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maio 16, 2010

O segundo "Forrest Gump" do Partido Socialista...

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Expresso-Única, 15.05.2010
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Ele há... coincidências! Não tenho aqui, de momento, o exemplar da revista do Expresso de 24 de Julho de 2004, em que Sócrates, também numa longa entrevista, se dizia um "animal feroz". Mas quase poderia jurar que a entrevista era ilustrada com, pelo menos, uma fotografia de Sócrates também sentado num banco de jardim (espero que não fosse o mesmo banco em que se senta agora Seguro). Se a memória não me trai, faltava à fotografia de Sócrates como Forrest Gump a assinatura da sombra, que agora pode ser vista na fotografia de Seguro. Como os políticos portugueses, quando se prestam à pose, são tão primários e tacanhos!...

A última crónica de Saldanha Sanches, um dos heróis da minha geração...

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Expresso, 15.05.2010

Nunca nos cruzámos na mesma família partidária, mas, sobre todas as divergências, posso dizer que foi uma honra partilhar o país com ele. Até sempre, Saldanha Sanches!...

março 14, 2010

Improviso para Jean Ferrat...

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março 05, 2010

O Público faz hoje vinte anos...

Há vinte anos que leio o Público diariamente. Mesmo no estrangeiro, nunca deixei de comprar o jornal... e, regressado à terrinha, era no Público que me punha a par do que, entretanto, acontecera no país e no mundo. Os principais jornalistas do núcleo fundador do projecto do Público (Vicente Jorge Silva, Nuno Pacheco, José Manuel Fernandes, Joaquim Fidalgo, José Queirós, para só referir alguns) tinham sido meus colegas no Expresso. Perceber-se-á, por isso, a atenção com que sempre acompanhei o percurso do jornal e que, no Público, tenha encontrado guarida para a publicação de alguns artigos (como, actualmente, acontece com a minha irmã). Folheando os meus arquivos, descobri o primeiro artigo que publiquei no jornal, em Janeiro de 1992. Recupero o título e um excerto. E assim me associo hoje à comemoração do vigésimo aniversário do Público...

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Público, 08.01.1992

dezembro 16, 2009

Fechou o Avenida...

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Avenida Central era um blogue bracarense em forma de tertúlia, feito por gente infinitamente civilizada. Acabou. Ao seu principal mentor, o Pedro Morgado, só poderei agradecer a companhia ilustre que proporcionou ao abnoxio, nestes últimos três anos. A blogosfera ficou mais pobre. Os espertalhões à moda de Braga terão menos com que se preocupar. Calou-se mais uma voz que arranhava a cobardia. Espero apenas que outras avenidas se abram...

novembro 22, 2009

Quem não se recorda do... "miles y miles"? Portugal, 1974...

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Notícias Sábado, 21.11.2009

Alguns leitores terão conhecido o personagem. Havia quem suspeitasse que ele trabalhava para a CIA. Outros, que não passaria de um aldrabão e de um oportunista. Alojei-o em minha casa durante alguns dias. Naquele tempo, todos os chilenos expatriados eram, em Portugal, recebidos como heróis. Ouvi-lhe muitas estórias. Algumas, só percebi depois, não passavam de estórias da carochinha. Não sei se Skármeta conheceu a criatura. Sei, apenas, que certamente o inspiraria...

novembro 05, 2009

A Escola de S.João do Souto, em Braga, e "os crucifixos na parede"...

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i, 04.11.2009
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Há cinquenta anos, de facto, era assim. Todas as salas de aula da então Escola Primária de S.João do Souto exibiam nas paredes o medonho crucifixo. Deve ser a esse tempo que se reporta a entrada da notícia do i. Digo isto porque, quando o meu filho Francisco, mais recentemente, frequentou a mesma Escola, os crucifixos já tinham sido, há muito, retirados das paredes. E não estou a ver que, depois disso, a situação se tenha alterado. Mas não deixa de ser curioso que, em 2009, o i garanta que as salas da Escola de S.João do Souto "continuam a exibir crucifixos na parede". Continuam? Em que parede, exactamente? E quantos crucifixos?...

outubro 17, 2009

Lino Ferreira...

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Público, 17.10.2009

Entre 2002 e 2005, Lino Ferreira (na fotografia) desempenhou as funções de Director Regional de Educação do Norte, Tivemos pegas monumentais e, em algumas reuniões, quase nos chegámos a insultar. Mas sempre deu a cara, nunca mandou recados por ninguém. E, na fase terminal do seu mandato, passou de adversário do projecto e da Escola da Ponte a seu aliado, batendo-se pela aprovação do contrato de autonomia que propuséramos. Apesar das divergências e das discussões que tivemos, sempre nos respeitámos. E não fora o empenhamento de Lino Ferreira, ainda hoje a Escola da Ponte não teria a sua autonomia, formalmente, reconhecida...
Ironia das ironias: foram aqueles que, na oposição, mais declarações de amor fizeram à Escola da Ponte que, no governo, lhe viraram as costas, pondo em causa a sobrevivência de um projecto educativo que, no passado, tanto tinham elogiado. Espero para ver até onde irá o descaramento do PS, sendo certo que, nas actuais condições, a Escola da Ponte não sobreviverá por muito mais tempo...


setembro 17, 2009

Mary Travers: "And When I Die"...



Morreu Mary Travers. Quantos faltam?...

setembro 02, 2009

Uma mesa: nota saudosista...

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Correio da Manhã, 02.09.2009

Nas extremidades desta mesa, dois ex-colegas meus de curso e de turma, na Faculdade de Direito de Coimbra: o António Marinho e a Anabela Rodrigues. No primeiro ano, pelo menos, era norma sentarmo-nos nos anfiteatros por ordem alfabética. Na primeira fila, os alunos cujos nomes começavam por A. Antes de mim, Ademar, havia dois ou três, já não me recordo. A seguir a mim, o Adriano. E depois do Adriano, à nossa esquerda, a Ana Costa Almeida, a Anabela Rodrigues, os Antónios todos, incluindo o Marinho Pinto. Nos primórdios da década de setenta, as mulheres ainda eram raríssimas na Faculdade de Direito de Coimbra. Professoras, não havia. Se a memória não me está a pregar uma partida, a Anabela Rodrigues foi a primeira ou uma das primeiras mulheres a doutorar-se na Faculdade e a assumir a regência de uma cadeira. Era uma mulher muito bonita e uma colega estimável: delicada, companheira, solidária. Ainda hoje, mais de trinta anos volvidos, mantenho o mesmo apreço pessoal pela Anabela. E a mesma amizade pelo Marinho. É gente boa: gente que nunca fez malfeitorias (nem precisou de vender a alma ao diabo) para se impor...

agosto 30, 2009

Um Museu do Chocolate, em Astorga: conseguis imaginar o recheio?...

