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outubro 31, 2007

Improviso no cais...

O eterno retorno
à condição original
esse barco sempre incerto
que se oferece à rebeldia das ondas
como se aspirasse sempre a dobrar os cabos
da boa esperança e da má
o impulso de todos os embarques e desembarques
a insustentável leveza dos seres
que nunca adormecem as noites
que partem quando deviam ficar
barcos que não regressam
porque nunca saem do cais
e atravessam os dias
e atravessam os meses
e atravessam os anos
e a partida é sempre a chegada
e a chegada uma partida
o tempo que não chegou a pertencer-nos
e a vida que parece sempre adiar-nos
o eterno retorno
à condição original
hoje o comboio desesperou por ti.

Ademar
31.10.2007

Sempre tarde ou demasiado cedo...

chego pelas horas de Cesariny
três, quatro, por aí
não é para ser feliz
é para que me vejas
assim e só
às quatro da tarde
pouco importa quem chega
pouco importa se te deixei feliz
desde as três
ou se fui eu
que fiquei
leio, apressada
os espaços por entre os versos
importa-me mais estar nua
caso nos queiramos amar
dispo ontem de uma só vez
e não tenho frio
são quase as quatro da tarde
chegas, como um homem
arrumo Cesariny
visto-me
leio-te
ainda não bateram as quatro
mas é quase tarde

Ana Saraiva

Improviso tumular...

Quando eu morrer de palavras
faz de todas as saudades uma lápide
e semeia-me todos os dias
de rosas vermelhas
para que sempre renasça.

Ademar
31.10.2007

outubro 30, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (22)...

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Há quem nunca ganhe ou perca no jogo das solidões. Há quem tenha as cartas viciadas, mas nunca vá a jogo. É que este jogo dói a jogar e ninguém, verdadeiramente, está preparado para perder ou para ganhar. Sobra sempre, claro, o silêncio do jogador suicida. O silêncio e a espera e a dúvida: a ambiguidade. E o medo: esse medo antigo e quase primário da janela aberta. Das asas que batem e, finalmente, podem ousar...

Improviso entre lados...

Um lado de ti
em que tudo é muito simples
duas agendas
duas disponibilidades
o encontro possível
entre poucas palavras
e a ilha depois
e o outro lado
em que nenhuma intensidade se desperdiça
duas vidas
e outras tantas exigências de perfeição
o encontro necessário
entre muitas palavras
e as montanhas depois.

Ademar
30.10.2007

Improviso fraternal...

Dá-me o braço
dá-me a mão direita
com que escreves
dá-me um pouco da tua coragem
pousa os dois cotovelos sobre a mesa
à distância certa do teclado
e apoia a vida neles
não haverá luto que te faça.

Ademar
30.10.2007

Quando o contágio da morte nos transporta à nostalgia de uma vida perfeita...

Louis Armstrong, "What A Wonderful World"...

Mel assassino!...

Joana Darc foi atacada por um enxame de abelhas e morreu em... Espera Feliz, quando seguia a caminho de casa, "localizada no córrego Água Espalhada". Vem tudo na Folha....

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (21)...

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A vítima que se faz de vítima é duplamente abominável: por ser vítima e, como se isso já não fosse bastante para inspirar a comiseração, por fazer-se de vítima. Não há carrasco que suporte, tranquilamente, um tamanho fardo. A ética impõe que a vítima se conforme com a sua condição. Quem não quer ser vítima não lhe veste a pele, não se põe a jeito. Ninguém suporta uma vítima rebelde. A vítima quer-se conformada, expectante e, se possível, agradecida. A vítima que resiste e estrebucha renega, estupidamente, o conforto e a grandeza de o ser. É uma vítima sem vocação, uma falsa vítima, uma vítima enganadora. A verdadeira vítima aceita, sem um queixume, sem um protesto, a punição do carrasco. E o seu natural ascendente. A natureza dos papéis exige de carrascos e vítimas que se entendam na bissectriz do jogo da dominação e da submissão. A vítima que se faz de vítima subverte esse jogo e renuncia à verdade do seu papel. Não merece, de facto, piedade…

Os 60 minutos mais curtos da vida de Sarkozy...

Não gostou de uma pergunta incómoda e estúpida sobre Cecília e, intempestivamente, virou as costas a Lesley Stahl. Quase tudo nos separa, mas cada vez gosto mais de Sarkozy...

O descrédito definitivo da justiça ao alcance de um acórdão...

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24horas, 30.10.2007

Seria o fim da picada (pedófila)...
E não sei, francamente, se o "estado-de-direito" (essa excelente figura de retórica que os juristas inventaram para consumo das massas ignaras) resistiria à "anulação" do julgamento da Casa Pia...

Uma vítima que não atrapalha a vida a ninguém...

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JN, 30.10.2007

Podia ter-se feito de vítima, mas não fez: limitou-se a morrer. Ainda há gente que sabe ser vítima com elegância...

Uma primeira página assustadora!...

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Público, 30.10.2007

A primeira página da edição de hoje do Público é, toda ela, uma tapeçaria de siglas, supostamente de "serviços públicos" que poderão proceder, legalmente ou não, a escutas telefónicas. Uma dúvida ficou, porém, a pairar na minha mente inquieta e pecadora. O Público arrola na sua lista a GNR e uma tal Guarda Republicana, como se fossem entidades distintas. Ser escutado pela GNR não me preocupa muito, porque duvido que os escutadores percebam o que eu diga. Mas a Guarda Republicana não sei o que seja... e a ignorância deixa-me sempre em estado de pânico. Alguém me ajuda a descobrir o que é a Guarda Republicana?...

Um vídeo para descomprimir angústias...

O tempo das sombras que viajam nas pedras...

levantaste a mão
nela havia uma pedra
e na sombra o seu tempo

Ana Saraiva

outubro 29, 2007

Improviso para celebrar a incompletude...

Todas as noites
tirando os enganos
a esquina das palavras
onde sempre nos vemos
nenhum relógio
nenhum compromisso
apenas a certeza de alguém
apenas a certeza de nós
sempre incompletos
assim.

Ademar
29.0.2007

Improviso para antecipar Novembro...

Um dia depois
um ano depois
sim
vivemos todos à beira do precipício
de nós mesmos
saltar
só mesmo para fora
de uma porta
de uma janela
desse tempo breve de sair e voltar
uma vertigem apenas
um quase desmaio
um esquecimento entre memórias sempre voláteis
e o regresso inexorável
ao princípio de tudo
e às grades interiores
palavras calibradas pelo medo
de existir de outra maneira
um dia depois
um ano depois
sim
que dirás?

Ademar
29.10.2007

O poema que partilhei hoje com os meus alunos...

A arte de ser feliz

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (20)...

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Não há celas mais frias e sombrias do que as interiores. Quando te sentes prisioneira de ti mesma sentes-te prisioneira de uma espécie de maldição que, frequentemente, confundes com a evidência de um destino solitário universal. Mas só está só quem renuncia à verdade dos outros, desleixando a sua própria verdade. A tua luz é muito anterior à tua escuridão. Que te ilumines!...

Bestialidades...

A perversidade humana não conhece, nem respeita limites. E já nem a arte (como aqui se testemunha) escapa à bestialidade...

Um vídeo sem mulheres dentro...

Obrigado, Alexandre de Castro, pela sugestão!...

Quem empresta aos pobres dá a deus (ou será o contrário?)...

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Correio da Manhã, 29.10.2007

Toda a gente, actualmente, empresta dinheiro a toda a gente (por cima ou por baixo da mesa) e só implicam, coitado!, com Domingos Névoa, que sempre foi um mão-largas...
Tanta injustiça, tanta hipocrisia...

O nosso Iraque de todos os dias...

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Correio da Manhã, 29.10.2007

6 mortos e uma caterva de feridos em estado muito grave. Prefiro morrer em casa...

Toxicodependências...

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24horas, 29.10.2007

Desde Maio, é raro o dia em que o 24horas não faz manchete com o caso Maddie. Temo pelo destino do tablóide quando o caso, deslindado ou não, cair no esquecimento. Há quem não sobreviva à síndrome de abstinência...

Como não é uma instituição de crédito, o Banco de Portugal pode, legalmente, emprestar dinheiro aos seus administradores...

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Público, 29.10.2007

A notícia foi avançada ontem pelo Correio da Manhã : "Três administradores do Banco de Portugal têm créditos desta entidade pública de supervisão bancária para a compra de habitação". A operação é considerada legal porque o Banco de Portugal não é uma... instituição de crédito. Se não conseguirdes entender, eu poderei explicar mais devagarinho...

outubro 28, 2007

Improviso para tentar responder a uma pergunta irrelevante..

Perguntas-me
se é poesia ou prosa
eu respondo simplesmente
é vida ou
são apenas palavras
com o sentido que me dou.

Ademar
28.10.2007

Romances e detergentes...

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Depois de ler esta promoção, quem se sentirá tentado a comprar e a ler a nova mixórdia em forma de romance apocalíptico de José Rodrigues dos Santos? Os telespectadores do costume...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (19)...

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De que servem as palavras quando não são lidas? Ou nada parece mudar por causa delas? De que servem as palavras quando o instinto as distrai? De que servem as palavras que parecem inúteis? E, porém, que seria de nós sem elas, quando o instinto fraqueja e vacila? São as palavras que nos acordam e adormecem. São as palavras que nos falam e acarinham, quando tudo o mais se cala e deserta. Dentro de nós e fora de nós...

Improviso para dizer 25 horas...

Hoje anoiteceu mais cedo
e tu voltaste a faltar à chamada da lua
o prato sobre a mesa
continua à espera
e a vida também
tens razão
talvez me internem hoje.

Ademar
28.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (18)...

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A cegueira pode apenas consistir em ver para dentro, quando a escuridão nos encosta às cordas da incerteza e só nos resta viajar e tropeçar na imaginação para tentar perceber o que acontece. Tenho sobrevivido de sinais contraditórios e já só consigo ver quando fecho os olhos. E vejo grutas e labirintos. E todas as sombras que o teu silêncio e o teu pudor continuam a projectar em mim. Digo-te todos os dias que preferia a luz de uma certeza qualquer que me permitisse abrir os olhos e ver. Esta escuridão ensurdece-me...

Dizer por dizer...

