junho 07, 2008

DARWIN´S CANOPY

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Esta semana em Londres, o Museu de História Natural inaugurou a exposição "Darwin's Canopy" (Cobertura de Darwin). De 4 de Junho a 14 de Setembro o Museu apresenta ao público as propostas dos artistas seleccionados para competirem pelo privilégio de ilustrar o tecto de uma das suas galerias. Dentro dos 10 artistas escolhidos, estão dois vencedores do prémio Turner, o mais prestigioso da arte Britânica. O jornal “Times” compara o projecto à Capela Sistina do Vaticano, famosa obra de Miguel Angelo que apresenta uma tese anterior sobre a origem da espécie humana. No papel de patrono, préviamente exercido por Giuliano della Rovere (o Papa Júlio II), está o Director da Fundação Calouste Gulbenkian no Reinon Unido, Andrew Barnett (Calouste II?). O tecto do Museu de História Natural de Londres é parte de um conjunto de iniciativas que a Gulbenkian/UK patrocina na comemoração do Ano Darwin.

O Museu de História Natural de Londres é uma verdadeira jóia da arquitectura Victoriana. Concebido em estilo Gótico, inclusive com alguns simpáticos gárgulas, pelo arquitecto Alfred Waterhouse, a sua construção terminou em 1881. Foram ainda necessários mais de três meses em 1882 para transportar os espécimes das suas várias coleções zoológicas, botânicas, geológicas e outras, até ao Museu em South Kensington. Actualmente contém mais de 70 milhões de espécies, inclusive tesouros inexplorados. Em 2007 Michael Taylor, um aluno de doutoramento, descobriu no Museu uma nova espécie de dinosauro. Após 130 milhões de anos enterrado no solo, e mais de 100 anos esquecido numa prateleira, Xenoposeidon proneneukus, uma saurópode herbívoro com 20 metros de cumprimento*, foi descrito nas páginas de revista “Paleobiology”.

Uma vez coroado o vencedor, a obra será concluída até Fevereiro de 2009, quando o tecto será apresentado ao público durante as celebrações do aniversário de 200 anos de Charles Darwin.


* É giro imaginar um réptil do tamanho de um autocarro perdido numa prateleira (os museus tem móveis próprios, o blog já viu nas entranhas do American Museum of Natural History um enorme cangurú empalhado dentro de uma gaveta). Infelizmente não chegou a tanto: o investigador explica na sua webpage como re-criou o animal a partir de uma só vertebra.

Publicado por tentilhão às 11:33 AM | Comentários (0)

março 07, 2008

Os 150 anos do MNHN na Politécnica (1858-2008)

O Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa inicia este fim-de-semana um ciclo de conferências em comemoração dos seus 150 anos. O MNHN, actualmente localizado na Politécnica, inaugura o ciclo olhando para seu passado: o Professor João Brigola (Universidade de Évora) falará sobre “O Museu Antes da Politécnica”.

Neste Domingo, 9 de Março, às 16:00h, no recém restaurado Laboratório Químico do MNHN (Rua Escola Politécnica, 58). Vale a pena chegar mais cedo para visitar as instalações do Museu.

Metro - estação do Rato (linha amarela)

Autocarros – 58, 773 (frente ao Museu), 92,727,790 (Príncipe Real), 706,74 (Largo do Rato).


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fevereiro 18, 2008

Diversidade da Vida

Está em andamento no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra uma exposição entitulada “Diversidade da Vida” que comemora os 300 anos do criador da taxonomia (o ramo da Biologia dedicado a classificação dos organismos) moderna, o sueco Carlos Lineu. “Diversidade da Vida” tem apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e será visitável até Junho de 2008. A equipe do blogue já planeja uma odisseia à longínqua cidade para trazer aos nossos leitores mais detalhes desta iniciativa.


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Publicado por tentilhão às 07:46 PM | Comentários (0)

fevereiro 13, 2008

Jornal Inglês "The Guardian" Lança Página Darwin

O "Guardian" comemorou o aniversário de Charles Darwin disponibilizando uma excelente página web com artigos e links sobre o cientista e suas ideias (infelizmente, só em inglês). Alguns dos autores recrutados são conhecidos do grande público, como o geneticista Richard Dawkins. Vale conferir.

