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fevereiro 29, 2008

Improviso em forma quase de elegia...

Conheço homens
que já foram puros
quero dizer
que não vendiam destinos de empréstimo
nem usavam calculadora
na hora de conjugarem o verbo
pensar
tão pouco voláteis e conformes
que arriscavam sempre na ousadia
muito mais do que o futuro
agora só reconheço rebanhos crispados
e pastores e cães de fila
cabem todos na tela da monotonia
digo na trela
e já nenhum na moldura inteira de si próprio.

Ademar
29.02.2008

Por mais que Alice...

eu nunca me abandonarei
se me perder, recolho-me
e olho muito
até achar o fio de luz
e depois sigo-o
a algum lugar
sem medos
até o abismo
tem fundo
e se no fundo do abismo
se esconder a dor
a outra dor
quem desmente Alice?

Ana Saraiva

Não sei quem processaria: se Alberto Martins, se José Sócrates...

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Hoje, pela manhã, ia batendo com o carro. Explico. Estava a conduzir, sintonizado na TSF, onde passava, em directo, o debate quinzenal na Assembleia da República com o primeiro-ministro. A páginas tantas, tomou a palavra o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, que questionou "severamente" José Sócrates, exigindo-lhe que falasse sobre... "obras públicas". O primeiro-ministro começou a responder, elogiando a pertinência e a especial argúcia do questionamento: ora aqui está, finalmente, uma pergunta que interessa aos portugueses! Não garanto que tenha dito exactamente isto, mas, por estas ou por outras palavras, foi o que quis dizer. Comecei a rir, a rir, a rir. Era tudo tão saloio e tão pacóvio que não consegui contar a gargalhada. Parecia uma brincadeira de putos. Já sabes, Alberto, quando chegar o momento de intervires, dizes as balelas do costume e pedes-me que fale sobre... obras públicas. E o Alberto, que até é bom rapaz, fez o frete, convidando-se à caricatura. Gargalhei tanto, que quase ia perdendo o controlo da viatura e atropelando algum peão (certamente, eleitor da maioria)...
Se tivesse batido, não sei, francamente, quem processaria: se Alberto Martins, se José Sócrates. Eles, hoje, pareciam mancomunados no baixo propósito de fazer rir o país das suas próprias misérias. Há dias, confesso, em que sinto vergonha de ser português...
E pensar eu que, há mais de 20 anos atrás, fiz com o Alberto a campanha presidencial da Engenheira Pintasilgo! Como o tempo, o "estatuto" e a paixão partidária mudam as pessoas e as tornam tão risíveis...


Aquilo que a Ministra da Educação ainda não descobriu sobre os professores...

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24horas, 29.02.2008

O quadro que hoje partilharei com os meus alunos...

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Johannes Vermeer, A Menina do Turbante (ou A Menina do Brinco de Pérola), c.1665

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética

Universidade do Minho: ecos de uma censura que nunca o foi, claro!... (1)

A propósito do que já aqui publiquei sobre o caso da censura ao docente Daniel Luís (onde está escrito "censura", lede, por favor, "aconselhamento"), registo o comentário do leitor Dario Silva. Espero que os professores que, internamente, já tomaram posição sobre o assunto (ainda há gente, na UM, que se respeita a si própria)... me autorizem também a divulgar o que escreveram.

Pois é, coisas com piada.
Se eu não tivesse sido vítima pessoal da pressão e censura do sr. reitor da Universidade do Minho, sr. eng. Guimarães Rodrigues, não acreditaria na estória... assim... acredito piamente na possibilidade de existir censura dentro da UM.
(Isto pode-se escrever?)

Ainda um dia gostaria de perguntar pessoalmente ao digníssimo reitor da Universidade do Minho como foi possível que ele, o digníssimo reitor, acedesse ao pedido via telefonema pessoal do seu amigo (?) o sr. presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, ex.mo sr. Albertino Mota e Silva, para que eu encerrasse o meu site cultural sobre caminho de ferro (www.ocomboio.net) porque, depreendo, não terá gostado de ler alguns factos ocorridos em Celorico e, até agora, indesmentidos.
Mas como são todos grandes democratas, vou fazer de conta que nunca me telefonaram com instruções da digníssima reitoria da UM a, de alguma forma, me tentarem silenciar!

É verdade é sempre incómoda, sobretudo aquela que põe a nú a mente grandiosa de alguns sócios da República.

Dario Silva

fevereiro 28, 2008

Improviso para Luchino Visconti...

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Morre-se em Veneza
como noutra cidade qualquer
as agências de viagens só vendem
ilusões de eternidade
e nem sempre a preços convidativos
evite-se o Lido e os enjoos póstumos do vaporetto
fica sempre mais barato morrer em Mestre
a montante do que já foi a ponte da liberdade.

Ademar
28.02.2008


Ainda bem que é uma socialista e ex-governante a dizê-lo!...

Elogio da masturbação, na intimidade do Padre António Vieira...

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Manoel de Barros, Memórias Inventadas - A Infância (Parrrede!)

Sejamos pornográficos!...

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Solidariedade "assassina"!...

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Jorge Coelho, no Quadratura do Círculo, declarou que está inteiramente solidário com a Ministra da Educação. Consta que, depois de ver o programa, Maria de Lurdes Rodrigues começou a fazer as malas...

Nós não exigimos que ele se calasse! Apenas lhe dissemos: tem juízo, pá, vê lá o que fazes!...

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DN, 28.02.2008

O jesuitismo continua a impregnar a universidade portuguesa. Eu conheço alguma desta gente e sei muito bem como costuma agir...Censura? Por deus!...

Ter ou não... razão...

Escreve Vital Moreira:

"Um amigo critica-me o que julga ser o meu "desprezo" pelo protesto dos professores. Mas não tem razão. Respeito o direito de protesto de toda a gente, sobretudo quando se julga agravada. O que eu penso é que não basta ter motivos de protesto para ter razão..."

Sim, meu caro Vital, não basta ter motivos de protesto para ter razão. Sobretudo (perdoa a ironia) quando se trata da razão... alheia....
O que mais importa à política, como bem sabes, não é a razão ou a "verdade" (cada um tem a sua, conforme as lentes através das quais vê a "realidade"), mas o convencimento. Politicamente falando, quem não convence, não tem razão (por mais que julgue tê-la). E então em educação... é inútil pretender que alguma coisa mude, se os principais actores da mudança não estão convencidos e, por isso, motivados.
Em democracia, é assim e sempre será. Felizmente. Não basta ter causas; é indispensável saber catapultar o sonho e congregar vontades. E aqui, lamento dizê-lo, a tua Ministra da Educação falhou rotundamente...

TSF - 20 anos!...

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JN, 28.02.2008

É a minha companheira diária de há muitos anos. Uma companheira de olhos bem abertos, atenta, sensível e, quase sempre, inteligente. Ninguém em vida me deu tanto por tão pouco...
Obrigado e parabéns, amigos!...

Eu quero ser Ministro da Educação em 2050!...

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Sábado, 28.02.2008


O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Guerra Junqueiro, A Musa em Férias

Ministra da Avaliação, perdão, da Educação...

Este vídeo diz quase tudo sobre a actual perturbação de José Sócrates. Nada do que ele afirma tem correspondência (substantiva e não meramente estatística) com as minhas percepções profissionais. Um de nós estará profundamente equivocado. Mas eu ando nisto há mais tempo do que ele. E, ademais, sou professor...

fevereiro 27, 2008

Iluminações...

Diz Vital Moreira, saindo pela enésima vez em defesa de Sócrates e da Ministra da Educação:
"Como prova a experiência politica, raramente os próprios profissionais de um sector podem ser agentes de reforma desse sector. Normalmente, são agentes de conservação, e de reacção."
Acabo de perceber por que não podemos esperar dos políticos profissionais a reforma dos costumes políticos e do "sistema". Desde logo, de Sócrates, que nunca fez outra coisa na vida, profissionalmente falando, senão... política...
Ou será que a lógica de Vital se aplicará apenas aos... professores?...


Improviso na forma de eterna réplica...

Se a alma me sobrasse
como sobram os dias
viveria talvez ainda mais leve
e não teria que pensar
como dizes sempre
que está tudo errado
ainda que já o tenhas dito
milhões de vezes
em todas as vidas anteriores a esta
e em todas as vidas
que já não chegarás a viver.

Ademar
27.02.2008

Quadra imperfeita e talvez póstuma de Aleixo que me pediram que dedicasse à Ministra da Educação...

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Toffler e Obama...

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Vi e ouvi há pouco, na SICNotícias, Alvin Toffler dizer a Mário Crespo que irá votar, para presidente, em Barak Obama (espero que o Partido Democrata lhe proporcione, aos 80 anos, essa alegria). Até aqui, nada de especial. Curioso foi o argumentário utilizado para justificar a opção. Votará em Obama, não pelas "promessas" que ele possa fazer e cumprir ou não (promessas são promessas...), mas... pela cor da pele e pelo exemplo que representaria, para o mundo, a eleição de um não-branco. Agora sou eu que digo: hoje, a política, à escala planetária, é o grande mercado do simbólico. Eu também votaria em Obama...

Um editorial na forma de Requiem para uma Ministra...

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Público, 27.02.2007

Não concordo com alguns dos pressupostos e das apreciações de Manuel Carvalho, que assina hoje o editorial do Público ((os fins, meu caro, não justificam todos os meios e todos os métodos!), mas sufrago, obviamente, a conclusão implícita: Maria de Lurdes Rodrigues esgotou o prazo de validade e já não tem condições para continuar. Perdeu-se na sua própria teia...

Queres continuar a comer? Então... CALA-TE!...

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Público, 27.02.2007

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Público, 27.02.2008

Ninguém, obviamente, dá agora a cara pela... censura. Censura? Nem pensar! Daniel Luís, o jovem assistente do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional da UM, só tem é que comer, desligar o blogue e ficar calado. O respeitinho é muito bonito e Carlos Estevão, o director do Departamento, até já foi da... Inspecção. Nunca se perde o jeito...


Perdoai, leitoras!...

...mas hoje apetece-me fazer uma declaração solene. Soleníssima e triste, como talvez dissesse Álvaro de Campos...

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Deliciosa fotografia de uma ministra acossada!...

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24horas, 27.02.2008

Não sei há quanto tempo e onde foi tirada esta fotografia. Sei apenas que a senhora que se deixou fotografar nesta pose amedrontada ainda era esta manhã ministra da educação. Não posso garantir que, neste momento, ainda o seja. Mas o que mais despertou a minha atenção nesta foto nem foi a pose algo patética de Maria de Lurdes Rodrigues, mas o senhor vestido de gato-pingado que, aparentemente, lhe guarda as costas. Será mesmo, como me parece, Jorge Coelho? Há companhias que não se recomendam a nenhum ministro, nem a Maria de Lurdes Rodrigues...
De resto, o último ministro de Sócrates que Jorge Coelho defendeu com afinco, mesmo quando ele era quase diariamente contestado nas ruas, foi... Correia de Campos. Estarei especialmente atento ao que ele hoje dirá de Maria de Lurdes Rodrigues no Quadratura do Círculo...

A ineficiência da FENPROF...

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Correio do Minho, 27.02.2008

O meu amigo Vital Moreira sugeria há dias que as manifestações espontâneas de professores seriam, de algum modo, teleguiadas pela FENPROF e pelos seus sindicatos. Tendo sabido hoje, pela imprensa, que está convocada uma manifestação para Braga, na próxima sexta-feira, quero aqui exprimir o meu protesto por não ter sido ainda convocado pelo SPN, de que sou membro...

Mais uma originalidade da política à portuguesa: uma ex-Ministra da Educação que ainda se mantém em funções...

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JN, 27.02.2008

O problema de Maria de Lurdes Rodrigues é que deixou de ser parte da solução e converteu-se no... problema. E o limite que se promete a si própria já não é o dela, mas de outros. Maria de Lurdes Rodrigues não passa hoje de uma ex-Ministra da Educação que ainda se mantém em funções...

Senhora Ministra, preste um último serviço à pátria, às escolas, aos alunos e às famílias, e, muito especialmente, ao seu primeiro-ministro, que corre o risco, por sua causa, de perder as eleições em 2009: peça a demissão!

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Maria de Lurdes Rodrigues conseguiu esse feito extraordinário: colocar todos os educadores e professores (exceptuando os "avençados" do Ministério) contra ela: os excelentes, os muito bons, os bons, os regulares e os insuficientes. Todos. E conseguiu converter-se no maior factor de perturbação e instabilização das escolas e dos agrupamentos. Hoje por hoje, Maria de Lurdes Rodrigues é uma espécie de seguro de vida da oposição: enquanto ela permanecer em funções, o PS, eleitoralmente, afundar-se-á.
Se ainda tem um pingo de bom senso e de lucidez, deveria demitir-se...

Sugestão para quem deseje chegar a Mahler a partir do jazz...

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Ressurreição...

Tenho a certeza de que a minha paixão pela música de Mahler reporta a Visconti e a "Morte em Veneza", que vi ainda quando andava na Faculdade. É um compositor "difícil", na sua exuberância e quase grandiloquência, que não se ouve, naturalmente, todos os dias. Mas sempre que regresso a Mahler, tenho vontade de voltar...


fevereiro 26, 2008

Improviso para servir de sacrário...

No lugar da porta ou do altar
poderiam ficar apenas as impressões digitais
ou a lenta caligrafia dos gemidos das mãos
um ano não chega
para apagar os vestígios de uma vida inteira
entre grades e algemas.

Ademar
25.02.2008

Improviso para o Eduardo, aluno-palhaço...

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Nenhuma verdade é mais urgente
do que as lágrimas com que te despes ao riso
e poucos sabem por que choras
quando desces ao palco de ti próprio
e perguntas por ela.

Ademar
25.02.2008

Os trabalhos de casa (por fazer) de Miguel Sousa Tavares...

Miguel Sousa Tavares fala, muitas vezes, do que não sabe e manda "palpites" ou faz apreciações que só atestam a sua ignorância. Há pouco, na TVI, referindo-se às decisões dos tribunais administrativos que condenaram o ME a pagar, como trabalho extraordinário, as "aulas de substituição", teve o desplante de afirmar que tais decisões não eram definitivas, porque respeitariam, apenas, a "providências cautelares". Miguel confundiu, grosseiramente, as matérias e os processos, evidenciando, mais uma vez, uma cabulice indesculpável em alguém que ganha a vida a comentar o que acontece. As "providências cautelares", Miguel, respeitam à aplicação do novo regime de avaliação dos professores e não ao pagamento das "aulas de substituição". Erraste o tiro e o alvo! E cobriste-te de ridículo...

"Je creuserai la terre/Jusqu'après ma mort/Pour couvrir ton corps/D'or et de lumière/Je ferai un domaine/Où l'amour sera roi/Où l'amour sera loi/Où tu seras reine"...

NE ME QUITTE PAS

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
D'un ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Jacques Brel (1959)

Brel, Jacques Brel...

Jacques Brel morreu em 1978. Trinta anos depois, continua a fazer parte da minha vida. É o milagre da eternidade dos artistas...

QUAND ON N'A QUE L'AMOUR

Quand on n'a que l'amour
A s'offrir en partage
Au jour du grand voyage
Qu'est notre grand amour

Quand on n'a que l'amour
Mon amour toi et moi
Pour qu'éclatent de joie
Chaque heure et chaque jour

Quand on n'a que l'amour
Pour vivre nos promesses
Sans nulle autre richesse
Que d'y croire toujours

Quand on n'a que l'amour
Pour meubler de merveilles
Et couvrir de soleil
La laideur des faubourgs

Quand on n'a que l'amour
Pour unique raison
Pour unique chanson
Et unique secours

Quand on n'a que l'amour
Pour habiller matin
Pauvres et malandrins
De manteaux de velours

Quand on n'a que l'amour
A offrir en prière
Pour les maux de la terre
En simple troubadour

Quand on n'a que l'amour
A offrir à ceux-là
Dont l'unique combat
Est de chercher le jour

Quand on n'a que l'amour
Pour tracer un chemin
Et forcer le destin
A chaque carrefour

Quand on n'a que l'amour
Pour parler aux canons
Et rien qu'une chanson
Pour convaincre un tambour

Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains
Amis, le monde entier

Jacques Brel (1956)

Depois do desaparecimento de Maddie, todos os cuidados são poucos...

