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dezembro 31, 2007

Caricatura de democracia muçulmana...

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Público, 31.12.2007

Caricatura de poder local...

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JN, 31.12.2007

Este voto pio de protesto ou repúdio é a democracia local no seu máximo esplendor. Provavelmente, até os agressores votaram a favor...

Ano novo... as trapalhadas de sempre...

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JN, 31.12.2007

Quem acender um cigarro 30 segundos antes da meia-noite poderá fumá-lo até ao fim sem correr o risco de ser multado? À cautela, o melhor é não sair hoje de casa...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (68)...

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Há um jogo íntimo, permanente, entre o que se espera e o que se deseja. Um jogo que, por vezes, mais parece um confronto em que perdemos sempre ou raramente ganhamos. Desejamos muito mais do que esperamos e esperamos, frequentemente, não sabemos bem o quê. E na fronteira entre uma coisa e outra, a consciência é um ponto de interrogação, seguido de muitas reticências. Não se trata de um jogo entre o possível e o impossível. Não raro, o que esperamos é tão possível ou impossível como o que desejamos. A diferença não está nos outros, mas quase sempre em nós, nessa espécie de desequilíbrio interior que nos impele a querer mais ou menos do que estaria ao nosso alcance. Porque a expectativa e o desejo fazem parte de nós, nasceram do mesmo embrião. Tanto, que raramente somos capazes de os distinguir...

Já fomos imbatíveis no manguito...

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Pública, 30.12.2007

Deixámos de ser...

Palavras com efeito...

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Público, 31.12.2007

O Público diverte-se hoje, no 2º caderno, a inventariar, num português manhoso e obeso, as grandezas e as misérias de Portugal e dos portugueses. É um exercício cabotino, que produz sempre, como o néon dos lupanares, muito efeito. Fiquei a saber, por exemplo, "que somos pró-activos" (em vez de proactivos) e também "que somos dos trabalhadores que mais faltamos na Europa". Nos tempos que vão correndo, o uso da língua portuguesa, por parte do Público, não se recomenda pelo escrúpulo da gramática...

"Um país geralmente corrompido"...

Em finais de 1871, Eça fazia com que o Ano Novo e Ano Velho se encontrassem algures em Portugal, "nessa misteriosa estrada por onde caminham os dias e os anos". E imaginou, para as Farpas, o diálogo que eles teriam mantido sobre o país que acolhia um e despedia outro. O diálogo terminava assim...

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dezembro 30, 2007

A aldrabice na primeira página...

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24horas, 29.12.2007

Nas interiores, uma fonte da PJ garante que se trata de uma "manobra de diversão" e que este inglês não é... suspeito. Na primeira página, o 24horas garante o contrário. A aldrabice, em Portugal, vende-se sempre melhor...

Por estas e por outras é que SIC está no estado em que está!...

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24horas, 29.12.2007

Seria difícil imaginar uma opção mais rasca. Tirando os masoquistas, quem desejará entrar em 2008 a cavalo no pesadelo?...

Eu também fechava, pelo menos, metade do país...

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Sol, 29.12.2007

Depois de ler isto, acho que me vou oferecer à ASAE...

Diz-me, espelho meu, quem é menos remodelável do que eu?!...

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JN, 30.12.2007

Por razões bairristas (e não só), eu não devia escrever e publicar isto. Isabel Pires de Lima nasceu na mesma cidade e no mesmo ano em que eu nasci. E só não fomos colegas de liceu porque Salazar não deixou. Mas esta declaração da Ministra da Cultura ao JN é... patética. Num país de analfabetos, ela acha-se uma governante muito... popular. É caso para dizer: ó Sócrates, despacha lá depressa essa remodelação!...

Saia uma remodelação para a mesa do Sol!...

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Sol, 29.12.2007

Esgotada a presidência rotativa da União Europeia, começou a caça à remodelação. Faites vos jeux!...

De regresso...

Quase dois dias depois, o weblog ressuscitou. Espero que não volte a morrer tão cedo...

dezembro 28, 2007

FNAC: Fraude No Atendimento Comercial...

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Comercialmente falando, a FNAC é um desastre, uma fraude. Já não discuto os preços, nem a competência dos miúdos e das miúdas que assistem, como podem e sabem, à clientela. Discuto sobretudo a organização e a falta de respeito que ela evidencia pelos clientes. Em Braga, num mês, já me aconteceu o seguinte: ter de esperar quase uma hora pela troca de um vídeo defeituoso; pagar em dobrado o valor de um cd e ter de esperar ainda mais 15 minutos pela reposição do dinheiro pago em excesso (e isto porque tive o cuidado de conferir a factura). No dia em que tiver concorrência à altura, a FNAC desaparece num ápice...

Improviso para dizer a sabedoria...

Antes das palavras o silêncio
e depois também
nunca esperei menos
nunca espero mais
há uma sabedoria que não se aprende nos livros
e nenhuma escola ensina
sabedoria
que tu converteste numa espécie de arte
a arte do recolhimento.

Ademar
28.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (67)...

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Tentas manipular, numa espécie de tela, as coordenadas do sonho. Não todas, mas as suficientes para não perderes completamente o controlo dos pesadelos. Esse inconsciente em que te alagas e em que te sentes, tantas vezes, afogar. Levantas diques para conter a água, mas nenhum resiste à violência das ondas. Há pensamentos e sentimentos que estremecem e embaraçam, apenas porque não os partilhas com ninguém. Os diques rebentam sempre por falta de argamassa, digo, de resistência interior. Acumulaste tanta energia de autodestruição, tanta descrença, tanta mágoa, que já não consegues equilibrar-te no fio da navalha da consciência. Todos os muros te parecem intransponíveis. Não há margem em que descanses, não há travesseiro em que repouses. Esperas sempre menos de tudo e a única segurança que te permites é a segurança da fuga, quando te sentes encurralada. Nenhum alicerce se mantém de pé nesse pântano de incertezas. Nenhuma verdade que te amplie. Todos os sonhos têm uma rota circular sobre um ponto que fixaste no horizonte. Um horizonte que nunca fará parte do que tu és...

A transferência mais indecorosa da época...

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JN, 28.12.2007

Num país decente, isto seria, simplesmente, crime. Na gestão do BCP, Santos Ferreira vai usar toda a informação privilegiada que acumulou, durante anos, à frente da Caixa Geral de Depósitos. Pode ser legal, mas é indecente. E quem aceita fazê-lo, tem uma noção de ética muito... complacente. Como certos hímens que nunca rompem...

Pidá: a nova paixão editorial do 24horas...

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24horas, 08.12.2007

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24horas, 19.12.2007

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24horas, 20.12.2007

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24horas, 27.12.2007

Em pouco mais de duas semanas, o 24horas dedicou, pelo menos, quatro manchetes (estas) a Pidá, um dos heróis da noite do Porto, actualmente detido. Não se tratará, propriamente, de uma fixação editorial, mas da procura desesperada de uma alternativa vendável a Maddie e a Esmeralda... Veremos se Pidá renderá, proximamente, mais manchetes...

Entre toda a luz e algumas sombras...

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No lugar das pedras está agora uma ponte. Já não é mais necessário arriscar o equilíbrio dos pés para seguir em frente. Dizes que devia ser difícil: podes crer que não era. Bastava ter olhos nos pés e controlar a ansiedade. Sim, eu sei que nem sempre se consegue, sobretudo, quando o caminho promete surpresas e aventuras. Mas há riscos e paciências que valem a pena. A lentidão não é inimiga da vida. Quem não saboreia, digere mal. Tu já aprendeste o valor da paciência e da teimosia e nunca é tarde para aprender o que mais importa. Há sempre uma ponte possível no lugar das pedras...

Os grandes títulos de um diário de referência...

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Público, 28.12.2007

Confesso que, ao passear distraidamente os olhos pelo título desta notícia, senti inveja das mulheres, quase raiva. Então os homens morrem mais? Há mulheres (essas desavergonhadas!) que não morrem? Relembrei por instantes a narrativa do Génesis e senti-me enganado, traído. Recuperei, porém, rapidamente, o humor quando observei que a jornalista do Público titulara "porque" em vez de "por que" e escrevera "prespectiva". Só pode mesmo tratar-se de uma... estagiária...

Eu tive a honra de conhecer e de ser amigo deste HOMEM!...

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Público, 27.12.2007

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Poucas pessoas admirei tanto em vida (e continuarei a admirar) como o Engenheiro José Joaquim Moreira da Silva. Era um sábio da natureza e um homem verdadeiramente superior, de uma linhagem cada vez mais rara em Portugal. Tive a honra de o conhecer e de privar com ele. Devo-lhe lições que jamais esquecerei. E sorrisos e abraços e estímulos dos mais acariciantes. Sempre que morre um amigo, sinto que morro um pouco mais com ele. Compreendereis como me sinto agora...

dezembro 27, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (66)...

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Nenhum sonho significa aquilo que parece. O gato que não derramou uma lágrima pela morte de Buda talvez tenha sido mais sábio do que o rebanho que o chorou. O gato, claro, é um símbolo. Entre o dia e a noite, está quase sempre no lugar da atenção (mais ou menos subserviente) ou da traição (mais ou menos dissimulada). Quando degolas um gato, talvez estejas apenas a matar o significado que nele, mais instantemente, te angustia. Mas sobram, claro, outros entendimentos, menos esquemáticos. O número de cabeças degoladas pode não ser um dado despiciendo. Como a identidade ou a própria visibilidade do carrasco. E as características dos animais sacrificados (tamanho, cor, raça) podem sugerir entendimentos ainda mais complexos. Ele há também gatos que rastreiam a própria noção de abandono. Ou de desconfiança. E a crueldade onírica teria, aqui, já todo um outro sentido. Seja como for, há sempre indícios de renascimento na aproximação ao simbolismo da morte. Nenhum gato morre em vão nos teus pesadelos, ainda que ninguém, nem mesmo tu, tenha a chave da compreensão do sacrifício. Sobra apenas esse colo, em que deitas todos os gatos. E em que te deitas, ronronando sempre...

Improviso para beber-te...

Ninguém reclama tanto das palavras
e nenhuma posição faz justiça à intensidade do teu corpo
e à leveza
há uma perfeição antiga no silêncio em que te escondes
um recato que acolhe uma profusão de mistérios
o mais original e impartilhável dos teus segredos
que continuo à espera que derrames nos meus lábios.

Ademar
27.12.2007

Uma questão de ética profissional...

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24horas, 27.12.2007

Um padre não partilha com a polícia segredos de confessionário... Nem em cuecas...


Cuecas a prestações...

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O Brasil é um país espantoso! Acabo de receber por mail um promocional da Casa das Cuecas, algures em S.Paulo, que vende slips em 3 prestações, sem juros. Se duvidais, espreitai aqui.

"O Portugal de hoje"...

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DN, 27.12.2007

Para o DN, Call Girl é o grande retrato do Portugal de hoje: prostitutas (de luxo), autarcas-modelo (não se sabe bem de quê)) e muita, muita corrupção. Como diria Jorge Coelho no Quadratura do Círculo, o DN tem muita fraca memória: Portugal é assim há muitos anos...

O original e a cópia...

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Sábado, 27.12.2007

Há uma verdade sobre as" call girls" que a Sábado, a reboque do novo filme de António-Pedro Vasconcelos, descobriu e revela. Não se sabe que verdade seja, mas, ainda assim, é uma verdade (pelo menos, para a Sábado). Uma verdade que o filme, naturalmente, não conta. Mas uma coisa salta à vista: a Elisabeth da capa da Sábado parece uma cópia da personagem interpretada, no filme, por Soraia Chaves. Ou terá sido o contrário?...