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JN, 28.10.2007

O Procurador-Geral da República diz que quer "controlar a violência dentro da escola" e a Ministra dita da Educação diz que "a escola é o lugar mais seguro do país". A ser verdade que eles dizem isto (e não me dei à maçada de confirmar nas interiores do JN), eu digo, simplesmente, que eles não sabem o que dizem...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (17)...

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Releio o que escreveste há quase um ano...
"Nós, humanos, animais, o que seja, estamos "programados" para assumir riscos, só assim sobrevivemos, foi assim que nos aventuramos no desconhecido anteriormente e é assim que nos continuamos a aventurar e até a viver no dia a dia.
Assim, por que não saltar do precipício, mas claro, com risco controlado, com a consciência de que vamos saltar, e assim, por que não acrescentar alguma coisa à nossa vida?
Todos temos medo, por isso, olhamos para a estrada antes de atravessar a rua, para não sermos atropelados, e olhamos para o chão, quando descemos as escadas.
Este medo é salutar, faz-nos tomar precauções, mas saltar é bom, faz-nos sentir que vivemos, a vida faz sentido.
Não foi sempre assim?"
Sim, saltar é bom, desde que não atropelemos ninguém. E não nos atolhemos no próprio precipício...

Estacionamento especial para mulheres...

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JN, 28.10.2007

Um centro comercial de S.joão da Madeira, conta hoje o JN, decidiu, muito cavalheirescamente, reservar lugares de estacionamento especiais para mulheres, "mais largos e pintados de cor-de-rosa e maiores ainda do que os lugares para deficientes".
Provavelmente, haverá em S.João da Madeira mulheres que mereçam uma ofensa destas...

Uma espécie de solipsismo (2)...

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Expresso, 27.10.2007

Não sei, francamente, o que marcará mais a história do dia 18 de Outubro de 2007: se a aprovação do Tratado de Lisboa, se o "liberty dinner" regado a naftalina que, à mesma hora, João Carlos Espada servia aos seus ilustríssimos e distintíssimos convidados. Depois de gargalhar estas três colunas do Expresso, não tenho dúvidas: os "valores do Mundo Livre" foram, certamente, muito mais bem defendidos (e digeridos) no jantar...

Uma espécie de solipsismo (1)...

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Expresso, 27.10.2007

Miguel Sousa Tavares tem um pequenino problema: não cabe no ego. Ontem, dedicava a si próprio a parte final da sua crónica no Expresso. Ainda o veremos a masturbar-se em directo na TVI?...

outubro 27, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (16)...

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Essa sombra projectada sobre a parede da lua diz quase tudo sobre a tua circunstância. A pose discretamente desafiadora dos braços que parecem provocar e chamar o touro. As pernas abertas que montam e sugam (the best revenge!) o hemisfério de todas as ilusões e de todos os desejos. A certeza e a quase tranquilidade da luz escassa, que não consente definições. Há mulheres assim, que engravidam as nuvens...

Improviso para explicar a evidência às aves de arribação...

Sim
é muito mais excitante procurar
do que encontrar
mas quem encontra
raramente procura mais.

Ademar
27.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (15)...

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Depende das horas e das fases da lua. Nem todo o tempo é tempo de escrúpulo. Há momentos em que apetece a transgressão, doa a quem doer. Há momentos em que o compromisso e o respeito não contam, em que todas as dívidas as convertemos em créditos. Depois, sobrevém a honra e só desejamos olhar-nos em paz ao espelho, acordar serenamente do pesadelo da embriaguez. Somos tecidos de contrastes e contradições, não há uma linha recta que nos conduza, sem mácula, da nascente à foz do que somos. Temos sempre o poder de ganhar e de perder. Somos contabilistas de verdades e mentiras e erramos muitas vezes o razão...

Improviso para servir de tocha ou de pira...

Não digas a ninguém de que morri
nem que estavas lá
tece apenas o segredo dos improvisos
e das viagens que não chegaste a fazer
e resgata os filmes
ou incinera-os comigo
arderás também um dia.

Ademar
27.10.2007

Uma espécie de bomba-relógio nas escolas...

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JN, 27.10.2007

Esperemos, sentados, pelos próximos episódios desta saga tecnológica... Garanto-vos que o "melhor" ainda está para vir...

Variações...

É, em toda a sua simplicidade, um dos temas mais pungentes de António Variações ("eu sou melhor que nada" e, também, um dos mais verdadeiros. Hoje, apetece-me recordá-lo aqui...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (14)...

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As borboletas fixam na escuridão uma única luz e são capazes, distraidamente, de morrer nela. Não adianta esperar que o instinto de sobrevivência as proteja. Há uma obsessão quase suicida nas borboletas que faz com que elas divirjam sempre o sentido do voo e raramente se salvem. Tragicamente, as borboletas alimentam-se da luz que as mata. Confiam-lhe o destino efémero e viajam nele, até à metamorfose irreparável. Os seres mais frãgeis deviam ser poupados à embriaguez da luz...

Improviso madrugador...

Há manhãs no outono em que o sol
viaja trenós de silêncio
parecendo secar todos os ventos
atira agora uma pedra ao espelho da água
e fá-lo explodir em mil e um pedaços de luz
talvez sobre uma imagem
ainda mais nítida de nós.

Ademar
27.10.2007

Os "benvindos" publicitários...

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Sol, 27.10.2007

Não deveriam as câmaras municipais sancionar estas delinquências linguísticas?...

Simplesmente, arrufos de namorados...

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Público, 27.10.2007

Foi apenas um convívio um pouco musculado entre universitários do Porto e de Braga...
A PSP terá exagerado o relato e a avaliação da selvajaria porque, provavelmente, estará ainda pouco identificada com os padrões da normalidade académica...
Poderia, de facto, ter sido muito pior...

Confidencialíssimo...

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Expresso, 27.10.2007

Como é que uma carta "estritamente confidencial" e entregue "em mão" ao destinatário... aparece, alguns dias depois, reproduzida no Expresso? E como é que, pedindo Jardim que fosse "acautelada a confidencialidade do pagamento" que, em nome do filho, pretendia efectuar... logo no dia seguinte os jornais garantissem que a dívida já fora paga? E como perceber que o Expresso venha agora garantir que, afinal, "Jardim ainda não pagou as dívidas"?...
Parecem putos a brincar ao esconde-esconde ou ao faz-de-conta...

Começar bem o dia...

Com Léo Ferré: Chanson d'automne...

outubro 26, 2007

Na minha adolescência, ouvia isto...

Peter, Paul and Mary, "Leaving on a jet plane". E os anos foram passando...

Improviso em sol maior...

Ouço na noite o silêncio dos teus passos
a lua cheia
e a memória da serpente que me trouxe a casa
num rasto de sangue que abraçava o horizonte
nenhum futuro é tão certo como esta dúvida
que despidamente me prende às palavras.

Ademar
26.10.2007

Um murro no estômago da estupidez docente...

No essencial, concordo com a mensagem deste apelo. O que, em geral, se passa diariamente nas salas de aula (digo, nas "jaulas") das nossas escolas é um absurdo, um contra-senso. Os alunos precisam de muito mais do que aquilo que os professores, normalmente, lhes oferecem. Basta ter filhos "escolarizados" e não ser completamente idiota para o perceber.

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (13)...

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Nenhuma intensidade, sim, é veloz. Fluis lentamente como uma brisa refractária; pareces deslizar apenas sobre os pés ou levitar. Outras vezes, arrastas pesarosamente o corpo, como se ele fosse mais pesado do que o universo. Nenhum destino próximo, aquém ou além das grades, te seduz. Sofres permanentemente de indecisões. Ao mesmo tempo, aspiras à volúpia dos infinitos e à complacência quase tranquilizadora de uma qualquer escravidão. Há em ti interioridades conflituantes que ruminam. Apetece-te sempre o imediato e o longínquo. Caminhas, pelo menos, dois passos atrás do movimento que te precede. Há instantes mesmo em que te deténs num fotograma inamovível, como se quisesses recolher-te a um abismo em forma de gruta, em que ninguém mais entrasse. A tua lentidão é uma exuberância distintiva, um modo de ser. E de não dizer...

Bancai-vos uns aos outros, uns nos outros!...

Não sei se hoje conjugue o verbo FUNDIR, se o verbo FUNDAR. Na dúvida, escrevo simplesmente FUNDO, na primeira pessoa do presente do indicativo... Ou deveria antes escrever o substantivo?...

Contabilidades... compatibilidades...

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outubro 25, 2007

Improviso entre noites...

Tenho os olhos vestidos de imagens
e vou atrás de palavras que me fogem
troco os passeios sim
para não me encontrar na rua
sigo pelo lado mais ausente de mim.

Ademar
25.10.2007

Caetano Veloso, sempre...

É, de facto, uma música muito bonita. À Caetano Veloso...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (12)...

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Dois espigões esplendorosamente aveludados, arredondados nas pontas. Quando apertados e acariciados, como que deixam de caber no peito e tentam a fuga, enquanto a gravidade suspende, um pouco mais abaixo, dois lábios grossos e retorcidos que esboçam uma boca discreta, abrindo-se luminosamente sobre um pântano interior de que escorre um fio que sempre parece de azeite. A simetria nos antípodas da rotação do corpo e a pele repuxada sobre uma pequena ranhura que abre e fecha com a elasticidade da luz. Nenhuma sombra, nenhuma desarmonia. O instinto, apenas, e a energia vital: ou a perfeição da fêmea. Do outro lado do espelho, a mulher. E o silêncio que hesita, entre tantas evidências de outras cumplicidades…

Ainda há juízes sensatos...

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Público, 25.10.2007

Há muitos adultos (de idade) que não têm condições para ser pais. Nem condições de entendimento, nem condições sociais. Favorecer a paternidade e a maternidade a qualquer preço (como o faz, por exemplo, a igreja dita católica)... é quase um crime, porque nenhuma sociedade pode suprir cabalmente a ignorância, a impreparação, a negligência e a miséria de muitos pais biológicos.
A decisão do Tribunal de Monção neste caso parece-me, por isso, equilibrada, razoável e sensata. Esta mulher nunca deveria ter sido mãe...

O que se faz a um selvagem?...

Não há alibis ideológicos ou políticos de nenhuma espécie para a selvajaria. Um selvagem é um selvagem, ponto final. E os selvagens não podem andar à solta, enquanto se comportarem como selvagens. O energúmeno deste vídeo deveria ser obrigado, durante uns tempos, a limpar as latrinas do mercado da Boquería. Metê-lo numa jaula seria quase um prémio...

