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janeiro 31, 2008

Improviso quase religioso ...

Discordarei do mar
enquanto a terra me for tão próxima
tenho saudades de ondas
que façam parte de nós
e nos prolonguem
já nos vimos tão perto
de todos os cais
já tivemos um pé
em todos os barcos
já fomos livres
de nos prendermos
talvez nos falte apenas a sabedoria
do amanhecer ou do pôr-do-sol
uma espécie de livro sagrado
antes da sagração de todos os deuses.

Ademar
31.01.2008

Um Bastonário que não tem medo de erguer e aplicar o bastão!...

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Não apreciei, lamento, a aparente e excessiva colagem ao PS, mas... reconheci o Marinho dos bons velhos tempos. Tens razão, pá: não mudaste nada! Sempre te conheci assim, desde os bancos da Faculdade: frontal, corajoso, combativo, sem papas na língua. Mesmo que nem sempre possa estar de acordo contigo, reconforta-me que sejas o Bastonário de uma Ordem a que me recusei a pertencer (a tal tensão, de que falavas, entre as ilusões e os ideais...) e que, durante tantos anos, esteve entregue às silhuetas dos poderes instituídos e instalados. Sob a tua direcção, eu tenho a certeza de que a Ordem será, finalmente, uma grande Desordem: para higiene de todos nós, digo, do país. Não ajoelhes e estarei sempre, criticamente, do teu lado, camarada!...

Amor? Sexo? Paixão? Por favor, descubram tudo de uma vez!...

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Visão, 31.01.2008

Os "cientistas do amor", os "cientistas do amor", os "cientistas do amor"...
Ah! se a poesia pudesse acasalar com a ciência!...

Queixa electrónica...

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DN, 31.01.2008

O Simplex é um activo do governo de Sócrates. Não me custa nada admiti-lo. Tomara eu, tomáramos todos nós, que fosse apenas um entre muitos...

Participação (pouco poética) à ASAE e ao Director-Geral de Saúde...

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Cesário Verde, O Livro de Cesário Verde

Um poeta que confessa que já fumou três maços de cigarros consecutivamente... deveria ser erradicado das histórias de literatura pátria, dos programas escolares, dos manuais e das antologias.
Cesário Verde é (continua a ser) um atentado à saúde pública!...

Pago para ver! E o Bastonário da Ordem dos Advogados, também!...

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24horas, 31.01.2008

Eu sei que é tudo uma questão de... bancos. Mas...

Só há duas soluções possíveis: substituir este povo por outro ou mudar, radicalmente, a escola...

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Visão, 31.01.2008

Os alunos "não têm interesse pelas aulas, aproveitamento, educação" e o professor "enfrenta dificuldades para ensinar seja o que for". Todavia, os alunos "adoram a escola"...
Duas perguntas quase socráticas:
1- Por que será que os alunos "adoram a escola", mas "não têm interesse pelas aulas"?
2- Se não é possível importar alunos de outros países (porventura, mais civilizados) e exportar os que temos (ninguém os compraria), por que não tentamos, simplesmente, mudar a escola e fazer com que as "aulas" se tornem um pouco mais atractivas e estimulantes para os alunos?...
É que se o problema está só no lado dos estudantes, estamos lixados...

Declaração de interesses: sou professor do ensino secundário e pai de três filhos, dois ainda a frequentarem o ensino básico.


Uma pilinha, sempre, ao serviço de Sua Majestade...

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J - O Jogo, 27.01.2008

Como é que reza mesmo o Rifoneiro? A galinha da minha vizinha é sempre mais pequena do que a minha, perdão: será a pilinha?...

"Se eu fosse cego amava toda a gente"...

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Almada Negreiros, Frisos

Sugestão de leitura matinal para pecadores...

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"Os homens mais vis e abatidos do mundo" ou... de como "a vaidade dos bens presentes" é punida com o desprezo de Cristo...

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A Religiosa em Solidão, 1746

A vaidade anda por aí. Reparai, por exemplo, nas vestes e nas poses e nas falas do patriarca dos católicos, na barriga farta e na quase luxúria com que ele manipula o hissope, da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, para cima e para baixo. Como é que se chama a criatura? Ah! Policarpo. José. José Policarpo. Nasceu pobrezinho e sem Dom, mas prosperou, e agora é muito rico e muito importante e muito influente, e até há quem diga que ainda vai chegar a Ratzinger...
À vista de toda esta gente, Cristo, hoje, já não se deixaria crucificar...

Um menino perdido na noite...

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Rubem Alves, O velho que acordou menino

janeiro 30, 2008

Improviso intervalar ...

Deixei apenas de ouvir os silêncios
ou os gritos
agora nada adivinho
nada presumo
posso imaginar tudo
a incerteza dos passos
as mãos que se atrapalham
no ângulo da defesa
até os olhos que se deixam vendar
nas palavras sempre hesitantes
todas as verdades são tão imateriais
como esta.

Ademar
30.01.2008

Uma fotografia idiota, uma legenda idiota, uma revista idiota...

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J - O Jogo, 27.01.2008

Estou a ouvir o vosso comentário: se é tudo assim tão idiota, por que publica? Respondo: porque a política e a poesia não vendem. E, de vez em quando, sinto necessidade de levantar o... share...


Um "gato" no Governo?!...

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24horas, 30.01.2008

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DN, 30.01.2008

"Fazer mais e melhor com menos meios"... é o propósito (assaz patriótico) do novo Ministro da Cultura, que todos os jornais, divertidamente, associam aos Gato Fedorento. Ministro de quê?...

O Governo na versão do Diário de Notícias...

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DN, 30.01.2008

Há gente nesta foto que não faz parte (nem jamais fez) do Governo. Serão empregados de mesa? Autarcas? Governadores civis? Seguranças?...
Tente o leitor ou a leitora atirar ao boneco e acertar nos membros espúrios, digo, nos figurantes (ou figurões) ocasionais...

Swing?...

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Público, 30.01.2008

A RTP1 promete dedicar hoje uma parte do Telejornal ao swing, que já envolveria cerca de 4.000 casais portugueses, para grande escândalo, certamente, de José Policarpo e Jorge Ortiga, ilustres dignitários da igreja dita católica, apostólica, romana. Carla Bruni, "namorada" do presidente francês (que, ao contrário do que informa a notícia, completou anteontem 53 anos), já declarou que não é, sexualmente, partidária de excessivas fidelidades monogâmicas. Tiro-lhe o chapéu. E, como se comprova, ela gosta de organizar festas privadas...

Notícias da selva do futebol...

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Correio do Minho, 30.01.2008

Sim, claro, os pais. Os pais são sempre os culpados. Os clubes de futebol até são escolas de virtudes, mas os pais, esses malandros, estragam tudo, conspurcam tudo. Vendem ou hipotecam os filhos, precocemente, a qualquer empresário que...
Tenho, feliz ou infelizmente, alguma experiência nesta matéria. Os meus filhos mais novos sempre gostaram de jogar futebol e sempre revelaram algum jeito para. Entraram ambos com 6/7 anos para as "escolinhas" do Sporting Clube de Braga e ambos foram, mais tarde, "convidados" a integrar as escolas de formação, passando a disputar os respectivos campeonatos regionais. O Francisco desistiu aos 13, para grande desilusão dos treinadores (que lhe auguravam um futuro promissor), e o Henrique, que tem 10, ainda continua. Como pai, ando nisto, pois, há sete/oito anos. Conheço bem a máquina da "formação", os promotores da coisa, os dirigentes, os "empresários", os treinadores, os pais. É um sub-mundo que não recomendo a ninguém, habitado por gente (tirando, devo reconhecê-lo, alguns treinadores e alguns pais mais clarividentes) que vive, em geral, da mentira, da ignorância e da "gula" negocial que o futebol, hoje, engendra e promove. Sub-mundo que as câmaras municipais, generosamente, alimentam e que os dirigentes dos clubes, frequentemente mancomunados com os "empresários", vão procurando "rentabilizar", multiplicando as ilusões.
Seria suposto, por exemplo, que os miúdos só poderiam permanecer nas "escolas de formação" enquanto tivessem bons resultados escolares. Não é isso que sucede. Os clubes que eu conheço fecham discretamente os olhos à "performance" escolar dos jogadores, consentindo que miúdos que vão acumulando retenções permaneçam nas "escolas de formação" e continuem a jogar. E há miúdos com oito, nove, dez anos que os clubes recomendam (ou deixam recomendar) aos empresários, que começam a abordar e a importunar as respectivas famílias, acenando-lhes com "contratos" fabulosos. E há pais que entram no comércio...
No colóquio promovido pela Câmara Municipal de Braga, a que se reporta esta notícia, alguém terá sugerido que os clubes de futebol abrissem mãos das escolinhas e das escolas ditas de formação, pelo menos, até "aos juvenis". Não poderia estar mais de acordo.

Mentira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!................

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DN, 29.01.2008

A perfídia destas ONGs (ademais, "britânicas) não conhece limites. Toda a gente sabe que não foram 728...

janeiro 29, 2008

Improviso por conta da prosa em dívida...

Hoje pensei um romance
só não encontrei ainda as palavras
com que poderia escrevê-lo
há mais de vinte anos pelo menos
que penso o mesmo romance
e baralho as palavras
como quem tropeça e atrapalha a vida
por vezes acredito que nasci apenas
para escrever esse romance
e foi assim que engravidei
talvez me sobrem palavras
ou me faltem
ou simplesmente tempo
para amadurecer nelas.

Ademar
29.01.2008

Duas notas sobre a... "Abertura do Ano Judicial"...

1
Todos os anos o Supremo Tribunal de Justiça organiza aquilo que, pomposamente, designa por "Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial". Parece que os juízes conselheiros ainda não perceberam como é ridículo abrir um ano, seja do que for, em finais do mês do Janeiro. Simbolicamente, é um desastre, ainda que um desastre verdadeiro ou autêntico. De facto, a justiça em Portugal anda sempre muito atrasada...

2
Não sei se José Policarpo, o cardeal hissopista, esteve na "Sessão Solene de Abertura do Ano Judicial". Sei, apenas, que se associou à distância ao evento, perorando na Sé Patriarcal de Lisboa sobre a justiça e sublinhando, narram as agências, "o valor da lei natural". Policarpo é um pândego. A única "lei natural" que eu conheço é o poder arbitrário do mais forte sobre o mais fraco. E foi, precisamente, contra esse poder que se foi erguendo, ao longo dos séculos, o direito. O fardo do hissope perturba, claramente, o discernimento desta purpuradíssima criatura...

Uma questão de quotas...

Saiu do Ministério da Saúde um homem... entrou uma mulher.
Saiu do Ministério da Cultura uma mulher... entrou um homem.
Quem joga?...

Era um vez um ministro que andava, coitado, a tentar tratar-nos da saúde...

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A notícia ineeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeesperada e impreviiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiista da demissão de Correia de Campos, não sei porquê, transportou-me esta tarde a Sérgio Godinho e a uma das quadras do Coro das Velhas...

E saúde, eu tenho p'ra dar e vender
não preciso de um ministro para ter
tudo o que ele anda a ver se me pode dar
pode ir ele p'ro hospital em meu lugar

Sérgio Godinho, Coro das Velhas

Todos os nomes ou os nomes de todos?!...

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24horas, 29.01.2008

Nomes, nomes, nomes... todos querem nomes, como se essa fosse a questão principal. Marinho limitou-se a chamar a atenção, genericamente, para um cancro que vem, de há muito, minando a democracia portuguesa. Toda a gente sabe que esse cancro existe, toda a gente sabe por que existe e toda a gente sabe o que tem sido feito para... anestesiar o doente. As vestais do costume fingiram-se, porém, muito indignadas e apontaram o dedo amedrontador ao Bastonário da Ordem dos Advogados, exigindo-lhe nomes, muitos nomes. O meu amigo Marinho, se o conheço bem, deve estar cheio de medo...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Cecília Meirelles

Este é o Portugal que me excita!...

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Diário do Minho, 29.01.2008

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Diário do Minho, 29.01.2008

Três livros, três cargos. Melo serve a Deus com três livros, num mútiplo orgasmo editorial. Lino serve a Pátria com três cargos: na administração de dois hospitais públicos (Braga e Barcelos) e na regência de uma disciplina, na UM. Este é o Portugal que mexe, que cria, que se desdobra e que espanta.
Melo, para além de escrever e publicar em catadupa, ainda zela pela preservação das boas práticas futebolísticas, no Sporting Clube de Braga.
Lino, para além de assegurar a sobrevivência de dois hospitais e uma universidade, ainda carrega o fardo de ser irmão do eterno presidente da Câmara de Braga, Francisco Mesquita Machado.
Esta gente, definitivamente, não vê Braga por um canudo...

