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abril 29, 2009

«O tempo das cerejas»
uma canção com história



Le temps des cerises


JULIETTE GRECO A VIENNE 1988 (Enviado por richardanthony)



«O tempo das cerejas» é uma cançoneta de amor da autoria de Jean Baptist Clément e Antoine Renard e foi escrita em 1866.
Anterior à Comuna de Paris ( de 18 de Março a 28 de Maio de 1871) , julga-se que a última estrofe terá sido acrescentada, em louvor de uma enfermeira morta na defesa da Comuna, durante a «semana sangrenta» em que muitos milhares de combatentes da Comuna foram barbaramente assassinados.
A canção resistiu ao massacre, ao tempo e à proibição e ficou na memória popular como um símbolo da Comuna de Paris.


Le temps des cerises (1866)

Quand nous en serons au temps des cerises,
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête.
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au coeur.
Quand nous en serons au temps des cerises,
Sifflera bien mieux le merle moqueur.

Mais il est bien court, le temps des cerises,
Où l'on s'en va deux cueillir en rêvant
Des pendants d'oreilles.
Cerises d'amour aux robes pareilles
Tombant sous la feuille en gouttes de sang.
Mais il est bien court le temps des cerises,
Pendants de corail qu'on cueille en rêvant.

Quand vous en serez au temps des cerises,
Si vous avez peur des chagrins d'amour
Evitez les belles.
Moi qui ne crains pas les peines cruelles,
Je ne vivrai pas sans souffrir un jour.
Quand vous en serez au temps des cerises,
Vous aurez aussi des chagrins d'amour.

J'aimerai toujours le temps des cerises :
C'est de ce temps-là que je garde au coeur
Une plaie ouverte,
Et dame Fortune, en m'étant offerte,
Ne saurait jamais calmer ma douleur.
J'aimerai toujours le temps des cerises
Et le souvenir que je garde au coeur.

Jean Baptist Clément (1837- 1903)

Mon fils, chante !

Pour ceux qui entrent dans la danse
Au nom de la grande espérance
Au mépris de leur vie
Mon fils chante
Pour ceux qui luttent pour la vie
Sans autres armes que leur vie
Pour qu'ils vivent longtemps
Mon fils chante
Pour ceux qui combattent la nuit
Pour le jour où le soleil luira
Pour tous les hommes
Mon fils chante
Pour ceux qui meurent en chemise
A l'aube du temps des cerises
Sous les yeux des fusils
Mon fils chante

[Refrain] :
Mon fils et toi le fils
Qui naîtra de mon fils
Tant que meurt la liberté
Pour que la liberté
Vive dans le monde entier
Mon fils il faut chanter

Pour ceux qui poussent sans espoir
La porte étroite de l'histoire
Au nom de l'idéal mon fils chante
Pour ceux qu'on traîne dans le noir
Sur le sol du dernier couloir
Des chambres de tortures
Mon fils chante
Pour ceux qui ne verront jamais
Plus le soleil rouge de mai
Sur le port du Pirée mon fils chante
Pour ceux qui jusque dans la mort
Ont la force de vivre encore
Pour ceux qui vont vivre
Mon fils chante

[Refrain]



Publicado por samartaime às 04:35 PM | Comentários (6)

abril 26, 2009

De ocasião





A liberdade é como a luz:

só ganha cor por decomposição.



Publicado por samartaime às 10:01 AM | Comentários (0)

abril 25, 2009

25 de Abril sempre!



Adriano.jpg


Zeca Afonso 1.gif


Carlos Paredes.jpg





obrigada

Publicado por samartaime às 12:20 AM | Comentários (0)

abril 24, 2009

Alvaro Salazar: «FUGIT irreparabile tempus»(*)



Álvaro Salazar.jpg Alvaro Salazar e Sofia Lourenço


FUGIT Irreparabile tempus.jpg


Verso de capa -Fugit.jpg


Grupo De Câmara da Oficina Musical.jpg

Grupo da Oficina Musical:
Pedro Couto Soares - flauta
Carlos Alves - clarinete
Abel Pereira - trompa
Radu Ungareanu - violino
Jed Barahal - violocelo
Sofia Lourenço - piano e celesta
Jaime Mota - piano
Francisco Monteiro - piano
Nuno Aroso - percussão
Pedro Oliveira - percussão
Abel Salazar - maestro

Músicos convidados:
Roberto Erculiani - fagote
Sérgio Charrinho - trompete
Alexandre Vilela - trombone
Mário Teixeira - percussão
Manuel Campos - percussão

Siete apuntes para un meccano (1995) para piano (Sofia Lourenço)
[excerto de «A Vida é Sonho» de Calderón de la Barca, dito por Sofia Lourenço. Alusão do compositor ao teatro musical, incluindo entoações e assobios por parte da pianista e escritos na partitura.]


