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maio 18, 2010

Que o cancro não te vença, Miguel!...

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Correio da Manhã, 18.05.2010

Tenho, pessoal e politicamente, o maior apreço pelo Miguel. E a certeza de que não será um cancro a ajoelhá-lo!...

Sim, Rubem, lembro-me muito bem dessa manhã em que te levei à Escola da Ponte...

maio 16, 2010

Improviso sobre uma tela desta noite... *

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* Fotografia de Maria Alonso Seisdedos.

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maio 14, 2010

Nunca se esqueça, antes de cair, de apanhar o morango mais delicioso...

O Rubem gosta muito de contar esta estória e eu gosto muito de a partilhar: carpe diem!...

maio 13, 2010

Quarto segredo de Fátima?...

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Agradeço ao meu amigo A.R. a espantosa revelação fotográfica. Seja como for, sempre desconfiei de Ratzinger...

maio 11, 2010

Marinho Pinto e Sousa Tavares conhecem-se e tratam-se por tu há quase trinta anos. Por que raio é que se tratam por "senhor doutor" quando se encontram num programa de televisão?...

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Outra coisa que eu não entendo: a que propósito é que os encenadores de "Sinais de Fogo" projectam um caixão sobre o lado da mesa em que, geralmente, se sentam os convidados de Miguel Sousa Tavares? Escrevi "geralmente" porque José Sócrates, quando foi ao programa, sentou-se do lado oposto...

maio 08, 2010

Coincidências pouco metafísicas...

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Rosa Oliveira, Metafísica da Coincidência (excerto)

maio 07, 2010

Haja esperança! Nem toda a gente na área do PS aprova o furto como método de acção (política) directa...

Obviamente, concordo com Vital Moreira. E considero absolutamente grotesca a "solidariedade" manifestada pelo grupo parlamentar do PS a Ricardo Rodrigues. De um grupo que aprova o furto como método de acção política... tudo se poderá esperar. Cuidado com as carteiras, portugueses!...

maio 04, 2010

Já só tenho amigas poetas...

Até a Rosa, last but not least, já escreve e publica poesia. Espero que não seja contágio. E que sobrevivamos todos, finalmente, à deriva das palavras...

maio 03, 2010

Um poema (videografado) de Paula Fonseca...

Há muito que não tinha notícias da Paulinha, professora (apaixonada) da Escola da Ponte, onde a conheci. Não sabia que ela tinha publicado um livro de poesia ("Metade Somente") e que alguns dos seus poemas estavam disponíveis no YouTube. Hoje, na abertura de um novo dia, convido-vos a lê-la. Obrigado, Paula!...

maio 02, 2010

ESCLARECIMENTO...

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abril 30, 2010

João Semedo: um deputado que nos honra a todos...

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É o relator da Comissão de Inquérito e todos já perceberam que o futuro político de José Sócrates está suspenso das conclusões que ele, no fim dos trabalhos, vier a propor (e que a Comissão, certamente, não deixará de aprovar). Outros deputados se têm distinguido: Pacheco Pereira (do PSD); Cecília Meireles (do CDS-PP); João Oliveira (da CDU). Mas João Semedo tem, sobre todos eles, uma pequena vantagem: a vantagem de uma serenidade e de uma experiência da vida, até como médico, que tornam ainda mais acutilantes as suas perguntas e as suas observações. Até Henrique Granadeiro, hoje, não resistiu a prestar-lhe publicamente homenagem, destacando a sua perspicácia e o seu rigor. Homenagem merecida. João Semedo é, de facto, um dos nossos melhores deputados. Fossem todos como ele...

abril 28, 2010

O orgasmo da Velha...

Braga não é, apenas, cimento, futebol, crendice, muito sexo às escondidas e corrupção, corrupção, corrupção. Braga tem um lado civilizado e muita gente, sobretudo jovem, que não ajoelha diante dos altares da hipocrisia e da podridão. A Velha-a-Branca faz parte dessa Braga que resiste. Parabéns, Luís, e tutti quanti!...

abril 27, 2010

Don't Give Up!... (com dedicatória implícita)

abril 25, 2010

Não será normal que um museu de arqueologia tenha elevadores... arqueológicos?...

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Correio da Manhã, 25.04.2010

Tenho um grande apreço pela Isabel (a directora do Museu) e por todos quantos, há muitos anos, trabalham com ela. E, por isso, digo: é triste, muito triste, quando um Museu é notícia... porque lhe avariou um elevador...


abril 11, 2010

Em vez de começar o dia com um poema morto, ofereço-vos, com as palavras, o próprio poeta (a dizê-las)...

Já não estou com o João Negreiros há mais de dez anos. Quando o conheci (e o contratei), era obviamente muito mais menino e moço do que agora. Mas já dizia poesia (dos outros) com fome e com raiva. Como aqui, dizendo a sua...

março 31, 2010

António Nóvoa: uma entrevista...

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"Nos tempos que correm, de tanto ruído e agitação, gostaria muito de escrever um livro sobre a pedagogia do silêncio".

Eu também, meu caro António, eu também. Estou cansado do ruído dos lugares-comuns, dos preconceitos e da maldade...


Transcrevo a parte final da entrevista, que poderá ser lida, na íntegra, aqui.

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REVISTA EDUCAÇÃO - 02/2010 - EDIÇÃO 154

março 30, 2010

Onde Portugal acaba e a Galiza começa ou vice-versa (um filme de Pancho Salmerón)...

março 19, 2010

Um livro...

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A Maria José Meireles decidiu editar em livro os poemas que publicou neste blogue. Hoje, ofereceu-me um exemplar do livro, com uma dedicatória muito comovedora. Obrigado, Maria José!...

março 15, 2010

Quando te inscreveste no PS, Pedro, fiquei espantado e nem queria (como te lembrarás) acreditar. Agora aderiste ao PSD? Valha-nos S.Luís Mateus ou S.Francisco de Assis! Ainda te verei no CDS-PP?...

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Esta legenda é, politicamente, assassina...


março 05, 2010

O Público faz hoje vinte anos...

Há vinte anos que leio o Público diariamente. Mesmo no estrangeiro, nunca deixei de comprar o jornal... e, regressado à terrinha, era no Público que me punha a par do que, entretanto, acontecera no país e no mundo. Os principais jornalistas do núcleo fundador do projecto do Público (Vicente Jorge Silva, Nuno Pacheco, José Manuel Fernandes, Joaquim Fidalgo, José Queirós, para só referir alguns) tinham sido meus colegas no Expresso. Perceber-se-á, por isso, a atenção com que sempre acompanhei o percurso do jornal e que, no Público, tenha encontrado guarida para a publicação de alguns artigos (como, actualmente, acontece com a minha irmã). Folheando os meus arquivos, descobri o primeiro artigo que publiquei no jornal, em Janeiro de 1992. Recupero o título e um excerto. E assim me associo hoje à comemoração do vigésimo aniversário do Público...

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(...)
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(...)

Público, 08.01.1992

março 02, 2010

Deixa lá, José Luís, eu também fui guilhotinado!...

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Público, 02.03.2010

fevereiro 16, 2010

Improviso sobre uma tela de Helena Berardo...

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Uma teia de sombras
na cave estreita
que só uma luz antiquíssima
suspende
a memória inventa caixilhos
no lugar da ausência
e nenhum gesto proclama
a metamorfose das janelas imaginárias
nem palavras
o olhar que humedece
e emudece
o repouso enfim no centro da tela
e o orgasmo das cores
tanto tempo adiado.

Ademar
16.02.2010

fevereiro 03, 2010

Subscrevo, na íntegra, estas duas observações de Vital Moreira...

Centenário da República (1)

Na cerimonia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.

Centenário da República (2)

Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas ("dr.", "prof. doutor", etc.).
Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?

fevereiro 02, 2010

Um poema de Miquel Martí i Pol (1929-2003), legendado em galego...

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Miquel Martí i Pol, Vint-i-set poemes en tres temps


Se cadra seriamos menos túzaros
se non nos soubésemos confinados nun
cuarto pequeno, escaso de fiestras,
con mobles vellos e po e papelada;
se a cada paso que damos non se erguesen ecos
de presenzas escuras e sinistras,
se puidésemos berrar sen medo nin vergoña.
Se cadra aprenderiamos a sorrir
e non nos fariamos tanto mal nas uñas
a rabuñar paredes, mentres eles, alá fóra
axitan axóuxeres, lanzan proclamas,
manteñen a orde, tocan o carallo.

Versão para galego de Maria Alonso Seisdedos

fevereiro 01, 2010

Espero que seja a última geração do corta e cola...

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Notícias Magazine. 31.01.2010

Um ensino ainda predominantemente dirigido à memorização e reprodução de informação a esmo, que, frequentemente, os alunos nunca chegam verdadeiramente a compreender e a integrar, favorece tudo isto e tudo o mais. A escola que hoje servimos às crianças, aos adolescentes e aos jovens (do básico à universidade) é uma escola minimalista e profundamente deformadora. E o "eduquês" não é para aqui chamado...

Post-scriptum
O Armando Malheiro, que coordenou este estudo, é um velho amigo e companheiro de muitas lutas. Folgo saber, meu caro, que continuamos a partilhar o mesmo lado da barricada!...

janeiro 28, 2010

A honra (e a vaidade) de ter sido professor destes "miúdos"...

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Foram meus alunos há vinte e tal anos. Trabalham hoje na mesma instituição. E fizeram-se fotografar todos juntos para que eu os visse, como são hoje. Da esquerda para a direita, o Alvim, o Isaac, a Glória, a Gigi.
Ao mesmo tempo que a fotografia, que me foi remetida pela Glória, recebi uma mensagem da Gigi. Sempre foi a mais atrevida, a mais "espevitada" de todos. Ao lê-la, percebi uma vez mais que um professor não se projecta apenas naquilo que diz, mas muito mais naquilo que é, que diz de si próprio...

Olá "sedutor", tudo bem? Desculpe tratá-lo assim, mas não sei se se lembra que nós chamavamos-lhe "stor" e não gostava e um dia disse: "Não gosto que me tratem por "Stor", ao menos tratem-me por "sedutor". Lembra-se? E então, a sua vida corre bem? Eu trabalho na mesma Secção que a Glória. nós falamos muito em si, a relembrar os tempos de escola. Foram bons tempos, apesar da imaturidade. Eu era uma aluna um bocado "espevitada", mas era só consigo, por causa da confiança. Sabe que o "stor" deixava-nos à vontade, não era daqueles professores rígidos que só queriam cumprir o programa. Mas foi um professor importante para nós, porque hoje, passados tantos anos, nós conseguimos lembrá-lo de uma forma diferente dos outros, como um amigo.

Obrigado, Gigi!

janeiro 26, 2010

Uma fotografia, ainda, da Teresa Tibo...

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escrevi aqui sobre a Teresa Tibo (à direita, na fotografia, pouco antes de morrer). Não vou repetir-me. Nem vou contar, seria um sacrilégio, os segredos que ela, um dia, então minha aluna, quis partilhar comigo. Desde esse dia, ficámos amigos. Tanto, que ela decidiu poupar-me ao sofrimento da sua doença e da sua morte. A vida pode ser profundamente injusta para muitas pessoas. Mas nunca foi tanto como para a Teresa. Ela não merecia: jamais conheci uma pessoa tão corajosa e tão extraordinariamente humana como ela. Apenas agradeço à Glória Nunes, outra ex-aluna, que me tenha feito chegar esta fotografia. Espero que ela me perdoe que a publique sem prévia autorização...

janeiro 24, 2010

E ainda falta criar a Universidade Guerra Junqueiro, em Freixo de Espada à Cinta...

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Expresso, 23.01.2010

janeiro 17, 2010

Para Rubem Alves...

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Não me engano
para não ter de mentir
entrei no meu coração
e encontrei-te
agora bastamo-nos
para toda a noite
e não há nada
a esperar.

Maria José Meireles

janeiro 16, 2010

O mahatma da beca corporativa à moda do Barreiro (com glossário)...

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DN, 15.01.2010

Não sei se o instinto corporativo vencerá a irreverência e o voluntarismo do meu amigo Marinho. Só sei que a paz que Fragoso promete... é a paz dos generais que perderam a guerra. Falta apenas apurar quantos soldados já desertaram do campo da batalha...

GLOSSÁRIO

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

janeiro 08, 2010

Improviso para saudar numa ca(u)sa um grande Amigo...


