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novembro 30, 2007

Improviso em forma de haiku para falhar a contabilidade dos meses..

Erro sempre o calendário
das memórias
quando fevereiro não tem trinta dias.

Ademar
30.11.2007


Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (48)...

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De tanto treinares o silêncio, como que perdeste o sentido e a noção da resposta. Raramente respondes, a não ser com a mudez do corpo. E, algumas vezes, a nudez. Parece que as tuas palavras nunca esperam ou subentendem o diálogo. Digo: as palavras que dirias, se o teu pensamento mais íntimo não ficasse sempre refém das cordas vocais. Mesmo as raras perguntas que fazes viajam quase sempre com a resposta (implícita) dentro delas. Desconheces a gramática das pausas e do contraditório. Não reconheces sinais de pontuação. Todos os teus poemas começam e terminam em monossílabos. E dizes sempre tudo...

A concorrência pacóvia das quintas-feiras...

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Visão, 29.11.2007

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Sábado, 22.11.2007

Com uma semana de intervalo, a Sábado e a Visão propõem, em capa, aos leitores roteiros de viagem (outono/inverno) em Portugal. A Sábado arrisca "os 12 lugares mais bonitos"; a Visão, simplesmente, sinaliza "10 refúgios para fugir ao stress". A Visão, que saiu uma semana depois da Sábado, anda notoriamente a cabular...

Resposta a uma leitora...

Uma leitora e comentarista habitual, que julgo desconhecer, pergunta-me quando publico os meus textos. Deves andar distraída, "Cândida": há mais de três anos que os publico aqui. Só não tenho é pachorra para procurar editora, depois de a ASA, que lançou o meu primeiro livro de poesia, ter mudado de gerência...

Greve, claro!

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Público, 30.11.2007

Hoje, desde que me levantei e comecei a sintonizar o planeta, digo, a greve, só tenho visto e ouvido Carvalho da Silva. Já esperava. O que talvez não esperasse era folhear o Público e encontrar duas páginas inteiras dedicadas a... Carvalho da Silva. Li-as enquanto almoçava e reforcei uma ideia antiga: a CGTP não terá tão cedo à sua frente um tipo tão decente e respeitável como Carvalho da Silva...

Embaixador britânico no Allgarve...

Numa reportagem sobre o caso Maddie, ouvi há minutos na RTP1 uma voz feminina em off falar do "embaixador britânico no Algarve". Estava distraído a conversar com uma dourada grelhada, mas ainda fui a tempo de registar o título. Confesso, humildemente, que ignorava que o Reino Unido já tivesse embaixada no Allgarve...

Baile de bombeiros...

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24horas, 30.11.2007

O grande criminologista-guionista-autarca ou autarca-guionista-criminologista já tem matéria para se entreter nas horas vagas do caso Maddie. Nunca se sabe quando o sexo a três (ou a mais) conduz ao crime...

Ludwig...

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Hoje, antecipando a greve, alvorei para rever Visconti e Ludwig, nessa fabulosa e impressionante reencarnação de Helmut Berger. Há filmes que ganham densidade e magia com o tempo. Ou seremos nós?...

novembro 29, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (47)...

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Sempre estranhei a posição do corpo, suspenso sobre o abismo, digo, sobre o chão. Como se, em repouso, não soubesses dialogar intimamente com a proximidade de outros corpos. Uma noite, mesmo, desertaste, fugiste. Lembras-te? Depois dessa noite, nunca mais quiseste arriscar. Não estou nada certo de que fosse da insónia. Reencontrei-te ao fundo da sala numa espécie de transe sonâmbulo, algo muito próximo de um surto hipnótico. Era já madrugada e as muitas e altas vozes subiam e desciam as escadas de um prédio atónito. Já não me recordo se dormias. Recordo-me, sim, de que o teu corpo parecia um livro desarrumado na estante, com as folhas dobradas ou encarquilhadas. Uma mão esquecida sobre um comando alternava distraidamente canais, mas os teus olhos pareciam ausentes, longe, muito longe do que sobrava de ti. Acho que foi nessa madrugada que, definitivamente, percebi que não podia virar-te as costas, que não podia abandonar-te. Há conflitos interiores, tão antigos quanto a nossa própria existência, que jamais seremos capazes de resolver sozinhos. Na manhã seguinte, gritaste a uma mulher que passava (nem deves ter reparado que era uma mulher) essa espantosa incompreensão do afecto e da teimosia e, regressando a uma espécie de infância ou adolescência castrada, tocaste depois campainhas, como que provocando e desafiando o universo ali tão próximo e tão distante. Regressei ali a Granada, abracei-te, e disse-te ao ouvido ou dei-te a entender que ninguém tinha percebido. O teu corpo pareceu, finalmente, serenar. A alma, essa, é que continuou desarrumada na estante. Até hoje. Até quando?...

Greve, digo eu...

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As razões até podem não ser das mais entusiasmantes (o arrazoado destas "convocatórias" sindicais já me deprime), mas o governo merece uma lição, digo, uma greve à maneira. Por isso, amanhã, aderirei. Espero que valha a pena e que a alma dos grevistas não seja pequena...

Há vidas e há palcos e há bailados que não reclamam duas pernas e dois braços...

Improviso para desenfeitiçar a noite...

Talvez a voz me falhe mais logo
quando o sol adormecer nos braços da lua
e a noite andar perdida de bar em bar
à procura da mesa em que ninguém me espera
perdoa-me o último cigarro
o último pedido antes do próximo
ou talvez da morte.

Ademar
29.11.2007

Tudo, sempre, em família ou... a democracia no grau zero da decência...

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Sábado, 29.11.2007

Claro que é tudo legal. Claro que é tudo, eticamente, indecente. Não me importa se são de esquerda ou de direita. Sei apenas que ninguém os elegeu para isto, para, de uma forma ou doutra, empregar a família, os correlegionários ou, simplesmente, os amigalhaços...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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José Luís Peixoto, A Criança em Ruínas

Que mais não terá pago a Câmara de Felgueiras?...

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Correio da Manhã, 29.11.2007

Não discuto aqui subtilezas legais, nem garantias de reversão. Atenho-me apenas a uma certa noção de decência. Estas manigâncias com dinheiros públicos deveriam dar, liminarmente, cadeia. Há coisas que jamais se poderão tolerar...

novembro 28, 2007

Improviso para estranhar o cais de que partes...

Entre tantas vozes
talvez reconheças a minha
e se não a voz
pelo menos o silêncio
entre as palavras
a respiração
a verdade irreparável de todos os medos
diante do espectro da fome que te devora
nunca sei a que mesa te sentarás
nunca sei se a montanha terá regresso
e eu estarei à espera
tens o hábito de partir
sempre que eu chego mais perto.

Ademar
28.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (46)...

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Há fotografias que eu jamais conseguiria imaginar. Nesta, estendes a mão solitária a um caçador que aparentemente te vira as costas. Tens o abandono no olhar e a mão está suspensa sobre um gesto que te recusa. Nestoutra, vestes as roupas da tua irmã e não sorris, mas as pernas arqueadas que espreitam da saia não parecem ainda pertencer-te. Nesta, escondes o rosto entre as duas mãos, esse gesto de todas as horas que nasceu contigo. Não consigo perceber se os olhos ainda espreitam por entre os dedos sempre frágeis. Neste álbum que agora imagino e desfolho, são tantas as fotografias em que te escondes assim: umas vezes, os olhos simplesmente fechados; outras, as mãos trémulas sobre o rosto. Nesta, uma das mais desbotadas, parece que não consegues ainda firmar-te sobre as pernas. Equilibra-te o ombro de um velho que, atrás do balcão, te segura e te protege. Comparo esta fotografia com a primeira que vi. Nenhum dos homens parece ter palavras suficientes para te dizer. O caçador vira-te as costas; o velho (o avô de que falas?) limita-se, quase distraidamente, a oferecer-te um ombro, para que não caias. Estas fotografias dizem como, desde a infância, aprendeste tão lentamente a conjugar as palavras no silêncio. E como sempre te cegaram os olhares que te esqueciam. Ainda que te importes, ficarei com estas...


A metamorfose de Valter Lemos...

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JN, 28.11.2007

Nenhum diário me diverte tanto como o JN. Repare-se nesta notícia. A fotografia que ilustra o texto, ao contrário do que sugere a legenda, não é de Valter Lemos (primeira gargalhada!) . E o "orador português" (segunda gargalhada!) para que remete o destaque não é, como se poderia inferir da fotografia supra, um secretário de estado qualquer, mas o inevitável Luís Imaginário. O JN anda a falhar, visivelmente, as "novas oportunidades"...

Em vez de filhos, telemóveis...

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24horas, 28.11.2007

E é tudo ao natural...

A quem poderá interessar esta manchete?!...

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24horas, 28.11.2007

Os tablóides rasgam todos os dias na primeira página, impunemente, os direitos fundamentais dos cidadãos... E vendem...

Já ninguém está a salvo da canalhice jornalística...

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Correio do Minho, 28.11.2007

Há quem chame a isto "liberdade de imprensa" e "direito à informação". O tabloidismo à escala local e regional, mesmo a cavalo da Lusa, ainda consegue ser mais canalha e troglodita...

Portela mais 7... Portela mais 6... Portela mais 5... Portela mais 4... Portela mais 3... Portela mais 2... Portela mais 1... PUM!...

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Público, 28.11.2007

O ridículo, em Portugal, nunca tem limites...
Por favor, desviai os aviões para Badajoz!...

novembro 27, 2007

Improviso para antecipar a planície...

Já fui muitas vezes ao centro da terra
e não voltei

tenho as paredes grudadas à superfície das mãos
e tacteio apenas
erro as janelas e as portas
para sair
e fico sempre aqui
a escorrer pensamentos de clausura
há quem fuja para as montanhas
e não olhe para trás
talvez eu já não caiba em nenhuma tenda
talvez a noite lá fora
esteja ainda mais fria do que as palavras
que enregelam ao vento
talvez eu tropeçasse os caminhos
talvez errasse também os mapas
há passos em que o coração fraqueja
vivo agora mais próximo dos pés
que não troco
sei que nenhuma montanha é eterna.

Ademar
27.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (45)...