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agosto 19, 2009

Uma valsa para lembrar Federico García Lorca, no dia em que foi assassinado...

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Federico García Lorca, Poesía

agosto 14, 2009

Há lugares onde estou sempre a morrer...

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Foi aqui, nos Picos da Europa, que a Maria João veio morrer. Olho para estes maciços e não consigo abstrair: a memória persegue-me e asfixia-me...

julho 31, 2009

Espero, Henrique, que a partir de agora possas finalmente escrever e publicar tudo o que nos prometeste!...

A Universidade do Minho ficou hoje mais pobre: o Henrique Barreto Nunes aposentou-se. Não vou repetir o que já, noutras alturas, escrevi aqui sobre o Henrique. Publicarei apenas a mensagem de despedida que ele endereçou hoje aos Amigos e Colaboradores de muitos anos. Parabéns, Henrique, por tudo o que fizeste e partilhaste connosco. E OBRIGADO!...

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DESPEDIDA

Tenho 62 anos. Trabalhei 34 anos e oito meses na Universidade do Minho: um ano e meio nos Serviços de Documentação (então instalados no edifício da Biblioteca Pública), um ano na Unidade de Arqueologia (a funcionar no Museu dos Biscaínhos), 32 na Biblioteca Pública de Braga, de que oficialmente fui director de 2000 até hoje. Em Setembro 2006, num momento dramático, a Reitoria pediu-me para também dirigir, provisoriamente, o Arquivo Distrital de Braga. Fiquei até ao fim.
Estou cansado, já não me sinto com capacidade para ser responsável por estas duas prestigiadas instituições culturais, em tempos difíceis, com falta de meios e recursos humanos, (o Arquivo Distrital é o segundo mais importante do país, mas não possui um único técnico superior de arquivo), quase sem apoios – embora deva deixar aqui expressa a minha estima pessoal pelo Professor A. Guimarães Rodrigues e a minha gratidão ao Professor José Viriato Capela.
Na Universidade do Minho pertenci ao Conselho Cultural, presidido pelo inesquecível Professor Lúcio Craveiro da Silva, desde a sua criação em 1986, sendo seu secretário, coordenador editorial da revista “Forum” e membro da comissão organizadora do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea. Fui membro da Comissão Instaladora da Casa Museu de Monção. Pertenci, por eleição, ao Senado Universitário e à Assembleia da Universidade, de que fui secretário da Mesa. Pertenci ao colégio eleitoral que elegeu o seu primeiro Reitor e, devido a circunstâncias especiais, presidi à Assembleia que elegeu o actual. Estive na origem do processo que conduziu ao Salvamento de Bracara Augusta, surgido na U.M. em finais de 1975, e fui um dos artífices (quer se queira, quer não) da adesão da U.M. à Rede de Leitura Pública, que acompanhei apaixonadamente de 1960 até às vésperas da inauguração da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Colaborei em numerosas iniciativas de Escolas, Institutos, Unidades Culturais, Serviços e da Associação Académica.
Vi partir com saudade Carlos Lloyd Braga e J. Barbosa Romero, Egídio Guimarães, Armindo Cardoso e M. Assunção Vasconcelos, Afonso C. Ferreira e Alice Brito, Francisco Botelho e Hélio O. Alves, Victor de Sá e Santos Simões, Lúcio Craveiro da Silva.
Sinto uma imensa tristeza por deixar a Biblioteca Pública de Braga, os meus amigos-companheiros de trabalho, os seus leitores, os livros, a acção cultural que faz parte da minha respiração, da minha vida.
Ainda tinha tanto que fazer…

Braga, Biblioteca Pública, 31 de Julho de 2009

Henrique Barreto Nunes

julho 24, 2009

Improviso para dizer uma vez mais adeus a Coimbra...

Dizia-me há dias
que lhe pesava uma dor
nas costas
no ombro
no braço
sequelas de uma queda quase romântica
a colher laranjas
não era bem uma dor
corrigia
seria mais uma indisposição
uma incomodidade muscular
nada
brincou
que impusesse
um internamento hospitalar
hoje
ao princípio da tarde
ligaram-me
o Nuno morreu
a indisposição afinal
era um prenúncio de caso julgado
o último
como na balada do Zeca
o Nuno
não voltará mais a cantar.

Ademar
24.07.2009


julho 17, 2009

O comboio da minha infância...

Agradeço ao Dario Silva a partilha...

julho 13, 2009

Quinto aniversário...

Este blogue faz hoje anos. E foi assim que tudo começou, no dia 13 de Julho de 2004...

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Dicionário Político... (5)

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

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julho 05, 2009

Lembrai-vos de Mario Ruoppolo, digo, Massimo Troisi?...

junho 30, 2009

Pina Bausch: a saudade começa hoje...

Foi assim que o Padre Nunes Pereira me viu e desenhou, não sei se na Brasileira, se no Moçambique...

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Arrumando papéis, redescobri hoje este retrato, que durante muitos anos julguei perdido. Na altura, foi com uma enorme comoção que recebi das mãos do Padre Nunes Pereira, um artista que todos, em Coimbra, admiravam, este desenho, feito à mesa de um café. Era uma honra ser retratado por ele. Eu não passava de um jovem estudante de direito que tivera a sorte de conhecer o Padre Nunes Pereira e que, muitas vezes, tomava café com ele, na Brasileira e no Moçambique. E ainda hoje estou para saber o que o levou, discretamente, nesse dia, a retratar-me. Tão discretamente, que enquanto o fez... eu não dei conta. Há momentos únicos nas nossas vidas, momentos irrepetíveis. Este, projectou-se num retrato, que com muito orgulho (e muita saudade do Padre Nunes Pereira) reproduzo aqui...

junho 27, 2009

Um excelente suplemento, para ler e guardar...