Para o Henrique Barreto Nunes


Deixa que nesta noite polar
a memória ocupe o pensamento todo
e não sobre lugar na mesa
para mais ninguém
foi aqui (lembras-te?)
que interrrogámos o destino
e o ganhámos
talvez tudo o mais tenha sido em vão
menos aqui
nesta antiquíssima liberdade
que nenhuma ruína calou
nenhum esquecimento.

Ademar
08.01.2010

janeiro 05, 2010

Homenagear-te-ei sempre, Henrique, mas à minha (nossa) maneira!...

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Diário do Minho, 04.01.2010

Percebo e saúdo a intenção, mas não me associarei, fisicamente, à iniciativa. Em vez de uma homenagem circunstancial, eu gostava de poder oferecer ao Henrique um país e uma cidade que o merecessem. Infelizmente, essa dádiva não está ao meu alcance. E menos... o Henrique não merece...

janeiro 03, 2010

Um poema de Júlio Brandão musicado e interpretado pelo meu Amigo Ivo Machado...

janeiro 01, 2010

Hélas! O meu Amigo João Baptista Magalhães foi ao baú das fotografias, retirou-se de lá (como eu aprendi a conhecê-lo) e escreveu e publicou um poema!...

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É um velho Amigo, a quem me ligam memórias inesquecíveis. Entornemos saudades, Magalhães, entornemos saudades...

dezembro 31, 2009

Sim, António, "não nos esgotemos na inépcia dos piores"...

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Correio da Manhã, 31.12.2009

dezembro 19, 2009

Um amigo, uma causa...

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(...)
DN, 19.12.2009

O pai do Marcos Sá era meu amigo. O Tó Rodrigues merecia continuar entre nós. Pelo menos, não merecia ter morrido nas condições em que morreu. Percebo muito bem o combate do Marcos. Ele sabe como muitos o que significa morrer com dignidade ou sem ela. Acho que nunca falei com o Tó sobre a morte assistida. Mas tenho a certeza de que ele, se fosse vivo, acompanharia o filho nesta causa...

dezembro 16, 2009

Fechou o Avenida...

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Avenida Central era um blogue bracarense em forma de tertúlia, feito por gente infinitamente civilizada. Acabou. Ao seu principal mentor, o Pedro Morgado, só poderei agradecer a companhia ilustre que proporcionou ao abnoxio, nestes últimos três anos. A blogosfera ficou mais pobre. Os espertalhões à moda de Braga terão menos com que se preocupar. Calou-se mais uma voz que arranhava a cobardia. Espero apenas que outras avenidas se abram...

novembro 21, 2009

De vez em quando, o Estado português usa bem os impostos que nos cobra... *

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Foto de Dario Silva (2009)
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Ademar Ferreira dos Santos, Mosteiro de Tibães (1834-1864) : Trinta anos para perder o rasto a uma memória de séculos

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Foto de Dario Silva (2009)

Visitei o Mosteiro de Tibães, pela primeira vez, nos anos sessenta. Tirando a igreja e a sacristia, era um montão de ruínas, a saque. Saí de lá profundamente envergonhado. Hoje, mais de quarenta anos volvidos, regresso sempre a Tibães com a alma em festa. Valeu a pena tudo o que foi feito para salvar e recuperar a antiga casa mãe dos beneditinos portugueses...

* Agradeço ao Dario Silva as fotos que inspiraram esta evocação...


novembro 13, 2009

O advogado inevitável...

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DN, 13.11.2009

Os Godinhos deste mundo precisam sempre de advogados como o Artur...

novembro 04, 2009

Improviso para dizer adeus ao Miguel Monteiro...

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novembro 03, 2009

Terras de Bouro, uma nota sentimental...

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Correio do Minho, 03.11.2009

Costumo dizer que, quando preciso de lavar a alma, fujo para Terras de Bouro. Foi em Terras de Bouro que aprendi a ser e a gostar de ser professor. E é em Terras de Bouro que sempre me sinto mais perto dos segredos e dos mistérios do universo...
Um das famílias mais estimáveis de Terras de Boura é a família Cracel Viana. Como professor, fui colega do Joaquim, do irmão mais velho Manuel Adelino (uma das melhores pessoas que conheci em toda a vida), do cunhado João Sérgio (com quem partilhei tantos sonhos de intervenção educacional) e fui professor do Filipe, o benjamim da família.
Ao passar hoje os olhos pelos diários de Braga, esbarrei com a notícia da tomada de posse do novo presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, o Joaquim Cracel Viana. Fico feliz pela família e pelo concelho. E a torcer pela grandeza, ética e política, do mandato que agora se inicia. Já basta de corrupção e de nepotismo nas autarquias portuguesas...

outubro 06, 2009

Tens toda a razão, Marinho: os tribunais portugueses são antros de formalismo bacoco...

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(...)
i, 06.10.2009

Depois do estágio, desisti de ser advogado, porque não estava disposto a ajoelhar diariamente perante os meus ex-colegas de Faculdade, travestidos de juízes. Os tribunais portugueses vivem ainda numa espécie de idade média. Ainda bem que o Bastonário da Ordem dos Advogados (meu ex-colega de curso e meu amigo) tem coragem para chamar as vacas pelos nomes...
A justiça, em Portugal, não passa, em geral, de uma grosseira mistificação...

outubro 03, 2009

Nunca mais perguntarei ao Esteves pelos "negócios de deus"...

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Correio da Manhã, 03.10.2009

Conhecia o Esteves há cerca de 30 anos e tinha apreço por ele. Nas vésperas do S.João, encontrámo-nos no centro da cidade e estivemos mais de uma hora à conversa. Foi a nossa última conversa. A minha pergunta recorrente era: então, Esteves, como vão esses negócios de deus? Ele sorria e tentava dizer sempre alguma coisa que me pudesse surpreender. Por vezes, conseguia, porque era um padre inteligente e culto. Ele sabia do meu ateísmo e do meu anticlericalismo militantes e respeitava-me, como eu respeitava a sua circunstância, que eu sabia, por muitas razões, complexa e delicada. Muitas vezes lhe disse que sentia que ele errara a vocação e que a igreja católica era demasiado estreita e tacanha para pessoas como ele. Por vezes, parecia concordar. E dizia: e nem tu sabes de metade da missa...
Não sei se lhe falhou o coração. Acho apenas que o Esteves errou o destino. E tenho a certeza de que o carregou até à morte para além do suportável. Felizmente, para ele, já não chegará a perceber que dedicou a vida a uma ficção...

setembro 15, 2009

"Vaga luna", de Bellini, para o Rubem Alves, celebrando o dia, 15 de Setembro, em que ele tão bem nasceu em Boa Esperança...

Vaga luna, che inargenti

Vaga luna, che inargenti
queste rive e questi fiori
ed inspiri agli elementi
il linguaggio dell'amor;
testimonio or sei tu sola
del mio fervido desir,
ed a lei che m'innamora
conta i palpiti e i sospir.

Dille pur che lontananza
il mio duol non può lenir,
che se nutro una speranza,
ella è sol nell'avvenir.
Dille pur che giorno e sera
conto l'ore del dolor,
che una speme lusinghiera
mi conforta nell'amor.

setembro 08, 2009

Uma lista que, noutra altura, me poderia ter incompatibilizado com a humanidade...

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Correio do Minho, 08.09.2009

Estes são os cidadãos que, publicamente, se declaram apoiantes de Mesquita Machado e integram a Comissão de Honra da sua recandidatura a mais um mandato como presidente da Câmara Municipal de Braga (alguns deles não nasceram, não vivem, nem votam em Braga). Nesta lista encontro um pouco de tudo: familiares, amigos, colegas de infância e de escola (incluindo a universidade), colegas de profissão. Conheço, pessoalmente, a maior parte dos subscritores desta lista (que não é de Schindler). E tenho apreço pessoal por muitos deles. Presto-lhes o tributo de pensar que, se soubessem tudo aquilo que eu sei (há mais de 30 anos)... não teriam jamais aceitado subscrever esta lista...

setembro 02, 2009

Fico muito feliz por te ver aqui, Henrique! Tu acrescentas credibilidade ao Bloco de Esquerda...

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Correio do Minho, 02.09.2009

Nenhum partido desdenharia, em Braga, ter o apoio público de um cidadão exemplar como é e sempre foi Henrique Barreto Nunes...

Uma mesa: nota saudosista...

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Correio da Manhã, 02.09.2009

Nas extremidades desta mesa, dois ex-colegas meus de curso e de turma, na Faculdade de Direito de Coimbra: o António Marinho e a Anabela Rodrigues. No primeiro ano, pelo menos, era norma sentarmo-nos nos anfiteatros por ordem alfabética. Na primeira fila, os alunos cujos nomes começavam por A. Antes de mim, Ademar, havia dois ou três, já não me recordo. A seguir a mim, o Adriano. E depois do Adriano, à nossa esquerda, a Ana Costa Almeida, a Anabela Rodrigues, os Antónios todos, incluindo o Marinho Pinto. Nos primórdios da década de setenta, as mulheres ainda eram raríssimas na Faculdade de Direito de Coimbra. Professoras, não havia. Se a memória não me está a pregar uma partida, a Anabela Rodrigues foi a primeira ou uma das primeiras mulheres a doutorar-se na Faculdade e a assumir a regência de uma cadeira. Era uma mulher muito bonita e uma colega estimável: delicada, companheira, solidária. Ainda hoje, mais de trinta anos volvidos, mantenho o mesmo apreço pessoal pela Anabela. E a mesma amizade pelo Marinho. É gente boa: gente que nunca fez malfeitorias (nem precisou de vender a alma ao diabo) para se impor...

agosto 30, 2009

É absolutamente imperdoável que a Câmara de Vila Nova de Foz Côa não tenha agraciado com a medalha de mérito municipal o Ministro da Cultura, de Sócrates!...

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Correio da Manhã, 30.08.2009

António, meu querido Amigo, gostei muito de te ver nesta fotografia. Espero que o ministro tenha aprendido alguma coisa...

agosto 27, 2009

Um comentário (privado) que me comoveu...

Não importa a identidade do leitor (respeito a reserva do comentário), mas hoje recebi, por e-mail, esta "confissão" a propósito do poema de Alexandre O'Neill que publiquei esta manhã. Fico sempre feliz quando os meus alunos e os meus leitores reconhecem um poeta... pelas palavras...

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agosto 14, 2009

Há lugares onde estou sempre a morrer...

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Foi aqui, nos Picos da Europa, que a Maria João veio morrer. Olho para estes maciços e não consigo abstrair: a memória persegue-me e asfixia-me...

Um vídeo deslumbrante, que me foi sugerido por Rubem Alves...

Reproduzo o texto explicativo que acompanhava a remessa deste vídeo.

Esta é uma impressionante dança chamada de "Guan Yin das Mil Mãos", que está fazendo um enorme sucesso em vários países.
Considerando a exigência de coordenação absoluta, a apresentação já seria de "deixar cair o queixo", mesmo que todos os 21 dançarinos não fossem surdos-mudos.
Considerando a sua deficiência, os dançarinos se valem de sinais feitos pelos treinadores nos quatro cantos do palco..
Sua primeira apresentação maior foi em Atenas, na cerimónia de encerramento das paraolimpíadas de 2004. A dançarina-líder é Tai Lihua, de 29 anos.
O vídeo foi gravado em Beijing, durante o Festival da Primavera, este ano de 2009.

julho 31, 2009

Espero, Henrique, que a partir de agora possas finalmente escrever e publicar tudo o que nos prometeste!...

A Universidade do Minho ficou hoje mais pobre: o Henrique Barreto Nunes aposentou-se. Não vou repetir o que já, noutras alturas, escrevi aqui sobre o Henrique. Publicarei apenas a mensagem de despedida que ele endereçou hoje aos Amigos e Colaboradores de muitos anos. Parabéns, Henrique, por tudo o que fizeste e partilhaste connosco. E OBRIGADO!...