Demência...

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Código de Direito Canónico (1983)

Gente que se revê em preceitos desta natureza (que remetem para uma espécie de "idade das trevas") e que, levando-se a sério, se atribui o poder e a autoridade de os aplicar... só pode mesmo sofrer de alguma espécie de demência. Uma demência eclesial...

outubro 24, 2007

Improviso para não fugir...

Não vou embora
não saberia sequer de portas ou janelas
para sair de mim
de resto
como sabes
nunca lavo o corpo para os lençóis
entro pela noite dentro
com todos os suores do dia
e ofereço-me inteiro
todas as manhãs
ao teimoso milagre da ressurreição.

Ademar
24.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (11)...

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Tudo se compra na loja das ilusões, menos as palavras. As palavras que nos embalam e nos aquecem, quando tudo parece arrefecer ou enregelar à nossa volta. As palavras que nos acordam e adormecem. Tudo cansa e se distrai, menos as palavras que nos dão sentido e que viajam sempre connosco. E que entram por nós e nos penetram, engravidando-nos. Nunca estamos sós quando nos reconhecemos nas palavras que nos pertencem. Quando somos amados por elas. Quando, simplesmente, somos amados...

Saia mais uma lei para o mesa do canto da demagogia!...

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JN, 24.10.2007

Eu, no lugar do Partido Socialista, mudaria simplesmente o país e, de caminho, reformaria o povo. Por lei ou decreto-lei, tanto faria...

Crucificai-vos uns aos outros, uns nos outros!...

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Pormenor de um anúncio pateta da tmn publicado em vários jornais. A cruz como inspiração de seis milhões de clientes. Suponho que já estarão a incluir o próprio cristo...

Assinatura: procura-se!...

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Público, 24.10.2007

Vai estrear brevemente, mas ainda não se sabe quem assinará Corrupção, um filme supostamente realizado por João Botelho, sob os meritórios auspícios da sua amantíssima esposa, Leonor Pinhão, e da ex-alternadeira Carolina Salgado. O Público dedica hoje uma página inteira a este "ménage à trois", que, pelos vistos, está em vias de se converter numa grande farra. Ninguém pára o Benfica...

Adultério, perdão tácito e afecto marital...

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Código de Direito Canónico (1983)

A igreja dita católica não aceita a dissolução do casamento "ratum et consummatum", senão por morte. Mas admite que, em certas circunstâncias, os cônjuges possam viver, até ao fim dos seus dias... separados. O casamento, nestes casos, não passaria de uma espécie de jugo canónico, digo, simbólico. Eles e elas continuariam casados, apenas para perversa satisfação do senhor Ratzinger e respectivos acólitos, pedófilos ou não. Chama-se a isto, em português escorreito, sadismo. Quando folheio, por dever de ofício ou não, o Código de Direito Canónico, fico sempre um pouco mais herege.

Massagens entre irmãos?!...

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24horas, 20.10.2007

A expressão de Jardim é sempre... imperscrutável. Estará a gostar da massagem?...

Será a mão de Jardim?...

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24horas, 20.10.2007

Uma mão destas vale, seguramente, milhões. Pela frente ou por trás...

Excessos metodológicos?!...

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Sábado, 18.10.2007

Ele só queria, coitado, entender empiricamente o "mundo misterioso" da homossexualidade para, psicanaliticamente, poder ajudar os homossexuais, esses infelizes. Chama-se a isto, simplesmente, "observação participante". Tommaso percebe da poda... metodológica...

outubro 23, 2007

Comentários: prevenção...

Em princípio, publico todos os comentários (ainda que anónimos e censórios) que recebo. Só não publico os comentários que são, objectivamente, injuriosos. Não o faço por temer queixas ou processos judiciais. Faço-o apenas porque continuo a considerar que entre a crítica (ainda que mordaz e viperina) e o insulto... vai uma grande distância. A distância, exactamente, que separa a liberdade da libertinagem. Ou a ironia da raiva...

Improviso entrelinhado...

Nenhum diagnóstico poderia ser tão definitivo
digo
tão demolidor
sim é verdade
sofro de intuições
estou sempre muito além de mim
ou muito aquém
nunca vejo o que os olhos me contam
tenho entrelinhas na alma.

Ademar
23.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (10)...

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Não há ambiguidade na inteligência ou inconstância que resista todo o tempo à evidência (e ao conforto) da dedicação. As certezas convidam ao estremecimento interior. Nenhuma máscara pertence à própria pele. Nenhuma circunstância esgota o tempo ou o espaço do futuro que dança, intimamente, connosco....

Cole Porter no banho...

É um dos clássicos de Cole Porter: "Miss Otis Regrets". Aqui, numa versão muito peculiar...

Em nome do pai, do filho (sabe-se lá de quem) e do espírito de todos eles...

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24horas, 23.10.2007

Isto é tão antigo e tão deprimente que já nem apetece comentar. São cruzes...

These Foolish Things...

De vez em quando, gosto de ouvir Bryan Ferry. Sobretudo quando ele me transporta para os primórdios de mim, como aqui...

Uma espécie de impudor local...

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Público, 23.10.2007

Sim, eu sei: há autarcas e autarcas. Mas quando me cruzo com algum na rua... tenho, instintivamente, vontade de mudar de passeio. Por que será?...

Ele paga, ele paga!...

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JN, 23.10.2007

Como mudam tão rapidamente, neste país pequenino, as aparências e os significados...
E há quem diga que esta gentinha faz parte da... elite. Elite de quê? Esta gentinha apenas consegue inspirar-me uma imensa repulsa cívica...
Uma espécie de nojo...

outubro 22, 2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (9)...

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Estendes os olhos para uma praia que não existe no outro lado da rua. O mar está atrás de ti ou talvez ao lado, talvez aqui. Agora manso, tranquilo, porque os teus olhos nadam à superfície das águas e já não vão ao fundo. As palavras secam serenamente como as lágrimas. Deitas-te no cais. E quase adormeces no silêncio das ondas, abraçada a uma amizade que não contabiliza ganhos ou perdas. É tudo tão diferente do que conhecias, não é?...

Improviso em forma de bússola...

Há um cais que nunca viaja
entre barcos que fogem ou se distraem
um ancoradouro sempre próximo
ao alcance do mergulho das tuas ondas.

Ademar
22.10.2007

Um poema (bipolar) de Florbela Espanca...

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Florbela Espanca

Cristo a descer da cruz, em Braga...

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JN, 22.10.2007

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JN, 22.10.2007

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JN, 22.10.2007

Foi, para mim, uma (pequena) revelação! Sex shops, BDSM e swing. A Braga tradicional, "católica, apostólica, romana" e imensamente hipócrita, parece estar a renascer das cinzas (ou a levantar-se da tumba). Cristo começa a descer a cruz e a animar-se. Viva o erotismo!...

Prevenção aos leitores...

Estou com um grave problema: receio ter este blogue sob escuta. Os leitores que se cuidem...

outubro 21, 2007

Antes que o domingo acabe...

De vez em quando, refugio-me a ouvir Didier Squiban...

Sugestão de leitura...

A entrevista do Procurador-Geral da República ao Sol é, sob muitos aspectos, uma patetice. Concordo obviamente com os três reparos ("Contenção institucional") do meu querido Amigo Vital Moreira.

Improviso para harpa e oboé...

Nenhuma viagem regressa ao cais de partida
mas há viagens que têm tudo
para ser eternas
quando não cabem estreitamente nos mapas do déjà-vu.

Ademar
21.10.2007

Uma polemicazinha entre Vasco Pulido Valente e Miguel Sousa Tavares...

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Única, 20.10.2007

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Público, 21.10.2007

Confesso: entre um romance de Miguel S.T. e um livro de história de Vasco P.V., não hesito um segundo. Vasco é brilhante e desafia sempre a inteligência crítica dos leitores; Miguel, simplesmente pretensioso...

O rio violento e as margens que o comprimem...

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Sol, 20.10.2007

Pinto Monteiro deveria fazer um estágio sabático na direcção de algumas escolas públicas deste país para perceber a exacta dimensão da "impunidade" de que fala com tamanha ligeireza. Ou deveria talvez ler ou reler Brecht: "do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento; mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem"...

Sai do baloiço, preto!...

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JN, 21.10.2007

Basta ser professor e conversar com os alunos (ou ouvir os "populares" em qualquer feira ou mercado) para perceber que o racismo, a homofobia e a xenofobia continuam a alimentar a mundividência de uma parcela significativa do "bom povo português", estribando preconceitos discriminatórios que a escola pública dita democrática e integradora, apesar das injecções de "formação cívica", tem feito muito pouco para prevenir ou corrigir.
Casos como este, infelizmente, só podem surpreender os discípulos do Dr.Pangloss...

outubro 20, 2007

Improviso breve sobre "the best revenge is massive sucess", de Frank Sinatra...

Não sei na verdade
quem mais lamento
mas alguém errou a voz
ou talvez a máscara.

Ademar
20.10.2007

Otis Redding, 40 anos depois...

Morreu a 10 de Dezembro de 1967, já lá vão quatro décadas, acabara eu então de completar quinze anos de idade. Otis Redding morreu com apenas 26. Começara a ouvi-lo pouco tempo antes: (Sittin' On) The Dock of the Bay; Try A Little Tenderness... Ainda conservo algures os vinis, que já não sei se ainda estão audíveis. Hoje, apeteceu-me procurar por Otis Redding no YouTube. E encontrei estes vídeos, que partilho convosco...

Uma fotografia...

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Única, 20.10.2007

Balsemão, quase menino e moço (e mui garboso), bailando com o povo. Santana não faria melhor...

A compita (ou a compota) entre Miguel Sousa Tavares e José Rodrigues dos Santos...

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Notícias Sábado, 20.10.2007

Em três dias, Sábado, Visão, Única, Notícias Sábado, 4 capas pelo menos. Repito: quem tem boa imprensa (e, ademais, pertence à agremiação)... vende. Escreva o que escrever. Com as mãos ou com os pés...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (8)...