Publicado por tentilhão às 11:26 AM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2008

A EVOLUÇÃO DE DARWIN

gi-j.feijo_headpict.jpgEm 12 de Fevereiro de 2009 comemoram-se os 200 anos do nascimento de Charles Darwin. Talvez nenhum homem tenha tido tão vasta influência em tantas facetas da vida social e intelectual da civilização ocidental como Darwin. A sua obra teve um impacto enorme não só na nossa forma de entendermos algumas das características mais importantes das Ciências Naturais, como a níveis muito mais profundos e transversais da natureza humana. Os seus escritos desafiaram tudo o que tinha sido previamente pensado acerca dos seres vivos e tornaram-se num factor crucial nas transformações intelectuais, sociais e religiosas que tiveram lugar no Ocidente durante o século dezanove.

Pedra fundamental desta influência é a sua obra máxima, a "Origem das Espécies", de cuja publicação também se comemoram 150 anos em 2009. Num século em que as ciências biológicas progrediram de forma vertiginosa, podia certamente esperar-se que as "Origens" se tivessem tornado obsoletas. É surpreendente que não seja esse o caso. Embora Darwin estivesse errado em vários aspectos da sua discussão dos factos, muito por força da falta de disciplinas hoje fundamentais para a compreensão da vida, como a genética ou a biologia molecular, ele foi bem sucedido na descoberta dos mecanismos básicos da mudança evolutiva. Como referia Ernst Mayr na re-edição da primeira edição da "Origem das Espécies", "a biologia evolutiva está hoje mais próxima do Darwin de 1859 que em qualquer outro período dos últimos 100 anos".

De facto o legado de Darwin aparece indissoluvelmente associado ao conceito de Evolução Biológica. A descoberta e compreensão do processo da evolução representa uma das mais poderosas conquistas na história da ciência. A evolução explica com sucesso a diversidade na Terra e tem sido confirmada repetidamente através de observação e experimentação numa largo espectro de disciplinas científicas ao longo destes 150 anos. Por certo muitos aspectos irão certamente ser aperfeiçoados, mas a evolução é hoje um facto tão científico quanto a existência de átomos ou a movimento da Terra em torno do Sol. Por direito próprio, a Teoria Evolutiva está hoje de par com outros grandes princípios estruturais do conhecimento humano, como a Teoria Atómica, a Teoria da Relatividade, ou a Teoria da Ligação Química.

Celebrar hoje Charles Darwin é também celebrar a história da Biologia contemporânea, já que do entendimento da evolução dependeram e continuam a depender aspectos fulcrais da pesquisa médica, vacinas, farmacologia, melhoramento de espécies agrícolas, sustentabilidade ecológica e muito mais. Numa palavra, da melhoria da nossa qualidade de vida enquanto sociedade, e da nossa sobrevivência enquanto espécie.

E é por tão vastas e fundamentais contribuições científicas, a maioria tão válidas e estimulantes como no dia em que ele as criou, que olhamos com entusiasmo para as celebrações do próximo ano.

A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu mais uma vez tomar a dianteira na promoção dos valores que nos devem distinguir como uma sociedade baseada e organizada na cultura e no conhecimento, e promover um conjunto de actividades em torno deste aniversário. A organização duma grande
exposição de vocação internacional intitulada "A Evolução de Darwin", será o epicentro dum conjunto doutras iniciativas, incluindo ciclos de conferências, programas de extensão pedagógica às escolas, concursos, etc., que se pretendem tragam o nome de Darwin e as suas ideias para um plano de destaque na nossa agenda cultural.

Damos hoje o primeiro passo nesta aventura lançando este weblog.Destinado a ser ponta-de-lança na difusão das nossas actividades, terá também preocupações de divulgação de matéria de trabalho e reflexão com que pretendemos atingir o grande público por todos os canais que as novas vias de comunicação têm imposto. Este será um local de divulgação, de discussão, de permanente renovação que esperamos venha a cimentar todo o conjunto de iniciativas que irão ter lugar já a partir de Outubro deste ano.

A um ano do dia 12 de Fevereiro de 2009, só nos resta convidar-vos a embarcar nesta aventura, possa algum de nós tirar dela a inspiração que Darwin tirou da sua viagem no Beagle!

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José Feijó, comissário da exposição A Evolução de Darwin

Publicado por tentilhão às 09:02 AM | Comentários (0)