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É uma metáfora, naturalmente. Nunca se sabe quem põe a trela a quem e com que intuitos...
A estória, se quiserdes, podereis lê-la aqui.

Exercício para jornalistas estagiários...

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Público, 25.02.2008

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DN, 25.02.2008

O Público, humildemente, não ilude a fonte da notícia: a Agência LUSA. O seu a seu dono. O DN faz de conta que descobriu o relatório da Inspecção pelos seus próprios meios e não presta, arrogantemente, vassalagem a ninguém. Pena que os textos sejam quase coincidentes...


A um presidente aperta-se sempre a mão... ou outra prótese qualquer...

Socorro!...

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Este promocional, pelo rigor épico a que convida, deixou-me em estado quase disfuncional. Que acontecerá se eu tomar o comprimido às 20:59? E se, em vez de o tomar com água, tomar por exemplo com leite achocolatado? E se a erecção não surgir por si mesma, exactamente, meia hora depois, deverei entrar em pánico? E se, tendo surgido, não for "gloriosa" (como nunca tive antes), poderei ainda assim arriscar a acção?...
Haverá algum leitor ou leitora que me elucide?...

Até na competência da agressão, Lisboa perde com o Porto...

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24horas, 25.02.2008

Quatro encapuzados não conseguiram mais do que assustar Rui Santos. No Porto, Bexiga levou um arraial de porrada e viu ainda o caso ser arquivado por falta de provas. Por estas e por outras é que o FCP já leva 12 pontos de avanço sobre o SLB...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Adília Lopes, Caras Baratas

Prós e Contras em directo... (25)

Quase uma da manhã. Segundo intervalo. O país amanhã não deverá trabalhar. Já não consigo ouvir mais. O debate, para mim, termina aqui. Estou esclarecido, como já estava antes. Digo: explicado...
Todos os ministros passam. As escolas ficam. E os professores, também...
Dormirei sobre esta verdade de La Palisse!...


Prós e Contras em directo... (24)

Eu chego a ter pena de MLR. Até a considero uma pessoa bem intencionada. Mas errou o... casting!

Prós e Contras em directo... (23)

A prestação da Ministra é absolutamente deprimente. Eu, no lugar de Sócrates, dispensaria já amanhã, inteligentemente, os seus serviços...

Prós e Contras em directo... (22)

"Eu não quero vergar a coluna. Eu tenho espinha! Eu não obedeço!"
Grande Arsélio!...

Prós e Contras em directo... (21)

"Os professores não podem ser maltratados, não podem ser desautorizados"...
Epígrafe para um debate!

Prós e Contras em directo... (20)

Retenções no ensino básico... Esse absurdo, que continua a envergonhar-nos...
Ainda bem que alguém o recorda!...

Prós e Contras em directo... (19)

João Formosinho cita, em directo... José Pacheco e a Escola da Ponte...
Concordo, percebo, mas rio...

Prós e Contras em directo... (18)

Cursos de Educação e Formação... Cursos Profissionais... etc e tal... A estatística, a estatística...

Prós e Contras em directo... (17)

Reage MLR: "então porque não sou loira, não posso ser Ministra?"
O debate deveria terminar aqui...

Prós e Contras em directo... (16)

"Qualquer um serve para ministro da educação!"
Touché!

Prós e Contras em directo... (15)

A Ministra explora, espertamente, a burrice de um jovem professor de Ribeirão que resolveu vomitar alarvidades...
Há "professores" que deveriam pensar duas vezes (ou mais) antes de abrirem a boca...

fevereiro 25, 2008

Prós e Contras em directo... (14)

Queiroz e Melo, que agora aparece a falar em nome das escolas particulares e cooperativas, conheci-o eu como assessor (aliás, muito simpático) de uma ministra da educação (menos simpática), cujo nome, neste momento, não me ocorre. Continua na mesma: uma no cravo, outra na ferradura...
Não há como ter um pé no céu e outro, no inferno...

Prós e Contras em directo... (13)

Afinal, o problema estava nos... registos biográficos. Disse MLR e eu... apenas posso sorrir!

Prós e Contras em directo... (12)

MLR envergonhada, em directo, por Mário Nogueira, por causa do pagamento das "aulas de substituição". Mas MLR diz que o problema do Ministério não é... financeiro. Registe-se!...

Prós e Contras em directo... (11)

Apresentar Albino Almeida, presidente da direcção da CONFAP, como "representante dos pais" só pode mesmo ser uma... brincadeira. O Albino mal se representa a si próprio, quanto mais os pais...

Prós e Contras em directo... (10)

Por que será que MLR não consegue descobrir um único professor no activo que lhe diga: muito bem, Senhora Ministra!?...
Por que será? Estará ela errada... ou os professores todos?...

Prós e Contras em directo... (9)

Afinal, a Ministra acha que a avaliação deve ser... simplificada.
Eu também acho que devemos simplificar (e descongelar) o Ministério...

Prós e Contras em directo... (8)

MLR vive num mundo esotérico. Ela desconhece profundamente as escolas e a sua organização...
Não sei, francamente, o que aprendeu nos últimos três anos. Deve ter cabulado...

Prós e Contras em directo... (7)

Eu sou professor titular e... chumbo a Ministra da Educação.

Prós e Contras em directo... (6)

Diógenes procurava, de lanterna na mão, o Homem. MLR deve continuar à procura de um professor no activo que dê a cara por ela. E que não seja, naturalmente... avençado...

Prós e Contras em directo... (5)

Os professores são mesmo muito burros. Não conseguem perceber a Ministra da Educação!

Prós e Contras em directo... (4)

João Formosinho mete as mãos pelos pés e os pés pelas mãos. O pano de fundo, o pano de fundo, o pano de fundo. No pano de fundo, todos os gatos são pardos... Ou parvos...

Prós e Contras em directo... (3)

MLR quer... explicar, explicar, explicar. Como ninguém parece ouvi-la, mais valera que fundasse um centro de explicações na 5 de Outubro...

Prós e Contras em directo... (2)

Antigamente, antes de MLR, todos os professores eram avaliados e tinham... "satisfaz".
A partir de agora, e continuando a ser avaliados, vão ter "bom" (alguns "muito bom" e outros "excelente", conforme as quotas).
A grande diferença entre os "modelos de avaliação" é esta. O mais é... retórica...
MLR é, ela própria, o maior equívoco!...

Prós e Contras em directo... (1)

Que faz o João Formosinho ao lado de Maria de Lurdes Rodrigues? A cumplicidade não se recomenda a nenhum deles...

Improviso para fechar a noite...

Hoje sinto-me adoecer de braços e mãos
e dedos
estou sentado diante das palavras
e desconheço ou não quero saber
o que mais adoece em mim
o universo pesa-me nos olhos
e cego
se me levanto
talvez levite ou morra
diz quem já viajou
que não há diferença alguma.

Ademar
24.02.2008

Uma amizade que a política esfriou...

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Notícias Sábado, 23.02.2008

Em tempos idos, fomos amigos e compartilhámos muitas cumplicidades. Depois... a política local separou-nos. O Pedro (Bacelar de Vasconcelos) não resistiu à tentação de aderir ao PS e de se juntar a Mesquita Machado. A paixão foi efémera e só alcançou o efeito pretendido pelo presidente da Câmara de Braga: dividir aqueles que, mais consistentemente, se lhe opunham. A nossa amizade ficou, nessa altura, ferida de morte e, apesar da cordialidade recíproca que sempre mantivemos, jamais ressuscitou. Tenho a certeza de que ele lamenta o facto, tanto como eu. Mas... há cumplicidades afectivas e culturais que não sobrevivem a certas "traições"...
Seja como for, fico sempre feliz quando lhe prestam, como aqui, algum reconhecimento...

Requiem para uma Ministra da Educação...

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Público, 24.02.2008

Como professor (do ensino secundário), já fiz quase tudo o que um professor pode fazer, para além, naturalmente, de “dar aulas”. Presidi ao órgão de gestão de uma escola, dirigi um centro de formação, coordenei o meu grupo disciplinar, fui membro do conselho pedagógico, fui director de curso e de turma, fiz investigação, escrevi e publiquei artigos. Aos 55 anos de idade, sou professor titular. Como pai de dois filhos que frequentam ainda o ensino básico, já ajudei a criar duas associações de pais e fiz parte da direcção de uma delas. Digo isto para que se entenda que não me movem quaisquer interesses egoístas quando critico a política de educação deste Governo. A minha carreira, como sói dizer-se, está “encarreirada” e, de resto, nunca temi desafios, nem avaliações.
Há algumas verdades comezinhas, porém, que eu não posso ignorar.
A escola portuguesa, em geral, não se recomenda ao “sucesso educativo”. Está fortemente burocratizada e desumanizada. E nela desaguam, numa espécie de enxurrada permanente, os distúrbios e as frustrações da sociedade que a envolve. E todos lhe exigem o milagre da salvação do país, como se ela tivesse um pacto secreto com algum santo milagreiro.
Os professores, na foz da enxurrada, sobrevivem profissionalmente em condições, muitas vezes, humilhantes. Todos lhes exigem competência, dedicação, sabedoria. Mas quando é preciso encontrar um bode expiatório para as ineficiências da escola e do “sistema”, não há quem não lhes aponte, quase instintivamente, o dedo acusador.
Há professores incompetentes, oportunistas, relapsos? Claro que há. Mas também há muitos e muitos professores capazes e qualificados. E o pior que se pode fazer é meter tudo e todos no mesmo saco e dizer ou insinuar que a culpa do estado desgraçado em que se encontram a educação e o ensino no nosso pais é, genericamente, dos... professores. Não é. Ou é tanto dos professores e dos seus sindicatos, como dos pais e das suas associações ou confederações, das universidades, das autarquias, dos governos, à esquerda e à direita (se ainda os podemos, nesta base, distinguir)...
Maria de Lurdes Rodrigues cometeu um pecado original: apressou-se a significar à sociedade portuguesa que iria pôr na ordem as escolas, fazendo ajoelhar, se necessário, os professores. Foi uma tolice e uma candura de novata. Conseguiu, perversamente, o efeito que hoje salta à vista: não repôs nenhuma ordem no caos das escolas e ofendeu, por grosso e atacado, uma classe, sem a adesão da qual nenhum ministro da educação conseguirá levar a carta a Garcia da “modernização” e “humanização” do nosso “sistema de ensino”...
Não sei quem a aconselhou, mas errou o tiro e errou o alvo...
As últimas trapalhadas, com a avaliação dos professores e o regime de “autonomia” das escolas à cabeça, são apenas o estertor de uma equipa ministerial condenada, ela sim, ao “insucesso”. Maria de Lurdes Rodrigues ainda não percebeu que a bondade dos fins nunca justifica a inconveniência dos meios. E, agora, já é tarde para perceber...


O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Bertolt Brecht, Poemas e Canções (versão portuguesa de Paulo Quintela)

Todas as crianças têm necessidades educativas especiais...

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Rubem Alves, Da Inutilidade da Infância (Estórias de Quem Gosta de Ensinar)

O que me apetece sempre dizer aos remendões...

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Henrik Ibsen

fevereiro 24, 2008

O que é a... poesia?...

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Ademar Ferreira dos Santos, Descansando do Futuro - Reserva de Intimidade, Asa, 2003

Improviso desconcertante...

Todas as noites
digo-me em segredo que poderá ser a última
ou a primeira
todos os poemas
todas as palavras
que ainda não escrevi.

Ademar
24.02.2008

E o Óscar da incompetência política vai para?...

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Público, 24.02.2008

...Maria de Lurdes Rodrigues. Ela conseguiu esse extraordinário milagre ao alcance de poucos: unir todos os professores, quase sem excepção, contra a política de uma equipa ministerial. Hoje por hoje, nenhum docente, nas escolas, se atreve a sair a terreiro em sua defesa. Quando até se possa estar de acordo com uma ou outra medida pontual, assobia-se para o ar e opta-se pelo prudente silêncio. Politicamente, Maria de Lurdes Rodrigues foi, é... um desastre. Sócrates acabará por perceber isso e por dispensar, discretamente, os seus serviços. Suponho que ainda em 2008...

A justiça serve-se sempre a frio...

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Maddie? Maddie? Maddie? Este nome diz-me alguma coisa...

O último sedutor de Alcabideche!...

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24horas, 24.02.2007

E divorcia-se uma mulher para isto...

Viste-o?...

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Única - Expresso, 23.02.2008

Começo sempre a folhear a revista do Expresso de trás para a frente, por causa das "Cartas Abertas" do Comendador Marques de Correia. Ironia queiroziana em doses fortemente concentradas. Hoje, diante do título ("O homem que via passar os vistos"), não contive a gargalhada....

Rasquices...

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Única - Expresso, 23.02.2008

Confesso que não sei (nem estou interessado em saber) quem é este petiz lambedor. Só sei que esta capa da Única é uma garotice. Felizmente, os meus alunos não lêem o Expresso...
Quem o negará? O "humor", em Portugal, está pela hora do chupa-chupa...

"Uma excitante discussão"...

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Expresso, 23.02.2008

"Uma excitante discussão sobre estes temas teve lugar na passada quarta-feira, em Madrid, na Universidade San Pablo CEU, por ocasião da apresentação da primeira tese de doutoramento em Espanha sobre Michael Oakeshott. Francisco Lopez Antares, o jovem autor e candidato, orientado pelo prof. Elio Gallego, defendeu arduamente Oakeshott, perante as várias perplexidades do júri. E obteve justamente a nota máxima. Mais do que isso, conseguiu suscitar uma excitante conversação, que se estendeu por quase todo o dia, sobre a especificidade da tradição "conservadora" em Inglaterra."

Espada, definitivamente, anda muito excitado. Será do tratamento?...

"Vejam só a fotografia que o meu marido me tirou este Verão na praia"...

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"Como podem ver pela fotografia, a minha cintura voltou a acentuar-se, as minhas coxas e nádegas têm uma nova forma. A minha barriga está lisa e firme e, o melhor de tudo, o meu peito (era o meu último trunfo antes do meu tratamento de emagrecimento) não ficou mais pequeno".

"O meu marido sentia vergonha de mim. Hoje em dia, vejo que olha para mim como no início da nossa relação. Agora sente orgulho em passear ao meu lado e fica cheio de ciúmes quando outro homem volta a cabeça para olhar para mim. Sinto-me muito feliz porque desde que o meu corpo se transformou devido à perda de peso, começou uma vida nova para mim. Por isso, recomendo este tratamento"...

"Não tem de fazer nada de especial. Não tem de tomar medicamentos ou deixar de comer os seus pratos preferidos. Para poder perder até 1 kg por dia sem esforço, só tem de tomar duas cápsulas desta revolucionária mistura 100% natural"...

Leitora: faça as contas. Pesa quanto? 120 kgs? A um kg por dia, e sem esforço, resolverá o seu problema em 4 meses: Março, Abril, Maio, Junho...
Imagine-se em Julho...


fevereiro 23, 2008

Improviso quase marítimo...

Não tenho o mar
entre os meus confidentes
adormeço sempre na lentidão
de todos os horizontes
e nunca sei desancorar na distância
os mastros do destino
quando me perco nos ponteiros da bússola
não tenho a lua
nem madrugadas ou manhãs
apenas um pacto breve com a noite
nesta antiquíssima servidão de palavras.

Ademar
23.02.2008

Um primeiro-ministro pouco virtuoso no uso da língua portuguesa...

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Esta noite, nas televisões, ouvi Sócrates, na mais recente eucaristia das Novas Fronteiras, dizer: "eu sou dos que acredito"...
Eu sou dos que já perceberam que Sócrates não é propriamente um modelo para os professores e para os alunos portugueses. No uso da língua, claro!...

Dez anos sobre a morte de Francisco Lucas Pires...