Uma Guerra Civil quase anunciada... *

Primeiro dia do ano. Ruas desertas. Um ou outro passante, descontraído na preguiça de mais um feriado. Ia olhando para os cafés que me são habituais, de tanto os frequentar. Tudo fechado, que o negócio já acabara no dia anterior. Refugiei-me na Mexicana, que pouco frequento. Entrei, distraído, e logo ali senti sobre mim o peso de mil olhos, fixados num cachimbo sem tabaco no fornilho.
Ao fundo havia uma mesa vaga e, enquanto me dirigia para a ocupar, verifiquei que ninguém estava a fumar, o que para mim já não constituía novidade, já que, ainda em casa, vira numa reportagem televisiva o respectivo gerente a vangloriar-se com militante entusiasmo que ali estava a cumprir-se a nova lei antitabagista, embora se tivesse engasgado, perante a jornalista que o entrevistava, ao debitar a escusa à realização de quaisquer obras naquele espaço, para permitir a sua utilização por fumadores, refugiando-se no argumento dos elevados custos, argumento este de muito peso e que possivelmente não escapou à matreirice do zeloso legislador que adivinhou, divertido, o efeito paralisante das respectivas exigências técnicas para essas obras.
Mal me sentei, confrontei-me com os olhares agrestes e suspensos de três velhas, que pararam a sua viva palração, quando repararam no meu cachimbo, pendurado nos dentes. Agitaram-se, e todas, ao mesmo tempo, como se fossem autómatos, se inclinaram para a frente, muito hirtas e concentradas. Nem pestanejavam, tal era a sua ânsia em descortinar uma onda de fumo a sair do fornilho. Pareciam sanguessugas, pensei. Comecei a ler o jornal, fingindo não ter reparado na animosidade da recepção, enquanto lhes espiolhava os gestos pelo canto do olho. Reclinaram-se nos espaldares das cadeiras e começaram a cochichar umas com as outras, fazendo esgares alarmantes. Voltaram a olhar-me, e eu resolvi sacar da bolsa do tabaco, que pousei no tampo da mesa. A excitação reacendeu-se nos olhos das três velhas, que voltaram a inclinar-se para a frente, agora com um ar mais determinado. Deixei que se cansassem naquela incómoda posição, até resolverem, todas ao mesmo tempo, reencostarem-se novamente nas suas cadeiras, para eu iniciar com gestos vagarosos o enchimento do fornilho do cachimbo, enquanto aparentava mostrar muita atenção ao que simuladamente estava a ler no jornal. Um ritual mil vezes ensaiado, mas que ali eu sopesava com extrema paciência e rigor. Os dedos e o calcador iam apertando o tabaco no fornilho, e as velhas seguiam, como se de um maléfico efeito hipnótico se tivesse apossado delas, todos os meus movimentos que, a medir pelos irreprimíveis sinais de impaciência, as exasperavam. E foi quando abandonei o cachimbo no tampo da mesa, para poder segurar o jornal com ambas as mãos, último gesto, este, assim exigido ao leitor que tropeça, sem disso estar à espera, numa inusitada notícia que lhe desperta subitamente o interesse, que voltaram a reencostar-se, soltando uma exclamação que, ainda hoje, não sei se foi de alívio ou de desilusão.
Assim as deixei, entregues às tagarelices, que rapidamente retomaram, ao mesmo tempo que passaram a ignorar-me, enquanto eu, segurando o jornal com as duas mãos, continuei a ler a tal noticia, e que me obrigou, com estudada simulação, a uma maior concentração.
Não lhes dei tréguas por muito tempo. Num gesto rápido e decidido, largo o jornal, coloco o cachimbo na boca e começo a apalpar todos os bolsos à procura do isqueiro, que eu sabia já estar em cima da mesa, por aí o ter colocado mal me sentei. As três velhas deram um estremeção nas cadeiras e, novamente, voltaram-se para mim. Uma delas já olhava para trás, para o balcão, julgo que para descobrir o gerente, que já estava a resguardada distância a observar-me atentamente, sem que eu me apercebesse da sua presença vigilante. A velha esboçou um sorriso de satisfação, depois de certificar-se de que se poderia contar com a inestimável ajuda daquele importante aliado, na sua primeira investida na sagrada cruzada antitabagista.
Peguei finalmente no isqueiro. Agarrei-o e coloquei-o em posição para o accionar, mas reincidi na descoberta de uma outra notícia do jornal a despertar-me a atenção, e ali fiquei a lê-la com afincada concentração, enquanto o antebraço, com o cotovelo assente no tampo da mesa, ficara em suspensão, por um tempo indeterminado que, para as três velhas, nunca mais acabava.
A velha que se certificara da presença vigilante do gerente e que, das três, era a que revelava mais impaciência, levantou-se, amparou o casaco que trazia pelos ombros, e, lesta, encaminhou-se para uma mesa próxima, onde um senhor anafado lia o jornal. A intimidade entre ambos era visível, pois a um cochicho da velha, aquele senhor, com um ar de funcionário público aposentado, levantou os olhos por cima dos óculos e olhou na minha direcção, para depois, perante as palavras da velha, que deveriam ser de indignação, tal como se podia observar pelos seus esgares que lhe arrepelavam as peles do rosto, ensaiar com a cabeça sucessivos gestos afirmativos de inteira e absoluta concordância.
Quando o gerente estava quase a desistir da sua apertada vigilância, por, possivelmente, outros afazeres lhe reclamarem a imprescindível presença, accionei a chama do isqueiro. As velhas, o gerente e o senhor anafado estancaram de repente e ali ficaram estáticos e com a respiração suspensa, a olhar, ansiosos, a chama bruxuleante do meu isqueiro, que eu mantinha aceso, com o braço apoiado e imóvel, enquanto voltei a uma nova e concentrada leitura.
As velhas pareciam hipnotizadas, o senhor anafado olhou em redor, com um sorriso imbecil, para se certificar se outros clientes também estavam a ver aquilo que ele via, e o gerente levou a mão ao bolso, dando-me tempo para observar o movimento discreto da sua mão a agarrar um pequeno objecto cinzento, ficando-me a dúvida, ainda hoje não esclarecida, se se tratava de um telemóvel ou de uma pistola.
Apaguei a chama do isqueiro, pois já estava a queimar-me, e coloquei-o novamente no tampo da mesa para dar toda a minha atenção à leitura concentrada do jornal. As velhas soltaram em simultâneo, e com uma estridente sonoridade, um suspiro de desânimo, o gerente retirou a mão do bolso e encostou-se a uma coluna, não renunciando à sua atitude vigilante, e o senhor anafado procurava o olhar da velha que antes se lhe dirigira, mas que, agora, já lá vai, muito aflita, em passinhos miudinhos e rápidos, num trejeito cómico, a caminho dos lavabos, talvez movida pela urgência de uma provável incontinência urinária a manifestar-se.
Sem me dar conta, já os clientes de todas as mesas estavam a olhar-me com interessada curiosidade e uma pouca discreta animosidade, enquanto alguns, para demonstrar o lado da trincheira em que combatiam, teciam em voz mais alta, para eu ouvir, comentários laudatórios à nova lei, entrada naquele dia em vigor.
As velhas, agora com o trio recomposto, pois aquela que tinha ido, aflita, aos lavabos já regressara, aliviada, ao seu lugar, entraram em grande excitação, visível na forma como nervosamente agitavam as pernas, ao verificarem que toda a clientela da Mexicana, ali presente, estava alertada para se lançar sobre mim, se eu cometesse a ousadia de acender o cachimbo, infringindo a nova lei, que protege os não fumadores, mas estigmatiza os fumadores.
Correndo riscos, resolvi regressar à encenação do isqueiro. Ali ficou pendurada a chama a excitar toda a gente, com alguns clientes, onde não estavam incluídas as velhas, nem o senhor anafado, nem o gerente, a suspeitarem das minhas verdadeiras intenções, a adivinharem a pilhéria ou a provocação de um mais um fumador ressabiado com a lei proibicionista.
Apaguei a chama, dobrei o jornal, a sinalizar o fim da leitura, e voltei a accionar o isqueiro, atrevendo-me a simular o gesto de acender o cachimbo. A tensão atingiu o rubro. O gerente desencostou-se da coluna e ensaiou com energia uns passos na minha direcção, o senhor anafado tirou os óculos e debruçou-se para a frente com as mãos apoiadas no tampo da mesa, e as três velhas, excitadíssimas, saltaram das cadeiras, como se uma mola as impulsionasse, e já se preparavam para também saltar sobre mim, se eu, num gesto rápido, não tivesse apagado o isqueiro, e rapidamente o recolhesse no bolso, juntamente com a bolsa do tabaco. Levantei-me com um ar descontraído, como se desconhecesse toda aquela súbita agitação e, calmamente, saí do café, para grande desilusão das velhas, que ficaram ali de pé, especadas, e com um ar espantado, e também para grande alívio do gerente, que viu afastado do seu estabelecimento o perigo de uma desagradável complicação.
Já cá fora, em plena Praça de Londres, pensei que, se, na realidade, tivesse acendido o cachimbo no interior do café Mexicana, poderia ter desencadeado uma trágica guerra civil em Portugal.

Alexandre de Castro

Janeiro de 2008

* Agradeço ao autor a partilha do texto.

É preciso que, de vez em quando, alguém responda em tribunal, para que tudo possa ficar na mesma...

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Correio da Manhã, 29.01.2008

Felizmente, Avelino Ferreira Torres só há um: este e mais nenhum.
Todos os outros autarcas e ex-autarcas, governantes e ex-governantes, gestores e ex-gestores... são gente impoluta e insuspeita. Muitos, é certo, enriqueceram e prosperaram de uma forma aparentemente inexplicável, mas... a sorte anda por aí e, neste país, oportunidades (novas e velhas) não faltam...


Nichos de mercado...

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24horas, 26.01.2008

Nós, portugueses, não precisamos felizmente de empresas como esta. Crescemos a inventar álibis para tudo...

Tabaco, nunca! Monóxido de carbono, sempre?!...

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Tabu-Sol, 26.01.2008

Desta feita, discordo absolutamente de José Anónio Saraiva. É urgente proibir a circulação automóvel. Ainda por cima, e ao contrário do fumo do tabaco, o monóxido de carbono, apesar da sua toxicidade, é um gás inodoro, incolor e insípido, ou seja, nem somos capazes de reconhecer a sua presença, mata-nos a todos discretamente.
Quem alinha numa petição?...

janeiro 28, 2008

Improviso recorrente...

Ejecta-te do elmo ou
ergue pelo menos a viseira
pousa o escudo
distende a armadura
e tenta dar mais um passo
nenhum destino merece tanto rigor
digo
tanta rigidez de mãos e de braços
uma prisão interior
em todos os gestos mais sóbrios
um pudor irrespirável
relaxo as algemas que os pulsos confundem
nas próprias veias
podes finalmente reaver a paz
dos cemitérios da alma
nem todos se deixam morrer assim.

Ademar
28.01.2008

Jardim de delícias...

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24horas, 28.01.2008

Não acredito que as mordomias sejam para Jardim Gonçalves, mas, certamente, para distribuir pelos pobres, para partilhar com os sem-abrigo. Em nome do pai, do filho e dele próprio...
Este Portugal católico e muito apostólico, tão caritativo e hissopista, comove-me sempre até às lágrimas...


Uma jovem deputada socialista... topo de Gama...

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24horas, 28.01.2008

Hoje, esta juventude (socialista ou socialdemocrata, pouco importa) já nasce ensinada...

Tem andado mesmo a "cheirar meninos"? E as mães deixam?...

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Público, 28.01.2008

Será mais um caso de... pedofilia?...


O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética

O feitiço (ou a maldição) de Pinóquio...

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Sol, 26.01.2008

Durante meses, o Sol garantia, orgulhosamente, que brindes... jamais (leia-se: "jamé")! Agora anuncia que, nas próximas três semanas, oferecerá aos leitores clássicos da nossa literatura... em versão infantil.
Peter Pan acaba sempre por crescer...

Escreva novelas, menina, escreva novelas... ou coma chocolates!...

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Sol, 26.01.2008

A densidade do pensamento e da escrita de Margarida Rebelo Pinto trespassa-me: "as mulheres não querem mártires na cama, querem homens".
Vou ali ver-me ao espelho de Cristo e já volto...

janeiro 27, 2008

Improviso para dizer origami...

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No princípio claro não era o papel
mas o verbo
e nenhuma imagem nenhum som
reportava ainda ao deslumbramento das formas
como nas tuas mãos
depois as palavras cederam à alquimia do fogo
e o brinquedo infância desfez-se papel.

Ademar
27.01.2008

O néon da "arte pura"...

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Público, 27.01.2008

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JN, 27.01.2008

A coisa durou quase cinco horas, com um intervalo de sessenta minutos (sessenta?!) para o vomitório. Suportaram estoicamente a tortura os apaniguados do génio (há devotos para tudo) e os masoquistas da "arte pura". Ficarei à espera da retransmissão televisiva para poder escrever sobre o objecto propriamente dito...

O Expresso já entrevista camelos?!...

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Única, 26.01.2008

Confesso que não percebi. Quem poderá fazer o Dakar sozinho? O camelo ou o montador?...

As opções editoriais de um jornal de... referência...

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Pública, 27.01.2008

A capa e doze (doze!) páginas dedicadas a um tal Pedro Miguel Ramos, uma irrelevância em forma de gente que a televisão converteu numa... figura pública.
Que tem o mocinho para dizer ao universo, ao país e ao Cais do Sodré? Nada. Tirando que se descreve como "um gajo porreiro, sócio 7273 do Benfica, amigo dos amigos, dedicado às suas causas, empreendedor, lutador e apaixonado pela familia".
É esta luminária que o Público apresenta hoje aos leitores. Meninas, babai-vos!...

janeiro 26, 2008

Improviso para tela e caixilho...

O quarto vazio
e não cabe mais ninguém
o quarto a casa a vida
o pensamento tem folhas soltas
cortinas que iludem a frágil nudez
de todos os medos e pudores
outrora corrias janelas
e todos os olhos te despiam
agora confundes as mãos com as grades
e até as palavras parecem pesar-te
muito mais do que armaduras.