Compositor, maestro, professor e crítico musical, Álvaro Salazar nasceu no Porto (1938), onde iniciou os estudos musicais que prosseguiu no Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1962, licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa (curso jurídico de 1957/1962), ingressando mais tarde na carreira diplomática que veio a abandonar em 1972. Desde então, dedica-se exclusivamente à música.

Foi professor de Composição (ATC) e de Música de Conjunto (Séc. XX) na Escola de Música do Conservatório Nacional e leccionou nas Escolas Superiores de Música do Porto e de Lisboa as disciplinas de Introdução à Música Electroacústica, História de Música do Séc. XX e Estética. Teve como mestres, no estrangeiro, Gilbert Amy (Análise) e Hans Swarowsky e Pierre Dervaux (Direcção de Orquestra) e, na qualidade de bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, frequentou em Paris o Estágio de Música Electroacústica do GRM.

Nas provas finais do curso de direcção na École Normale de Paris foi-lhe concedida, por unanimidade, a mais alta classificação. Em 1978, fundou a Oficina Musical, grupo dedicado ao estudo e divulgação da música do séc. XX, do qual é director artístico.

Como chefe de orquestra, actuou à frente das principais orquestras portuguesas e ainda em Espanha, Colômbia, França, Alemanha e Itália. Devem-se-lhe primeiras audições mundiais e portuguesas de autores tão significativos como Janácek, Ives, Webern, Villa-Lobos, Varèse, Eisler, Dessau, Kurt Weill, Feldman, Ligeti, Georgescu, Láng, Finnissy, Acilú, Barce, Olavide, Marco, etc.

Tem participado, como compositor e membro de júri em concursos de composição , e como conferencista em vários cursos e festivais internacionais (Brasil, Chile, Colômbia, Alemanha, Espanha, Itália e Polónia). Esteve também presente, como crítico convidado, nos festivais de Royan, Berlim Leste e Varsóvia.

Colaborador habitual dos Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea, desempenhou as funções de maestro titular do Grupo de Câmara do Festival do Estoril desde 1979 até 1985.

Pelos serviços prestados à cultura musical foi agraciado com a Medalha de Mérito (ouro) da Câmara Municipal do Porto. É actualmente Presidente do Conselho Português da Música e membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre as suas principais obras contam-se as peças de câmara Palimpsestos, Ludi Officinales, Périplos, Quadrivium, Intermezzi e Taleae, e as partituras para orquestra Glosa e Fanfarra Sobre uma Fantasia de António Carreira e Tropos I.


Informação integral, aqui

(*)Virgílio, Georgicas, Livro III, 284.



Publicado por samartaime às 12:10 AM | Comentários (0)

abril 23, 2009



Azul (2).JPG

samartaime, «azul» (2), óleo s/tela, Fuzeta, 2008.


Azul (5).jpg
samartaime, «azul» (5), óleo s/tela, Carcavelos, 2009

Publicado por samartaime às 12:55 AM | Comentários (0)

abril 20, 2009

Recuerdos



DSCN1932esquecer a crise.JPG
(foto samartaime) - Ali uns manos fazem o que podem para esquecer a crise e a verdade é que saem de lá de olho brilhante, à gargalhada e correm a enfiar-se na primeira cervejaria que encontram - a Sereia, um pouco mais acima.


DSCN1935ZZZPresunto.JPG
(foto samartaime) - Outros manos, passam de largo nas montras que isto não está para patas negras.


ZZZ ao frio!.JPG
(foto samartaime) - E há sempre os sem eira nem beira, dia e noite ao frio!

Publicado por samartaime às 09:16 PM | Comentários (0)

abril 19, 2009



negro 2.bmp


Não, não me converti às cabalas negras, sequer me tornei uma fundamentalista do Tapiés.
Também não é o buraco negro do Boris Vian. Sequer um Musil - embora o mereça.
É uma espécie de quadrado da páscoa feito por mim ali no paint e arquivado aqui.
Quem não acreditar pode copiá-lo e ver que é um «negro2.bmp». E esta?!

Publicado por samartaime às 12:00 AM | Comentários (0)

abril 18, 2009

Chavela Vargas...


... faz hoje noventa anos!