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DESPEDIDA

Tenho 62 anos. Trabalhei 34 anos e oito meses na Universidade do Minho: um ano e meio nos Serviços de Documentação (então instalados no edifício da Biblioteca Pública), um ano na Unidade de Arqueologia (a funcionar no Museu dos Biscaínhos), 32 na Biblioteca Pública de Braga, de que oficialmente fui director de 2000 até hoje. Em Setembro 2006, num momento dramático, a Reitoria pediu-me para também dirigir, provisoriamente, o Arquivo Distrital de Braga. Fiquei até ao fim.
Estou cansado, já não me sinto com capacidade para ser responsável por estas duas prestigiadas instituições culturais, em tempos difíceis, com falta de meios e recursos humanos, (o Arquivo Distrital é o segundo mais importante do país, mas não possui um único técnico superior de arquivo), quase sem apoios – embora deva deixar aqui expressa a minha estima pessoal pelo Professor A. Guimarães Rodrigues e a minha gratidão ao Professor José Viriato Capela.
Na Universidade do Minho pertenci ao Conselho Cultural, presidido pelo inesquecível Professor Lúcio Craveiro da Silva, desde a sua criação em 1986, sendo seu secretário, coordenador editorial da revista “Forum” e membro da comissão organizadora do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea. Fui membro da Comissão Instaladora da Casa Museu de Monção. Pertenci, por eleição, ao Senado Universitário e à Assembleia da Universidade, de que fui secretário da Mesa. Pertenci ao colégio eleitoral que elegeu o seu primeiro Reitor e, devido a circunstâncias especiais, presidi à Assembleia que elegeu o actual. Estive na origem do processo que conduziu ao Salvamento de Bracara Augusta, surgido na U.M. em finais de 1975, e fui um dos artífices (quer se queira, quer não) da adesão da U.M. à Rede de Leitura Pública, que acompanhei apaixonadamente de 1960 até às vésperas da inauguração da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva. Colaborei em numerosas iniciativas de Escolas, Institutos, Unidades Culturais, Serviços e da Associação Académica.
Vi partir com saudade Carlos Lloyd Braga e J. Barbosa Romero, Egídio Guimarães, Armindo Cardoso e M. Assunção Vasconcelos, Afonso C. Ferreira e Alice Brito, Francisco Botelho e Hélio O. Alves, Victor de Sá e Santos Simões, Lúcio Craveiro da Silva.
Sinto uma imensa tristeza por deixar a Biblioteca Pública de Braga, os meus amigos-companheiros de trabalho, os seus leitores, os livros, a acção cultural que faz parte da minha respiração, da minha vida.
Ainda tinha tanto que fazer…

Braga, Biblioteca Pública, 31 de Julho de 2009

Henrique Barreto Nunes

julho 24, 2009

Improviso para dizer uma vez mais adeus a Coimbra...

Dizia-me há dias
que lhe pesava uma dor
nas costas
no ombro
no braço
sequelas de uma queda quase romântica
a colher laranjas
não era bem uma dor
corrigia
seria mais uma indisposição
uma incomodidade muscular
nada
brincou
que impusesse
um internamento hospitalar
hoje
ao princípio da tarde
ligaram-me
o Nuno morreu
a indisposição afinal
era um prenúncio de caso julgado
o último
como na balada do Zeca
o Nuno
não voltará mais a cantar.

Ademar
24.07.2009


julho 16, 2009

Fernando Pessoa será eterno, como poucos portugueses serão...

Fernando Pessoa, aqui, no Second Life. Agradeço à Elisabete a partilha...

julho 01, 2009

Para quem vive em Lisboa ou nas imediações e possa estar interessado(a)...

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junho 26, 2009

Este Magalhães dispensa fundações, públicas ou privadas!...

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De vez em quando, apetece-me falar dos Amigos. Por exemplo, do João Baptista Magalhães, o Primo de Amarante (para ser mais exacto, de Marco de Canaveses, do inqualificável Avelino Ferreira Torres e da surpreendente Igreja de Siza Vieira ou de Santa Maria). O Magalhães tem muitos amigos e muitos inimigos, também. Temos isso em comum. E a memória de um ano inesquecível em que partilhámos a mesma casa, em Coimbra. A casa era minha: ele era o hóspede. E, não lhe sendo consentido que retribuísse em dinheiro a hospedagem, retribuiu na cozinha, servindo-me alguns dos mais poéticos e transmontanos jantares que a vida me serviu. Não sei, ainda hoje, como sobrevivi ao pecado da gula. O João Baptista Magalhães é, para além de filósofo, um excelentíssimo e mui prazeroso cozinheiro. Aqui há anos, cruzando-nos circunstancialmente num restaurante em Matosinhos, envergonhei-o. Ele almoçava com a fina-flor da Universidade Católica, do Porto (onde, na altura, ensinava). Começámos, obviamente, a disparatar, alheios a quem se encontrava à nossa volta. Até que ele se sentiu na obrigação de me apresentar aos "ilustres" començais que o acompanhavam. Sorri, cumprimentei os presentes e lembro-me vagamente de ter dito algo do género: "não fiqueis escandalizados, mas este foi o homem que me serviu na cozinha durante um ano!" Não sei como o João desembrulhou depois a pecaminosa revelação. Mas sei que o fez certamente com inteligência e boa disposição. O Magalhães é um príncipe do Porto. Disse-lhe hoje que há mais de trinta anos que estou em dívida para com ele. Mas talvez presentemente eu seja capaz de o surpreender na cozinha. E de retribuir os magníficos jantares que ele me serviu em Coimbra. Saravá, companheiro!...

junho 22, 2009

Nunca me canso de ver os filmes (infelizmente, tão poucos) de John Cassavetes!...

Uma confissão quase cinematográfica. Nasci a 9 de Dezembro, como a Ana Saraiva (a quem, poeticamente, este blogue tanto deve e que, um dia, voltará a publicar aqui os seus poemas). A 9 de Dezembro, nasceram também John Malkovich (esse actor sempre imprevisível) e John Cassavetes. Cassavetes é (foi) um realizador genial e um verdadeiro criador. A noite passada, entretive-me a rever Gloria (de 1980), um dos seus últimos filmes. Os primeiro cinco minutos são, absolutamente, arrebatadores. Reparai...

Este é o advogado (Francisco Pimentel) que quer tramar Luís Filipe Vieira...

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Há muitos anos que não via o Chico Pimentel, meu colega de curso e camarada de muitas lutas, em Coimbra. Vi-o hoje ao fim da tarde na TVI24, esgrimindo em directo argumentos estatutários que inviabilizariam a candidatura de Luís Filipe Vieira a um novo mandato como presidente da direcção do SLB. Percebo agora melhor a lógica da providência cautelar e começo a desconfiar que as eleições no SLB ainda vão dar muito que falar. Talvez a ejaculação precoce de José Eduardo Moniz não tenha sido em vão...

junho 16, 2009

Uma mensagem do meu querido Amigo Rubem Alves...

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junho 14, 2009

As melhores pessoas deste país estão com o Bloco de Esquerda e isso deixa-me muito feliz...

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O Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga, é um dos melhores portugueses que eu conheço: culto, íntegro, corajoso, mas sempre discreto. Superlativamente. Ao vê-lo aqui desfilar, em campanha, pelo Bloco de Esquerda, fico imensamente feliz. Obrigado, Henrique!...
Obrigado por todos nós...

junho 08, 2009

Que significará, em Portugal, "assumir pessoalmente a derrota"? Suponho que, rigorosamente, nada: é, apenas, mais um faz-de-conta retórico...

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Correio da Manhã, 08.06.2009

junho 05, 2009

Espero que Sócrates resista ao ciúme...

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Correio da Manhã-TV, 05.06.2009

junho 04, 2009

Confesso que não consigo reconhecer aqui a mãe...

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O Inimigo Público, 04.06.2009

maio 27, 2009

Eis uma proclamação, verdadeiramente, capaz de mobilizar o eleitorado...

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Público, 27.05.2009

maio 26, 2009

É só fumaça, é só fumaça!...

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Correio da Manhã, 26.05.2009

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Público, 26.05.2009

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i, 26.05.2009

É sabido que os mandarins da advocacia portuguesa sempre estiveram à espera de uma oportunidade para tirar o tapete ao Bastonário da Ordem. Só lamento que o meu amigo Marinho, em duas ou três condições, não tenha sido um pouco mais prudente...

maio 25, 2009

Dói-me muito ver assim um amigo...

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i, 25.05.2009


maio 23, 2009

Encontrar-nos-emos logo à noite (21:30), na Fundação Cupertino de Miranda (Vila Nova de Famalicão)...

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maio 22, 2009

Quem não viu... não poderá imaginar o que perdeu!...

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Manuela Moura Guedes, hoje... vai ter dificuldade em adormecer. Porque, querendo enxovalhar alguém (neste caso, o Bastonário da Ordem dos Advogados), saiu enxovalhada. O mínimo que António Marinho Pinto lhe disse foi... que não acreditava que ela, alguma vez, tivesse lido o código deontológico dos jornalistas. Quem não viu... poderá imaginar o espanto e a raiva da... entrevistadeira. Nunca, em tempo algum, vi Manuela Moura Guedes tão encostada às cordas e tão incapaz de reagir. A verdade é que mereceu. Espero que lhe tenha servido de lição. Espero, pelo menos, que tenha percebido que ainda há, em Portugal, quem seja capaz, em directo, de a mandar à merda, com um sorriso de escárnio nos lábios. Hoje, uma vez mais, reconheci o meu velho amigo Marinho. Não me interessa se ele proporcionou, hoje, um esplendoroso orgasmo a Sócrates. Basta-me que ele tenha sido igual a si próprio. Há quase 40 anos que o conheço assim. Ainda bem que não mudaste, pá!...

maio 21, 2009

Num país governado pelos melhores, António Nóvoa, se quisesse, faria parte de qualquer governo digno desse nome...

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(...)
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(...)
Público, 21.05.2009

Há mais de 30 anos que o conheço assim: lúcido, frontal, cultíssimo, integérrimo. Eu, se pudesse, faria dele primeiro-ministro...

Um exemplo muito impressivo de... tranquibérnia...

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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Vital Moreira usou ontem, num debate, um substantivo de rara circulação: tranquibérnia. A moderadora estranhou e Paulo Rangel, querendo repetir a palavra, tropeçou nas sílabas. Há muitos anos, porém, que ouço e leio a Vital... tranquibérnia. O que ele não poderia imaginar é que, esta semana, na edição de O Diabo, seria vítima de uma verdadeira tranquibérnia, em forma de infâmia...

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O Diabo, 19.05.2009


maio 18, 2009

Confesso, Marinho, que não partilho o teu problema: jamais me ocorreria, fosse em que circunstância fosse, votar em Sócrates!...

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(...)
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(...)
24horas, 18.05.2009

maio 13, 2009

Éramos jovens e "românticos", não aspirávamos a cargos, nem a prebendas: fazíamos apenas política por urgência... cívica...

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Estas fotografias, que encontrei hoje quando arrumava papéis, têm trinta e tal anos. Não estão datadas, mas devem ser da primavera de 1975. Ao centro, de boina, o Alfredo Soveral Martins, que um cancro fulminaria dois anos depois. Não sei quantos mais deste grupo, entretanto, o terão acompanhado. Perdi o rasto a quase toda esta gente. Mas gostava de saber o que é feito dos vivos. As memórias de juventude que partilhamos... mereciam ser recuperadas do limbo do esquecimento. Faltam aqui o António Nóvoa, o Carlos Fragateiro, o João Baptista Magalhães, o Casimiro e tantos, tantos companheiros que a democracia e a vida conduziram depois por caminhos que raramente se cruzaram. Mas não me lembro de ninguém que tenha feito... carreira política. Servíamos ideais: não queríamos ter poder, nem tachos. E este continua a ser, diante destas imagens, o meu maior conforto. Sim, amigos, que é feito de nós?!...

maio 12, 2009

SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA (o mais, claro, é invenção): um precioso documentário sobre Manoel de Barros que a Ana já viu (em Paris) e eu, não...

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Manoel de Barros, Livro das Ignorãças


Depois de Fernando Pessoa, Manoel de Barros. São os dois grandes génios da poesia, em português. Manoel de Barros tem 92 anos e sempre se furtou à exposição pública. O realizador Pedro Cezar conseguiu o milagre de o convencer a entrar na personagem de si mesmo. O documentário que realizou, intitulado SÓ DEZ POR CENTO É MENTIRA, passou por estes dias em Paris, no Festival de Cinema Brasileiro. A minha amiga Ana Saraiva foi ver e adorou. Quando o veremos aqui?...


maio 11, 2009

Eu percebo a ideia, meu caro Marinho, mas, como se diz na gíria da "batalha naval", é um tiro na água!...