Ademar
26.01.2008

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (75)...

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Releio as palavras que escreveste: “solução passiva, contemplativa, romântica”. A alternativa seria então o exterior, a grande superfície de todas as drogas e dependências. Ele deveria ocupar-se, ocupar-se, ocupar-se… sair o mais possível, virar as costas ao espelho, que tantas vezes o projectava como monstro, indesejável e indesejado. Em vez da terapia, simplesmente, a anestesia. Distrair o sofrimento, embebedar talvez a angústia, tentar esquecer, fugir, alienar-se. Que o espelho viajasse com ele, como que grudado à sua pele… que importaria? O milagre da cura pela ilusão do movimento, a vertigem esquizofrénica da negação. Felizmente, seguiu o caminho oposto. Contemplou-se ao espelho e começou a ver nele e depois em si próprio verdades que até então ignorara. E assim matou o monstro, antes que o monstro, definitivamente, o devorasse…

Se é verdade, alguém que apresente a Correia de Campos o pedido de demissão, para ele assinar de cruz...

A notícia passou no Jornal da Tarde, da RTP1. O Hospital de Vila Real teria recambiado para casa um idoso de 79 anos... quase nu. O homem voltaria pouco depois ao Hospital, para morrer.
Se isto é verdade nos termos da reportagem emitida no Jornal da Tarde (que podereis ver aqui), Correia de Campos bem pode começar a fazer as malas. Já ninguém conseguirá ouvi-lo...

Quem quiser reflectir, que reflicta!...

Como professor (e ex-advogado), não comento a sondagem da Galup. Como cidadão português e velho amigo do António Marinho, bato palmas. E sorrio das virgens ofendidas...

Simplesmente, um mentecapto...

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Sol, 26.01.2008

Está ao nível de todos os Braganças que reinaram, alarvemente, sobre esta "piolheira". Mas a indigência desta criatura mete dó...

Um vídeo que merece ser visto!...

Londres será a sede dos Jogos Olímpicos, em 2012. Este vídeo promocional é excelente! Partilho-o consigo.

Sim, concordo!...

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Expresso, 26.01.2008

Desta feita, subscreveria quase na íntegra a crónica de Miguel Sousa Tavares, na edição de hoje do Expresso. Infelizmente, não creio que o Islão esteja para morrer...

Felizmente, ninguém notou que tinha... necessidades educativas especiais...

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DN - Notícias TV, 25.01.2008

A história pessoal de Anthony Hopkins é sobejamente conhecida, mas é sempre bom recordar que também ele falhou a escola e acertou na vida.
Em Portugal, claro, o problema não se colocaria nestes termos: muito provavelmente, Hopkins ainda hoje seria analfabeto e... "débil mental".

Licenciados, Drs. e Engenheiros...

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É tudo (ou quase tudo) tão pequenino, tão parolo e tão risível em Portugal...
Isaltino é... Licenciado em Direito; o presidente da Câmara da Sertã... Dr (antes do nome); a presidente da Câmara de Caminha... Dra (depois do nome).; Mesquita Machado... ENGENHEIRO (suponho que ENGENHEIRO não será nome próprio)...
Eu, no lugar deles, acrescentaria aos nomes e aos títulos ou habilitações... a idade, o estado civil e a orientação sexual...

Emanuel Nunes: um idiota... genial...

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Público, 25.01.2008

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DN, 25.01.2008

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Público, 25.01.2008

Pegou num conto de Goethe e transformou-o numa... ópera. Limitou-se a servir o texto, "detalhe a detalhe", a "segui-lo à risca", não o interpretando. Emanuel Nunes não devia dar entrevistas. Emanuel Nunes é um equívoco, um idiota que alguns devotos (de mal com a vida) promoveram a compositor musical e a génio. O homem não passa de um petulante engenheiro de sons ou de ruídos. Digo isto desde há, pelo menos, 30 anos, quando tentei ouvir e entender o que ele produzia. Desisti ao fim de algumas semanas. Antes que enlouquecesse...

janeiro 25, 2008

Improviso para enganar o pôr-do-sol...

Não tens o sorriso pendurado das nuvens
nem do cume de nenhuma montanha
tudo na tua vida tudo
é esforço e inclinação
e medo
uma espécie de torpor
silêncio primitivo primordial
caminhas vagarosamente sobre uma teia de fragmentos
de muitos espelhos quebrados
a tua história lembra uma árvore perdida
entre raízes que pertencem a nenhuma.

Ademar
25.01.2008

Gargantas que afundam...

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Hoje, nas televisões, sob a etiqueta "desastre ecológico", ouvi falar da Barragem Hidroeléctrica das Três Gargantas, no Rio Yangtse, na China. cuja construção, iniciada em 1993, se aproxima finalmente do seu termo. Irresistivelmente, a minha memória foi transportada para o cinema e para este excelente filme, quase documental, de Jia Zhang-Ke. Está lá tudo e nenhuma televisão, pelos vistos, sabia. A cultura dos editores dos nossos jornais televisivos é de uma pobreza franciscana...

Saudades de Pete Seeger: "turn, turn,turn"...


A feroz concorrência entre os tablóides...

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24horas, 25.01.2008

Andam todos à procura do homem robô...
Como Pavlov deve estar a rir...

A Guerra dos Mundos (Parte II)...

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O que receávamos... estará mesmo a acontecer?!...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Álvaro de Campos, Livro de Versos

Um poema para dizer que é sexta-feira...

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António Augusto, 16.06.1977 (in Fenda-Magazine Frenética, nº1)

O regresso de Itália ao frenesim...


janeiro 24, 2008

Improviso sobre uma imagem...

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Se me pudesse dependurar da vida
dependurar-me-ia assim
como uma toalha de banho
e nenhum corpo dentro
nem olhos nem mãos
apenas tatuagens de dentes gritos fúrias
sobre a água hesitante
e a espera da evidência de uma razão superior
para descer do cabide.

Ademar
24.01.2008

Não poderemos todos morrer a crédito... como o Ministro da Saúde?!...

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Visão, 24.01.2008

Quando vejo ou ouço Correia de Campos... nunca tenho bem a certeza de que ele é ainda ministro...

Super paixões... super dragões...

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Correio da Manhã, 24.01.2008

Atente-se no último parágrafo da notícia. Não há-de tardar muito e veremos estes jovens delinquentes a trabalharem como "seguranças" na noite do Porto...
Faites vos jeux!...

Vândalos prevenidos ou... elogio da videovigilância...

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Correio da Manhã, 24.01.2008

Eu, no lugar de Maria de Lurdes Rodrigues, faria como Veiga Simão: contrataria "gorilas", de preferência, "seguranças" desempregados da noite do Porto...
Alguém se atreveria depois a assaltar e vandalizar escolas?...

Escola... democrática?...

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Jornal da Fenprof, Janeiro de 2008

Concordo absolutamente com a proposição. Mas... o que é uma "escola democrática"? Que eu saiba, a gestão dita democrática das escolas sempre educou muito pouco para a democracia. O acentuado défice de intervenção cívica e política das novas gerações (e até mesmo da maioria dos professores) aí está, dolorosamente, a comprová-lo. Pelos vistos, a FENPROF continua a querer mais do mesmo, para que nada mude...

Declaração de interesses: sou filiado no SPN, que faz parte da FENPROF.

Podemos dar graças ao diabo por vivermos na Europa...

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Público, 24.01.2008

De uma forma ou doutra, a blasfémia terá sempre de ser castigada...
Felizmente, na Europa laica, já não é crime...

Ilusões de óptica mediática?!...

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Sábado, 24.01.2008

Quando vejo estas fotografias de Sarkozy e Carla Bruni, interrogo-me sempre sobre quem será mais alto... na vida real...

Como pode alguém, nestas circunstâncias, evitar os abutres?

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Correio da Manhã, 24.01.2008

Enquanto o diabo esfregava o olho, o Correio da Manhã localizou no Allgarve o putativo "suspeito" do retrato-robô. Sem a prestimosa ajuda da PJ, está-se mesmo a ver. Lamentando que o homem não tenha querido prestar declarações, declara-o inocente e apresenta-o aos abutres. Palpita-me que isto ainda vai acabar mal...

janeiro 23, 2008

Lascia ch'io pianga ...

Lascia ch'io pianga
Lascia ch'io pianga la dura sorte,
E che sospiri la libertà!
E che sospiri, e che sospiri la libertà!
Lascia ch'io pianga la dura sorte,
E che sospiri la libertà!

Lascia ch'io pianga la dura sorte,
E che sospiri la libertà!
E che sospiri, e che sospiri la libertà!
Lascia ch'io pianga la dura sorte,
E che sospiri la libertà!

Händel, Rinaldo

Improviso para acompanhar um solo de oboé...

Já comecei vezes de mais a mesma frase
esgotei o berço das palavras
como se já tivesse desaprendido de nascer
agora batalho apenas com os pontos finais
discuto o meu lugar no fim da frase
no fim da vida.

Ademar
23.01.2008

Descalça vai para a lavra, talvez Leanor...

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Marques de Abreu, Vida Rústica - Costumes e Paisagens, 1924

Denunciai-vos todos uns outros, uns nos outros, em nome do pai, do filho, do espírito santo, do inspector-geral da ASAE e de quem mais quiserdes!...

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Padres denunciavam padres; leigos denunciavam padres; padres denunciavam leigos.Todo a gente denunciava e era denunciada. A canalhice é uma idiossincrasia nacional...

Por favor, senhores raptores, devolvei as crianças aos pais que a gente já não aguenta o sofrimento diário do 24horas!!!...

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24horas, 23.01.2008

Conheceria Osama bin Laden este poema de Saúl Yurkiévich?...

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Fenda - Magazine Frenética, 1, 1979

O poeta argentino Saúl Yurkiévich faleceu em 2005. Não sei quando terá publicado este poema, mas foi, seguramente, antes de 1979 (quando a Fenda o deu a conhecer aos leitores portugueses) e depois do 11 de Setembro de 1973, quando Salvador Allende foi deposto e "suicidado" por Augusto Pinochet.
Estas aparentes premonições ou coincidências inquietam-me. Será que Osama bin Laden quis vingar Allende, escolhendo exactamente o dia 11 de Setembro para o seu "ofício das trevas"? Se o fez, prestou um péssimo serviço à memória do presidente chileno...

O poema que partilharei amanhã com os meus alunos...


Medicina
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Arnaldo Saraiva, In

Santidades...

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Nasci numa das ruas mais antigas de Braga e sou, de pai e mãe, bracarense e minhoto de há muitas gerações. Nasci e cresci no meio de padres e freiras. E de altares. Designadamente, os altares da capela privada (que hoje pertence à minha irmã) em que me recolhia, na juventude, para ler... Nietzsche. Respeito as pessoas que acreditam num deus qualquer, mas desprezo todas as igrejas e todas as seitas e todos os sacerdotes de todas as igrejas e de todas as seitas. E até admito, correlativamente, que os que vivem do medo me desprezem por isso (noutros tempos, condenar-me-iam à fogueira)...
Na infância, um dos meus pesadelos era a... semana santa (não esquecendo os preliminares). A "santidade" das pessoas convertia-se, na quaresma, numa espécie de maldade colectiva ou tribal, capaz de todas as torturas. Não bastava que um judeu qualquer se tivesse deixado crucificar há dois mil anos para "salvar a humanidade" (ainda hoje há bombistas suicidas que, em nome de um qualquer programa de salvação, se oferecem à morte); era necessário que, simbolicamente, todos continuassem a sentir-se crucificados. Foi esta canalhice retórica que me fez desacreditar e, depois, odiar. Um deus que inspirasse tamanha barbaridade só poderia mesmo ser uma invenção de bárbaros...
Hoje, através do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga, recebi uma informação relativamente detalhada sobre o "programa de solenidades" da "semana santa de Braga". Ao pousar os olhos na imagem do cartaz promocional das festividades, regressei por momentos à infância. E cinicamente sorri...

Uma rua "amaldiçoada"...

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José Marques, Braga Medieval

Em 1466, trinta anos antes da expulsão que viria a ser decretada por D.Manuel, os judeus de Braga tiveram de mudar de acantonamento dentro do perímetro da cidade medieval, transferindo residências e haveres para a Rua de Santo António das Travessas, mais afastada da Sé do que aquela que, até então, vinham ocupando. Físicos, ourives, mercadores... os judeus de Braga teriam uma posição social de grande relevo e, pelos apelidos que se conhece de algumas das famílias transferidas (Almeidas, Regos), estou convencido de que muitos se mantiveram na cidade depois do decreto da expulsão.
Quando eu era miúdo (anos cinquenta e sessenta), a Rua de Santo António das Travessas era a rua das "toleradas" . Casa sim, casa sim... as mulheres da vida esperavam ou atraíam a clientela na soleira das portas. Era a rua "proibida", que ninguém com bons princípios deveria frequentar (muitos padres faziam-no, mas certamente com propósitos evangelizadores). Noutros tempos, a prostituição estivera instalada na Rua Direita (como, de resto, em tantas outras cidades do país). Não sei por que razões se transferiu também, como os judeus no século XV, para a Rua de Santo António das Travessas. Se eu tivesse tempo, tentaria refazer a história desta rua. Seria, talvez, a verdadeira história de Braga...

janeiro 22, 2008

Uns fazem "jogging", outros andam de "bute": quem chegará mais longe?...

