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setembro 30, 2009

Anne Sofie von Otter



von-otter-1.jpg

canta «Terezín»


sexta-feira, 2 de outubro, às 19:00 no Grande Auditório da Gulbenkian



«L'etoile a pleuré rose...» é um verso de Rimbaud que resume Anne Sofie von Otter e o seu «Terezin» .

Resultado dos malefícios da época [primeira fase da Segunda Grande Guerra, avanço do terror nazi] e da «inesperada» concentração de pessoas cultas e artistas, o Teresienstadt (getto, prisão, campo de concentração e de assassínio) foi aproveitado pelos nazis como «exemplo» de «colónia judia culta»: compunha-se, escrevia-se, até se faziam espectáculos.

TEREZÍN é uma homenagem de Anne Sofie von Otter exactamente ao trabalho desses artistas internados e/ou assassinados em Teresienstadt e que no meio do horror espavorido e execrável desse campo continuaram a sua obra morrendo e cantando para morrer vivendo.

Nota sobre Teresienstadt
Cerca de 15.000 crianças com menos de 15 anos passaram por Terezín. Desses, cerca de 200 sobreviveram.
Cerca de 144 000 adultos foram deportados para Terezín.
Deles, mais de trinta dezenas de milhar morreram em Terezín por más condições de vida (fome, stress, doenças e ainda uma épidemia de tifo no fim da guerra), largas dezenas foram assassinados nos «duches» de gás e mais de
oitenta mil foram deportados para Auschwitz e outros campos de extermínio.
Quase no fim da guerra, ao chegar a Terezín, o exército soviético terá encontrado apenas 19 000 sobreviventes.

É tudo isto que a fabulosa mezzo-soprano Anne Sofie von Otter e os seus companheiros nos vão recordar.
E será, por certo, um fim de tarde memorável.




Para os interessados que não possam assistir, procurem aqui no abracadabra o dia 4 de setembro de 2007 onde
poderão escutar bastantes faixas do cd «Terezín» e toda a informação possível sobre o cd e o trabalho de Anne Sofie von Otter.

Teresín.jpg


Publicado por samartaime às 04:08 PM | Comentários (1)

setembro 25, 2009

«Barry Lyndon» [Kubrick] ou o traidor

(Banda sonora do filme) adaptação de Piano trio in e flat op. 100 (segundo movimento) de Franz Schubert. Execução de Ralph Holmes/violin, Moray Welsh/cello, Anthony Goldstone/piano.





Publicado por samartaime às 01:15 PM | Comentários (0)

setembro 20, 2009

Aos bons ofícios da Polícia Judiciária,
que tem costas largas como eu



Fui uma das pessoas contempladas com um mail timbrado da Polícia Judiciária avisando-me que o meu IP andava a ser muito notado em visitas indevidas.

Não me esclareciam sobre quais os sitios indevidos onde o meu IP foi muito notado, mas enviavam-me anexo um programinha da MSoft (diziam eles) para eu activar e ficar, assim, protegida desses caminhos invios. Devia ser um programinha do tipo «só digo uma vez e no fim faço bang!»
Apaguei tudo: Judiciária, parecer, aconselhamento e programa para a virtude eterna.
Tudo para o lixo, «rapidamente e em força» - como dizia o Salazar a propósito de Angola, que nunca foi minha.
Ao contrário de Moçambique que foi, é e será sempre também meu.


E fiz bem: à noite vi na tv um fac simile electrónico do e-mail que recebi, enquanto ouvia que tinha sido coisa de pirata informático e que a Judiciária já lhe andava na peugada.


Porém, dormida a noite, fiquei um tanto preocupada.
Não com a ameaça mas com a proveniência do pirata.
E com alguma razão.

Nos tempos que correm, já não sei se o pirata é da presidência e me confundiu com o executivo Sócrates ou a douta Rodrigues;

ou se, sendo do executivo, me confundiu com o pleno da presidência cavaquista;

ou se, sendo da Judiciária, descobriu em mim uma nova falta de memória de Dias Loureiro;

ou, quiçá, pertencerá à Prisa e manobra escutas e contra-escutas para colocar-me no palanque do Jornal de Sexta em substituição da corajosa boca de Manuela Moura Guedes?

Ou, quiçá, pertencerá às hostes da Santa Condestável Ferreira Leite e pretende contar com o meu elmo na próxima reedição da batalha de aljubarrota para nos libertar da tremebunda e hirsuta Castela donde não vem nem bom vento nem bom casamento devidamente procriador?

Ou, caspite, será o fantasma do Sadam Hussein que me viu nos Açores e me confundiu com o Durão Barroso?!

Ó tempos!, ó costumes!... bradou de cabeça amofinada o coitado do Cícero - e como eu o entendo!




Bah!


Vão-se catar, meninos, enquanto a fava não enche!



Publicado por samartaime às 03:08 PM | Comentários (1)

setembro 14, 2009

Vai-te, vaidade antiquíssima
e fanfarrona


Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.

[...]

Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
Folha a folha lê em mim não sei que sina
E desfolha-me para teu agrado,
Para teu agrado silencioso e fresco.
Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos,

Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
Onde Deus talvez exista realme:nte e mandando tudo...

[...]

Fernando Pessoa, via Álvaro de Campos

Publicado por samartaime às 09:58 AM | Comentários (2)