Benazir Bhutto (1953-2007)...

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Com 35 anos, no rasto de um pai (o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto) condenado à morte e executado, foi a primeira mulher num estado muçulmano a ascender à chefia de um governo. Na mesma altura, era tida (designadamente, pela People Weekly) como uma das mulheres mais bonitas do planeta. Morreu hoje, em Rawalpindi, vítima de um ataque suicida. Há muito que penso que o maior perigo de uma guerra nuclear está no Paquistão. Hoje, foi ateado apenas mais um rastilho...

Another "special one"!...

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Público, 26.12.2008

Parece que faz sempre questão de se comportar como um adolescente, mas.. é esperto, muito esperto. Aprendeu com José Mourinho. Ele é sempre a notícia, a França é ele. E enquanto o pau vai e vem (em sentido figurado, naturalmente), folgam as costas. E, por cima (ou por baixo)... ainda se diverte. Que ninguém mais se atreva a dizer que a direita francesa é a mais estúpida da Europa...

Absolutamente de acordo!...

Subscrevo inteiramente esta observação de Vital Moreira.

Preocupe-se mais com o rebanho, homem, e deixe os ateus em paz!...

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24horas, 27.12.2007

O pândego do hissope elegeu como "o maior drama da humanidade" o afastamento, o esquecimento ou a negação de deus. No natal, fala sempre mais alto e mais grosso o instinto comercial. Grande humanista, este Policarpo!...


Ai, five!...

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24horas, 26.12.2007

Repercussões do "plano tecnológico"? É mesmo caso para dizer: "Portugal sempre a inovar"...

Currículo de Maldonado Gonelha, muito provavelmente, o próximo presidente da Caixa Geral de Depósitos...

Armando Vara e Maldonado Gonelha, soaristas ilustríssimos, nunca foram homens propriamente de causas, mas de tachos e muitos. Repare-se no currículo do novo presidente da CGD (disponível, hélas, no site da Fundação Mário Soares)...

António Manuel Maldonado Gonelha nasceu em Lisboa, a 9 de Junho de 1935. Possui o 4.º Ano de Matemáticas Superiores da Faculdade de Ciências.
Foi administrador da Petrogal, administrador da Quimigal, administrador da Covina e presidente do Conselho de Administração da Forum-Atlântico, empresa do Grupo Quimigal.
Pertence aos quadros da EDP – oriundo da CPE, nela fusionada – desde 1955, onde foi chefe de serviços, sub-director e director, sendo neste momento assessor do Conselho de Administração.
É neste momento, administrador do Montepio Geral, vice-presidente do Conselho de Administração da Lusitânia–Companhia de Seguros e Lusitânia-Vida, presidente do Conselho de Administração da Leacock e presidente da União das Mutualidades.
Foi presidente da Direcção e da Assembleia da Comissão Portuguesa do Atlântico Norte, é membro do Forum Europeu Alpback, vice-presidente da Assembleia Geral do Movimento Europeu e presidente da Direcção do CEEPS (Centro de Estudos de Economia Pública e Social).
Depois do 25 de Abril de 1974 e durante o período dos Governos Provisórios foi adjunto do Ministro dos Transportes e Comunicações e do Ministro da Indústria; Subsecretário de Estado do Trabalho; Secretário de Estado do Trabalho; Ministro do Trabalho dos I e II Governos Constitucionais e Ministro da Saúde do IX Governo Constitucional. Foi deputado à Assembleia da República de 1976 a 1987 e presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, após as primeiras eleições autárquicas.

Improviso para parecer de bússola...

Sobram sempre apenas cenários
casas incompletas
silêncios de portas e janelas que já não abrem nem fecham
há nomes de pedras sobre o lodo
que não decifro
e vestigios de rituais que dizes satânicos
talvez nenhum tronco renasça das águas
como o primeiro
na memória dos caminhos que agora se perdem na indiferença de quase tudo o que já foi
há perguntas a que nunca respondes
mistérios que sobram sempre para nós.

Ademar
26.12.2007

dezembro 26, 2007

Subversões do diabo...

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JN, 26.12.2007

Terá ficado mesmo em cuecas, atado a uma árvore? Não terá sido antes a uma cruz? Cheira-me, com franqueza, a transgressão simbólica...

A Rui o que é de Rui, a cama... a Camacho...

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24horas, 22.12.2007

Há balneários que falam muito e depressa...

Saudades de Macau...

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Pátria amada...

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Ministério da Educação Nacional, O Livro da Primeira Classe

Ai, que ele ainda nos morre nos braços tão feliz!...

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Público, 12.03.2006

dezembro 25, 2007

Improviso sobre a água...

Talvez um dia as palavras se esgotem
de tanto serem usadas em vão
ou talvez um dia deixes de respirar ao contrário
como se apenas vivesses para dentro
nenhuma sombra pode mais
do que a luz que a projecta.

Ademar
25.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (65)...

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Podia ser, simplesmente, uma metáfora, como tantas outras: e então quebraste as algemas, um par de algemas. Um princípio talvez de narrativa ou a história contada de trás para a frente. Um par, eu sei, não esgota a espécie, mas o gesto, no plano simbólico, diz quase tudo. Até a coincidência do reencontro antes com uma noite que já parecia impossível. Não importa a ordem por que tudo aconteceu. Não importa sequer que tenha acontecido assim. Conta o efeito, a consequência das algemas quebradas. Um resultado certamente não desejado. Mas tão real como a noite e quase tão absurdo como a consciência que decreta sempre o erro do passo seguinte. Há silogismos cuja lógica a vida não reconhece. Quem diria que serias capaz de quebrar um par de algemas? Ou: quem diria que serias capaz, no natal, de te esconder numa caixa de bolachas de manteiga? Nenhum simbolismo, montanha de metáforas, te poderá ignorar...

Portugal?!...

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Sol, 24.12.2007

De vez em quando, até consigo concordar com José António Saraiva ou ele, comigo. Uma campanha publicitária idiota (a que já me referira aqui) pôs-nos de acordo...

Por conta de um deus qualquer...

Viver por conta de um deus qualquer é (será sempre) uma excelente profissão. Que o digam Ratzinger e Rowan Williams, aqui reunidos em Roma para que alguém os leve a sério...

Dia de Natal... Christmas Day...

The Pogues and Kirsty MacColl - Fairytale of New York.

Um dom do diabo...

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JN, 24.12.2007

Ou... talvez a vida seja ainda muito mais divertida para os machos, pelas razões que todos sabemos...

Salto à Vara...

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Público, 24.12.2007

Armando Vara é a mais cabal demonstração de que subir na vida não custa; o que custa mesmo é não perder a noção do limite...

Quem não pagaria?!...

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Correio da Manhã, 24.12.2007

Os ministros, provavelmente, até agradeceriam que Sócrates estivesse sempre em viagem e, desejavelmente, em férias. Patrão fora... remodelação adiada...
O país, neste particular, está absolutamente solidário com os ministros e até contribuiria, se lhe pedissem, para a "vaquinha"...
Ainda que por razões, certamente, menos altruístas...

Um "pedaço de viga" como relíquia...

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Correio da Manhã, 24.12.2007

Qualquer coisa serve para relíquia. A santidade não olha a materiais. Nem a disciplina à forma do cavalo-marinho...


A espantosa vitalidade do Porto...

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Correio da Manhã, 24.12.2007

Clemente bem pode agradecer ao Pai a bênção pastoral: o Porto, nos últimos tempos, tem estado de facto muito animado. Serão já efeitos do seu (dele) magistério?...

E o senhor disse: fode, engravida e faz-te mulher!...

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Correio da Manhã, 24.12.2007

"Toda a mulher é mãe, mesmo que não gere filhos"...
"Cada vida gerada é obra de Deus"...
A mensagem implícita de Policarpo, o hissopista-mor, não podia ser mais clara: que nenhum esperma se desperdice em agendas contranatura...
Fala quem sabe...

dezembro 24, 2007

Improviso para dizer como bebes...

O liquido acaricia apenas os lábios
as mãos suspendem o gesto
no copo que a lingua trava
não é assim distinto no mais
nenhuma ausência com código que não domines
nenhum verbo que não conjuges no condicional e no singular
a vida em ti sofre de espasmos
há um intervalo entre o que pensas e o que desejas
um intervalo em que não cabe ninguém
senão um deserto de sombras
tenho tantas palavras de vantagem sobre ti
tantos anos tantas certezas
e tão pouco destino
o pensamento fechado numa cela
e as chaves fora.

Ademar
24.12.2007

Uma espécie talvez de demência...

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Público, 24.12.2007

83 prendas no natal! Há aqui, para mim, um princípio de demência. Ou de infantilismo...

Poder sobrenatural!...

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Ilustração Portugueza, 31.10.1910

Postal de natal para monárquicos...

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Ilustração Portugueza, 22.09.1913

Postal de natal para republicanos...

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Ilustração Portugueza, 25.11.1912

Postal de natal para chapeleiros...

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Ilustração Portugueza, 15.04.1912

Postal de natal para esteticistas...

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Ilustração Portugueza, 23.09.1912

Postal de natal para farsantes...

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Ilustração Portugueza, 22.03.1909

Postal de natal para pedófilos...

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Ilustração Portugueza, 19.01.1920

Postal de natal para belicistas...

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Ilustração Portugueza, 15.03.1915

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (64)...

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Arrumas o quarto, a casa, como quem arruma ou desarruma a vida, entre segredos (dúvidas e angústias) impartilháveis. A casa que não te pertence, o quarto. Talvez a própria vida. E é natal. Hoje não chove lá fora. Talvez nem chova cá dentro. Hoje ninguém sofre a tua ausência, porque é natal. Hoje nem precisas de sentir saudades do que te espera. Não terás tempo sequer para escutar os rumores da consciência. Se espreitares a lua, saberás apenas de quem te pensa. Responderás, circunstancialmente, a mensagens de circunstância. Adiantarás por uma semana o calendário e até trocarás os votos, desejando desde já um “bom ano” a todos. Poucos se atreverão a ligar-te, porque é natal e hoje não estás de serviço à humanidade, nem à montanha. Talvez mais tarde procures a poesia de todas as noites e te perguntes discretamente como poderias viver sem ela. Talvez mais tarde não saibas o que fazer às mãos. Talvez mais tarde voltes a ouvir Rodrigo Leão e a conviver com a literatura do íntimo sofrimento dos artistas. Nenhum natal jamais foi igual a este. Nenhum natal jamais será. As palavras mudam tudo e fazem toda a diferença. Todos os ecos que nos preenchem. E projectam. Ainda sei escrever (imagina): feliz natal! Poderá ser apenas uma fórmula. mas há dias em que o adjectivo nos pertence. Mais do que o quarto. Muito mais do que a casa ou a própria vida...

O fado à portuguesa: mulheres e cavalos...

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Tabu, 22.12.2007

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Tabu, 22.12.2007

Eles e elas, mediaticamente embriagados, contam tudo. Margarida vai ainda mais longe no frenesim confessional e fala da sua primeira vez com o garanhão: "estava em fase de cobrição, mas consegui aguentar-me". Só não se percebe muito bem quem estava em fase de cobrição. E quem se deixou cobrir ou montou...

dezembro 23, 2007

Suave milagre ou... uma conversão mais a crédito dos pastorinhos de Fátima...

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Público, 23.12.2007

Blair rendido a Ratzinger ou Ratzinger rendido a Blair? É difícil, neste entremez de farsantes, descortinar quem fica mais patético na fotografia...

Um natal, politicamente, bem bebido...