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Expresso, 09.10.1982

A arrumar papéis antigos, parei nesta fotografia, estampada na edição do Expresso de 9 de Outubro de 1982. A memória recua um quarto de século. O tempo devora-nos... Ao centro, na fotografia *, entre o Augusto de Carvalho (à esquerda) e o Vicente Jorge Silva (à direita), Francisco Lucas Pires, então Ministro da Cultura. Dez anos antes, fora meu professor, em Coimbra, de Direito Ultramarino ou Colonial, já não consigo lembrar-me sequer do nome exacto da disciplina. Creio que nem ele levava aquilo muito a sério. Aliás, era uma das facetas mais apelativas da personalidade do Francisco Lucas Pires, o distanciamento irónico com que se via ao espelho. Ele era, sempre, o primeiro a rir ou a sorrir de si próprio...
Na manhã do 25 de Abril, quando tudo era ainda incerteza, o Francisco Lucas Pires, ao contrário de outros, fez questão de se apresentar na Faculdade e "marcar o ponto". Não deu "aula"; quis apenas saudar e despedir-se dos alunos. Ele já tinha percebido que a revolução iria virar o país e a universidade do avesso (pelo menos, na epiderme) e que o ano lectivo, para ele, acabava ali. Na grelha curricular do curso de Direito à moda de Coimbra, havia duas disciplinas que, inexoravelmente, estavam predestinadas a morrer com o fascismo: Direito Ultramarino (ou Colonial) e Direito Corporativo (que, sublime ironia, o Vital Moreira chegara a "reger"). Nessa manhã, eu não fui à Faculdade e não pude ouvir as explicações e as despedidas do Francisco. Quase dez anos depois, no Pabe, conversámos sobre isso e, sobretudo, rimos muito sobre isso...
O Francisco Lucas Pires era, à sua maneira (muito especial), um homem de direita. Não acreditava excessivamente na bondade natural da espécie humana e torcia o nariz, politicamente, a todos os messianismos redentores. O convívio intelectual com Beckett, com Camus, com Sartre (que, tão frequentemente, citava nas aulas) e com os demais pensadores do existencialismo desviara-o do caminho das utopias e das receitas pronto-a-vestir para a salvação da humanidade. O seu antidogmatismo aproximava-o, porém, de uma certa esquerda liberal e estou convencido de que ele teria feito, politicamente, um percurso muito semelhante ao de Freitas do Amaral, se o coração, estupidamente, não lhe tivesse falhado naquela fatídica viagem de automóvel, em Maio de 1998.
Hoje, tomei conhecimento de que foi recentemente criado um blogue para lembrar e homenagear Francisco Lucas Pires, no ano em que passam dez anos sobre a sua morte. São promotores do blogue os quatro filhos do Francisco e da Teresa: Simão, Martinho, Rafael e Jacinto. A eles quero apenas dizer daqui que Francisco Lucas Pires foi um dos portugueses mais ilustres e brilhantes que eu tive a honra de conhecer. Parabéns pelo pai que sempre tereis!...

* Para quem não conheça as criaturas, eu estou na foto à direita e, no outro lado da mesa, o Nuno Pacheco, actualmente, director adjunto do Público.

Mega Sport? Mega descaramento!......

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Na Mega Sport, as caixas registadoras avariam com uma inusitada frequência. Quando isso acontece, os clientes, no acto de pagamento, são presenteados com estes... "talões informativos". Hoje, aconteceu uma vez mais comigo. Chamei a atenção. Chamado o jovem gerente, ele esclareceu-me, algo indisposto, que a caixa registadora não estava a funcionar, mas, se eu quisesse esperar um pouco (ainda mais!), passar-me-ia generosamente uma factura-recibo. Portugal é isto e, mais ASAE, menos ASAE, não há nada a fazer...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (100)

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Cem títulos depois, completo aqui a minha proposta de biblioteca básica para um primeiro-ministro à portuguesa. Eu sei que é apenas a minha proposta (uma proposta aliás "modesta", como a designaria Jonathan Swift) e que muitos títulos, não menos relevantes e instrutivos, ficaram de fora. Mas Roma e Pavia não se fizeram num dia e convém não esperar de mais da predisposição para a leitura dos nossos primeiros-ministros, sempre tão concentrados, coitados!, na ingente tarefa de gerir o governo e salvar a pátria. Felizmente, a Itália, nas últimas décadas, já demonstrou que há estados e países que até conseguem sobreviver sem governos e sem primeiros-ministros...
De resto, neste particular, Portugal tem quase nove séculos de experiência...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (99)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (98)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (97)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (96)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (95)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (94)

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Como o fascismo sobrevive, tranquilamente, em Braga...

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Sempre que transvio os olhos por imagens como estas...imagino Salazar na cama com Leni Riefenstahl, talvez em férias. Ainda hoje não consigo dissociar o bronze do fascismo...

A diplomacia do calhau...

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24horas, 23.02.2008

O nosso Indiana de fraque, Amado, ele mesmo. Não há calhau que lhe resista...

A arte de saber ser camelo...

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24horas, 23.02.2008

Não sei se este camelo jordano é monárquico ou republicano. Sei apenas que tem uma expressão desconfiada. Por alguma razão, Cavaco não quis montá-lo...

A Morgadinha dos Canaviais...

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O Jogo, 23.02.2008

Pinto da Costa, Pinto Monteiro, Pinto de Sousa. De certeza que todos eles leram, na adolescência, "A Morgadinha dos Canaviais"....

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (93)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (92)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (91)

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Frases de estalo de um procurador-general que não gosta de blogues...

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Expresso, 23.02.2008

Morgado e a "obra feita". Estará o procurador a referir-se a Saldanha Sanches ou a Mao Tsé-Tung?...
Ao contrário do que sugere Pinto Monteiro, Portugal é muito mais avançado na administração da justiça do que o Irão. Entre nós, enterra-se primeiro e condena-se ou absolve-se cinco ou dez anos depois...
Um homem que adormece a ler o Diário da República errou a vocação existencial.
Tenho dito.

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (90)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (85)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (83)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (82)

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fevereiro 22, 2008

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (81)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (80)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (74)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (73)

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Improviso para toalha e talheres...

Hoje comi não ao jantar
o não serve-se frio
de preferência fulminante
e sem notas de rodapé
digo
entradas ou sobremesas
o vinho pode ser
de nenhuma colheita
e o pão ázimo
como numa ceia de profetas
ou amantes distraídos
hoje comi não ao jantar
e fingi que a mesa era eu.

Ademar
22.02.2008

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (70)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (69)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (63)

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Toma lá, dá cá!...

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24horas, 22.02.2008

Toda a gente sabe, em Lisboa, que Ricardo Costa é um bom rapaz, um pouco tímido até...

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (61)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (60)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (59)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (57)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (56)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (55)

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O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Pedro Strecht, 1979 Outros Poemas

The Circus...

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Sábado, 21.02.2008

Sócrates nunca terá feito de Charlot?...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (54)

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fevereiro 21, 2008

Improviso em forma de chama...

Nenhuma luz
cura a água das sombras
acende-se uma vela
e o barco flutua na superfície da alma
uma espécie de barco à vela
do tamanho da memória
de todas as infâncias
e tão leve como a brisa que o detém
nestas palavras.

Ademar
21.02.2008

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (53)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (52)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (51)

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Perdoai-me a pergunta tão pouco conveniente, mas... a Somague também terá pago as meninas?...

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Público, 21.02.2008

No palco da política à portuguesa, já não consigo levar a sério... nada, nem ninguém. Geração após geração, resta aos desistentes... o cinismo....

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (50)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (49)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (48)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (47)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (46)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (45)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (44)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (43)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (42)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (41)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (40)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (39)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (38)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (37)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (36)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (35)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (34)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (33)

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Visão intra-uterina ou intracerebral?...

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Visão, 21.02.2008

Seja como for, é um EXCLUSIVO! Repito: um... EX-CLUSIVO. Isto, claro, se esquecermos que o DN dedicara, anteontem, uma página ao mesmo estudo, como se reproduz em baixo. Estes EXCLUSIVOS da Visão são sempre um convite à gargalhada...

Proíba-se o casamento, o álcool e a iliteracia!...

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DN, 19.02.2008

Há problemas sociais cuja solução está ao alcance de todas as bolsas políticas. Basta uma lei, basta uma lei...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (32)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (31)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (30)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (29)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (28)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (27)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (26)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (25)

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Ora agora agrides tu, ora agora agrido eu!...

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DN, 21.02.2008

A educação, naturalmente, no seu máximo esplendor...

O décimo primeiro mandamento...

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DN, 21.02.2008

Todos os jornais informam que o esfaqueador é... professor. Sorte a minha: é professor... universitário (espécie ou subespécie assaz suspeita). Quando li que escondia a faca na Bíblia, supus que fosse professor na Católica. Parece que não. Mas tenho de tirar o chapéu (imaginário) à imprensa que dá a notícia, muito especialmente, ao DN. Ouvida a vizinhança do agressor, garante, de uma forma imparcial, conforme os testemunhos recolhidos, que ele é "boa pessoa" ou tem "problemas psiquiátricos". À cautela, o juiz, como medida de coacção, administrou-lhe a pulseira electrónica. Espero apenas que, esteticamente, combine bem com a Bíblia...

As armas e os barões assinalados na vagina da mulher...

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Público, 21.02.2008

Grafenberg terá passado ainda além da Taprobana? Eu, se fosse mulher, não estaria à espera que me descobrissem o ponto (A, B, C... conforme as iniciais do nome ou apelido do descobridor), mas que me consentissem a vírgula. A vírgula é uma promessa de incompletude. O ponto, não...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (24)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (23)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (22)

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Um decálogo para pais e professores inteligentes...

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Daniel Pennac, Como um Romance

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (21)

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O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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António Manuel Couto Viana, Sou Quem Fui

Novo regime de gestão das escolas. Quereis experimentar? Experimente-se!...

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DN, 20.02.2008

Quando li a proposta inicial, percebi que o Ministério iria deixar cair duas disposições absurdas (que só foram lá metidas, precisamente, para isso: para serem, oportunamente, retiradas). Reproduzo-as em cima, devidamente assinaladas. De facto, não fazia qualquer sentido que o presidente do Conselho Geral não pudesse ser um professor (artigo 13º) e que o director da escola estivesse tão fortemente limitado na escolha dos adjuntos (art. 21º, nº5). A fazer fé na edição de ontem do DN, o mais, no essencial, ter-se-á mantido, como, aliás, eu já previa, designadamente, os professores estarão em minoria no Conselho Geral e a liderança das escolas será unipessoal. Relativamente a estes dois aspectos, a minha concordância de princípio. Se se quer experimentar, experimente-se. Será apenas mais uma experiência votada ao fracasso? Daqui a 10 anos, veremos se resultou...

fevereiro 20, 2008

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma? Tudo se repete!...

Katie Melua será filha de Don McLean? Ouvi mais esta música e comparai...

Improviso para dizer ainda boa noite ...

Procurei no dicionário o verbo
acabar
e só encontrei o verbo
morrer
envelheço apenas nas palavras
quando o silêncio me reconduz a elas
fosse tudo tão simples e exacto
como o esquecimento.

Ademar
19.02.2008

O que o tempo faz de nós...

Hoje apeteceu-me procurar no YouTube vídeos de Don McLean. Encontrei estes. A erosão só se recomenda às pedras...

Uma balada de Katie Melua que me fez regressar a Don McLean...


Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (20)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (19)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (18)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (17)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (16)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (15)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (14)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (13)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (12)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (11)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (10)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (9)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (8)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (7)

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A maioria socialista tem 3 anos!...

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Alberto Pimenta, Homo Sapiens

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Alberto Pimenta, Homo Sapiens

Felizmente, a espécie humana tem um pouco mais. Até Portugal, imagine-se!...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (6)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (5)

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Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (4)

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fevereiro 19, 2008

Improviso em dó...

Nunca me deste de beber
tenho ainda o copo vazio
ou a boca
e agora o bar fechou
nem o cigarro que me acendam
nem a cantora ou o piano
deixamo-nos apenas tocar pelo
contrabaixo
enquanto chove
e a noite não desperta
pagas tu ou pago eu?

Ademar
19.02.2008

Provas? Que provas? Provas de quê?!...

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JN, 17.02.2008

Impunemente, todos abusam de todos, neste país. Só que a norte do Douro, pelos vistos, as provas são sempre insuficientes ou inconclusivas...

O fim...

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A Bola, 19.02.2008

Quando esbarro nas iniciais MM, nunca sei se elas se referem a Mesquita Machado (o eterno presidente "socialista" da Câmara Municipal de Braga), se a Manuel Machado (o actual treinador, não sei se "socialista", do Sporting Clube de Braga). Entre um e outro, desdobra-se um tal António Salvador, não sei se também "socialista", empreiteiro ou mestre de obras ou empresário da construção civil. Sublinho, a propósito, que M também pode ser a inicial de Melo, Eduardo Melo, o famigerado cónego, não sei se também socialista, que preside ao Conselho Geral da agremiação futebolística. É tudo gente que eu não conheço ou finjo desconhecer e que só me inspira um sorriso de escárnio e uma antiga e nem sempre contida vontade de maldizer. O futebol, os autarcas, os empreiteiros e a igreja católica são os quatro pilares de uma Braga que eu, higienicamente, abomino...
Fiquei hoje a saber que Salvador irá "até ao fim" com Machado, o treinador. Só posso desejar que o fim esteja próximo... para todos eles....

Sócrates como entrevistador de si próprio...

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Público, 19.02.2008

Tenho muito pena, mas concordo com Vasco Pulido Valente. Vi e ouvi hoje a repetição da entrevista de Sócrates à SIC e fiquei, definitivamente, esclarecido. Houve momentos em que o primeiro-ministro, com a complacência dos demais, parecia ser o terceiro entrevistador de si próprio. Ricardo Costa e acompanhante não passavam de meros figurantes num entremez mediático, encenado por Sócrates. Já o disse aqui várias vezes: o irmão de António Costa deveria abster-se, eticamente, de participar nestas farsas, que só envergonham a estação e a classe a que pertence. Ademais, ele tem muito pouco jeito para fazer de mulher de César...

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (3)

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O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Eduardo Guerra Carneiro, Sete Poemas

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (2)

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Hoje estou com pouca paciência para a pátria...

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Eça de Queiroz, A Correspondência de Fradique Mendes

Biblioteca básica de um primeiro-ministro... (1)

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fevereiro 18, 2008

Improviso para distrair ainda Fevereiro...

Encurto os poemas no inverno
para não engravidar do silêncio
o sofrimento inútil das palavras enregela-me
e os pássaros só começam a cantar
quando acasalam
há que poupar a voz para as cerejas.

Ademar
18.02.2008

Alegrai-vos, católicos: afinal, podereis continuar a fornicar na quaresma!...

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Notícias de Viana, 14.02.2008

Os jornais católicos continuam a ser, para mim, uma fonte permanente de diversão...

Se um dia eu cometer um crime...

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DN, 18.02.2008

Conheço o Artur Marques há muitos anos, tenho apreço por ele. No crime, é um enciclopedista. Já fez de tudo e defendeu todo o tipo de gente. É preciso gostar muito de pintura e o Artur é não apenas um artista, mas também um esteta. Aqui há uns anos, o seu gabinete de trabalho era um permanente convite ao orgasmo dos olhos. Não sei como estará agora, mas acredito que estará ainda mais apetitoso e requintado. Confesso que invejo ao Artur a sabedoria do crime. Se há pessoas, neste país, que sabem muito bem como as coisas se fazem... o Artur é uma delas. Se o Artur não estivesse vinculado ao segredo profissional e pudesse, um dia, escrever as suas memórias... Portugal, envergonhado, não sairia mais à rua. Nesta fotografia, parece que vai de viagem. A mala que transporta está, seguramente, preparada para tudo. Até, se necessário, para dez audiências de julgamento ao mesmo tempo. Há muito que o Artur é um "globetrotter" da justiça. Não há dificuldade ou imprevisto que o atrapalhe. Se algum dia eu cometer um crime, fica desde já publicamente declarado: quero o Artur Marques a defender-me. Ouviste, pá?...

