e depois viver, de facto, com aquilo que o simbolismo ainda lhes nega), que tipo de bem é que estamos a proteger?


5. Durante muito tempo vivi esta dúvida, a dos efeitos da parentalidade homossexual numa criança. Angustiava-me dizer àquelas pessoas que não lhes reconhecia um direito porque podiam “estragar” a cabeça das crianças. Resolvi deitar mãos à obra. Fui ler, falei com pessoas, li mais, falei com mais pessoas e fiz o que fazem as pessoas sérias: de toda a informação que recolhi obriguei-me a tirar uma conclusão. É muito fácil ficar a dizer que não ao desconhecido. Mas o desconhecido não é tão desconhecido quanto isso. Basta querer ver e saber. Além disso, pensando no superior interesse da criança interditaria uma mão-cheia de paizinhos heterossexuais com que me fui cruzando vida fora. Gente normalizada, com a cabeça cheia de tralha no sótão, que faz da vida dos outros um inferno e da sua própria um chiqueiro. Não foram educados por homossexuais. Oxalá tivessem sido.




publicado por Laura Abreu Cravo em Mel Com Cicuta



Publicado por samartaime às 11:18 AM | Comentários (0)

novembro 20, 2009

A Adoração dos Magos


Aquela noite a três
foi como desenhar a maçarico
numa chapa de ferro
um vento fóssil, um vítreo monograma,
o rasto ao exceder o voo de uma carriça
cativo flutua no vidro de uma jarra.
Suspensos percorriam na polpa da vertigem
léguas sobre o abismo.
Pendentes do zinco da manhã
à espera do início
do seguinte espectáculo
dispersaram o sémen
nas chaminés da noite leprosa.
Nos terraços da luta percorreram
as danças mais funestas da ternura.
Num combinar astuto de referências
abriram-se os portais
e despediram galopes penitentes
os animais libertos
das tecidas mansões.

O unicórnio branco depôs sua cabeça
nos braços da senhora,
compadecida dama,
e lhe tocou fiando suas lãs
entre as unhas crivadas por metralha.
Sinto-lhes o assédio,
em cada joelho poisam
um queixo armadilhado,
a barba já cresceu desde o jantar.
«É a adoração dos magos» - murmuras tu –
fincando na ravina os dedos imanados
enquanto o tronco investe
a pele percorrida por venosas nascentes.
Olho por sobre um ombro
e surpreendo a treva
ofendida esgueirar-se
entre os dedos da porta.
O noctívago galgo
devora a escuridão às cegas no recinto.
Em breve a luz envolve
de opalinas unções as cabeleiras.
Iminentes desenham-se as saídas,
o croissant no prato, o garoto no copo,
o revestir a pele doutros fatos
a tragédia jazente nos horários.
Aquela noite a três foi sem remédio.


Fátima Maldonado




Publicado por samartaime às 02:52 PM | Comentários (0)

novembro 18, 2009

Passeando em Buenos Aires...



com olgasokolinskaja

Buenos Aires: Jaracandás, Feria de los libros, Librerias de Corrientes,
Tango en Tasso, Mercado de las flores.
Musica- Narcotango. (CARLOS LIBEDINSKY)





Obrigada e um «saludo desde Lisboa»:



(video de diogovarelasilva )



Publicado por samartaime às 06:24 PM | Comentários (0)

novembro 14, 2009

Coisas que passaram na WOMEX 2009, Copenhaga




( video de florentdelatullaye )



(video de juanpinovalravn )




(video de fucsiaplanet )



Publicado por samartaime às 02:40 PM | Comentários (0)

novembro 10, 2009

Lost weekend



Um dia é maior do que a soma
das suas horas, às vezes comporta
todos os invernos e as estações assombradas
pelos prejuízos do prazer.

Eu e tu, que desculpa ainda nos justifica?
A cidade não foi feita para as nossas pretensões,
está apenas alastrada por dentro de nós, crispação
de pedras e espinhos no laço desfeito entre as veias.

Adiantamos o corpo aos rolamentos da noite,
é a própria razão que nos ilumina os atalhos
para o esquecimento. Um ano inteiro não será suficiente
para tudo o que não nos acontece.


Rui Pires Cabral




Publicado por samartaime às 10:20 PM | Comentários (0)

novembro 05, 2009

Construtores de labirintos





Tenho de estar completamente só quando penso,
E no parapeito mais alto
Debruçado sobre a rua vazia.
A janela poeirenta da loja lá em baixo
Está cheia de fantasmas ao pôr do sol.

Ali vai o meu velho. Já tem a idade que tenho agora.
De olhos fechados
chama as criadas pelos seus nomes secretos:
Santo Isaac, o sírio,
São Nilo, que escreveu sobre a oração.
O vinho das ambiguidades eternas,
Se faz favor, à saúde do corvo
Sentado no cimo de uma igreja branca.

A sua vida também é um emaranhado fantástico.
Os nossos infortúnios são empreiteiros.
Esquecem-se sempre das janelas,
Fazem os tectos baixos e pesados.
«É só uma lua de papel», cantam...
Mas estou a ir demasiado depressa.

No fim de um corredor escuro
Há um fósforo aceso numa mão trémula.
«Ainda tenho pavor do palco»,
Diz a bela mulher,
E depois guia-nos por entre guarda-roupas
Com espelhos e portas empenadas,
Onde estão pendurados vestidos sussurrantes,
Espartilhos sussurrantes, sapatos com botões -
Do tipo que se usaria para cavalgar uma cabra.

A sua filha, dizem-nos, está tísica.
Há uma marca do polegar oleoso da morte
na sua face angélica:
Ela quer que eu brinque debaixo da mesa
Dos jogadores de cartas silenciosos.

Brincamos e é como o palácio em Cnossos.
A memória, o único fósforo queimado do meu coração:
A sua mão guiando-me nas ruínas,
E as cartas sussurrando sobre as nossas cabeças
Que a nossa juventude e o nosso amor aturdiram.


Charles Simic

Trad. José Alberto Oliveira


Publicado por samartaime às 01:28 PM | Comentários (0)

novembro 04, 2009

Concerto para João Aguardela








(clique para ouvir: )


Aula de dança


Um rapaz mal desenhado


Um feitio de rainha


Dona de muitas casas


Publicado por samartaime às 01:04 AM | Comentários (0)