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março 27, 2010

Uma nota melancólica...

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Foi na década de cinquenta que o meu tio António Lopes Ferreira, sucedendo nos negócios da família ao meu avô materno, fundou em Braga a "Sorte à Vista", para fazer frente à "Casa da Sorte", de Nogueira da Silva. A denominação criada pelo meu tio pegou de estaca e ainda hoje, depois da sua morte, ela perdura no centro da cidade. Vê-la aqui associada ao futebol de todas as manhas, negociatas e trapaças... entristece-me profundamente. Braga, apesar de tudo, é muito mais do que isto...


fevereiro 09, 2010

Desci muitas vezes estas escadas e espreitei a mina misteriosa, depois daquela porta, além daquelas grades. Mas nunca entrei, nunca desci além de mim. Onde está a chave, quem a tem?...

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fevereiro 06, 2010

Como o casamento entre pessoas do mesmo sexo destrói o casamento natural...

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Público, 06.02.2010

Com artigos como este, a minha irmã tem o inferno garantido. Lá nos encontraremos!...

maio 25, 2009

Grande Reportagem SIC: "Confesso que vivi"...

Corrigenda: onde se lê "Luís Simões" deverá ler-se "Luís Mourão"...

maio 21, 2009

Só é pena terem trocado o nome à minha irmã...

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Visão, 21.05.2009

E, no mês de Maio, o mês de todos os milagres, a minha irmã deixou de ser Laura Ferreira dos Santos para passar a ser Laura Santos Ferreira. Espero que ela não fique muito deprimida...

março 17, 2009

A "minha" Brasileira...

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Público, 17.03.2009

Quando eu era criança e comecei a acompanhar, digo, a servir de bengala ao meu avô Agostinho, havia duas Brasileiras, frente a frente, cada uma no seu gaveto: a Brasileira Velha e a Brasileira Nova. Ouvi, mil vezes, contar a estória: na segunda guerra mundial, os "anglófilos" e os "germanófilos" de Braga não partilhavam a mesma Brasileira. Os adeptos dos aliados frequentavam a Brasileira Velha. Os adeptos dos nazis e dos fascistas aglomeravam-se na Brasileira Nova. O meu avô, como todos os "democratas" de Braga, frequentava (e eu, atrelado a ele) a Brasileira Velha. Foi neste santuário, que hoje reabre ao público, que eu comecei a perceber que a unanimidade em torno de Salazar era uma grande mentira. A Brasileira Nova já morreu. Morreu na enxurrada do 25 de Abril...

março 16, 2009

Quase cem anos depois, Core 'ngrato, que o meu pai, discretamente, escutava e o Rubem, hoje, me recomendou que voltasse a ouvir...

fevereiro 20, 2009

Nunca hei-de entender como, em Portugal, certos políticos conseguem sempre fazer excelentes negócios imobiliários, exibindo meios de fortuna cuja origem, aparentemente, escapa ao entendimento comum...

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Público, 20.02.2009

Por outro lado, nunca me esqueço de que, um dia, há muitos anos, um empreiteiro procurou um tio meu, pedindo-lhe que me comunicasse que, se eu desistisse de publicar uma determinada investigação, ele me venderia por um preço simbólico um magnífico T3 no prédio que, ilegalmente, estava a construir, com a conivência de um presidente de câmara. Pensei: se o silêncio de um jornalista se "comprava" com a promessa de um apartamento, quanto valeria a conivência do autarca?!...
É, por isso, que eu continuo a rir quando leio certos desmentidos...

janeiro 19, 2009

Estes professores não apenas fizeram greve, oferecendo ao Estado um dia de salário, como pagaram do seu bolso uma "publicidade" de página inteira num diário regional...

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Diário do Minho, 19.01.2009

Foi nesta escola, que já foi Comercial e Industrial, que estudou, há muitos anos, o meu pai. Tiro o chapéu aos colegas que decidiram, desta forma, afrontar o ME em mais um dia de greve nacional de professores...

janeiro 13, 2009

Ouvindo ainda um dos autores preferidos do meu pai...

setembro 20, 2008

Morte assistida: um depoimento contra a hipocrisia...

agosto 29, 2008

Os romanos não deviam ter andado por aqui!...

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Diário do Minho, 29.08.2008

Seja como for, aproveito a oportunidade para informar: se alguém quiser comprar o primeiro prédio que, ainda que parcialmente, se vê, na foto, à direita, eu vendo (por bom preço, claro!). Tem vistas, amplas, sobre o túnel e as futuras necrópoles...


agosto 01, 2008

O meu reencontro com a Maria João...