Ouvi há pouco um tal Luís Filipe Menezes exigir que a presidência da Caixa Geral de Depósitos, em nome, presumo, do sacro princípio da rotatividade dos tachos, seja entregue a um militante do PSD. Não há, nestas coisas, como a franqueza. Menezes é uma anedota...

Improviso para sumariar o embaraço...

Deixas sempre a meio a frase e a mão
deixas sempre a meio a vida
tropeças sempre numa consciência
que não te pertence.

Ademar
23.12.2007

dezembro 22, 2007

Uma manchete que errou a primeira página...

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Sol, 22.12.2007

O 24horas não desdenharia esta manchete. Que o depoimento recolhido por Felícia Cabrita seja impressionante, não duvido (nem sei se terei paciência para o ler) . Só não percebo onde está o ineditismo do caso...


Poderoso...

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Tabu, 22.12.2007

Poderoso no palco... e onde mais? Na cama? No camarim? Na cozinha? No confessionário? Na sacristia? Diante do espelho? Diante do altar? O poder e o prazer, na encruzilhada da intimidade de quem vive do aplauso, do reconhecimento dos outros. Infante, provavelmente, já terá descoberto: não há palco sem alçapões...

Mas alguém ainda acredita no missionarismo desta gente?!...

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Público, 22.12.2007

Nem seria preciso que nos dissessem: a gente já sabia...

E a ele... quem o desmantela?...

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Expresso, 22.12.2007

Menezes é um pândego. E, pelos vistos, leva-se a sério. É desta massa que se fazem, à esquerda e à direita, os Chávez deste mundo. Felizmente, não estamos na América Latina...

Mas quem é que tinha confiança nesta gente?!...

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Expresso, 22.12.2007

Os bancos e o Opus Dei são, desde a origem, "instituições" muito pouco respeitáveis. Que se poderia esperar de um banco administrado por criaturas do Opus Dei?...

Um cabotino que passa por humorista...

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Sábado, 20.12.2007

Nunca consegui sequer sorrir com os rabiscos e as piadas deste rapaz, que se acha sempre muito esperto e engraçado. Se tivesse de eleger as fraudes mediáticas deste país, este Markl receberia seguramente um dos primeiros prémios. Os textinhos "poéticos" que ele escreveu para a Sábado (e que reproduzo em baixo, para que ninguém pense que exagero)... eu nem os aceitaria aos meus alunos. Mas a Sábado encomendou-lhe e pagou-lhe esta merda (perdoai o plebeísmo!). Os leitores, em Portugal, são mesmo muito estúpidos e merecem tudo!...

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Sábado, 20.12.2007

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Sábado, 20.12.2007

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Sábado, 20.12.2007

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Sábado, 20.12.2007

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Sábado, 20.12.2007

Martírio ou milagre: escolha você mesmo o caminho para a santidade...

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Sábado, 20.12.2007

É o português mais poderoso da actualidade, pelo menos, o único que reúne habitualmente com deus. Pelo menos, tem aspecto de quem está convencido disso...


Dear Hunter...

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Visão, 20.12.2007

Um cossaco é sempre um cossaco...

"The West Coast of Europe" ou... o eterno Portugal dos pequeninos...

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Visão, 20.12.2007

Esta campanha publicitária é feia, tacanha e sumamente provinciana. Olho para os cartazes e para os anúncios e fico, patrioticamente, deprimido...

dezembro 21, 2007

Si non è vero è ben trovato...

Não sei se estes "avisos paroquiais", atribuídos a uma paróquia que não importa aqui identificar, são verdadeiros ou simplesmente inventados. Seja como for, têm muita piada. Parabéns ao seu autor (voluntário ou involuntário)!...

PARA TODOS OS QUE TENHAM FILHOS E NÃO O SAIBAM, TEMOS NA PARÓQUIA UMA ÁREA ESPECIAL PARA CRIANÇAS.

QUINTA-FEIRA QUE VEM, ÀS CINCO DA TARDE, HAVERÁ UMA REUNIÃO DO GRUPO DE MÃES. TODAS AS SENHORAS QUE DESEJEM FORMAR PARTE DAS MÃES, DEVEM DIRIGIR-SE AO ESCRITÓRIO DO PÁROCO.

AS REUNIÕES DO GRUPO DE RECUPERAÇÃO DA AUTOCONFIANÇA SÃO NAS SEXTAS-FEIRAS, ÀS OITO DA NOITE. POR FAVOR, ENTREM PELA PORTA TRASEIRA.

NA SEXTA-FEIRA ÀS SETE, OS MENINOS DO ORATÓRIO FARÃO UMA REPRESENTAÇÃO DA OBRA "HAMLET" DE SHAKESPEARE, NO SALÃO DA IGREJA. TODA A COMUNIDADE ESTÁ CONVIDADA PARA TOMAR PARTE NESTA TRAGÉDIA.

PREZADAS SENHORAS, NÃO ESQUEÇAM A PRÓXIMA VENDA PARA BENEFICÊNCIA. É UMA BOA OCASIÃO PARA SE LIVRAREM DAS COISAS INÚTEIS QUE HÁ NAS SUAS CASAS. TRAGAM OS SEUS MARIDOS!

ASSUNTO DA CATEQUESE DE HOJE: "JESUS CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS". ASSUNTO DA CATEQUESE DE AMANHÃ: "EM BUSCA DE JESUS".

O CORO DOS MAIORES DE SESSENTA ANOS VAI SER SUSPENSO DURANTE O VERÃO, COM O AGRADECIMENTO DE TODA A PARÓQUIA.

LEMBREM NAS SUAS ORAÇÕES TODOS OS DESESPERADOS E CANSADOS DA NOSSA PARÓQUIA.

O MÊS DE NOVEMBRO FINALIZARÁ COM UMA MISSA CANTADA POR TODOS OS DEFUNTOS DA PARÓQUIA.

O TORNEIO DE "BASQUET" DAS PARÓQUIAS VAI CONTINUAR COM O JOGO DA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA. VENHAM APLAUDIR, VAMOS TENTAR DERROTAR O CRISTO REI!

O PREÇO DO CURSO SOBRE "ORAÇÃO E JEJUM" INCLUI AS COMIDAS.

POR FAVOR, COLOQUEM AS VOSSAS ESMOLAS NO ENVELOPE, JUNTO COM OS DEFUNTOS QUE DESEJEM QUE SEJAM LEMBRADOS.

NA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA À NOITE HAVERÁ UMA FEIJOADA NO SALÃO PAROQUIAL. A SEGUIR, TERÁ LUGAR UM CONCERTO.

LEMBREM-SE QUE QUINTA-FEIRA COMEÇARÁ A CATEQUESE PARA MENINOS E MENINAS DE AMBOS OS SEXOS.

Improviso para pedir o natal...

Se me deixasses repousar a cabeça na tua fúria
talvez adormecesses
não te peço uma gravidez de melancias
nem o sangue perfeito de um olhar iluminado
contento-me com o trivial
tudo o que já foste capaz de me dar.

Ademar
21.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (63)...

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O mesmo copo, quase sempre o mesmo copo. A mesma garrafa, esquecida e abandonada quase sempre no mesmo palco da cozinha. Há uma rotina indissolúvel nos teus gestos que conheço e percebo bem. À esquerda do portão principal, quase sempre à mesma distância: sei onde estacionas o carro. O mesmo pudor das mãos e a imposição do abraço que sempre fraqueja. Nenhuma agenda imprevisível, o trabalho recorrente, o isolamento, a ausência que parece sempre irreparável. Nenhum compromisso, nenhuma resposta. O mesmo lugar na cama, o mesmo lugar à mesa do silêncio, e a surpresa sempre recatada da memória mais ínfima, que eu julgava perdida. A mesma roupa, o mesmo calçado – as variações são quase sempre imperceptíveis. E o mesmo olhar que tropeça sempre no horizonte mais próximo ou mais distante. Os mesmos verbos e as mesmas hesitações. Aos advérbios de dúvida preferes sempre os advérbios de negação e raramente condescendes num sim. Pareces alheada de tudo e, porém, estás sempre atenta. A tua aparente indiferença tem outros nomes: reserva, constrangimento, timidez, recolhimento, intimidação. Sim, pareces sempre intimidada: (recorro por uma vez ao dicionário) “em estado de apreensão ou de temor; constrangida, inibida”. Não despes jamais o pensamento, não vá ele trair-te. E só na irritação és mil vezes verdadeira, genuína, quando, finalmente, te descontrolas. Na fronteira, hesitas sempre entre entrar e fugir, como que receando o interrogatório e a revista dos guardas. O passaporte treme-te sempre nas mãos. Se o silêncio não te incriminasse, não responderias a nenhuma pergunta. E quando o fazes, evitas sempre os pontos finais, que confundes com uma espécie de rendição. Nunca te rendes. Nunca te deixas vencer, digo, desamordaçar. Tens dentro de ti a força e a coragem dos que sempre se recusam a oferecer os pulsos às algemas. Porque nasceram com elas. Porque nasceste...

Por que não proíbem simplesmente o natal?...

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DN, 21.12.2007

Telemóveis, álcool, "substâncias psicotrópicas"... milhares de acidentes em perspectiva, com centenas de mortos e feridos graves... mil patrulhas na rua para controlar a desbunda... por que não cortam o mal pela raiz e acabam simplesmente com o natal?...

Absolutamente solidário!...

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O Inimigo Público, 21.12.2007

Eis uma causa cívica a que, patrioticamente, me associo. Devo a Carmelinda Pereira e a Manuel Monteiro algumas das mais saborosas gargalhadas que a política à portuguesa já me proporcionou. Que ninguém os extinga!...

'Allo, 'Allo!...

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Ouvi há pouco o nosso primeiro-ministro discursar em inglês (suponho que técnico) numa cerimónia qualquer, algures, na Europa connosco. Como sempre, ia asfixiando na gargalhada. Sócrates fala o inglês mais divertido que eu já ouvi a alguém. Irresistivelmente, transporta-me sempre a 'Allo,'Allo, a René e aos seus comparsas nessa admirável série da BBC que, há anos, não revejo. Patrioticamente, acho que chegou a altura...

O azul, o sangue...

poderá ter sido um acaso,
Eva, Maria?
resgato-vos do céu
a pensar no mar de mil cores
e de dores esquecidas em porões calados
sepultadas no fundo de um mistério
porcelanas, sedas
pedras preciosas que ainda brilham
na dureza do tempo
caladas, vivas
húmidas
palavra e elemento
(vê, por favor, a união
rima-lhe amor em
ab
ba)
não terá sido um acaso
este titubear de tempos e modos
língua, ventre
húmidos
Eva, Maria
de que cor é o azul
o sangue do mar?

Ana Saraiva

Tatuagens ou o efeito do distanciamento...

dezembro 20, 2007

Improviso sobre a arte do demónio...

Uma ideia apenas
mas que faça parte de ti
com palavras dentro
as palavras necessárias
(não são precisas todas)
mas o corpo inteiro
indivisível
uma ideia que te congregue
que não deixe de fora nenhuma ilusão
nenhuma fantasia
nenhum sentimento
e que sopre tão cortante e definitiva como o vento
na montanha que não contas
uma ideia apenas
mas que seja tua
e revolva todos os ecos
dos precipícios que conjuraste.

Ademar
20.12.2007

dezembro 19, 2007

Dar com os pés... mas com leveza e elegância...

Post-it (roubado, malevolamente, a uma amiga)...

tirar as minhocas da cabeça
tirar a cabeça

(poupo no champô e poupo o mundo)


Ana Saraiva

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (62)...