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Sim, claro, vale tudo. As pessoas são coisas e valem, em cada momento, pela utilidade que lhes reconhecemos, pelas vantagens que tiramos delas. No mercado das pessoas, nenhum compromisso ético, nenhuma cumplicidade, faz sentido. Cada um, claro, refugia-se nos seus alibis, na verdade irrefragável dos seus interesses, por mais egoístas ou suicidários que possam ser ou parecer. Não importa: vale tudo. Agora mato; amanhã, morro. Agora firo; amanhã, ferir-me-ão. Salva-se quem puder ou talvez, a prazo, nos percamos todos. É uma espécie de guerra permanente, com as suas traições, as suas armadilhas, as suas crueldades, as suas vilezas. Numa guerra, claro, vale tudo. Importa apenas, em cada momento, a sobrevivência do guerreiro: os cadáveres são troféus que a memória exibe. Há, nesta selva, quem viva e durma bem (ou simplesmente não consiga dormir); e há quem se recuse a jogar este jogo sórdido e prefira ser morto (ou morrer) a matar.
Assim poderia ter falado Zaratustra...

Olha quem fala!...

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Tabu, 20.10.2007

Pinto Monteiro, o inquisidor-mor, perdão, o procurador general, digo, o procurador geral (da nossa republicazinha) é um pândego. Já sabíamos que o homem não gostava de blogues. Ficamos agora a saber que se sente uma espécie de (sem ofensa)... condottiere. Na verdade, quem poderá meter na ordem e disciplinar os condes, viscondes, marqueses e duques do M.P. senão o seu chefe máximo, um tal... Pinto Monteiro?!...
Sim, eu sei... era mais fácil namorar em Coimbra...

Química à portuguesa...

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JN, 20.10.2007

Não entendo o relevo dado pelos media à expressão coloquial usada por Sócrates quando abraçou Durão. A Cimeira não era mesmo... informal?...

Per saecula saeculorum...

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Única, 20.10.2007

O millennium bcp empresta uns milhões (e perdoa?) ao filho do fundador e presidente. O Expresso entrevista e promove na capa um dos seus próprios cronistas. A exemplificação deste tipo de conúbios e favorzinhos poderia quase não ter fim. Portugal é isto. Há muitos séculos...

Quimicamente cúmplices...

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Expresso, 20.10.2007

Putin, Sarkozy e, agora, Sócrates. Com tanta química à solta, isto ainda vai acabar numa grande farra...

outubro 19, 2007

Improviso sob a forma de talvez...

Talvez tenhas mordido
talvez tenhas silenciosamente interrogado
a confusa intimidade das mãos
talvez agora até duvides e hesites
as esquinas da luz
ou talvez ainda seja cedo para a verdade
a verdade desta poesia sempre presente
na viagem de todos os destinos.

Ademar
19.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (7)...

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Há lugares dos quais não conseguimos fugir. Da memória corrosiva, da tela em que correm todas as imagens, das palavras sempre improvisadas. Houve um tempo em que tudo acontecia ao contrário do que hoje acontece. Com a única e irremediável diferença de que eu, desarmado e crédulo, nada sabia – e tudo se passava ao largo de uma confiança cega e, percebi-o depois, absolutamente imerecida. Não havia, entre nós, uma linha recta de compromisso, mas muitas curvas, muitas esquinas enviesadas, muitos cruzamentos inesperados. Fugias, diariamente, das certezas que cosmumam alimentar a segurança e a estabilidade. Preferias antes o risco, a ousadia do instinto, a evasão quase selvagem de todas as grades imaginárias da ética relacional. E, ao mesmo tempo, condimentavas discretamente o conforto de uma dedicação que te exaltava o ego. Era uma espécie de jogo subliminar com cartas marcadas, cujos códigos só eu ignorava. Agora, nesse eterno retorno, tudo acontece ao contrário. E este contrário é quase a garantia de que os lugares de partida voltam, todos eles, a pertencer-nos...

Ridendo castigat mores...

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O Inimigo Público, 19.10.2007

Eu sei que com o Opus Dei não se brinca, mas... hoje é sexta-feira e eu sou um pecador...

Antes filho do pai...

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24horas, 19.10.2007

Convenhamos que o neodemocrata Manuel Monteiro também tem aspecto de ser cliente do millennium bcp...
Ou será o contrário?...
O cilício tem sempre muitas pontas e muitos nós...

Epígrafe para mais uma sexta-feira...

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António Madeira, digo, Branquinho da Fonseca
reproduzido de "A Poesia da Presença - Estudo e Antologia", de Adolfo Casais Monteiro

Um troglodita...

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James Watson considera que os negros têm uma inteligência inferior e pulsões sexuais, digamos, excessivas. E defende que todas as mulheres deveriam abortar se tivessem na barriga um feto geneticamente fadado à homossexualidade.
James Watsom já foi Prémio Nobel da Medicina, mas não passa de um troglodita...
A ciência, frequentemente, não conjuga com a inteligência emocional, com a ética, com a civilidade, com o mero decoro...


Crianças de todo o mundo... podeis finalmente sorrir!...

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Fez a abertura do jornal das 8:00 da SICNotícias, antes mesmo da notícia sobre o acordo conseguido pelos 27 na cimeira de Lisboa: o pedófilo canadiano tão instantemente procurado pela Interpol foi, finalmente, detido na Tailândia. As crianças de todo o mundo, incluindo as da Casa Pia, podem, agora, voltar a sorrir e a confiar nos adultos (e também nos seminaristas e nos padres de todos os credos) que lhes estendam a mão para a bênção...
Deus não dorme...

outubro 18, 2007

Antes que me enviem o enésimo e-mail com a anedota, apresso-me a reproduzi-la aqui!

A CMVM pergunta a Jardim Gonçalves se deu 12 milhões ao filho. Ele responde:
OH PUIS DEI!...

Improviso para não voltares a dizer essa palavra...

Ninguém vale o que diz de si
mas o que oferece
nenhum substantivo nos esgota
apenas a dor que nos impomos
nenhuma sombra
nenhum silêncio
nenhum engano
só a fúria do deserto nos olhos
e nas mãos.

Ademar
18.10.2007

Um cd que recomendo...

Este, da cantora grega Savina Yannatou.
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Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (6)...

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Há mulheres que já foram lobas e lobas que ainda serão mulheres. Raro é que reúnam em si as duas condições e oscilem pendularmente entre ser lobas e ser mulheres, numa espécie de metamorfose permanente que só as presas entendem. As lobas fogem e recusam ajuda; as mulheres, não. As lobas escondem-se e enganam; as mulheres, não. As lobas uivam e fincam os dentes; as mulheres, não. As lobas arriscam tudo na vertigem do salto e do instinto; as mulheres, não. As lobas evitam o compromisso; as mulheres, não. As lobas coleccionam troféus e escalpes; as mulheres, não. As lobas sangram e matam; as mulheres, não. Há toda uma diferença primordial entre ser loba e ser mulher. As lobas vivem e morrem sozinhas; as mulheres, não.

As habituais coincidências das quintas-feiras...

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Visão, 18.10.2007

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Sábado, 18.10.2007

Os escritores-jornalistas têm sempre, como sói dizer-se, uma... boa imprensa. E quem tem uma boa imprensa e, ademais, aparece nas televisões, vende. O mérito literário, nestes jogos de ilusão, conta muito pouco...

O regresso de um artista com provas dadas...

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Público, 18.10.2007

Confesso que ignorava que a criatura, que conheço há quase trinta anos das lides da construção civil e do futebol, ainda fosse... deputado. Virgílio Costa é um daqueles artistas regionais do velhinho PPD cuja companhia não apetece a nenhum tipo decente. Apetece, pelos vistos, a Santana Lopes. Diz-me com quem andas... dir-te-ei quem és...

Na forma em que está, não merecerá ser convocado por Scolari?!...

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24horas, 18.10.2007

O país já tinha saudades de um Eusébio em boa forma...

O pântano da "escola a tempo inteiro"...

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JN, 17.10.2007

Numa grande número de situações, a "escola a tempo inteiro" é uma fraude e os chamados prolongamentos, um embuste. Felizmente, a escola "primária" frequentada pelo meu filho Henrique não lhe oferece, por falta de condições... prolongamentos. Antes isso...

outubro 17, 2007

Improviso para me dizer talvez muito pouco culto, inteligente e respeitável......

A morte bate-me à porta
e fica à espera
peço-lhe pelo postigo
que deixe a notícia e se vá embora
não
diz ela
tenho de ver como tremem os teus olhos
abro a porta e convido a morte a entrar
nem ela reconhece a máscara de Veneza
sobre o rosto que lhe nego
a proibição do esquecimento.

Ademar
17.10.2007

Uma exposição de Vik Muniz, a não perder...

No Museu da Electricidade, em Lisboa. A partir de hoje.
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Público, 17.10.2007

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Público, 17.10.2007

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Público, 17.10.2007

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Público, 17.10.2007

A propósito de uma composição de Vik Muniz...

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A excessiva proximidade da luz pode cegar. A excessiva proximidade da luz pode tornar ainda mais luminoso o olhar. Ícaro perdeu as asas. A luz nunca as perde...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (5)...

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Se me confiscassem a memória, teria ainda os filmes e as fotografias e todas as palavras escritas. Este filme, por exemplo, que revejo agora e que fixa a expressão mais íntima do teu rosto. Parece que nada nele acontece, que tudo passa ao largo. Os olhos, vendados ou não, nunca se abrem ao compromisso. Apenas os lábios, de vez em quando, estremecem, entre gemidos, apelos recorrentes ou gritos. Não há serenidade no teu rosto: há muitos vulcões dolorosamente extintos e outros em vias de erupção. És um labirinto de interiores que muito poucos entenderão. Pergunto-me, por vezes, o que farei destes filmes. Ou a morte por mim...

Uma música, um vídeo...

Gosto muito desta composição de Mike Oldfield e deste vídeo, feito sobre ela. O melhor da humanidade está aqui. Partilho-o convosco.

Um elogio, para variar...

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Um pouca maniqueisticamente, divido os governantes e os políticos em geral em duas categorias: os trampolineiros e os outros. Os trampolineiros não me merecem consideração alguma. Os outros, infelizmente muito poucos... têm o benefício da minha dúvida. Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, é um deles. Acho-o um tipo honesto, coerente, civilizado, que procura fazer o melhor pelo país (ainda que, muitas vezes, eu possa, radicalmente, discordar das suas opções). Tenho respeito por ele. E ouço-o sempre com atenção. Pudera eu pensar e dizer o mesmo de outros membros do governo...