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O universo, por vezes, começa e acaba em nós. Nada mais nos importa. Olhamos em volta e só vemos ou pressentimos o pântano, onde todos se afundam, antes de nós. Quando começo a pensar o outro, construo uma ponte sobre o pântano. E começo a pensar-me. E o pensamento preenche-me. Há um sofrimento interior que é feito de muitos silêncios, de muitas ausências e de muitos pudores. O pudor, mesmo, de se negar como sofrimento e de se afirmar apenas como egoísmo. Não, o egoísmo não passa por aqui, por essa incapacidade visceral, patológica e patogénica, de atender ao outro. O sofrimento que dói pede, intimamente, perdão. Compreensão. Não quer magoar, mas lamber apenas as próprias feridas. Quem sofre assim e faz sofrer assim... está disponível também para aceitar todos os castigos e todas as punições. E não reclama, nem se insurge, quando as vitimas se excedem na expressão do inconformismo. Da inquietude. No protesto. Há solidões encastradas que apelam todos os dias à justiça e à ternura do chicote. E que só o recusam quando, finalmente, voam sobre o pântano. E se deixam integrar no universo...

Prevenção...

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Não é propriamente o filme mais conseguido de Orson Welles (Kafka merecia muito mais), mas se comprardes e virdes esta edição... dispensai as legendas em português. O filme foi legendado por um analfabeto...

Saiam mais umas chicotadas para glorificação do profeta!...

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Público, 27.11.2007

Como Nietzsche tinha razão... Quase todas as religiões monoteístas excitam a bárbarie...

Um escritor feliz...

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24horas, 27.11.2007

Miguel Sousa Tavares está bem na vida. Não precisa sequer que eu o leia. Ainda bem, para os dois...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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José Luís Peixoto, "A Casa, a Escuridão"

novembro 26, 2007

Improviso para alvorar...

O medo não tem palavras
sofre de todos os gestos em que tropeças
esse abraço que não ousas
o olhar que recusas
as mãos que o pudor algema
e todos os silêncios que gritam
anoiteces sempre devagar
adiando a morte na alvorada.

Ademar
26.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (44)...

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Há um excesso de mãos a cobrirem o rosto. Parecem mãos de muitas vidas, de muitas máscaras. Uma coreografia única de um pudor quase proto-histórico. Nada é simples e linear em ti. Um silêncio de muitas faces e de muitos punhais apontados ao próprio peito. De vez em quando seguirás Zaratustra para a montanha e talvez lá, apenas lá, não consigas ouvir os ecos dos berços que te chamam. Mas regressarás sempre de mãos vazias, porque na montanha os espelhos cegam e o tempo interior das nuvens mergulha sempre na saudade e no desespero do regresso, onde mais uma vez te encontrarás. Com tenda ou sem ela, dormirás sempre ao relento...

Gosto muito desta versão de Blue Moon...

Pleaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaase!...

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Público, 26.11.2007

A direcção da Polícia Judiciária deveria, no futuro, instalar-se no novo Parque Mayer. Sobre o caso Maddie, já só falta mesmo passar para os jornais a versão (em que eu acreditaria piamente) da intervenção de extraterrestres. Para caricatura de polícia científica... já chega!...

Os padecimentos de um ministro...

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24horas, 26.11.2007

Se esta notícia não é especulativa e tem algum fundo de verdade, eu, no lugar do desautorizado Augusto Santos Silva, iria dar uma volta ao bilhar grande. Por tudo...

Braga por um canudo alternativo...

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Correio da Manhã, 26.11.2007

Frequento quase todos os dias o edifício onde se localiza a Residencial Cairense. Nunca passei do rés-do-chão, digo, da tabacaria, mas cruzo-me frequentemente com as meninas e os agentes que por lá vão "alternando". É o que dá viver no coração de Bracara Augusta, paredes-meias com a mui virtuosa cidade dos arcebispos...

Roubado a uma amiga...

Se eu um dia tiver de morrer, que me escape a solenidade do momento. Como se diz por aí agora: "olha, fui!"

Ana Saraiva

novembro 25, 2007

Improviso para lembrar talvez a minha mãe...

Há palavras que convidam à infância
escrevo agora a palavra
puré
e regresso à mesa da Cruz de Pedra
ninguém fazia puré como a D.Laura
talvez fosse das batatas
ou do leite
ou da manteiga
ou do apuro no limite de todos os gestos
não há receita para a perfeição
também ninguém fazia como ela
o arroz de cabidela
dito
pica no chão
(nunca percebi porquê)
talvez um excesso de sangue ou de zelo
esse feitiço
de associar a memória a tudo o que enternece
"só vou porque quero que faças puré"
não fiz e vieste.

Ademar
25.11.2007

Improviso para memória talvez futura...

Poderia agradecer-te os violinos
em vez do piano
o colo talvez ao contrário
de tantas teclas
ou tantas cordas
a serpente enrolada assim
na amnésia da infância
e a fome da montanha que sorri
a outras fomes
poderia agradecer-te a conivência
da mantra
se o Tibete não estivesse tão próximo
ou tão longe.

Ademar
25.11.2007

A feira cabisbaixa da morte...

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JN, 25.11.2007

Já não bastava terem perdido um filho no Afeganistão, "ao serviço da pátria e da paz". Tiveram ainda de receber em casa o primeiro-ministro e o vice-presidente da Câmara de Gaia e agradecer-lhes, pessoalmente, as oportuníssimas condolências. Eu, no lugar deles, não sei o que faria. Mas, muito provavelmente, teria vontade de os correr a pontapé. Há políticos que não respeitam a dor de ninguém, nem na morte...

Dívidas, segredos e paixões retumbantes para consumo acéfalo das massas...

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24horas, 25.11.2007

Os limites eróticos de uma profissão...

A notícia vai dando a volta ao planeta. Anna Ciriani, professora de literatura numa escola de Pordenone, no Nordeste da Itália, foi suspensa por excesso de exposição erótica. Podeis ver aqui um dos vídeos que valeram a Anna Ciriani o estrelato mediático... e a despromoção profissional... Não recomendável, obviamente, a estudantes de literatura...

Causa Nossa...

O causa nossa completou há dias quatro anos. É um dos raros blogues que eu frequento regularmente, sempre com proveito (podendo ou não estar de acordo). Parabéns, Vital!

novembro 24, 2007

Improviso para tela ou algo mais...

Sobre a mesa do tamanho da noite
uma vela
e no olhar que acende a lua
uma chama
talvez faltem sombras na tela
ou luzes ainda
sobram apenas duas mãos.

Ademar
25.11.2007

Improviso sob a forma de universo...

Circulo por entre as vozes que te chamam
sou apenas aquele que chegou tarde
ao teu destino
mas nenhuma outra voz terá o timbre
que o teu silêncio antigo reconhece.

Ademar
25.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (43)...

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Chegas e encostas-te, serenamente, ao umbral da porta. Errei o advérbio de modo. Deveria ter escrito: nervosamente. Ou: ansiosamente. Um passo mais e talvez o universo explodisse ali. Foi assim, pelo menos, que os meus olhos pensaram a circunstância dessa pose, em ti, sempre ausente. Vejo o preto no lugar do azul-escuro e não vejo o cinto. Mais tarde exibirias a marca. Mais tarde induzirias a metáfora da desfragmentação. Mais tarde sentirias a sede dos dedos que nunca descansam nas palavras. Mais tarde ousarias o confronto da madrugada, dispensando a leitura talvez tardia de José Luís Peixoto. E mais tarde, ainda, regressarias incólume ao berço, na delicadeza de um afecto tantas vezes reprimido. Há sempre uma página, muitas páginas que ficam por escrever. Ou por ler. Volto atrás, voltas atrás…e tropeçamos quase sempre no índice do que somos, do que fomos. Desencosta-te, por favor, do umbral dessa porta. Dá um passo, dois passos em frente. Desaperta o cinto, sacode as penas. Descuida as mãos. A perfeição, nunca esqueças, é um descaminho de medos e de assombros. Só a urgência cabe no tempo dos que nele se perderam...

Ele dá e mostra quase tudo o que tem...

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24horas, 24.11.2007

Alberto João Jardim e Hugo Chávez, em pelote, fariam uma dupla eroticamente temível...

Miguel e Vasco, Vasco e Miguel: a saga e o sangue...

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Público, 24.11.2007

Recuso-me, por uma questão de higiene mental, a ler os romances dos (ovos) estrelados das televisões. Vasco Pulido Valente foi desafiado pelo Público a ler e a comentar o novo romance de Miguel Sousa Tavares e o Público dá hoje à estampa a crítica encomendada a VPV. É claro que nada disto se passaria se MST ainda fosse colunista do Público...

novembro 23, 2007

O inefável poder da biologia...

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24horas, 23.11.2007

Bolas de cristal fundido...

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24horas, 22.11.2007

Em todo este processo, não sei quem não ajudou à festa da insensatez e do absurdo... Mas desconfio que Esmeralda sobreviverá a tudo e a todos: aos juízes, aos advogados, aos pedopsiquiatras, aos jornalistas, aos pais "afectivos" e respectiva claque e, até mesmo, aos próprios pais "biológicos"...

O gasóleo da esperança na primeira página...

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24horas, 22.11.2007

As primeiras páginas e as manchetes do 24horas deviam ser estudadas pelos pedopsiquiatras de Coimbra que já vão predestinando Esmeralda à "doença mental"...

novembro 22, 2007

Improviso em forma de haiku para dizer a ausência...

Nenhum nevoeiro
dura mais do que o tempo de uma vida
há sempre uma luz que o desvenda.

Ademar
22.11.2007


Improviso em forma de baloiço...

São penas
senhora
são penas
penas que se colam ao corpo
por fora
e por dentro
penas
que nem a escuridão disfarça.

Ademar
22.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (42)...

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Uma fronteira muito ténue entre o estar e o não estar, entre o ser e ser outra coisa, talvez, um portefólio de inexistências e indecisões. E na origem de tudo, algo próximo do nada ou uma nebulosa do tamanho do universo. As perguntas a que nunca respondes... acumuladas a crédito de uma infância estilhaçada e emudecida. Um sofrimento antigo, quase arqueológico. As palavras que nunca dizem o pensamento. E o pensamento que se esconde sempre atrás do silêncio, como um biombo, não vá alguém adivinhá-lo ou armadilhá-lo. Há, na inquietude do teu olhar e das tuas mãos, um rasto quase atmosférico de inibições que viajam um segredo talvez impartilhável. Uma espécie de pudor que não cabe mais no território do corpo. Um labirinto projectado sobre uma manta morta de sentimentos. Um outono, dir-se-ia, caído em desgraça. Um outono que mendiga sempre tempo e espaço. O tempo que já não tens e o espaço que, todos os dias, te negas. Essa fronteira tão ténue é uma linha de trapézio. Erras o passo e regressas ao abismo...