Sócrates na SIC: a reportagem possível...

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Confesso, publicamente, o meu défice de patriotismo: já não consigo ouvir o primeiro-ministro. Ela fala quadrado ou rectangular, conforme o espelho em que se vê no momento. E tem esgares, muitos esgares, parece que está sempre zangado com a vizinha da frente ou do lado. E projecta, permanentemente, um país em forma de ficção ou uma ficção em forma de país. Na entrevista desta noite à SIC, só consegui estar atento ao que ele disse na secção dedicada à educação. Em 2005, o investimento crescia, o número de professores aumentava, o número de alunos baixava e o insucesso... permanecia. Depois disso, o investimento manteve-se, o número de professores diminuiu, o número de alunos cresceu, o insucesso... baixou. Repito. Em 2005, o investimento crescia, o número de professores aumentava, o número de alunos baixava e o insucesso... permanecia. Depois disso, o investimento manteve-se, o número de professores diminuiu, o número de alunos cresceu, o insucesso... baixou. Torno a repetir. Em 2005, o investimento crescia, o número de professores aumentava, o número de alunos baixava e o insucesso... permanecia. Depois disso, o investimento manteve-se, o número de professores diminuiu, o número de alunos cresceu, o insucesso... baixou. Não consegui fixar mais nada...

Saudades compartilhadas do Francisco Botelho...

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Da esquerda para a direita, Francisco Botelho, Armando Malheiro e Henrique Barreto Nunes. Três queridos Amigos de muitos combates cívicos. O Francisco foi o primeiro a desistir. Mas jamais deixará de estar connosco. Há memórias e cumplicidades que nem a morte destrói...

FRANCISCO BOTELHO, UM ADEUS

O Francisco José faleceu hoje. A notícia foi-me transmitida assim, de chofre, pelo Miguel Monteiro, na tarde plúmbea mas até então tranquila de domingo, 3 de Fevereiro.
Há amigos que podemos passar longos meses sem os ver mas, sempre que os encontramos, a conversa, afectuosa e íntima, flúi naturalmente, como se ainda no dia anterior tivéssemos estado juntos.
Eu tenho alguns assim, um deles era o Francisco Botelho. Não o via há cerca de um ano, tinha sabido que ele estava com alguns (pensava eu) problemas de saúde, mas não imaginava que fossem tão graves, com um desfecho brutal tão próximo.
Tínhamos falhado um encontro em Junho, quando me havia convidado, por correio electrónico e telefone, para um “jantar camiliano” na sua Ribeira de Pena, ao qual não pude ir por razões familiares. No Natal tínhamos trocado as convencionais saudações, mas nunca me disse - discreto como sempre foi – qual o seu estado de saúde.
Conheci-o em finais da década de 70, por intermédio do Eduardo Pires de Oliveira, e rapidamente nos tornamos amigos, tal a similitude de interesses e causas que entre nós se verificou.
Francisco Botelho foi um dos primeiros sócios da ASPA (era o nº 17) e logo integrou o Núcleo de Braga que então se criou para uma maior e mais imediata intervenção no terreno, na altura em que os órgãos sociais eram dominados por elementos do Porto (de cuja importância na sua criação e primeiros anos de vida, aliás, a associação nunca se poderá alhear).
Colaborou nas primeiras iniciativas públicas, como exposições (caso dos postais ilustrados, p. ex.) e visitas guiadas, teve uma participação activíssima na realização do 2º Encontro das Associações de Defesa do Património Cultural, realizado em Braga, com grande sucesso, em 1981 e desempenhou um papel fundamental na “rebelião das bases” que nesse mesmo ano entregou a ASPA aos bracarenses.
Tinha entretanto (1979) começado a trabalhar no Museu Nogueira da Silva, onde pôde desenvolver uma das suas paixões, a fotografia, colaborando com Luís Mateus no tratamento e divulgação dos espólios fotográficos (de Manuel Carneiro e depois de Arcelino) que a ASPA recebeu, desenvolvendo mesmo alguns projectos próprios como seja o da desconstrução da imagem.
Passou a integrar os órgãos directivos da ASPA, de cujo Conselho Directivo foi presidente entre 1987 e 1989, no período mais decisivo da intervenção cultural e cívica da associação, ao lado de Ademar F. Santos, António M. Baptista, Jorge Curado, Luís Costa, Eduardo P. Oliveira, Armando Malheiro, Miguel Monteiro, Isabel Fernandes, Manuela B. Nunes e outros.
Os duros combates em defesa do património bracarense, os comunicados e os “Entre Aspas” (alguns da sua autoria), a edição e orientação gráfica da “Mínia” e das actas do Encontro das ADP’s, as exposições (quem não se lembra da relativa ao Elevador do Bom Jesus?), as conferências e colóquios, as visitas guiadas (inesquecível a que organizou a Ribeira de Pena), a animação da Torre de Menagem, a intervenção na defesa do teatro de Fafe (apoiando o M. Monteiro), a colaboração com a associação galega dos “Amigos de los Pazos”, de que resultou uma interessantíssima exposição, tudo isto teve também a sua marca, que um dia a história da ASPA (quem a fará?) há-de assinalar.
Depois deixou Braga, foi trabalhar em prol do desenvolvimento cultural, turístico e social de Ribeira de Pena (com o sonho invulgar de lá construir uma biblioteca de leitura pública tendo como base o solar de Santa Marinha e o espólio bibliográfico e documental dos seus antepassados) e os seus contactos connosco passaram a ser mais esporádicos, nunca perdendo contudo a forte relação que criou, mesmo quando viajou para o Sul, para trabalhar no programa Leader.
Esteve presente nas comemorações do 25º aniversário, em especial no dia em que a ASPA recebeu formalmente a declaração de utilidade pública.
Pessoal e mesmo institucionalmente há outro facto que devo recordar: quando a Biblioteca Pública de Braga, em 1983, iniciou as suas actividades de animação cultural, encontrei em F. Botelho uma cumplicidade e apoio decisivos.
Com efeito era no Museu Nogueira da Silva, do qual então ele era responsável, que essas actividades se realizavam, tendo sempre o apoio imprescindível do F. Botelho: os aspectos logísticos, a apresentação das exposições bibliográficas, a concepção dos cartazes de iniciativas como “Um escritor apresenta-se”, “Os meus livros inesquecíveis”, etc., beneficiaram do seu bom gosto e sensibilidade para o design gráfico. Foi ele igualmente o autor da capa dos livros “Coisas memoráveis de Braga” de A. Feio e da capa e arranjo gráfico de “Bibliotecas: memórias e mais dizeres”, editados pela BPB.
Nestas pobres linhas não conseguirei certamente transmitir a dimensão humana de Francisco Botelho, acima de tudo aquilo que mais nos marcará para sempre. Francisco Botelho era um militante de afectos, causas e utopias, um homem vertical e corajoso, um espírito livre e rebelde, que se dedicava intensamente aos projectos em que acreditava, mesmo que tal lhe tivesse acarretado alguns dissabores e a falta do reconhecimento que merecia. Mas, como um aristocrata que, no melhor sentido da palavra, era, voltava as costas com olímpico desprezo, sem uma palavra de azedume aos que tentaram em vão diminui-lo e algumas vezes o prejudicaram.
Não seria, como todos nós, um homem perfeito. Ele naturalmente sabia-o e isso atormentava-o. Desapegado, por vezes demais, das coisas materiais, sem preocupações com a “carreira”, encontrou sempre o total apoio e solidariedade da sua família. Sendo nos últimos anos um andarilho, manteve sempre fortes relações com a terra, com as suas raízes.
A ASPA perdeu uma das suas principais referências, eu perdi um amigo cuja voz e a inquieta insubmissão perdurarão para sempre no meu coração.

Henrique Barreto Nunes (sócio nº 6 da ASPA)

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Diário do Minho, 18.02.2008

O Henrique Barreto Nunes evoca e homenageia hoje no Diário do Minho o nosso comum e querido Amigo Francisco Botelho, que recentemente nos deixou. Reproduzo acima o texto, que tanto deve ter custado a escrever ao Henrique...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Vinicius de Moraes, Obra Poética

Deambulações vulvares de um cronista pago para ter graça...

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J - O Jogo, 17.02.2008

Cronistas como Miguel Esteves Cardoso deviam perceber que certos "géneros" de graça, como os iogurtes, têm prazo de validade...

Alguém tem o contacto desta menina que se arrepia tanto?!...

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J - O Jogo, 17.02.2008

Actualmente, tenho uma vaga para mulher-a-dias...
E se Dúnia (que, aliás, soa bem) já viu muita coisa... não estranhará, certamente, o caos em que se encontra a minha casa...

fevereiro 17, 2008

Um rasgão na capa de um romance delicado...

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Foi o primeiro romance que li de Marguerite Duras. Há muito que não sabia do paradeiro do livro. Descobri-o hoje, ocasionalmente, escondido entre outros livros de maior porte. Folheei-o lentamente, como um romance tão delicado merece ser folheado. Naquele tempo, escreve Marguerite algures, as pessoas tinham tempo. E mesmo nas cidades pequenas acontecia sempre qualquer coisa. Agora, não. Agora o tempo parece voar, entre nada e coisa nenhuma. Como se a vida tivesse entretanto adquirido dimensões que anteriormente desconhecia. Ilusões de óptica...

Improviso sobre a eterna idade...

Só os regressos impossíveis
forçam o pé ao destino
tomara eu que a eternidade
fosse apenas uma palavra
que livremente pudesse decompor
eterna idade
e sempre terna.

Ademar
17.02.2008

Ilusão de óptica...

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Foto de Isidro Dias

A sexta morte de Josip Broz Tito...

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Depois da Eslovénia, da Croácia, da Macedónia, da Bósnia-Herzegovina e de Montenegro, o Kosovo. Da Jugoslávia de Tito sobra, finalmente, a Sérvia. Faites vos jeux!

Entre a tragédia e a farsa...

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Única - Expresso, 16.02.2008

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Pública, 17.02.2008

As guerras coloniais e as ditaduras nunca se recomendam, pela bondade dos costumes, à posteridade. Sobram sempre, apenas, a tragédia (em baixo) e a farsa (em cima)...

Sócrates e o stress...

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JN, 17.02.2008

Vi e ouvi ontem, nas televisões, um José Sócrates tenso, agastado, nervoso, irritadiço, só porque uns tantos manifestantes tinham decidido, inopinadamente, estragar a candura de mais um entremez socialista, no Rato. Em vez de uma ironia civilizada e inteligente... a velada ameaça do cacete, ao jeito de Hugo Chávez. José Sócrates está a precisar novamente de fazer férias. Ou outra coisa, que não digo...

Já não há pais de filhos incógnitos...

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24horas, 17.02.2008

Finge tão completamente que chega a fingir que é dor...

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Notícias Sábado, 16.02.2008

...a dor que deveras sente...

Uma história sempre interminável...

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Hoje, começará apenas mais um capítulo...

fevereiro 16, 2008

Improviso para arranhar as cordas de um violino...

Desconheço o timbre da perfeição
nenhuma voz ecoa tão eloquentemente
na minha memória dos sons
como o silêncio de todas as vozes
quando calas.

Ademar
16.02.2008

Resposta, em carta aberta, ao General Garcia Leandro...

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Um esclarecimento do General Garcia Leandro...

Sem comentários, que farei oportunamente e noutro artigo, reproduzo um esclarecimento que me foi endereçado pelo General Garcia Leandro.

A minha pensâo está publicada em DR, com 47 anos de descontos para a CGA, com 13 anos de comissões no antigo Ultramar, com 4 anos em situação de guerra, tendo atingido o posto de Ten-General. Fui Governador de Macau entre 1974 e 1979 (51meses) e se quiser estudar a situação o meu Governo deixou marcas de credibilidade e honestidade, numa altura em que o Território não tinha dinheiro.O OSCOST é uma organização da sociedade civil , com os seus Estatutos e Órgãos Sociais eleitos (não fui nomeado e sim eleito), de onde não recebo nada. Na UCP dou aulas e sou pago por elas. Estou sempre disponível para mais qualquer esclarecimento. Pode ter a certeza que tenho autoridade moral para falar.

Mais um teste aos leitores...

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Expresso, 16.02.2008

Esta foto, da autoria de Alberto Frias, é uma ternura. Em quem estaria Sócrates a pensar no exacto momento em que se deixou fotografar assim, a fazer beicinho?... Treze hipóteses:
1- Em J.L. Zapatero;
2- Na namorada secreta do Ministro da Cultura;
3- Em Santana Lopes;
4- No Presidente da República;
5- Em Pedro Silva Pereira;
6- Em Fernanda Câncio;
7- Na Ministra da Educação;
8- Em Maddie;
9- Em Sylvester Stallone;
10- Em Luciana Abreu;
11- Em Barak Obama;
12-- Em Carla Bruni;
13- Nele próprio.


Eu encasino? Tu encasinas? Ele encasina. Nós encasinamos? Vós encasinais? Eles encasinam...

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Expresso, 16.02.2008

Num país que não fosse uma roleta, este dossiê faria a desgraça de alguém. Em Portugal, não. Vai uma aposta?!...


Era "namorada secreta"? Deixou de ser...

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24horas, 16.02.2008

Deviam constituir um governo-sombra com as namoradas secretas dos nossos governantes. Talvez o país se divertisse um pouco mais...

Estes "juízes" (leia-se "magistrados") do futebol não há meio de se entenderem (ou, simplesmente, de terem um pouco de vergonha na cara)...

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A Bola, 16.02.2008

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A Bola, 16.02.2008

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A Bola, 16.02.2008

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A Bola, 16.02.2008

Este Herculano Lima é juiz-conselheiro (jubilado) do Supremo Tribunal de Justiça. Também se meteu no inferno do futebol e arrependeu-se. Não sei se ainda a tempo de arrendar um lugarzinho no céu...


Improviso para servir de mural às vítimas de Carlos, o rei da piolheira...

A António Papança fez conde de Monsaraz
a Tristão Queiroz fez marquês da Foz
a Estevão Tormenta fez conde da Serra da Tourega
a Cândido Calado fez conde de Monsanto
a Carlos da Mota fez conde de Juncal
a Joaquim Palha fez conde de Ribandar
a Henrique Lowndes fez conde de Leopoldina
a António do Rego Botelho fez conde do Rego Botelho
a Gaspar Melo fez conde do Vale da Rica
a James Mason fez conde de Pomarão
a João Valente fez conde da Tabueira
a Alexandre Lancastre fez conde de Cuba
a Amâncio da Câmara fez conde dos Fenais
a António Lacerda fez visconde de Granja do Tedo
a Venâncio Cordeiro fez visconde de Velber
a Luís Pires fez visconde do Passadiço
a João de Deus fez visconde de São Gião
a Valentim Lopes fez visconde de São Valentim
a António Rego fez visconde de Sousa Rego
a Joseph Gay fez visconde de Gay
a Manuel Furtado fez visconde de Vale da Costa
a João Júnior, antes barão do Socorro, fez visconde do Socorro
a José Azevedo fez visconde de Barrosa
a Joaquim de Utra fez visconde da Vinha Brava
a James Bellamy fez visconde de Reynella
a Inácio de Carvalho fez visconde de Bardez
a António de Almeida fez visconde de São João Nepomuceno
a Ezequiel de Sousa Prego fez visconde de Sousa Prego
a Cipriano Palhinha fez visconde de Amoreira da Torre
a José de Sá fez visconde de Merceana
a Júlio Carneiro fez visconde de Cabrela
a António de Sousa fez visconde de Carnaxide
a Joaquim Cunha, antes barão de Rio Torto, fez visconde de Rio Torto
a Cristovão Barata fez visconde de Olivã
a Eduardo Cohen, antes barão de Matalha, fez visconde de Matalha
a Faustino Moreira fez visconde da Rebordosa
a António Guerra fez visconde da Barreira
a António Rebelo fez visconde de Marzovelos
a António Melo fez visconde de Montedor
a Mariana Quintas fez viscondessa do Bom Sucesso
a Carlos Vieira fez visconde de São Carlos
a Manuel Penetra fez visconde de Cantim
a Carlos Gayo fez visconde de Fervenças
a Tomás Metelo e Nápoles fez visconde de Nápoles e Lemos
a Gaspar Sottomaior fez visconde do Mato
a João Dias fez visconde de Reboleira
a Aparício dos Santos fez visconde de Povoença
a Albino Azevedo fez visconde de Santo Albino
a Júlio Basto fez barão de Basto
a Karl Merk fez barão de Berk
a Vicente Falé fez barão das Silveiras
a José Gouveia fez barão de Gáfete
a Jacques René O’Fard de la Grange fez barão de O’Fard de la Grange
a Alfredo de Pinho fez barão de Burgal
a Manuel Mendes fez barão do Candal
a José de Pina Calado fez barão de Teixoso
a Frederico Telles de Menezes fez barão da Nora
a Geminiano Maia fez barão de Camocim
a Manuel Amorim fez barão de A-Ver-o-Mar
a Tristão da Câmara fez barão de Jardim do Mar
a Joana Crespo fez baronesa de Vale da Mata
a Ambrosina Loureiro fez baronesa de Fragosela
a Ricardo Franz fez barão de Frantzenstein
a José Joaquim da Silva Guimarães
meu bisavô paterno
fez visconde de Guilhofrei
Manuel dos Reis da Silva Buiça
desfez tudo
no dia um de fevereiro de mil
novecentos
e
oito.