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DN, 27.06.2009

Nuno Barreto...

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Expresso-Actual, 27.06.2009

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Dois quadros de Nuno Barreto, retirados daqui.

Há alguns meses que sabia que o Nuno Barreto estava muito mal e que o fim se aproximava. Hoje, ao folhear o Expresso, confirmei a sua morte. Conheci-o em 1986, quando ele passou a dirigir a Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga. Durante dois anos, privámos bastante e aprendi a admirá-lo. O Nuno era um homem superior, nada dado a vaidades efémeras e tolas. Era um excelente fotógrafo, um pintor rigoroso e fulminante e um pedagogo da arte, que eu ouvia sempre com atenção e proveito. A paixão por Macau levou-o para muito longe e nunca mais voltei a vê-lo. Mas recordá-lo-ei sempre como um dos portugueses mais brilhantes que eu tive a sorte de conhecer. O Nuno não merecia ter morrido assim...

junho 23, 2009

A morte de Neda Agha Soltan em directo: em nome de um deus qualquer (e todos os deuses são assassinos) e da "autoridade" de ocasião (sempre expressa na ponta de um dogma), toda a barbárie é possível. Quem quiser ser cúmplice no silêncio, que seja!...

Eu previ, antes das eleições, que as coisas iriam acabar muito mal. Não me enganei. E o pior ainda está para acontecer. Quando se faz política em nome de um deus qualquer ou de um dogma ideológico, procurai estar longe, muito longe. A ideia de "deus" ou de "verdade" sempre legitimou todas as formas de barbárie, as mais brutais. O Irão, xiita, é apenas mais um exemplo. Esta é a parte da humanidade em que, definitivamente, não me reconheço...

Vídeo retirado daqui...

Esta é, em todo o ano, a única noite em que, em Braga, para sobreviver, não saio de casa...

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O S.João é um dos meus pesadelos de infância. Nem o lado solsticial da bárbara tradição me conforta. Fujo de todos os rebanhos em tropel, para não ser... atropelado... Esta é a noite em que todos batem em todos, todos insultam todos... e o pior do género humano se apossa das pessoas comuns...
Esta noite... coloco os auriculares, desço as persianas e espero, tranquilamente, que a barbárie se canse...

junho 20, 2009

Cresci (adolescente) a ouvi-lo: completará no próximo mês 70 anos: Peppino di Capri...


maio 03, 2009

Há quantos anos não sabia da Isabel Manta!...

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Correio da Manhã-Domingo, 03.05.2009

Conhecemo-nos há muitos, muitos anos. Era uma rapariga com muita piada. Nunca mais soube dela. Reencontrei-a hoje, aqui. A memória galopou três décadas, para trás, e sorriu...


abril 17, 2009

40 anos depois...

Há datas que quem passou por Coimbra jamais esquece: 17 de Abril de 1969...

abril 16, 2009

Sempre que ouço esta ária de "La Somnanbule", de Bellini, regresso a Veneza...

abril 12, 2009

A faca e o alguidar estão de luto!...

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JN, 12.04.2009

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março 25, 2009

Uma justa evocação...

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Muitas memórias felizes me ligam à Biblioteca Municipal de Vila Nova de Famalicão. Esta... será, certamente, mais uma...

março 17, 2009

A "minha" Brasileira...

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Público, 17.03.2009

Quando eu era criança e comecei a acompanhar, digo, a servir de bengala ao meu avô Agostinho, havia duas Brasileiras, frente a frente, cada uma no seu gaveto: a Brasileira Velha e a Brasileira Nova. Ouvi, mil vezes, contar a estória: na segunda guerra mundial, os "anglófilos" e os "germanófilos" de Braga não partilhavam a mesma Brasileira. Os adeptos dos aliados frequentavam a Brasileira Velha. Os adeptos dos nazis e dos fascistas aglomeravam-se na Brasileira Nova. O meu avô, como todos os "democratas" de Braga, frequentava (e eu, atrelado a ele) a Brasileira Velha. Foi neste santuário, que hoje reabre ao público, que eu comecei a perceber que a unanimidade em torno de Salazar era uma grande mentira. A Brasileira Nova já morreu. Morreu na enxurrada do 25 de Abril...

março 09, 2009

É preferível, sempre, ficar boneca...

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9 de Março de 1959 passa por ser a data oficial de lançamento da primeira Barbie. Fará, hoje, portanto 50 anos. A "verdadeira" Barbie (Barbara Handler) terá um pouco mais, como a imagem em baixo não engana...

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março 08, 2009

A lusitana hipocrisia...

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DN, 07.03.2009

Na Assembleia da República, um deputado do PSD mandou há dias, "para o caralho", um deputado do PS. Devo confessar que não uso palavrões. Mas, mal por mal, prefiro a "autenticidade" do calão (que o pai de Miguel Sousa Tavares, por exemplo, usava com abundante incontinência) à farsa do respeitinho salazarento excelentíssimo. A hipocrisia adoece-me....

março 06, 2009

Diz-me os adversários que eleges, dir-te-ei o que vales como colunista...

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Correio da Manhã, 06.03.2009

O Doutor Coutinho decidiu inaugurar a sua colaboração com o CM malhando no Dr. Laurentino. Pobre adversário! Não sei que contas privadas o Doutor Coutinho tem para saldar com o Dr. Laurentino, mas esta conversa cheira-me a sarjeta. O Laurentino, meu ex-colega de curso em Coimbra, é um pobre diabo, que o PS e a política salvaram dos maiores dissabores profissionais. Não merece uma coluna. Nem no Correio da Manhã. Talvez só mesmo no Povo de Fafe...

Elogio da FAMÍLIA... (3)

Nunca, até hoje, contei esta estória...