A partir de hoje, o meu Tio António faz companhia à Maria João. São quase vizinhos. A Maria João era, é uma querida amiga, que encontrou a morte a fazer montanhismo nos Picos da Europa. O seu último companheiro, escultor, fintou a violência da perda, rodeando-a de peças que eu ainda não conhecia, quer no cemitério, quer num terreno adjacente. Sem mais palavras e sem mais lágrimas, reproduzo as imagens que colhi...

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Uma fotografia antiga do meu Tio António...

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Foi esta tarde a enterrar, com 86 anos, este garboso rapaz. O meu Tio António sempre foi um dândi e um cavalheiro, como lembrava hoje, à porta do cemitério, a Maria da Luz, que tão bem o conheceu. Há muitos anos que eu não via esta foto. Naturalmente, já não conheci assim o meu Tio António, mas sei muito bem que ele não gostaria de ter morrido como morreu. O Alzheimer coloca-nos sempre perante a violência do absurdo...
Eu não quero morrer assim...

julho 31, 2008

António Lopes Ferreira: até sempre, Tio!...

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A morte, mesmo quando há muito esperada, tem quase sempre, pelo menos, o efeito de fazer explodir a memória. Hoje, morreu o homem que mais terá marcado a minha formação: o meu Tio António. Raramente lhe ouvi uma reprimenda e muitas vezes lhe pedi ajuda ou ele ma deu, sem eu pedir. Provavelmente, ele ver-me-ia mais como filho (filhos que nunca quis ter) do que como sobrinho. Criança, adolescente e jovem, era com ele que eu me abria e era a ele que eu fazia as perguntas que não seria capaz de colocar a mais ninguém. E era comigo, também, que ele se abria, contando-me coisas que, provavelmente, a mais ninguém contaria. E eu ficava sempre, fascinado, a ouvi-lo. Foram milhares de almoços (que, muitas vezes, entravam pela tarde dentro), foram milhares de horas de conversa...
Acho que aprendi a conhecer o mundo e as pessoas através do olhar (frequentemente cínico) do meu Tio António. Empresário de fachada (como gostava de se dizer), ele era sobretudo um jogador (profissional) e, como jogador, uma personagem verdadeiramente deslumbrante, que me parecia sempre acabada de sair de uma narrativa de Dostoievski (autor, aliás, que ele conhecia bem). Durante décadas, o meu Tio António foi, talvez, um dos melhores jogadores de poker sintético do país e um dos mais conhecidos e respeitados, pela elegância, pela inteligência e pela argúcia com que jogava. Acompanhei a sua carreira, quase diariamente, durante muitos anos. Ele contava-me quase tudo, sabendo que, aquilo que me contava, ficaria sempre entre nós. Eu sabia com quem ele jogava: grandes empresários, "aristocratas" de meia tigela, filhos-família, "doutorzecos" (como ele, em geral, os qualificava), até padres e cónegos. Recordo-me bem de algumas "mesas" em que ele participou, mesas em que, numa noite, se perdiam e ganhavam pequenas fortunas. E ele partilhava comigo, regularmente, a sua contabilidade de ganhos e perdas. E, apesar de ser um ganhador (um grande ganhador), sempre me chamava a atenção para os riscos do jogo profissional, recomendando-me que jamais experimentasse ou me deixasse seduzir. E eu fiz-lhe a vontade...
Aliás, era curioso que ele raramente apostava nos casinos que, por razões sobretudo sociais, frequentava. E dizia sempre que, nos casinos, toda a gente está, estatisticamente, condenada a perder. Por isso, ele só jogava profissionalmente o poker e o rummy (ou rami), jogos de aposta em que sabia, claramente, ter vantagem sobre a concorrência. E no dia em que sentiu que, irreversivelmente, começava a perder faculdades (o Alzheimer declarava-se), decidiu, pura e simplesmente, "encostar": "a partir de agora, vou jogar baratinho, só para entreter"...
Devo ao meu Tio António muitas outras descobertas. Humphrey Bogart, a quem ele roubara o chapéu e uma parte da figura e da pose. Clark Gable. Fred Astaire, que ele, adolescente, imitava (como lembrava, frequentemente, a minha mãe). Frank Sinatra. Bing Crosby. Marlene Dietrich...
Aprendi com ele a detestar o salazarismo e a igreja católica. E a desconfiar das multidões e dos rebanhos. Era um liberal e um individualista. E um céptico, muitas vezes, um cínico.
Não conheci ninguém mais perfeito do que ele. E mais imperfeito...
Obrigado, Tio, por ter existido!...

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