Ademar
15.02.2008

Beethoven numa edição mixordeira...

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Quando vejo o nome respeitável de António Victorino d' Almeida associado a esta edição mixordeira da Nona de Beethoven (reparai que na capa ou contracapa do cd, que reproduzo, não aparece qualquer referência à orquestra, nem ao maestro, nem à edição original), eu tenho mesmo de concluir que, neste país, vale tudo e que os indígenas, neste caso, os compradores do 24horas, não merecem mais. Que fará a ASAE?...

Mote para um poema incerto: nesse fogo onde conflui a nossa nudez interminável...

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Foto de A Brito

fevereiro 15, 2008

Improviso sobre uma tela de Vermeer...

Uma carta uma folha de papel
respigando de uma tela
não sei se é a tua letra
nunca fui capaz de imaginar
caligrafias
talvez na luz dessa janela
ainda sejas tu
essas mãos que ardem sem palavras
fogo irrespirável.

Ademar
15.02.2008

Teste aos leitores...

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DN, 15.02.2008

Quem terá pago este anúncio de página inteira (de que reproduzo apenas o pormenor mais apelativo) na edição de hoje do DN? Treze hipóteses:
1- Banco Comercial Português;
2- Museu Nacional de Arte Antiga;
3- Bloco de Esquerda;
4- Fundação Berardo;
5- Santuário de Fátima;
6- Antena 2;
7- Câmara Municipal de Gondomar;
8- Confraria do Vinho do Porto;
9- CONFAP;
10- Universidade Portucalense;
11- Federação Portuguesa de Râguebi;
12- Polícia Judiciária;
13- Erosfarma.

Se algum leitor ou alguma leitora acertar, é porque fez batota...

O crime (comercial) já não compensa?...

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DN, 14.02.2008

Na sombra de um santo, inexoravelmente, o diabo. O diabo que os carregue a todos!...


Há quanto tempo estamos todos de luto?...

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Correio da Manhã, 14.02.2008

A educação, em Portugal, há muitos anos que está de pernas para o ar. Este luto é... tardio...

Alguns provérbios que excitam Ratzinger... (5)

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William Blake, A União do Céu e do Inferno (Provérbios do Inferno)

Alguns provérbios que excitam Ratzinger... (4)

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William Blake, A União do Céu e do Inferno (Provérbios do Inferno)

fevereiro 14, 2008

Improviso para contrariar o calendário...

Talvez numa página em branco
eu escrevesse o teu nome
se o teu nome pudesse ser escrito
numa página em branco
já não tenho páginas em branco
para escrever o teu nome.

Ademar
14.02.2008

A canalhice feita editorial no Diário de Notícias...

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DN, 14.02.2008

Este mocinho que dá pela graça de Pedro Lomba identifica-se, profissionalmente, como... jurista e informa que pertence à Ordem dos Advogados, ainda que, esclarece, com "a inscrição suspensa". Também eu... só que há quase 30 anos, provavelmente, a idade do mocinho...
Desconfio, porém, que não é na qualidade de jurista mais ou menos frustrado e imberbe que Lomba alomba o editorial da edição de hoje do vetusto DN. Será na qualidade de... jornalista ou jornaleiro. E, nessa qualidade, recomenda a Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, que "trate da casa", em vez de se preocupar com... corrupções e tráficos de influências.
O mocinho é atrevidote e faz de parvos os leitores do DN. Conte lá a sua historiazinha, rapaz, e deixe-se de eufemismos retóricos! O que é que lhe fizeram, os malfeitores da Ordem?!...


O pontapeador de caniches...

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Esta noite, deslumbrei-me a ver o Jornal da Noite, da SIC. Tabloidismo, do mais aguerrido e deprimente. Durante 15 minutos, repito, quinze minutos, pude assistir ao desenvolvimento da notícia de abertura: um rottweiler (da família da vítima) atacou esta manhã uma criança no Allgarve, atirando-a para o hospital. O universo suspenso da suposta demência de um cão...
Em estúdio, dois especialistas discutiram com Rodrigues Guedes de Carvalho minudências de canicultura. A páginas tantas, desesperado, o entrevistador saiu-se com esta (cito de memória): se um caniche me ataca, eu dou-lhe um pontapé; mas que faço, se sou atacado por um rottweiler?...
Confesso que já não ouvi a resposta. Fiquei a imaginar o grande e másculo escritor aos pontapés a um caniche...


Peço perdão a todos os professores!...

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Com um brilhozinho nos olhos, uma aluna dizia-me hoje que tinha em casa... oito televisores, oito. Todos operacionais, naturalmente. Ela batia o recorde. A maioria dos colegas da turma não tinha mais do que três, quatro, cinco televisores. Pobrecitos!...
E o professor, quantos tem?...
Confesso que me passou uma coisa pela cabeça e, por instantes, tive vontade de "esmagar" a turma, respondendo... treze, catorze, quinze... Acabei por dizer a verdade: um. A turma entreolhou-se, incrédula, espantada, não sei mesmo se indignada. Como era possível que um professor tivesse em casa, apenas... um televisor?!...
Perante aquele olhar colectivo, fulminante, senti que acabara de desonrar a classe...

Perversidades ou... a educação de pernas para o ar...

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Público, 14.02.2008

No planeta dos anjos, tudo isto parece muito razoável. Os pais "trabalham" (mesmo quando estão desempregados) e é preciso que o Estado tome conta dos seus filhos, se possível, até ao fim da tarde ou ao princípio da noite (conforme as estações do ano). E a solução mais cómoda (para os pais) e mais barata (para o Estado) é acantoná-los na escola pública. Não importa por quanto tempo, nem para quê, nem com que custos (de toda a ordem).
Parece lógico, mas é estúpido e perverso. Os miúdos já passam tempo de mais na escola (que, em geral, odeiam, especialmente, as salas de aula, digo, as "jaulas") e os pais... tempo de menos com eles. Medidas como esta só contribuem para agravar os problemas (desde logo, culturais) da nossa sociedade (e das escolas) e para desresponsabilizar ainda mais as famílias, as comunidades locais e as autarquias. Para quem sobra no fim da linha? Para os... professores, cujo trabalho quase ninguém respeita e valoriza, a principiar (lamento dizê-lo) pelo próprio Ministério da Educação.
Ainda ninguém terá percebido que não é por aqui que devemos ir?...

O anúncio da vitória de Obama...

Depois de ver este vídeo, fiquei mesmo convencido de que Obama já ganhou. Não apenas a nomeação democrata, mas a própria eleição. A energia e a ilusão que ele transmite parecem... imparáveis...

De vez em quando até o futebol dá lições às escolas...

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DN, 14.02.2008

Cada vez tenho mais apreço por Alex Ferguson, o "catedrático" treinador do Manchester United. E cada vez tenho mais pena dos professores e das escolas que toleram tudo, porque, provavelmente, já não se importam com nada...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Artur do Cruzeiro Seixas, Obra Poética (I)

Para parar e pensar ou vice-versa...

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João de Sousa Monteiro, Tabú, Príncipe dos Cágados, de Fraldas ao Vento, Ladra às Portas do Futuro

Alguns provérbios que excitam Ratzinger... (3)

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William Blake, A União do Céu e do Inferno (Provérbios do Inferno)

Alguns provérbios que excitam Ratzinger... (2)

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William Blake, A União do Céu e do Inferno (Provérbios do Inferno)

fevereiro 13, 2008

Improviso a conta-gotas...

Há realidades que não cabem num poema
luzes brilhos ângulos rectos
realidades furiosas
há novidades sem pessoas dentro delas
palavras sonâmbulas
despertando nenhures
hoje a poesia exige uma espécie de
cósmica imaterialidade
ondulante imperfeita labiríntica
mais próxima de nenhuma cor do que do azul
nada que se entenda como um titulo de jornal
ou um remendo na alma.

Ademar
13.02.2008


Sugestão de leitura...

Rui Namorado em O GRANDE ZOO: Pixordices 4- O mistério das notas falsas. Gente inteligente, mesmo socialista, é outra coisa... Tiro-te o chapéu (imaginário), Rui!...

Mas será que alguém ainda ignora?!...

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DN, 13.02.2008

Há trinta anos que tenho a certeza disto e nunca fui vereador de urbanismo na Câmara Municipal do Porto. Bastou-me ser, durante alguns anos, jornalista (e fazer alguma investigação), para perceber como tudo funciona...


E a justiça portuguesa... não merecerá, também ela, ser praxada?...

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Público, 13.02.2008

Parece uma anedota, mas não é. Cinco anos depois, cinco!, este processo desemboca num julgamento. Comentários... para quê? A "justiça", em Portugal, é uma lenta e penosa agonia...

Alguns provérbios que excitam Ratzinger... (1)

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William Blake, A União do Céu e do Inferno

Agora que o inferno voltou a existir, convirá recordar o rifoneiro que Blake, nos finais do século XVIII, coligiu. Prometo publicar mais excertos desta obra...

Um professor com 87 anos?!...

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Correio do Minho, 13.02.2008

Eu conheço Henrique Moura, o autor deste texto, e acho que ele não estará a brincar, quando refere que uma das netas tem, no 8º ano, um professor de Português com... 87 anos. Evidentemente, não será numa escola pública...

Santos Fernando por ele próprio...

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Primeira página do Prefácio que Santos Fernando escreveu para Os Cotovelos de Vénus...

Um autor injustamente esquecido...

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Capas (deliciosas) de dois livros de Santos Fernando, um autor hoje quase completamente esquecido no país em que nasceu e que tão mal o tratou. Os Cotovelos de Vénus (1963) e Tempo de Roubar (1964) mereciam ser reeditados. Fica aqui a sugestão...

fevereiro 12, 2008

Cuidado, Obama!...

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Há sempre um fotógrafo por perto, pronto a disparar e a vender...
E há fardos que se carregam a vida inteira...

Improviso empresarial...

Um dia
quando me faltarem as palavras e as metáforas
fecharei a fábrica da poesia
e abrirei falência
há quem morra apenas com dois tiros
e um válido apenas
para efeitos estatísticos
eu tenho a pretensão prosaica de falir
mas com estrondo
nenhuma vida merece menos
nenhuma morte.

Ademar
12.02.2008

"Estrada de Macadame"...

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Não sei há quantos anos conheço o Vergílio Rodrigues, suponho que desde os tempos em que ele estava de deputado (pelo PS). Sei, apenas, que sempre rimos muito um com o outro. Temos em comum uma ironia, por vezes, sarcástica, que inevitavelmente nos aproxima. E como somos quase vizinhos, vamo-nos encontrando e gargalhando. Hoje, o Virgílio fez-me chegar um exemplar de um livro de crónicas que lançou recentemente: “Estrada de Macadame – Crónicas de Outros Tempos”. Só tive ainda tempo para folhear e cheirar. Mas quero agradecer-lhe aqui, publicamente, a oferta do livro e garantir-lhe que o lerei. E que, certamente, me divertirei...

Ecos da "epilepsia portuguesa"...

Considero "Portugal Contemporâneo", de Oliveira Martins, uma obra-prima. Está lá tudo sobre Portugal e os portugueses e muito pouco, verdadeiramente, mudou, de lá para cá - e já passaram mais de cem anos. As personagens são outras, naturalmente, ainda que nem sempre os apelidos, mas o povo, esse, é o mesmo - e o país também, em todas as suas muitas misérias e grandezas poucas. E o Estado. Ou o Estadão. Deixo-vos com um excerto do primeiro tomo. Saboreai!...

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Ah! se o dinheiro falasse!...

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Público, 12.02.2008

Se certos empresários e certos políticos tivessem de demonstrar a origem das suas inesperadas e insólitas "fortunas"... o governo português teria que reforçar substancialmente a lotação do nosso parque prisional...
Por estas e por outras é que a inversão do ónus da prova, em Portugal, não pega...

José Veiga terá confessado mesmo a burla?...

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24horas, 12.02.2008

O 24horas garante que sim, que José Veiga confessou tudo...

Juízes sem juízo...

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DN, 11.02.2008

Mas será preciso mesmo... proibir? Haverá ainda juízes que não perceberam que certas companhias não se recomendam a gente que se pretende respeitada e acima de qualquer suspeita?!...

O que uma eurodeputada não deveria ter escrito...

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24horas, 12.02.2008

Lamento muito dizer isto, até porque tenho apreço pessoal e político por Ana Gomes, mas uma eurodeputada socialista não pode escrever que se "regozija por Alfredo Reinado estar morto". Ela deveria antes lamentar que Reinado não tivesse sobrevivido para, finalmente, responder pelos seus crimes. Dito assim, até parece que Ana Gomes é partidária da pena de Talião: olho por olho, dente por dente; matas, morres!
É, simplesmente, uma questão de... princípios...

O pagador de destinos ou... ele anda por aí...

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DN, 12.02.2008

Santana Lopes tem alma e expressão de peregrino. Não há papel, de resto, que não lhe assente bem. Imaginai-o de toga, de fraque, de pijama, de calções, de cuecas, em pelota. Santana é o melhor actor de si próprio...

As boas intenções que alegram o inferno...

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Eça de Queiroz, Os Maias (adaptado para os mais novos por José Luís Peixoto)

Há dias senti os meus alunos especialmente alvoroçados. Mostravam uns aos outros um tijolo em forma de livro e maldiziam o destino que os obrigava a ler aquela "seca". Pedi-lhes que me mostrassem o tijolo: era Os Maias. Sorri para fora e chorei para dentro. A escola é mesmo burra e não aprende nada com a experiência. Obrigar alunos de um curso profissional que mal sabem ler e que não distinguem o século XIX do século XIV a devorar e interpretar Os Maias só pode ser mesmo um sintoma de autismo ou de falta de discernimento. Eu, que nasci no meio de livros e que aprendi a ler antes de entrar na escola, e que descobri festivamente (e clandestinamente) aos 12/13 anos Victor Hugo e, por exemplo, Os Miseráveis, embirrei epidermicamente com quase todos os autores e todos os livros que me "obrigaram" a ler no Liceu, incluindo... Os Maias (de que só aprendi a gostar muito mais tarde, quando também me apaixonei pelo século XIX). Na escola portuguesa, repete-se ad nauseam, geração após geração, as mesmas rotinas patéticas e absurdas, com os gloriosos resultados que todos conhecemos...
Claro que os meus alunos já sabiam que havia por aí uns "resumos" de Os Maias, que facilitam a ingestão do óleo de fígado de bacalhau, em que Eça, criminosamente, se acha convertido. Estive quase para lhes dizer que também têm agora, no mercado, uma versão de Os Maias, para criancinhas. Versão, aliás, escrita por um autor que eles conhecem e até apreciam: José Luís Peixoto. Só que Peixoto costuma escrever sobre circunstâncias e sentimentos que os meus alunos partilham. Eça, para eles, pertence à pré-história. E vão odiá-lo. Pobre Eça!: como ele, se fosse vivo, se indignaria com tamanha burrice...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Adília Lopes, Caras Baratas

fevereiro 11, 2008

Há músicas tão bonitas que até magoam...

