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maio 02, 2010

"Os versos agrupam-se em estrofes" e "o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)"...

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Ana Maria Mocho/Odete Boaventura, VOANDO... NAS ASAS DA FANTASIA

Sento-me ao lado do Henrique, o meu filho mais novo, que está a estudar (ou a fingir que estuda). Peço-lhe que me fale sobre o que está a ler. Em vez de falar sobre, começa a papaguear o manual (a página que reproduzi em cima). E eu... começo a irritar-me. Não com ele, mas com os autores dos programas e dos manuais (neste caso, de Língua Portuguesa). Só poderá ser mesmo gente frustrada do prazer da leitura e da literatura. Quem escreve que "os versos agrupam-se em estrofes" (escrevo poesia há quarenta anos e raramente agrupei os meus "versos" em "estrofes") e "o monóstico pertence à estrofe (anterior ou posterior)"... não regula bem. Mas é esta gente que conduz, diariamente, os alunos a odiarem a poesia (e a literatura, em geral). Que produz programas de ensinança, idiotas, e elabora manuais de estudo, aterradores e deprimentes. Digo-vos: hoje, domingo, tive vergonha de ser professor. E de escrever poesia, desestrofada...
Dos... monósticos, por pudor, não falo...

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

abril 26, 2010

Parabéns, Alexandre!...

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O mocinho da fotografia perfaz hoje... 35 anos. Dá pelo nome artístico de Alex Santos e é... o meu filho mais velho. Só não nasceu no dia 25 de Abril por razões... eleitorais. Ele sabe disso e não se queixa...
Aqui para nós que ninguém nos lê, parabéns, Alexandre!...

março 25, 2010

O que se diz quando se fala do que se não é...

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(...)
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Sábado, 25.03.2010

Se eu não tivesse um filho daltónico... saberia, provavelmente, muito pouco sobre o daltonismo. Este "mestre" leu umas coisas, mas continua a dizer, sobre o daltonismo e os daltónicos, ligeirezas. Por exemplo: que os daltónicos não vêem o arco-íris. Claro que vêem: só não o vêem como aqueles que o não são. Ou que, relativamente à bandeira nacional, não são capazes de a colocar na posição correcta. Claro que são: a não ser que sejam atrasados mentais. É caso para dizer: em terra de daltónicos, quem distingue as cores primárias... é rei. Digo: "mestre"...

março 12, 2010

"O gajo é lento!"...

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Jantávamos. Quando, inesperadamente, apareceu José Gil no Jornal das Nove, da SICNotícias, pedi aos meus filhos mais novos que... prestássemos atenção. O Henrique (11 anos) fingiu adormecer. O Francisco (17 anos) fingiu que ressonava. Interrogado por Mário Crespo, José Gil lá foi debitando as vulgaridades do costume. No fim, pedi ao Henrique um comentário. Saiu, fulminante: Pai, o gajo é lento! E o Francisco acrescentou: estava sempre a repetir-se!
José Gil ainda não aprendeu o óbvio: a televisão é um meio estranho à filosofia e ao professorado. Se fosse um pouco mais clarividente ou um pouco menos vaidoso, recusaria liminarmente todos os convites para ser interrogado em directo por um Mário Crespo qualquer. Os ritmos da televisão não conjugam com os ritmos do pensamento ruminante. O Henrique, nos seus onze anos, poderia ensinar José Gil a dialogar um pouco melhor com o espelho...

março 08, 2010

Improviso para F ...

Os outros
parecem-te sempre de mais
ou porque arrefeças
nos corredores sombrios
em que te esperam
ou porque ignorem ainda
a medida mais próxima
dos teus medos imaturos
não têm braços nem mãos
e falam dialectos ilegendáveis
os outros
o teu desespero
com toda a esperança dentro.

Ademar
08.03.2010

janeiro 13, 2010

Improviso para dizer, discretamente, ao ouvido de um filho...

Para o Francisco, que hoje perfaz 17 anos...


Todas as pessoas
até os pais
são seres imaginários
ninguém fora de nós
faz inteiramente parte de nós
há muitas estranhezas
que cobramos ao pensamento
quando batemos à porta
de tudo o que está para além
do que podemos tocar
um dia perceberás que só a poesia diz
o que o olhar não fala.

Ademar
13.01.2010

julho 19, 2009

Uma... preciosidade...

maio 21, 2009

Quem comeria, quem comeria este "fruto proibido"?!...

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Correio da Manhã, 20.05.2009

Fartou-se de crescer esta mocinha...
Francisco: chega-me aí os óculos escuros!...

maio 14, 2009

Improviso para Franciscar...

