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maio 18, 2010

Sim, Rubem, lembro-me muito bem dessa manhã em que te levei à Escola da Ponte...

maio 03, 2010

Um poema (videografado) de Paula Fonseca...

Há muito que não tinha notícias da Paulinha, professora (apaixonada) da Escola da Ponte, onde a conheci. Não sabia que ela tinha publicado um livro de poesia ("Metade Somente") e que alguns dos seus poemas estavam disponíveis no YouTube. Hoje, na abertura de um novo dia, convido-vos a lê-la. Obrigado, Paula!...

março 19, 2010

Uma perigosíssima delinquente de... 10 anos de idade...

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Correio da Manhã, 19.03.2010

Há quem saiba ou tente lidar com crianças "especiais" e quem não saiba (ou não tente). Crianças como esta, muitas, sempre houve na Escola da Ponte. Recordo-me, por exemplo, do F. Era um menino selvagem, filho da miséria e de pais alcoólicos. Um dia, numa das suas crises de fúria, também me bateu e arranhou e mordeu. Poderia ter reagido, poderia ter sustido a agressão: não o fiz. Deixei que ele batesse e se cansasse de bater. Quando parou, fiz-lhe uma festinha e perguntei-lhe apenas se estava mais calmo. Ele olhou para mim, com os olhos esbugalhados, e apenas me perguntou (grunhiu) uma coisa que nunca mais esquecerei: vais-me bater? Eu disse-lhe.: não, quero apenas conversar contigo. E levei-o para o meu gabinete e, calmamente, conversei com ele. Chorou. E ficámos amigos para sempre.
Não conto isto para me pôr em bicos de pés ou alardear uma sabedoria ou uma coragem que, infelizmente, não me assiste. Mas esta notícia revolta-me. Simplesmente, porque não deveria ser notícia. E nunca nestes termos...
Esta criança não é um monstro. É, apenas, uma criança, que a humanidade, muito provavelmente, abandonou...


outubro 21, 2009

Interpelação de um leitor (identificado) sobre a Escola da Ponte...

Meu caro,

Há tempos conversava com uma amiga (que tem responsabilidade no actual ME) e que me referia o facto de o projecto da EP não ter qualquer ligação ao mundo real, ou seja, se um aluno, por contingência dos pais, tiver de mudar de cidade, terá muitas dificuldades em ser absorvido pelo sistema educativo por falta de bases. Não sei se estou a formular bem a questão ou mesmo se ela se pode colocar, gostava era de perceber se a EP é um mundo totalmente à parte ou se, pelo contrário, ajuda a que os míúdos sejam cidadão preparados não apenas para viver na sua ilha.
Espero ser merecedor da sua atenção, enviando-lhe as minhas saudações.

Sou suspeito na resposta, porque estive cinco anos ligado à Escola da Ponte e aprendi a admirar o que, todos os dias, lá se faz pelos miúdos e com os miúdos. A questão colocada é, porém, uma questão recorrente, uma questão quase académica. Ouvi-a centenas de vezes e centenas de vezes tive de responder. Os miúdos da Ponte aprendem, desde muito cedo, a ser gente, a ser cidadãos. A desenvolver o olhar, a cumplicidade crítica com os outros, a inteligência da decisão, o risco da autonomia, a responsabilidade, a curiosidade do conhecimento. Adélia Prado tem dois versos que poderiam ser a epígrafe do projecto da Ponte (cito de memória): "Senhor, não me dês o queijo, nem a faca; dá-me simplesmente a fome". Na Ponte, alimenta-se todos os dias a fome dos miúdos - e esse é o seu "segredo". Tomara eu, que regressei à "escola tradicional", ter alunos esfomeados...

Feliz ou infelizmente, a "fabulosa" experiência da Escola da Ponte não é generalizável por decreto, mas deveria, pelo menos, ser defendida e apoiada pelo Ministério da Educação, em vez de asfixiada...

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i, 21.10.2009

outubro 17, 2009

Lino Ferreira...