Era uma vez um jornalista. Um dia, esse jornalista foi perseguido de carro e abalroado no centro da cidade em que vivia por um vereador da câmara local. Nessa manhã, o jornalista estivera, com um fotógrafo, a recolher imagens de uma vivenda que servia de bordel. Os vizinhos dessa vivenda diziam que, frequentemente, viam entrar e sair do portão da casa o presidente da cãmara, alguns vereadores e outros clientes "distintos", designadamente, alguns conhecidos empresários da construção civil da região. O vereador que abalroou, nessa manhã, o jornalista era tido na cidade como um dos promotores e proprietários do bordel. Em pouco tempo fora informado de que alguém andara a fotografar a vivenda e identificara o jornalista que, na circunstância, acompanhava o fotógrafo. Saiu, imediatamente, no seu encalço, até conseguir localizá-lo e abalroá-lo. Só queria... ameaçar o jornalista. Disse-lhe: "se publicar uma fotografia dessa casa e me associar a ela, destrói a minha família, a minha mulher pede o divórcio, mas eu mato-o!". O jornalista fez-se de sonso e perguntou ao vereador a que casa se referia. O vereador nem hesitou. "sabe muito bem que casa é e digo-lhe mais - se quiser, e se se portar bem, até lhe posso arranjar um cartão para frequentar a casa... sem pagar". Aqui, o jornalista percebeu que acertara na "mouche". Afinal, tudo o que se dizia era verdade. A armadilha resultara.
Não sei o que é feito do jornalista e do vereador. E também não sei se a vivenda ainda serve de bordel. Sei, apenas, que o jornalista já não é jornalista e que o vereador há muito deixou de o ser. Mas a cidade em que tudo isto se passou continua a ser um modelo de emulação familiar: tudo pela família, nada contra ela!...

março 05, 2009

Uma nota biográfica sobre Vital Moreira bastante bem feita (publicada hoje na Visão) e uma surpresa (minha) para o Flávio e para o Sérgio, filhos do Vital...

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Visão, 05.03.2009

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Expresso, 28.05.1983

O melhor diário português faz hoje anos...

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Público, 05.03.2009

Sou leitor do Público desde o primeiro número. E espero que nunca me dêem motivos para deixar de ser.
Parabéns, Zé Manel!...

fevereiro 28, 2009

Pessoalmente, não hesitaria: Vital Moreira é um excelentíssimo candidato e votaria nele. Infelizmente, irá concorrer pelo PS e o PS nunca terá o meu voto... E o Vital sabe muito bem por quê...

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Sou amigo do Vital há quase 40 anos e tenho o maior apreço e a maior estima por ele. É, sem dúvida, uma das melhores pessoas que eu conheci ao longo da vida e di-lo-ei sempre. E não fiquei nada surpreendido com a indicação do seu nome para cabeça de lista do PS nas europeias. É uma das poucas coisas que eu devo partilhar com José Sócrates: a admiração pelo Vital. Infelizmente, não poderei votar nele e ele... sabe bem por quê. De resto, e sem prejuízo da amizade que nos liga, ele também não votaria em mim, se eu fosse, por exemplo, (e não serei) candidato do BE.
Lembro-me, nesta hora, de uma conversa que tivemos (alguns dias depois do 25 de Abril), quando o Vital assumiu, publicamente, o seu compromisso com o PCP. Eu dizia-lhe que não entendia. Não entendia como, depois da Hungria e da Checoslováquia, alguém como ele podia ainda, à esquerda, reclamar-se da herança do estalinismo ou rever-se nela ou deixar-se confundir com ela. Não importa o que, na circunstância, o Vital me respondeu. De resto, fora ele que me iniciara ao conhecimento de Marx e de Lenine. E de Gramsci. E eu era o discípulo diante do mestre. Lembro-me apenas de lhe ter dito que, depois da Primavera de Praga, não havia mais argumentos para se ser... comunista, à moda do Komintern e de Cunhal. E que ele, o mestre, acabaria por concordar com o discípulo, rejeitando a herança política e ideológica que o conduzira ao PCP.
Há mais de 30 anos que sou vítima, como bracarense, do PS. Não consigo imaginar Vital em campanha, ao lado de todos aqueles que, em nome do PS, me fizeram desacreditar da bondade e da grandeza da política. Pessoalmente, votaria nele, de caras. Politicamente, estou impedido de o fazer. Por uma questão de higiene elementar. Sobra-me apenas a consolação de que ele perceberá isso. E continuaremos amigos.
Boa sorte, Vital! Tenho a certeza de que serás um grande deputado europeu, um dos melhores que já tivemos!....

fevereiro 14, 2009

José Henriques Coimbra: perdi um Amigo e um dos primeiros e mais fiéis leitores deste blogue...

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Expresso, 14.02.2009

Assino por baixo tudo o que se diz neste texto. E tudo o mais que se poderia dizer.
O Zé Henriques Coimbra era, de facto, um Senhor. Tive a sorte e o privilégio de o ter como Amigo. A sua generosidade e o seu companheirismo eram inexcedíveis. Devo-lhe inúmeras atenções. Desabafei muitas vezes com ele. Já depois de eu ter abandonado o Expresso, sempre acolheu e publicou os textos que lhe enviava. E nunca deixava de me estimular a escrever mais.
Em 2003, quando publiquei o meu primeiro livro de poesia, o Zé Henriques Coimbra fez questão de estar presente no lançamento da obra e me dar um abraço. Foi a última vez que falámos olhos nos olhos.
Em 2004, quando criei este blogue (então ainda no sapo), o Zé Henriques Coimbra foi um dos primeiros a apoiar e a comentar. E, de vez em quando, sempre discretamente, como era seu timbre, lá me ia dando conta das suas leituras...
Hoje, ao confirmar a sua morte, chorei. A humanidade está de luto...

fevereiro 12, 2009

Deus começou a morrer há 200 anos: só falta mesmo que lhe desliguem o ventilador...

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fevereiro 10, 2009

São textos como este que me fazem ser leitor diário do Público...

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Público, 10.02.2009


Ménage à trois ou à quatre?...