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O silêncio pode ser tão ou mais expressivo do que a própria voz. Há silêncios de timbre e ressonância inigualáveis. O grande poder do silêncio está na eternidade que o alimenta e assiste. Nem a morte, muitas vezes, consegue vencê-lo. O silêncio sobrepõe-se-lhe. Tanto, que habitualmente os confundimos. Mas há pessoas que têm esse dom extraordinário: o dom do silêncio. As vozes morrem; mas há silêncios que permanecem. E que são inesquecíveis, eternos. Porque ninguém mais foi capaz de se projectar num silêncio assim. E de chegar ainda mais longe na expressão do que nos distancia do efémero...

Improviso sobre um auto-retrato...

Já fui todas as palavras
que não ousaste dizer
as mãos algemadas
numa culpa antiga de gestos
uma quase impotência
finjo que não vejo
o fogo da distância tão próxima
o fogo e o vento gelado
e subo a todas as montanhas
para uivar com os lobos
não lamento nada
escrevo apenas
para que te ouças.

Ademar
19.12.2007

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Que dizem as imagens do que fomos? Que diz esta imagem do que fui? Não importa quando. A memória que retemos das pessoas começa sempre por fixar imagens. Depois, talvez, palavras. Por fim, as vozes. E, porém, são as vozes que prolongam por mais tempo a nossa identidade. Não há duas vozes iguais. Talvez, por isso, a música resista melhor do que a poesia à erosão do próprio tempo. A eternidade dos sons pode sempre muito mais do que a eternidade das palavras. As imagens, essas, estão sempre a mudar. Nós é que, frequentemente, não reparamos. Continuo a falar para ser ouvido. E, se possível, vivido...

Uma tese...

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DN, 18.12.2007

A partir de uma certa idade, os homens apaixonam-se todos pelo mesmo tipo de mulher. Só mudam os apelidos, a idade e a epiderme. As mulheres, relativamente aos homens... não sei...

Grande plano de uma candidata à presidência...

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Público, 19.12.2007

Hillary, of course! Quem não seria capaz de a reconhecer aqui?...

Podiam ter transmitido o interrogatório em directo...

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24horas, 19.12.2007

É um aborrecimento que tenhamos de saber estas coisas pelo 24horas. Dispensávamos bem a intermediação...

Um título do arco da velha...

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Correio da Manhã, 19.12.2007

Hoje, esbarrei nesta manchete. Confesso que não percebi à primeira. Deve ser da erosão do vento...

dezembro 18, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (61)...

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Há perguntas tão íntimas que sussuram apenas e que mal ouvimos ou não queremos ouvir. Para que servem as pessoas? Onde sentimos que elas nos falham, quando as perdemos ou estão ausentes? Há perguntas que evitamos fazer, porque todas as respostas nos doem. Somos cemitérios de pessoas. E vamos morrendo com elas. Eis a verdade mais crua ou cruel que não aprendeste ainda a conjugar. A morte é uma evidência interior. Não importa se a vês ou não. Ela está lá. E fala sempre contigo, ainda que não lhe prestes atenção. Tentar fugir, é inútil. Há pessoas que nascem e morrem dentro de ti todos os dias. E há pessoas que ficam sempre, como se já fizessem parte de ti...

Diz-me em que deus acreditas (ou por que não acreditas) e dir-te-ei quem és...

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Notícias Magazine, 09.12.2007

Há muito tempo que penso que cada um inventa um deus à sua medida. Ou seja, há tantos deuses quantos os homens que acreditam em algum...

Desde o Padre Américo que não havia "más raparigas"...

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Público, 17.12.2007

Quatro tipos? Eu, que não sou o Padre Américo, conheço muitos mais...

Basta de desemprego qualificado!...

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24horas, 18.12.2007

E, perante mais este escândalo (92 dias em estado de desemprego!!!), o governo não faz nada, não intervém?...

Retrato de um "provinciano" enquanto jovem...

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DN, 18.12.2007

Receio que Sócrates não tenha lido bem Fernando Pessoa (pelo menos, o Pessoa menos conhecido)...

Improviso quântico...

Sim claro as palavras
as palavras excedem-te
as palavras confundem-te
andas às voltas com as palavras
e desentendes-te sempre
não há silêncios em que caibam
todas as palavras que sangram
tropeças sempre nas palavras
e repetes mecanicamente os mesmos substantivos
como se nenhuma gramática
pudesse ser revista e actualizada
tempo e espaço
espaço e tempo
e a morte que devora tudo
nas entrelinhas ilegíveis de Einstein.

Ademar
18.12.2007


Quase nada...

sim, percebo bem que esse rochedo
é o sedimento do medo
e essa lâmina
as lágrimas da infância
mas, este sangue
é apenas feito de sangue
e nunca lhe descobriste
um único segredo
eu,
em diálogo póstumo
e monólogo perene
conto-te um:
espinho ou flor
quase nada é amor
quase nada
gota-dor
gota

Ana Saraiva

dezembro 17, 2007

Improviso sobre uma tela...

Todos os silêncios que embrulhas e me ofereces
têm a vida dentro a vida toda
essa respiração distraída
nos olhos que se cansam tão depressa de ver
tenho fome de palavras
que não me pertençam
atrapalho as noites
nas duas mãos que te sobram.

Ademar
17.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (60)...

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As raízes do pesadelo nunca estão fora de nós. As palavras apenas te transportam a um lugar muito estranho e distante, que parece sempre despovoado daquelas certezas que reconfortam. Que esse lugar faça parte do que tu és, eis o que atrapalha e perturba o entendimento. Não há futuro possível nesse lugar. Não faz sentido viver assim, a fugir sempre das palavras que ressoam pesadelos. Há-de algures arrancar uma ponte desse lugar para margens menos inóspitas. Uma ponte que possas atravessar a pé, e não voando ou saltando como sobre um precipício. Uma ponte que não te convide mais à fuga, mas à descoberta e ao reencontro. Nesse lugar a que pertences falta quase tudo, até a memória tranquila da infância e da adolescência, que te roubaram. Como a vontade de experimentar outros altares: outras casas, outros quartos, outras evidências de uma intimidade com portas e janelas franqueáveis e não apenas grades e ferrolhos. Tudo em ti é tão antigo. Tão antigo e, quase sempre, tão desesperado e, aparentemente, tão definitivo. Mas é nessa fronteira do medo do compromisso que agora viajas. É uma viagem que parece não ter fim, nem horizonte à vista. Mas é a única viagem, acredita, que poderá distrair-te e libertar-te do pesadelo de todas as alvoradas...

Sensibilidades editoriais...

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Público, 17.12.2007

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JN, 17.12.2007

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24horas, 17.12.2007

Três maneiras de apresentar na primeira página a mesma notícia. Como quase sempre, o Público destaca-se pela inteligência, pelo rigor e pela discrição...

O grande "enrabador a frio"...

Eu já não tenho paciência, deve ser da idade, para aturar canalhices. Hoje, recebi mais uma "ameaça" por conta de um tal Barra da Costa, que alguém, mui distintamente, insiste em apresentar-me como "enrabador a frio" (e eu que julgava que ele era apenas "criminologista"). Transcrevo a mensagem "confidencial", para que todos os leitores saibam ao que se sujeita quem, neste país, se atreve a ironizar sobre certas vaidades...

"Quem será o verdadeiro pai da criança desaparecida? Barra da Costa? Robert Murat? Gordon Brown? Ratzinger, o próprio papa? O mistério adensa-se..."

Ademar, meu amigo,
Os outros da lista não conheço, mas o Barra da Costa é mais inteligente que v/, muito mais. Mais esperto não direi...
Se me permite, conhecendo-o há mais de 20 anos, como conheço a v/ há meses e parece rapaz certinho, não tenho dúvidas que ainda v/ está a perguntar como foi e ele já o enrabou...A FRIO. Ou será que é isso que v/ quer?! Olhe que o gajo tem tomates...O que também ajuda, não é?

Com estima
Júlio

Esta mensagem foi-me remetida a partir do endereço jbarra@netcabo.pt

Também poderei participar?

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JN, 17.12.2007

Tenho barbas brancas e quase todos os dias, e não apenas no natal, ofereço poemas ao povo. Deixar-me-ão participar neste desfile? Eu também gostava de entrar, com o rebanho natalício, no Guiness...

O poema que não partilharei hoje com os meus alunos...

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Carlos Drummond de Andrade, Obra Poética (7º Volume)

dezembro 16, 2007

Improviso ainda gramatical...

Nunca entenderei nunca
repito o advérbio de tempo
para que o verbo
ainda que no futuro
não se sinta tão só
o entendimento
nunca conjuga na primeira pessoa do singular
nunca
mas se me concederes o teu pronome
entenderemos os dois
talvez no presente do indicativo.

Ademar
16.12.2007

Um caso talvez de polícia...

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Público, 16.12.2007

Mais de 120.000 alunos "chumbaram" no ensino básico, em 2006 - lembra hoje o Público na primeira página. Com uma diferença: eu coloquei o verbo entre aspas; o Público, não. Há países ("civilizados" e "desenvolvidos") e sistemas de ensino (competentes) que não disparam sobre o aluno que precisa de ajuda, mas ajudam-no, apoiam-no, orientam-no. Em Portugal, continuamos a preferir a pedagogia da arma de fogo, do cilício, da punição. Ainda não percebemos que atiramos sobre nós próprios e que somos, como país, a primeira e principal vítima de cada "chumbada"...

Improviso para voltar ao princípio...

Ponte suspensa sobre um leito de cogumelos
e nenhuma margem antes ou depois
não tenho mãos nem olhos para a colheita
apenas um precipício para saltar
se não temesse errar o salto e morrer contigo
cresces não sei de que chão
há fungos de formas que me confundem
silêncios que não ouço dentro de mim.

Ademar
16.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (59)...

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Duas faces, duas margens e uma fronteira imperceptível que tento em vão atravessar, nunca sabendo de que lado parto e a que lado chego. Como poderei entender o mistério insolúvel, se nem tu própria o desvendas? Fixo-me no discurso do distanciamento, mil vezes repetido, e apenas encontro o Brecht que li na juventude. O actor que não se confunde com a personagem e a personagem que não se confunde com o actor. E a acção no palco da vida que não se esgota na mera representação, no fingimento. Serei talvez aqui o narrador, mas falta-me a chave da autoria, todos esses segredos que predestinam, na fonte, uma identidade. Sim, eu sei que todas as palavras têm um significado preciso e distinto. Que egoísmo e embaraço, ansiedade e angústia, medo e desconfiança, pudor e timidez, silêncio e renúncia, indiferença e reserva, afastamento e fuga... não são sinónimos. Mas sei também que nenhum prontuário decifra as contradições da alma, quando a alma parece oscilar entre tudo e o seu contrário, o esplendor da vida e a penumbra da morte. Nenhuma viagem é tão longa que nos projecte ao esquecimento do que somos. Regressamos sempre à origem de todas as ciladas, a nossa própria verdade...

O elefante como projecto...

Diálogo surrealista entre um pai e um filho (aluno do 9º ano).