Notícias avulsas da guerra civil...

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JN, 22.11.2007

Estas situações dizem apenas que há muita falta de bom senso nas escolas. Há adolescência a mais e um profundo défice de maturidade social... entre alunos e professores. Entre alunos... ainda se entende. Entre professores... é trágico. Parece que vivemos, nas escolas, num clima de permanente guerra civil. Falta inteligência, falta autoridade, falta profissionalismo. E faltam, sobretudo, experiência de vida e equilíbrio emocional a muitos e muitos professores, que nenhum conhecimento livresco substitui...

Um vídeo para Pinto Monteiro, a bem da nação...

Aliviem-no do fardo, antes que nos farte...

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Visão, 22.11.2007

O problema de Pinto Monteiro, perdoe-se-me a franqueza, é que não regula muito bem. Há coisas que um procurador geral e um magistrado não pode dizer ou sugerir. Trata-se, pungentemente, de um erro de casting. Pinto Monteiro deveria dedicar-se à horticultura...

novembro 21, 2007

Requiem pela Inglaterra...

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Uma excelente fotografia de Steve McClaren, o seleccionador inglês que falhou esta noite, perante noventa mil pessoas, em Wembley, o apuramento para a fase final do Europeu de futebol. Uma espécie de tragédia grega encenada por Shakespeare. Os ingleses, a jogar a futebol, são demasiado honestos. Admiro-os por isso, mesmo (ou sobretudo) quando perdem...

Improviso erm forma de paleta...

Coloca-se o granito no centro da tela
das nuvens
e o outono parece soluçar
tonalidades distraídas
o nevoeiro nasce nos olhos
e desce lentamente gota a gota
sobre as mãos do pintor
que cega
há um rio que atravessa a tela
de lés a lés
e que ninguém vê
a água inunda tudo
nenhum horizonte distingue depois a solidez do chão
que tropeça.

Ademar
21.11.2007

novembro 20, 2007

Improviso entre margens...

Talvez amanhã não chova
talvez possamos ainda submergir
o universo nunca é tão líquido
como quando o soletramos assim
ouve
talvez não precisemos de mapa
para lá chegar
as mãos e a memória bastarão.

Ademar
20.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (41)...

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As emoções são, frequentemente, precipícios, armadilhas. Ou pântanos, em que nos deixamos enterrar. Há quem sacrifique tudo, até o destino, à solidez do chão. Quem não arrisque um passo, quem não arrisque um salto. E há quem viva nessa permanente contradição dos opostos, entre a segurança e a insegurança, entre o cálculo e o desleixo, entre a certeza e o perigo, entre a razão e talvez a loucura. Há quem não consiga acompanhar os movimentos e os impulsos do próprio corpo, quando o pensamento e a vontade o abandonam. Há quem se divida, mortalmente, entre a noite e o dia. Quem erre quase sempre a expressão dos gestos e das palavras. Há pessoas assim, que naufragam interiormente num oceano de emoções que nunca controlam. Que despem mais depressa o corpo do que a alma. E que se perdem em todas as florestas, confundindo as sombras com as luzes que as projectam. Há formas de inteligência, minha amiga, que deformam a vida. E que a sufocam...

Diplomacia não conjuga com liberdade...

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Única, 17.11.2007

Felizmente, sou um homem livre: só convido para almoçar ou jantar quem quero...

De vez em quando, concordo com Miguel Sousa Tavares...

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A Bola, 20.11.2007

O futebol infantil, em Portugal, é uma das versões mais sórdidas da pedofilia que todos parecem tolerar. O caso a que se refere MST é um escândalo e uma ofensa. Conheço-o bem. Mas é apenas um... entre muitos...

Um novo sinal de trânsito...

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Pergunta-me um amigo se já colocaram este sinal de trânsito junto à minha escola. Respondo publicamente: os meus olhos não precisam de ver para saber...

Jornalismo de sarjeta...

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24horas, 20.11.2007

Cabem todos na fogueira da canalhice. Depois de Murat, agora é a... "amante" dele. Quem será o próximo ou a próxima?...

Pobres professores...

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Correio da Manhã, 20.11.2007

Os professores que se deixam pressionar nestes termos... não merecem ser professores. Estes negócios de mercearia deixam-me sempre em estado de fúria. Ninguém educa e ensina a dar notas, boas ou más. A educação e o ensino não passam por aí. A exigência, o compromisso civilizacional e o afecto não são quantificáveis. Nenhum pai, nenhuma mãe classifica (ou qualifica) os filhos...

Um gondoleiro cortando, a preto e branco, a noite de Veneza...

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Veneza é uma improbabilidade. Não sei se este gondoleiro ainda existe, senão na memória dos meus filmes. Mas estou ainda a ouvir a água...

novembro 19, 2007

Improviso para mergulhar o outono...

Sim eu sei
não há coletes salva-vidas que me sirvam
ninguém toca estas cordas
com a exacta delicadeza e precisão
dos dedos das minhas mãos
arranham-me sempre
arranho-me sempre
de vez em quando
há mesmo uma parte de mim que quebra e que rompe
notas que quero dar e não dou
simplesmente desafinamos.

Ademar
19.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (40)...

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Manuel de Falla por Paco de Lucia. Ou Granada, entre Albaicín e Sacromonte, onde sempre anoitece o flamenco, e Realejo, meia dúzia de escadas antes ou depois de Alhambra, ou talvez uma curva apenas, num plano ligeiramente inclinado, para quem sobe ou para quem desce. A casa de Manuel de Falla continua fechada, enquanto elas e eles cantam e dançam um destino incerto, muito pouco abstracto: vale! Lorca esteve aqui sentado muitas vezes, como nós agora estamos. Vinha do outro lado da cidade, não importa como. E não trazia a tranquilidade nos bolsos da jaqueta. Há homens e mulheres que só conhecem esquinas, que não sabem caminhar em linha recta. Aqui, repara, não há linhas rectas. O horizonte não tem tabuleta. Só depois de muito nos perdermos chegámos à casa de Manuel de Falla e todas as portas e janelas estavam fechadas. Abrimo-las em nós...

Do individualismo e da felicidade... blá-blá-blá...

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Notícias Sábado, 17.11.2007

Sou um leitor de José Luís Peixoto. É, apesar da sua juventude, um dos poucos escritores portugueses vivos que frequento sempre com prazer e que partilho regularmente com os meus alunos. Escreve como eu gosto de escrever, delicadamente, intensamente, mas sem abusar do adjectivo, do artifício. A carne, o corpo, a alma, sem adereços desnecessários ou maneiristas. O que não significa que subscreva por baixo tudo o que ele pensa e escreve. Acho mesmo que falta a José Luís Peixoto alguma maturidade vivencial, experiência de vida - escreve muito (e bem), mas em geral por ouvir dizer. Esta entrevista concedida à Notícias Sábado confirma-o. Mas continuarei a lê-lo...

Um monstruoso canicídio...

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24horas, 19.11.2007

Com chamada, naturalmente, à primeira página...
Não é todos os dias que a luta de classes adquire uma dimensão verdadeiramente canina...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.

Carlos de Oliveira, Cantata

Aproveitemos o melhor possível os nossos últimos seis meses de vida...

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24horas, 18.11.2007

Já comecei a fazer as malas e a organizar a papelada para a grande viagem...

novembro 18, 2007

Improviso em forma de súplica...

Quando eu morrer
não digas por favor a ninguém
ninguém precisará de saber
que falhei
que errei as palavras
que errei os olhos
que errei as mãos e os pés
que errei o corpo
quando esperavas talvez outro
não digas a ninguém
que fiquei à porta
ou que me bateste com ela
diz apenas que tropecei em mim
e não tiveste força para me levantares.

Ademar
18.11.2007

São todos tão ridículos que até metem dó...

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24horas, 18.11.2007

Era a grande esperança de recuperação das audiências da SIC. Falhou e deve estar para ser despedido por Balsemão, que, nestas coisas, não brinca em serviço. Entretanto, vai fazendo de palhaço. O Portugal mediocrático é isto e pouco mais...

Carlos Amado...

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Vi este homem (escultor e professor universitário jubilado) de mais de setenta anos (vi-o hoje na RTP e na SIC) defender-se pungentemente de uma acusação aparentemente canalha de abuso sexual de um menor, aluno da Casa Pia. Fiquei impressionado e aterrorizado com o seu testemunho. Se ele está inocente, como diz e eu acredito, não há justiça que lhe possa valer. Até ao fim dos seus dias, carregará pesadamente este ferrete e a nenhuma reparação poderá já aspirar. É Kafka em estado puro. Perante situações como esta, eu continuo a pensar que o melhor lugar para certos jornalistas seria a cadeia. Lá, pelo menos, se fossem bem controlados, não poderiam destruir a honra e a tranquilidade de ninguém...

Famalicão cada vez mais no mapa...

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Público, 18.11.2007

Depois de Camilo, depois de Bernardino Machado, depois da espuma da pintura surrealista portuguesa, depois do espólio de Mário Cesariny, a "biblioteca pessoal" de Eduardo Prado Coelho. Famalicão vai dando cartas. O Minho é cada vez menos Braga, Guimarães e Barcelos...

Improviso para abrir a porta à noite...

Talvez o universo não dure tanto
o tempo encolhe à nossa volta
e dentro de nós
talvez se mergulhasses
eu fosse o peixe abandonado entre as casas
que já deixaram de o ser
a chuva voltará agora a inundar-me
não sei se já nadei mais confiante
tenho dias em que ainda me estranho
em que me peso de mais no fumo do cigarro
que te distrai
palavras em que ainda nos perdemos
quando respiram mais forte do que tu.

Ademar
18.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (39)...

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Há paixões fulminantes e paixões ruminantes. As que fulminam, apagam-se depressa e tropeçam no primeiro obstáculo. Talvez sobre a memória do flash que fixou uma ou outra fotografia interior e pouco mais. As linhas rectas convidam à velocidade, à distracção e à sonolência. Só as paixões ruminantes têm o dom da paciência. Vão por todos os atalhos e nunca se perdem. Há esquinas e horizontes em que parecem enganar-se e desfalecer, mas sobrevivem sempre, porque não têm pressa, porque nenhuma luz ou causa exterior as conduz. As paixões ruminantes não sofrem das contingências da atracção erótica, não têm pele, nem superfície. São um lento exercício diário da inteligência que recusa a morte. Dizes-me palavras desagradáveis quando já não cabes em ti, quando o pensamento esbarra em todas as paredes do labirinto que és. Dizes que há palavras que te perturbam e que sufocas nelas. Não é nas palavras que sufocas, mas em ti. Sofres da impaciência de não te entenderes. Dá-me agora as mãos: está muito frio lá fora. Está muito frio aí dentro. Deixa-me aquecer-te outra vez....