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Dicionário da Bíblia e do Cristianismo

Qual seria, hélas, a melhor parte de si que Jesus reservava a Maria, que tão frequentemente se ajoelhava a seus pés? E Marta, a irmã ciumenta... servi-lo-ia como? E, já agora, a mulher de Magdala, que tantos diziam perdida... que outras carências supria?
O extraordinário é que haja ainda alguém que acredite que Jesus morreu na cruz!...

fevereiro 09, 2009

Para Eluana ouvir, a caminho da eternidade, nos olhos de Orfeu...

fevereiro 08, 2009

Portugueses em que gosto de malhar (rubrica dedicada a Augusto S.S.)... 2

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Visão, 05.02.2009

Quando o conheci, ele era um furioso marxista-leninista: usava bigode à Estaline, vestia como Estaline, pensava como Estaline, falava como Estaline. Confesso que nunca, até então, conhecera um "revolucionário" tão quadrado. Mais de trinta anos passados, João Carlos Espada é, agora, um sereníssimo e garbosíssimo académico e um fervoroso católico-liberal, seja lá isso o que for. E aconselha, politicamente, o Presidente da República. Tenho assistido a extraordinárias metamorfoses, mas esta bate todas aos pontos. Cada vez me convenço mais de que Espada não escapará à beatificação e, muito provavelmente, ainda virá a ocupar, no Almanaque de Gotha, um lugar ao lado dos três pastorinhos...

janeiro 24, 2009

Como não há professores de inglês, contentai-vos com "expressão dramática"...

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Diário do Minho, 24.01.2009

Esta foi a primeira escola que frequentei. Esta também foi a "escola primária" do meu filho Francisco. Fica no centro histórico de Braga, a poucos metros da Sé, e há muito que impende sobre ela a ameaça (nem sempre velada) de extinção. É, porém, no país, uma das poucas escolas do 1º ciclo do Ensino Básico (escola estatal, note-se) que tem... identidade. E qualidade. O problema é que a maior parte das câmaras municipais deste jardim à beira-mar plantado (como a de Braga) costuma dar mais atenção ao futebol e ao imobiliário do que à educação. E esta escola está a prejudicar o "investimento" numa das áreas mais sensíveis do centro da cidade. Daí que a Câmara "socialista" (desde 1977) lhe coloque permanentemente dificuldades. Já era assim no tempo em que integrei a direcção da Associação de Pais. Nada, pelos vistos, depois, se alterou. A sobrevivência desta escola é quase um milagre de resistência cívica...

janeiro 19, 2009

Estes professores não apenas fizeram greve, oferecendo ao Estado um dia de salário, como pagaram do seu bolso uma "publicidade" de página inteira num diário regional...

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Diário do Minho, 19.01.2009

Foi nesta escola, que já foi Comercial e Industrial, que estudou, há muitos anos, o meu pai. Tiro o chapéu aos colegas que decidiram, desta forma, afrontar o ME em mais um dia de greve nacional de professores...

janeiro 11, 2009

Fidelíssima iconografia...

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Pública, 11.01.2009

janeiro 09, 2009

Saudades de Mikis Theodorakis e, já agora, da Arena, de Verona...

Agradecendo ao Alexandre Castro a sugestão, aqui fica um vídeo que me transporta na memória à Arena, de Verona, onde já assisti a uma das mais extraordinárias encenações de Verdi, numa noite também ela extraordinária...

janeiro 07, 2009

Este deputado do PSD (nascido em 1973) é um milagre: conseguiu sobreviver às pulsões delinquentes numa "escola inclusiva" gizada e mantida pelos ministros da educação do seu próprio partido!...

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Público, 07.01.2009

Já não tenho paciência para ler e comentar estes dislates. Pedro Duarte não sabe do que fala, limitando-se a repetir umas tantas baboseiras que ouviu a gente que percebe tanto de educação como Sócrates, de arquitectura. Sugiro-lhe que convide Roberto Carneiro para um duelo e resolva com ele, em privado, as suas mágoas... ideológicas. Roberto Carneiro, convém lembrá-lo, foi ministro da educação de... Cavaco Silva e é um dos principais mentores da tal "escola inclusiva" que, entre outras malfeitorias, despreza o esforço e desincentiva o mérito, blablablá...
Há "aliados" (conjunturais) que eu dispenso...


janeiro 04, 2009

O quartel e a sacristia (testemunho de Unamuno)...

dezembro 25, 2008

Harold Pinter...

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A noite passada, vi este filme. Estava longe de imaginar, quando o seleccionei, que o autor do argumento acabara de morrer. Descobri Harold Pinter na juventude, quando fiz teatro, em Coimbra. Durante alguns anos, vivi fascinado pela sua escrita., que me parecia sempre tão fora de tudo quanto, até li, conhecera. A paixão por Pinter adormeceu, mas jamais a admiração e a gratidão. Há autores, como há mulheres, que nunca nos viram as costas, que nunca nos negam o conforto de uma mão, quando mais precisamos dela. De vez em quando, voltava a Pinter, com o mesmo entusiasmo e a mesma surpresa da juventude. E foi com muita alegria que soube, em 2005, que lhe tinham atribuído o Nobel. Dizem agora que morreu. É mentira. Autores como Pinter são eternos...

dezembro 18, 2008

Coimbra tem mais encanto com Sócrates a corta-fitas...

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Público, 18.12.2008

Durante alguns anos, fui vizinho deste convento (e da Quinta das Lágrimas e do Portugal dos Pequenitos). Muitas vezes passeei no seu interior, imaginando estórias e histórias. E temendo sempre pelo seu futuro, quando a água subia, ameaçando submergir tudo. Trinta e tal anos volvidos, o Convento de Santa Clara-a-Velha parece finalmente reabilitado, mas ainda não pode ser visitado e usufruído pelos portugueses. Os portugueses fazem parte da agenda propagandística de José Sócrates. Quando ele quiser e deixar, Santa Clara-a-Velha voltará a pertencer-nos...

dezembro 07, 2008

Teremos, por força, de apreciar o cinema de Manoel de Oliveira... só porque o homem vai completar 100 anos de existência?!...

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Público, 07.12.2008

Eu passo. Pode-se?!...

outubro 19, 2008

Recordando Vinicius, que faria hoje 95 anos...

setembro 05, 2008

Completará cem anos no próximo dia 12 de Dezembro...

agosto 30, 2008

Há pouco mais de setenta anos, a memória de Camilo, em Seide (Famalicão), alimentava-se de esmolas e de suspiros...Hoje, a Casa de Camilo merece a visita de todos...

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Ilustração, 16.06.1930

agosto 25, 2008

António Martinho Baptista: um amigo, um blogue...