Já não sei contar estórias
nem histórias
mas o Francisco pergunta
por que escrevo estória
em vez de história
e história
em vez de estória
e eu conto
o amor não se vende
nem se aluga
oferece-se apenas
não tem mercado.

Ademar
14.05.2009

abril 19, 2009

Um poema (quase plagiado) do meu filho Francisco...

Improviso para coser estrelas...

Noites bem presas ao chão
de um piano, um baixo e duas guitarras
ou seria uma bateria electrónica
nas batidas bem definidas
de um sonho de Henrique
dias quentes e secos
são uma merda
mas é a natureza
um ensaio na garagem
da surdeira
é a verdade da ciência, antes...
e depois.

Francisco Ademar Sarmento


Poema baseado num bloguista português

abril 15, 2009

Improviso ferroviário (para uma exposição)...

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Muitos comboios chegaram e partiram
no cais da minha vida
nem todos me trouxeram ou levaram
mas viajei em todos eles
como se fizessem parte de mim
já não sei o que é uma catenária
mas ainda serei capaz
pelo menos na memória
de me equilibrar sobre os carris
e adivinhar nos pés descalços
o rumor da aproximação das locomotivas
o meu rio da infância
corre entre paralelas de ferro
e desagua numa ponte
que já não existe.

Ademar
15.04.2009

A dificuldade de explicar tudo isto ao meu filho de 11 anos que frequenta esta Escola...

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(...)
Correio da Manhã, 15.04.2009

Há muitos anos tive um "colega" (por sinal, também de "Português) que fazia exactamente isto que é aqui descrito: levava pornografia para as aulas, fazia comentários de teor erótico à aparência física dos alunos (diante deles) e tentava satisfazer-se sexualmente com os rapazinhos (fora da escola, naturalmente). Era muito católico, claro, e tinha o atrevimento de dizer que ninguém o atingiria. Teve, apenas, o azar de esbarrar com um Director de Turma e uma Presidente do Conselho Directivo que se estavam a marimbar para os galões que ostentava e que participaram dele à Inspecção. No inquérito, o instrutor só deu como provado que o crápula levava pornografia para as aulas e fazia comentários soezes diante dos alunos. Relativamente aos abusos sexuais, o instrutor não terá conseguido, no seu critério (muito discutível), reunir prova bastante, apesar dos depoimentos nesse sentido de vários alunos. Conclusão: o pedófilo pornógrafo foi suspenso por dois anos da actividade lectiva, mas continuou, depois disso, a exercer a profissão. O caso, que eu saiba, não chegou ao conhecimento do MP. Se chegou, não terá tido consequências, porque o pedófilo, que eu saiba, ainda hoje é professor (embora, prudentemente, tenha saído do país).
Não sei, obviamente, se a professora a que se reporta esta notícia praticou ou não os factos de que está acusada (nem sei se, porventura, a conhecerei). Mas, se se vier a provar a sua culpa, espero que não volte mais a desempenhar funções docentes. Quem, descontroladamente, padece de determinadas parafilias (ao ponto de pretender satisfazê-las com os alunos) não pode, obviamente, ser professor. Já basta o que basta...

fevereiro 19, 2009

The Moody Blues... eles também envelheceram...não fui só eu!...

Devo ter, em vinil, a discografia completa, que já não ouvirei há muito mais de 20 anos. Hoje apetece-me partilhar convosco um dos grupos favoritos da minha juventude: The Moody Blues. Os meus filhos, certamente, não estranharão. Nem a minha irmã...

janeiro 24, 2009

Como não há professores de inglês, contentai-vos com "expressão dramática"...

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Diário do Minho, 24.01.2009

Esta foi a primeira escola que frequentei. Esta também foi a "escola primária" do meu filho Francisco. Fica no centro histórico de Braga, a poucos metros da Sé, e há muito que impende sobre ela a ameaça (nem sempre velada) de extinção. É, porém, no país, uma das poucas escolas do 1º ciclo do Ensino Básico (escola estatal, note-se) que tem... identidade. E qualidade. O problema é que a maior parte das câmaras municipais deste jardim à beira-mar plantado (como a de Braga) costuma dar mais atenção ao futebol e ao imobiliário do que à educação. E esta escola está a prejudicar o "investimento" numa das áreas mais sensíveis do centro da cidade. Daí que a Câmara "socialista" (desde 1977) lhe coloque permanentemente dificuldades. Já era assim no tempo em que integrei a direcção da Associação de Pais. Nada, pelos vistos, depois, se alterou. A sobrevivência desta escola é quase um milagre de resistência cívica...

janeiro 05, 2009

O meu filho Francisco sugere que aponteis as diferenças...