Um vídeo que, a meu pedido, me propôs o meu filho Francisco...

Gianna Nannini, Meravigliosa Creatura. Para ti...

Este rei não mandaria, de certeza, calar Hugo Chávez...

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Pública, 18.11.2007

O filho secreto, a nova amiga e a embaixatriz...

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24horas, 18.11.2007

Não sei quem é... Toy. Mas fiquei a saber que tem (tinha) um filho secreto, "fruto de um caso".
Fiquei também a saber que Cristiano Ronaldo tem "uma nova amiga" de "longa data" e que Bárbara "pode virar embaixatriz".
Cheira-me que o 24horas, hoje, vai vender ainda mais...

Quem não tem cão, expõe a "agility" de quem?...

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Não tenho cão. Nem cadela. Poderei levar à exposição um papagaio? Um autarca? Um jornalista desportivo? Um cantor pimba? Um gestor público? Um banqueiro? Um empreiteiro? Um árbitro? Um dirigente desportivo? Um pedófilo? Um seminarista?...
Hoje, sinto-me especialmente habilitado para actividades caninas...

novembro 17, 2007

Improviso para desiludir a tristeza...

Agora as pedras têm a morte no rosto
e os meus olhos mendigam o fogo
que a noite enregela
há mil e uma sombras acampadas
neste deserto
que só um silêncio iluminaria
acendo mais um cigarro e tusso
nenhum arco toca as cordas
deste violoncelo esquecido
há um sentimento de abandono
que quase sorri à tua tristeza.

Ademar
17.11.2007

Improviso proactivo...

Não tenho mais perguntas
para te fazer
poupo o silêncio
e a mentira.

Ademar
17.11.2007

Pianando, com Michael Nyman...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (38)...

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Andas à procura de uma metade perdida, que os deuses te teriam arrebatado, mas o problema não está na metade que te falta, está em que as duas metades que te perfazem... não encaixam. Ninguém consegue ver-se ao mesmo tempo nas duas faces (opostas) do espelho da identidade. Não podes simultaneamente voar para norte numa asa e para sul, na outra. Eu não sou (ninguém será) a terceira metade que procuras. Não há lugar em ti para tantas metades. Há apenas esse sismo interior que ameaça permanentemente a tua unidade, essa imensa teia de fracções que raramente combinam na segurança de uma única máscara. Desperdiças-te a retalho, tropeças diariamente nos teus fragmentos, que eu vou, pacientemente, tentando guardar e colar, para que nada se perca de ti...

Para que serviriam as "casas reais" senão, exactamente, para isto?...

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24horas, 17.11.2007

A grande vantagem da República é que os mandatos não são eternos: de vez em quando, podemos trocar de palhaços e de bobos...

Come chocolates, pequeno, come chocolates...

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Sol, 17.11.2007

Por que se espera para acabar de vez com a Casa Pia? Já se viu que é um mastodonte que ninguém controla...

Se fores à Arábia Saudita, não te deixes violar...

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Público, 17.11.2007

Quem poderia suspeitar que os discípulos de Maomé leram Kafka? Na Arábia Saudita, nem as vítimas escapam à mão pesada da justiça...

novembro 16, 2007

Improviso para muitas teclas e quatro mãos...

Ninguém me trata tão mal
ninguém me trata tão bem
mas o bem que tu me fazes
e o bem que eu te faço
não cabem nas palavras
que nos dizemos
nem cabem nas palavras
que nunca me dirás.

Ademar
16.11.2007

Improviso para lembrar uma aldeia submersa...

Há nocturnos
em que as teclas se misturam com as tuas mãos
nunca sei quando tocas
ou alguém toca por nós
já não te faço perguntas
a que sei que não responderias
tenho apenas olhos para a partitura
de todos os teus silêncios
todos os dias espero
uma espécie de milagre
a chave na porta
o segredo nas palavras
algo parecido com a esperança
ou com o amor
sim essa quase irrelevância
que jamais pronunciaste
sabes bem que não mereço menos do que isso
que nenhuma luz é tão injusta
como o sol de setembro que nos trai
depois da tempestade e da bonança
o regresso ao domingo de todos os inícios
o comboio esquecido no cais da descoberta
e apenas um pouco mais de confiança
na certeza do outro
digo
a tua própria respiração.

Ademar
16.11.2007

Estradas de Portugal...

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Espero que Almerindo, o Pio, leve com ele o hissope do cardeal. As estradas de Portugal estão mesmo a precisar de uma benzedela...
Que deus nosso senhor ou o cristo crucificado me releve o sarcasmo: se isto não é um entremez de bonifrates, o que será?!...

Portela+Um...

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O Inimigo Público, 16.11.2007

A cabeça de um ministro pode sempre ter inúmeras serventias...

Ocupação? Abusado sexual...

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24horas, 16.11.2007

Nos tempos que correm, é sempre conveniente (e muito politicamente correcto) começar por dizer isto: não tenho nenhuma espécie de simpatia pelos abusadores sexuais de crianças e adolescentes, sejam pedófilos ou não. Ademais, tenho ainda dois filhos menores e não apreciaria muito (utilizo aqui um verbo soft) que alguém abusasse deles sexualmente. Mas, francamente... já começo a vomitar estas notícias, verdadeiras ou especulativas, que envolvem, recorrentemente, os alunos da Casa Pia. Parece um destino ou uma espécie de maldição. Quero dizer (Catalina que me perdoe): parece que estão sempre a pôr-se a jeito. Dos "artistas" e dos "políticos". Cheira-me excessivamente a Hollywood...

Já sinto as chamas do inferno a subirem-me pelos pés...

Comentário de uma leitora anónima, certamente propensa à evangelização dos cafres:

"QUE O NOSSO SR JESUS TENHA PIEDADE DE TI, E DA TUA ALMA, COMO PODES PROCLAMAR ESTA BLASFEMIA CONTRA O FILHO DE DEUS, CONTRA QUEM DEU A VIDA PARA NOS SALVAR????"

Aniversário talvez...

as velas apagaram-se
consumiram-se
mas, qual brevidade, qual existência!
a tua vida dura
e nunca a acendeste!

Ana Saraiva

A liga regional (ou pacóvia) da corrupção...

Foram apanhados ontem à noite em "flagrante delito": dois árbitros e dois dirigentes desportivos. Em matéria de corrupção futebolística, também há muitas ligas em Portugal. Estes são dos que ainda se deixam apanhar com o dinheiro na mão. Pobrecitos...

O carteiro tocará mesmo duas vezes?...

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Sábado, 15.11.2007

O que mais importa aqui é a coreografia e o flash. É o espectáculo, estúpido!...

novembro 15, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (37)...

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Já não sei bem o que escrevi no teu livro de aniversário. Há dias em que folgo das palavras ou em que as palavras folgam de mim. Terei falado talvez da vida e da morte, essa equação a tantas incógnitas que estamos sempre a reinventar. De como um dia serei apenas saudade num corpo ausente e em tantas cinzas de palavras, que usarás talvez como fermento de outros antúrios. Terei talvez falado do esgotamento dos corpos que se anulam uns aos outros, uns nos outros. Ou de como o instinto é uma partitura breve, que quase sempre se repete em sol e morre em dó. Ou do que falta ainda escrever, até que as palavras renunciem à novidade ou deixem de ser necessárias. Lembro-me claramente de que, no fim, escrevi a fórmula tradicional: parabéns. E devo ter acrescentado à fórmula o teu nome, que aprendi a conjugar em alfa, como se fosse para mim um princípio de tudo. Ou um recomeço...

Improviso quase tibetano...

As vibrações entrarão e subirão pelos pés
descalcemo-nos então
para que a morte finalmente relaxe
não importa o que as palavras digam
ou como soem
o chão abraça-nos
no sorriso amarelo da lua
e há marés que nunca desistem
respira por isso ainda mais devagar
não tenhas pressa
que o dia de todas as promessas
está quase a chegar ao fim
e tudo entre nós
voltará sempre ao princípio.

Ademar
15.11.2007

Um país de "putas respeitosas"...

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Sábado, 15.11.2007

É sempre higiénico ler ou reler ou lembrar simplesmente as "boutades" de Vasco Pulido Valente, mesmo quando não concordamos com ele. Mas... a sociedade portuguesa é, efectivamente, há muitos séculos, um pequeno bordel de "putas respeitosas" que, em geral, não merecem respeito algum.
Enquanto houver Vasco (e poucos mais), não morreremos de pasmo (ou de vergonha) a chorar no umbigo uns dos outros...

Essa ténue fronteira entre a convicção e o conhecimento...

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24horas, 15.11.2007

O "Zé" está convencido de que o querem despedir. O "Zé" já sabe que o vão despedir. Por que não publicam a nota de culpa, para a gente poder optar entre a convicção e o conhecimento?...

Caetano, para distrair o sorriso amarelo da lua...

Estórias da carochinha...

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Visão, 15.11.2007

É com uma certa comiseração e muito cinismo que leio coisas destas. O que eles fazem para nos convencerem de que existem...

Jorge Luís Borges para José Mourinho...

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24horas, 14.11.2007

"A fama é uma incomodidade. Não aconselho ninguém a ser famoso; o melhor é ser secreto."

Jorge Luís Borges

Um poema talvez para quando nos perdemos na madrugada...

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Leonard Cohen

novembro 13, 2007

Rastos...

todos os nomes mudam a natureza do teu chamamento
é por isso que eu sigo sempre em silêncio
o teu rasto em mim lavrado
diz
a terra
encontrou-me a mão

Ana Saraiva

Improviso para completar a alma...

Vestes sombras
para que nem os olhos te dispam
conheço-te apenas
das evidências do deserto
quando até o sol parece sufocar
no regaço dos teus silêncios.

Ademar
13.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (36)...