É uma das minhas predilectas de Astor Piazzolla: Tangata del Alba. Aqui, em duas excelentes interpretações, que não envergonham o autor. Não sei qual das duas prefiro. Até hoje, confesso, só conhecia a versão original...


Improviso imaterial...

Mapeei as manchas do teu corpo
e vi o mais remoto dos continentes
e o mais íntimo
nunca na fronteira dos olhos
te exigiram o bilhete de identidade
ou o passaporte
passaste sempre por indocumentada
e até o silêncio negavas ao check-in
há quem viaje assim
num permanente desconcerto de vínculos
como se a única origem que lhe coubesse
fosse a incerteza de todos os laços e berços
mapeei as manchas do teu corpo
e sobrevoei uma memória de feitiços
entre caixas de pandora.

Ademar
11.02.2008

Por que é a Pepsi não brinca com Cristo ou Maomé?...

Não bebo este tipo de mixórdias americanas. E muito menos "compro" este tipo de publicidade...

Apenas um caso...

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DN, 11.02.2008

As escolas não são ilhas nem limbos sociais. Tudo o que se passa à sua volta passa-se também dentro dela...
Não conheço a escola a que se reporta este testemunho, mas sei que nenhuma escola pública, neste país, poderá dizer... desta água não bebo, nem beberei.
Claro que, nas escolas privadas, tudo é (ou pode ser) diferente. Deixai-me escolher os alunos e as famílias e os professores e confiai-me uma escola, que possa gerir autonomamente: garanto-vos que, em pouco tempo, farei dela uma escola exemplar...
O problema... são as outras...

Os erros ortográficos (colossais) do Público...

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Público, 11.02.2008

O Público escreve hoje em título Bê À Bá. Trata-se de uma asneira (pelo menos) dupla. Deveria ter escrito (poderia ter consultado, por exemplo, o Houaiss) Bê-á-Bá. E imagine-se as asneiras que frequentam os manuais escolares, com ou sem publicidade...


Quem são, hoje, os Dantas? Ele há tantos e tantas!...

O Manifesto Anti-Dantas, por Mário Viegas. Que saudade!...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

A FAMÍLIA
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Mário-Henrique Leiria, Novos Contos do Gin

Por qué no te callas, general?

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Correio da Manhã, 10.02.2008

Toda a gente sabe que, em Portugal, não há hospitais militares pagos por todos nós (era o que mais faltava!) e que o senhor general Garcia Leandro recebe uma mísera pensão de reforma (no montante de 4556 Euros).
"Quosque tandem abutere Catilina patientia nostra?"...

fevereiro 10, 2008

Improviso cenográfico...

Palmas talvez apenas no fim
quando o silêncio repousar
das aventuras no palco
num estrado ainda mais incerto
do que o fio nocturno da saudade
palmas lentas e tristes
como valsas que perderam o par
ou violoncelos
o arco das mãos.

Ademar
10.02.2008

Bardem...

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Recebeu ontem, em Londres, mais um prémio. Acho que jamais deixarei de ver em Javier Bardem... Ramón Sampedro, o tetraplégico galego que ele, magistralmente, ressuscitou em Mar Adentro. Lembrai-vos?...

Serviço público para meninas e senhoras...

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JN, 10.02.2008

Se a leitora ainda não atingiu os 40 (de idade), está livre, é licenciada, se considera elegante, tem bons princípios morais, não deve dinheiro a ninguém e pretende constituir família (na zona norte), sugiro-lhe que responda a este anúncio. Mas garanto-lhe que não sou eu o engenheiro anunciante, empresário, de excelente apresentação, com nível (muito nível, aliás), idóneo, sem vícios, muito culto. Nem sou o dono da Agência Matrimonial Nova Vida, nem habito na Rua das Musas. Lamento se a desiludo, leitora...

A modesta pensão de reforma do senhor Tenente-General José Eduardo Martinho Garcia Leandro...

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Correio da Manhã, 10.02.2008

A bitola das "mordomias" e dos "altos salários" do senhor General Garcia Leandro (os tais que ele entende que Sócrates deveria "moralizar") deve ser bastante elevada. É o que o senhor general, só da Caixa Geral de Aposentações, recebe por mês 4556 Euros (ou seja, mais de 900 contos na moeda antiga). Agradeço a informação e a documentação ao leitor que teve a amabilidade de me esclarecer. Claro que fica ainda por saber que outras "mordomias" o senhor general acumula (ele que também é, por exemplo, professor convidado da Universidade Católica e director do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo)...
Eu, no lugar do primeiro-ministro, não deixaria sem resposta ("moralizadora", naturalmente) o senhor General...

O amor... o amor... o amor... o quê?...

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Única - Expresso, 10.02.2008

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Notícias Magazine, 10.02.2008

Gondomarense, eu exigiria que o 14 de Fevereiro fosse feriado municipal. Valentim só há um: o Major e mais nenhum!...

Mais do que um "desafio", acho que é um dever patriótico...

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JN, 10.02.2008

Se fosse a ela, Anabela, tentava antes uma revista feminina. Talvez não desse tanto nas vistas...

Por falar em "altos salários" e "mordomias" e "marcos morais", importar-se-á o senhor general de nos mostrar o recibo da reformazita que nos cobra todos os meses?...

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Correio da Manhã, 10.02.2008

Portugal, como se sabe, deve muito aos militares, sobretudo, aos generais de patente (ou patenteados). Garcia Leandro, agora no papel de cobrador de fraque (de farda, digo), vem lembrar-nos que ainda faltam os juros. E eu que julgava que a dívida já estava saldada...

Saia uma banana para a mesa do senhor inspector!...

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Correio da Manhã, 10.02.2008

É, simultaneamente, presidente da Câmara Municipal de Santarém, criminologista, guionista de telenovelas, comentador televisivo e... cronista. Pelo menos. Para glória e enriquecimento da pátria, Moita Flores deveria ser, também, deputado. Honorário.
Quem foi que falou de uma república doente? Moita Flores respira saúde...
Vai uma banana, senhor inspector?...

O horror urbano e cívico, diariamente, ao alcance dos meus olhos...

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Costumo dizer que vivo com o fascismo à porta. A criatura de bronze que, do alto do pedestal de cimento, todos os dias me saúda ameaçadoramente com o braço direito (como se me indicasse a porta de saída para o Porto), foi, talvez, a par do arcebispo Francisco Maria da Silva, o fascista mais proeminente de Braga nos anos cinquenta e sessenta: António Maria Santos da Cunha. Procurador à Câmara Corporativa, Presidente da Câmara, Governador Civil, bonzo-mor da canalha salazarenta que, por estas paragens, enchia os bolsos por conta da pátria. Personagem boçal, que o anedotário braguês ainda hoje recorda e fustiga...
Numa cidade e num país que tivessem vergonha das nódoas do seu passado, este monumento não existiria. Desgraçadamente, existe e à minha porta. Este Benito à moda de Braga não acabou, como o autêntico, pendurado de pernas para o ar de uma corda: foi convertido num herói de bronze. Portugal é isto e sempre será: civicamente, uma pocilga do vale-tudo...

Um post (ou poste) bairrista...

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As últimas eleições autárquicas foram em Outubro de 2005. Quase dois anos e meio depois, este cartaz de campanha continua, diariamente, a interpelar os meus olhos, quando saio de casa. Nasci em Maximinos, vivo em Maximinos, voto em Maximinos. Este homem (que conheço desde criança, porque os nossos pais eram quase vizinhos) é o "meu" presidente mais próximo e andou, em campanha, a oferecer chouriços aos eleitores. A sede da junta fica do outro lado da praça, do outro lado do viaduto. Até há pouco tempo, fora a residência dos pais de Mesquita Machado, o compulsivo presidente da Câmara. Os pais morreram e a casa passou para a Junta de Freguesia. Foi, com certeza, um negócio interessante para as duas partes. Interessante e patriótico. Tão interessante, que João Seco Magalhães, que fora eleito inicialmente com o apoio dos partidos da direita, está a cumprir um novo mandato, com o apoio do PS. Os chouriços, como se comprova, não têm ideologia.
Já não consigo indignar-me com nada. Rio apenas. Rio, rio, rio. E a permanência deste cartaz â porta de minha casa está sempre a convidar-me à gargalhada. Eu, no lugar do presidente da Junta, já não o mandava retirar. Servirá para as próximas autárquicas...

Livrai-me de ser velho assim...

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Única - Expresso, 09.02.2008

Se uma proposição genérica como esta fizesse algum sentido, poder-se-ia ainda perguntar: e quem a envelheceu? o que a envelheceu?...
Estes velhos não aprenderam nada...

África deles!...

Por favor, abra já o vídeo, repouse os olhos nas imagens iniciais e, depois, deixe-se simplesmente contagiar pelas vozes e pela música. Se ainda não viu este filme, de Fernando Meirelles, faça-o. Tem tanto de cruel, como de sublime. Anda meio mundo a chorar por África e outro meio, a queimá-lo, deixai-me escrever, a fodê-lo: os traficantes de armas e de brinquedos para os pretinhos; as farmacêuticas, as petrolíferas e os diplomatas; os senhores da guerra e os senhores da paz, pretos ou brancos, tanto faz. Pode parecer a segunda versão (ainda mais a preto e branco) de "A Cidade de Deus", mas é apenas mais um capítulo de uma tragédia interminável. O cinismo e a cobiça acabarão, finalmente, com a espécie. Quando ligo a televisão e vejo a cara dos farsantes que conduzem os rebanhos, julgando governar o planeta... já só quase consigo ver criminosos de delito comum, por dentro dos colarinhos brancos. O que é que eles dizem? Os meus ouvidos já se recusam a ouvir... Acreditaremos ainda em alguma coisa? Em alguém?...

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fevereiro 09, 2008

Improviso antes de todos os domingos...

Os sinos
lembram-me sempre que nasci aqui
mesmo quando troco as imagens
eu sei que nasci aqui
não muito longe deste lugar
onde tudo parece exactamente a sombra
do que foi
há domingos em que os sinos
ainda tocam assim
como se chamassem alguém
e só tocassem em mim.

Ademar
09.02.2008

Vi-o a noite passada e depois não consegui adormecer...

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Eu sei que tenho alunos que, um dia, poderão estar dentro de um "filme" como este. E sinto, como professor, que pouco posso fazer para o evitar. Falo em abstracto, naturalmente: os meus alunos poderão ser os meus filhos, os vossos filhos... E serão sempre os filhos de todos nós...


Ratzinger tem razão: a cópula não é necessária!...

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24horas, 09.02.2008

O cheiro basta. A virgem Maria, afinal, tinha razão!...

Não foi sempre assim?...

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24horas, 09.02.2008

Toda a gente sabe por que é assim. Ou não sabe?...

A minha dúvida é se ele não estará mesmo louco...

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Público, 09.02.2008

Uma vez mais, concordo com Vasco Pulido Valente. Aquilo que Rowan Williams defende conduzir-nos-ia rapidamente a uma espécie de feudalismo cultural...

Eu sabia, eu sabia!...

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Público, 09.02.2008

Eu sabia que o Major não iria desiludir os gondomarenses e as gondomarenses...

Um post apenas familiar...

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Este post é só para "chatear" os meus filhos mais velhos: o Alexandre (em cima) e o Francisco (em baixo). O Alexandre já é um trintão e o Francisco, hoje com 15 anos, já é mais alto (e continua a ser muito mais bonito) do que o pai.
Deixo o Henrique, o benjamim, de fora, porque ainda tem apenas 10 anos e a internet, nestas coisas, não se recomenda a imprudências...

O mais genial dos cartoonistas portugueses...

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Ei-lo, o cartoonista! Estas fotos terão um quarto de século. Suponho que o António nunca as viu.
Para quem não o reconheça, o António, na fotografia de cima, está à esquerda. Ao centro, o Augusto de Carvalho, na altura, director ou sub-director do Expresso (que é feito de ti?). À direita, Arnaldo Saraiva...

A caça ao colarinho branco...

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Expresso, 09.02.2008

Eles, eu e tantos outros... já fizemos parte da equipa do Expresso. A vida, ironicamente, dá as suas voltas e, hoje, o António caricatura um antigo camarada, o António Marinho. Imagino a tua reacção, ó Bastonário, quando hoje, folheando o caderno principal do Expresso, esbarraste neste cartoon. Limpa-me essa baba, pá, que não te favorece como candidato à Presidência da República!...

Conseguis ver a sombra de Bush nesta foto?...

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Esta foto de Tim Hetherington para a Vanity Fair merece, sem dúvida, o prémio do World Press Photo (2007). Eu ponho os olhos neste soldado e não consigo deixar de ver George W. Bush com uma garrafa de whisky nas mãos, ao lado do fotógrafo...


Uma obra fundamental para a compreensão do inferno...

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Esta é... Sónia Baby, a celebrada inspiradora de "De boas erecções está o inferno cheio", que este fim de semana passeará os seus inúmeros talentos no Pavilhão Multiusos, de Gondomar, essa obra emblemática do Major, projectada por Siza Vieira...

PS- Como este blogue é lido por menores, não identifico o autor da foto, nem a fonte. Espero que ele me releve o pecadilho...

E Valentim Loureiro, o "Major", alternará com Sónia Baby?!...

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24horas, 08.02.2008

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24horas, 08.02.2008

Um Pavilhão Multiusos é um pavilhão multiusos. A notícia, infelizmente, não esclarece se Valentim Loureiro, mais conhecido na praça por "Major", alternará com Sónia Baby...

fevereiro 08, 2008

Improviso para lembrar Sevilha...

Sim
estou sempre do outro lado da janela
quando me espreitas
disponível nas palavras
e nos olhos que te vêem
só te posso reservar uma vida
ou o que sobra dela
duas mãos apenas
e um coração que ainda treme
não sei se voltaremos a dançar o flamenco
a mais de quarenta graus à sombra
ou se terei mesmo de morrer
numa quase indiferença de braços
leio uma espécie de sina
nas crostas do silêncio
e tudo me parece ainda luminoso
como castanholas.

Ademar
08.02.2008

"Les cloches et la tzigane"...

Adoro esta composição de Léo Ferré sobre um poema de Guillaume Apollinaire. Uma valsa triste que termina numa espécie de soluço de flamenco. Infelizmente, só vos posso oferecer o texto...

LES CLOCHES ET LA TZIGANE

Les cloches

Mon beau tzigane mon amant
Écoute les cloches qui sonnent
Nous nous aimions éperdument
Croyant n'être vus de personne

Mais nous étions bien mal cachés
Toutes les cloches à la ronde
Nous ont vus du haut des clochers
Et le disent à tout le monde

Demain Cyprien et Henri
Matie Ursule et Catherine
La boulangère et son mari
Et puis Gertrude ma cousine

Souriront quand je passerai
Je ne saurai plus où me mettre
Tu seras loin Je pleurerai
J'en mourrai peut-être

La tzigane

La tzigane savait d'avance
Nos deux vies barrées par les nuits
Nous lui dîmes adieu et puis
De ce puits sortit l'Espérance

L'amour lourd comme un ours privé
Dansa debout quand nous voulûmes
Et l'oiseau bleu perdit ses plumes
Et les mendiants leurs Ave

On sait très bien que l'on se damne
Mais l'espoir d'aimer en chemin
Nous fait penser main dans la main
A ce qu'a prédit la tzigane

Lança em África!...

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Esta noite consegui, discretamente, convencer os meus filhotes a ver este filme, de Francis Veber. É o mínimo que eu posso fazer como pai em defesa da honra do tão maltratado cinema europeu.
E, de caminho, fui-me perguntando: que português convidaria para um "jantar de palermas"? Santana Lopes? Filomena Mónica? Carlos Castro? José Miguel Júdice? O director nacional da PJ? Alberto João Jardim? Joe Berardo? O presidente do Benfica?...
Pensei, pensei, pensei e cheguei a um consenso comigo próprio. Convidaria Paulo Bento, o treinador do Sporting. Acho que começaria a rir antes mesmo de o ouvir...