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A Bola, 05.01.2009
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Record, 05.01.2009
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O Jogo, 05.01.2009

dezembro 30, 2008

Um país de... flautistas...

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O Henrique, o meu filho mais novo (nascido em 98), está no 5º ano. A música é uma das suas paixões. De resto, tem formação musical, extra-escolar, há vários anos. Se as classificações escolares tendessem a reflectir os conhecimentos e as competências dos alunos, o meu filho, normalmente, teria 5 na disciplina de Educação Musical. Teve 3, a sua classificação mais baixa (nas demais disciplinas, teve 4 ou 5). Pedi-lhe que me explicasse o aparente "inêxito" numa disciplina em que deveria ser um... craque. Encolheu os ombros e respondeu: "ó pai, é uma seca!". O que é uma... seca? quis saber. "É só flauta, flauta, flauta"...
Infelizmente, ele tem razão. A escola pública portuguesa, em matéria de formação musical, parece há muito hipotecada a um único desígnio: formar flautistas. Sabe-se com que sucesso...

dezembro 05, 2008

Um vídeo sugerido pelos filhotes...

dezembro 03, 2008

Dou a mão à palmatória: o senhor secretário de estado tem razão!

Contestando os números de adesão à greve avançados pelos sindicatos, Jorge Pedreira garantiu, à hora de almoço, que 75% das escolas portuguesas, pelo menos, estavam abertas. Confirmo. Esta manhã visitei as escolas públicas frequentadas pelos meus dois filhos mais novos (uma escola EB 2,3 e uma escola secundária) e testemunhei que estavam abertas. Em nenhuma delas houve aulas (ou seja, todos os professores tinham aderido à greve), mas estavam abertas. Se, a partir da experiência, posso extrapolar da amostra, diria (corrigindo o senhor secretário de estado) que todas as escolas públicas portuguesas estiveram hoje abertas. E, porém, foi a maior greve de professores de sempre...

outubro 26, 2008

Vídeos que os meus filhos me ajudam a descobrir...

setembro 19, 2008

Saia mais um teste-diagnóstico para a carteira dos espertos!...

Diálogo surrealista entre um pai e dois filhos...

- Então, a primeira semana escolar?...
- Eu só fiz testes diagnósticos.
- Eu, também.
- E correram-vos bem os testes de diagnóstico?
- Correr bem?
- Correr bem?
- Fiz alguma pergunta idiota?
- Ó pai, os profs, o que querem, é que corram mal!
- Saíram matérias que eu nunca dei!
- Os profs. querem que os testes vos corram mal?
- Claro! Nem pareces prof!
- Uma prof. disse-nos que as notas não contam.
- Um prof. avisou-nos que o teste era difícil e que íamos ter notas muito baixas.
- Ai é?
- Ó pai, estás a gozar connosco!
- A prof. de (...) disse que é bom para os profs que os alunos, nos testes diagnósticos, tenham notas muito baixas.
- Ai é?
- Ó pai, estás a gozar connosco!
- Se as notas dos alunos, no fim do ano, forem muito melhores, os profs. ficam bem classificados!
- Ai é?
- Ela disse que é por causa da avaliação dos profs.
- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Mais palavra, menos palavra, este foi o diálogo que esta noite, ao jantar, mantive com os meus filhos ainda estudantes. Fiquei absolutamente estarrecido. Eu já sabia que a chamada avaliação diagnóstica ia passar a ser uma farsa. O que eu não imaginava é que os alunos percebessem tão depressa...

setembro 14, 2008

Estou na Lua...

Quando o Alexandre, aí com doze ou treze anos, me deu a ouvir pela primeira vez Estou na Lua... sorri e disse as palavras de circunstância que um pai costuma dizer sempre a um filho, quando o filho partilha com ele as suas invenções. Estava então muito longe de imaginar que, passados uns anos, Portugal inteiro cantaria esta musiquinha. Recordo-a aqui, neste vídeo, só para chatear o meu filho!...

junho 21, 2008

Ainda a Matemática...