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Talvez tenha chegado a altura de voltares a escrever. Não importa se ainda mais à beira do precipício ou um pouco mais distante. As palavras acrescentam-te dimensão e verdade, viajas naturalmente por elas. Não sei onde arrumas os pára-quedas na alma ou se eles ainda cabem em ti. Mas sei que o desconhecido continua a atrair-te, porque nasceu e cresceu contigo. Talvez devesse lembrar-te que não tens uma vida de reserva e que há saltos de que jamais regressarás. Não, “não é necessário ser trágico” – basta ser lúcido. Poderias tentar...

Uma canalhice editorial...

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Público, 13.11.2007

A direcção editorial do Público anda, nos últimos tempos, de candeia às avessas com Vital Moreira, um dos mais distintos colaboradores do jornal. Na edição de hoje, não faz por menos: duas páginas depois da habitual crónica de Vital, insere um artigo patético e pretensamente irónico de um tal António Vilarigues (o apelido diz alguma coisa), que praticamente se limita a colar excertos de um livrinho que Vital Moreira publicou há quase 30 anos, na Centelha. Como eu não acredito em coincidências, só posso concluir que a direcção editorial do Público fez de propósito, tentando assim achincalhar o seu colunista das terças-feiras. Em linguagem que todos entendem, trata-se simplesmente de uma canalhice. Vital não merecia esta atenção de José Manuel Fernandes...

A nossa guerra civil de todos os dias...

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Correio da Manhã, 13.11.2007

Sim, sim... preocupemo-nos antes com o Iraque e o Afeganistão...

As Good as it Gets...

Um desempenho admirável de Jack Nicholson. Melhor é impossível? Para ver ou rever...

A insustentável leveza de nascer e morrer em Portugal...

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Público, 13.11.2007

Mas ainda alguém se deixa surpreender por notícias destas, verdadeiras ou não?...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Leonard Cohen

A "superioridade moral" das escolas privadas...

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24horas, 13.11.2007

Se uma escola "pública" agisse assim... cairiam o Carmo e a Trindade e a própria ministra da educação...
A uma escola privada tolera-se tudo, a bem da educação, da paz organizacional... e do ranking...
Percebeste, estúpido?...

Cães danados...

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Correio da Manhã, 13.11.2007

Francamente, não fiquei a perceber de que cão trata a notícia do Correio da Manhã...

novembro 12, 2007

Improviso para dizer amores impossíveis...

Há verdades frias sem espelho
que sofrem a injustiça e a brutalidade
com uma venda nos olhos
eu sei e tu sabes
viagens interiores que têm de ser interrompidas
antes que o ar nos falte
e tudo à nossa volta
digo
dentro de nós
desabe e se fragmente
não te enfureças
ninguém entenderá estas palavras
senão tu
tu que te desconstruíste para elas
que ouviste o eco de todos os sintomas
e não choraste
abraçada ao mensageiro da tarde
talvez tardio
eu sei e tu sabes
que a esperança que nos sobra
é a esperança toda que te consintas
pudesse eu aventurar-me nas grutas do teu cérebro
recuar à fonte de todos os silêncios e torpores
pudesse eu apagar a dor o sofrimento a angústia
no quadro preto da tua infância
onde tudo reside
ou pudesse eu simplesmente
deixar de me preocupar contigo
não partilhando mais o teu mistério e a tua condição
eu sei e tu sabes
que este segredo é muito maior do que nós
um pacto de sangue
e de sobrevivência
talvez percebas agora
por que não cabe nele mais ninguém
senão o desespero.

Ademar
12.11.2007

Um filme que eu gostava de rever...

Il Portiere di notte (O porteiro da noite), de Liliana Cavani, com Dirk Bogarde e Charlotte Rampling, é um dos meus filmes de eleição. Infelizmente, nunca o encontrei até hoje em dvd. Gostava tanto de o poder saborear no aconchego doméstico...

"Por qué no te callas?"

Esta cena de ópera-bufa merece ficar registada aqui.

"Sí cariño mío, lo que tú quieras" ...

O mundo desabou sobre os ombros frágeis da deputado socialista (aragonesa) Isabel Teruel Cabrero, depois desta intervenção. Se, no lugar de Isabel Teruel, estivesse um macho, um Santana Lopes qualquer, não creio que a reacção dos "inteligentes" de serviço ao politicamente correcto fosse tão sarcástica e demolidora...

Disfunção... temporal...

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Público, 12.11.2007

Uma entrevista (de um bracarense) que recomendo....

O grande e terrível segredo de Maria de Lurdes...

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"Foi internada" na Casa Pia e as freiras "deram-lhe" o curso comercial. Que horror!...

Começar a semana com... Leonard Cohen...

Um poema...

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Leonard Cohen

novembro 11, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (35)...

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Ninguém morre da vida. Há verdades que nos escondem, que nos protegem. Não são verdades absolutas, intemporais. São verdades com uma causa dentro: um choque, um stress, um susto, um medo maior. Verdades que chegam a confundir-se com a nossa própria verdade. Que chegamos a confundir com a nossa própria verdade. Mas que são apenas... verdades provisórias, circunstanciais. Meias mentiras, ilusões, pesadelos. Poderia escrever: uma espécie de maquilhagem involuntária. Há uma verdade que sabemos que te conduz e fragmenta. Ainda assim, uma verdade coxa, porque não é dona dos teus dois pés. Uma verdade que tropeça na luz dos dias. Que tropeça na ternura impossível. Que tropeça na teimosia das marés que te devolvem sempre à praia incerta, mas segura. Porque todas as verdades dependem, afinal, de ti...

Improviso diarístico...

De vez em quando um dia assim
em que nos oferecemos
palavras adiadas
palavras suspensas
sobre o esboço das paredes interiores
do labirinto
portas e janelas que só abrem
para dentro
e a luz que raramente respira.

Ademar
11.11.2007

Que capa dominical venderá melhor?...

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O "crime feminino" venderá melhor do que a putativa "esquizofrenia" de uma actriz? Os "amores secretos dos jogadores" de futebol atrairão mais leitores do que um beijo heterossexual no Chiado? Capa por capa, tiro o chapéu à Notícias Magazine e registo o design sempre discreto e delicado da Pública...

Insucesso eclesial...

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Correio da Manhã, 11.11.2007

Ratzinger, imagine-se!, está preocupado com o envelhecimento, o excesso de tiques catatónicos e a crescente perda de influência cultural e social da filial portuguesa. E os bispinhos que acorreram ao beija-mão papal adoraram levar tautau no rabiote. É tudo tão patético e ridículo que até mete dó...

Coisas que eles dizem...

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O Jogo, 10.11.2007

De Laurentino Dias (meu colega de Faculdade), espera-se sempre tudo...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (34)...

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Haverá ilhas ainda mais desertas. Ilhas a que nunca chega ninguém. Ilhas de que nunca parte ninguém. Cais de infinitos silêncios, a que nenhuma voz amarra. Ilhas interditas a náufragos com visto ou sem visto de atracagem. Só quem as sobrevoa de perto percebe que são desertas. Muitas, não conhecem sequer o abrigo de um mapa. São apenas distância pura, uma espécie de território do nada que nenhum horizonte habita. Ilhas que não reconhecem outras ilhas e que ignoram todas as leis de atracção do universo. O tempo passa por elas e elas passam pelo tempo e nenhum encontro, nenhum compromisso parece possível. O único destino das ilhas desertas é o abismo. O abismo irreparável da imaterialidade. A ausência definitiva que sobrevém à indiferença e ao esquecimento...

novembro 10, 2007

Como eles se divertem...

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Parecia uma cena de ópera-bufa. Chávez invectivando um Aznar ("fascista") ausente. Zapatero, delicadamente, tentando defender a honra do seu antecessor. Chávez insistindo e Juan Carlos de Bourbon , quase perdendo a compostura majestática, exigindo ao caudilho da Venezuela que se calasse (instantâneo da foto). Não menos hilariantes, são estes comentários...

Alguém consegue imaginar um macho, digo, um SENHOR a pôr um anúncio nestes termos?...

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JN, 10.11.2007

Pergunto-me e pergunto-vos: o que será um emprego (matutino) honesto?...

Um anúncio quase contagiante...

e muito pós-moderno...
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Única, 10.11.2007

Não sei, francamente, qual delas é a verdadeira prima da Dolly. O Alentejo está sempre a surpreender-nos...

Dostoievski a despropósito...

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Única, 10.11.2007

Crime? Castigo? Percebo agora finalmente por que, em certas escolas, nas aulas de TIC, os alunos estão impedidos de aceder ao YouTube. Traduzo a sigla para quem não saiba: Tecnologias de Informação e Comunicação...

Improviso para Laika...

O último lugar para mendigo ou cão vadio
como num tango de Piazzolla
a impaciência do violino à porta
sem cordas
e a esmola de nenhuma luz
entre tantas sombras
um cigarro no filtro
uma castanha apodrecida no chão
abandonado
e o amargo silêncio da noite
servido quase sempre em fúria
e a conta-gotas
talvez hoje a Laika
tivesse mais sorte
se uivasse assim.

Ademar
10.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (33)...

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Os mortos acrescentam luz à memória dos que sobrevivem. É uma luz antiga, que a saudade nomeia. E que não precisa da morte para brilhar. A nossa memória está povoada de mortos que ainda não chegaram a sê-lo. Alguns morrerão mesmo depois de nós, mas o silêncio e a distância transportam-nos a uma saudade quase definitiva, como se, de alguma forma, já tivessem morrido. Outros, que julgávamos mortos, estão sempre a acordar-nos e a dar-nos a mão. Não adianta que tentemos sinalizar com uma lápide o seu desaparecimento. Que tentemos fugir. Que repetidamente os tentemos provocar ao esquecimento. Eles não desistem de viver em nós e sem nós e recusam-me a morrer prematuramente. Sim, eu sei: a vida , lentamente, vai-nos empurrando para a penumbra. Só a morte nos ilumina...

Saudades da adolescência, quarenta anos depois...

Uma das minhas músicas predilectas dos Bee Gees: I Started A Joke...

Ai, Hitler!...

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Sol, 10.11.2007

Pena que o Sol não divulgue também fotos das tatuagens que o rapaz carrega no cérebro...

O digitalizador...

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Expresso, 10.11.2007

61.893: será um número cabalístico ou simplesmente cavalítico?...

As árvores morrem de pé... ou deitadas...

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24horas, 09.11.2007

Morrer em pleno acto... ou em serviço?...

Dúvida metódica...