-Então?... Estás a contar com alguma negativa?
-Só se for a Área de Projecto.
-Área de Projecto?!... Mas há notas?!...
-Não há notas, mas devo ter NÃO SATISFAZ.
-Ah!... E o que é que aconteceu? Não terminaste o... projecto?
-Qual projecto?
-Não era suposto fazeres um... projecto?
-Tínhamos de fazer um trabalho.
-Ah! Um trabalho... Um trabalho sobre quê?
-Sobre um animal à nossa escolha.
-E que animal é que tu escolheste?
-Não fui só eu. O trabalho era em grupos de dois.
-Ah! E então, tu e o teu colega, escolheram que animal?
-O elefante.
-O projecto, portanto, era fazer uma pesquisa e uma redacção sobre o elefante!...
-Exactamente.
-E não fizeram?
-Fizemos.
-E então? A professora achou que o trabalho não estava bem?
-Que trabalho?
-O trabalho sobre o elefante, porra! Ela não avaliou?
-Não tínhamos de entregar os trabalhos.
-Não?!...
-Tínhamos apenas de apresentá-lo numa aula.
-Ah! E correu mal a apresentação?
-Não correu.
-Como não correu?
-Tínhamos o trabalho na Pen, mas não conseguimos abri-lo...
-E não havia mais aulas?
-A professora não deixou que apresentássemos o trabalho noutra aula.
-Ah! Então foi esse o vosso projecto!...
-Qual projecto?
-O do elefante.
-Eu não percebo nada disso.
-Isso quê?
-Isso, essa treta dos projectos. Aliás, nem a professora sabe.
-Ela disse-vos isso?
-Claro.
-E vais ter NÃO SATISFAZ porque a Pen não abriu?
-Se calhar.
-Deixa lá: talvez no próximo período a Pen funcione.
-No próximo período, vai ser diferente.
-Diferente como?
-A escola vai definir um projecto igual para todas as turmas.
-Ah!...

Este diálogo não é inventado. Ocorreu, quase ipsis verbis, há alguns minutos atrás. A Área de Projecto, na maior das escolas básicas deste pais, é uma fraude. Ninguém, verdadeiramente, sabe o que anda a fazer e para quê. Coitados dos nossos filhos!...

Formalidades e salamaleques...

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Expresso, 15.12.2007

Eu tenho 55 anos e concordo inteiramente com este moço. A Assembleia da República parece-me sempre um ajuntamento de gatos-pingados. Imagino que estão sempre a velar o cadáver de um país...

O Expresso pirou de vez...

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Única, 15.12.2007

Sete páginas (sete!), mais a capa. A miúda tem 29 anos e acaba de aterrar no Parlamento. Tem para dizer ao universo e ao país, como se imaginará, coisas extraordinárias. Os critérios editoriais do Expresso tropeçam, semanalmente, no bom senso e estatelam-se no ridículo...

dezembro 15, 2007

Improviso para completar a ausência...

Morro talvez mais depressa
do que a própria morte contava
errei a janela do tempo
e troquei sem regresso a direcção das asas
quando os pés já tropeçavam
agora nem a voz me pertence
apenas as mãos que ainda escrevem
a distância na noite imprevista
as grades impostas à saudade
a trela tão lassa
dir-te-ei fugitiva que me sinto credor
de uma morte que não suba nem desça montanhas
em silêncio.

Ademar
15.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (58)...

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Há pessoas que são pouco mais do que a epiderme, pessoas quase vazias de conteúdo humano que as distinga das demais. São pessoas certas, previsíveis, unidimensionais. Repetem simplesmente um padrão; frequentemente, um estereótipo. Desiludem depressa o olhar que busque profundidades de campo, digo, intensidades. Não convidam, por isso, aos sentimentos que perduram, mas apenas à paixão que capricha, borboleteando de pele em pele...
Mas há também pessoas que têm muito mais do que a epiderme (quando a têm), pessoas cheias de uma identidade irrepetível, complexa, muitas vezes, labiríntica. Pessoas que raramente saem de si próprias, das grutas e dos abismos em que parecem acoitar-se. Trocam quase sempre as normas, as regras. Frustram expectativas. Magoam e magoam-se. Aspiram a tudo e aspiram a nada. Evitam todas as luzes, porque só na penumbra não tropeçam no medo de existir. E são fortes e são frágeis no limite quase da morte, digo, do insuportável. Ainda há pessoas assim, que os manuais não descrevem e só a poesia toca...

E faz muito bem...

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Sol, 15.12.2007

A única pergunta a que eu, em referendo, aceitaria hoje responder seria: CONCORDA QUE PORTUGAL FAÇA PARTE DA UNIÃO EUROPEIA?
Um referendo sobre o Tratado Reformador seria uma fraude política. Poucos, verdadeiramente, votariam a favor ou contra o Tratado. A esmagadora maioria dos eleitores votaria apenas a favor ou contra o governo...

Se envelhecer, não fume...

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Andres Serrano, Budapeste (O modelo), 1994

in História do Feio, Direcção de Umberto Eco

À guisa de... corrigenda...

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24horas, 15.12.2007

Se o mocinho nega, cumpra-se a ética nestas coisas e publique-se o desmentido...
Ele não disse o que disse, perdão, o que não disse...

Um bocejo europeu...

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Sol, 15.12.2007

Há bocejos que eu entendo e até seria capaz de abençoar. Os políticos que bocejam são, apesar de tudo, os mais fiáveis. Pelo menos, são os menos irritantes. Não estão sempre drogados pelo "espírito de missão", essa mentira de ressonâncias teológicas que ainda comove e excita tantos incautos. Sócrates, aqui, revela-se como um tipo normal, que até se cansa e, por vezes, nem consegue disfarçar o tédio. Eu, no lugar dele, estaria sempre assim. Cada vez invejo menos os Sócrates deste mundo...

A poesia ao alcance de todas as manchetes...

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JN, 15.12.2007

Poderá perguntar-se: e a noite... rendeu-se?...

O sabor da melancia...

Tian Bian Yi Duo Yun (O Sabor da Melancia), de Tsai Ming-Liang, é um filme surpreendente, de uma ironia amarga e refinadíssima. Vi-o esta manhã e fixei, finalmente, o nome do realizador.


dezembro 14, 2007

Improviso para adormecer o silêncio...

Corri quilómetros de palavras
para chegar aqui
à margem menos distante do lago
de todas as sombras
desacorrentei memórias
de outros silêncios
para não ir ao fundo
talvez seja inútil dizer-te
que não há noite
em que a lua adormeça.

Ademar
14.12.2007

Dois comentários da facção Burro da Costa, perdão, Barra da Costa...

De vez em quando, tenho brincado aqui com a excelência das intervençõe televisivas de um tal Barra da Costa, criminologista excelentíssimo. Hoje (estranha coincidência!), dois partidários anónimos da criatura resolveram atacar-me. Nestes termos verdadeiramente deliciosos...

1
Caro sr. Ademar, assim fala quem gosta de denegrir os demais, caindo na acusação desmedida sem qualquer conhecimento de facto. É facil estar desse lado e criticar o trabalho dos outros, mas as palavras do Dr. Barra da Costa não são lançadas sem fundamento. É uma pena que haja quem se dê ao trabalho de tentar denegrir a imagem dos outros, deve ser da inveja. Pois não houve lugares passados nem avenças. Pois também não há qualquer sherlock. Que o Dr. tenha convivido com escumalha é verdade, pois pela experiência profissional, no mundo do crime, tem mesmo de se lidar com todo o tipo de gente, inclusive com gente como o sr. a atirar larachas ao ar. Espero que continue muito feliz com o seu "post", Boas Festas :)

2
Ó abnoxio, até és capaz de ser mais esperto que o Mestre Barra da Costa. Mas ele é mais esperto do que tu, muito mais. E conhecendo-o eu há mais de 20 anos digo-te que se não te escondesses por detrás desta merda ele já te tinha enrabado...a frio. Ou será isso mesmo que tu queres?! É chato um gajo ter tomates e a gente não passar de recalcado e infeliz, não é? Lisboa.

País ridículo...

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De vez em quando, suponho que bimestralmente, o Público oferece como brinde uma coisa em forma de revista, intitulada País Positivo. Parece sempre uma sofrida canseira de adolescentes. Repare-se na "excelência" da capa da número hoje distribuído. O jovem retratado dá pelo nome de Hélder Beleza (excelente apelido) e é apresentado como "Administrador Talentos Únicos". Provavelmente, ninguém na agremiação se apercebeu ainda do ridículo disto tudo...

És uma merda, mas caso contigo... para te salvar...

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24horas, 14.12.2007

O pessoal da SIC deve ter ficado felicíssimo...

Fugindo para Sanabria...

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Gerhard Riebicke, c.1925
Uwe Scheid Collection (Taschen), 1000 Nudes - A History of Erotic Photography from 1839-1939

Manifesto fotográfico contra o eduquês...

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ped2.jpg
Anónimo, c.1925
Uwe Scheid Collection (Taschen), 1000 Nudes - A History of Erotic Photography from 1839-1939

Sobreposições interdisciplinares...

nus.jpg
Anónimo, c.1920
Uwe Scheid Collection, 1000 Nudes (Taschen) - A History of Erotic Photography from 1839-1939

dezembro 13, 2007

Improviso para negar a superstição...

Todas as noites servem
para Sherazade
não importa a fase da lua
nem a face
todas as noites
o mesmo eco que respira
o mesmo silêncio
a mesma teimosia
e o mesmo implícito convite à voz do dia seguinte
na distância de todas as noites
talvez morramos amanhã
sem conhecer o fim da história
talvez amanhã seja
a milésima segunda noite
que não chegou a ser escrita
amanhã sexta-feira
mas já não dia treze.

Ademar
13.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (57)...

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Não há páginas em branco, pelo menos, depois de começarmos a pensá-las. Há palavras, muitas palavras no horizonte do pensamento. Palavras perfeitas, umas; imperfeitas, outras. Talvez muitas. Palavras que suspendem frequentemente a inquietude das noites e a dúvida dos dias. Ou as acentuam. Aquela pergunta que fica sempre por responder. Mesmo quando o colo apetece para o dia seguinte e os dias todos que virão depois desse. Uma pergunta tão simples, que porém parece não caber em nenhuma página, aberta ou por abrir. Não importa a voz em que os cães se exprimam. Ele há tantos verbos para dizer a diferença: ladrar, ganir, uivar, latir. Ele há tantos silêncios para dizer o que sabemos. O cão que ouvimos agora talvez esteja mesmo a cheirar-te e a tentar comunicar contigo, desfraldando uma bandeira de ciúmes. Ainda sinto a fúria dos teus dentes no pescoço. Ainda me transporto no olhar da fera relaxada, mas jamais vencida. A pergunta que fica sempre por responder. O enigma que só as mãos traem. E as raras palavras, escritas talvez distraidamente na mais ínfima e tecnológica das páginas que folheias todos os dias...

Uma proposta menos prosaica da eutanásia...

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Morra agora e goze, talvez, depois (os cristãos andam a repetir isto há muitos séculos). O calendário para 2008 desta agência funerária italiana impressiona mais pelo caixão do que pela modelo. Quase apetece morrer para ser transportado e enterrado num caixão assim. Só me ocorre perante esta publicidade uma pergunta cínica de género: as mulheres não morrem ou são todas lésbicas?...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

A competência dos apelidos...

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24horas, 12.12.2007

O rapazinho tem 28 anos e confessa que cabulou o mais possível na Faculdade. Mas como os apelidos, em Portugal, continuam a ser sinónimo de competência... foi contratado, naturalmente pelos seus méritos, para assessor do Ministro da Administração Interna. E não vá alguém desconfiar da isenção da coisa, o tio ilustre já veio informar que, a partir de agora, vai "dar mais pancada no ministro". Podiam, pelo menos, estar calados e não dar tanto nas vistas. Este Portugalinho chico-esperto já cansa...

dezembro 12, 2007

Estereótipos...

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Não sei quem são estes jovens. Sei, apenas, que a fotografia (retirada do H5) é muito sugestiva. Elas sorriem; ele, não. Por que será?... Umberto Eco escreveria, sobre esta imagem, um tratado...

Improviso outonal...