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Não sei, pelo lado da higiene social, quem admiro mais no Partido Socialista: se José Sócrates, que faz "jogging" mediático; se Mesquita Machado, que já anda, mediaticamente, de "BUTE" (Bicicleta de Utilização Estudantil). A comparação parece, porém, favorecer o Presidente da Câmara de Braga, que já leva mais de 30 anos a pedalar pela felicidade dos seus munícipes (meta que, à escala nacional, Sócrates nunca chegará a alcançar)...

Improviso com todas as vozes dentro...

Ouço vozes sempre incompletas
como se tivesse deixado de ouvir
ou já me ouvisse apenas a mim próprio
nenhuma voz me convida à perfeição auditiva
sofro de silêncios que a surdez amplifica
e tresleio todas as partituras.

Ademar
22.01.2008

Por favor, deixai este rapaz acabar o trabalhinho para o Ministério da Educação!...

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DN, 22.01.2008

Está o país inteiro suspenso do trabalho que este rapaz ficou de fazer (aliás, a preço de saldo) para o ME e a Casa Pia não o deixa concentrar-se na tarefa. Depois... há ainda quem se queixe e até fale (imagine-se!) em cambalachos...

O blogue (e a pintura) da Lucília...

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A Lucília Verdelho da Costa, velha amiga, historiadora e crítica de arte, investigadora e docente universitária, pintora e "arquitecta" de muitas vidas, há alguns anos vivendo na Suiça, abalançou-se também a criar um blogue: PAS D'ÉDITEUR! Mais tarde ou mais cedo, no labirinto das circunstâncias, ninguém resiste ao impulso...
Bem-vinda, Lucília! E vai partilhando connosco não apenas a crítica da arte dos outros, mas também a tua própria pintura. É uma coragem que nos deves!..

Uma entrevista para ler e meditar...

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JN, 22.01.2008

Poderei, de quando em vez, divergir do meu amigo Marinho (o novo Bastonário da Ordem dos Advogados). Mas... hei-de sempre admirar a sua coragem e o seu desassombro. Quem fala assim... merece ser ouvido...

A última ceia de Mesquita Machado...

Do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga, recebi hoje, simpaticamente, mais uma Nota Informativa. Reproduzo o título e a fotografia que a ilustra.

Mesquita Machado, no quarto aniversário deste equipamento municipal
QUINTA PEDAGÓGICA DE BRAGA: «SUCESSO ULTRAPASSA PREVISÃO»
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Confesso que não percebo se as crianças que acompanham Mesquita Machado na pose para este quadro de óbvias ressonâncias evangélicas são doze ou treze...

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Leonardo da Vinci, A Última Ceia (cópia)

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Correio do Minho, 22.01.2008

Este pasquim que se publica diariamente em Braga (e que já pertenceu, noutros tempos, à Legião Portuguesa) é uma espécie de "alter ego" do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal. Esta é a manchete da edição de hoje. O "sucesso", aqui, converte-se poeticamente em "encanto". Imagino Mesquita, comovido, a conter as lágrimas...

A cantiga é uma arma... com tomates na ponta!...

Em miúdo, confesso, sofria apaixonadamente pelo Sporting. Era a minha... cocaína. Depois, desintoxiquei-me do Sporting e de todas as paixões futebolísticas. Hoje, li no 24horas isto. É a letra de uma cantiguinha de intervenção do "rapper" Valete. Contra o treinador do Sporting. Adolescências...

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24horas, 22.01.2008


Um filme e um livro...

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O filme não é uma obra-prima, mas devia ser visto e analisado em todas as escolas. Assim como o romance que o inspirou: "The Lord of the Flies" ("O Deus das Moscas", na tradução portuguesa mais recente), de William Golding.
Está lá quase tudo o que faz a pequenez do género humano: até, imagine-se, o... bullying...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

Falo ao centro, falocêntrico...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

Subir e descer a escada, sempre, e prosseguir...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

Um poema de Herberto Helder, com assinatura...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

Ordem, precisa-se!...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

Pêndulo, com dedicatória implícita...

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Retirado de "Antologia da Poesia Concreta em Portugal", Assírio e Alvim, 1973

janeiro 21, 2008

Improviso despido de metáforas...

Aprendi contigo humildemente
a desconsiderar as palavras
nada é menos verdadeiro
de que um poema
um cavalo desleixado
um cão vadio
uma rocha um cogumelo
uma castanha apodrecida no chão
que recolhes e acaricias
nenhuma palavra
revive a magia do teu silêncio
a soberana exactidão de todos os gestos
nenhum poema.

Ademar
21.01.2008

A bolsa ou a vida!...

Eu prefiro sempre a vida. Por isso não jogo na bolsa...

Assédio moral...

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DN, 21.01.2008

Há noções que me "enfeticham" (não vá ao dicionário, que não encontra). Esta, por exemplo: assédio moral. Irresistivelmente, imagino logo Ratzinger celebrando a eucaristia de costas para os fiéis. Será também por receio de ser acusado de... assédio moral?!...
Logo que deixe de me sentir assediado moralmente, consultarei um semiótico...

É para entregar vivo ou morto e ao cuidado de quem?...

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24horas, 21.01.2008

Eu, no lugar dos McCann, criaria também um tribunal penal especial, privadíssimo...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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retirado de "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro"

Direitos humanos? Quem falou?...

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Durante uns dias, Pervez Musharraf passeará triunfalmente pela Europa a sua pose menos sanguinária. Espera-se:
1- Que possa regressar são e salvo ao Paquistão;
2- Que o aceitem de volta;
3- Que tenha trazido com ele a chave (ou o segredo) da bomba...

janeiro 20, 2008

Improviso breve para servir de salvo-conduto...

Não tenho chaves
que sirvam nas tuas algemas
nem algemas
que sirvam nos teus pulsos
apenas um anel de memórias
e duas mãos sempre prisioneiras.

Ademar
20.01.2008

Só para cavalheiros com vícios, independentemente da estrutura moral...

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JN, 20.01.2008

Só para senhoras sem vícios e com sólida estrutura moral...

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JN, 20.01.2008

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JN, 20.01.2008

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JN, 20.01.2008

Uma causa nacional ou... a pedagogia da mordaça...

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Pública, 20.01.2008

Este anúncio, para enlevo e reconforto dos professores, deveria ser afixado profusamente em todas as escolas...

Um dos pesadelos (da ignorância ) de professores (e pais)...

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Notícias Magazine, 20.01.2008

Na hiperactividade, hoje, cabe quase tudo. Não há "transtorno" emocional e social que não se associe, de imediato, à hiperactividade. A verdade é que ela se foi convertendo numa espécie de papão de pais e professores. Muitas vezes, simplesmente, confunde-se adolescência com hiperactividade. Mas quem nunca teve um filho ou um aluno genuinamente hiperactivo... nunca perceberá a diferença...

Uma pergunta cínica...

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João Pedroso, irmão de Paulo Pedroso (os dois na foto), já terá concluído o trabalhinho de compilação legislativa que, generosamente, contratou (aliás, por duas vezes) com o Ministério da Educação? Se não se despacha, ainda terá que fazer um terceiro contrato. É que a criatividade legislativa do ME está sempre em ebulição...

PS - Quem não se lembra dos contornos desta estória para lamentar, pode recuperá-los aqui.

Improviso entre parêntesis...

Seria invencível
se não tivesse perdido todas as guerras
mesmo em palavras
faltou-me sempre o definitivo poder das lágrimas
que derrotam o slêncio.

Ademar
20.01.2008

Sol na eira e chuva no nabal...

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24horas, 20.01.2008

Há mulheres que querem tudo e até imaginam que o leito faz parte do lar.
Não há Dr. Quintino que lhes valha, a não ser na própria cama...

As nádegas à primeira página!...

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Expresso Actual, 19.01.2008

Por que espera Jean Daniel?...

"Futebolistas não são trabalhadores"...

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A Bola, 20.01.2008

Ou estava com os copos ou tratar-se-á de um erro de tradução...

Quem escreve hoje nas paredes LIBERDADE?...

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A liberdade, hoje, é o molde do padrão em que todos tentam caber. Já ninguém anda pelas noites a pichá-la...

Improviso quase ao jeito de monossílabo...

Não conservei a factura
ainda me poderei trocar?

Ademar
20.01.2008

Leonard Cohen...

Quando leio ou ouço Leonard Cohen, sinto que toda a vida o li e ouvi ou ainda antes mesmo de ter vivido. São quase 40 anos de companhia íntima, desde que ele começou a escrever e depois a cantar. Hoje, vi-o e ouvi-o neste documentário. Sei que, um dia, ele deixará de escrever e de cantar para mim. Nesse dia, estarei morto. E ele continuará a escrever e a cantar para outros...

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janeiro 19, 2008

Antes e depois...

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A sala do capítulo do Mosteiro de Tibães, antes e depois da recuperação (fotos acessíveis aqui). Foi nesta sala que decorreu, esta manhã, a Cimeira Ibérica. Quem a viu e quem a vê...

Improviso para repousar da mais longa viagem...

Não recordo nenhum hotel em particular
todas as cidades no passado
parecem exactamente iguais a esta
cujo nome agora me foge
já estivemos lá? já dormimos lá?
que mais fizemos entre a noite e o dia
para além de estar?
não atendas o telemóvel
deixa que as vozes te pertençam
nessa montanha que parece sempre tão próxima
e tão longínqua
como se fosse apenas a tua inconformidade
já fui bom já fui mau
tive todas as virtudes e todos os defeitos
menos o feitiço de ser mais ou menos
do que eu
regresso à recepção do hotel
e digo os nomes
a reserva tem sempre a data do dia seguinte
ou do anterior.

Ademar
19.01.2008

Um cd que comprarei...

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DN, 19.01.2008

São mais, muito mais, do que dois bustos, duas máscaras. Cada um à sua maneira, são dois extraordinárias poetas da música: Leonard Cohen e Philip Glass. Vem aí "Book of Longing", uma parceria que promete exaltações. Espero que não tarde muito...

Isabel, Isabel...

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Notícias Sábado, 19.01.2008

Título... mistificador. "Amo-te gata" não é um filme pornográfico para "mulheres", mas para quem, simplesmente, aprecie no género a representação da homossexualidade feminina...
Quem assina esta "reportagem"? Isabel Freire.
Que livro cita e promove a repórter? "Fantasias Eróticas - Segredos das Mulheres Portuguesas". Autora: Isabel Freire.
Não posso garantir que "Verónica", a realizadora do filme, não seja também... Isabel Freire.
Este tipo de candura "jornalística" (na modalidade "vale tudo")... excita-me. Pornograficamente...

Ainda ladrará?!...

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Sol, 19.01.2008

Comeu cão e ficou assim: com vontade de fazer de palhaço. Estas entrevistas do Sol, mais do que "imprevistas", são, em geral, deprimentes. Mas enfim... amesquinha-se quem quer...

PS - Por pudor (talvez canino), oculto aqui a identidade do... entrevistado!

Obsessão editorial de um tablóide...

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24horas, 18.01.2008

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24horas, 19.01.2008

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24horas, 19.01.2008

Dia após dia, o 24horas chora em manchete por Mari Luz. Já não suporto tanto sofrimento. Condimentado ainda pela ingratidão egoísta dos McCann. A luta de classes tem hoje dimensões que Marx estranharia...

Liberdade e honra...

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Outro opúsculo visionário que redescobri esta manhã no caos da minha biblioteca.
Dizia Adolf Hitler: "Tenho a plena consciência de que o destino me escolheu para dar ao meu povo a sua liberdade e a sua honra".
Sobre quantos milhões de mortos?...

Um anedota política em forma de igreja...

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A arrumar estantes e prateleiras, redescobri hoje este opúsculo, profusamente distribuído no norte de Portugal nos finais de 1975. Braga, convém lembrá-lo, é governada pelo Partido Socialista e por Mesquita Machado desde Fevereiro de... 1977. A igreja católica à moda de Braga, a mais tridentina de Portugal, nunca passou de uma anedota...

Azul, um pouco mais de azul...

Gentilmente, e com um sentido de humor que aprecio, recebi do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga a sugestão de "espreitar" aqui algumas fotografias mais da Cimeira Ibérica que decorreu este fim de semana na "cidade dos arcebispos" e em Tibães. Esbarrei logo com esta.

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Confesso que tive medo de ver as outras...

Salvemos o sem-abrigo, perdão, salvemos o cão do sem-abrigo, digo, salvemos o cão!...

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24horas, 18.01.2008

Chorai, ó pedras da calçada,
que este cão merece tudo:
o sem-abrigo, nada!...

Improviso desconcertante...

Uma réstia de luz
e a janela sempre aberta
ou nenhuma ponte de promessas
talvez a fome do tempo
servida à mesa da espera.

Ademar
18.01.2008

janeiro 18, 2008

O caixão da cimeira ibérica...

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A "foto de família" dos líderes ibéricos (Sócrates e Zapatero) foi tirada, não em Tibães (onde decorre a cimeira), mas, obtusamente, na Praça do Município, em Braga. Minudências, certamente, de cenografia...
Repare-se, porém, na foto que ilustra o acto e que foi posta a circular, esta noite, pelo Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga. Não discuto a similitude das indumentárias dos dois chefes de governo, ainda que deva reconhecer que o azul da gravata de Sócrates impressiona muito mais a retina do que o azul da gravata do seu congénere espanhol. Nem discuto, sequer, a pose relaxada e quiçá distraída do alcaide local, aparentemente, servindo de guarda-costas aos ilustres visitantes...
O que mais me chamou a atenção na foto foi a forma do palanque, em que repousam, para a fotografia (e a posteridade), Sócrates e Zapatero. Não vos lembra um caixão?...