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Correio da Manhã, 09.11.2007

Ou a notícia é completamente pateta (o que não me surpreenderia muito), ou o juiz do TIC do Porto que deixou em liberdade estes facínoras está a precisar de experimentar um colete à prova de fogo...

novembro 09, 2007

Improviso sobre um mandado de busca...

Não bastaria que apreendesses
a caixa das memórias
terias que levar também
os computadores
e todos os papéis
e todos os poemas
os brinquedos
os armários que ainda cheirassem
as secretárias as mesas as cadeiras
as camas e os lençóis e as toalhas
e a casa toda
e ainda assim
sobraria eu.

Ademar
09.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (32)...

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Nada nasce feito, perfeito. Não nasce ninguém - estamos sempre a fazer-nos e a perfazer-nos. E a refazermo-nos. Julgavas talvez que não fosse assim. Que a objectiva fixava o movimento interior e o eternizava, como se a mudança, a partir desse feitiço, não mais pudesse perturbá-lo. Mas tudo muda, num sentido ou noutro. Tanto fugimos, como temos vontade de voltar. Tanto divergimos, como convergimos. Por vezes, nem temos consciência do que nos impele, do que nos move. Um dia, sentimo-nos morrer; no dia seguinte, ressuscitamos. Entre a esperança e a desilusão, há sempre uma fronteira delicada que nos atravessa obliquamente. Sim, há momentos em que sentes a minha falta. E há momentos em que preferirias, talvez, que eu não existisse. É difícil sobre uma tamanha oscilação fixar, relacionalmente, um ponto de equilíbrio. Tu julgavas mesmo impossível e, por isso, tinhas já desistido. Mas a geometria dos sentimentos está sempre a surpreender-nos. E há dedicações que não respeitam a gramática das causalidades. Que nunca coxeiam, mesmo quando os pés se recusam a andar...

O poema que partilharei hoje com os meus alunos...

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Jorge Sousa Braga, O Poeta Nu

Instruções para mandado de busca...

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novembro 08, 2007

O poema que partilhei hoje com os meus alunos...

Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor

Ruy Belo

Improviso para regressar de Granada...

Até um dia
há sempre um dia
no intervalo de todas as viagens
para fazer escala
e regressar a casa
um dia que ninguém sabe quando será
amanhã ou depois
ou depois ou depois
esse dia talvez de regressar enfim de Granada.


Ademar
08.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (31)...

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Há pessoas que se ligam (que a inteligência liga) por uma espécie de íman. Parece muitas vezes que vivem nos antípodas, que tudo as distrai e divide, mas quando o íman volta misteriosamente a aproximá-las... é como se nenhuma distância se tivesse, entretanto, cavado entre elas e a origem de tudo permanecesse virgem e intacta: a amizade, a paixão, o respeito, o amor. Ainda há pessoas assim, que desconhecem intimamente a linguagem do esquecimento e da morte. E que se reconhecem sempre na plataforma mais suspensa do cais de todos os encontros e descobertas. Outras pessoas podem, entretanto, passar por elas e tocá-las, outras vertigens, outros encantos e desencantos. Mas elas regressam sempre ao berço donde partiram, como aves que apenas quiseram exercitar as asas, mas nunca esqueceram o caminho para casa. Essa espécie também de destino, ainda na forma de íman...

Woody Allen...

Em pouco mais de 2 minutos, tendes aqui a brevíssima evocação de alguns dos mais inteligentes filmes que fazem parte da minha memória de cinéfilo...

De vez em quando concordo com Pacheco Pereira...

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Sábado, 08.11.2007

Se fosse verdade, claro...

O eterno problema do tamanho da coisa...

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Visão, 08.11.2007

Muito gostam os machos de comparar e discutir o tamanho da coisa...

Uma forma jesuitíca de dizer o preconceito (homofóbico)...

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Visão, 08.11.2007

Esta "madama" deve sofrer de um complexo ou transtorno qualquer. Assalta-me a dúvida: será também homossexual?...

Uma forma feliz de dizer o mistério da infância...

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Visão, 08.11.2007

É mesmo isso: brutal. Ainda bem que as crianças ignoram conscientemente a brutalidade que as ameaça e as atinge ...

Estava escrito (ou inscrito) nos astros (eleitorais)...

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JN, 08.11.2007

A gente já sabia, senhor ministro!...


E quem nos protege da selvajaria informativa?!...

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Público, 08,11.2007

Uma notíca que deveria merecer, se tanto, apenas uma discretíssima nota de rodapé... surge amplificada na primeira página de todos os jornais e tratada nas interiores como se devesse ser considerada uma das notícias do dia. Os jornalistas da nossa paróquia ainda não perceberam que o eco que emprestam a este tipo de notícias tem ou pode ter efeitos terrivelmente perversos. Eles só ficarão satisfeitos e saciados, pelos vistos, quando puderem noticiar massacres destes numa escola portuguesa. Espero não ser, na altura, uma das vítimas...

Até que a morte ou um golpe militar...

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Com o inevitável beneplácito popular (vai uma aposta?), o patético caudilho da Venezuela prepara-se para se perpetuar no poder até que a morte ou um golpe militar o deponha. Quantas vezes já vimos este filme?...

novembro 07, 2007

Improviso para acertar o relógio...

Folheias a vida assim
deixando tantas páginas em branco
no lado mais luminoso de ti.

Ademar
07.11.2007

Always Look on the Bright Side of Life...

Quando o futebol deixa de ser uma monotonia estratégica...

novembro 06, 2007

Improviso para soletrar a noite...

Hoje não me apetece morrer
porque amanhã será quarta-feira
talvez de cinzas
ou marés ainda mais altas
o meu calendário tem um destino dentro
que não me pertence
antecipo sumários
de aulas que nunca darei
escrevo poemas com chave
para uma única fechadura
e soletro a vida
nesta quase nudez de sentimentos
digo mudez
talvez a noite aqueça nas palavras
ou fique ainda mais fria
no silêncio que sempre nos despe.

Ademar
06.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (30)...

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São precisas muitas sombras para formar uma sociedade secreta. Muito osso sem carne, muita vida sem nada dentro. Uma sociedade secreta é uma partitura de ausências para, pelo menos, duas vozes e muitos medos. Há dias em que não apetece a comunhão diante do altar de todas as ambiguidades. Em que, simplesmente, corremos atrás do vento e o vento nunca se deixa agarrar. Em que somos capazes de largar tudo por uma ilusão de eternidade e regressar ainda mais sozinhos ao cárcere, na certeza da única luz que nos espera e nos aquece. Uma sociedade secreta é um território delicado de mensagens e de sinais, muitas vezes, contraditórios. E de silêncios que nunca dizem a indiferença. Mas o seu segredo mais antigo é intocável. Nem a morte o desvenda...

O poema que partilhei hoje com os meus alunos...

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

Providência descautelada...

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24horas, 06.11.2007

Por estas e por outras é que não vou a Fátima. Tenho sempre receio de que, no regresso, a senhora se distraia...

Uma dúvida futebolística...

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Todos os jornais, em estado de transe, falam hoje do grande duelo parlamentar entre Sócrates e Santana. Ocorre-me uma dúvida futebolística: é para a Liga dos Campeões ou para a Liga de Honra?...

Quem paga, quem paga?!...

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Correio da Manhã, 05.11.2007

Eu também estou a precisar de arranjar alguém que digitalize e organize os milhares de papéis do meu arquivo pessoal. Pagando o Estado, naturalmente. E desde já aviso: só confiarei essa tarefa a um filho meu...

novembro 05, 2007

Improviso autobibliográfico...

Acumulo páginas de mim
para leres
ou para apenas desviares o olhar
há dias em que me sinto
um cadáver de palavras
uma voz que o deserto calou
na erosão antiga do fogo.

Ademar
05.11.2007

Improviso quase insignificante...

Desconheço as leis do cansaço
morrerei a viver intensamente.

Ademar
05.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (29)...

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Há conversas que parece que nunca acabam... tendo começado ou não. Há laços que nos enlaçam intimamente, como cordas, como algemas. E há silêncios que perduram muito para além das palavras que não chegamos a dizer. Ou que dissemos: “vontade de desistir, não de ti, mas da minha vida”. Palavras que nos plantam na memória de quem nos ouve, de quem nos lê: “ tens razão - gostava de mudar muita coisa... para gostar mais de viver os meus dias”. Ou: “eu bem que estava a precisar da tua inspiração”. Há conversas, sim, que nunca acabam... que recomeçam sempre. O instinto, por vezes, distrai-as, mas elas viciam, envolvendo tudo: a solidão e o medo, a energia e o cansaço, a esperança e o desespero, o orgulho e a fragilidade... “A tua casa é um desafio, mas saberia domá-la”. Conversas jamais interrompidas. “Eu e o silêncio somos amigos íntimos e passeamos em rios solitários”. Mais poeticamente verdadeiro do que isto... seria impossível...

Ainda Enya...

Enya, Caribbean Blue. Obrigado, Alexandre, pela sugestão!...

Pretéritos ou presente?...

cada dia é um passo a menos
de cabeça, que se façam as contas
que não se subtraia
a um pequeno prazer
o seu espinho
a uma grande dor
um maior amor
se ainda não chegámos
faço de cabeça a conta
é por termos todo o tempo do mundo
ainda
que faremos das nossas mãos?

Ana Saraiva

A vontade de Laura, minha irmã...

Para os fins que se revelarem necessários, quero/queremos tornar pública a “Directiva Antecipada” abaixo transcrita. Sem mais quaisquer comentários, por agora.

DECLARAÇÃO / DIRECTIVA ANTECIPADA

Eu, LAURA FERREIRA DOS SANTOS, na plena posse das minhas faculdades mentais, elaboro esta Declaração como uma directiva/solicitação a ser seguida se me tornar definitivamente incapaz de participar em decisões que digam respeito à minha saúde do ponto de vista médico. Estas instruções reflectem a minha firme vontade de recusar tratamento médico nas circunstâncias abaixo assinaladas, embora, infelizmente, estas Directivas Antecipadas ainda não tenham valor jurídico em Portugal.

. Peço ao pessoal médico que me esteja a assistir (se isso for possível, peço-o directamente a quem tem vindo a ser ao longo dos anos o meu clínico geral, Dr. ........) que, caso eu esteja numa condição mental ou física incurável ou irreversível, sem expectativa razoável de recuperação para uma existência com qualidade de vida, não faça uso de meios ou tratamentos que apenas prolonguem desnecessariamente o meu morrer.