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i, 11.05.2009

Os "grandes" advogados (das sociedades) até podem dar-se ao luxo de suspender a inscrição na Ordem para serem deputados: alguém trabalhará para eles. Os pequenos, que ainda fazem uma advocacia artesanal, não. Faz sentido? Claro que não faz. Impedimentos deste tipo geram apenas desigualdades perversas...
Idealmente, os deputados deviam ser apenas... deputados. Mas não serão "incompatibilidades" formais que garantirão a decência e a ética. Nestas matérias (como em muitas outras), o proibicionismo sempre gerou o contrabando, a traficância e a fraude. Uma coisa tenho por certa: os advogados travestidos de "representantes do povo" saberiam transformar esta "incompatibilidade" numa farsa...
Receio, meu caro Marinho, que não encontres a saída nesse beco em que te meteste...

Declaração de interesses: fui colega e sou amigo do António Marinho Pinto, mas nunca quis ser advogado e nunca quis ser deputado. Nunca quis e jamais quererei.

Testemunho de um leitor...

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maio 07, 2009

A homenagem do Ivo...

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O meu amigo Ivo Machado aposentou-se recentemente (toca a todos). Hoje, ao almoço, ironicamente, perguntei-lhe pela comenda. Pela homenagem. Os professores, quando se aposentam, costumam ser "comendados" e... homenageados. Pelo menos, pelos colegas. Pelo menos, por alguns. O Ivo, como eu previa, sorriu. E contra-atacou: "eu é que faço questão de homenagear os meus amigos, os meus antigos colegas, os meus antigos alunos". E sacou do convite que partilho, alegremente, convosco...
Nunca fomos colegas de escola, mas de escolas (secundárias) vizinhas. A poesia e a música aproximaram-nos. O Ivo compõe e canta. Já compôs a meu pedido ou por minha sugestão, já cantou para mim (e para outros amigos), em festas mais ou menos privadas. Toda a gente gosta do Ivo. E o Ivo adora compor e cantar para os amigos. E tem, ademais, uma belíssima voz...
No dia 23, lá estarei. Só não sei se haverá lugar no Auditório da Fundação Cupertino Miranda para todos os amigos que o Ivo, certamente, quererá homenagear. Ele tem tantos...

maio 06, 2009

Um livro mais de Vergílio Rodrigues...

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Quando nos conhecemos, há quase trinta anos, ele fazia de deputado (socialista) e eu... de jornalista. Simpatizámos imediatamente um com o outro. Tínhamos, em comum, a propensão para a ironia e a gargalhada fácil. Como morámos na mesma freguesia, continuámos a encontrar-nos de vez em quando e a rir, a rir sempre. O Vergílio é, provavelmente, o português mais "gentleman" que eu conheço (ao pé dele, João Carlos Espada não passa de um enchido de lacinho e paletó) e, ao mesmo templo, o mais "queirosiano". Com uma frase distraída, o Vergílio fulmina qualquer vaidade e fragmenta em cacos a mais lustrada reputação. Sempre que me cruzo com ele, é certo e sabido que vamos gargalhar. Há pouca gente neste país de tristes e fingidos que eu goste tanto de encontrar como o Vergílio...
Ontem, mandou-me um e-mail a anunciar a publicação de mais um livrinho. Hoje, de manhã, recebi-o. Comecei a folheá-lo. Ainda não é o livro de memórias que o Vergílio nos deve, mas ele promete não ficar por aqui. Continuarei à espera dos próximos...
Obrigado, Vergílio!...


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maio 04, 2009

Entre a farsa e a comédia, sempre...

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Correio da Manhã, 04.05.2009

maio 03, 2009

Eça de Queiroz e José Saramago: dois olhares radicalmente distintos sobre o 1º de Maio e a arruaça de que foi vítima Vital Moreira...

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(...)
Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre


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DN, 03.05.2009Eça

Há quantos anos não sabia da Isabel Manta!...

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Correio da Manhã-Domingo, 03.05.2009

Conhecemo-nos há muitos, muitos anos. Era uma rapariga com muita piada. Nunca mais soube dela. Reencontrei-a hoje, aqui. A memória galopou três décadas, para trás, e sorriu...


abril 25, 2009

A arte do efémero revolucionário ou... para não dizerem que não dei também para o peditório do 25 de Abril...

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Agradeço ao meu amigo José Manuel Castro a disponibilização das imagens.


abril 15, 2009

Apenas para adultos: a mulher com o melhor físico do mundo...

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Agradeço a sugestão ao meu querido Amigo Rubem Alves...

abril 12, 2009

Uma fotografia que me sugere um comentário talvez pedagógico e quase confessional...

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JN, 12.04.2009

Eu não sou imparcial quando falo de Vital Moreira. Porque somos amigos e porque tenho, desde os bancos da Faculdade, um enorme apreço por ele. O que não me impede, obviamente, de devotar um profundo desprezo (político, cívico e intelectual) por Sócrates. Os amigos dos meus amigos não têm, por força, de ser também meus amigos. Talvez um de nós esteja enganado ou iludido. Ou talvez não. Eu não sou candidato a nada e conheço de ginjeira o PS. Muito melhor e há muito mais tempo, tenho a certeza, do que o meu amigo Vital Moreira. E ele sabe bem por quê...

março 24, 2009

Se as velhas e estafadas "soluções" nada resolvem (não é por haver muitos exames que a escola é melhor e os alunos aprendem mais), por que não experimentar outros caminhos, por mais absurdos que possam parecer?...

(...)
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Gilberto Dimenstein&Rubem Alves, Fomos Maus Alunos

março 21, 2009

Quase vinte anos depois, António reincide...

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Expresso, 21.03.2009

Os artistas são assim: se não lhes cortamos as mãos nas primícias da delinquência, reincidem sempre. Não há nada fazer. Espero apenas, agora, que o nazi recauchutado que reina sobre os católicos, tão cedo, não consiga sair do preservativo em que se meteu...

março 16, 2009

Quase cem anos depois, Core 'ngrato, que o meu pai, discretamente, escutava e o Rubem, hoje, me recomendou que voltasse a ouvir...

março 14, 2009

Um pouco de fogo ou de matéria incandescente...

Mas será que ainda alguém acredita numa única palavra desta gente?!...

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O Jogo, 14.03.2009

Marcelino, meu caro, estás enganado: "encabulado" (do verbo "encabular) existe e significa "envergonhado", "constrangido", etc. E, sem esforço, até conseguirias associar um significado (pelo menos, coloquial) ao neologismo "encabolado" (de "bola"). Por exemplo. "Encabolado": quem já não sabe onde meter ou guardar a bola...

março 13, 2009

Logo à noite, em Braga...

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Um reencontro de velhos amigos, com as gravuras do Côa em fundo...

Parabéns, António! É reconfortante saber que, neste país, ainda há espaço para a decência...

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DN, 13.03.2009

março 11, 2009

Um pequeno presente para o meu Amigo Rubem Alves (depois de ler um belíssimo texto que ele me enviou do Brasil, sob o título "NUNCA TE VI, SEMPRE TE AMEI"): "The Lord Of The Dance", em quatro versões...

março 09, 2009

Só fica mesmo a faltar que o próximo perfil de José Sócrates seja feito também por... Fernanda Câncio...

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DN, 07.03.2009

O perfil é, ostensivamente, para "exaltar" os méritos e as qualidades do biografado. Como amigo do Vital, fico feliz. Como leitor do DN, fico furioso. Por razões de óbvia deontologia profissional, eu jamais teria confiado este trabalho a Fernanda Câncio. E ela deveria ter pedido escusa. Custa-me muito ver o Vital, ainda que involuntariamente, envolvido nestas trapalhadas...

março 08, 2009

Uma prenda para dois Amigos que reencontrei hoje...

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Costumo dizer que nunca coleccionei amigos, mas os amigos que tenho são as melhores pessoas que eu poderia ter conhecido. Entre elas, à cabeça, o Henrique (Barreto Nunes) e a Manuela (Malheiro). Reencontrei-os hoje na "marcha" pelas Sete Fontes. Falámos de tudo. E, como não poderia deixar de ser, falámos também, bastante, do João Viriato, o filho deles, actualmente, em Bruxelas. Não sei se o Henrique e a Manuela conhecem esta fotografia do João. Tem mais de vinte anos, mas todos nós, certamente, ainda nos recordamos muito bem das circunstâncias em que foi tirada...

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março 07, 2009

Confesso, Artur, que não me consigo imaginar a fazer advocacia como tu fazes!...

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Notícias Sábado, 07.03.2009

Conheço bem as origens e o berço do Artur. E sei e entendo como ele se fez o advogado que hoje é. Mas não o invejo, nem tão pouco o admiro. Os jogos do foro, em que ele é mestre, nunca profissionalmente me atraíram...

Uma legenda muito curiosa...

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Expresso, 07.03.2009

Quantas pessoas vê nesta fotografia? Quatro. Quantos nomes vê referidos na legenda? Três. Quem ficou de fora? De fora da legenda, curiosamente, ficou o único membro do governo que está à mesa: Maria Manuel Leitão Marques, Secretária de Estado da Modernização Administrativa, e "mãe" do Simplex. Por que terá sido a Maria Manuel expurgada da legenda? Só encontro uma explicação: por ser mulher do Vital. Há omissões que dizem quase tudo sobre o pensamento dominante numa sociedade...

março 05, 2009

Uma nota biográfica sobre Vital Moreira bastante bem feita (publicada hoje na Visão) e uma surpresa (minha) para o Flávio e para o Sérgio, filhos do Vital...

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Visão, 05.03.2009

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Expresso, 28.05.1983

março 02, 2009

Um pintor português...

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A Lia Soares é uma das mais fiéis e, também, uma das mais críticas leitoras deste blogue. Por ela conheci uma parte da obra do pai, o pintor José Soares. Justíssima (e comovedora) a homenagem que lhe prestou aqui...

fevereiro 28, 2009

Pessoalmente, não hesitaria: Vital Moreira é um excelentíssimo candidato e votaria nele. Infelizmente, irá concorrer pelo PS e o PS nunca terá o meu voto... E o Vital sabe muito bem por quê...

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Sou amigo do Vital há quase 40 anos e tenho o maior apreço e a maior estima por ele. É, sem dúvida, uma das melhores pessoas que eu conheci ao longo da vida e di-lo-ei sempre. E não fiquei nada surpreendido com a indicação do seu nome para cabeça de lista do PS nas europeias. É uma das poucas coisas que eu devo partilhar com José Sócrates: a admiração pelo Vital. Infelizmente, não poderei votar nele e ele... sabe bem por quê. De resto, e sem prejuízo da amizade que nos liga, ele também não votaria em mim, se eu fosse, por exemplo, (e não serei) candidato do BE.
Lembro-me, nesta hora, de uma conversa que tivemos (alguns dias depois do 25 de Abril), quando o Vital assumiu, publicamente, o seu compromisso com o PCP. Eu dizia-lhe que não entendia. Não entendia como, depois da Hungria e da Checoslováquia, alguém como ele podia ainda, à esquerda, reclamar-se da herança do estalinismo ou rever-se nela ou deixar-se confundir com ela. Não importa o que, na circunstância, o Vital me respondeu. De resto, fora ele que me iniciara ao conhecimento de Marx e de Lenine. E de Gramsci. E eu era o discípulo diante do mestre. Lembro-me apenas de lhe ter dito que, depois da Primavera de Praga, não havia mais argumentos para se ser... comunista, à moda do Komintern e de Cunhal. E que ele, o mestre, acabaria por concordar com o discípulo, rejeitando a herança política e ideológica que o conduzira ao PCP.
Há mais de 30 anos que sou vítima, como bracarense, do PS. Não consigo imaginar Vital em campanha, ao lado de todos aqueles que, em nome do PS, me fizeram desacreditar da bondade e da grandeza da política. Pessoalmente, votaria nele, de caras. Politicamente, estou impedido de o fazer. Por uma questão de higiene elementar. Sobra-me apenas a consolação de que ele perceberá isso. E continuaremos amigos.
Boa sorte, Vital! Tenho a certeza de que serás um grande deputado europeu, um dos melhores que já tivemos!....

fevereiro 19, 2009

O pântano à moda de Braga...

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Visão, 19.02.2009

Que Virgílio Costa ainda seja deputado do PSD (e um dos mais antigos)... é um escândalo. Que ele ainda seja líder da distrital de Braga do PSD... é uma vergonha. Que, no entretanto, tenha vindo a terreiro defender Mesquita Machado... entende-se. São feitos da mesma massa...