Quando a perícia tropeça, que a fé os ajude...

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24horas, 17.10.2007

Por que não entregam de vez a investigação do caso Maddie ao 24horas? Começo a ficar cansado da penosa e injusta mediação...

Uma notícia maldosa...

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JN, 17.10.2007

Trata-se, claro, de uma campanha insidiosa e miserável contra o millennium bcp. Jardim Gonçalves só soube que Filipe era seu filho na passada semana...

Pactos sobre pactos sobre pactos sobre pactos sobre...

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JN, 17.10.2007

Construir, construir, construir, construir... sobre o pântano do regime. Quereis saber onde começa a corrupção? Exactamente, aqui.

Este mãos-largas daria um excelente administrador do millennium bcp...

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Notícias Sábado, 06.10.2007

Com esta inclinação natural para distribuir milhões e milhões pelos pobres, o reitor do santuário dos milagres daria um excelente administrador executivo do banco do Opus Dei.

outubro 16, 2007

Improviso em forma de haiku sobre o engano da fuga...

Nenhuma viagem tem destino de ausências
todos os movimentos de rotação e translação
começam e acabam no centro de cada um.

Ademar
16.10.2007

Este tipo é um monstro!...

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Notícias Sábado, 06.10.2007

Depois de ler atentamente a entrevista que ele concedeu à Noticias Sábado, só me apetece dizer: este padre é um monstro, a desumanidade e a tacanhice sobre duas pernas. Pergunto-me como ainda há católicos neste país...

O testemunho de um idiota que passa por reitor do santuário de fátima (3)...

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Notícias Sábado, 06.10.2007

Um inteligente electrónico...

O testemunho de um idiota que passa por reitor do santuário de fátima (2)...

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Notícias Sábado, 06.10.2007

"O perigo está nos homens, está no macho". Digo: o perigo estará também nesse macho que passa por reitor do santuário de fátima...

O testemunho de um idiota que passa por reitor do santuário de fátima (1)...

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Notícias Sábado, 06.10.2007

Fica-se sem saber o que justifica o divórcio: se a agressão semanal, se o soco trienal...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (4)...

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O rosto raramente se abre numa expressão cúmplice. Parece que nada existe para além de ti. Parece que nada nem ninguém tem o segredo da chave que desvenda a tua alma. Talvez o corpo se preste a todas as viagens... mas a pele é uma fronteira quase intransponível, um muro de betão, impenetrável. Dizes: nasci na mais absoluta solidão e fadaram-me para a mais absoluta solidão. Não tenho portas, nem janelas para o exterior. Sou um refúgio de desistências e de incoerências. Quero fugir para onde não me reconheçam. Para onde nem eu própria me reconheça. É, simplesmente. um lugar discursivo: ninguém foge das sombras que o próprio corpo projecta...

4 anúncios melancólicos...

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JN, 16.10.2007

Espera-se, apesar da urgência, que a juventude não se esgote no prazo de dois anos...

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JN, 16.10.2007

A observação final é demolidora. Se quer sexo, depois da "Estimulação A..." (mistério!), bata à porta do lado...

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JN, 16.10.2007

Ainda há vidências grátis, para imenso desconforto de João César das Neves...

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JN, 16.10.2007

Infiel... a quem? Ao proxeneta? Ao cliente anterior ou ao cliente seguinte? Estas infidelidades envergonham a própria infidelidade...

Vinicius, sempre...

Um banco que mais parece um Jardim de enganos...

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Diário Económico, 16.10.2007

Claro que Jardim Gonçalves não sabia de nada, coitado! Quem poderá imaginar que um tão distinto membro do Opus Dei tenha "comportamentos ilícitos"? Acho que ele já nem se lembrava mesmo de que Filipe Jardim Gonçalves era seu filho e, muito menos, cliente e farto devedor do BCP. Imagino o choque de sua eminência quando, no sábado passado, soube pelo Expresso a verdade. Há filhos que não merecem os pais que têm...

Adriano: 25 anos depois...

Foi num 16 de Outubro como hoje, de 1982, que morreu Adriano Correia de Oliveira, com apenas 40 anos de idade. Recordo-o aqui, na inesquecível interpretação (que tantas vezes lhe ouvi em Coimbra) da Trova do Vento que Passa...Continuas vivo, Adriano, do alto da tua sempre imponente e calorosa figura!

outubro 15, 2007

Improviso para dizer em francês...

Se me olhasses assim
se me falasses assim
se me cantasses assim
e se me dissesses assim que eras infiel
e porém me amavas
de um amor ouvido apenas ao sábio imortal
se usasses a mão esquerda para não calar apenas
as lágrimas o pudor e as dúvidas
e não cansasses no outono
em que ambos nascemos
se fosses mais do que a superfície das águas
e nadasses muito acima de ti
e não te ajoelhasses diante dos altares
que todos te oferecem
talvez as minhas palavras fossem inúteis
e Novembro e Dezembro
entre nós
não tivessem futuro.

Ademar
15.10.2007

O fim do mundo encadernado...

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Não sei se será mesmo o fim do mundo ou se será, apenas, o fim de José Rodrigues dos Santos na RTP. Mas promete, em fascículos e com encadernação, ser mesmo o fim da picada...
Almerindo, o hissopista de todas as horas, que se cuide...

Saudades de Monique Serf, digo, Barbara...

Já morreu há dez anos, mas continuo e continuarei a ouvi-la. Aqui, interpretando "Ma plus belle histoire d'amour". Imperdível...

Du plus loin, que me revienne,
L'ombre de mes amours anciennes,
Du plus loin, du premier rendez-vous,
Du temps des premières peines,
Lors, j'avais quinze ans, à peine,
Cœur tout blanc, et griffes aux genoux,
Que ce furent, j'étais précoce,
De tendres amours de gosse,
Ou les morsures d'un amour fou,
Du plus loin qu'il m'en souvienne,
Si depuis, j'ai dit "je t'aime",
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

C'est vrai, je ne fus pas sage,
Et j'ai tourné bien des pages,
Sans les lire, blanches, et puis rien dessus,
C'est vrai, je ne fus pas sage,
Et mes guerriers de passage,
A peine vus, déjà disparus,
Mais à travers leur visage,
C'était déjà votre image,
C'était vous déjà et le cœur nu,
Je refaisais mes bagages,
Et poursuivais mon mirage,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

Sur la longue route,
Qui menait vers vous,
Sur la longue route,
J'allais le cœur fou,
Le vent de décembre,
Me gelait au cou,
Qu'importait décembre,
Si c'était pour vous,

Elle fut longue la route,
Mais je l'ai faite, la route,
Celle-là, qui menait jusqu'à vous,
Et je ne suis pas parjure,
Si ce soir, je vous jure,
Que, pour vous, je l'eus faite à genoux,
Il en eut fallu bien d'autres,
Que quelques mauvais apôtres,
Que l'hiver ou la neige à mon cou,
Pour que je perde patience,
Et j'ai calmé ma violence,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

Les temps d'hiver et d'automne,
De nuit, de jour, et personne,
Vous n'étiez jamais au rendez-vous,
Et de vous, perdant courage,
Soudain, me prenait la rage,
Mon Dieu, que j'avais besoin de vous,
Que le Diable vous emporte,
D'autres m'ont ouvert leur porte,
Heureuse, je m'en allais loin de vous,
Oui, je vous fus infidèle,
Mais vous revenais quand même,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous,

J'ai pleuré mes larmes,
Mais qu'il me fut doux,
Oh, qu'il me fut doux,
Ce premier sourire de vous,
Et pour une larme,
Qui venait de vous,
J'ai pleuré d'amour,
Vous souvenez-vous ?

Ce fut, un soir, en septembre,
Vous étiez venus m'attendre,
Ici même, vous en souvenez-vous ?
A vous regarder sourire,
A vous aimer, sans rien dire,
C'est là que j'ai compris, tout à coup,
J'avais fini mon voyage,
Et j'ai posé mes bagages,
Vous étiez venus au rendez-vous,
Qu'importe ce qu'on peut en dire,
Je tenais à vous le dire,
Ce soir je vous remercie de vous,
Qu'importe ce qu'on peut en dire,
Je suis venue pour vous dire,
Ma plus belle histoire d'amour, c'est vous...

Letra e Música de Barbara (1966)

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (3)...

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Sim, falhou o gestor. Quantas vezes, lembras-te? Sim, ele não era (comentaste tu, pesarosamente) uma pessoa de compromissos, como se estivesses apenas a reconhecer uma evidência irreparável. Como se a previsibilidade, digo, a confiabilidade, ainda para ti fosse um bem relacional. Que o faria recuar sempre? O medo do terceiro? O embaraço do desconhecido? A incerteza do contexto? A dúvida sobre a tua própria adesão e desempenho? Era difícil, ainda assim, imaginar uma razão que, de alguma forma, não te apoucasse. Quem, conhecendo-te e desejando-te, desdenharia o reencontro? Talvez o défice da tua exigência não pedisse outra coisa, senão também a desatenção, a ligeireza, uma quase indiferença. De facto, no pântano do incompromisso, quem poderia mesmo desejar comprometer-se contigo?...

Podia ter começado por privatizar a Câmara de Gaia...

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JN, 15.10.2007

Zita com todos...

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Já foi indefectível de Álvaro Cunhal. Já foi indefectível de Cavaco. Já foi indefectível de Durão. Já foi indefectível de Santana. Já foi indefectível de Mendes. É agora indefectível (e até vice-presidente) de Menezes. O pudor não atrapalha Zita Seabra. É o descaramento em estado de permanente ebulição...

Bom povo português...

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JN, 14.10.2007

Trezentos e cinquenta mil em Fátima para ouvir Tony Carreira, sete mil e quinhentos em Gondomar à espera de mais um milagre. Talvez esteja a trocar a ordem ou a desordem dos factores, mas suponho que Tony terá cantado assim à Virgem imaculada...

outubro 14, 2007

Improviso para rever o silêncio...

Hoje rastejei aos pés da lua
para que ela não desertasse
hoje arrumei o armário de todos os brinquedos
e teci lentamente uma saudade de odores
hoje lavei toalhas e lençóis
e cozinhei a pescada de todos os domingos
hoje peregrinei imagens e fiz de conta
e quase fui feliz.

Ademar
14.10.2007

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (2)...