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Público, 17.10.2009

Entre 2002 e 2005, Lino Ferreira (na fotografia) desempenhou as funções de Director Regional de Educação do Norte, Tivemos pegas monumentais e, em algumas reuniões, quase nos chegámos a insultar. Mas sempre deu a cara, nunca mandou recados por ninguém. E, na fase terminal do seu mandato, passou de adversário do projecto e da Escola da Ponte a seu aliado, batendo-se pela aprovação do contrato de autonomia que propuséramos. Apesar das divergências e das discussões que tivemos, sempre nos respeitámos. E não fora o empenhamento de Lino Ferreira, ainda hoje a Escola da Ponte não teria a sua autonomia, formalmente, reconhecida...
Ironia das ironias: foram aqueles que, na oposição, mais declarações de amor fizeram à Escola da Ponte que, no governo, lhe viraram as costas, pondo em causa a sobrevivência de um projecto educativo que, no passado, tanto tinham elogiado. Espero para ver até onde irá o descaramento do PS, sendo certo que, nas actuais condições, a Escola da Ponte não sobreviverá por muito mais tempo...


julho 02, 2009

Duas excelentes razões para os professores votarem, em Setembro, no PSD...

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Os meus amigos da Escola da Ponte entenderão a ironia do título...
E os demais colegas... também...

junho 16, 2009

Depois da Ponte, claro, Belgais!...

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Público, 16.06.2009

Este país grosseiramente socratizado não está para inovações: Belgais também pode morrer (ou transferir-se para Espanha)...

junho 13, 2009

Esta é a Escola e o Projecto Educativo que o PS (no Governo e na Câmara Municipal de Santo Tirso) se prepara para sufocar e extinguir...

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Nenhuma escola portuguesa é tão conhecida, tão estudada e tão admirada lá fora, como a Escola da Ponte. Todos os anos, são milhares os nacionais e os estrangeiros que a visitam. Inúmeras dissertações de mestrado e teses de doutoramento foram feitas sobre a Escola e o seu Projecto Educativo. Nada é, porém, bastante para o PS. E a Escola da Ponte, a não serem sustidas as ameaças que sobre ela impendem, irá morrer às mãos do partido que, ao longo dos anos, mais declarações de amor lhe dedicou. Miserere!...

O PS, com todo o seu farisaísmo político, prepara-se para facilitar e apressar aquilo que o PSD e o CDS, apesar de terem tentado, não conseguiram: extinguir o Projecto da Escola da Ponte...

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Público, 13.06.2009

Leio esta notícia (infelizmente, recorrente) e recordo as posições públicas de apoio à Escola da Ponte de alguns dirigentes nacionais do PS, então na oposição, quando o governo do PSD/CDS tudo tentou para fechar a Escola da Ponte. Lembro-me bem, por exemplo, da visita que Augusto Santos Silva fez à escola e das declarações que então prestou a toda a comunicação social, defendendo o Projecto da Ponte e garantindo que, quando o PS voltasse a ser governo, a escola seria uma espécie de "jóia da coroa" do Ministério da Educação. Em 2005, Augusto Santos Silva regressaria ao governo e, quatro anos depois, o projecto educativo da Escola da Ponte continua sob ameaça. Nada, entretanto, foi feito para garantir a estabilidade do Projecto da Ponte. E, ironia das ironias, foi ainda o governo do PSD/CDS que assinou o contrato de autonomia da Escola, o primeiro que, em Portugal, se celebrou.
E ainda há quem se admire com o descrédito da nossa classe política e com os resultados eleitorais do PS, nas europeias...

março 02, 2009

Só há uma forma de prevenir ou atenuar o impacto do bullying: envolver os alunos, responsavelmente, na gestão dos espaços escolares e serem eles a determinar e a impor os códigos de conduta recomendáveis...

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Correio da Manhã-Domingo, 01.03.2009

A supervisão presencial dos adultos não resolve nada e não é possível colocar um "polícia" ao lado ou atrás de cada valentão. O bullying escolar previne-se também na interacção dos pares e na responsabilização dos alunos. A Escola da Ponte pode ter muitos defeitos, mas, nesta matéria, como noutras, é um exemplo do que pode e deve fazer-se. Vão lá, informem-se, inspirem-se...

junho 24, 2008

Tudo isto se resolve com menos pedagogia, com mais disciplina, mais exames e mais chumbos e, naturalmemte, com o cheque-ensino...

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Público, 23.06.2008

A ironia é sempre um risco, sobretudo, quando aplicada à escola. Receio que alguns leitores não captem a ironia do título e acreditem mesmo que a violência escolar se resolve... "com menos pedagogia, com mais disciplina, mais exames e mais chumbos e, naturalmemte, com o cheque-ensino"...

Claro que subscrevo inteiramente as palavras de Eric Debarbieux. Há mais de vinte anos que digo o mesmo... E há mais de trinta que a Escola da Ponte, por exemplo, prova que é (tem que ser) assim...

setembro 30, 2006

Sexo! (diz ela)...