PS- Que saudades dos tempos em que o líder distrital de Braga do PSD era um Senhor chamado Fernando Alberto Ribeiro da Silva...

fevereiro 17, 2009

A propósito de tudo e de nada ou... para bom entendedor, meia palavra basta...

Um dia, já lá vão muitos anos, um ex-colega de Faculdade quis provar-me, narcisisticamente, que tinha "na mão" um presidente de câmara. À minha frente, pediu à secretária que estabelecesse a ligação, recomendando-lhe que usasse o número directo e reservado do presidente. Quando a ligação foi estabelecida, accionou o gravador e eu, depois, pude ouvir toda a conversa. Lembro-me bem do início (desculpai que reproduza o calão): "és tu (...)? ouve lá, ó meu filho da puta, andas a ver se me enrabas? Tenho aqui à minha frente um amigo que te quer meter na cadeia, pá! E eu ainda não sei se te vou foder!..."
Posso garantir-vos que o "presidente" meteu o rabinho entre as pernas e desfez-se em satisfações e promessas de colaboração...
Se eu não tivesse ouvido a conversa e não tivesse reconhecido a voz do "presidente"... não acreditaria que isto fosse possível em Portugal. É, por isso, que me rio quando leio ou ouço certos desmentidos...
Há muitos e muitos portugueses que, quando votam, fazem apenas figura de idiotas...

fevereiro 14, 2009

José Henriques Coimbra: perdi um Amigo e um dos primeiros e mais fiéis leitores deste blogue...

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Expresso, 14.02.2009

Assino por baixo tudo o que se diz neste texto. E tudo o mais que se poderia dizer.
O Zé Henriques Coimbra era, de facto, um Senhor. Tive a sorte e o privilégio de o ter como Amigo. A sua generosidade e o seu companheirismo eram inexcedíveis. Devo-lhe inúmeras atenções. Desabafei muitas vezes com ele. Já depois de eu ter abandonado o Expresso, sempre acolheu e publicou os textos que lhe enviava. E nunca deixava de me estimular a escrever mais.
Em 2003, quando publiquei o meu primeiro livro de poesia, o Zé Henriques Coimbra fez questão de estar presente no lançamento da obra e me dar um abraço. Foi a última vez que falámos olhos nos olhos.
Em 2004, quando criei este blogue (então ainda no sapo), o Zé Henriques Coimbra foi um dos primeiros a apoiar e a comentar. E, de vez em quando, sempre discretamente, como era seu timbre, lá me ia dando conta das suas leituras...
Hoje, ao confirmar a sua morte, chorei. A humanidade está de luto...

fevereiro 06, 2009

Mais uma peça da campanha negra e difamatória...

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Visão, 05.02.2009

Escreve Vital Moreira:

Segundo a revista Visão, «o grupo Carlyle garante que a auditoria feita às contas do Freeport PLC não detectou qualquer buraco financeiro nem qualquer pagamento de "luvas"».
A confirmar-se esta informação (e será fácil verificá-la), a história da corrupção no caso Freeport desmorona-se, pela base
.

O esforço diário que Vital Moreira faz para esvaziar politicamente o caso Freeport chega a ser comovedor. Sempre à procura de desmentidos convincentes que provem a cabala dos poderes ocultos (desmentidos, note-se, dos directamente envolvidos ou interessados no caso), Vital respirou mais uma vez de alívio com o teor dos esclarecimentos prestados à Visão pelo porta-voz em Portugal dos actuais donos do Freeport. Vital esquece-se, apenas, de nomear o oportuno informador: António Cunha Vaz. Quando vi quem era, comecei a rir. A crédula ingenuidade do meu amigo Vital não é menos comovedora...

fevereiro 02, 2009

Para o meu Amigo Rubem Alves, que acaba de me dizer que pensa em mim sempre que ouve esta peça de Ravel, que eu lhe dei a conhecer...

fevereiro 01, 2009

Os "desmentidos categóricos" que, categoricamente, desmentem tudo ou... a fé que sempre nos salva!...

Escreve Vital Moreira:

«Manuel Pedro, associado da Smith & Pedro, em comunicado enviado à Lusa, afirma que nunca procedeu a «pagamentos ilícitos» e que a única vez que se encontrou com Sócrates foi no Ministério do Ambiente numa reunião pedida pela autarquia de Alcochete.»

Ficam assim categoricamente desmentidas pelos próprios as suspeitas de reuniões "clandestinas" e de pagamento de "luvas" (o mesmo desmentido já tinha sido feito por Charles Smith). Será que os media que têm intoxicado a opinião pública com manchetes sobre manchetes com as mais mirabolantes revelações sobre o caso vão agora dar o mesmo destaque a esta notícia que as contradiz integralmente, ou vão remetê-la, como é costume, para um lugar secundário, como sucede, em geral, com tudo o que contrarie a opinião preconcebida?!

Sócrates denuncia a cabala e diz-se vítima de uma campanha negra e difamatória? Eis a prova definitiva da sua inocência. Os supostos corruptores declaram que nunca corromperam? Eis a prova definitiva de que não houve corrupção. Um arrepio gélido cruza-me a coluna vertebral...


janeiro 25, 2009

Uma excelente notícia editorial...

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(...)
JN, 25.01.2009

Foi o António, meu amigo, que me ensinou a interrogar a arte pré-histórica. Esta obra sobre as gravuras do Côa, escrita, como ele diz, numa linguagem que todos possam entender, será certamente um acontecimento editorial. O António não é apenas um notabilíssimo arqueólogo, mas... um poeta do invisível. O Côa é uma poética invisibilidade...

janeiro 24, 2009

Portugueses, alegrai-vos! Sócrates desmentiu, categoricamente, tudo! A honra da pátria está salva!...

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DN, 24.01.2009

Não partilho, em matéria de apreciação da força probatória de desmentidos, o entusiasmo do meu amigo Vital Moreira. Tenho sempre tendência para, nestas alturas, recordar Richard Nixon e o caso Watergate. Sabeis quantas vezes ele negou categoricamente tudo?!...


janeiro 19, 2009

A Geira Romana e o Francisco Sande Lemos...

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Público, 19.01.2009

Se bem me lembro, acho que conheci a Geira Romana depois de ter conhecido o Francisco Sande Lemos. Pela Geira, foi fácil apaixonar-me. Pelo Francisco, nem por isso. Muitas vezes, me irritei com ele. O Francisco Sande Lemos, frequentemente, como se diz na gíria, dava uma no cravo e outra, na ferradura. E nem sempre deu a cara como se impunha, quando já não tínhamos mais do que a cara para dar de penhor por aquilo em que acreditávamos. O Henrique, o António, o Eduardo e tantos mais que, nesse tempo, faziam parte da "seita" da ASPA (e outros já morreram)... sabem muito bem ao que me refiro. Com a passagem dos anos, o progressivo alijar de responsabilidades "políticas" e a estabilização académica, o Francisco Sande Lemos endureceu a coluna vertebral e tornou-se menos... enguia. Agora que se aposentou e já pode fazer e dizer o que lhe apetece, o Francisco está cada vez mais próximo daqueles que, noutros tempos, apelidava de radicais. Registo com agrado a metamorfose e saúdo o seu ingresso no pelotão dos inconformados...
Quanto à Geira Romana, uma das primeiras causas patrimoniais por que me bati, é com muito reconforto interior que vejo que valeu a pena o combate. Poucos poderão imaginar como ele foi, pessoalmente, tão marcante...

janeiro 18, 2009

Dois professores que, amanhã, não farão greve...

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Diário do Minho, 17.01.2009

O Mário Cláudio que me perdoe, mas os meus olhos, ao recolherem-se nesta fotografia, fixaram-se nos personagens centrais, ambos com as mãos cruzadas sobre o baixo ventre: à esquerda, o António Leite, ex-dirigente do Sindicato de Professores do Norte (FENPROF) e, actualmente, Director Regional Adjunto de Educação do Norte; à direita, o João Sérgio Rodrigues, ex-coordenador do Centro de Área Educativa de Braga e, actualmente, coordenador da Equipa de Apoio às Escolas do Alto Cávado. Conheço bem um e outro e devo confessar que sou amigo do João Sérgio, de quem fui, profissionalmente falando, colega de escola, há cerca de 20 anos. Não está aqui em causa o apreço que, pessoalmente, eu possa ter por eles. Nesta altura, o António Leite e o João Sérgio executam uma política educativa que eu considero profundamente errada. E, ao deter os olhos nesta fotografia, não posso deixar de recordar que, ainda há não muito tempo, partilhávamos, no essencial, os mesmos princípios e os mesmos objectivos em matéria de política educativa. Eu não mudei. Terão eles mudado?...
Não sei há quantos anos o António Leite e o João Sérgio não são professores, digo, não interagem diariamente com alunos e não acompanham, diariamente, numa escola, os dramas, as frustrações, as ilusões, os cansaços, os problemas dos colegas. Sei, apenas, porque já passei por essa experiência de distanciamento, que os professores que perdem, por muito tempo, o contacto com as realidades escolares mais íntimas tendem a desenvolver, frequentemente, percepções enviesadas que, pouco a pouco, os vão inibindo de entender o verdadeiro impacto das políticas que executam. Digo isto com mágoa, porque tenho a certeza de que o António Leite e o João Sérgio, se, nesta altura, estivessem efectivamente a desempenhar funções docentes numa escola, amanhã também fariam greve...

janeiro 11, 2009

Eu já salvei este gajo da morte certa!...

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Notícias Magazine, 11.01.2009

Mas não vou contar a estória, senão... ele mata-me!...

dezembro 20, 2008

Quando 13 professores, só por bajularem o governo, têm direito a meia página do Expresso...

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Expresso, 20.12.2008

Tenho amigos na administração educativa que defendem e promovem este "modelo de avaliação" e que não entendem como eu possa estar tão radicalmente contra. Presto-lhes esta justiça: se eles estivessem, como eu, no activo, e respirassem o clima que se vive nas escolas, também eles seriam contra. Não há escola pública que resista ao desânimo e ao descrédito dos professores. E não foi outra coisa o que o actual governo, em três anos, conseguiu.
O mais não passa de propaganda. Geralmente mal encenada, como esta...

dezembro 14, 2008

Monteverdi (Sì dolce è il tormento) por Uri Caine...

Só gosto de fazer anos, como aconteceu há dias, quando me oferecem Uri Caine...

dezembro 13, 2008

Exclusivo mundial: as primeiras fotografias do dinossauro tibanense...

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Parece imóvel, mas voava. Não se trata do Monstro do Loch Ness, mas do não menos famoso dinossauro tibanense. Fotografado ontem, pela primeira vez. Agradeço à Elisabete o exclusivo...

Generosidade socialista...

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Correio do Minho, 13.12.2008

Manchete da edição de hoje do Correio do Minho, órgão oficioso da Câmara Municipal de Braga e do Partido Socialista. Na fotografia, de pé, vê-se o meu querido amigo Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga. Foi ele que organizou e promoveu esta sessão pública, em que a Unidade de Arqueologia da UM, representada na circunstância pela Manuela Martins e pelo Jorge Fontes, apresentou os resultados das escavações feitas em 2008. O Correio do Minho dedica, nas interiores, uma página inteira à reportagem do evento, só nomeando, discretamente, o Henrique numa legenda. Espanta-me que não o tenham retirado da própria fotografia...


dezembro 10, 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos (10.12.1948)...

Assinala-se hoje o sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em 1998, a minha escola (Secundária Camilo Castelo Branco-Vila Nova de Famalicão) tomou a iniciativa de editar em livro a Declaração, ilustrada, artigo a artigo, por alguns estudantes do Curso de Artes. Já lá vão dez anos e não sei o que é feito desses jovens. Mas, certamente, neste dia, eles gostarão de ver aqui recordados alguns dos seus trabalhos. E a Ana Granja, a Aurora Marques, a Cristina Abreu e a Gabriela Couto, professoras que asseguraram a coordenação da obra, também...

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Autoria: Cristina Oliveira

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Autoria: Tiago Amorim

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Autoria: Ludgero Ribeiro

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Autoria: Sérgio Correia

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Autoria: Marta Veloso

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Autoria: António Ângelo Barbosa

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Autoria: Ana Dejanira Carmo

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Autoria: Eva Amorim

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Autoria: Hernâni Miranda

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Autoria:Nuno Castro

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Autoria: Elisabete Ferreira

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Autoria: Ângelo Almeida

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Autoria: Ricardo Costa

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Autoria: Ana Dejanira Carmo

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Autoria: Marta Veloso

novembro 21, 2008

Quando a paixão política turva o discernimento...