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Público, 21.06.2008

Começo por uma espécie de declaração de interesses: tenho um filho no 9º ano (o Francisco), que fez ontem esta prova. E também ele a considerou... fácil, opinião, de resto, corroborada pela mãe (psicóloga), que reviu e corrigiu com ele a prova. Convém, porém, dizer que o Francisco, não "estudando" muito e considerando a escola e as aulas "uma seca", sempre foi um "bom aluno" a Matemática (principalmente, porque sempre foi muito estimulado pelos pais a desenvolver o cálculo mental a partir da resolução de problemas) . Nos dois testes de simulação do exame, feitos no terceiro período, obteve, respectivamente, 100% e 88%. Pelo que fez ontem, penso que terá no exame uma classificação que não andará muito longe desses valores. E só não terá 100% porque... continua a controlar mal a ansiedade (um dos problemas, aliás, dos... exames).
Numa perspectiva meramente egoísta, e pensando apenas no Francisco, eu preferiria que a prova tivesse sido mais difícil. Mas eu sou professor e sei muito bem do que a casa gasta. A formação lógico-matemática dos nossos alunos do básico, em geral, é absolutamente catastrófica. E há muitos anos que recebo no secundário rapazes e raparigas que, para além de não saberem a tabuada, não são sequer capazes de enunciar e resolver, por exemplo, uma regra de três simples. Já escrevi muito sobre isto e sobre as suas causas. E é por isso que reajo sempre tão mal à demagogia e à verdade sobranceira dos... "sábios" (putativos ou encartados)...
Nuno Crato, por exemplo, convertido nos últimos anos em guru do ensino da Matemática, considera que a culpa é da... pedagogia romântica e do eduquês. Ou seja, a culpa não estaria tanto nos currículos, nos programas e na organização dos processos de aprendizagem, mas nos métodos de ensino, métodos esses que seriam impostos ou sugeridos pelos burocratas do Ministério da Educação, malevolamente influenciados pelo construtivismo.
Devo dizer, ao contrário do que, por vezes, possa parecer, que em alguns aspectos reconheço que Nuno Crato tem razão. Eu também concordo, por exemplo, que "não é limitando a aprendizagem de rotinas que se desenvolve o raciocínio independente". E também considero que "a formação de base", a aquisição e assimilação de "padrões de raciocínio," é essencial e determinante da aprendizagem. O problema passa por aqui, mas não se esgota aqui.
O raciocínio lógico-matemático desenvolve-se em espiral, a partir do entendimento do mundo e da vida que o aluno é estimulado a estruturar. Parte do reconhecimento da realidade para uma crescente abstracção. E esse é o papel dos professores: orientar e amparar os alunos nessa viagem interior. O conhecimento que não seja permanentemente integrado e assimilado gerará apenas uma ilusão de conhecimento, que a higiene da memória condenará rapidamente ao... esquecimento. Mas isso implicará não apenas a individualização do ensino, adequado às capacidades e aos ritmos de aprendizagem de cada aluno, mas também uma flexibilização de programas e conteúdos. A ideia de que todos os alunos, independentemente da sua maturidade e dos conhecimentos que já assimilaram, são capazes de aprender tudo ao mesmo tempo, só porque o professor ensina bem, é uma ideia quase criminosa. O currículo tem de ser sempre ajustado individualmente e de uma forma... construtiva. E isso só se consegue com diversificação de métodos e de rotinas, permanente atenção ao percurso de aprendizagem de cada aluno e... inteligência pedagógica, muita inteligência pedagógica. Exactamente o contrário do que sucede há muitos anos na escola portuguesa. Mais chumbo, menos chumbo, mais exame, menos exame, a escola portuguesa, em matéria de ensino e de resultados de aprendizagem, não difere em quase nada da escola que eu comecei a frequentar como aluno há 50 anos atrás. Nuno Crato, apesar dos galões que tanto gosta de ostentar, ainda não percebeu isto...

junho 13, 2008

Parabéns, Henrique!...

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Quem quiser perceber, releia aqui. O Henrique faz hoje anos...

abril 30, 2008

Duas imagens com endereço...

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Janeiro de 1995. Aveleda. O Francisco e o Baixinho. O Francisco tem hoje 15 anos. O Baixinho teria um pouco mais, se ainda existisse. Não sei se a Laura conhece esta fotografia. Se o Segundo Volume do Diário fosse ilustrado, esta imagem teria de lá estar. Em vários momentos. Há Diários que têm mais vida dentro do que a maior parte dos romances...

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Julho de 1995. Aveleda. Ainda o Francisco. À direita, estava a Laura, que não aparece na fotografia. A memória extravasa sempre o olhar...


abril 29, 2008

Improviso sobre um azulejo...

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Uma criança perguntou-me hoje
se a felicidade podia ser estampada
num azulejo
estampada não
respondi
tecida apenas
a fonte da felicidade
está no tear
(expliquei-lhe o que era um tear)
e na inteligência das mãos
que distinguem e entrelaçam os fios
disse-me que entendera.

Ademar
29.04.2008

abril 05, 2008

Este post é apenas para os meus filhos...