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Este é António Martinho Baptista, pré-historiador de arte, um dos portugueses mais ilustres e mais cultos que eu conheço. A descoberta das gravuras do Côa levou-o para longe de Braga, onde, durante muitos anos, mantivemos um convívio intenso. Foi ele que me introduziu aos mistérios e à poesia da arte pré-histórica. Digo mistérios, porque ele via o que os meus olhos não alcançavam. E os dedos das suas mãos pareciam despertar uma espécie de erotismo elementar nas pedras mais antigas e silenciosas. E eu ficava sempre fascinado a vê-lo e a ouvi-lo. O António era, para mim, uma espécie de feiticeiro: ele lia nas rochas poemas com milhares de anos, como se recentemente tivessem sido publicados em livro e numa língua que todos pudessem e devessem entender...
Dedicou os últimos anos ao estudo e à divulgação das gravuras do Côa. Não conheço, em Portugal, quem estivesse mais bem preparado e motivado para o fazer. Uma pequena parte do seu trabalho está reflectido no blogue DA FINITUDE DO TEMPO. Quem quiser saber mais deste meu Amigo... visite-o!


agosto 23, 2008

Entre jazigos...

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Este vinil é de 1973. Retirei-o hoje do pó da minha discoteca e estou a ouvi-lo. Clifford T. Ward foi uma paixão musical de adolescente. Só hoje tomei consciência de que também já morreu (em 2001). Já não tenho propriamente uma discoteca: tenho mais um cemitério de vozes...


agosto 01, 2008

O meu reencontro com a Maria João...

A partir de hoje, o meu Tio António faz companhia à Maria João. São quase vizinhos. A Maria João era, é uma querida amiga, que encontrou a morte a fazer montanhismo nos Picos da Europa. O seu último companheiro, escultor, fintou a violência da perda, rodeando-a de peças que eu ainda não conhecia, quer no cemitério, quer num terreno adjacente. Sem mais palavras e sem mais lágrimas, reproduzo as imagens que colhi...

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julho 31, 2008

António Lopes Ferreira: até sempre, Tio!...

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A morte, mesmo quando há muito esperada, tem quase sempre, pelo menos, o efeito de fazer explodir a memória. Hoje, morreu o homem que mais terá marcado a minha formação: o meu Tio António. Raramente lhe ouvi uma reprimenda e muitas vezes lhe pedi ajuda ou ele ma deu, sem eu pedir. Provavelmente, ele ver-me-ia mais como filho (filhos que nunca quis ter) do que como sobrinho. Criança, adolescente e jovem, era com ele que eu me abria e era a ele que eu fazia as perguntas que não seria capaz de colocar a mais ninguém. E era comigo, também, que ele se abria, contando-me coisas que, provavelmente, a mais ninguém contaria. E eu ficava sempre, fascinado, a ouvi-lo. Foram milhares de almoços (que, muitas vezes, entravam pela tarde dentro), foram milhares de horas de conversa...
Acho que aprendi a conhecer o mundo e as pessoas através do olhar (frequentemente cínico) do meu Tio António. Empresário de fachada (como gostava de se dizer), ele era sobretudo um jogador (profissional) e, como jogador, uma personagem verdadeiramente deslumbrante, que me parecia sempre acabada de sair de uma narrativa de Dostoievski (autor, aliás, que ele conhecia bem). Durante décadas, o meu Tio António foi, talvez, um dos melhores jogadores de poker sintético do país e um dos mais conhecidos e respeitados, pela elegância, pela inteligência e pela argúcia com que jogava. Acompanhei a sua carreira, quase diariamente, durante muitos anos. Ele contava-me quase tudo, sabendo que, aquilo que me contava, ficaria sempre entre nós. Eu sabia com quem ele jogava: grandes empresários, "aristocratas" de meia tigela, filhos-família, "doutorzecos" (como ele, em geral, os qualificava), até padres e cónegos. Recordo-me bem de algumas "mesas" em que ele participou, mesas em que, numa noite, se perdiam e ganhavam pequenas fortunas. E ele partilhava comigo, regularmente, a sua contabilidade de ganhos e perdas. E, apesar de ser um ganhador (um grande ganhador), sempre me chamava a atenção para os riscos do jogo profissional, recomendando-me que jamais experimentasse ou me deixasse seduzir. E eu fiz-lhe a vontade...
Aliás, era curioso que ele raramente apostava nos casinos que, por razões sobretudo sociais, frequentava. E dizia sempre que, nos casinos, toda a gente está, estatisticamente, condenada a perder. Por isso, ele só jogava profissionalmente o poker e o rummy (ou rami), jogos de aposta em que sabia, claramente, ter vantagem sobre a concorrência. E no dia em que sentiu que, irreversivelmente, começava a perder faculdades (o Alzheimer declarava-se), decidiu, pura e simplesmente, "encostar": "a partir de agora, vou jogar baratinho, só para entreter"...
Devo ao meu Tio António muitas outras descobertas. Humphrey Bogart, a quem ele roubara o chapéu e uma parte da figura e da pose. Clark Gable. Fred Astaire, que ele, adolescente, imitava (como lembrava, frequentemente, a minha mãe). Frank Sinatra. Bing Crosby. Marlene Dietrich...
Aprendi com ele a detestar o salazarismo e a igreja católica. E a desconfiar das multidões e dos rebanhos. Era um liberal e um individualista. E um céptico, muitas vezes, um cínico.
Não conheci ninguém mais perfeito do que ele. E mais imperfeito...
Obrigado, Tio, por ter existido!...

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julho 30, 2008

Um postal de Riva del Garda...

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No extremo norte do Larga Garda, a estância (outrora aldeia piscatória) de Riva. Não sei de quando é a imagem do postal (docemente retocada, aliás), mas hoje Riva já não tem este aspecto tão sereno e bucólico.
Agradeço ao Zé Manel a lembrança e a dedicatória...

junho 20, 2008

Saudades do Lago Garda ou dos olhos que navegaram por ele, entre tantas pequenas cidades...

junho 15, 2008

Casamento com muita história dentro...