Tenho imagens de cogumelos nos olhos
e de azevinho e musgo
como nos presépios da infância
e ainda sinto o frio nos pés da manta morta
adormecida no chão do outono
não sei se todos os cogumelos crescem assim
numa quase indiferença por quem passa e os colhe
ou não
recordo a espontaneidade e o silêncio das sombras
reflectidas na água
diante desse altar em que apetece sempre sacrificar a renúncia
volto a fechar os olhos
e dirijo a mão ao teu peito
que uma vez mais desperta
dois cogumelos selvagens
mais do que perfeitos.

Ademar
12.12.2007

Um testemunho pela dignidade dos que não querem morrer como cães danados...

A minha irmã Laura (como eu, defensora da eutanásia) sugeriu-me a divulgação do vídeo que podereis ver em baixo.
Dereck Humphry foi o fundador da Hemlock Society (Sociedade da Cicuta) e, actualmente, está à frente da ERGO (Euthanasia Research & Guidance Organization). Em Inglaterra, ajudou a sua 1ª mulher, Jean, a morrer. Jean estava numa fase terminal de cancro da mama. Escreveu há vários anos o livro "Final Exit", traduzido para diversas línguas (incluindo a portuguesa) e que tem sido sucessivamente actualizado e reeditado. Desde 2006, existe também uma versão da obra em vídeo. Deixo-vos aqui com o seu testemunho.

O parlamentar fugitivo...

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24horas, 12.12.2007

Num impulso irresistível, ocorre-me Almeida Garrett: foge, cão, que te fazem balão!...

O fim da con...gestão "democrática" das escolas...

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Público, 12.12.2007

Em termos de princípio, não podia estar mais de acordo. Há mais de 20 anos que defendo isto. Falta é conhecer os... pormenores...


A "fraude", o "fracasso", a "ruína", a "mentira" do Expresso...

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Expresso, 08.12.2007

Na primeira página , é a "ruína do ensino profissional". Na página 2, é a "fraude" e o "fracasso". Na página 3, "uma mentira". Que descobriu de tão grave e definitivo o Expresso? Uma... carta (datada de 22 de Outubro e que eu li há mais de um mês). Carta de um professor aposentado, dirigida (imagine-se!) ao... Presidente da República. Verdadeiramente pungente e aterrador! O país treme de pasmo. E de revolta... Os meninos e as meninas que frequentam os cursos "fazem o que querem". A escola é, para eles, um lugar de diversão. Não aprendem nada e ninguém chumba. Ninguém chumba, ninguém chumba, ninguém chumba... Os pobres professores vão desesperando, estressam, correm a pedir ajuda aos psicólogos e aos psiquiatras e alguns, mesmo, têm pulsões suicidas. É o caos, meus senhores, é o caos... O caos que o Expresso, a cavalo de uma carta muito pouco confidencial, nos revela...
Vou também escrever uma... carta. Talvez ao menino jesus. E contar-lhe da minha experiência docente em cursos profissionais. Nunca me senti tão útil como professor. Tão útil e tão desafiado. E tão estimulado. E tão enriquecido. Pela primeira vez, sinto que a escola pode fazer algum sentido para milhares e milhares de adolescentes e jovens que, chumbo após chumbo, o "sistema de ensino" tinha empurrado para uma espécie de marginalidade social. Mas o meu testemunho quase feliz, hélas!, não seria notícia para o Expresso...

dezembro 11, 2007

Improviso para dizer da técnica de educar os cães...

Tantas palavras desencontradas
tantas pessoas dentro de uma só
tantas esquinas tantas encruzilhadas
a arte ou a sabedoria
de esperar sempre o inesperado
e a paciência e a teimosia
o silêncio de quase todas as horas
e raras vezes a euforia
tantos gestos que naufragam o entendimento
não há rio de caudal mais incerto
não há cais tão cheio e tão vazio de outra gente
podes vir com a multidão
ou ainda mais ausente
mostra-me as mãos
mostra-me os dentes
e fala-me outra vez da educação dos cães
que não ladram nem ganem
como se falasses apenas de uma condição
que ninguém melhor do que tu poderia conhecer
tu
que nasceste ou renasceste entre os lobos
nas vésperas do inverno.

Ademar
11.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (56)...

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Segurar as palavras sempre na fronteira do compromisso. Não arriscar nunca um passo que não possa voltar atrás. Não sei se o medo, não sei se a insegurança ou a descrença, não sei se o pudor. O pensamento é uma reserva quase impenetrável, que poucos gestos desnudam. E gestos sempre tão tímidos, tão colados ao corpo, tão hesitantes. Há modos de ser assim que quase dispensam o ser com os outros. Uma espécie de solidão interior que parece sempre predestinada à ausência, como se todas as portas e todas as janelas estivessem fechadas por dentro e ninguém pudesse entrar, senão pelas palavras ou nem mesmo pelas palavras. Nesta dúvida, o mistério inteiro. Nenhuma fronteira humana tem o dom da impermeabilidade. Há sempre frestas, há sempre pontes, há sempre fechaduras que uma chave, a chave certa, poderá abrir. Talvez um poema...

Fogachos na noite...

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24horas, 11.12.2007

Os negócios subterrâneos da segurança não se recomendam, de todo, à segurança das noites...

O rei dos tolos...

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24horas, 09.12.2007

Este Duarte é um lídimo representante da família que transformou, por séculos, Portugal no reino mais estúpido e cadaveroso da Europa. E continua a falar como se o país o ouvisse e lhe devesse alguma coisa, senão o desprezo. A inteligência nunca foi, propriamente, o sinal distintivo dos Braganças...

Viscosidades...

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24horas, 09.12.2007

Há muitos anos que não vejo os programas de Herman José. Julgava até que a criatura já se tivesse reformado. Pelos vistos, não. Ele deve supor que o país lhe deve uma fama eterna e ainda não percebeu que já nenhum canal de televisão, verdadeiramente, o quer. Hoje por hoje, Herman é um fardo. Eu olho para ele e confesso que já só consigo sentir uma imensa repulsa...

dezembro 10, 2007

Improviso no condicional...

Se a vida fosse tão perfeita como as palavras
se as palavras capturassem a vida
e lhe impusessem algemas
se tudo fosse tão simples
como a noite que não cansa
nem sofre de insónias
se o sol não adormecesse sobre si próprio
se nenhuma manhã parecesse distinta
da anterior e da próxima
e se o metro nunca parasse
diante da janela dos teus olhos
se o medo não tivesse a forma de uma cela
talvez a vida pudesse ser mesmo
uma tapeçaria de palavras inúteis
um supremo desleixo de sentidos.

Ademar
10.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (55)...

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Sim, ou se gosta mesmo ou se desiste. Ninguém melhor do que tu para o saberes. Reconhecê-lo ou não, apenas uma questão de lucidez. Há sombras que se deitam e que se levantam connosco, todos os dias. Inútil fugir ou negar as evidências. Elas vêm sempre ter connosco. Abrem-nos a porta, quando menos esperamos. Convidam-nos serenamente a entrar e a ficar. Que importa que lhes digamos que partimos. Não há forma de escapar à certeza dos ecos que nos retêm. Estamos sempre no cais, à espera de alguém que nos ouça e que nos entenda. E que não confunda os olhos nem as mãos diante do nosso mistério. Nem as palavras...

Mourinho troca a selecção inglesa pelo... Boavista...

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A Bola, 09.12.2007

Mau grado as palpitações de A Bola, José Mourinho não irá regressar tão cedo a Inglaterra. O seu destino será outro e muito mais arriscado: o Bessa. O campo onde sempre sonhou treinar...
E Jaime Pacheco, imagine-se!, passará a desempenhar as funções de tradutor de Mourinho...

Tudo bons rapazes...

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24horas, 10.12.2007

A bênção, padrinho!...

Um dia de salário para a salvação...

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Diário de Notícias, 10.12.2007

Este rapazinho que passa por padre não deve ter lido, seguramente, os clássicos... Se tivesse lido, saberia que vai sair desta pugna com o rabinho entre as pernas...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Adélia Prado, Poesia Reunida

A castidade sobre duas pernas...

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Pública, 09.12.2007

As entrevistas de José Sócrates ao Expresso e de Manuel Clemente (bispo católico do Porto) à Pública são verdadeiramente pré-natalícias. Pessoas tão boas, tão puras e tão castas só podem mesmo existir no presépio...
Repare-se na confissão de Clemente que reproduzo acima. Ele estava com as namoradas, mas tinha "a cabeça noutro lado". Sabe-se lá onde e que cabeça... E nunca tinha falado disto a ninguém, nem à mãe. Guardou a perplexidade só para ele. E para Natália Faria, a jornalista que agora o entrevistou. Como são tão ínvios os caminhos do Senhor...

Como eles são tão felizes!...

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Público, 09.12.2007

Sócrates e Barroso adoram fazer o que fazem (ainda bem!) e, muito especialmente, adoram mostrar-se assim. Repare-se na felicidade que ambos irradiam nesta pose que o fotógrafo Daniel Rocha captou e o Público reproduzia ontem na primeira página...
Não posso, a propósito, deixar de recordar aqui as palavras magníficas de Sócrates ao Expresso: "Quando me nomearam candidato a primeiro-ministro, muita gente me dizia: "Vai ser muito ingrato, o país está num momento difícil". Eu sabia-o. Mas gosto de servir o meu país nos momentos difíceis, não nos fáceis. E disse para mim próprio: "Darei o melhor de mim". Sempre tenho sido fiel ao que penso que é a minha missão para o país, sem pretender nada mais".
Ele tem uma missão e gosta de servir o país nos momentos mais difíceis. E di-lo assim, com toda esta singeleza, sem recear que as pessoas riam...

Sócrates: "o herói de plástico"...

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Única, 08.12.2007

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Público, 09.12.2007

Vasco Pulido Valente tem carradas de razão, mas não tem a razão toda. Sócrates, o mais astuto dos primeiros-ministros que já tivemos em Portugal depois do 25 de Abril, não passa, em larga medida, de uma "montagem publicitária: polida, vácua, inócua". Mas eu acrescentaria algo mais: ele vive, permanentemente, para a pose e sabe muito bem, em cada momento e em cada contexto, qual a pose que mais lhe convém. Aprendeu tudo com Tony Blair e receio que ainda o vá superar...

dezembro 09, 2007

Improviso para dizer obrigado...

Gestos que nunca se completam
palavras que ficam sempre por dizer
a porta que se abre
e um escudo que recolhe as mãos
ou seria um elmo?
há livros que nunca chegam tarde
poemas que viajam clandestinamente
colos que não cansam
por agora (dizes) fica tudo oferecido
agradecerei depois.

Ademar
09.12.2007

Moon River...

Aniversários...

já viu o céu hoje?
é, você!
quem sou?
sou eu, de sotaque
bem emprestado
que lhe pergunto
se já viu o céu hoje
eu juro
juro pela próxima ração de amor!
que se o apanhar
olhando as mãos
rasando as nervuras
de lágrimas
campas cheias de dó
sem viola nem beijo
p'ra disfarçar
eu juro:
coso uma nuvem
ao chão do luar
prego no sol
uma gota de ar!
e agora, ouve
vesti-me de festa
vim para cantar
e vou cantar!
importas-te
de me acompanhar?

Ana Saraiva

dezembro 08, 2007

Improviso anterior ao dia seguinte...

Já estive como hoje
numa espécie de ponte ou de limbo
entre nascer e não ser
não me perguntes o que teria decidido
no lugar do deus que fecundou minha mãe
há dias
em que viver apetece muito pouco
em que tudo parece estar errado
dentro e fora de nós
há dias assim
nas vésperas de nascermos ou morrermos
mais uma vez
hoje
solucei apenas o dia seguinte
e perdi-me em mim.

Ademar
08.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (54)...