Uma cimeira, apenas, para condimentar a história do Mosteiro de S.Martinho de Tibães...

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Mosteiro de Tibães em meados do século XIX (gravura extraída da obra "Memória Histórica de D. Frei Francisco de S.Luiz Saraiva - Marquez de Resende", Lisboa, MDCCCLXIV)

Dicionário para decifrar cimeiras...

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Jorge, quem vai morrer por ti... fotografa-te!...

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Diante do grotesco de imagens como esta, só me apetece mesmo recordar Boris Vian. Sempre...

Le déserteur

Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

Boris Vian

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Manoel de Barros, O Livro das Ignorãças

janeiro 17, 2008

Improviso para descansar das mágoas...

Quando me perguntam
como estou
respondo que amanhã direi
tenho sempre pressa
de me ouvir depois.

Ademar
17.01.2008

Agradecimento...

Não conheço, pessoalmente, o Pedro Morgado, mas espreito quase diariamente o Avenida Central, um blogue que recomendo. Gentilmente, ele atribui-me méritos no processo que conduziu ao salvamento do Mosteiro de Tibães que terão de ser repartidos por muitas outras pessoas e, sobretudo, pela ASPA, de que sou sócio, com muita honra, há quase 30 anos...
Seja como for, e em nome de todos, aqui fica o meu obrigado.

10 imagens antigas de Tibães, entre ruínas...

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Algumas imagens da ruína de Tibães, há quase trinta anos atrás. Quem, na altura, poderia imaginar que, em Janeiro de 2008, os governos de Portugal e Espanha se reuniriam aqui?...

Ainda Tibães...

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Obrigado, Vital, pelo... reconhecimento!
Quando estiveste nesta sala, há cerca de 25 anos, as paredes estavam quase despidas, o caixotão do tecto caía aos pedaços e tínhamos que acertar os pés nas raras tábuas que ainda prometiam alguma segurança. Lembrar-te-ás, certamente.
Hoje, a antiga sala do cabido-geral da Congregação de S.Bento até já pode servir de palco a uma cimeira ibérica...
Podemo-nos orgulhar do que conseguimos. Todos. Tu, também...

Abençoado rigor jornalístico!...

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Sábado, 17.01.2008

Felizmente, não tenho nenhum filho com 14 anos. O Alexandre já passou os 30, o Francisco completou 15 no passado domingo e o Henrique só fará 10 no próximo mês de Março. Sorte!...
De resto, tranquiliza-me que estas festas só se realizem no fim de cada período escolar (o que demonstra o sentido de responsabilidade dos miúdos). E parece que eles filmam as suas fantasias em grupo com telemóveis da última geração (instrumentos que os meus filhos mais novos ainda não têm, nem tão cedo terão).
Assim, graças à Sábado, poderei, finalmente, dormir tranquilo...

Por favor, tirai a temperatura ao sofrimento destes pais!...

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24horas, 17.01.2008

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24horas, 16.01.2008

Depois de Maddie, é a nova paixão das manchetes do 24horas: Mariluz. Felizmente, ninguém suspeita do director do tablóide...

Contributo para o arquivo de Maria de Lourdes Pintasilgo...

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Público, 17.01.2008

O Centro de Documentação e de Publicações da Fundação Cuidar O Futuro inaugurará na Internet, a partir de dia 23 de Janeiro, o Arquivo Histórico da Engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo.

Em 1986, fui um dos muitos promotores e apoiantes da candidatura presidencial da Engenheira (era assim, em privado, que nós a tratávamos). Corri com ela uma parte do Minho, em campanha. Servi-lhe algumas vezes de motorista e "guarda-costas" (coitado de mim e coitada dela!...). Se Eanes e o PCP não tivessem, na altura, patrocinado a candidatura extemporânea de Salgado Zenha, estou convencido de que Pintasilgo teria ganho. E Portugal seria hoje, politicamente falando, um país muito diferente.
Guardo no meu arquivo pessoal algumas memórias dessa campanha. Designadamente, fotografias. Como as que publico em baixo (os amigos que me perdoem). São o meu modesto contributo para o Arquivo Histórico da Engenheira.
Tenho saudades dela...

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São rosas, Senhor!...

O Diário de Notícias oferece... cursos de línguas.
O Jornal de Notícias... ferramentas.
O 24horas... um "colar de contas banhadas a prata e vidro colorido", mas a retalho.
O Jogo... "posters" de futebolistas.
A Sábado (hoje)... "A Casa dos Espíritos", de Isabel Allende.
O Público... editoriais de José Manuel Fernandes.
Todos os dias pergunto ao balcão se algum jornal ou revista oferece... preservativos. Ou filmes pornográficos. Ou estampas de santinhos e santinhas... Nada.
Continuarei à espera...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Fernando Pessoa

Reflexos...

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Cerca do Mosteiro de Tibães. Tanque fronteiro à Fonte de S.Bento...

janeiro 16, 2008

E quando é que Portugal poderá, finalmente, ver-se livre de Jardim?!...

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24horas, 16.01.2008

Concordo absolutamente com Vital Moreira: "E não podem antecipar o grande momento?"...

Resposta a uma amiga...

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Perante as notícias que garantem que, depois de Sarkozi e Carla Bruni, também Hugo Chavez e Naomi Campbell estão apaixonados, a minha amiga Fátima pergunta, candidamente, se "estaremos a viver uma época de romantismo?"
Não, Fátima, não estamos. Acontece apenas que, na era do "glamour", os pirosos que governam o planeta só têm mesmo tempo e engenho para se apaixonarem por modelos e cantoras. Não foi, de resto, sempre assim?!...

Improviso para cantar Leonard Cohen...

Não tenho inimigos nem balas para te oferecer
e se as mãos me obedecessem
pintar-te-ia de outras cores
numa tela em que nunca escurecesses
devolvo-te a impaciência com juros
no modo de uma tranquilidade
que sempre terás desconhecido
não tenho mapas para te ensinar
como se guerreia
desfraldei a bandeira da paz
quando vieste ao meu encontro
e me rendi.

Ademar
16.01.2008

Memórias de Tibães (5)...

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Expresso, 27.03.1982

Em Março de 1982, por minha iniciativa, o Expresso dedicou um suplemento especial a Tibães. Doze páginas com dezenas de fotografias e vários textos. Muita gente ainda hoje me diz que foi este trabalho que salvou Tibães. Não vou tão longe, mas uma coisa tenho por certa: despertou muitas consciências adormecidas e colocou o dossiê de Tibães na agenda política...

Memórias de Tibães (4)...

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Expresso, 27.03.1982

Este retrato, ao contrário de muitos outros, regressou ao local de origem, graças à ASPA (que o descobriu e comprou num antiquário). Sócrates e Zapatero poderão contemplá-lo nas paredes da sala do capítulo de Tibães. Durante meses, esteve guardado em minha casa, até ser devolvido ao Mosteiro...

Memórias de Tibães (3)...

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Expresso, 27.03.1982

Em meados da década de sessenta, quando esta foto foi tirada, a sala do capítulo do Mosteiro de Tibães ainda se encontrava razoavelmente conservada, com uma grande parte do espólio que os beneditinos tinham deixado. Depois disso, foi o caos...
Creio que será aqui, nesta sala entretanto recuperada, que reunirão no próximo fim de semana os governos de Portugal e Espanha...

Memórias de Tibães (2)...

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Expresso, 27.03.1982

O incêndio de 1894 destruiu uma parte considerável da ala sul do Mosteiro de Tibães e deixou, completamente, em ruínas o Claustro do Tronco. A sua recuperação, em curso, levará anos...

Memórias de Tibães (1)...

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Este livrinho foi apenas mais um contributo para a causa de Tibães, Terá servido para alguma coisa. Pelo menos, sugeriu pistas de investigação...

Diante de Sócrates e Zapatero, este cavalinho também ficará com tesão?!...

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Cerca do Mosteiro de Tibães. Foto tirada há dias. Não sei se o cavalo fica assim diante de todos os visitantes...

Terão tempo, Sócrates e Zapatero, para descer ao lago?...

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Mosteiro de Tibães. Caminho descendente de acesso ao lago...

Beberão Sócrates e Zapatero da água desta fonte?...

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Cerca do Mosteiro de Tibães. Fonte de S.Bento.

Que dirá Sócrates a Zapatero diante deste painel?...

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Claustro do Cemitério do Mosteiro de Tibães. Pormenor de um dos painéis historiados...

Por aqui passearão Sócrates e Zapatero...

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Claustro do Cemitério do Mosteiro de Tibães. Piso superior, já recuperado...

Cimeira ibérica em Tibães...

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Diário do Minho, 16.01.2008

Os governos português e espanhol irão reunir este fim de semana no Mosteiro de Tibães. Há 30 anos atrás, a antiga casa-capitular dos beneditinos portugueses (entre 1569 e 1834), parecia, definitivamente, votada à ruína. Orgulho-me de, com um conjunto de amigos, acoitados na ASPA (lembras-te, Henrique?), ter contribuído para a salvação do Mosteiro, que actualmente pertence ao Estado e está a ser, diligentemente, recuperado pelo Ministério da Cultura. Sócrates e Zapatero jamais passeariam pelos claustros e pela cerca de Tibães se, nessa altura, não tivéssemos chamado a atenção do país para o crime de lesa-pátria que significaria o abandono do mosteiro beneditino. Foi um combate cívico que valeu a pena!...

Sob a égide de António de Oliveira Salazar...

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Tirando o quadro de Salazar e as carteiras, esta sala ainda existe assim (ou existia, pelo menos, há cinco anos atrás). Creio ter sido a minha primeira experiência teatral (paixão que viria, mais tarde, a desenvolver em Coimbra). Contracenava, na altura, entre outros, com o Alberto Manuel Botelho Miranda (à minha direita), hoje, engenheiro e professor da FEUP. Já não me recordo que papéis representávamos. Nem tu deves lembrar-te, Manel!...

Quem ainda se reconhecerá nesta foto?...*

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Esta fotografia já viajou tanto e foi tão manipulada que ficou neste estado deplorável. Garanto que não foi tirada em Auschwitz, antes do duche, mas em Braga. Os adultos, ao fundo, dois padres e uma professora de imponente bigode, não são oficiais das SS, nem agentes da Gestapo, embora, pela pose, até pudessem parecer. Esta era a minha turma, na Escola Primária. Já só sou capaz de reconhecer, pelo nome e pela circunstância, meia dúzia de colegas. Os mais... nem sei se ainda estarão vivos (mas gostava de saber).
Há algo nesta foto que sempre me impressiona. Eu estou a sorrir para o fotógrafo e, destoando da cinzentez do rebanho todo masculino, visto uma camisola clara, talvez para poder ser mais facilmente identificado pela polícia, se fugisse...
É que, o que eu queria mesmo... era não estar ali...

* Se algum leitor do abnoxio se reconhecer nesta foto, agradeço que m'o diga.

A escola primária como pesadelo...

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Há quase cinquenta anos, era assim, na Escola Primária de S.João do Souto, em Braga. À direita alta, a fotografia do Presidente da República, Contra-Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás (ainda sei de cor a patente e o nome completo do idiota). Ao centro, o medonho crucifixo, com a padralhada, de sotaina, por baixo, a distribuir não sei que bulas. Sentada à esquerda, de bigode e carrapito, a minha professora, D.Enedina, esposa severíssima de um garboso militar. Nesta imagem, falta apenas Salazar, que estava ainda mais à direita, ainda mais alto, e que, por isso, não coube na fotografia.
Eu estou na primeira fila, de costas. Sou o caixa-de-óculos do meio. Já na altura odiava a escola. Hoje, sou professor...

janeiro 15, 2008

Humor autárquico (continuação)...

Do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga acabo de receber a seguinte nota informativa, que alegremente e "pedagogicamente" (com a fotografia que a ilustra*) partilho com os leitores...

QUINTA PEDAGÓGICA DE BRAGA COMEMORA QUARTO ANIVERSÁRIO
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Um almoço tipicamente minhoto destaca-se no programa comemorativo do quarto aniversário da Quinta Pedagógica de Braga, equipamento municipal situado na freguesia de Real. Acontece a 21 de Janeiro, a partir das 12h30, sendo confeccionado nas instalações deste Centro de Formação e Experimentação Ambiental e privilegia os alimentos biológicos ali produzidos.