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Fostes vós, Alexandre, Francisco e Henrique, que me obrigastes a ser adepto do FCP. Hoje, fui campeão convosco. Tricampeão. Parabéns!...

março 27, 2008

Cinco fotografias para a Laura, em dia de aniversário...

Esta é a forma mais simples de, publicamente, te dar hoje os parabéns... Presumo que não vias, há muito, estas fotografias. Podia ter escolhido outras: escolhi estas. Não saberia dizer porquê. Talvez tu saibas. Tens sempre uma explicação racional para tudo...

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Esta fotografia, tirada na Póvoa de Varzim, está datada pelo punho do nosso pai: 23.07.1961. Muitas vezes foi assim nas nossas vidas: eu sorria, enquanto tu choravas. Os cancros que te visitaram (eu sei e tu sabes) são lágrimas que erraram a alma...

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No segundo volume do Diário escreves sobre o Baixinho. Este, no teu colo de adolescente, é o Tzara, um cão surrealista. Ao fundo, uma ponte centenária que já não existe. Sobre ela, como atestam outras fotografias, tinham namorado os nossos pais. À distância, como na época se impunha. A mesma distância, aliás, a que sempre nos guardaram...

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Eu tenho o hábito de não datar as fotografias que faço, como se, afinal, aspirasse a que o tempo não entrasse por elas. Este é um pormenor de uma fotografia tirada pouco antes do 25 de Abril, num estádio que ainda se chamava 28 de Maio. Um ano depois, derrubada a ditadura, passaria a... 1º de Maio. Lembras-te das palavras cínicas e sábias de Tomasi di Lampedusa? É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma...

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Diante desta mesma coluna, na Aveleda, posaram quase todos, os velhos e os novos (como na sequência final de um filme de espectros). Como diante do espigueiro, que aliás já não existe. A eternidade das coisas não está em nós, mas nelas próprias. Esta fotografia sobreviver-nos-á...

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Este é o "menino" a que te diriges, comovedoramente, no segundo volume do Diário. A fotografia é de Agosto de 1993: tinha então o Francisco 7 meses. Passaram 15 anos. As partituras voam agora sobre o piano...

fevereiro 09, 2008

Um post apenas familiar...

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Este post é só para "chatear" os meus filhos mais velhos: o Alexandre (em cima) e o Francisco (em baixo). O Alexandre já é um trintão e o Francisco, hoje com 15 anos, já é mais alto (e continua a ser muito mais bonito) do que o pai.
Deixo o Henrique, o benjamim, de fora, porque ainda tem apenas 10 anos e a internet, nestas coisas, não se recomenda a imprudências...

setembro 13, 2006

"Life is a video game"...

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É cada vez mais difícil ser pai e educador...

Tenho a sorte de ter um filho adolescente que adora jogar futebol e que é capaz de trocar quase tudo pelo prazer de pontapear uma bola. Quando vejo os colegas dele fechados em casa a simular assaltos e a "matar polícias" em jogos de video, mais ainda me apetece alimentar a paixão do Francisco pelo futebol.

De vez em quando (a pressão dos pares, na adolescência, é terrível), o Francisco "namora" certos jogos de video. O último chamava-se "GTA San Andreas". Percebi que era o jogo da moda entre os colegas. Vi a "bula" e fiquei assustado. É um jogo que simula assaltos e assassinatos de polícias, numa cadeia verdadeiramente infernal de violência gratuita. A empresa que comercializa o jogo, farisaicamente, desaconselha a sua venda a menores de 18 anos. Não sei, francamente, se é uma estratégia de promoção do produto...

Hoje, no excelente "60 Minutos" da CBS, vi uma reportagem sobre um miúdo negro norte-americano, Devin Moore, que, inspirado num jogo de video chamado "Grand Thetf Auto" (que consumia obsessivamente), matou 3 polícias no espaço de um minuto. O miúdo limitou-se a transpor para a realidade um exercício que, diariamente, simulava na sua consola. Quando lhe perguntaram por que tinha feito aquilo, terá respondido tranquilamente: "life is a video game!".

Perguntei ao Francisco se conhecia o jogo. Ele não hesitou: "claro, é o jogo que tu não me deste no dia dos meus anos!". A ligação não me ocorrera: GTA=Grand Theft Auto...

Tenho a certeza de que, a esta hora, milhares de adolescentes em Portugal estão a jogar em suas casas (ou nas casas dos amiguinhos) o Grand Theft Auto, contando polícias mortos. A vida, para eles, de facto, não passa de um sinistro "video game"...

Março.2005

recuperado de abnoxio.blogs.sapo.pt