Escreve Vital Moreira:

Admira-me que na área do PS também haja quem defenda que a contestação dos professores tem a ver com o "modelo de avaliação" adoptado, e não com a avaliação em si mesma.
Mas o líder da Fenprof não poderia ter sido mais enfático na afirmação de que os professores não querem nenhuma avaliação que tenha repercussão na progressão profissional. E ninguém o contrariou neste ponto. Ou seja, avaliação talvez, desde que irrelevante!
Por conseguinte, a questão não é com esta avaliação mas sim com haver avaliação digna desse nome ou não. Achar que se poderia ceder no modelo para salvar a avaliação só pode ser produto de ingenuidade ou auto-engano.

Na parte, pelo menos, que me diz respeito, Vital está enganado. Sempre defendi a avaliação dos professores, inclusivamente, como instrumento de gestão das escolas. Na Escola da Ponte, por exemplo, enquanto por lá andei, instituímos um sistema de avaliação que tinha consequências, envolvendo a direcção da escola, o coordenador geral do projecto educativo e os coordenadores de núcleo. Em resultado dessa avaliação, alguns professores foram, mesmo, dispensados ou "aconselhados" a mudar de escola. Nunca sindicato algum contestou formalmente o sistema de avaliação que a Escola, no exercício da sua autonomia, instituiu. Não era um sistema perfeito e a sua aplicação nunca foi pacífica, tanto mais que, em termos de carreira ou remuneratórios, a Escola não podia sequer recompensar os melhores profissionais. Mas funcionava. E todos os professores intervinham no processo, sabendo que o seu desempenho era, permanentemente, escrutinado e avaliado pelos colegas.
Escrever ou dar a entender que os professores que contestam o actual modelo não querem, simplesmente, "nenhuma avaliação que tenha repercussão na progressão profissional" e que esta é, no fim de contas, a posição de princípio dos sindicatos... é injusto e quase acintoso. E eu espero sempre muito mais da inteligência política e da seriedade intelectual do meu amigo Vital Moreira...

novembro 15, 2008

Que tudo o fogo queime, para que Nero não perca a face e não falhe a inspiração...

Escreve Vital Moreira:

"Não tendo conseguido evitar a guerra da maioria dos professores contra a avaliação (e contra as demais reformas no ensino), o Governo só tem uma via a seguir, se não a quiser perder - tornar claro que não cede, aguentar firme e ganhar a população a seu favor contra a tentativa de boicote corporativo, invocando o interesse geral (e sobretudo o interesse da escola e dos alunos) contra os interesse sectoriais e profissionais.
Esta é, aliás, a "regra de ouro" na luta reformista contra os grupos de interesse, como escrevi a seu tempo a outro propósito.
Ao contrário do que alguns defendem, o Governo pode bem suportar a perda eleitoral entre os professores, que aliás nenhuma cedência agora recuperaria. O que não deve arriscar são as perdas bem maiores que teria entre os eleitores em geral, caso fosse vencido e perdesse a autoridade reformadora, que constitui o seu grande activo político e eleitoral."

Vital poderá ter, politicamente (na perspectiva do PS), carradas de razão. Só esquece um ponto fundamental: a escola pública sobreviverà, certamente, à derrota deste governo, mas degradar-se-á ainda mais com a humilhação dos professores...
Pior: a agudização do conflito (inevitável) só fará sobressair as posições "corporativas" menos favoráveis à autonomia, à inclusão, à inovação... e à própria avaliação.
Quem não percebe isto... percebe muito pouco do que, verdadeiramente, está em jogo...

novembro 13, 2008

Senhores professores, as leis são para cumprir! Preparai-vos (preparemo-nos) para o castigo, que será, certamente, exemplar...

Escreve Vital Moreira:

"Num Estado de direito, ninguém se pode arrogar o direito de não cumprir as leis, mesmo discordando delas. E, numa democracia, o cumprimento das leis não depende, nem pode depender, da concordância de quem a elas está obrigado..."

E quem não cumpre as leis, agora escrevo eu, tem que ser castigado. Não sei a pena ou o castigo que o meu amigo Vital Moreira me destina. Sim, porque eu também me recusei, como tantos e tantos colegas, a ser avaliado ou a avaliar nos termos que a magnífica lei impõe. Terei, por isso, que ser castigado, não quero misericórdia.
Sobra, porém, a dúvida sobre a natureza do castigo. Não me promoverem na carreira? Mas a esse castigo já estou, há muito, habituado. Fizeram-me, é verdade, professor titular, acrescentando-me responsabilidades. Mas nem por isso passei a ganhar mais ou a trabalhar menos.
O castigo terá que ser outro. Não ser avaliado? Mas a esse castigo também já estou, há muito, habituado. Ser avaliado com insuficiente? Mas por quem? Pela própria Ministra? E que diferença isso faria?...
Não, o castigo terá que ser outro. Um processo disciplinar? Sim, um processo disciplinar. Não cumprir um dever (profissional e cívico)... é infracção que só poeticamente poderia ser relevada. Terei, pois, que me submeter ou ser submetido a um processo disciplinar. Eu... e as dezenas de milhares de professores que decidiram também não cumprir a lei. Só não sei quando haverá, para todos, instrutor ou nota de culpa. Tenho quase 56 anos. Terei que viver ainda outros tantos para poder pagar pela infracção que cometi?...
Não, o castigo terá que ser outro. A detenção em Caxias ou (por razões de proximidade) em Custóias? O suicídio assistido pelo secretário de estado Valter Lemos? Uma modalidade qualquer de lapidação? Eu sei que o direito administrativo não prevê sanções tão irreparáveis. Altere-se a lei. Eu quero ser, exemplarmente, castigado. Não me satisfarei com bagatelas...
Se não posso morrer como herói, concedei-me ao menos a esmola de poder morrer como mártir...

outubro 19, 2008

Parabéns, Zuraida!...

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Tudo indica que o Bloco de Esquerda irá, pela primeira vez, ter assento na Assembleia Regional dos Açores. A líder regional do Bloco é a minha amiga Zuraida Soares. Ambos professores, fomos colegas de escola há mais de 20 anos e estabelecemos então uma relação de grande cumplicidade, que se manteve até hoje, apesar da distância e da ausência, por largos períodos, de comunicação. A Zuraida é uma grande e corajosa mulher e merece, sem dúvida, a eleição...
Os eleitores açorianos que votaram no Bloco estão de parabéns!...

outubro 01, 2008

Mumuki ou... há noites em que quase seria pecado não ouvir Astor Piazzolla...

setembro 30, 2008

E apeteceu-me também acompanhar a Ana ao porto de Santa Maria (Del Buen Ayre)...

agosto 31, 2008

Avishai Cohen, com dedicatória implícita...

agosto 29, 2008

Sugestão de leitura...

"Um desencantado apelo à revolta no Douro". A ler aqui.

agosto 25, 2008

António Martinho Baptista: um amigo, um blogue...

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Este é António Martinho Baptista, pré-historiador de arte, um dos portugueses mais ilustres e mais cultos que eu conheço. A descoberta das gravuras do Côa levou-o para longe de Braga, onde, durante muitos anos, mantivemos um convívio intenso. Foi ele que me introduziu aos mistérios e à poesia da arte pré-histórica. Digo mistérios, porque ele via o que os meus olhos não alcançavam. E os dedos das suas mãos pareciam despertar uma espécie de erotismo elementar nas pedras mais antigas e silenciosas. E eu ficava sempre fascinado a vê-lo e a ouvi-lo. O António era, para mim, uma espécie de feiticeiro: ele lia nas rochas poemas com milhares de anos, como se recentemente tivessem sido publicados em livro e numa língua que todos pudessem e devessem entender...
Dedicou os últimos anos ao estudo e à divulgação das gravuras do Côa. Não conheço, em Portugal, quem estivesse mais bem preparado e motivado para o fazer. Uma pequena parte do seu trabalho está reflectido no blogue DA FINITUDE DO TEMPO. Quem quiser saber mais deste meu Amigo... visite-o!


agosto 24, 2008

Miriam, a tua reportagem é um longo poema! Obrigado!...

Fiz referência ao Prémio (do Festival Internacional de televisão de Monte Carlo), antes de conhecer a Reportagem, que só hoje, finalmente, vi (e reproduzo). Fiquei hipnotizado diante das imagens e das personagens e das palavras que, lentamente, vão fluindo. “O Balneário” é, de facto, uma espantosa manifestação de inteligência e de sensibilidade. Obrigado, Miriam, por mais esta... prenda!...




agosto 07, 2008

Lamento, Maria Manuel, mas não foste tu que inventaste o Simplex!...

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Ilustração Portugueza, 04.06.1906

agosto 01, 2008

O meu reencontro com a Maria João...

A partir de hoje, o meu Tio António faz companhia à Maria João. São quase vizinhos. A Maria João era, é uma querida amiga, que encontrou a morte a fazer montanhismo nos Picos da Europa. O seu último companheiro, escultor, fintou a violência da perda, rodeando-a de peças que eu ainda não conhecia, quer no cemitério, quer num terreno adjacente. Sem mais palavras e sem mais lágrimas, reproduzo as imagens que colhi...

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Uma fotografia antiga do meu Tio António...

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Foi esta tarde a enterrar, com 86 anos, este garboso rapaz. O meu Tio António sempre foi um dândi e um cavalheiro, como lembrava hoje, à porta do cemitério, a Maria da Luz, que tão bem o conheceu. Há muitos anos que eu não via esta foto. Naturalmente, já não conheci assim o meu Tio António, mas sei muito bem que ele não gostaria de ter morrido como morreu. O Alzheimer coloca-nos sempre perante a violência do absurdo...
Eu não quero morrer assim...

julho 31, 2008

António Lopes Ferreira: até sempre, Tio!...

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A morte, mesmo quando há muito esperada, tem quase sempre, pelo menos, o efeito de fazer explodir a memória. Hoje, morreu o homem que mais terá marcado a minha formação: o meu Tio António. Raramente lhe ouvi uma reprimenda e muitas vezes lhe pedi ajuda ou ele ma deu, sem eu pedir. Provavelmente, ele ver-me-ia mais como filho (filhos que nunca quis ter) do que como sobrinho. Criança, adolescente e jovem, era com ele que eu me abria e era a ele que eu fazia as perguntas que não seria capaz de colocar a mais ninguém. E era comigo, também, que ele se abria, contando-me coisas que, provavelmente, a mais ninguém contaria. E eu ficava sempre, fascinado, a ouvi-lo. Foram milhares de almoços (que, muitas vezes, entravam pela tarde dentro), foram milhares de horas de conversa...
Acho que aprendi a conhecer o mundo e as pessoas através do olhar (frequentemente cínico) do meu Tio António. Empresário de fachada (como gostava de se dizer), ele era sobretudo um jogador (profissional) e, como jogador, uma personagem verdadeiramente deslumbrante, que me parecia sempre acabada de sair de uma narrativa de Dostoievski (autor, aliás, que ele conhecia bem). Durante décadas, o meu Tio António foi, talvez, um dos melhores jogadores de poker sintético do país e um dos mais conhecidos e respeitados, pela elegância, pela inteligência e pela argúcia com que jogava. Acompanhei a sua carreira, quase diariamente, durante muitos anos. Ele contava-me quase tudo, sabendo que, aquilo que me contava, ficaria sempre entre nós. Eu sabia com quem ele jogava: grandes empresários, "aristocratas" de meia tigela, filhos-família, "doutorzecos" (como ele, em geral, os qualificava), até padres e cónegos. Recordo-me bem de algumas "mesas" em que ele participou, mesas em que, numa noite, se perdiam e ganhavam pequenas fortunas. E ele partilhava comigo, regularmente, a sua contabilidade de ganhos e perdas. E, apesar de ser um ganhador (um grande ganhador), sempre me chamava a atenção para os riscos do jogo profissional, recomendando-me que jamais experimentasse ou me deixasse seduzir. E eu fiz-lhe a vontade...
Aliás, era curioso que ele raramente apostava nos casinos que, por razões sobretudo sociais, frequentava. E dizia sempre que, nos casinos, toda a gente está, estatisticamente, condenada a perder. Por isso, ele só jogava profissionalmente o poker e o rummy (ou rami), jogos de aposta em que sabia, claramente, ter vantagem sobre a concorrência. E no dia em que sentiu que, irreversivelmente, começava a perder faculdades (o Alzheimer declarava-se), decidiu, pura e simplesmente, "encostar": "a partir de agora, vou jogar baratinho, só para entreter"...
Devo ao meu Tio António muitas outras descobertas. Humphrey Bogart, a quem ele roubara o chapéu e uma parte da figura e da pose. Clark Gable. Fred Astaire, que ele, adolescente, imitava (como lembrava, frequentemente, a minha mãe). Frank Sinatra. Bing Crosby. Marlene Dietrich...
Aprendi com ele a detestar o salazarismo e a igreja católica. E a desconfiar das multidões e dos rebanhos. Era um liberal e um individualista. E um céptico, muitas vezes, um cínico.
Não conheci ninguém mais perfeito do que ele. E mais imperfeito...
Obrigado, Tio, por ter existido!...