E, em cúmulo jurídico, não poderão arquivá-lo de uma vez por todas?

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Correio da Manhã, 08.02.2008

E, em cúmulo jurídico, não poderão simplesmente penhorar o próprio devedor?!...

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Correio da Manhã, 08.02.2008

Definição prática de oligarquia...

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George Herbert Walker Bush foi 41º Presidente dos Estados Unidos da América (entre 1989 e 1993).
Sucedeu-lhe William "Bill" Jefferson Clinton, entre 1993 e 2001.
O 43º Presidente dos Estados Unidos da América foi (ainda será?) George Walker Bush, filho de George Herbert Walker Bush. Iiniciou o mandato em 20 de Janeiro de 2001 e terminá-lo-á em Janeiro de 2009.
Suceder-lhe-á Hillary Clinton, esposa amantíssima de William, digo, "Bill".
Quantos presidentes? Duas famílias...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Al Berto, O Muro

Este poema pode ser ouvido no cd "Os poetas - entre nós e as palavras", dito pelo próprio autor. O Alexandre Castro chamou-me a atenção para um vídeo disponível no You Tube que utiliza essa gravação. Reproduzo-o...


Acto sexual, cópula - solução de uma ficha de trabalho para adolescentes...

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Curso de Educación de la Sexualidad para Adolescentes (Programa SABE), 2001

Trata-se, naturalmente, de um teste "formativo". A educação sexual nas nossas escolas será mais ou menos assim...

Quem tem um olho (ou se chama Barroso) é rei...

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Visão, 07.02.2008

Esta reportagem da Visão explica como estamos a caminho de deixar de ser um estado-de-direito para passarmos a ser, simplesmente, um estado-de-sítio...
O patriotismo, mesmo na versão clubística do "amor à camisola", está pela hora da morte, quero dizer, do transplante...


fevereiro 07, 2008

Um em cada cem, pelo menos, somos esquizofrénicos: cada um (cada uma) à sua maneira...

Improviso para completar uma fala...

Claro que tenho um pacto com o diabo
todas as palavras que me enfeitiçam
digo
que brincam comigo
um pacto antigo
arqueológico da infância
quase tão antigo como o medo de cegar
na luz do sol ou da lua
como quando era menino
é esse o diabo que reencontras
nas palavras que te enfeitiçam
digo
que brincam contigo
connosco.

Ademar
07.02.2008

Advocacia canalha...

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24horas, 07.02.2008

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24horas, 07.02.2008

A não ser que a notícia seja falsa ou extraordinariamente parcial, estes advogados são uma vergonha e, numa Ordem que eu dirigisse, teriam um inquérito ou processo disciplinar às costas. Felizmente, optei por não ser advogado e posso escrever estas coisas sem correr o risco de ser eu a levar com um processo em cima. Não queria estar no lugar do Marinho. Com advogados deste jaez, a classe nem precisa de mais detractores...

O que é que deve relevar para a apreciação do carácter de um político?...

Não subscrevo (pelo menos, nos termos), mas reconheço que é um bom tema para reflexão. O que é que deve relevar para a apreciação do carácter de um político? Só aquilo que ele faz ou fez no desempenho de cargos públicos? As "patifarias" que possa ter cometido na esfera privada, incluindo a profissional, não contam de todo para o escrutínio das "virtudes" exigíveis a quem aspira a governar-nos? Eu não espero de ninguém a "perfeição", mas há certas imperfeições de carácter nos políticos que me incomodam e repugnam. Mais ainda... à esquerda...

Que leia quem puder...

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Uma manchete infeliz...

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A Página da Educação, Janeiro.2008

Eu sei que a intenção não era essa, mas... confesso que não gosto, como professor, de passar (ou que me façam passar) por cavalo...

Duas mortes quase poéticas...

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DN, 07.02.2008

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DN, 07.02.2008

L' amour fou!...

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DN, 07.02.2208

Quando consigo esquecer que Sarkozy é o presidente da República francesa, até consigo simpatizar com ele. Amorosamente falando (ou eroticamente), é tão... naïf...

Pacheco Pereira confessa-se...

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Sábado, 07.02.2008

Chama-se a isto: retirar do contexto. E receio bem que nem todos captem a ironia...

Que entidade responderá pela guarda e conservação deste monumento nacional?...

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Sobre a construção do primitivo mosteiro de S.Frutuoso, em Montélios, já se escreveram páginas e páginas de histórias desencontradas. Uma tese afiança que teria sido o próprio bispo de Braga e de Dume (em meados do século VII) a mandar edificar o Mosteiro, para que lhe servisse de sepultura. Outra, garante que a edificação do Mosteiro teria sido posterior e dataria do século X. Umberto Eco gostaria, por certo, de trabalhar narrativamente a história deste edifício, que envolve mil e um mistérios e enigmas que jamais serão esclarecidos. Como, por exemplo, o do roubo das ossadas do Santo, que teriam sido transferidas para S.Tiago de Compostela em 1102...
Seja como for, o pouco que resta do edifício primitivo é, hoje, e muito justamente, monumento nacional. Nacional? Que entidade responde pela sua guarda e conservação? Pelos vistos, nenhuma. Pelo menos, continuo a ignorar a quem paguei 50 cêntimos para poder visitar a Capela de S.Frutuoso. Reparai no bilhete que reproduzo acima e dizei-me: paguei a quem? Ele há tanta receita indocumentada neste país...

Em vez de uma espingarda, livros...

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Esta obra foi editada há 30 anos, pela ASPA. Deveria ser reeditada e colocada à venda em S.Frutuoso. Para que os visitantes, se quiserem, possam ficar a saber um pouco mais sobre aquele monumento nacional, que parece completamente abandonado e esquecido...
De resto, literatura sobre S.Frutuoso não falta
...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Al Berto, O Medo

fevereiro 06, 2008

Improviso antes do próximo...

Estou sempre à procura de uma última verdade
antes da seguinte
um gesto ainda mais surpreendente
gritos que não pareçam lágrimas
lágrimas que não pareçam gritos
não há mãos como as primeiras
não há nuvens
não há olhos
todas as tardes agora são diferentes
só as palavras coincidem no silêncio que as recolhe.

Ademar
06.02.2008

Um restaurante onde se está e se come sempre bem...

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Fui dos primeiros clientes deste restaurante, em Real. Há mais de 20 anos, se a memória nao me atraiçoa. Continuo a frequentá-lo, embora irregularmente, com o mesmo prazer de sempre. O Domingos e a família recebem os amigos como ninguém. Devia-lhes, há muito, este público agradecimento...

Uma espécie de absurdo, em que Portugal, infelizmente, é tão fértil...

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Nesta imagem podereis ver: à esquerda, uma parte da fachada principal da Igreja de S.Francisco, em Real; à direita, o que resta do antigo Mosteiro dos monges da Província da Soledade, actualmente, propriedade da Câmara Municipal de Braga; entre uma e outro, na sombra, um... monumento nacional, a raríssima e discutidíssima capela pré-românica de S.Frutuoso de Montélios, do período moçárabe. Para ser mais exacto, o que também resta dela (e é bem pouco)...
Este é um lugar mágico de ruínas e... destruições. Num pesadelo chamado Portugal...

O insólito de uma espingarda à entrada de uma igreja...

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O acesso à Capela de S.Frutuoso de Montélios, monumento nacional dos mais raros e emblemáticos, faz-se pela Igreja, hoje paroquial, de S.Francisco. O bilhete custa 50 cêntimos. Não há guia e documentação disponível sobre a Capela, também não. Paga-se, entra-se e vê-se livremente. Ninguém acompanha ou controla os visitantes. O anfitrião que cobra a entrada é simpático e, nos intervalos da pachorrenta actividade, entretém-se a disparar sobre cobras (sic). Para o efeito, dispõe desta arma, que fotografei discretamente. O senhor fez questão de me mostrar, orgulhosamente, as últimas cobras que baleara. O pudor impediu-me de as fotografar...
Portugal é uma permanente caricatura de si próprio...

Um órgão...

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Órgão, restaurado, da Igreja de S.Francisco, em Real.

O que ainda resta de um cadeiral quinhentista...

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Algumas imagens do que resta do antigo cadeiral quinhentista da Sé de Braga, transferido e incrustado a martelo, em meados do século XVIII, na tribuna coral da Igreja de S.Francisco, em Real. Há mais de 20 anos que não o visitava e fotografava. Não me pareceu muito mais arruinado, mas a degradação, ainda que lenta, é imparável. O Mosteiro contíguo à igreja, esse, continua por recuperar. Pedagogicamente..

Comes, calas e pagas!...

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Público, 06.02.2008

Em Braga, civilizadamente, é assim!
Haja bom senso! A violência doméstica sempre se resolveu em casa. Ou no confessionário...
Polícia? Tribunais? Hospital? Era o que mais faltava...

Bordéis dos trezentos?...

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DN, 06.02.2008

Fujam, senhoras, que está aí o dumping sexual!...

Uma justiça célere e conveniente!...

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Este anúncio (que a Ryanair fez publicar na edição de 28 de Janeiro de Le Parisien) vai render 60.000 euros à associação Restos du Coeur (Les Restaurants du Coeur). E toda a gente fica bem na fotografia. A Ryanair paga uma ridicularia pela promoção (a notícia do processo e da condenação correu mundo). O casal presidencial, que adora deixar-se fotografar, assegura a protecção do seu direito à imagem. Sarkozy consegue, imperialmente, a indemnização simbólica de 1 euro (o simbolismo aqui é tudo) e a sua (agora) amantíssima esposa reverte a honra ofendida a favor dos sem-abrigo esfomeados, transferindo integralmente para a Restos du Coeur os 60.000 euros da indemnização que lhe coube. E a justiça francesa dá um ar de sua graça, despachando em pouco mais de uma semana um processo que, em Portugal, demoraria anos a resolver...
E eu... redescobri Coluche...

O problema do "ménage à trois"...

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No campo democrata, há muito americano a sonhar ainda com uma candidatura comum de Obama e Hillary (por esta ordem ou a contrária) à presidência (e vice-presidência) dos USA. "Sonho impossível", diz Lucas Mendes: "numa mesma casa não cabem um gigante, uma fera e um Bill"...
A verdade é que o confronto entre Obama e Hillary não ata nem desata e parece estar para durar. Segundo as últimas contas, Hillary já terá feito eleger 760 delegados, contra 692 de Obama. A diferença é mínima e para a maioria, sempre acima dos 2000 delegados, ainda falta muito...

fevereiro 05, 2008

Monsieur Hulot...

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De vez em quando, apetece-me regressar a Jacques Tati e a Monsieur Hulot. É como se regressasse à infância. "Mon Oncle", de resto, é de 1953 (e eu nasci em Dezembro de 1952). Sempre que revejo Tati... revejo-me. Hoje, vou passear a noite com Monsieur Hulot...

Improviso depois do dilúvio...

Uma gota distrai o silêncio
na noite
nenhuma sombra sobre a tela
nenhuma voz
apenas a certeza de uma gota
uma ínfima certeza
um barro prematuro
na inconstância do oleiro
e na angústia
sobro-me em palavras
e segredos
procuro a chave e a porta
e fecho-me por dentro.

Ademar
05.02.2008

Fado decadente...

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24horas, 05.02.2008

Homens, machos, vítimas de violência doméstica? Já nem a bandeira, patriótica, do marialvismo nos protege? Que dirá Alípio? Que dirá Policarpo? Que dirá, pelo menos, Duarte, o herdeiro sonâmbulo da causa dos bandarilheiros reais? O fado, assim, desgraça-se...

A morte por adivinhação...

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E, de repente, nem sei como, esbarrei neste texto, datado de 06/07/2006. "Talvez um dia me possam trazer para aqui para morrer", escrevia então o meu amigo Francisco Botelho. Não sei, exactamente, se ele morreu aqui, em Santa Marinha. Nem sei o que fizeram das cinzas do seu corpo, se ele chegou a arder. Mas sei que o Francisco Botelho viverá aqui sempre...

Plenitude

O silêncio…
É certo que neste lento pôr-do-sol, o silêncio se ouve com mais força. Mas não é o silêncio.
A tranquilidade…
Sob a lua rompante, a natureza descansa. Alguns morcegos esvoaçam por sobre o pátio. A água corre no tanque, quase imperceptível. Tudo, na natureza, parece ocupar o seu sítio próprio. Mas não é a tranquilidade.
A paz…
De repente, dentro e fora de mim, tudo é harmonia. Neste momento preciso, tudo bate certo. Tudo tem razão. Mais, nada precisa de ter razão, porque o coração sente a plenitude. Mas não é a paz.

Não sei o que tem este lugar. Só sei que é o meu lugar. Aquele em que tudo faz sentido. Aquele em que consigo reunir tudo o que há em mim. Sem dramas, sem ansiedades. Plenitude, talvez seja isso, o que me enche neste velho pátio da casa ancestral dos meus antepassados. Aqui vivo eu, aqui vivem todos os meus fantasmas, aqui vivem as almas de Santa Marinha.

Talvez um dia me possam trazer para aqui para morrer. Talvez um dia possam espalhar as minhas cinzas por estes metros que a minha vista alcança. Porque mais do que qualquer outro sítio do mundo, eu pertenço aqui.

Francisco Botelho

Registo talvez melancólico de um prémio...

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DN, 05.02.2008

Vou desiludir alguns leitores, mas... devo ser, apesar das raízes, muito pouco português. Sou ateu e furiosamente laico, abomino touradas e espectáculos congéneres e detesto fado, em todas as versões. Como se fosse pouco, tenho ainda a obsessão da pontualidade, gosto muito de Espanha, não frequento dialectos, nem bairrismos, e sou um feroz inimigo da "cunha", essa instituição nacional (já perdi "amigos" por me recusar a entrar no jogo). Já é tarde, muito tarde, para aderir às idiossincrasias da pátria. De resto, como diria Alexandre O'Neill (em "SABER VIVER É VENDER A ALMA AO DIABO"), "les portugais... sont toujours gueux"... e o nosso miserabilismo cultural e social deprime-me...
Seja como for, e como também não peco pela inveja, congratulo-me sempre com os sucessos dos portugueses. Mesmo que seja no... fado...

Nem chega a ser um caso de polícia...

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DN, 05.02.2008

Eu cá resolveria o problema de uma forma muito simples: trocaria Alípio Ribeiro com Paulo Bento ou Camacho. Seja como for, o campeonato já está perdido, para todos eles...

A existência como eterna ficção (parte II)...

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Público, 05.02.2008

A mesma notícia em duas versões. Qual dos jornais (DN ou Público) se terá esforçado mais?...

Uma bola, duas pernas, dois pés, e uma cabeça tão redonda como o resto...

O mocinho faz hoje 23 anos. É o português mais conhecido no planeta e, provavelmente, o que cobra mais pelo que faz. Os livros são uma seca. É da cintura para baixo que os homens, hoje, se distinguem...

Ele é capaz de tudo!...

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O Jogo, 05.02.2008

Desculpai, leitores anónimos, mas este post é para o meu filho Francisco, e para o meu filho Alexandre, e para o meu filho Henrique: todos eles, adeptos ferrenhos do FCP!...
Sim, ele é capaz de tudo, até de fingir que dança o flamenco!...

A existência como eterna ficção...

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DN, 04.02.2008

Na verdade, na verdade... quem existe (ou existiu) e quem não passa de ficção? Há dias, perguntava aos alunos: "que rei português foi assassinado, exactamente, há cem anos atrás?" A turma entreolhou-se, espantada com o inesperado da questão. Uma aluna, temerosamente, levantou o dedo para responder: "não foi o Mestre de Aviz?..."
A história, nas nossas escolas, mais máscara, menos máscara, confunde-se sempre com o carnaval...

Personas...

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Máscaras... de Veneza...

As queixinhas do Senhor Reitor (ou seriam pupilas?)...