Entrou-me pelo gabinete com passo decidido e a fogueira da delação no olhar: "Professor Ademar: estão uns meninos nos computadores a ver sexo!..." Como faço sempre nestas circunstâncias, fingi, para ganhar tempo, que não tinha percebido muito bem o sentido da observação e pedi-lhe que repetisse. Fê-lo exactamente nos mesmos termos: "Estão uns meninos nos computadores a ver sexo!". E ficou à espera da minha reacção. Levantei-me da cadeira e pedi-lhe que me conduzisse ao local do crime. Atalhou imediatamente que não valia a pena, porque eles já tinham fugido. Para não a frustrar, pedi-lhe que me dissesse quem eram os meninos. Ela pôs um ar muito zangado e respondeu-me: "Acha que eu sou queixinhas? Só quis que soubesse que eles estavam a ver sexo. Mas não lhe vou dizer quem eram." E saiu porta fora, tão resolutamente como entrara.
O sexo, na adolescência, é um excelente pretexto para o jogo do gato e do rato...

Novembro.2005

recuperado de abnoxio2.blogs.sapo.pt

setembro 04, 2006

Memórias da Escola da Ponte (47)...

"Metodologia de Trabalho de Projecto" (algumas notas provocatórias)...*

1
Se um aluno quer ou precisa de saber em que ano e contexto foi assassinada Inês de Castro, o que deve fazer? Um projecto de pesquisa e investigação ou uma simples consulta bibliográfica (por exemplo, do Dicionário de História de Portugal)?

Se um aluno quer ou precisa de saber como se conjuga o verbo "empatar", o que deve fazer? Um projecto de pesquisa e investigação ou uma simples consulta bibliográfica (por exemplo, de uma boa gramática)?

Perguntas análogas a estas (e relativas a todas as áreas e disciplinas curriculares) poderiam ser multiplicadas exponencialmente. A ideia de que só se aprende através de "projectos" é uma ideia pateta. O decisivo na aprendizagem é que o aluno queira (e esteja motivado para) saber - os caminhos para o conhecimento são múltiplos e variados. O trabalho de projecto é apenas um desses caminhos, seguramente, o mais exigente de todos...

Se a curiosidade (o desejo de descobrir e aprender) e a motivação são as alavancas da "construção" do conhecimento, pode colocar-se então a pergunta: como é que um aluno se motiva (e é motivável) para procurar o conhecimento que lhe faz falta, quando ele nem tem consciência disso?

Eis um excelente problema para um projecto de investigação/acção. Ou melhor: para muitos projectos...

2
Quando eu era estudante, "problemas" havia muitos, mas a "metodologia de trabalho de projecto" (ou de resolução de problemas) ainda não tinha sido inventada (espero que se perceba a ironia). E mesmo sem ter aprendido a trabalhar em "projecto", safei-me... Sócrates (ao que consta) também.
Hoje, parece que os estudantes não aprenderão nada, se, desde a mais tenra idade, não forem treinados a trabalhar em projecto...
Desconfio que esta obsessão "projectista" anda, nas escolas, a distrair os eminentes pedagogos da moda do prioritário. O prioritário, creio eu, é que os estudantes percebam o sentido de andar na escola, desenvolvam a curiosidade, não percam jamais a motivação para pesquisar e investigar, sejam cada vez mais autónomos e responsáveis e tenham condições para aprender mais e melhor. Como o poderão conseguir? Eis a pergunta fundamental a que os projectos educativos das escolas deverão dar resposta. É para isso, no essencial, que eles servem. O que os alunos deverão aprender – isso toda a gente sabe e, na dúvida, os programas curriculares resolvem.

3
O trabalho de projecto reclama a mobilização e o cruzamento de saberes, atitudes e competências que nem todos os "pedagogos" possuem ou desenvolveram, quanto mais os alunos...
Pretender que crianças que mal sabem ler, escrever ou calcular aprendam por "projectos" é uma imbecilidade pedagógica. A aproximação à metodologia de trabalho de projecto tem, por isso, de ser feita passo a passo, de uma forma segura e muito controlada pelos professores. Há patamares de autonomia que terão de ser previamente alcançados antes que os alunos possam tirar algum proveito do "trabalho de projecto". Que patamares serão esses? Eis outro excelente problema para um projecto de investigação/acção. Ou melhor: para muitos projectos...

* recuperado de abnoxio.blogs.sapo.pt