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julho 25, 2008

Braga que já não existe...

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O meu amigo José Manuel Castro decidiu, em boa hora, criar um blogue para partilhar uma parte da preciosa colecção de postais ilustrados antigos de que é possuidor. O postal que reproduzo terá cerca de cem anos e representa, creio, a velha ponte medieval sobre o Rio Este, em Braga. A ponte já não existe (terá sido demolida na década de cinquenta) e o Rio Este, hoje, está transformado num canal de dejectos a céu aberto. Destinos à moda de Braga...
Eis um blogue que passarei a visitar regularmente...


julho 24, 2008

Para que não digais que nunca me esqueço da lista de compras...

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João Habitualmente, Notícias do Pensamento Desconexo

julho 23, 2008

Para que não me (mal) julgueis cosmopolita...

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João Habitualmente, Notícias do Pensamento Desconexo

Para que não possais dizer que nunca morrerei...

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João Habitualmente, Notícias do Pensamento Desconexo

Para que não digais que nunca falei de fadas...

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João Habitualmente, Notícias do Pensamento Desconexo

julho 16, 2008

Poderá não ter a diplomacia e a esperteza dos videirinhos, mas tem razão!...

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Público, 16.07.2008

De vez em quando, até posso considerar que exagerou e deu um tiro no pé, mas não confundo o essencial com o acessório. Eu penso exactamente como ele. E o António Marinho, mesmo que por vezes se deixe embriagar pelos holofotes, sabe muito bem do que fala e não costuma errar o tiro (mesmo que possa usar a arma de calibre menos apropriado). A Ordem dos Advogados está minada por muitas indignidades. Por isso, de resto, desertei, recusando-me a fazer parte da... agremiação. Há muitos anos que o meu amigo Marinho conhece a minha opinião. E há muitos anos que eu conheço as razões dele.
Poderá perder, mas ganhará sempre...

julho 15, 2008

"Somos todos uma cambada de autistas"...

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JN, 13.07.2008

Um dia, uma amiga muito querida perguntou-me: "achas que sou autista"?...
A pergunta não era retórica. A minha amiga tinha consciência de que, em diversas circunstâncias, se comportava como se fosse, efectivamente, portadora de alguma espécie de autismo...
Frequentemente, parecia alhear-se de tudo e de todos. Era capaz, por isso, de se concentrar, durante horas, dias, na realização de uma tarefa muito precisa que a ocupasse absolutamente por inteiro, com quase prejuízo de tudo o mais. Por vezes, parecia mesmo incapaz de comunicar e era quase inútil, nesses períodos, tentar arrancar-lhe uma palavra ou um gesto dialogante. Muitas vezes, as suas reacções eram... imprevisíveis e desconcertantes.
A diferença (a invulgaridade) sempre me atraiu. As pessoas comuns, banais... tendem a cansar-me muito depressa. Porque, simplesmente, se repetem, como se o universo fosse redutível a um único padrão de comportamento humano dominante. As pessoas qualitativamente diferentes tocam e soam noutra escala. E exigem-nos sempre, para que possamos entendê-las ou simplesmente percebê-las, o máximo aperfeiçoamento dos sentidos e uma argúcia superior.
A minha inteligência, valha ela o que valer, adora ser desafiada...


julho 14, 2008

Miguel Sousa Tavares, Foz Côa e António Martinho Baptista...

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Como esperava, o meu querido e velho amigo António MB reagiu à diatribe de MST no Expresso sobre Foz Côa. Poucos arqueólogos e especialistas em arte pré-histórica, neste país, poderão falar de cátedra sobre Foz Côa como o António, que desvendou e leu as gravuras, uma a uma!...

junho 30, 2008

Mezio: fotografias que ainda me fazem feliz de Portugal...

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Obrigado, Resende!

junho 21, 2008

A maldição de um adjectivo...

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Quando, em 2000, organizei e prefaciei este livro (que reunia 40 artigos e crónicas de Rubem Alves, originariamente publicados no Brasil), propus ao autor um título provocatório: "Por uma Educação Romântica - Brevíssimos Exercícios de Imortalidade". O Rubem achou graça e deu o seu aval. E a edição portuguesa lá saiu com esse título.
Dois anos depois, a editora brasileira Papirus decidiu retomar a obra e lançá-la também no Brasil. O título foi abreviado e ficou só "Por uma Educação Romântica".
Estávamos longe de imaginar, eu e o Rubem, que o adjectivo iria pegar de estaca em Portugal para qualificar a pedagogia, essa arte suspeita de ser, com o chamado eduquês, a causa de todos os males do mundo. Nos últimos anos, tornou-se mesmo moda em Portugal abjurar a pedagogia, adjectivando-a de "romântica" para acentuar ainda mais a sua perversa e anquilosada... imprestabilidade.
Hoje, os alunos e os educandos em geral já não precisariam mais de pedagogos, mas de ensinadores ou técnicos de ensino, transmissores de conhecimento. E, independentemente das capacidades e dos ritmos de aprendizagem de cada um, independentemente dos conteúdos, dos contextos relacionais e dos métodos utilizados, eles aprenderiam.
Claro que os professores e os educadores com experiência pedagógica sabem que não é assim. Mas que importa isso, se alguns fazedores de opinião e treinadores de bancada já decretaram a morte ou a inutilidade da pedagogia?!...
Cumpra-se então o decreto, a bem da Nação!...


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junho 15, 2008

Casamento com muita história dentro...

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Ilustração, 01.07.1927

Se a Assunção (Maria da Assunção Jácome Sousa Pereira de Vasconcelos) não tivesse tão prematuramente falecido, perguntar-lhe-ia (ou ao Duarte) por estes. A história civil de Braga confundiu-se muitas vezes com a história desta família...

junho 14, 2008

Parabéns, Miriam!...

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Expresso, 13.06.2008

Fico muito feliz com esta notícia (também disponível aqui). Por ti, Miriam. E também pelo Fernando, naturalmente.

junho 13, 2008

Parabéns, Henrique!...

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Quem quiser perceber, releia aqui. O Henrique faz hoje anos...

junho 07, 2008

Nascido também a 9 de Dezembro...

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Expresso-Única, 07.05.2008

Há poucos actores com quem eu gostaria de privar. John Malkovich é um deles. Por todas as personagens que já representou e pelos filmes que fez. E por ter também, como eu (e, já agora, como a Ana Saraiva, que habita poeticamente este blogue) nascido a 9 de Dezembro, ainda que um ano depois...

O António Marinho, a Faculdade de Direito de Coimbra, os fascistas arrependidos de toga e de beca e o mais que ambos sabemos...

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Expresso, 07.06.2008

Estas declarações do António Marinho sobre Júdice e os juízes dos tribunais plenários fizeram-me recuar na memória 33 anos. Em 1974/1975, a Faculdade de Direito de Coimbra (que ainda frequentávamos) teve que se confrontar, politicamente, com o espelho. E, como outras, acabou por entregar aos alunos a responsabilidade da higiene, naquela altura, também designada por... saneamento. O grosso do trabalho, confesso, foi feito por mim e ainda hoje guardo, religiosamente, cópias de toda a documentação reunida (que nunca usei, depois, para quaisquer outros fins e que, aliás, não consulto desde essa época). Foi uma tarefa delicadíssima, que procurei levar a cabo com o máximo de honestidade política, institucional e pessoal. E orgulho-me de, em condições que não favoreciam a racionalidade, ter conseguido poupar à humilhação do saneamento professores e colegas suspeitos de comprometimento com o fascismo que o rebanho, selvaticamente, pretendia defenestrar. Notem os mais desatentos ou menos informados que fora da Faculdade de Direito de Coimbra que saíra Salazar, para governar o país durante quase 40 anos...
A maior parte da documentação reunida para efeitos de saneamento provinha da Comissão de Extinção da PIDE/DGS. Por ela fiquei a saber, por exemplo, que professores e alunos da Faculdade tinham sido... informadores ou colaboradores da polícia política. Apesar de não consultar a documentação há mais de 30 anos, lembro-me ainda de muitos nomes. O nojo e a ética impediram-me até hoje de os revelar. Alguns ainda estão vivos e têm nome na praça. Para mim, porém, não passam de escória social: gente muito pequena que, para singrar na carreira e na vida, não hesitava em denunciar o amigo, o colega ou o aluno, atirando-o às feras (e, muitas vezes, para a prisão). O António Marinho, apesar de não ter feito parte da comissão de saneamento, sabe muito bem a que crápulas me refiro, até porque também foi vítima deles.
Digo isto para que se entenda por que tenho tão pouco respeito por alguma gente que ainda vai por aí, na vida política e fora dela, arrotando importância e estatuto. E para que se entenda também por que, apesar de algumas divergências, continuo a ser amigo do Marinho. Há quase quarenta anos que partilhamos o mesmo destino... e que continuamos, orgulhosamente, a dar a cara pelos mesmos ideais...
Ninguém nos comprou, ninguém nos calará...

fevereiro 18, 2008

Saudades compartilhadas do Francisco Botelho...

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Da esquerda para a direita, Francisco Botelho, Armando Malheiro e Henrique Barreto Nunes. Três queridos Amigos de muitos combates cívicos. O Francisco foi o primeiro a desistir. Mas jamais deixará de estar connosco. Há memórias e cumplicidades que nem a morte destrói...