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A culpa não se empresta e mal se partilha. Quem a tem, guarda-a para si e esconde-a. A culpa tem sempre duas faces como Juno, digo, uma mão que dá e outra, que tira. E alimenta-se a si própria, porque desconfia sempre das palavras que a servem. A culpa nunca se veste para matar, mas para morrer. Todas as culpas têm antepassados ilustres, pelo menos, um pai ou uma mãe. Uma autoridade excessiva ou ausente e uma falha de suporte afectivo. A culpa caiu do berço da infância e ainda hoje rasteja. Dêem-lhe colo depois do jantar e verão como fecha os olhos e ronrona. A culpa só descansa e adormece quando o pensamento e o corpo soçobram. Tenho a noção de que não há medida para a tua culpa. É muito mais antiga do que o amor que desconheces. Quase mesmo anterior a ti...

Aviso...

Hoje sinto-me completamente incapaz de escrever sobre o mundo. Ainda não consegui abrir os olhos...

dezembro 07, 2007

Improviso para desembrulhar...

De tanto repetir a sombra
até chego por vezes a descrer da tua existência
eu estou sempre atrás dos olhos
que projectam essa imagem
e sou a voz e as palavras
do exílio tão próximo
uma noite apenas
como tantas que já abrimos e fechámos
uma noite apenas
e nenhuma prenda mais.

Ademar
07.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (53)...

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Ninguém fala tão pouco da morte. Ninguém fala tão pouco da vida. Ninguém fala tão pouco. Parece que as palavras te queimam no pensamento ou ainda mais longinquamente. Talvez nunca espere a surpresa ou talvez nunca saiba o que me espera. Há vozes que não falam ou que dizem sempre por monossílabos a compreensão ou incompreensão de tudo. Hoje baralho as cartas da morte e adianto os ponteiros do relógio, tentando distrair ou contornar o destino da noite que me espera. Oscilo entre o medo e a esperança, entretenho-me a decifrar sintomas, sinais. Não tenho ninguém que me leia a sina nas nervuras da mão. Nem astros que consulte. Sei apenas o que me diz secretamente o calendário. E ainda não ouço os passos da tua voz...

Adeus, Teresa!

Acabo de saber que nunca mais voltarei a falar com a Teresa Tibo. Um cancro na mama levou-a, com trinta e poucos anos. A Teresa foi minha aluna. Uma aluna muito especial. Um dia, encheu-se de coragem e, no final da última aula da tarde, perguntou-me se podia falar comigo. Senti que era importante e predispus-me imediatamente a ouvi-la. Devemos ter estado duas ou três horas a conversar. O que ela me contou nesse dia... eu jamais esquecerei. Ajudei-a como pude. Não sei se a salvei, mas dei-lhe, na altura, a mão de que ela precisava para se manter de pé e poder sobreviver com um mínimo de dignidade. A Teresa foi a pessoa mais corajosa que até hoje conheci. Viveu completamente desprotegida e desarmada, mas nunca virou a cara à luta e ninguém a derrotou. Só a morte. Hoje, uma parte de mim morreu com ela...

O mundo perfeito de Sónia...

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Sábado, 06.12.2007

Pode não impressionar pela inteligência do que diz, mas tem pinta de ariana. Pelo menos, é loira...

A via sadomasoquista para a salvação...

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Sábado, 06.12.2007

Vou começar a treinar o cilício, a ver se deus (ou Jardim Gonçalves) me visita......

dezembro 06, 2007

improviso para ofício e memória...

Como numa tela de Modigliani ou Vermeer
as mãos femininas sobre o rosto
ou apenas sobre os olhos
e o universo espreitando atrás
ou através delas
talvez o preto o azul escuro
e as penas sobressaindo
ou as folhas do outono chovendo
delicadamente
não há cores que pintem o pudor
das palavras
nem os gestos que sempre tropeçam
entre o quarto a sala e a cozinha
aproximas-te devagar
como que temendo o contágio da noite
o pintor hesita a paleta e o pincel
a perfeição espera sempre que o café seja servido
agora já posso retirar a tela
do cavalete
e dizer-te simplesmente boa noite.

Ademar
06.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (52)...

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Quando desembrulharem o cachecol rosa, eu estarei sozinho atrás da tela, a segurar o gorro e as luvas. Não sei se a noite esperará a madrugada ou adormecerá antes dela. Talvez as barbas brancas estejam então mais compridas e eu saia à rua a passear a farda que nunca usei, distribuindo poemas ou apenas silêncios. Talvez até te encontre na volta de uma esquina imaginária, uma vez mais perdida da montanha que adiaste. O cachecol correrá de mão em mão e só tu saberás ouvir o que ele disser. Tu tens o perfeito entendimento da audição. Não digo ou sugiro sequer que te faltem outros sentidos, mas esse... desenvolveste-o como ninguém. Ouves tudo, até os rumores dos passos e dos gestos que te envolvem em segredo. Como quando vou ao armário dos brinquedos à procura da infância que não chegámos a brincar. Fumarei talvez um pouco mais, se não vieres. E verei um filme de Woody Allen, retirado exactamente da caixa que não levaste. Talvez... "Uma Outra Mulher". Aliás, um dos meus preferidos...

Por favor, poupai-nos a mais uma depressão patriótica!...

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Público, 06.12.2007

Espero que esta história da nova "arca" de Pessoa não se converta em mais um dramalhão à portuguesa. O governo que faça rapidamente o que se impõe...

D.Jorge, D.Mesquita... a santa e eterna aliança dos ilusionistas da salvação...

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Diário do Minho, 06.12.2007

Eis, nesta manchete do Diário do Minho, tudo aquilo que eu desprezo na cidade de Braga, onde nasci e continuo a viver (ou a dormir). Diante do altar ou nas fraldas dele, o rebanho da padralhada à volta do caudilho local, que vai distribuindo esmolas, como quem alimenta os cães de fila para que o guardem. O Portugal católico à moda de Braga é isto: um patamar sempre abaixo do nojo. Sit tibi terra levis...

O que é que eu tenho a ver com isto? Por que é que eu tenho de pagar isto?...

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JN, 06.12.2007

E eu... o que é que lhes posso cobrar?...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Adília Lopes, Caras Baratas

Um poema célere e quase branco de Adília Lopes...

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Adília Lopes, Caras Baratas

Cuidado que vêm aí os "líderes africanos"!...

Lisboa será, nos próximos dias, uma espécie de "resort" do inferno. Não me interessa a cor da pele de ninguém. Branco, preto ou às riscas, um facínora será sempre um facínora. Verei televisão o menos possível e folhearei distraidamente os jornais para não me incomodar...

dezembro 05, 2007

Improviso em forma de boa-noite...

De tão pouco te ouvir
talvez ensurdeça
tenho estradas nos olhos
grutas perfeitas molhadas
que ainda não chovem
e cumes nos dedos
à porta do big-bang
sim teço a noite em metáforas
para que ninguém mais nos entenda
a poesia é uma espécie de segredo
para dizer ao ouvido
e lembrar depois
há palavras
com uma história dentro
que nunca se escreve.

Ademar
05.12.2007

A eterna consolação de quem não erra sozinho ou...desculpas de mau pagador...

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Público, 05.12.2007

É simpático que José Manuel Fernandes reconheça o erro, mesmo atirando-o solidariamente para cima dos ombros de um colega, por sinal, bastante experiente. Infelizmente, não explica a tentação do título da manchete, que recordo: VENEZUELA DIZ "SIM" À PROPOSTA DE CHÁVEZ, OPOSIÇÃO APELA À VIGILÂNCIA. E o que eu gostava de perceber é como o diabo interfere nas opções editoriais do Público...

Peixes que cantam, à moda de Braga...

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JN, 05.12.2007

Não sei quem tem razão. Sei, apenas, como alguém diz, que parece tudo uma brincadeira, talvez de adolescentes que subiram depressa na vida. Mas retiro e registo da notícia o penúltimo parágrafo:
"António Salgado diz que em 35 anos nunca viu nada assim. "A programação do Theatro Circo é carne picada, importada dos Estados Unidos, com que se fazem hambúrgueres culturais. O Theatro Circo é nesta altura o MacDonalds da cultura em Portugal".
Com toda a franqueza, também me parece...


Duas maneiras de passar a mesma notícia...

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Público, 05.12.2007

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24horas, 05.12.2007

O relatório do PISA/2006 está hoje em todos os jornais portugueses.
O Público, por exemplo, dedica-lhe duas páginas inteiras, sem publicidade, com vários textos e gráficos. Transcrevo em cima a peça de abertura do dossiê, que nem sequer merece chamada à primeira página. Trata-se de uma abordagem séria, objectiva, profissional, clarificadora.
No outro lado da barricada, o 24horas dedica ao assunto três colunas, com chamada à primeira página, onde se pode ler: ESTUDO - ALUNOS PORTUGUESES DE 15 ANOS SÃO DOS PIORES DA EUROPA. O título da peça vai no mesmo sentido, assim como a legenda da foto que ilustra o texto: "Os resultados dos estudantes portugueses com 15 anos são um desastre". Trata-se de uma abordagem sensacionalista, mistificadora e até, em alguns aspectos, falsificadora, como a análise serena do Relatório permitirá facilmente evidenciar.
O tratamento do Público convida à reflexão. A objurgatória do 24horas, à exaltação. Eis, neste pequeno exemplo, toda a diferença entre o jornalismo responsável e o jornalismo de sarjeta. Infelizmente, desconfio que o segundo tem mais adeptos. Até no interior das próprias escolas...

dezembro 04, 2007

Improviso para enganar o calendário...

Hoje retirei dos armários um segredo inviolável
talvez agora a primavera suceda ao outono
e regressei vagarosamente ao cais
onde troco sempre as estações do ano
todos os meses deviam ter mais de trinta dias.

Ademar
04.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (51)...

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Esse mistério: uma aura de quase inacessibilidade. Nada é óbvio, nada é previsível. O pensamento diverge de todos os padrões e de todas as convenções. Quando estás mais perto é quando ficas mais longe. Quando estás mais longe é quando ficas mais perto. Até chega a parecer que esperas sempre nada e o contrário de tudo, como se aspirasses talvez à impossibilidade matemática de qualquer equação relacional a mais de uma incógnita. Adoeces todos os dias do abandono a que te destinas. Parece que já não sabes abrir portas, nem janelas. Imaginas apenas horizontes inacessíveis, que nunca estão no mesmo lugar dos olhos e das mãos que te mendigam. Nenhuma certeza te abriga dos ventos ácidos que te queimam por dentro e enregelam. Nem nas montanhas mais distantes terias paz, enquanto pendularmente pensares abismos e sentires precipícios. Não há salto que te faça voar desses pés há tanto tempo viciados no pântano. Sim, precisas de ajuda para não te afundares nele...

Concerto para muita cerveja...

Um amigo chamou-me a atenção para este vídeo. Não bebo cerveja, mas nunca resisto a uma boa proposta de embriaguez musical...

Cinema Paraíso, sequência final, parte II (com Bach em fundo)...

Recordando ainda Víctor Jara...

Foi barbaramente executado em Setembro de 1973, com uma guitarra nas mãos. Pinochet, o general que, em nome de deus e da pátria (os alibis de todos os pulhas), abençoou a matança, não chegou em vida a pagar por nenhum crime, mas finalmente morreu (a morte não poupa ninguém). Víctor Jara, esse, continua a cantar. E será recordado sempre assim...

Portugal é isto, para nosso imenso desconforto...

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Serei um homem da noite, marcado para morrer?...

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24horas, 04.12.2007

Convivo apenas poeticamente com a noite, mas... estarei marcado para morrer por causa dela? Hoje, esta manchete inquietou-me...