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Ilustração, 01.07.1927

Se a Assunção (Maria da Assunção Jácome Sousa Pereira de Vasconcelos) não tivesse tão prematuramente falecido, perguntar-lhe-ia (ou ao Duarte) por estes. A história civil de Braga confundiu-se muitas vezes com a história desta família...

junho 10, 2008

Ainda a propósito do Dia da Raca: quem será capaz de identificar o autor deste manuscrito?...

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O poeta que cantou a raca...

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Ilustração, 16.06.1935

10 de Junho como dia da raca...

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Público, 10.06.2008

Quando vejo o cortejo de condecorados do 10 de Junho (o acto político mais falhado do estado dito democrático), sinto-me tentado a concordar com o Presidente: pode não ser o dia da raca, mas será, certamente, com cedilha ou sem ela, o dia da barraca...

junho 06, 2008

Memória da guilhotina...

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Ilustração, 01.02.1935

junho 05, 2008

Na hora da derrocada, Coimbra tem sempre mais encanto...

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Ilustração, 16.01.1935

junho 03, 2008

Entre o Largo do Pelourinho e a Rua do Alecrim...

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Ilustração, 16.11.1928

maio 23, 2008

Francisco Lucas Pires...

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Público, 23.05.2008

Comovedor... o texto que Jacinto Lucas Pires dedica hoje ao pai no Público, dez anos passados sobre a sua morte. Francisco Lucas Pires foi meu professor em Coimbra (e, já agora, professor também da Teresa, a mãe de Jacinto). Era um príncipe: um dos homens mais superiores que eu conheci em toda a minha vida. Politicamente, na altura, estaríamos nos antípodas um do outro, mas nunca as afinidades políticas ditaram ou determinaram os meus cultos ou as minhas amizades. Francisco Lucas Pires era um homem de direita que honrava a direita - e isso, para mim, naquele tempo, fazia toda a diferença, tão canalha era a direita que, em 48 anos, conduzira o país à desgraça.
Olho hoje para o país, reconheço a mediocridade patética dos políticos que julgam governar-nos e tenho saudades, muitas saudades, de homens como Francisco Lucas Pires...

maio 18, 2008

Eu tenho a solução para o problema!...

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Público, 18.05.2008

Na sequência do lamento do meu querido amigo Henrique Barreto Nunes, proponho uma solução que, certamente, agradaria a todas as partes: colocar a estátua de Eduardo Melo a cavalo da estátua de Santos da Cunha (em baixo), à entrada da cidade e diante mesmo de minha casa. Além de original, seria politicamente correcto...

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maio 17, 2008

Melo por Mendia...

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Expresso, 17,05.2008

Este João de Castro Mendia, perdão, este D.João de Castro Mendia, descendente de Carlos Magno e Hugo Capeto e D. Afonso Henriques, e talvez mesmo de Jesus Cristo, perdão, D.Jesus Cristo, é um pândego bem conhecido de uma certa imprensa lusitana, um conde sem título, um esqueleto de cruzado e um fascista sem préstimo, que escreve e consegue publicar, de vez em quando, umas coisas.
Desta vez, foi o Expresso que se pôs a jeito. Mas o panegírico de Eduardo Melo é, pelo menos, pedagógico: era com que este tipo de gente que o cónego da Sé de Braga conspirava o seu acrisolado e abençoado patriotismo...

abril 20, 2008

Ecos da morte de Eduardo Melo... (6)

Devo ser um dos raros bracarenses que, em público, teve a ousadia de recomendar a Eduardo Melo que se calasse. A Melo e ao então arcebispo de Braga, Eurico Nogueira. Digo isto, apenas, para que se perceba que não esperei pela morte da criatura para dizer o que pensava dele. Ele sabia muito bem, aliás, o que eu pensava. E o que eu sabia...
Não contarei, porém, tudo o que sei (e nunca disse), porque ele já cá não estará para se defender.
Eduardo Melo deixou, para mim, de existir. Ponto final.
Sei que alguns irão tentar fazer dele um herói e um santo. Rirei apenas. E ironizarei, sempre que necessário. Nada mais...

Ecos da morte de Eduardo Melo... (5)

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Público, 20.04.2008

Pena que esta evocação do Público não seja assinada por uma das jornalistas da casa que, in illo tempore, investigou uma das facetas mais curiosas da vida de Eduardo Melo. Não digo quem é, porque já lá vão muitos anos e o que ela, na altura, me contou... nunca o partilhei ou partilharei com ninguém...
Devo apenas sublinhar que os resultados (muito elucidativos) dessa investigação, que eu saiba, nunca foram publicados...

Ecos da morte de Eduardo Melo... (4)

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JN, 20.04.2008

O JN, que sempre adorou Eduardo Melo, compara-o a Robin Hood ou, numa versão mais lusitana e camiliana, a Zé do Telhado: tirava aos pobres para dar aos ricos, perdão, tirava aos ricos para dar aos pobres. Milhares e milhares de futebolistas do SCB, com os salários em atraso, acorriam à Rua do Alcaide para lhe pedir uma sopinha. A partir de agora, terão de passar a bater à porta do próprio Mesquita Machado, o Salvador que resta...
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JN, 20.04.2008

4 reconhecimentos: outras tantas estátuas, em perspectiva... O reconhecimento de Jorge Ortiga é sibilino: Melo "amou causas e pessoas". O reconhecimento de Melo, o deputado, é simplesmente hilariante.
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JN, 20.04.2008

Ecos da morte de Eduardo Melo... (3)

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24horas, 20.04.2008

Muitos milagres hão-de ser atribuídos, a partir de agora, à intercessão de Eduardo Melo. O 24horas, na edição de hoje, revela dois: a conversão de Maria Barroso ao catolicismo e a recuperação de parte das ossadas de três santos, roubadas, há mais de 600 anos, por bandidos a soldo do arcebispo de Santiago de Compostela...
Eu sei de muitos outros milagres, mas não os revelarei, nem sob tortura...

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24horas, 20.04.2008

Ecos da morte de Eduardo Melo... (2)

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Correio do Minho, 20.04.2008

Braga tem dois diários: o Diário do Minho, propriedade e instrumento da arquidiocese, e o Correio do Minho, que começou por pertencer à Legião Portuguesa e, depois do 25 de Abril, passou para a propriedade da Câmara Municipal de Braga, servindo ainda actualmente de espantalho mediático a Mesquita Machado e ao PS.
Hoje, o Correio do Minho consegue bater aos pontos o seu colega eclesial, na homenagem que presta ao "grande patriota" e ao "grande bracarense" que foi Eduardo Melo.
O funeral, amanhã, reunirá certamente as elites do fascismo e do socialismo à moda de Braga...