. Estas instruções aplicam-se caso eu esteja:
a) numa situação terminal;
b) em estado vegetativo persistente; ou
c) se o meu cérebro se encontrar irreversivelmente danificado e nunca mais puder recuperar a capacidade de tomar decisões e expressar os meus desejos.

Solicito que os cuidados de saúde a serem-me então prestados se limitem a manter-me confortável e a aliviar a dor, aqui incluindo qualquer dor que possa derivar de não se recorrer aos meios de “tratamento” que recusei, ou de se ter posto fim ao seu uso. De um modo especial, peço que, nas circunstâncias indicadas, não me deixem morrer com a sensação de sufocação e não me deixem entrar em delírio ou alucinações, evitando qualquer outra situação que provoque mal-estar ou dor.

. Se estiver nas condições acima indicadas, penso concretamente o seguinte acerca das formas de “tratamento” / esforço terapêutico abaixo especificadas:
. não quero “ressuscitação” cardíaca;
. não quero respiração mecânica (ser ligada a ventilador);
. não quero nutrição e hidratação artificiais (desde que retirar a hidratação não me aumente as dores ou dificulte a sua eliminação);
. não quero antibióticos.

De qualquer modo, reafirmo veementemente que, nessas circunstâncias, solicito o máximo alívio da dor, mesmo que apresse a minha morte.


Em caso de dúvida, sobretudo em relação ao que eu poderia entender por “expectativa razoável de recuperação” e “qualidade de vida”, constituo o meu marido, Luís Alberto Seixas Mourão, como meu representante, pela total confiança que tenho nele e pelo conhecimento que tem do meu pensar.
A não ser que eu tenha anulado estas directivas/solicitações numa nova Declaração, ou que claramente tenha indicado que mudei de pensar, o que aqui acabo de escrever deve ser entendido como expressando a minha vontade.
Para as redigir, tomei como referência a “New York Living Will”, tal como vem apresentada no livro de Timothy E. Quill, M. D., A Midwife through the Dying Process, Baltimore and London: The John Hopkins University Press, 1996, 237-8.

Braga, 26 de Agosto de 2003
Braga, 04 de Novembro de 2007 (reafirmação)

Hoje não estou para ninguém, nem para mim...

Enya, Only Time.

novembro 04, 2007

Improviso para antecipar um aniversário...

Quatro de novembro
mais dez e serão catorze
trinta e nove
há contabilidades
a que só a poesia dá sentido
e a solidão
essa solidão despida de compromissos
que te cerca por dentro
e que te seca
as mãos vazias de compaixão
os olhos famintos de paz
e o eterno embaraço de existir assim
entre tantas lágrimas que não choram
tantas noites por dormir
tantas camas por fazer e nenhuma
a indiferença que interiormente te mutila
e esse silêncio repleto de nada e de tudo
em que viajas
numa asa apenas de ti
talvez agora já não escrevas sobre precipícios
trocando as silabas
talvez agora não queiras morrer mais assim
errando a gramática e a vida.

Ademar
04.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (28)...

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Talvez a noção de cumplicidade não caiba aqui. Nem a de recompensa ou gratidão. Quem nunca pediu, por que haveria de dar? Quem nunca precisou, por que haveria de atender? Sim, eu sei: ninguém vive assim. Há muitos modos de pedir e precisar. Há quem peça e precise em silêncio. E não rosne à indiferença, aceitando tudo compassivamente: a crueldade, a traição, o egoísmo, a desatenção, a injustiça. E quem se habitue a isso, a essa espécie de desumanidade que, pouco a pouco, nos vai também desumanizando. Repito: talvez a noção de cumplicidade não caiba aqui. Nem a de recompensa ou gratidão. Mas quem entenderia a amizade ou o amor sem isso?...

Improviso para desesperar milagres...

Todos os passos hoje me doem
arrasto uma parte de mim
em direcção ao que não sei
as mãos viajam nas palavras
e tropeçam nas palavras
e caem nas palavras
as janelas não abrem
para fora nem para dentro
nem as portas
não entra ninguém
e eu espero sempre
devo ter vocação para cais
os barcos morrem lentamente nos meus olhos
soletro uma vez mais o pôr-do-sol.

Ademar
04.11.2007

Suo-Gan ou o regresso ao império do sol, numa tarde ainda mais triste...

A eterna insensatez das burocracias...

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JN, 04.11.2007

O excesso de actividade deste "professor" deveria ter sido prevenido e acautelado. Não foi. Sobram agora as cinzas. Que caem sobre todos os professores. Apenas mais uma acha para a fogueira do descrédito profissional...

Uma quase rigidez...

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Escultura de Carlos Silva.

chamas-me? é que sinto uma tensão insuportável
os músculos apertam-se tanto que a coluna protesta
arqueando e erguendo a rigidez branca contra o calor
que a segue agora como pele
um solo de piano
um grito
quebra-se o tempo nos joelhos flectidos
fecho, enfim, os olhos

Ana Saraiva

Roleta russa...

O Luís escreve e eu... compartilho, fraternalmente. Há-de tudo correr bem, Luís: nenhum de nós poderia aceitar o contrário...

Que nada se sabe

Há momentos na vida em que tudo o que sabemos não serve de nada. A gente tenta agarrar-se a qualquer coisa e não há. Mas esses são também exactamente os momentos em que a inteligência mais conta. A inteligência mais nua e compassiva, disposta a recomeçar a história naquelas condições que não determinamos mas nos couberam na roleta russa.

Os "monstros" sempre na primeira página...

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24horas, 04.11.2007

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24horas, 03.11.2007

Os McCann, definitivamente, têm a cabeça a prémio. O 24horas já os pronunciou, julgou e condenou. E, pelos vistos, não tiveram cúmplices, nem entre os parceiros do "swing" (a psicanalítica obsessão do "criminologista" Barra da Costa). Eles agiram sozinhos...
Racionalmente, alguém será suficientemente crédulo e perverso para acreditar mesmo nesta estória da carochinha?...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (27)...

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Entras sempre lentamente por todas as portas que te esperam, como que arrastando os pés e a alma. Hesitas todos os passos que, além-corpo, te conduzam à nudez. Emudeces diante de todas as chamas quando o fogo te convoca. E só gritas ao universo quando já não cabes mais em ti. Há um abismo de tempo interior entre o que pensas e o que desejas. E raramente pensas o que desejas ou desejas o que pensas. Há muitas vozes e muitas sombras projectadas no teu pudor mais íntimo. Viajas num silêncio mais antigo do que a própria vida, um silêncio pré-histórico de planícies e vales ainda por arrotear. Tens fendas, tens grutas, tens precipícios. E tentas todos os dias, abraçada ao horizonte de um fio raro de luz, o equilíbrio mais instável de todos: o equilíbrio da ausência. Por isso te chamo sempre a essa ponte onde, um dia, nos encontrámos e descobrimos. Entre as únicas margens que te poderão ligar...

novembro 03, 2007

Os demorados outonos...

se fosse já Inverno
cosia-me num casulo de lã
e tecia um breve renascimento para Março
pegava nos acordes de uma pequena orquestra
e ensaiava a luz e os predadores
uma chuvada ou um luar
tudo é música
tudo espera o fim
sou de um calendário de estações e desejos
nada de eternidades, apenas uma certa duração
cada um a si torna
caiba ou não caiba
pousa a contagem dos dias
é já Inverno
dormias, claro

Ana Saraiva

A vertigem da imagem...

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Rachel Weisz fotografada por James White para a Esquirer. Há mulheres que, por uma vertigem, oferecem o corpo a qualquer destino...

Improviso para dizer o fogo...

Há em ti
uma criança que nunca chegou a nascer
e é nessa falha que tudo reside
o medo simplesmente de crescer.

Ademar
03.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (26)...

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Na escala de dó ou na escala de sol. Antes da partitura de cada dia, a alma procura a nota inspiradora. Há demasiada solidão nesses dedos que teclam a distância na escala de dó. O pensamento não te voa – aninhas nele, quase rastejas. De tanto te silenciares, desaprendeste interiormente a grandeza e a volúpia das palavras, digo, dos sentimentos. Raramente viajas na escala de sol. Abres a janela e apanhas o metro para a estação mais próxima e regressas a pé a uma casa e a um quarto que há muito te servem de gruta intermédia numa espécie de vulcão quase extinto. Tens uma parede ao fundo e um cortinado em que te embrulhas e escondes. Sentas-te diante do universo numa cadeira que já mil vezes prometeste substituir. E esperas sempre que nada aconteça, porque temes a voragem das emoções que jamais saberás controlar. Digo-te: se não fosse a minha loucura, estarias muito mais próxima dela...

Há mulheres que não deveriam imitar Einstein...

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Charlize Theron fotografada por Peggy Sirota para a Esquire. Confesso que, se tivesse de escolher entre as duas línguas, preferiria esteticamente a de Einstein...

Um vídeo para adormecer a tarde...

Cowboy Junkies, Sweet Jane...

Ela quer ir ao focinho de José Sócrates...

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24horas, 03.11.2007

Não sei, francamente, se se trata de uma convocatória ou de um manifesto...

As geometrias variáveis do amor possível...

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24horas, 03.11.2007

Arrumemos na prateleira das perversões culturais os preconceitos homofóbicos. Por que não há-de um casal homossexual ser competente para educar uma criança? Eu conheço, como professor, casais heterossexuais que não fazem a mais pequena ideia do que seja educar um filho. Alguém se incomoda ou protesta?...

Preços de "novatos" para todas as festas...

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24horas, 03.11.2007

Confesso que, tirando a "novata" da foto, não conheço (digamos assim) mais ninguém. Como não vejo telenovelas e passo ao largo dos programas de entretenimento e dos desfiles de moda, os nomes da lista nada me dizem. Mas registo com alguma surpresa e algum pudor que o aluguer, para festas, da menina da foto custe 1000 euros. Pagarão o quê? Que serviços é que a menina prestará, festivamente, ao domicílio? Fará também despedidas de solteiro?...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (25)...

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A facilidade tem vida breve e não conhece berços, apenas sepulturas. Nenhuma imortalidade sobrevive à vertigem das experiências que não grudam à pele, tantas vezes, fazendo-a doer. Loucura, afinal, pode ser isso: confundir irracionalidade com intensidade. Lê - agora sou eu que te peço - as lápides do teu cemitério privado de facilidades. Uma a uma. Transcreve-as. Preencherias uma meia página de ti? Afora as datas e os nomes, em que as diferenciarias? Sim, é verdade, há verbos que nunca conjugaste. Há verbos que nunca aprendeste a conjugar. Há muitas palavras que não fazem ainda parte do teu vocabulário. Mais depressa rejeitas do que integras. Mais depressa repeles do que atrais. Sim, é verdade: ainda tens muito espaço para a morte no teu cemitério. Menos para mim. Eu não me deixo morrer assim. Tu sabes...