Se eu fosse o Pai Natal, este ano só ofereceria isto...

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A série documental de Joana Pontes e António Barreto (que o Público, em boa hora, tem vindo a "distribuir" às segundas-feiras) constitui uma bela pincelada sobre o país que ainda somos, mas a banda sonora de Rodrigo Leão, que já está à venda, é simplesmente magnífica. Não me canso de a ouvir...

O apelo de Chávez ao 69...

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Na mão direita, a gente percebe o que Chávez pretende insinuar. E na mão esquerda, o que mostra ele? Uma caixa de preservativos? De que marca? Serão made in USA?!...

Mais uma originalidade editorial: o calendário como manchete!...

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JN, 04.12.2007

Dizei lá que o JN não se distingue pela originalidade!... Fazer manchete com o calendário ainda não tinha, por certo, ocorrido à concorrência, nem ao 24horas...

dezembro 03, 2007

Improviso para dizer da música...

As palavras nunca têm música dentro
nem as pessoas
só a música que ouvimos
quando se deixam tocar.

Ademar
03.12.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (50)...

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Há sempre uma porta nova que ofereces ao universo, uma linha de fuga. Vai por aí e sê feliz, como se a felicidade fosse apenas um caminho ou um capricho da vontade, uma direcção irrecusável. Ou como se, simplesmente, te sentisses incapaz de arriscar as grades por algo que se lhe aproximasse. Há portas, porém, em que ninguém cabe. Por mais abundantes e largas que sejam ou pareçam ser. Há linhas de fuga que seriam apenas de renúncia e cobardia. As pessoas não funcionam assim, em linha recta ou numa lógica aristotélica. Há muitas esquinas e muitas curvas e muitas interrogações nos mapas íntimos das pessoas. Há lugares estranhos, muito estranhos, que nenhuma racionalidade habita. As palavras nunca dizem tudo; sobra sempre a vida nelas e em todos os seus intervalos. E a morte só espreita a fraqueza dos que desistem...

Os erros do Público...

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Público, 03.12.2007

Quando esbarrei na manchete do Público esta manhã... eu já sabia que Chávez tinha perdido. Por isso, sorri apenas...

Madrugar...

tira-me da cabeça aquele velho tão frágil
que pergunta pelas horas
é uma da manhã
e está tudo fechado
até a pena está a cadeado
repito três vezes
antes do último metro
abro a porta e sento-me
não lhe dei nada
ele não me pediu nada
mas eu queria dar-lhe o momento
deve ter havido um momento
em que nunca mais se volta a casa
seriam então duas da tarde
e o sol entrava na loja
um cumprimento
uma conversa banal
um pedido prontamente satisfeito
fiquemos aí
para podermos seguir caminho
ainda que eu continue a falar
cá dentro

Ana Saraiva

dezembro 02, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (49)...

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Esse rasto de culpa que te acompanha e que te persegue, como se nenhum falhanço ou erro pudesses consentir-te. Nunca admites ou reconheces o trabalho da imperfeição. Aspiras sempre a uma espécie de montanha, um tecto inalcançável. Quem quer que chegue perto de ti terá sempre de subir ainda mais alto. Nada parece ser suficiente. Nada parece recompensar-te. Nada é tão certo ou seguro que te conforte. Desconheces da vida as margens da tranquilidade. Queres sempre o máximo de tudo, numa higiene inexpugnável. Não recuas perante nenhum risco, não conheces a linguagem da adversidade. Pouco te importa que possas perder a vida ou que possas perder o rumo. Ou até que possas perder o amor, se o amor te faltasse. Tens a consistência e a consciência do granito. E o fogo inteiro. Nunca desistes, como ele, de arder. Vives permanentemente numa combustão interior. Um desarranjo de corpo e alma, um cansaço que quase nunca adormece. Essa fúria de aceitar todos os contrários e todos os contrastes, entre as amarras de um silêncio sempre vigilante. Não podes com tantas vozes, com tantos ecos. Faltam-te nascentes, lugares a que regresses serenamente quando todas as esquinas pareçam abrir para labirintos. Sofres de excesso de identidade. Raramente cabes em ti...

Que horas são?...


Os grandes títulos do Público...

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Pública, 02.12.2007

Por deus ou pelo czar... não haverá um único russo que desconfie? Nem a própria cavalgadura?...

Improviso simplesmente dominical...

Já houve um tempo
em que os domingos não tropeçavam assim nesta melancolia
pensados agora
como que espreitavam uma espécie de felicidade adolescente
que nenhum futuro ensombrava
nesse tempo
todos os mortos comiam ainda à mesa
e nem os meus filhos ou a tua sobrinha tinham nascido
eram domingos tristes
muito mais tristes do que consigo agora imaginá-los
de uma tristeza que não cabe quase nas palavras
tu não pensavas ninguém
colavas ainda o destino a uma metade
que julgavas pertencer-te
e não tinhas montanhas nem abismos nesse lugar recôndito
que nenhuma esperança habita
eu
não tinha ainda descoberto a sombra desse plátano debaixo do qual fui morrendo
deixa-me abraçar-te aqui mesmo
antes que a terra nos falte
lembras-te por certo de outros domingos
e do primeiro de todos quando vieste
a mesa estava posta como sempre a viste
e ninguém fugiu
havia um cheiro de toalhas antigas
do baú da minha mãe
e tu nada perguntaste
também nesse tempo os domingos voavam
ainda que fosse só por mim
eu já era velho
e apenas escrevia metáforas
para distrair a verdade do tempo
agora arrumo as cadeiras talvez fora do lugar que já foi delas
e deixo sempre a cabeceira para alguém que nunca parte
não importa que chova
tenho a certeza de que a infância ainda será possível
num domingo assim.

Ademar
02.12.2008

Estou lixado: não acertei a felicidade!...

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Pública, 02.12.2007

Acabo de tomar consciência de que 2007 foi um ano de merda para mim, perdoai o plebeísmo. Não me nasceu o quarto filho. Não consegui comprar Manolos (e, se consegui, não dei por nada). Não me casei, nem me divorciei. Não passei um mês na Nova Zelândia, nem ganhei o Euromilhões (talvez tivesse de jogar). As vitórias e as derrotas do Porto não alteraram minimamente a minha vida. Não fiquei noivo (apesar do esforço). Não fiz desaparecer o stress e os meus pais não comemoraram nenhuma efeméride, porque já morreram. Não comprei obras de arte, nem sequer os romances de Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos. Não comecei nem acabei nenhuma maratona. Não deixei de fumar. Não transformei o quintal num jardim, nem o jardim num quintal. Não descobri a praia perfeita e, francamente, mal sei quem foram os meus bisavós. Felizmente, 2007 está quase a terminar...

Eu penso-me, tu pensas-te, nós pensamo-nos...

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Notícias Magazine, 02.12.2007

A NM faz capa com um artigozinho retirado da Psychology Today. Afinal, o "sexto sentido" não é um dom feminino. Os homens que se esforçam também são capazes de ler os pensamentos das mulheres e intuir os seus sentimentos. É, diz-se, uma questão de... motivação. Motivemo-nos, pois, uns aos outros, uns nos outros. Eu sei em que estás a pensar. Tu sabes em que estou a pensar...

Um autarca que nunca larga o comando...

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Tabu, 01.12.2007

Fernando Ruas, presidente da Câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios, nem na hora de adormecer... larga o comando. Os verdadeiros comandantes são assim: nunca relaxam...

As armas e os barões assinalados...

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Única, 01.12.2007

No próximo mês de Março, teremos nas bancas (não é piada!) o primeiro livro de poemas de PTP, Paulo Teixeira Pinto. Suponho que a obra já não será patrocinada pelo Millennium Bcp, mas seria prefaciada (informa modestamente o autor) por Eduardo Prado Coelho, se o ex-colunista do Público e crítico literário, entretanto, não tivesse morrido. Por agora, só nos resta saborear a profundidade do "Ditado". E começar a salivar. Este poeta da banca promete...

dezembro 01, 2007

Quem passa por Alcobaça...

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JN, 01.12.2007

Este cartaz é apenas, por ora, uma brincadeira. Uma brincadeira antiga, quase idiossincrática. O "bom povo português" reage sempre assim quando se sente ameaçado por um fontismo qualquer. A história, em Portugal, está sempre a repetir-se. Digamos que só o humor varia...

Parabéns, bastonário!...

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O António Marinho é o novo bastonário da Ordem dos Advogados. Fomos colegas de curso e de turma (em Coimbra), partilhámos muitos sonhos e brincadeiras e ficámos amigos. Como não estou inscrito na Ordem, não pude votar nele, mas fico muito feliz com a sua merecida eleição. Parabéns, camarada!...

Um aviso pré-natalício...

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Público, 01.12.2007

Quem me conhece sabe que abomino o natal e todas as bebedeiras congéneres. Este ano, porém, abrirei uma excepção ao cinismo, para aceitar uma única prenda natalícia (que o Público, hoje, sugere): Soraia Chaves. Tenho só uma dúvida: serve-se quente ou fria?...

Pedofilia publicitária...

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Longe da vista (alegre?), longe do coração? Uma lolita fica sempre bem nestes anúncios, ainda que ninguém perceba a relação. São apenas... pulsões pedófilas...

E se fosse, qual seria o problema?...

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24horas, 01.12.2007

A orientação sexual dos políticos e dos demais cidadãos tem tanta importância para mim como a cor dos olhos. Mas parece que continua a preocupar muito os castrados de todos os matizes. Como eu os entendo, coitados...

De que ri ela? E para quem?...

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Focus, 28.11.2007

Confesso que quando ponho os olhos e o pensamento nela... não tenho vontade de rir. Nem tão pouco de sorrir...

O segredo antiquíssimo de Marcelo...

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Focus, 28.11.2007

Quando comecei a trabalhar para o Expresso, já lá vão quase trinta anos, toda a gente na redacção me falava das proezas de Marcelo: dormia apenas três/quatro horas por noite; raramente corrigia as crónicas que ditava, de improviso, às secretárias; era mesmo capaz de improvisar e ditar duas crónicas abolutamente distintas ao mesmo tempo. Já não me recordo das demais proezas que engalanavam a "lenda" de Marcelo. Só sei que os anos foram passando e a "lenda" de Marcelo persiste. Portugal é, de facto, um país muito pequeno. E parece que nada muda, como se a história não passasse por ele, nunca passasse por nós...

A reflexão pulhítica (digo, política) da semana...

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Expresso, 01.12.2007

Explica-nos lá, ó Ribau: e "um gajo bom como o milho", também se namora?...
Para quem não se lembre, Ribau Esteves é o actual secretário-geral do PSD...

A foto do dia...

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Expresso, 01.12.2007

Uma vela sempre erecta na ponta do mastro de Manel. Não vale rir mais de trinta segundos: tenhamos pena do rapazote...

Eu também quero ser filho ou amigo de Jardim Gonçalves...

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Expresso, 01.12.2007

Desinteressadamente, vou tentar aderir ao Opus Dei. Haverá alguém que me proponha?...
Fui baptizado no seio da Santa Madre Igreja, estou disponível para acreditar num deus qualquer (só teráo que me indicar qual) e nunca pertenci à Maçonaria ou ao Partido Comunista. E, mais importante ainda, não sou gay...

Bem que poderiam resolver a pendência num duelo, que não faltariam padrinhos...

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Sol, 01.12.2007

Uma boa polémica faz sempre subir as vendas da literatura comestível, sobretudo, nas vésperas de uma "quadra natalícia". Mas se Vasco e Miguel se defrontassem e ferissem num duelo... ah!, as vendas de certeza disparariam...