Assim, depois do presunto «do melhor porco da pocilga da Quinta Pedagógica» e do chouriço «assado em aguardente», segue-se «um caldo de lavrador com verduras da quinta», «um arrozinho-de-pé-descalço ou pica-no-chão com o melhor franganote da capoeira» e um «cabrito assado e arroz com os miúdos do chibinho».
A sobremesa privilegia igualmente a fruta produzida nesta quinta pedagógica, desta feita sob a forma de «maçã assada» e «pêras bêbadas em vinho tinto», a que se junta o mais típico dos doces bracarenses, o pudim «abade de Priscos».
«Este almoço, com que pretendemos de alguma forma exemplificar a refeição de dia de festa numa casa de lavoura do Minho, é também uma forma de conviver com todos quantos têm contribuído para a divulgação de um espaço pedagógico extremamente bem sucedido junto da comunidade a que se dirige», justifica a Vereadora da Educação, Palmira Maciel.
Refira-se que a Quinta Pedagógica de Braga registou no ano findo a visita de 21 632 pessoas, número que se junta aos cerca de 60 mil visitantes que por lá passaram desde a sua abertura há quatro anos.
A Quinta Pedagógica de Braga, que se estende por dois hectares e meio, é uma quinta tradicional minhota, recuperada e adaptada pelo Município de Braga para fins ludo-pedagógicos, assumindo-se como verdadeiro centro de formação e experimentação ambiental, circunstância em que pretende reforçar os laços cada vez mais estanques entre o residente urbano e o meio rural.
Dirigida prioritariamente à comunidade escolar local e regional, subdivide-se em espaços diferenciados, designadamente os dedicados à pecuária, aves de capoeira, vitivinicultura, hortas pedagógicas, pomar e bosque. Compreende ainda áreas dedicadas à confecção alimentar e um laboratório de experiências ambientais.
A evocação do quarto aniversário – em que participam o Presidente da Câmara Municipal e a vereadora da tutela – inicia-se, contudo, com a recepção (10h15) a 65 crianças do Jardim-de-Infância Quinta dos Lagos, 40 alunos da escola “EB 1” de Dume, 12 alunos da escola “EB 2,3” de Lamaçães, oito alunos do Núcleo de Educação Especial da “EB 2,3” Francisco Sanches.
Depois de uma visita guiada a alguns espaços da quinta e de um lanche, oferecido por uma grande superfície comercial da cidade, as crianças convidadas assistem à inauguração de uma exposição fotográfica retrospectiva dos quatros de existência deste equipamento municipal.
Os “parabéns” à Quinta Pedagógica de Braga são cantados às 12h00, antes do almoço tradicional oferecido aos convidados da Imprensa e a representantes de algumas entidades que têm contribuído para o seu êxito.
De acordo com Palmira Maciel, a Quinta Pedagógica de Braga tem registado uma sempre crescente adesão do público, que se junta, assim, aquela que tem origem na comunidade escolar, afinal, o seu primeiro destinatário.
Esta receptividade – sublinha a responsável – multiplica as justificações que o Município de Braga registava para o investimento que então fez neste projecto e para aqueles que continuamente aqui continua a fazer.
De entre as actividades desenvolvidas por este Centro de Formação e Experimentação Ambiental destacam-se, como as que obtêm maior adesão do público-alvo, os “ateliês de agro-pecuária”, a “cozinha”, a “experimentação ambiental”, e os ateliês “da fábula” e das “artes plásticas”.
A par do conjunto de ateliês desenvolvidos, a Quinta Pedagógica de Braga é também palco da evocação de algumas efemérides, como o Dia dos Direitos dos Animais, Dia da Alimentação, Dia de São Martinho, Dia Mundial da Árvore, Dia do Agricultor, Dia Mundial da Energia.
Este equipamento de apoio à rede escolar de Braga propõe-se «continuar a oferecer oportunidades de formação nas áreas da fauna e da flora e de sensibilização para a defesa do meio-ambiente, proporcionando a todos visitas devidamente organizadas e orientadas para a comunidade escolar, tornando o espaço num verdadeiro “laboratório” ao ar livre».

* Como muitos leitores do abnoxio não são de Braga, devo informar que, na fotografia, pode ver-se: uma criança, o Presidente da Câmara e um pato. Creio que o pato é mesmo genuíno...

Improviso em forma quase de contrato de adesão...

Parece que foi eu que escrevi
“somos todos caçadores antropologicamente desempregados”
e
“a poesia é a arte de dizer o que ninguém mais entende”
talvez a brincar com as palavras
(por exemplo, foi eu)
eu seja competente
no mais ainda tropeço
tenho mesmo dias em que sinto
que falhei completamente a agenda
falta-me uma secretária
digo
uma gestora de eventos domésticos
sempre renováveis.

Ademar
15.01.2008

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (74)...

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Nenhuma linha recta dispensa ou secundariza a verdade do esforço. E todas as curvas são interpelações, digo, convites à permanente reinvenção dos impulsos originais. A dificuldade tem esse jeito antigo de incentivar sempre o engenho. Só descansa quem, tranquilamente, sobrevoa horizontes e nunca sobe a montanhas. Eu ainda não aprendi como se repousa. Só sei como se caminha...

Uma atracção amorosa, biologicamente, pura...

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DN, 15.01.2008

Que a lei e os tribunais separem o que a biologia uniu...


De vez em quando, consigo ler um editorial do DN sem bocejar...

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DN, 15.01.2008

O editorialista do DN não está a par dos últimos desenvolvimentos. Vara, afinal, terá reformulado o pedido. Despedir-se-á da Caixa... se ganhar hoje. Digam lá que é tolo...

Um grito!...

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A fazer fé nos resultados de um inquérito realizado em doze países europeus, este é o quadro que 64% das mulheres com mais de 40 anos gostariam de receber como prenda de aniversário em 2008. Felizmente para os homens europeus, a tela de Munch não está à venda...

Livres de fumo e, não tarda, de trabalhadores...

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Público, 15.01.2008

Em Portugal, qualquer pretexto serve para despedir...

Uma erecção evangélica...

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Consta que, diante desta tela de Edward Munch, Ratzinger teve uma erecção evangélica...
E consta também que não foi a primeira...

Os negócios sibilinos da paz...

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Público, 15.01.2008

Não sei se convenceu, mas fartou-se de vender armamento aos sauditas. Parece que se trata da maior encomenda de sempre. Quem ousará falar de inêxito diplomático? Bush, por onde quer que passe, impressiona sempre pelo cheiro a pólvora...

Um Sindicato... extra-ordinário...

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Público, 15.01.2008

Este apelo não será apócrifo? É tão estúpido, tão estúpido, tão estúpido... que custa a crer que, em nome de um Sindicato, alguém o elabore e faça publicar...
Se o apelo é verdadeiro, este Sindicato deveria ser, compulsivamente, dissolvido...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

Santo e Senha
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Miguel Torga, Diário I

SIC ameaçada pela "sifilis" (sic)...

Confesso que, à primeira, não entendi o pivô do serviço das 10 da SIC Notícias. Ele dizia que Cristovão Colombo não descobrira apenas a América, mas também a... sifilis. E repetiu (agudamente, oxitonamente): sifilis (imaginai a tónica na última sílaba). Só depois, pelo contexto, percebi que ele queria dizer: sífilis. Não importa o nome do moço: ele merece, seguramente, uma... nova oportunidade...

janeiro 14, 2008

Improviso aritmético...

Seis vidas ou sete como os gatos
mas nenhuma para perder ou ganhar
seis máscaras ou sete
e uma única personagem dentro delas
de tanto te contar
quase desaprendi de saber
por que palavras te diga
há pessoas que não cabem em norma alguma
e que nunca nos consentem
a proeza do conhecimento
corrijo
a ilusão do conhecimento
talvez agora o silêncio seja mais entendível
o silêncio ou o acanhamento dos gestos
essa distância exacta entre o pensamento
e as raízes voláteis do corpo.

Ademar
14.01.2008

Quem terá ficado mais surpreendido?...

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DN, 14.01.2008

A notícia, infelizmente, não esclarece o ponto mais interessante: na circunstância, o marido terá comprado os favores sexuais da esposa?...

O mocinho já nem pode convidar duas amigas para o chá das cinco...

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24horas, 14.01.2008

Chama-se a isto: escrutínio merdiático. Pobre rapaz rico...

Impenetrabilidades...

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Sol, 12.01.2008

Não há pessoas comuns. Mais visíveis, menos visíveis, somos todos labirintos. E há salas e corredores em nós... impenetráveis. Impenetráveis aos outros e, mesmo, tantas vezes, a nós próprios...
Nos intervalos da normalidade, quem não se sente anormal?...

Arco do Triunfo...

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JN, 13.01.2008

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Ángel González, Tratado de Urbanismo

Modéstias...

Ainda a entrevista de Melo à Notícias Magazine. Atente-se na inconsolável modéstia do famigerado...

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Notícias Magazine, 13.01.2008

janeiro 13, 2008

Improviso para desmarcar compromissos...

A mais antiga das metáforas
e o número talvez
o mais próximo da perfeição
reconto lentamente as velas que deixaste
e reacendo a que apagaste
no veloz transporte da partida
carne da minha carne
sangue do meu corpo
este é então
o cheiro em que viajas
quando perguntas por mim
nenhuma intensidade é tão certa
como o teu silêncio feito de tantas grandezas
há mistérios há paixões
que se envergonham nas palavras
e nas perguntas distraídas
claro que acenderei outra vela
quando o fogo te iluminar.

Ademar
13.01.2008

Uma jornaleira compincha...

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Notícias Magazine, 13.01.2008

A entrevista a Melo foi recolhida por uma tal Denisa Sousa. Será talvez uma acólita do ex-vigário dito geral. Repare-se na cumplicidade evidenciada pela entrevistadeira: "Foi uma época conturbada... Defendia-se a pátria contra o comunismo, sobretudo a norte". Estou a imaginar Denisa de foice na mão, qual Maria da Fonte, dando caça aos hereges e pegando-lhes fogo. Em nome, claro, da "justiça" e da "caridade"...

Quando até as pedras da calçada choraram...

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Notícias Magazine, 13.01.2008

"Viu-se afastado do Paço como vigário-geral" (coitado!), "ficou sem a estátua de oito metros" (coitado!), "viu-se atacado por figurar numa pintura de altar" (coitado!). Coitado, coitado, coitado!...
Mas ainda, hélas!, se comove e, misericordiosamente, "cala o coração a rancores". Melo é um verdadeiro coito de virtudes. Das plásticas e das outras...


O porteiro do inferno...

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Notícias Magazine, 13.01.2008

Se eu fosse o Diabo (tridentino) e tivesse de contratar um porteiro para o inferno, não hesitaria nem um segundo: contrataria este. Não conheço ninguém na "nomenklatura" da igreja dita católica que ostente um currículo mais apropriado...


Deixemo-nos de manhosices sanitárias: o dejecto a quem o faz!...

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Público, 13.01.2008

Debalde, o Ministro prometera...

E não há sequer para ele um lugarzinho na administração da Caixa Geral de Depósitos?......

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24horas, 13.01.2008

Terá sido Sarkozy (ou Carla Bruni) quem vetou, por ciúmes mediáticos, a nomeação do casal Carrilho para Paris? Palpita-me!...

Nos tempos que correm, quem não fode o Benfica?!...

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O Jogo, 13.01.2008

O treinador tem-nos no sitio, como o comendador do "fuck you!", o Vieira dos pneus e o Veiga de todas as penhoras. O Benfica lembra actualmente um imenso, mas ilusório prostíbulo: parece que ninguém fode, mas todos andam fodidos. Perdoai o calão à... Benfica...

janeiro 12, 2008

Improviso como se anoitecesse...

Nunca dás a vida de barato
todos os pontos são de reticências
respostas adiadas
frases inacabadas
horizontes que tremem diante dos olhos
e embrumecem
não garanto que o verbo se escreva assim
invento diariamente palavras
para me transgredir a teus olhos.

Ademar
12.01.2008

O drama de oscilar sempre entre o oito e o oitenta...

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Expresso, 12.01.2008

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Sol, 12.01.2008

Manchete no Expresso, manchete no Sol. Por diferentes razões. A ASAE está em alta. O país dos brandos costumes... nem por isso. Entre o oito e o oitenta, naufragamos sempre...

Um poeta mais que morreu...

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Ángel González, Tratado de Urbanismo (tradução de Helder Moura Pereira)

Faleceu esta madrugada, com 82 anos. Fica-nos dele, em português, Tratado de Urbanismo, que a Fenda traduziu e editou em 2000.

Uma entrevista a não perder...

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Tabu, 12.01.2008

Hoje, apesar da chuva, o Sol vale a pena. Por isto. Comprai, lede e arquivai...
Os "libertinos" estão pela hora da morte...

Crime e castigo (versão pós-moderna)...

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24horas, 12.01.2008

Em casa, sozinha, a limpar e a cozinhar. E ainda precisa, coitada, de ir ao ginásio...

Caricatura de um cronista...

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Expresso, 12.01.2008

Eis a entrada da crónica de Miguel Sousa Tavares na edição de hoje do Expresso. Uma vergonha. Escrevo isto com a tranquilidade de quem é fumador (não se orgulhando disso) e de quem já escreveu aqui que a lei antitabaco é o produto da incompetência de um conjunto de deputados que não regulam bem da cabeça...

O comprador de tudo...

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O Jogo, 12.01.2008

Ainda não comprou Pinto da Costa, nem as "miúdas", mas já ofereceu 500 mil contos por ele (não diz se também pelas "miúdas"). Este "comendador" não perde a oportunidade de um bom negócio... nem de um sonoro arroto. Como esta extraordinária (corrijo: extra-ordinária) entrevista, que diz tudo ou quase tudo sobre o carácter da criatura...

Branco é... galinha o põe (ou pôs)...

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DN, 11.01.2008

Repare-se na pose do "marchand" (de quê?)... E, já agora, na egocêntrica clarividência...

janeiro 11, 2008

Improviso para dizer apenas que também sei rimar...