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Nenhum território é mais árido do que o território do espelho, quando nos isola do universo e nos fecha entre grades. Não contar com ninguém, senão com o que sobra de nós. Não esperar nada. Quase nada querer. Foi assim que viajaste ao meu encontro, foi assim que te encontrei. Árida também, como o território que frequentavas. Nenhuma esperança. Nenhuma ilusão. Só o desejo de atravessar a ponte de todas as inseguranças, saltar de cabeça sobre o precipício e regressar, rapidamente, à margem que deixaras. Nenhum elo, nenhum compromisso, nenhuma relação. Nem cumplicidade, nem fidelidade. A viagem permamente e sempre veloz entre a noite e o dia. Entre a fusão e a solidão. Entre o instinto e o pudor. Entre a vida e a morte...

A virtude no estereótipo feminino...

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JN, 14.10.2007

A principal diferença talvez resida na maior ou menor contracção do superego (e no lugar que, ainda hoje, as mulheres ocupam na sociedade) e menos numa virtude de género. Mas os machos gostam muito de pensar que são, naturalmente, mais corruptos do que as fêmeas. Mais corruptos, mais musculados e mais peludos...
Estas sondagens dão apenas para o peditório dos estereótipos...

Que se martirizem uns aos outros e nos deixem em paz...

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JN, 14.10.2007

Estes católicos oscilam permanentemente entre o sadismo e o masoquismo. Só conseguem inspirar-me uma tristeza infinda e comiseração, muita comiseração...
Como a vida deve pesar-lhes entre tanto martírio...

Tammy...

Quando eu nasci nos anos cinquenta, ouvia-se isto. Hoje retirei do pó um antigo vinil e pus-me à escuta da infância. Agora, apetece-me partilhar Tammy convosco...

Entre toda a luz e algumas sombras - memórias de uma viagem interior (1)...

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Sempre percebi por que vieste. Eras uma caçadora do inesperado e sempre o inesperado te atraíra. Vieste só, muito só, frágil, indefesa e quase desarmada. Era apenas mais um salto sobre um precipício, um salto sem mapa, nem pára-quedas. Sabias rigorosamente ao que vinhas e o que te esperava. Tinhas o roteiro escrito no corpo, entre palavras que mais pareciam tatuagens. Trazias os olhos preparados para a venda, os pulsos preparados para as algemas. Só não conhecias a delicadeza demoníaca das pontas dos dedos das mãos que te viajariam. E não anteciparas a sofreguidão...

O regresso das boninas...

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A Bola, 14.10.2007

Um naco de prosa acaciana do editorialista de serviço à edição de hoje de A Bola, Homero Serpa. Por momentos, julguei-me regressado à escola primária do salazarismo. Há muito que não gargalhava assim...

Salvai-vos uns aos outros, uns dos outros!...

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A Bola, 14.10.2007

Nasci em Braga no coração de Bracara Augusta, vivo em Braga, ainda nos limites de Bracara Augusta, sou bracarense de há muitas gerações. Nunca fui... bairrista. O meu bairro é o universo e, ainda assim, o acho muito pequeno e tacanho. Sou, há trinta anos, opositor declarado de Mesquita Machado e dos cónegos, dos empreiteiros e dos espertalhões que governam a cidade. Os meus filhos mais novos jogaram ambos no Sporting Clube de Braga. O mais novo ainda joga. São ambos adeptos ferrenhos do... Futebol Clube do Porto. Eu, quando tinha a idade deles, sofria pelo Sporting Clube de Portugal. Mas o clubismo, variante ainda mais primária e irracional do bairrismo, nunca me atraiu. Sou ateu em tudo, até no futebol. E salvadores... não conheço. Conheço apenas a vaidadezinha pacóvia dos que se tentam promover socialmente através do futebol. De uma forma ou doutra, a cidade pagará, como sempre, o circo da bola. E eu continuarei a rir, a rir, a rir... Já não tenho idade, nem feitio para chorar...

O duo dos meninos guerreiros...

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Publico, 14.10.2007

Tirando os próprios e as respectivas comanditas, será que alguém ainda leva a sério esta gente?...

outubro 13, 2007

Improviso sobre o espaço e o tempo...

Tempo e espaço
o tempo que mingua da eternidade
e o espaço infinito
que só não cabe no coração falível
o tempo emagrece nos astros minha amiga
e o espaço tem a forma de uma cela
sem grades
esse tempo que já não me pertence
esse espaço que adoeceu mortalmente nas minhas mãos.

Ademar
13.10.2007

Um carácter de peso...

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Sol, 13.10.2007

Ele (Macário Correia) diz que, por uma questão de carácter, não beijaria Angelina Jolie. Preferia antes, em alternativa, combater com Mike Tyson. Lamentavelmente, não lhe perguntaram se beijaria Brad Pitt...

O anátema...

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Sol, 13.10.2007

Para Catalina Pestana, Pedroso é um perigoso pedófilo, abusador de crianças, protegido pela Maçonaria. Para a justiça, que o inocentou, não. Em que é que ficamos? Em quem devemos acreditar? Uma coisa é certa: por este caminho, inocente ou culpado, Pedroso carregará até ao fim dos seus dias este anátema e pouco poderá fazer para limpar a sua honra (se a tem).

Os filhos deixam-se sempre crucificar pelos pais...

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Expresso, 13.10.2007

Doze milhões mal parados entre Pai e Filho? É... Obra...

O terror em nome da santíssima trindade...

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24horas, 13.10.2007

Esta manhã.
RTP1 transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima. SIC transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima. TVI transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima. TSF transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima. Rádio Renascença transmitia, em directo, as cerimónias de Fátima.
Tive medo de ligar o fogão...

A conta do vigário...

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24horas, 12.10.2007

Pinto da Costa nunca resiste ao apelo desesperado de ajuda de um árbitro... É tão ingénuo e tão solidariamente generoso que, por vezes, até cai no conto do vigário...

Dar ou mandar recados...

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24horas, 12.10.2007

Ao contrário do que a fotografia parece querer sugerir, Augusto Santos Silva não está a "mandar nenhum recado" a Almerindo. Está, simplesmente, a... dar...
E Almerindo, o hissopista, ouve com atenção...
Quem conheça o Ministro dos Assuntos Parlamentares saberá que ele não é homem para mandar recados...

outubro 12, 2007

Improviso bipolar...

Entre o fogo e a cinza
entre a nascente e a foz
entre o dia e a noite
entre o instinto e a ternura
entre a presença e a ausência
o sim e o não
entre a culpa e o arrependimento
entre a verdade e a mentira
entre a estátua e a vida
entre a lágrima e o grito
o sim e o não
entre a paz e a guerra
entre a solidão e a multidão
entre o dever e o prazer
entre a fome e o enjoo
entre a coragem e a cobardia
o sim e o não
entre a espera e a viagem
entre a energia e o cansaço
entre a certeza e a dúvida
entre a vertigem e a dedicação
entre a liberdade e o carácter
o sim e o não
entre as duas faces de Juno
entre as duas margens do silêncio
entre dois abraços e duas urgências
entre dois compromissos
entre duas exigências
entre duas paixões
o sim e o não
sempre.

Ademar
12.10.2007

Este escritor mexicano não receberá tão cedo o Prémio Nobel da Literatura!...

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JN, 12.10.2007

Os poetas, na cozinha, tendem a ser muito empíricos e pouco metafóricos...
Cozinhar em lume brando o braço da namorada (regado em limão) poderá até parecer um excesso poético, mas é apenas... um acto de canibalismo...

Pornografia...

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- Pai, a RTP já passa pornografia?...
Levanto, inquieto, os olhos do prato e fixo os olhos no televisor. Leio: XXX Congresso do PSD...
O Francisco tem razão: este XXX Congresso só pode mesmo ser pornográfico...

Surprise!...

Doris Lessing é a nova e inesperada titular do Nobel da Literatura. Apetece mesmo pedir-lhe um prato de marmelada...

Espelho deles...

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Visão, 11.10.2007

Concordo: Sócrates e Sarkozy devem adorar ver-se ao espelho um do outro...

outubro 11, 2007

Improviso para distrair o crepúsculo...

Retenho a data
no rodapé do primeiro filme
há uma porta fechada
e nenhuma sombra
e muitos braços erguidos
celebrando a eternidade
uma espécie de comunhão de luzes
e fios de azeite
revejo os gestos que esvoaçam
e os gritos que não mentem
e não adivinho o outono
todas as janelas estão abertas
sobre o mar
e nenhuma onda nenhuma ameaça
pressagia este crepúsculo.

Ademar
11.10.2007

Orgias, drogas e álcool...

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Sábado, 11.10.2007

Nunca mais vou a um concerto numa igreja, senão de máscara (e preservativo)...
Ademais, não resisto à penumbra erótica de uma sacristia...

Exploração póstuma do trabalho infantil...

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Se querem ser canonizados, os pastorinhos de Fátima vão ter que produzir mais um milagre, mas um milagre que se veja. O pastor Saraiva Martins, em matéria de promoção de santos e santinhas, não brinca patrioticamente em serviço.
Eu, no lugar dos pastorinhos, escolheria o Benfica para usufrutuário do novo milagre. Seria canonização pela certa...

A coroa das coxas de uma mulher...

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24horas, 06.10.2007

Se bem me lembro, eram as... baionetes ou as baionetas. E tinham pernas, imagine-se!...

Também será bailarina e brasileira?...

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Notícias de Viana, 04.10.2007

Continuo, em Braga, à espera dela...

Paternidades...

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24horas, 11.10.2007

O 24horas ainda acabará por descobrir o verdadeiro pai da criança, perdão, o verdadeiro dador de esperma...
Mas não deixa de ser divinamente irónico que este casal tão católico e tão bajulador de papas, bispos e afins tenha cometido um pecado tão hediondo (à luz da catequética dos castrados que dirigem a igreja romana): recorrer a um banco de esperma para fazer uma criança...

outubro 10, 2007

Um dueto e uma ária de Don Giovanni, de Mozart...

Improviso para E..., com Gluck em fundo...

Caminhavas devagaríssimo
como se apenas soletrasses os passos
e já não tivesses olhos ou mãos para ninguém
todos os rios sim têm duas margens
menos o teu
que submerge na corrente
antes de nenhuma foz
soluçavas devagaríssimo
como se apenas soletrasses as lágrimas
e já nenhum arrependimento as pudesse conter
todos os rios sim têm duas margens
menos o teu
que submerge na corrente
antes de nenhuma foz.