Ecos da morte de Eduardo Melo... (1)

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Diário do Minho, 20.04.2008

Eurico Nogueira, ex-arcebispo de Braga, no seu melhor. Melo, sempre pujante de juventude, morreu "a trabalhar e sob o manto protector de Nossa Senhora".
Sob ou sobre?...
Escrever-se-ão, certamente, tratados sobre o assunto. Há preposições assassinas...

abril 19, 2008

Morreu Eduardo Melo...

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Apareceu, hoje, morto em Fátima. Um dia teria que ser...
Morre com ele, simbolicamente, o pior da igreja católica (e de um certo ultramontanismo) à moda de Braga.
Limito-me, simplesmente, a registar a ocorrência.
A morte não limpa a repugnância.
Nesta matéria, como noutras, não dou para o peditório da hipocrisia lusitana...


março 27, 2008

Cinco fotografias para a Laura, em dia de aniversário...

Esta é a forma mais simples de, publicamente, te dar hoje os parabéns... Presumo que não vias, há muito, estas fotografias. Podia ter escolhido outras: escolhi estas. Não saberia dizer porquê. Talvez tu saibas. Tens sempre uma explicação racional para tudo...

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Esta fotografia, tirada na Póvoa de Varzim, está datada pelo punho do nosso pai: 23.07.1961. Muitas vezes foi assim nas nossas vidas: eu sorria, enquanto tu choravas. Os cancros que te visitaram (eu sei e tu sabes) são lágrimas que erraram a alma...

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No segundo volume do Diário escreves sobre o Baixinho. Este, no teu colo de adolescente, é o Tzara, um cão surrealista. Ao fundo, uma ponte centenária que já não existe. Sobre ela, como atestam outras fotografias, tinham namorado os nossos pais. À distância, como na época se impunha. A mesma distância, aliás, a que sempre nos guardaram...

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Eu tenho o hábito de não datar as fotografias que faço, como se, afinal, aspirasse a que o tempo não entrasse por elas. Este é um pormenor de uma fotografia tirada pouco antes do 25 de Abril, num estádio que ainda se chamava 28 de Maio. Um ano depois, derrubada a ditadura, passaria a... 1º de Maio. Lembras-te das palavras cínicas e sábias de Tomasi di Lampedusa? É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma...

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Diante desta mesma coluna, na Aveleda, posaram quase todos, os velhos e os novos (como na sequência final de um filme de espectros). Como diante do espigueiro, que aliás já não existe. A eternidade das coisas não está em nós, mas nelas próprias. Esta fotografia sobreviver-nos-á...

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Este é o "menino" a que te diriges, comovedoramente, no segundo volume do Diário. A fotografia é de Agosto de 1993: tinha então o Francisco 7 meses. Passaram 15 anos. As partituras voam agora sobre o piano...

setembro 12, 2006

Saudade...

Francisco Lucas Pires... *

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A arrumar papéis antigos, parei nesta fotografia, estampada na edição do Expresso de 9 de Outubro de 1982. A memória recua quase 23 anos. O tempo devora-nos... Ao centro, na fotografia, o Francisco Lucas Pires, então Ministro da Cultura. Dez anos antes, fora meu professor, em Coimbra, de Direito Ultramarino ou Colonial, já não consigo lembrar-me sequer do nome exacto da cadeira. Creio que nem ele levava aquilo muito a sério. Aliás, era uma das facetas mais apelativas da personalidade do Francisco Lucas Pires, o distanciamento irónico com que se via ao espelho. Ele era, sempre, o primeiro a rir de si próprio... Na manhã do 25 de Abril, quando tudo era ainda incerteza, o Francisco Lucas Pires, ao contrário de outros, fez questão de ir à Faculdade e "marcar o ponto". Não deu "aula", quis apenas saudar e despedir-se dos alunos. Ele já tinha percebido que a revolução ia virar o país e a universidade do avesso (pelo menos, na epiderme) e que o ano lectivo, para ele, acabava ali. Na grelha curricular do curso de Direito à moda de Coimbra, havia duas disciplinas que, inexoravelmente, estavam predestinadas a morrer com o fascismo: Direito Ultramarino (ou Colonial) e Direito Corporativo (que, sublime ironia, o Vital Moreira chegara a "reger"!). Nessa manhã, eu não fui à Faculdade e não pude ouvir as despedidas do Francisco. Quase dez anos depois, no Pabe, conversámos sobre isso e, sobretudo, rimos muito sobre isso...
O Francisco Lucas Pires era, à sua maneira (muito especial), um homem de direita. Não acreditava excessivamente na bondade da espécie humana e torcia o nariz, politicamente, a todos os messianismos redentores. O convívio intelectual com Beckett, com Camus, com Sartre (que, tão frequentemente, citava nas aulas) e com os pensadores do existencialismo desviara-o do caminho das utopias e das receitas pronto-a-vestir para a salvação da humanidade. O seu antidogmatismo aproximava-o, porém, de uma certa esquerda liberal e estou convencido de que ele teria feito, politicamente, um percurso muito semelhante ao de Freitas do Amaral, se o coração, estupidamente, não lhe tivesse falhado naquela fatídica viagem de automóvel, em 1988. Hoje, dia em que os cristãos celebram a ressurreição de um messias, apeteceu-me evocar aqui a memória de um dos portugueses mais ilustres e brilhantes que tive a honra de conhecer: Francisco Lucas Pires. Não conheço, pessoalmente, o seu filho Jacinto. Tenho acompanhado, à distância, o seu percurso literário. Mas de uma coisa tenho a certeza: em tudo aquilo que ele escreve, de uma forma ou doutra, o pai (desculpa, Teresa, escrevê-lo assim!) está presente... Por isso, posso dizer que o Francisco não morreu...

27 de Março de 2005, dia de Páscoa

* publicado em abnoxio.blogs.sapo.pt