Futebolistas em saldo?...

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JN, 03.11.2007

Que serventia terão estes jogadores? Servirão para alguma coisa mais que não seja chutar uma bola? Tenho uma vaga para empregado-a-dias, mas não me apetece licitá-los. Receio que me confundissem com o Jaime Pacheco...

O terror na primeira página...

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Sol, 03.11.2007

Depois de uma manchete destas, o que é que se espera que aconteça?...

Critérios editoriais...

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A Bola, 03.11.2007

Pensar-se-ia que, tendo ontem o FCP perdido os primeiros pontos no campeonato, A Bola exultasse com o facto, dedicando-lhe a manchete principal da primeira página. Qual quê?!!!! Pela enésima vez, A Bola oferece aos leitores um grande plano do bigode do presidente do Benfica. Repito-me: A Bola já deixou de ser um jornal, para passar a ser uma expiação...

Improviso para massajar as pupilas...

Quando a luz parece cegar-nos
desviamos o olhar
para outras luzes menos instantes
ou simplesmente
fechamos os olhos para não ver
o vício da escuridão enfraquece as asas
para o voo.

Ademar
03.11.2007

Vai uma aposta?...

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Expresso, 03.11.2007

Esta é uma daquelas notícias (óbvias) que, convindo a todos, todos vão imaculadamente negar. Faites vos jeux!...

Natureza quase morta...

sabes o que acontece às rosas
vermelhas?
apodrecem na água
aquela frescura do início
do gesto que corre enérgico
onde está a jarra? e ela que estava ali
quase triste, no canto da espera
e nenhum dos dedos subitamente belos
se lembra
da água morta e das flores secas
aquela frescura do início
é não saber

Ana Saraiva

novembro 02, 2007

Improviso de sol a sol...

No princípio
éramos apenas nós
no fim
voltaremos a ser
na saudade do berço
não cabem triângulos eternos.

Ademar
02.11.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (24)...

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Intermitentemente, viajo nos significados (porventura contraditorios) do verbo pressionar. Exercer pressão, constranger, coagir, calcar, apertar... Obrigar outrem a fazer o que não quer. No princípio de tudo, uma acção. Sem esquecer a reacção que a acção desencadeia. Mas há pressões que inconfessadamente desejamos. Há constrangimentos que nos envolvem como abraços. Há verbos que substantivam e adjectivam uma relação. Que lhe dão sentido. Que a projectam. Que, intimamente, a seguram e a mantêm. Eliminas a pressão e ficaria apenas a inércia. O silêncio. O pudor. O medo. A vertigem da espera interminável. A pressão acrescenta actualidade e consistência e compromisso ao desejo. Ao interesse. À ternura. À dedicação. Há verbos que apenas recusam a cobardia da desistência. E que afirmam todos os dias o esplendor de uma convicção que nunca hesita...

Dois heróis que o destino uniu numa primeira página...

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Têm ambos uma carinha laroca de macho quase imberbe (reparai nas parecenças). O 24horas, visivelmente, não simpatiza com nenhum deles. Pratica, como se sabe, um jornalismo de causas...

Uma ponte sobre o pântano...

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Público, 02.11.2007

Vasco Pulido Valente tem razão. É nestas alturas que se vê como os portugueses, em geral, se estão a marimbar para o país. Eu, confesso, sinto-me sempre, nestas pontes, uma espécie de idiota, porque nunca falto ao serviço. Penso sempre que os meus alunos, que raramente faltam, não têm culpa de terem nascido em Portugal...

Olhó ranking, olhó ranking!...

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Público, 02.11.2007

Todos os anos, mais ou menos por esta altura, o Público tem um orgasmo de primeira página. Só não percebo o acompanhamento das três maçãs sobrepostas (logo três!...). Devo estar a ficar senil...

Porque hoje é sexta...

Jorge Palma, Encosta-te a Mim...

Just Like a Woman...

Bob Dylan, nos bons velhos tempos...

A cegueira que nos impele sempre à desgraça...

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Visão, 01.11.2007

Como sempre, António Nóvoa tem razão: "a coisa torna e torna a tornar". Mais leis, mais decretos-leis, mais regulamentos, mais despachos, mais despachos, mais despachos e circulares... E a realidade é que quase ninguém parece confiar na "responsabilidade profissional dos professores". Nem a maioria dos próprios - e é aqui que começa, verdadeiramente, a desgraça...

A opinião de um rapazola...

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Visão, 01.11.2007

Este rapazola escreve sobre tudo e tem opinião sobre tudo. Ele sabe do alto do seu miradouro que nas escolas públicas do país "grassa a rebaldaria" e não tem dúvidas de que o novo estatuto do aluno só favorecerá "a impunidade e a displicência". Ele sabe também, porque nem se deu ao trabalho de consultar as estatísticas, que nas escolas públicas raramente se chumba. Etc e tal...
Este rapazola, como tantos outros, escreve atrevidamente sobre a educação e o ensino com base apenas na ignorância e no preconceito. E ainda lhe pagam, à peça, para isso. Deve ser a tal "cultura de exigência e de mérito" que ele apregoa, repetindo fórmulas que ouviu a outros papagaios...
Seria risível, se não fosse apenas pateta...

novembro 01, 2007

Improviso para memória futura...

Semeio apenas memórias
no chão tão pouco firme que rastejas
uma balada simplesmente
imagens de fontes e rochas e povoados
que quase se parecem contigo
uma casa abandonada algures
entre carvalhos e pinheiros nórdicos
e castanhas ao alcance de todas as mãos
um pouco aquém do trilho dos ursos
e depois um Bach menos estóico
enquanto a noite acaricia lentamente
as tuas pernas
silenciando-as
sim
não são precisas palavras grandiosas
quando os dias desafiam assim a perfeição.

Ademar
01.11.2007

Uma ministra na corda bamba...

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Eu não desejaria estar na pele de nenhum ministro da educação. Cada escola é um universo muito particular de contradições e insatisfações e o ministro, de uma forma ou doutra, responde pelo que se passa em todas as escolas. Sobretudo, pelo que se passa de pior (as boas notícias não são... notícias). Só os santos e os ingénuos (ou os muito carentes de alguma projecção pública) se candidatam ao lugar ou aceitam ocupá-lo. Por isso, tenho instintivamente pena de todos os ministros da educação, porque sei que nenhum deles sairá do governo melhor (mais prestigiado e mais, politicamente, reconfortado) do que entrou...
Não sou um admirador da actual ministra, como todos os leitores deste blogue saberão. Tenho-a criticado aqui inúmeras vezes e até já lhe sugeri a demissão. Mas tento sempre, nestas matérias, resistir à demagogia e à vertigem dos discursos catastrofistas. Por isso digo que Maria Lurdes Rodrigues, no essencial, esteve bem na entrevista que concedeu hoje a Judite de Sousa, na RTP1. Não subscreveria por baixo todas as suas afirmações, mas considero que disse o que não poderia deixar de dizer e que não meteu os pés pelas mãos. Concordando ou não com ela, tiro-lhe daqui o chapéu e dou-lhe nota para ir à oral...

I See the World Through You...

Uma balada de David Fonseca para acariciar o horizonte...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (23)...

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Há beijos que parecem selar um compromisso para a eternidade. Não precisam de ser cinematográficos, basta que sejam inesperados. Ia escrever honestos. E que falem por todas as palavras que o silêncio reteve. Há beijos que dizem carinhosamente boa-noite, até amanhã, talvez já não soubesse viver sem ti. Há beijos que não mentem, nem traem. E que não magoam. Beijos quase tão naturais como lágrimas. Ou como abraços. Beijos únicos, originais. Como esse, tão urgente e imperativo, que me transporta agora à nostalgia de outros beijos que nunca me deste. Talvez porque nunca entrara por aquela porta. Talvez porque nunca me sentara ao teu lado. Ou talvez... porque nunca fôramos à Junceda celebrar um fim de tarde de outono...

E não vão reprovar por faltas?!...

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Vip. 31.10.2007

Claro que isto não nada a ver com pedofilia. Estas crianças já nasceram, naturalmente, fadadas para o palco...

Improviso retirado dos evangelhos...

Estende-se o corpo sobre a mesa
como sobre um altar
e come-se
não são precisos talheres nem guardanapos
nem toalhas
nem pratos
basta a fome
e o tampo em que o desejo repousa
esso tempo infinito de saudades.

Ademar
01.11.2007

As coisas extraordinárias que vamos sabendo...

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Vip, 31.10.2007

Uma barriga nova dá sempre muito jeito. Quanto mais não seja, para alternar mais fluentemente. Mais corrupção, menos corrupçao, a vida está difícil para todos...

Eles não sabem o que querem, porque, simplesmente, não sabem...

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Público, 01.11.2007

Seria ridículo, se não fosse degradante. Eles não sabem o que querem, porque, de facto, não sabem. São as baratas-tontas da democracia, digo, da demagogia.. É cada vez mais difícil e penoso respeitar estes "eleitos" do povo...

Como o amor a norte é muito mais intenso...

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Vip, 31.10.2007

Sim, ouve, estou sempre a comover-me!...

O recasamento do ano...

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Vip, 31.10.2007

E eu, como escreveria António Lobo Antunes, que me comovo por tudo e por nada...

Tem cartão de cliente?...

Já ouvi tantas vezes a pergunta que apenas sorrio para dentro, antes de responder: cliente de quê?...
Por vezes, quando estou mais bem disposto, remato: nunca serei cliente de quem me pergunta se sou...
As operadoras de caixa costumam olhar para mim com o mesmo ar de espanto de quem viu, pela primeira vez, um extraterrestre...

Um delinquente é um delinquente, um delinquente, um delinquente...

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Público, 31.10.2007

Só há uma maneira de lidar, radicalmente, com a delinquência: exterminar os delinquentes...
Viva Portas, viva, pum!...

Bater em mortos...

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Público, 31.10.2007

Folheava distraidamente o Público de ontem quando tropecei no magnífico título desta notícia. Não me lembro de ter caído, mas devo ter batido com a cabeça algures, porque fiquei confuso, digo, contuso...