A perfeição tem as datas trocadas
e viaja sempre em classe turística
entre aeroportos banais
não lê revistas nem jornais
nem tem agenda diarística
a perfeição tropeça em todas as calçadas
e nunca rima quando se quer
homem ou mulher.

Ademar
11.01.2008

E não se poderá, por decreto, conter a sociedade fora da escola?!...

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Visão, 10.01.2008

Claro que se pode fazer muita coisa para humanizar a escola (se os ferozes opositores do "eduquês" consentirem). O que ainda não se descobriu foi uma fórmula (já nem peço uma "estratégia") para impedir a sociedade de entrar nas escolas. Não há porteiro que a contenha...

Kafka sem mestre...

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DN, 11.01.2008

Se as crianças abusadas soubessem... guardavam segredo. Nos meandros da "justiça", há sempre quem sofra mais da cura do que da doença...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Jorge de Sena, Poesia I

Claro que terei de chamar a atenção para a incorrecção ortográfica: o verbo escreve-se "soçobrar" e não "sossobrar"...

Crimes da noite no Porto: a causa?...

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Sábado, 10.01.2008

A mocinha não se recomenda a nenhum sonho erótico (parece Filomena Mónica com menos 80 anos), mas já atraiu ao Porto um homem de Lisboa. Ninguém sabe o que lhe aconteceu...

janeiro 10, 2008

Improviso ao natural...

Desaperto os laços
para que não adoeças dos pés
abro as janelas e
voltas a respirar
sobre a mesa
deixo a fruta e deixo o vinho
e o pão que comerás
depois de todos os prazeres
e sobre a cama o livro
e sobre o livro os olhos
antes de adormeceres
hoje não me apetece escrever
infinitos
há evidências que têm mais poesia dentro
do que todas as metáforas.

Ademar
10.01.2008

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (73)...

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Não tens urgências comuns. Tudo em ti é ainda mais lento, mais ruminado. Perco sempre a conta aos passos que dás entre a luz e as sombras. Precisarias de muitas vidas para cumprir um destino em que coubesses e só te concederam uma. Uma vida tropeçada em tantas fronteiras que o teu corpo não chegará a atravessar. Palavras que nunca dirás, como se te queimassem a garganta. Ou o pudor, ainda mais intocável. Trocas de máscara todos os dias, confundindo personagens que nunca te esgotam. A tua noção de liberdade tem a forma exacta de uma cela, em que te fechas sempre por dentro. E sobras apenas de ti nos intervalos das grades. Quando, distraidamente, espreitas o universo e te ofereces ao horizonte dos olhos que te interpelam...

O ministro de todos os milagres...

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Cada vez admiro mais este ministro. Ele, ateu assumido, foi capaz de consumar um milagre. Acho que merece, pelo menos, ser beatificado...

Um caso de polícia (ou de criminologista?)...

Como criminologista, pode não ser um Barra, mas tem apaniguados de peso, que me insultam e ameaçam (anonimamente) com uma regularidade que até parece ensaiada. Deixo-vos com mais um exemplo...

Caro Senhor:

Se me permite, o seu blog é de um baixo nível tal, que é díficil descrever. Raia o ridículo. Mais hediondo ainda são as afirmações sobre o Dr. Barra da Costa. O tempo que perde a escrever sobre o que não sabe podia sempre aproveitar para estudar um pouco. Sim, só lhe peço um pouco porque muito não há de conseguir. Caro senhor não me compete a mim identificar-me, uma vez que o senhor também não o faz. Aliás acredito que não tem o mínimo de dignidade para o fazer públicamente. Resta-me dizer que é pena que não se tenha junto a esta investigação porque certamente daria um enorme contributo. Meu caro, não fale do que não sabe, o que lhe pouparia que estivesse ao alcance de todos conhecerem a estupidez humana que grandiosamente possui. Ademar, não é assim? tenha cuidado com o que afirma. Nunca se sabe, nos dias que correm...
Um conselho: instrua-se. Nem para o senhor é muito difícil.
P.S.: Já agora receie o k lhe disse o Granito. É que o Barra da Costa está habituado a foder escumalha....

Bem haja.
you know

CambalhOTA...

Com franqueza, é-me indiferente que o novo aeroporto de Lisboa fique em Alcochete ou na Ota. Os saloios e os alfacinhas que se arranjem. Continuarei, provinciamente, a utilizar o Francisco Sá Carneiro. O que me aborrece são as fitas e as cambalhotas dos "inteligentes". E os jogos mais ou menos sórdidos dos que, mui patrioticamente, querem apenas comprar ou vender qualquer coisinha por conta do novo aeroporto...

Humor autárquico (continuação)...

Do Gabinete de Informação da Câmara Municipal de Braga acabo de receber mais uma nota informativa, que reproduzo.

SUGESTÕES CULTURAIS E DE LAZER

O Canal Informativo da Câmara Municipal de Braga, com a colaboração de “O Portal da Cidade”, sugere:

DESTAQUES

Boneca
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Pelos vistos, Mesquita Machado resolveu converter-se numa "sugestão cultural ou de lazer". Será ele a... boneca?

Chamem-lhe parvo!...

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Público, 10.01.2008

Este Vara não dá ponto sem nó. À cautela, quer manter o vínculo à manjedoura certa. Homem prevenido...

Improviso para dizer talvez saudade...*

Nunca te esqueças
a vida é um carrocel
estamos sempre a voltar
ao princípio de nós
ao princípio ou ao fim de tudo
mesmo quando julgamos
que partimos
ou apenas sonhamos.

Ademar
10.01.2008

* Para a Conceição, que parte para a Alemanha. O teu lugar na turma nunca mais será ocupado.

Humor autárquico...

Do Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga recebi a seguinte nota informativa.

OS REIS DO PRESIDENTE
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O Presidente da Câmara Municipal de Braga recebeu esta quarta-feira (9 de Janeiro) os reis… de Braga! Muitos reis… tantos reis… pequeninos!!! Alguns maiores. Chegaram pela manhã, vindos da “Mãe Cegonha”, do Colégio Senhora da Conceição e do Instituto Novais e Sousa. Vestidos a rigor. Como reis. Cantaram, tocaram e alguns dançaram, os maiores. O Presidente, sempre sorridente, até trauteou a acompanhar o ritmo. Agradeceu o gesto. Formulou votos de “bom ano”. Ah, – e embora não tenha recebido ouro, incenso e mirra – distribuiu um ovo de chocolate, daqueles que trazem uma surpresa dentro. Que felicidade!

Repare-se na foto que ilustra a nota informativa. É assim que, em Braga, se vestem "a rigor" os Reis... de Mesquita Machado. Que felicidade!...

janeiro 09, 2008

Improviso para descuidar amanhã...

O mesmo trilho outonal
um cavalo que pede e tem a mão
o homem ainda não
notícias que vêm
notícias que vão
segredos suspensos na tarde
algures uma clareira sem fogo dentro
ou o fogo todo
e as testemunhas ausentes
o contrato mais uma vez adiado
nos soluços da rebeldia
e um cavalo que pede e tem a mão
o homem ainda não
notícias que vêm
notícias que vão
ecos de vozes que sussurram
passos que deixam sempre pegadas no chão
uma incerteza quase tão antiga
como os dias que a memória consente
mas há mais claridade
na distância dos gestos
talvez menos imprecisão
e um cavalo que pede e tem a mão
o homem ainda não.

Ademar
09.01.2008

O acrisolado e extraordinário amor de dois pais por uma filha...

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24horas, 09.01.2008

Que mais farão os McCann por Maddie?!...

Simone de Beauvoir, cem anos depois...

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No ano em que eu nasci (1952), Simone de Beauvoir ter-se-á deixado fotografar assim, em Chicago. Le Nouvel Observateur resolveu há dias publicar a foto na capa, provocando os "bons espíritos". Hoje, 9 de Janeiro, Simone completaria, se fosse viva, 100 anos. Tenho a certeza de que, entre gargalhadas, gostaria de se rever assim...

Um problema de fusos...

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Público, 09.01.2008

O Público anda de candeia às avessas com as sondagens e não aprende com a experiência. Aquando do recente referendo constitucional na Venezuela, noticiou a vitória do sim e... errou. Hoje, "anuncia" a derrota de Hillary nas primárias do New Hampshire... e erra novamente. Outros jornais, como, por exemplo, o DN, foram mais sensatos, optando por não arriscar títulos comprometedores. O Público, uma vez mais, não resistiu ao impulso "noticioso" e deu de barato a derrota da senadora. Espero, amanhã, as explicações de José Manuel Fernandes, para me rir um pouco mais...

janeiro 08, 2008

Improviso para aperfeiçoar o sol...

Deixo sempre no horizonte uma luz acesa
para que a noite não sofra de insónias
e fecho os olhos para não ver
talvez me leias algures no Japão
ou ainda mais longe ou mais perto
ou sejas tu própria as palavras
que não chego a escrever.

Ademar
08.01.2008

Oferta pública de emprego...

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Visão, 03.01.2008

Cada vez me convenço mais de que Santos Ferreira vai perder, para Cadilhe, a corrida para a liderança do BCP e ficar, coitado, no desemprego. Se isso acontecer, não lhe virarei as costas. Conta comigo, pá!...

Um cardápio que honra as melhores tradições gastronómicas do Minho secular...

Mão amiga fez-me chegar o cardápio de Dona Márcia, em Ponte de Lima (na Rua do Rosário). Mesmo sem ter ainda experimentado, partilho-o festivamente convosco...

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Os professores, nas escolas, servirão ainda para alguma coisa?...

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DN, 08.01.2008

Espera-se que o Ministério dito da Educação não resista à tentação de programar também, minuciosamente, as aulas de Matemática. De preferência, semana a semana, dia a dia e tempo lectivo a tempo lectivo. Só os loucos confiariam na autonomia e na competência profissionais dos professores portugueses...

Indiscutivelmente, tratava-se de uma urgência...

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Correio da Manhã, 08.01.2008

Eis mais uma demonstração de inteligência e de civismo. Nem todos os portugueses ignoram para que servem as urgências...

Atiremo-nos à escrita, camaradas!...

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Público, 08.01.2008

100.000 euros por um romance? Literatura à parte, digamos que o estímulo é simpático...

Uma certa pedagogia da morte...

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Correio da Manhã, 08.01.2008

Tempos livres não são tempos... mortos? Não entendo a repugnância dos pais...

Uma sugestão cinematográfica...

Vi esta noite "All the King`s Men" (O Caminho do Poder), de Steven Zaillian. Em tempo de primárias, nos Estados Unidos, vale a pena ver ou rever este filme, magnificamente protagonizado por Sean Penn. Mais corrupção, menos corrupção, mais demagogia, menos demagogia, a política norte-americana é isto. De resto, "All the King`s Men" não inventa quase nada: tudo se passou na realidade. E continua a passar-se.

Tapetes outonais...

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Animalidades...

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Aqui, em Santo António de Mixões da Serra (Vila Verde), até os animais são abençoados e têm direito a liturgia.

Não atire pessoas: pode atingir objectos!...

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Sempre que esbarro com este aviso, tenho vontade de atirar pessoas...

janeiro 07, 2008

Improviso em tons de arco-íris...

A cegueira
não se recomenda às evidências
tenho ângulos
que os olhos distraem
ou o que sobra deles
não há segunda pessoa
para dizer a poesia
e o singular ignora-me
morro devagar nas palavras
que me estrangulam
há viagens em que tropeço
metáforas pantanosas
e perco sempre o pé da alma
no que escrevo.

Ademar
07.01.2008

Um editorial de arromba...

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Público, 07.01.2008

A abertura deste editorial deve ser lida como uma homenagem póstuma a José António Saraiva. Nem o director do Sol seria capaz de escrever estas coisas, sem se rir de si próprio...

A alienação dos alicerces...

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Notícias de Viana, 03.01.2008

É uma pena que estes bispos católicos não dêem conteúdo à sua imensa e abnegada paixão pela família, constituindo uma...

Da banalidade da fé...

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Pública, 06.01.2008

A exposição, patente no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, encerra no próximo domingo. Fátima, não. A banalidade, como a morte, é eterna...

A fotografia errada...

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Tabu, 05.01.2007

Os pais dos miúdos é que deviam estar na fotografia. Eles é que procuram a... glória. Servindo-se dos filhos como isco...
Costumo dizer que esta é versão socialmente tolerada da pedofilia...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

Caranguejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P'ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p'ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!...

Noite sempre p'lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!...
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P'lo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P'ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P'ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá Carneiro

Mário de Sá-Carneiro, Poesias


janeiro 06, 2008

Improviso para contrariar a rotina...

Outros olhos
sobre as palavras
ou sobre os corpos que se oferecem
há mais alguém no quarto
do pensamento
mãos à espera de aventurar
territórios desconhecidos
desiludimos a culpa
abrindo a porta a desertos sempre inexplicáveis
há tanta gente só
que aparece apenas acompanhada do universo.


Ademar
06.01.2008

Como os ricos sofrem!...

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24horas, 05.01.2008

Se tivesse menos 20 anos, exploraria o negócio da educação. É um nicho de mercado que promete sempre...

Pedagogia musculada...

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DN, 04.01.2008

A Simone de Oliveira, apesar dos 70 anos, ainda não lhe pesam as mãos. A vantagem do exercício...

Sugestão de leitura...

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Público, 06.01.2008

Imperdível, a crónica de hoje de João Bénard da Costa, no Público.