Chavela e Almodovar.jpg


Parabéns, Chavela! E obrigada.


Chavela 11.jpgChavela 8.bmp




Publicado por samartaime às 11:38 PM | Comentários (1)

abril 12, 2009



FOTOS 126_ABR_08 001.jpg
samartaime, «Da saia que te fica a matar-me»(pormenor),óleo s/tela, 2009.


Publicado por samartaime às 09:08 PM | Comentários (0)

abril 08, 2009

Malangatana Ngwenya Valente



malangatanapic.jpg Pintor e Poeta de Moçambique e do Mundo

PENSAR ALTO

Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra

mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.

malangatana 2.jpg

EXPOSIÇÃO

As negras das lagoas
fazem exposição
de quadros nús e tristes
com os próprios corpos as artistas
pintam no fundo da parede de caniço

É uma exposição permanente
e uma galeria de quadros humanos
que se vendem na galeria livre
uma galeria mais que pública
inaugurada pelo primeiro que chegou

Os quadros adquiridos
são pagos no quarto da negra
depois de oferecer a sua carne
e o adquiridor nunca leva o seu quadro
fica para outro paraquedista


pmalagatana.jpg

Publicado por samartaime às 07:40 PM | Comentários (0)

abril 06, 2009

Ilha dos Amores 1.JPG
samartaime, «Ilha dos Amores», óleo s/tela, 100X80cm,1995.

Publicado por samartaime às 11:42 AM | Comentários (0)

Quatro poemas de Alberto Lacerda



Lourenço Marques Revisited

A água que murmura espectros lentos
O que houve e não houve e não volta nunca mais
Os quartos sem esperança que os guardasse
As casas sem anjo da guarda

A luz intensa bela e dolorosa
A adolescência dilacerada
A ternura dezoito anos recusada
Na casa dos Átridas
O crime horroroso que não houve
Mas as feridas abriram manaram um sangue
Que penetra implacável as fendas do sono
E me deixa acordado à beira da estrada
Com lágrimas que percorrem
Trinta e quatro anos


Moçambique

Ó Oriente surgido do mar
Ó minha Ilha de Moçambique
Perfume solto no oceano
Como se fosse em pleno ar

Não encontraste a rua

Não encontraste a rua
Não encontraste a casa
Não encontraste a mesa
No café que alguém
Por engano indicou.

Mas a cidade é esta
E não outra

Não encontraste o rosto

O anel caiu
Ninguém sabe aonde.


A Mouzinho de Albuquerque

Tinhas o germe odioso dos tiranos
O fogo sinistro da intolerância
Mas que era feito duma só palavra
Herói soberbo
Ó árvore gigantesca
Que tu próprio abateste
Em vez dos deuses
Que te contemplam a distância

Alberto Lacerda


Alberto de Lacerda (Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 — Londres, 26 de Agosto de 2007) foi um dos fundadores da revista de poesia Távola Redonda, juntamente com Ruy Cinatti, António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira.
O espólio do Poeta encontra-se em Lisboa, na Fundação Mário Soares.


Notícia do falecimento de Alberto Lacerda, no Times

Nota sobre Alberto Lacerda no Independent


Alberto Lacerda_Rui Filipe _1962.jpgRetrato de Alberto Lacerda,
pintura de Rui Filipe (1962)

Publicado por samartaime às 10:25 AM | Comentários (0)

abril 03, 2009

Moçambique



Mabunda1.jpg
Mabunda, sem título, acrílico s/tela, 80X100cm, (Moçambique?), 2000.


Mabunda.jpg Nascido em Moçambique em 1975, GONÇALO MABUNDA vive e trabalha em Maputo. É conhecido internacionalmente como escultor, tendo participado em várias exposições (Tóquio, Nova Iorque, Roma, Barcelona, etc., etc.). Mas é também um muito notável e marcante pintor moçambicano.

Publicado por samartaime às 10:13 PM | Comentários (0)

abril 02, 2009

LEONARD COHEN, 1979



Era bem claro, nessa noite,
o quanto a sua música
se afastava de «other forms
of boredom advertised as poetry»,
denúncia que se mantem válida.

Não serão bússolas duradouras
- tudo, enfim, falece -,
mas são palavras que nos protegem
da avalanche dos dias e dos meses,
destas poucas horas a que chamamos nossas.

Uma maneira de voltar a morrer?
Talvez,
quando até nas cinzas encontrarmos lume.

Manuel de Freitas

Publicado por samartaime às 03:39 PM | Comentários (0)