Ademar Santos
10.10.2007

Três fotografias de Diane Arbus (1923-1971)...

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As lágrimas replicando o movimento das ondas, o sacrifício interior, a evidência da prostração aos pés do desejo incerto. A tua vulnerabilidade não é uma linha recta. Tem ângulos, tem esquinas, tem contradições. É quase, digo, um lugar de ser...

Imprudências...

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DN, 10.10.2007

Quem poderia esperar outra coisa? Ao contrário da tuberculose, o preconceito e a discrimação, em Portugal, são fulminantemente contagiantes e não reconhecem programas terapêuticos, nem respeitam, geralmente, prevenções ou convenções. Desconfio que, nesta história, alguém não vai ficar muito bem na fotografia...

Quem será despedido em primeiro lugar?......

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DN, 10.10.2007

Eu aposto que será Almerindo, o hissopista...

O cascador...

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24horas, 10.10.2007

Durão Barroso, inegavelmente, tem sentido de humor. Ele e o seu amigo Sarkozy fariam uma dupla prodigiosa de comediantes...

Mais tarde ou mais cedo, morta ou viva, Maddie acabaria por aparecer!...

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24horas, 10.10.2007

Se a PJ sabe que Maddie estava "drogada"... é porque descobriu entretanto o corpo da criança e pôde proceder às análises indispensáveis. De outra forma, esta manchete é, simplesmente, pateta. De resto, como a maior parte das manchetes que o 24horas, sobre este caso, vem há cinco meses oferecendo aos seus incautos leitores...

Serão todos... titulares?...

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

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JN, 09.10.2007

outubro 09, 2007

Vibracções...

vibram-me os teus pensamentos
nos nós dos dedos
a mão em punho
é o ar que nos rodeia
empresto as rotas
para que nenhum dos barqueiros se perca
a mão aberta
é o rio por onde sairemos
totalmente livres
totalmente sós

Ana Saraiva

Improviso trovadoresco...

Há nos olhos da minha amiga
persianas
que não abrem nem fecham com a luz
há nos dedos das mãos da minha amiga
impressões de muitas identidades
há no corpo da minha amiga
manchas
que nenhum planisfério localiza
há nas vibrações da minha amiga
um pêndulo interior
que não reconhece as leis da gravidade
há no peito da minha amiga
relevos
que espreitam e desafiam o desejo
há nos cabelos da minha amiga
um cheiro único a flores extintas
há nos silêncios e nos gritos da minha amiga
um desleixo antigo de destinos e de palavras
e há nos gestos da minha amiga
litorais sem água
desertos sem areia
atmosferas sem oxigénio
altares sem deuses
precipícios escritos de qualquer maneira.

Ademar
09.10.2007

A minha canção preferida de Jacques Brel, em duas versões...

Ne Me Quitte Pas...

Acho que foi em minha casa que ouviste, pela primeira vez, "Ne Me Quitte Pas", de Jacques Brel. Hoje, no dia da tua morte, recordo esse dia, transportando-o discretamente, através da música, para a actualidade de compromissos maiores...

Fausto Correia...

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Foste tu, Fausto, que me ensinaste a gostar de Coimbra, amor que jamais traí. Foste tu que me desvendaste a Coimbra das vielas esconsas e das tasquinhas e dos subúrbios. Eras, na turma, um dos raros nativos e valias-te, generosamente, desse pergaminho para protegeres os amigos. Depois da Faculdade, não falámos muitas vezes. O destino proporcionou-nos outras relações, outros empenhos, outras vidas. Mas sempre que te via, como vejo agora na fotografia oficial de eurodeputado, era como se nunca tivéssemos acabado o curso e continuássemos a partilhar as noites e os segredos de Coimbra. Acabo de saber que te falhou hoje o coração e que morreste. Serei o próximo? Vai baralhando as cartas, que eu já apareço...

Valerá mesmo tudo?...

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JN, 09.10.2007

Provavelmente, quase toda a gente achará muito bem que a Interpol tenha divulgado assim as fotos de um suposto predador sexual de menores, apelando a uma espécie de vigilância e denúncia universais. Eu, confesso, tenho muito medo destas práticas. Quantos homens, no planeta, não serão confundíveis com a criatura exibida? Quem protegerá os inocentes das moléstias de todo o tipo que a confusão possa vir a causar-lhes? E mesmo o criminoso: a divulgação destas fotos não pode quase funcionar como um convite ao linchamento popular?
Eu sei, eu sei: o combate à pedofilia exige a mobilização de todos os recursos disponíveis. Mas, pergunto: valerá mesmo tudo? Não há, na investigação policial, nenhuma espécie de ética? Eu, tentando colocar-me do lado da civilização, julgava que havia...
Claro que escrever isto, mais a mais, num dia em que a PJ abriu a caça ao pedófilo nacional, será politicamente incorrecto, mas eu já não tenho idade, nem feitio para me acobardar...

Bailarinas...

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24horas, 09.10.2007

O Brasil, já se sabe, é o maior exportador mundial de futebolistas e de... bailarinas...

Não há Machado que corte a raiz ao pensamento...

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24horas, 09.10.2007

Não sei se a procuradora, exactamente, estará em pânico. Sei, apenas, que estes meninos não se recomendam a nenhuma ideia de civilização. Quem serão, quem foram os pais e as mães deles?... E quem somos todos nós? Será que nunca aprendemos nada?...

Um zelo imensamente cortês...

Esta notícia desfaz todas as dúvidas que pudessem ainda subsistir. Os polícias à paisana que "visitaram" a delegação na Covilhã do Sindicato de Professores da Região Centro não eram agentes da PIDE, nem agiram com propósitos intimadatórios. Tratou-se apenas de uma visita de cortesia...

Está mesmo tudo doido?!...

Numa escola de Alijó foram identificados, desde Março, 5 casos de tuberculose (quatro alunos e, mais recentemente, uma professora). Os pais, os alunos e os funcionários de todas as estirpes estão naturalmente preocupados. Um zeloso facultativo da Direcção de Saúde local veio dizer (ouvi-o hoje na RTP) que esta modalidade de tuberculose não é contagiosa e que toda a gente pode estar, por isso, tranquila. Este amanuense sanitário pode perceber muito de tuberculoses, mas percebe muito pouco de psicologia social. Quem conseguirá trabalhar em paz e tranquilamente numa escola "atacada" pelo bacilo de Koch? Parece que vivemos num país esquizofrénico...

Crime no Expresso Oriente, perdão, no Ocean Club...

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24horas, 09.10.2007

Eu, no lugar dos investigadores da PJ, procuraria esclarecer se os McCann e os seus amigos são leitores de Agatha Christie...
E, já agora, se o próprio Poirot estaria a passar férias, em Maio, no Ocean Club...

Hasta siempre!...

Foi, talvez, o único herói da minha juventude. Soube, mais tarde, que fez coisas que me repugnaram. Mas ficou-me para sempre o exemplo de quem não se deixou embriagar egoisticamente pelo conforto do poder e continuou a lutar de armas na mão, em condições quase suicidárias, pelos ideais (nobres!) que o moviam. Che Guevara foi assassinado a 9 de Outubro de 1967. Já lá vão 40 anos. Ainda não conseguiram enterrá-lo...

outubro 08, 2007

Saudades de Jean Ferrat...

Como ainda hoje adoro ouvir esta voz...

Improviso para iluminar o buraco-negro da lua...

Que a lua complete a sua viagem de rosas
e não descanse sobre o patamar de nenhuma sombra
que todos os sóis a dispam lentamente
e ela reconheça finalmente as fronteiras
da sua própria galáxia.

Ademar
08.10.2007

Gato escaldado...

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24horas, 08.10.2007

Quem, em seu perfeito juízo, gostaria de liderar, em terceira mão, esta investigação esquizofrénica?...

Circule pelo lado mais estreito da farsa...

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JN, 08.10.2007

"TRÂNSITO PROIBIDO A VIATURAS QUE TRANSPORTEM PESSOAS MAL-EDUCADAS, DESOBEDIENTES E QUE NÃO SEJAM LIMPAS."

Comentários para quê?...

Eternidade e um dia...

Quase dez anos depois, gostava de rever esta obra de Theo Angelopoulos, como quem regressa a uma parte de si próprio...

outubro 07, 2007

Improviso contabilístico...

Arrumou as velas para que ele não visse
arrumou as camas para que ele não coubesse
arrumou os gritos para que ele não ouvisse
arrumou as memórias para que ele não soubesse
arrumou os brinquedos para que ele não brincasse
arrumou o corpo para que ele não batesse
arrumou a alma para que ele não imitasse
arrumou a toalha o pijama as cuecas os chinelos
e continuou a cerzir a paciência
do amante que nunca desiste.

Ademar
07.10.2007

As grandes manchetes do 24...

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24horas, 07.10.2007

Toda a gente já tinha percebido, mas o 24horas, à míngua de manchete, não resistiu a enfatizar essa verdade de polichinelo: Kate McCann só não foi presa por... falta de provas. Espantoso!

Mas alguém ainda tinha dúvidas de que não fosse assim?...

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Pública, 07.10.2007

Cada um pia quando pode ou quando lhe convém. José Rodrigues dos Santos, que de virgem não tem nada, resolveu piar agora. Está na cara porquê: a almeríndica e mui hissopística figura que dirige a RTP está a cumprir os últimos dias do seu mandato. Rodrigues dos Santos tenta apenas ajudar o governo a tomar a decisão que se impõe, a bem da República: correr com o Almerindo. Touché!

O labirinto da remissão...

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Público, 07.10.2007

De vez em quando, concordo com António Barreto. Ele termina este artigo dizendo: (...) "Uma linguagem obscura e burocrática, ao serviço da megalomania centralizadora. Uma obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio. Notem-se as correcções, alterações e rectificações sucessivas. Medite-se na forma mental, na ideologia e e no pensamento que inspiram este despacho. Será fácil compreender as razões pelas quais chegámos aonde chegámos. E também por que, assim, nunca sairemos de onde estamos".
Nada de mais verdadeiro. Há muitos anos que venho afirmando que a maior tragédia da educação em Portugal (a mãe de todas as tragédias) é o Ministério dito da Educação e a megalomania e o iluminismo centralizadores que, esquizofrenicamente, o agitam. Todos os ministros e secretários de estado estão convencidos (não se sabe por que inspiração divina) de que conhecem a fórmula para salvar o doente. É assim há muitas décadas e o doente não reanima. O problema, não há volta a dar-lhe, deve estar mesmo no doente...
Ou no país...

outubro 06, 2007

A felicidade ainda é possível em Guimarães...