Em dia de Reis, uma prenda de aniversário...

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Fui às estantes e retirei este livro para oferecer a Juan Carlos, por ocasião do seu septuagésimo aniversário. Não é só o Expresso que parabeniza o rei de Espanha...

Mário de Sá-Carneiro para Luís Pacheco...

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Mário de Sá-Carneiro, Poesias

Poupai-o às lamechices do costume!...

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Morreu Luiz Pacheco! O libertino não mais passeará por Braga...

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Luís Pacheco, O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Explendor

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Luís Pacheco, Exercícios de Estilo

Aqui jaz Luís Pacheco: um filho da puta que sempre os teve no sítio.
Paz à sua Alma? A paz que se foda!...

Era assim, certamente, que Pacheco gostaria de ser saudado no dia da sua morte...

janeiro 05, 2008

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (72)...

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Há palavras que não valem o que pesam. A palavra "chantagem", por exemplo. Mesmo que arredondada com o adjectivo “emocional”. Numa óptica estreita, tudo é chantagem. A dor confessada ou o medo da morte é chantagem. A saudade dita ou escrita é chantagem. O arquivo da memória. A desilusão. O cansaço. O carinho. A atenção. A própria delicadeza é chantagem. E depois?... De facto, só a indiferença, o autocentrismo, a arrogância não chantageiam. Emocionalmente. Deprimem apenas. Magoam. Diminuem. Distanciam. Há palavras que os amantes jamais deveriam usar. Porque toda a relação amorosa está fundada na... chantagem. Emocional. Implicitamente. Dou-te na expectativa de que me dês. Dás-me por uma razão simétrica. E ambos sabemos isso. Será chantagem?...

Caminhos de pedras...

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Os meus pés não exigem perfeição; pedem apenas consistência.

Difamação por conta das estrelas...

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24horas, 05.01.2008

Fiquei hoje, sagitário, a saber que, entre "o fim de Fevereiro e meados de Março", viverei, amorosamente, um "momento sublime". Infelizmente, será apenas "um momento". Não se pode ter tudo. Fiquei também a saber que, até Junho, terei "felizes encontros e amores que renascerão do nada". Esta sugestão de "renascer do nada" deixa-me, poeticamente, alvoroçado. Em Junho, pelos vistos, os meus "desejos apaixonados serão intensos" e as "manifestações afectivas envolventes" (terei de me pôr a pau). Depois, até finais de Julho, colocarei em acção os meus "dotes de sedução durante uma viagem" e a minha "fama de "quebra-corações" causará estragos" (imagine-se o extraordinário poder da minha "fama"!). Meterei férias em Agosto e em Setembro (para descansar) e retomarei o activo amoroso em Outubro, mas serenamente. E só em Dezembro (sabe-se lá o que acontecerá em Novembro!) "personificarei o amor", superando todos os desafios da maneira mais natural" , com o meu "grande e abençoado optimismo".
O autor desta previsão dá pelo nome (quiçá esotérico) de Miguel de Sousa e, garante o 24horas, "dispensa apresentações". Ele vê tudo nas estrelas, até a minha... devassidão amorosa. Vai levar com um processo em cima, por difamação. Um sagitário é um sagitário
...

Improviso sobre uma imagem para dizer como se morre...

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Morrerei assim num caminho de outonos
desencontrado talvez do olhar e das mãos
que tantas vezes dispensaste
numa íntima surdez de vibrações e folhas silenciadas
há fúrias e lágrimas a que nenhum coração resiste sempre
e a um certo jeito cansado de encolher os ombros
e as palavras na impaciência de todas as culpas
como se a tortura fosse a última higiene da alma
e só o trabalho redimisse as destemperanças do corpo
tomara que soubesses como se morre assim devagar ou depressa
algemado ao silêncio
na outra margem do sofrimento
não há contexto para dizer ambiguamente a claridade dos dias que vencemos
e em nenhuma data deixámos de ser o que éramos
e o que somos.

Ademar
05.01.2008

Improviso em forma de haiku para dizer alguma coisa...

Há dias em que falho à vida
em que atrapalho quase tudo
na sorna do cais.

Ademar
04.01.2008

janeiro 04, 2008

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (71)...

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Sou pobre de segredos. Conto e escrevo quase tudo, só guardo para mim o que ninguém mais quer. Sou pobre e, por isso, estendo a mão de mendigo à cumplicidade. Ele há tantas coisas que eu gostaria de saber e que nunca pergunto. Hesito sempre entre o pudor e o respeito. Os segredos que não partilhas são rastos de circunstâncias anteriores a nós e que, por isso, quase sempre nos estranham. Aprendi a nunca esperar mais do que me dás. Sou um mendigo que a paciência doutorou...

Tão amigos e cúmplices que eles são!!!...

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Público, 04.01.2007

Já percebeu ou precisa ainda de mais explicações?!...

Escrever sobre... sexo?...

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DN, 04.01.2007

"O erotismo em Portugal é piroso e risível"... fulmina hoje, nas centrais, o DN. E, na primeira página, garante que "escrever sobre sexo em português é difícil". Confesso humildemente uma limitação, talvez de género: não sei o que é escrever sobre... sexo... E, a fazer fé no DN, parece que não sou o único...

janeiro 03, 2008

O poema que partilharei amanhã com os meus alunos...

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possiblidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão princípe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó princípes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (70)...

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O pensamento pode viver longe da voz e das palavras, até pode renunciar às armadilhas da comunicação. Mas não há sala do corpo que o pensamento não habite. Não há janela, nem porta que não se lhe abra. O pensamento não reconhece fronteiras, nem pudores. O pensamento persegue sempre a vertigem do sonho, da fantasia. Lá, onde as tuas formas parecem ainda mais perfeitas e não têm horas. Onde nenhum silêncio pragueja incomodidades. Tudo seria mais simples se o pensamento não tivesse de sair à rua e namorasse sombras apenas. Se não se impusesse o absurdo aconchego dos teus desabraços. Tudo seria mais simples se cantasses e não te deixasses converter numa espécie de semeadora de segredos quase imperscrutáveis. Digo que o pensamento não pede certezas à distância, mas apenas luzes. As luzes, precisamente, que não lhe pertencem e que, por isso mesmo, o iluminam...

Improviso para adiar uma conversa...

Conta-me um segredo
e só o recontarei a mim próprio
tenho fome de uma sabedoria
que me entenda e amplie
nos teus braços.

Ademar
03.01.2008

Fumar em casa é proibido?...

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Não sei quem foram, exactamente, os abencerragens que redigiram a chamada Lei do Tabaco (Lei nº37/2007, de 14 de Agosto). Sei, apenas, que o diploma, tecnicamente, é uma peça que envergonharia qualquer legislador. O artigo 4º, por exemplo, que reproduzo acima parcialmente - deixei de fora as alíneas aa) e ab) e o nº2 -, é um chorrilho de incongruências e vacuidades. Tantas e tão poucas que, de acordo com a lei, fumar em casa, por exemplo, pode também ser proibido...
O leitor ou a leitora estará, provavelmente, nesta altura, a pensar que brinco ou exagero. Infelizmente, não. Repare. É proibido fumar nos "locais de trabalho". Para efeitos de aplicação da lei, o que deverá entender-se por "local de trabalho"? O artigo 2º, alínea g), explica: "local de trabalho" é "todo o lugar onde o trabalhador se encontra e em que esteja, directa ou indirectamente, sujeito ao controlo do empregador". Se o leitor ou a leitora tem em casa, por exemplo, uma empregada doméstica ou um cozinheiro... nem em casa poderá fumar: a lei não permite. Ridículo? Veja a lei e tente descobrir uma escapatória. Eu não encontrei...
Os deputados que redigiram esta lei, os fumadores e os outros, não regulam bem da cabeça ou não passam de aprendizes de feiticeiro...

Declaração de interesses: sou fumador, mas, no essencial, concordo com os objectivos da lei.


Mostruários ou monstruários?...

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Público, 29.12.2007

Eu também acho. Blogues, televisões, jornais, rádios, escolas de todos os graus, partidos políticos, igrejas ou seitas, etc e tal : tudo o que diz ou cheira a Portugal é "mostruário da nossa pobreza". E também, em alguns casos, da nossa "riqueza". Não dou, facilmente, para o peditório do miserabilismo. Portugal é, em muitos aspectos, um país extraordinário, por mais a preto e branco que o fotografemos...

Para todas as mulheres que se acham feias...

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Adília Lopes, Quem Quer Casar com a Poetisa?

janeiro 02, 2008

Improviso quase bíblico...

Procuro na toalha um segredo
com o nome e a forma exacta do teu corpo
e recolho o cheiro dos lençóis
para que não se perca vestígio algum
há toalhas e lençóis que têm o dom da história
emprestam eternidade a qualquer narrativa.

Ademar
02.01.2008

Uma no cravo, outra na ferradura... por esta ordem ou pela contrária...

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JN, 02.01.2008

As mensagens de Ano Novo do Presidente da República são como os concertos de Ano Novo da Filarmónica de Viena: mais polka, menos polka, mais valsa, menos valsa, mais marcha, menos marcha, o programa raramente varia e agrada sempre a todos e a ninguém...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (69)...

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As rabanadas eram apenas quatro e o bolo-rei, com fava ou sem ela, está quase no fim. Não sei bem se agradeça à D.Laura ou à D.Júlia a memória dos sabores e a recompensa das iguarias. Talvez deva antes agradecer à sempre furtiva mensageira do tempo infinitamente breve. Por um colo, os gatos trocam quase tudo, até vidas. Por um altar, trocas de mãos e de pudores. Até talvez de amigos. Mas ninguém te penetra tão profundamente como quem bebe da fonte dos teus silêncios e das tuas raivas. E nunca se defende da força traiçoeira, quase assassina, dos teus dentes. Não importa que viajes a solidão noutros corpos. E o prazer que fulmina. Há feitiços que engravidam o pensamento, feitiços de que só o diabo conhece a receita. E a fórmula libertadora. Quantas vezes, diz-me, tentaste já, em vão, libertar-te, arriscando o antídoto de outros feitiços? O pensamento amoroso é uma cela, de que poucos fogem em segredo. Por mais que ouses o anonimato e a máscara, há sombras que sempre te perseguem e denunciam: gestos muito simples, perguntas ocasionais, olhares e movimentos cúmplices que ressoam, solenemente, uma ternura guardada a sete ou mais chaves no baú da alma. Podes acreditar: há feitiços que engravidam mesmo....

De certeza que não era mais uma piada?!...

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24horas, 02.01.2007

Uma machete pirocténica...

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Correio da Manhã, 02.01.2008

Se fosse realmente assim, seria verdadeiramente estúpido. Mas não é... não poderia ser. O Correio da Manhã tresleu o sentido das orientações ministeriais nesta matéria, para inventar, simplesmente, uma manchete incendiária. Ano novo... vida velha...

Declaração de interesses: sou ateu e laico e não morro de amores pelo governo. Mas tenho de admitir, para ser ou parecer imparcial, que há idiotices que nem a actual equipa ministerial da educação ousaria patrocinar...

A mistificação estatística...

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Notícias Magazine, 30.12.2007

Há quem brinque com as estatísticas e com a ignorância dos que, nada ou pouco sabendo, acreditam em tudo. Ao denunciar esta mistificação, António Nóvoa poderá, tão cedo, não chegar a ministro, mas presta um inestimável serviço ao país - pelo menos, à parte do país que ainda não rasteja...

Uma porta com água dentro...

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Não digo a que cidade pertence esta porta. Há cidades que só poderão existir na imaginação dos leitores deste blogue...

Uma cascata...

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Nunca fixei o nome desta cascata. Nem sei se terá sido baptizada. Mas sei que a tenho sempre nos olhos. Desde a primeira vez que a vi. Uma cascata: uma metáfora...

janeiro 01, 2008

Um verdadeiro Mestre (com maiúscula)...

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Notícias Magazine, 30.12.2007

Há poucas pessoas, em Portugal, a pensarem bem os problemas da educação e do ensino. António Nóvoa* é uma delas. Tudo o que ele diz e escreve reflecte inteligência, estudo, sensibilidade e conhecimento. Distintamente dos gabirus que tanto gostam de arrotar postas de pescada sobre o que não entendem, Nóvoa convida sempre, serenamente, à reflexão e não ao panfletarismo de ocasião. E foi preciso que chegasse a reitor da Universidade de Lisboa para que, finalmente, o país "iletrado" começasse a lê-lo e a ouvi-lo. Espero que aproveite alguma coisa...

* Declaração de interesses: conheço o António Nóvoa desde a juventude e somos amigos. Penso que ainda não é crime...

Improviso para acertar a bússola...

Nos olhos ainda o rasto do teu preto mais íntimo
e o vento no lugar das mãos
e viajo agora contigo
para que a noite encaminhe os teus passos
e uma luz nos proteja
e assim te devolvo ao silêncio
mais antigo de todos
o da nossa infinita perplexidade.

Ademar
01.01.2008

Confesso: eu também já fui fantasma...

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Tabu, 29.12.2007

Eu, no lugar de certos escritores, certos cientistas, certos académicos... também recorreria aos serviços de um fantasma. Há gente com nome na praça que pensa e escreve muito mal...

Alguém, no gabinete de Sócrates, precisa de uma "nova oportunidade"...

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24horas, 31.12.2007

Rigor e exigência, exigência e rigor, blablablá...
Importa-se de repetir?!...