FRANCISCO BOTELHO, UM ADEUS

O Francisco José faleceu hoje. A notícia foi-me transmitida assim, de chofre, pelo Miguel Monteiro, na tarde plúmbea mas até então tranquila de domingo, 3 de Fevereiro.
Há amigos que podemos passar longos meses sem os ver mas, sempre que os encontramos, a conversa, afectuosa e íntima, flúi naturalmente, como se ainda no dia anterior tivéssemos estado juntos.
Eu tenho alguns assim, um deles era o Francisco Botelho. Não o via há cerca de um ano, tinha sabido que ele estava com alguns (pensava eu) problemas de saúde, mas não imaginava que fossem tão graves, com um desfecho brutal tão próximo.
Tínhamos falhado um encontro em Junho, quando me havia convidado, por correio electrónico e telefone, para um “jantar camiliano” na sua Ribeira de Pena, ao qual não pude ir por razões familiares. No Natal tínhamos trocado as convencionais saudações, mas nunca me disse - discreto como sempre foi – qual o seu estado de saúde.
Conheci-o em finais da década de 70, por intermédio do Eduardo Pires de Oliveira, e rapidamente nos tornamos amigos, tal a similitude de interesses e causas que entre nós se verificou.
Francisco Botelho foi um dos primeiros sócios da ASPA (era o nº 17) e logo integrou o Núcleo de Braga que então se criou para uma maior e mais imediata intervenção no terreno, na altura em que os órgãos sociais eram dominados por elementos do Porto (de cuja importância na sua criação e primeiros anos de vida, aliás, a associação nunca se poderá alhear).
Colaborou nas primeiras iniciativas públicas, como exposições (caso dos postais ilustrados, p. ex.) e visitas guiadas, teve uma participação activíssima na realização do 2º Encontro das Associações de Defesa do Património Cultural, realizado em Braga, com grande sucesso, em 1981 e desempenhou um papel fundamental na “rebelião das bases” que nesse mesmo ano entregou a ASPA aos bracarenses.
Tinha entretanto (1979) começado a trabalhar no Museu Nogueira da Silva, onde pôde desenvolver uma das suas paixões, a fotografia, colaborando com Luís Mateus no tratamento e divulgação dos espólios fotográficos (de Manuel Carneiro e depois de Arcelino) que a ASPA recebeu, desenvolvendo mesmo alguns projectos próprios como seja o da desconstrução da imagem.
Passou a integrar os órgãos directivos da ASPA, de cujo Conselho Directivo foi presidente entre 1987 e 1989, no período mais decisivo da intervenção cultural e cívica da associação, ao lado de Ademar F. Santos, António M. Baptista, Jorge Curado, Luís Costa, Eduardo P. Oliveira, Armando Malheiro, Miguel Monteiro, Isabel Fernandes, Manuela B. Nunes e outros.
Os duros combates em defesa do património bracarense, os comunicados e os “Entre Aspas” (alguns da sua autoria), a edição e orientação gráfica da “Mínia” e das actas do Encontro das ADP’s, as exposições (quem não se lembra da relativa ao Elevador do Bom Jesus?), as conferências e colóquios, as visitas guiadas (inesquecível a que organizou a Ribeira de Pena), a animação da Torre de Menagem, a intervenção na defesa do teatro de Fafe (apoiando o M. Monteiro), a colaboração com a associação galega dos “Amigos de los Pazos”, de que resultou uma interessantíssima exposição, tudo isto teve também a sua marca, que um dia a história da ASPA (quem a fará?) há-de assinalar.
Depois deixou Braga, foi trabalhar em prol do desenvolvimento cultural, turístico e social de Ribeira de Pena (com o sonho invulgar de lá construir uma biblioteca de leitura pública tendo como base o solar de Santa Marinha e o espólio bibliográfico e documental dos seus antepassados) e os seus contactos connosco passaram a ser mais esporádicos, nunca perdendo contudo a forte relação que criou, mesmo quando viajou para o Sul, para trabalhar no programa Leader.
Esteve presente nas comemorações do 25º aniversário, em especial no dia em que a ASPA recebeu formalmente a declaração de utilidade pública.
Pessoal e mesmo institucionalmente há outro facto que devo recordar: quando a Biblioteca Pública de Braga, em 1983, iniciou as suas actividades de animação cultural, encontrei em F. Botelho uma cumplicidade e apoio decisivos.
Com efeito era no Museu Nogueira da Silva, do qual então ele era responsável, que essas actividades se realizavam, tendo sempre o apoio imprescindível do F. Botelho: os aspectos logísticos, a apresentação das exposições bibliográficas, a concepção dos cartazes de iniciativas como “Um escritor apresenta-se”, “Os meus livros inesquecíveis”, etc., beneficiaram do seu bom gosto e sensibilidade para o design gráfico. Foi ele igualmente o autor da capa dos livros “Coisas memoráveis de Braga” de A. Feio e da capa e arranjo gráfico de “Bibliotecas: memórias e mais dizeres”, editados pela BPB.
Nestas pobres linhas não conseguirei certamente transmitir a dimensão humana de Francisco Botelho, acima de tudo aquilo que mais nos marcará para sempre. Francisco Botelho era um militante de afectos, causas e utopias, um homem vertical e corajoso, um espírito livre e rebelde, que se dedicava intensamente aos projectos em que acreditava, mesmo que tal lhe tivesse acarretado alguns dissabores e a falta do reconhecimento que merecia. Mas, como um aristocrata que, no melhor sentido da palavra, era, voltava as costas com olímpico desprezo, sem uma palavra de azedume aos que tentaram em vão diminui-lo e algumas vezes o prejudicaram.
Não seria, como todos nós, um homem perfeito. Ele naturalmente sabia-o e isso atormentava-o. Desapegado, por vezes demais, das coisas materiais, sem preocupações com a “carreira”, encontrou sempre o total apoio e solidariedade da sua família. Sendo nos últimos anos um andarilho, manteve sempre fortes relações com a terra, com as suas raízes.
A ASPA perdeu uma das suas principais referências, eu perdi um amigo cuja voz e a inquieta insubmissão perdurarão para sempre no meu coração.

Henrique Barreto Nunes (sócio nº 6 da ASPA)

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Diário do Minho, 18.02.2008

O Henrique Barreto Nunes evoca e homenageia hoje no Diário do Minho o nosso comum e querido Amigo Francisco Botelho, que recentemente nos deixou. Reproduzo acima o texto, que tanto deve ter custado a escrever ao Henrique...

fevereiro 04, 2008

Até sempre, Francisco Botelho!...

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Não costumo datar as fotografias. Sei que esta foi tirada no Bom Jesus, em Braga, há cerca de 25 anos. Éramos um grupo de amigos, na altura, irmanados na ASPA. Eu estou sentado na primeira fila, à frente do Henrique (Barreto Nunes) e da Manuela (Malheiro). Na fila mais recuada, da direita para a esquerda, o Eduardo Jorge (Madureira Lopes), hoje, Director Pedagógico do Público na Escola, o Luís Mateus, hoje presidente da direcção da associação cívica REPÚBLICA e LAICIDADE, o Pedro Bacelar de Vasconcelos (constitucionalista e ex-governador civil de Braga), a Maria Celeste e o... Francisco Botelho. *
Há minutos, recebi um e-mail do Henrique que gostaria muito de não ter recebido, a informar-me que o Francisco Botelho morreu. Não importa onde, não importa como, não importa mesmo com que idade: morreu. O nosso amigo Francisco Botelho morreu. No grupo da foto, é o primeiro a desistir...
Durante alguns anos, na rua, confundiam-nos. Nunca percebi bem porquê. Talvez a morte, talvez a morte nos tenha também agora confundido. Se calhar, trocou os endereços...
O Francisco Botelho foi o homem mais delicado, elegante e civilizado que eu conheci. Parecia que nada o perturbava, que nada o irritava. No Solar de Santa Marinha, em Ribeira de Pena, a sua grande paixão, recebia como um verdadeiro aristocrata. E quando, pacientemente, nos guiava pelas memórias de Camilo, a sua voz tornava-se ainda mais calorosa, abraçando-nos a todos.
Um dia, folheando distraidamente a minha colecção da Ilustração Portugueza, esbarrei com uma imagem que encandeou os meus olhos. Aquele senhor que me espreitava da revista era, tal e qual, o meu amigo Francisco Botelho. Mas não podia ser, porque a revista era, creio eu, de 1909 ou 1910 (não me apetece agora recuperá-la). Procurei a solução do meu espanto na legenda que acompanhava a fotografia e percebi imediatamente. A imagem pertencia a Francisco Botelho de Carvalho e Oliveira Leite, precisamente (ou quase na íntegra) o nome completo do meu amigo Francisco Botelho. Tratava-se de um dos antepassados do Francisco, talvez bisavô, na altura, governador civil de Braga (aliás, o último da monarquia). A extraordinária similitude dos rostos e das expressões fascinou-me. Na verdade, nunca se morre completamente...
Hoje, o meu amigo Francisco Botelho vai a enterrar. Mas continuarei a vê-lo no interior dos meus olhos e continuarei a ouvir a sua voz...

+ Na foto, além dos já referidos, estão: (na segunda fila, da esquerda para a direita) o Miguel Monteiro (cunhado do Francisco) e um amigo dele, cujo nome não me ocorre; a Isabel (Fernandes), actualmente directora do Museu Alberto Sampaio e a Assunção (Neves); (na primeira fila) a Álida, mulher do Francisco, e os filhos deles, mais os do Pedro.

janeiro 31, 2008

Um Bastonário que não tem medo de erguer e aplicar o bastão!...

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Não apreciei, lamento, a aparente e excessiva colagem ao PS, mas... reconheci o Marinho dos bons velhos tempos. Tens razão, pá: não mudaste nada! Sempre te conheci assim, desde os bancos da Faculdade: frontal, corajoso, combativo, sem papas na língua. Mesmo que nem sempre possa estar de acordo contigo, reconforta-me que sejas o Bastonário de uma Ordem a que me recusei a pertencer (a tal tensão, de que falavas, entre as ilusões e os ideais...) e que, durante tantos anos, esteve entregue às silhuetas dos poderes instituídos e instalados. Sob a tua direcção, eu tenho a certeza de que a Ordem será, finalmente, uma grande Desordem: para higiene de todos nós, digo, do país. Não ajoelhes e estarei sempre, criticamente, do teu lado, camarada!...

janeiro 22, 2008

Uma entrevista para ler e meditar...

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JN, 22.01.2008

Poderei, de quando em vez, divergir do meu amigo Marinho (o novo Bastonário da Ordem dos Advogados). Mas... hei-de sempre admirar a sua coragem e o seu desassombro. Quem fala assim... merece ser ouvido...

janeiro 01, 2008

Um verdadeiro Mestre (com maiúscula)...

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Notícias Magazine, 30.12.2007

Há poucas pessoas, em Portugal, a pensarem bem os problemas da educação e do ensino. António Nóvoa* é uma delas. Tudo o que ele diz e escreve reflecte inteligência, estudo, sensibilidade e conhecimento. Distintamente dos gabirus que tanto gostam de arrotar postas de pescada sobre o que não entendem, Nóvoa convida sempre, serenamente, à reflexão e não ao panfletarismo de ocasião. E foi preciso que chegasse a reitor da Universidade de Lisboa para que, finalmente, o país "iletrado" começasse a lê-lo e a ouvi-lo. Espero que aproveite alguma coisa...

* Declaração de interesses: conheço o António Nóvoa desde a juventude e somos amigos. Penso que ainda não é crime...

abril 15, 2007

Henrique Barreto Nunes...

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Correio do Minho, 31.03.2005

Se eu tivesse de apontar o português mais ilustre que conheço (e tenho a sorte de conhecer muitos), apontaria, sem a mínima hesitação, o Henrique Barreto Nunes. Somos amigos há quase 30 anos e nunca deixei de o admirar. Tanto, que emprestei o seu nome ao meu filho mais novo.
O Henrique, para quem não saiba, é bibliotecário, talvez o mais respeitado e influente bibliotecário deste pais. Escrevo-o sem recear que alguém, do meio, me desminta. A partir da Biblioteca Pública de Braga, que na prática dirige há mais de duas décadas, o Henrique tornou-se uma referência de sabedoria, de integridade, de coragem, de denodo. É um verdadeiro personagem da Renascença: bibliotecário, historiador, arqueólogo, escritor, académico, pedagogo, activista cultural, militante apaixonado de todas as causas cívicas que nos distinguem e elevam do lixo humano. Não há, infelizmente, muitos portugueses como ele e, mau grado todos os seus méritos, tão discreto, tão generoso e, tão naturalmente, avesso a homenagens.
Estes elogios, normalmente, em Portugal, escrevem-se quando as pessoas morrem. O Henrique está vivo e bem vivo e continua diariamente a disseminar à sua volta a paixão pelos livros e pelos autores que valem a pena.
Ontem, o meu filho Henrique, pela primeira vez, perguntou-me por que lhe coloquei o nome que ostenta. Ele sabia a resposta, mas eu emocionei-me a responder-lhe.
Desculpa, Henrique, este texto!

janeiro 19, 2007

Sugestões...

Uma boa maneira de começar o dia ou o fim-de-semana: a ouvir Ali Farka Touré, em Diaraby...

Agradeço a sugestão musical à Ana Saraiva, agora finalmente "emancipada"...

setembro 06, 2006

Deus (com dedicatória à própria)...

Mesmo para aqueles que acreditam num deus qualquer (não importa em que versão), deus é o grande ausente. Ele não está em lado algum, senão no íntimo mais íntimo de todos os crentes. É uma ideia, um conceito, uma emoção - que organiza e dá sentido à vida dos que acreditam, ao ponto, frequentemente, de os levar a matar e a morrer. Este deus do sangue, da vingança, do ajuste de contas é um deus celerado que projecta o pior da espécie humana. Mas há os deuses que inspiram a grande poesia, a grande música, a grande pintura, a arte que resistirá sempre à degradação dos tempos e dos costumes. Se eu acreditasse num deus qualquer, só seria capaz de acreditar num desses deuses. Quando ouço o Requiem, de Fauré, chego a ter pena de não acreditar. Deus também pode projector o melhor que há em nós. E algumas das melhores pessoas que eu conheço são crentes. É-o, por exemplo, a mulher que mais intensamente e mais desinteressadamente me ama. Sem que eu jamais tivesse podido corresponder-lhe. Ou tido, sequer, a oportunidade de lhe agradecer esse amor. Porque o amor agradece-se.