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O seu a seu dono: retirei a foto daqui.

Improviso para mapear a tua rua...

Da tua varanda deve ver-se a rua
e do outro lado dela
o mundo de que te escondes
entre sombras e grades
e todos os segredos
as costas que ofereces às palavras que sangram
para que ninguém se perca na cobardia dos teus olhos
o pudor doentio dos espelhos
o pânico do lugar da identidade
o desespero de todas as evidências interiores
a vertigem do engano do risco e da fuga
da tua varanda deve ver-se a rua
e pouco mais do que ninguém.

Ademar
06.10.2007

Psiquismo divino...

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NS, 06.10.2007

Só faltava mesmo esta. O verdadeiro milagre de Fátima foi a conversa íntima que o reitor do santuário manteve (sabe-se lá quando) com o deus dele. Talvez no divã...

Cristiano Ronaldo...

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Única, 05.10.2007

A foto até pode passar despercebida, mas o facto é que a revista do Expresso escolhe para ilustrar o mundial gay de futebol uma imagem de... Cristiano Ronaldo (ou de um sósia dele). A insinuação subliminar é óbvia e não honra o Expresso...

Cabotinagem...

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Sol, 05.10.2007

Apresenta-se como "especialista em etiqueta", mas não passa de uma cabotina, que certa imprensa alfacinha converteu numa espécie de boba da corte...

Hipnose...

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Sol, 05.10.2007

Catalina Pestana tem uma memória de longo prazo absolutamente extraordinária, fantástica! Ela até consegue lembrar-se (e cinematograficamente) de algo que lhe aconteceu quando tinha, apenas, dois anos e meio. Até se lembra desse pormenor pungente de ter tentado disfarçar as lágrimas, para que a avó não visse. Desconfio que a entrevista ao Sol foi concedida em estado de hipnose...

A entrevista mais cínica do ano...

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Sol, 05.10.2007

Eu tinha algum apreço por Catalina Pestana até ler a entrevista que concedeu ao Sol. Ela fala como se, durante vários anos, não tivesse sido Provedora da Casa Pia e não tivesse tido autoridade sobre os... abusadores que, pelos vistos, ainda existem por lá. E como a PJ no caso Maddie relativamente aos McCann, está agora convencida da culpabilidade de Paulo Pedroso (que, depois de ter sido preso preventivamente, nem chegou a ser pronunciado). É um testemunho quase demencial...

outubro 04, 2007

Improviso para ir ainda mais longe...

Há viagens de que nunca chegamos
ainda que os cais por vezes se encontrem e desencontrem
na linha do destino
há viagens que respiram o exterior das janelas
e que sangram apenas por dentro.

Ademar
04.10.2007

Obsessão...

Obsessão...

Os agrimensores da avaliação ambulatória...

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JN, 04.10.2007

Isto, claro, não é para levar muito a sério. Um inspector ou uma inspectora deslocar-se-á propositadamente à minha escola para me avaliar (sim, confesso o despautério: sou professor "titular"). Já nem discuto os critérios da avaliação ou os atributos pedagógicos dos colegas avaliadores (conheço alguns, outros não, que foram para a Inspecção porque detestavam "dar aulas" e "aturar alunos"). Pois sem conhecerem a Escola, sem conheceram os alunos e as suas famílias, sem conheceram os contextos pedagógicos e educacionais, e o mais que poderemos imaginar, esses caixeiros viajantes da avaliação vão tomar decisões, mais ou menos instantâneas, sobre a qualidade do meu desempenho profissional. Só vos digo: não queria estar na sua (deles) pele!...

Uma primeira página histórica!...

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A Bola, 04.10.2007

O diário mais do que oficial do Benfica surpreendeu hoje tudo e todos, com esta... manchete. Camacho que vá fazendo as malas...

Obsessão...

Improviso para iluminar as noites...

Depuro a verdade
até ao osso da evidência interior
e abraço sempre um fio de claridade
no horizonte de todas as nuvens.

Ademar
04.10.2007

Obsessão...

Improviso quase outonal...

Adoeço agora das mãos
soletrando mentiras
parece que era um jogo
um jogo de cartas viciadas
e eu andava distraído
o amor distrai.

Ademar
04.10.2007

Obsessão...

Intervalo para cuidar das mãos...

Hoje, pelo menos, agora, não tenho vontade de blogar. Não tenho sequer vontade de poemar. As mãos adoeceram-me. Vou cuidar do que sobra delas. Regressarei quando acordarem...

outubro 03, 2007

Improviso flutuante...

Flutuar sobre um campo de ausências
e não ver mais do que nuvens
ou sombras delas
pouco vale a poesia
quando o instinto viaja
e nenhum compromisso permanece
há mais verdade nos amantes
do que a sua circunstância.

Ademar
03.10.2007

O primeiro livro que, em muitos anos, George W. Bush irá ler...

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Público, 03.10.2007

Digo: para além do índice...

Improviso no lugar do instinto...

Os braços não abraçam todos por igual
não há duas vozes confundíveis no silêncio das madrugadas
nem as palavras são indiferentes
as mãos não agarram e acariciam todas da mesma forma
todos os gestos têm alma e bilhete de identidade
ninguém substitui ninguém
mas só os deuses costumam acertar a saída efémera
no emaranhado labirinto das paixões.

Ademar
03.10.2007

Sobreviverá a criança aos juízes, aos psicólogos, aos pedopsiquiatras e afins... e ao amor retumbante dos pais "afectivos" e do pai biológico?!...

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24horas, 03.10.2007

É difícil imaginar como, entre a "ciência", o "amor" e a "justiça, se pode fazer tanto mal a uma criança...

Como Pinto da Costa deverá estar a divertir-se!......

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24horas, 03.10.2007

Se o filme é de... Carolina, por que não assina ela a realização?...

Kickboxing conventual...

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Correio da Manhã, 03.10.2007

Ratzinger saberá amansar as feras na fogueira do Santo Ofício...

Ultimato?!...

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Correio da Manhã, 03.10.2007

Concedeu, não se sabe se autorizado ou não, uma entrevista pateta e foi, muito naturalmente, afastado do caso. Pressões inglesas?!... Será que só temos bom senso e fazemos o que devemos quando os ingleses nos... pressionam? Esta machete do Correio da Manhã amesquinha-nos e ridiculariza-nos...

outubro 02, 2007

Quem fala assim na juventude, não é gago e chegará um dia, certamente, a presidente da Comissão Europeia...

Um amigo chamou-me hoje a atenção para esta brilhante prestação juvenil de Durão Barroso. Ainda choro, de comoção revolucionária...

Improviso para berçar...

Que farei para que a luz
regresse ao lugar de todas as origens?
baloiçarei docemente o berço
para que ninguém caia dele
antes do tempo da saudade.

Ademar
02.10.2007

Gostei muito deste comentário fulminante, a propósito do julgamento de Penafiel...

É um dos leitores e comentadores mais fiéis do abnoxio, ainda que anónimo. Hoje, presenteou-me com esta observação, que subscrevo inteiramente e reproduzo.

A rudeza da mãe da criança com o brilho de quem vai receber muitos euros de indemnização, incessantemente a repetir “é pouco! Devia ir para cadeia!”, parecia uma personagem desertora dos “Comedores de Batatas” do Van Gogh.
Se fosse Salomão a julgar, talvez a criança ficasse a cargo da raptora.

Improviso para abrir e fechar gavetas...

Dispo o armário
para que as sombras respirem
e volto a beber da vida do fetiche
que deixaste
agora há sempre pouca luz neste quarto de lentas inseguranças
e os fantasmas entretêm as tardes
jogando em castelhano um confuso xadrez de memórias
amanhã já foi quarta-feira.

Ademar
02.10.2007

A despropósito de efemérides, um pouco de música...

Toumani Diabate et Katell Boisneau.

Um acórdão que honra a magistratura portuguesa...

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Público, 02.10.2007

A populaça queria sangue, sangue, sangue, mas o Tribunal de Penafiel decidiu sensatamente. A prisão efectiva, neste caso, seria apenas uma crueldade...

A imprensa portuguesa...

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Reproduzido de "Álvaro de Campos, Livro de Versos", Edição Crítica de Teresa Rita Lopes.

Estarrecimentos...

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JN, 02.10.2007

Os amuos e zangas de Manuela Leite ocupam metade da primeira página do JN de hoje. A gente estarrece-se...

Esta mocinha ainda leva o Ministério Público à falência...

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24horas, 02.10.2007

Sempre entre a tragédia e a farsa...

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Público, 02.10.2007

Filmes que valem por mil discursos...

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Há sempre quem diga, perante a barbárie, que não voltará a... acontecer. Mas acontece sempre. Se em todas as escolas do mundo, os alunos vissem filmes como estes (e reporto-me apenas aos últimos que utilizei) e se habituassem a reflectir sobre o destino da humanidade e o sentido da civilização, talvez o ovo da serpente não crescesse tão facilmente no meio de nós. Eu farei sempre, como professor, a minha parte...

outubro 01, 2007

Improviso para servir de baloiço...

Escrevi hoje palavras que não leste
palavras que não tiveram destino
afogadas na corrente deste rio
que corre à solta entre nós
não há palavras que salvem as noites
do deserto
mas há palavras que mudam a vida
quando simplesmente baloiçamos nelas.

Ademar
01.10.2007

O poema que partilhei hoje com os meus alunos...

Florbela Espanca nasceu num 8 de Dezembro, casou num oito de Dezembro e matou-se, com 36 anos, num 8 de Dezembro. Os meus pais casaram num 8 de Dezembro e eu nasci num... 9 de Dezembro. Não sei em que dia me matarei...

Os erros diários do JN...

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JN, 01.10.2007

Eu já só compro, de vez em quando, o JN para me divertir. E o JN nunca me desilude. Hoje, na primeira página, situa em Fafe um assalto que ocorreu em Vila Nova de Famalicão (como, de resto, confirma nas interiores). Para quem é... bacalhau basta! Os leitores do JN também não merecem mais...