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DN, 04.02.2008

Estes proxenetas de deus (a expressão pode parecer excessiva, mas a intermediação é do mesmo tipo) estão tão habituados a confundir a gamela do Estado com a caixa das esmolas que, mal sentem diminuir a ração, protestam logo e ameaçam chamar a polícia. E ainda têm o descaramento de afirmar que estão a perder a paciência!...
Estarão a tentar assustar que meninos ou meninas?!...

fevereiro 04, 2008

Esta noite irei rever, uma vez mais, este filme, como se também lá estivesse...

Improviso para antecipar Veneza...

Se chovesse
a água teria hoje um sabor especial
muito diferente do sabor
de todas as gravuras
e poemas
talvez a chocolate ou a cerejas
ou a queijo da serra
só falta escolher a máscara
e beber o carnaval.

Ademar
04.02.2008

It's my decision!...

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Booth Gardner tem, actualmente, 71 anos de idade e, entre 1985 e 1993, foi Governador do Estado de Washington. Depois de lhe ter sido diagnosticada a doença de Parkinson, Gardner converteu-se num militante da eutanásia e do suicídio assistido e já declarou ou deu a entender que, com ajuda ou sem ela, porá termo à vida, quando sentir que ela já não faz mais sentido. Actualmente, é um dos líderes do movimento IT'S MY DECISION, que defende a legalização do suicídio assistido no Estado de Washington, questão que irá a referendo no próximo mês de Novembro.
Em 1991, aquando do anterior referendo em Washington sobre a morte assistida, Gardner, que era então o Governador do Estado, não tomou posição. Não há como certos diagnósticos para nos fazerem mudar de... princípios..
Vê-lo-eis aqui, neste vídeo de campanha pelo sim..

Pobre Sócrates!...

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24horas, 04.02.2008

Não deixam o desgraçado em paz! Ele só emprestou a assinatura de "engenheiro" a uns projectinhos vagabundos que estavam mesmo a pedi-la (a assinatura). Arquitectura? Isso é coisa fina...

Casa Pia? Casa pia...

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Este cartoon, retirado daqui, é de 2002. Estamos em 2008 e o julgamento do processo chamado da Casa Pia prossegue. Actualmente, só há sessões quando calha, digo, quando a juíza presidente do colectivo tem um furo na agenda. Os abusados vão crescendo e os réus... envelhecendo. O país encolhe os ombros e já nem quer saber. Isto é a justiça em Portugal. Uma anedota trágica. Pela qual, naturalmente, ninguém responde. De resto, aprendi na Faculdade de Direito (confesso que, de início, com grande espanto) que os juízes eram, em Portugal... irresponsáveis. O problema é que os outros, todos os outros... também...

Era mesmo indispensável que soubéssemos estas coisas (e nestes termos) sobre a nova Ministra da Saúde?!...

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24horas, 02.02.2008

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24horas, 02.02.2008

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24horas, 02.02.2008

Parece que, hoje, tudo tem que ser público. A esfera íntima de cada um está reduzida, se tanto (e por enquanto), ao quarto ou à cama. Tudo o mais é para ser exibido na vitrina dos pecados e das virtudes, conforme o olhar e o preconceito de quem compra. Coitado, coitada de quem, neste país e nos tempos que correm, aceita ser ministro ou ministra!...

"Palavras que nos dizem" ou... a serventia política do poeta...

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Notícias Magazine, 03.02.3008

Crónica de Manuel António Pina. A ler, sempre...

Nós no singular...

olhando para as tuas mãos
até parece que há redenção
imagino que me teces
um nó que se desfaz
em laço

Ana Saraiva

Até sempre, Francisco Botelho!...

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Não costumo datar as fotografias. Sei que esta foi tirada no Bom Jesus, em Braga, há cerca de 25 anos. Éramos um grupo de amigos, na altura, irmanados na ASPA. Eu estou sentado na primeira fila, à frente do Henrique (Barreto Nunes) e da Manuela (Malheiro). Na fila mais recuada, da direita para a esquerda, o Eduardo Jorge (Madureira Lopes), hoje, Director Pedagógico do Público na Escola, o Luís Mateus, hoje presidente da direcção da associação cívica REPÚBLICA e LAICIDADE, o Pedro Bacelar de Vasconcelos (constitucionalista e ex-governador civil de Braga), a Maria Celeste e o... Francisco Botelho. *
Há minutos, recebi um e-mail do Henrique que gostaria muito de não ter recebido, a informar-me que o Francisco Botelho morreu. Não importa onde, não importa como, não importa mesmo com que idade: morreu. O nosso amigo Francisco Botelho morreu. No grupo da foto, é o primeiro a desistir...
Durante alguns anos, na rua, confundiam-nos. Nunca percebi bem porquê. Talvez a morte, talvez a morte nos tenha também agora confundido. Se calhar, trocou os endereços...
O Francisco Botelho foi o homem mais delicado, elegante e civilizado que eu conheci. Parecia que nada o perturbava, que nada o irritava. No Solar de Santa Marinha, em Ribeira de Pena, a sua grande paixão, recebia como um verdadeiro aristocrata. E quando, pacientemente, nos guiava pelas memórias de Camilo, a sua voz tornava-se ainda mais calorosa, abraçando-nos a todos.
Um dia, folheando distraidamente a minha colecção da Ilustração Portugueza, esbarrei com uma imagem que encandeou os meus olhos. Aquele senhor que me espreitava da revista era, tal e qual, o meu amigo Francisco Botelho. Mas não podia ser, porque a revista era, creio eu, de 1909 ou 1910 (não me apetece agora recuperá-la). Procurei a solução do meu espanto na legenda que acompanhava a fotografia e percebi imediatamente. A imagem pertencia a Francisco Botelho de Carvalho e Oliveira Leite, precisamente (ou quase na íntegra) o nome completo do meu amigo Francisco Botelho. Tratava-se de um dos antepassados do Francisco, talvez bisavô, na altura, governador civil de Braga (aliás, o último da monarquia). A extraordinária similitude dos rostos e das expressões fascinou-me. Na verdade, nunca se morre completamente...
Hoje, o meu amigo Francisco Botelho vai a enterrar. Mas continuarei a vê-lo no interior dos meus olhos e continuarei a ouvir a sua voz...

+ Na foto, além dos já referidos, estão: (na segunda fila, da esquerda para a direita) o Miguel Monteiro (cunhado do Francisco) e um amigo dele, cujo nome não me ocorre; a Isabel (Fernandes), actualmente directora do Museu Alberto Sampaio e a Assunção (Neves); (na primeira fila) a Álida, mulher do Francisco, e os filhos deles, mais os do Pedro.

fevereiro 03, 2008

Quando falte o pão, que abunde o circo ou... o espectáculo da paixão presidencial...

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As fotos vão circulando meteoricamente, para divertimento e distracção do povo...

Improviso em forma de haiku para distrair o vento ...

Os barcos não frequentam esquinas
todos os cais navegam horizontes
na distância do alto-mar.

Ademar
03.02.2008

O vídeo secreto do casamento mais do que secreto de Carla Bruni...

As "amantes" do rei...

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Única - Expresso, 02.02.2008

Ou me engano muito ou alguém no Expresso vai ter que explicar muito bem esta notícia a Balsemão. Eu ainda me lembro do que aconteceu há cerca de dez anos a João Carreira Bom...

E ninguém se demite? E ninguém o demite?...

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JN, 03.02.2008

Este Alípio não era, à data dos factos, o director dito nacional da PJ? Quem se precipitou?...

Bondades sempre muito mediáticas...

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É apenas uma sequência caritativa, para contrapor a outras campanhas mais fálicas. Victoria não fica atrás, em bondade, do marido. É mesmo muito boazinha, coitada!...

Uma fotografia magnífica!...

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Pública, 03.02.2008

O seu a seu dono: a foto é de Nélson Garrido. Dar-lhe-ia um prémio...
O fotografado... é o Padre Fontes, de Vilar de Perdizes. Não há, em Camilo, personagem que se lhe compare...

Seria este o Ministro que assinava qualquer merda que lhe pusessem à frente?!...

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Público, 03.02.2008

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Expresso, 02.02.2008

Estão a ser terrivelmente injustos para com Telmo Correia, esse humilde e abnegado carregador das malas e bagagens de Paulo Portas. Se, na véspera de deixar de ser ministro, assinou numa só madrugada cerca de 300 despachos... foi apenas, certamente, porque desejava entrar no Guinness. Ninguém percebeu nada!...

A razão de Vasco...

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Público, 03.02.2008

Claro que Vasco Pulido Valente tem razão. Neste artigo, a razão toda...

A extraordinária sensibilidade do sismógrafo do Público...

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Público, 02.02.2008

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Público, 03.02.2008

Em 24 horas (não confundir com o tablóide), o sismógrafo do Público detectou uma fenda preocupante na credibilidade do director nacional da Polícia Judiciária. O que ontem, apesar de tudo, parecia estável (não subia, nem descia), hoje abate-se com inesperado fragor. Alípio, a esta hora, deve estar confuso. Eu, no lugar dele, pediria à ASAE uma fiscalização. O sismógrafo do Público pode ter-se avariado...

Mamãe! fui pra cama cu Nuno (ou terá sido cu Angélico?)!...

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DN - Notícias TV, 01.02.2008

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24horas, 02.02.2008

Até ontem, imagine-se!, eu não sabia quem eram Rita Pereira, Angélico, Nuno Eiró (que se deita na cama com todos e com todas, para deleite dos leitores do DN). Está visto: terei de passar a ver mais televisão no horário dos pobres...

fevereiro 02, 2008

Improviso no cais...

Um pássaro pousou delicadamente
no ombro que ofereço todas as noites à saudade
nunca sei se os pássaros que me visitam
vêm de longe ou de perto
ou mesmo de dentro de mim
e se voltarão
outras vezes confundo pássaros com estrelas
e perco-me para além das nuvens
num silêncio que não pertence à ordem
desta galáxia
não tenho outra forma de dizer
que escrevo apenas para me lembrar que existes.

Ademar
02.02.2008

Trapaceiro e burro!...

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JN, 02.02.2008

Eu não sei, nesta notícia, o que me incomoda ou irrita mais: se a trapaça, se a burrice...

E por que não? Faça a experiência!...

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Tabu - Sol, 02.02.2008

A frase provocatória é de António Lobo Antunes. É óbvio que ficaríamos todos ainda mais dependentes da publicidade e do marketing. E talvez Lobo Antunes só tivesse, até hoje, publicado "Os Cus de Judas"...

Uma Ministra surpreendente...

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Diário do Minho, 02.02.2008

Acho muito bem que a Ministra da Educação visite, de surpresa, escolas. Mesmo que seja a "minha" escola. Infelizmente, não tive o prazer de a reencontrar. Nem a ela, nem aos ilustres acompanhantes da DREN. Espero que Maria de Lurdes Rodrigues não tenha ficado muito desapontada. Falaremos noutra altura...

Um primeiro-ministro transformado em barata-tonta...

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Público, 02.02.2008

Quando um primeiro-ministro começa a dar muitas explicações em causa própria... fragiliza-se e, muitas vezes, ridiculariza-se. Hoje, vi e ouvi José Sócrates em directo e a retalho nos jornais da tarde da RTP, da SIC e da TVI, tentando rebater e atenuar o impacto desta notícia do Público. Penosamente e pouco assisadamente. Por um lado, porque não tinha nada de especial para dizer, senão corroborar, no essencial, os factos "controvertidos". Por outro, porque ampliou o impacto da própria notícia, colocando-se ainda mais a jeito do cinismo ou do sarcasmo da "opinião pública". Sócrates anda a ser muito mal aconselhado...

Sócrates ou Menezes? Deixai-me, antes de 2009, mudar de país...

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Sócrates, a gente já tinha percebido há muito, não é propriamente um "carácter" e nunca se terá notabilizado pela especial elevação das virtudes cívicas. Sempre se comportou na vida como um videirinho (os rabos-de-palha que o Público vai exibindo aí estão a demonstrá-lo) e nisso, convém sublinhá-lo, não se distingue da maioria dos portugueses...
Desgraçadamente, porém, para os portugueses, a alternativa a Sócrates é... Luís Filipe Menezes. Quem o Diabo escolheria?...

Por um punhado de dólares, perdão, de euros... perdão: por dois punhados...

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DN - Notícias TV, 01.02.2008

A pobre rapariga, informa a revista, gastou 5.000 euros "só para aumentar o peito". Imagine-se o que gastaria se pudesse também aumentar o cérebro...

A nova novela, talvez, da TVI: "Elisabete e os homens da vida dele"...

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DN - Notícias TV, 01.02.2008

Os amigos fartam-se da mulher dele. E ele não se farta dos amigos? E ela... de quem se farta?...
Estas teias novelísticas deprimem a humanidade...

fevereiro 01, 2008

Os médicos e as putas...

De um velho e querido amigo, cuja identidade obviamente não revelo, recebi hoje este e-mail que, gostosamente, partilho com os leitores: os médicos, as putas e todos os outros...

La vida de un Médico

1.- Generalmente trabajas hasta tarde. Como las putas!
2.- Generalmente eres más productivo por la noche. Como las putas!
3.- Te pagan para mantener al cliente feliz. Como las putas!
4.- Cobras por hora pero tu tiempo se extiende hasta que termines. Como las putas!
5.- Si eres bueno, tienes mas trabajo. Como las putas!
6. - Te recompensan por dejar satisfechos a tus clientes. Como las putas!
7.- Es difícil tener y mantener una familia. Como las putas!
8.- Tienes que estar siempre a las necesidades del cliente. Como las putas!
9.- Tus amigos se distancian de ti y tú solo andas con otros iguales que tú. Como las putas!
10.- Te puedes enfermar por contagio de tus clientes. Como las putas!
11.- El cliente siempre quiere pagar menos y encima quiere que hagas maravillas. Como las Putas!
12.- Cada día al levantarte dices: "NO VOY A HACER ESTO TODA MI VIDA"! Como las putas!
13.- Sin conocer nada de su problema los clientes esperan que les des el consejo que necesitan. Como las putas!
14.- Si las cosas salen mal es siempre culpa tuya. Como las putas!
15.- Tienes que brindarle servicios gratis a tu jefe, amigos y familiares. Como las putas!

Ahora me pregunto... Realmente eres Médico... o eres.... COMO LAS PUTAS?...

P.D. Mándaselo a algún amigo(a) Médico que tengas... lo entenderá...
Si vas a estudiar medicina, para que te vayas preparando. Como las putas!

Leituras edificantes: uma vagina sagrada, para sagração de deus...

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Joaquim Azpiázu, Tu e Ela

A jaula de cada um de nós...

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Alberto Pimenta, Homo Sapiens

Improviso para povoar o vazio...

Faço perguntas inesperadas irrespondíveis
e ainda assim espero sempre respostas
confio talvez de mais no optimismo das palavras
na íntima cegueira das noites e dos dias
que já poucas luzes distraem
a tudo porém respondo
já não tenho vidas nem mortes para segredar
apenas labirintos interiores
que nenhum mapa ilumina
como se tudo fosse indecisão.

Ademar
01.02.2008

Condene-se o morto!...

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Cidade Hoje, 24.01.2008

Não é a apenas a imprensa nacional que me diverte. A imprensa regional é um permanente convite à gargalhada...

Seria tudo legal, claro, mas...

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Público, 01.02.2008

Exactamente há cem anos atrás... mataram o Rei. Hoje, todos os jornais da parvónia recordam e evocam o regicídio. O Público, de resto, com chamada à primeira página, acrescenta novos dados sobre o carácter do inditoso...
Parece confuso? Calma, leitores! Por mais absurdo que pareça, faz tudo parte da opereta...


Ainda a... "ciência do amor"...

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Visão, 31.01.2008

Estes "negócios" do amor são muito mais complexos e especializados do que eu supunha, porra!... Vou ter que fazer mesmo uma pós-graduação...

Uma outra poética, menos métrica, do amor...

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Alexandre O'Neill, Abandono Vigiado

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Alexandre O'Neill, Abandono Vigiado