março 24, 2008

ADAM SEDGWICK

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A 22 de março de 1785 nascia em Yorkshire, na Inglaterra, Adam Sedgwick. Vindo de uma família de meios modestos, Sedgwick ocuparia a cadeira Woodwardiana de Geologia em Cambridge. Seguidor do Catastrofismo* de Georges Cuvier, Sedgwick estabeleu eras geológicas importantes, entre elas o Câmbrico** (o nome vem do Latin “Cambria”, que designava o País de Gales, onde Sedgwick descreveu o período). O Câmbrico representa o período de maior criação de diversidade na história do planeta- hoje sabemos que essencialmente todos os planos de organização dos animais multicelulares datam desta época- e no século XIX era considerado como sendo o início da vida, pois não se encontravam fósseis em estratos geológicos anteriores (ainda hoje são raros).

Darwin frequentou as palestras de Sedgwick em Cambridge, mas o mais importante foi a oportunidade que teve de passar um Verão com Sedgwick no País de Gales. Foi aí que o jovem Charles aprendeu a maior parte das técnicas de recolha de dados e observação geológica que aplicou durante a viagem do Beagle. Mestre e aluno permaneceram ligados, e Darwin enviou a Sedgwick a maior parte das amostras de rochas que coleccionou durante a viagem do Beagle***. Por sua vez, Sedgwick deu um importante impulso a carreira científica de Darwin ao ler parte das observações geológicas da viagem do Beagle numa sessão da Sociedade Geológica em Londres, enquanto Charles ainda estava em alto mar (Darwin foi admitido a Sociedade logo após seu retorno a Inglaterra).

Engana-se quem pensa que por ter publicado sua teoria da evolução das espécies por seleção natural tão tardiamente na vida, Darwin escapou das críticas de seu antigo mestre. Sedgwick teve uma vida longa e morreu aos 87 anos, em 1873. Por isso teve muito tempo para criticar publicamente as ideias de seu ex-aluno. Sedgwick já se opusera aos modelos de evolução antes, nomeadamente às propostas de Lamarck e aos “Vestígios da História Natural da Criação” de Chambers, e atacou duramente Darwin; em carta pessoal o antigo professor lhe disse que:

“Eu li o seu livro com mais dor do que prazer. Partes dele eu admirei imensamente, em certas partes eu ri até quase me magoar; outras partes eu li com absoluta tristeza, porque as achei inteiramente falsas e completamente enganosas- Desertaste- após iniciar com enorme carga somente de verdades físicas sólidas- o verdadeiro método da indução (…)”

Darwin já esperava um ataque de Sedgwick, e comentou (com alguma ironia) em carta a T.H. Huxley “Recebi uma gentil mas cortante carta do pobre querido velho Sedgwick, ‘que riu com meu livro até quase se magoar’” (Darwin para Huxley, 25 de Novembro de 1859). Para seu mentor e amigo, John Henslow, Darwin expressou uma mágoa mais profunda- a esta altura Sedgwick já havia difundido publicamente críticas à capacidade de Darwin como cientista: “Eu posso perfeitamente compreender que Sedgwick, ou qualquer um diga que a Seleção Natural não explica grandes classes de factos; mas isto é muito diferente de dizer que eu abandonei os princípios correctos da investigação científica.” (Darwin para Henslow, 18 de Maio de 1860).

Sedgwick faleceu no dia 27 de Janeiro de 1873, sem nunca ter mudado de opinião. Hoje o Museu Geológico da Universidade de Cambridge leva seu nome, e lá estão guardadas as amostras de rochas e minerais recolhidas por Darwin durante a viagem do HMS Beagle.


* O Catastrofismo era a vertente do pensamento Geológico segundo a qual a história da Terra se caracterizou por uma série de eventos catastróficos (como a enchente bíblica), que destruíram sequencialmente muitas forma de vida.
** 540-490 milhões de anos atrás.
*** Sedwick expressou sua admiração à família de Charles em uma carta onde dizia “Ele está se portando admiravelmente na América do Sul e já nos enviou uma coleção acima de todos os louvores (…)”

- Thiago Carvalho

Publicado por tentilhão às 10:32 AM | Comentários (0)

fevereiro 17, 2008

R.A. Fisher

fisher.gifSir Ronald Aylmer Fisher, ou R.A. Fisher como é conhecido na comunidade cientifica, nasceu em Londres a 17 de Fevereiro de 1890. Foi o maior estatistico do seu tempo, quiçá de todos os tempos, e um dos maiores sucessores de Charles Darwin. Como é que um homem conseguiu reunir em si a capacidade de criar os fundamentos da estatistica moderna e simultaneamente produzir a síntese da selecção natural de Darwin e da genética Mendeliana? Numa palavra só: genialidade!

Fisher foi de facto um génio cujas ideias, deduções e previsões em biologia evolutiva continuam vivas na ciência actual e continuam a ser testadas e demonstradas nos mais recentes artigos cientificos. Não é dificil encontrar nas páginas das revistas científicas deste ano frases como “assim como Fisher escreveu em 1930 no seu livro A Teoria Genética da Selecção Natural ....”. Os métodos estatisticos por ele desenvolvidos são usados diariamente em todo o mundo. Quem não teve já que recorrer a métodos de análise para pequenas amostras? Quem não fez alguma vez na sua vida escolar ou profissional uma análise de variância? Ou se tal ainda não lhe aconteceu, quem ainda não se perguntou como dizer se uma dada caracteristica mensurável está correlacionada com outra? Pois saiba que Fisher pensou nisto tudo e resolveu. Resolveu isto tal como resolveu muitos outros problemas, às vezes escrevendo nos seus artigos “como é evidente”, sendo que o que para Fisher era evidente demorava largas horas e várias páginas de papel a deduzir pelos seus colegas matemáticos. Já agora, saiba também que Fisher explicou a razão de o rácio entre sexos ser 1 para 1, um dos melhores exemplos de que a selecção natural não tem que levar necessariamente a uma maximização de fitness (ou aptidão).

Infelizmente nem todos pudemos ter o prazer de conhecer Fisher e só alguns podem ter a felicidade de compreender na profundidade os seus ensinamentos, mas todos temos a liberdade de ler os muitos artigos e livros que ele escreveu. O legado de Fisher não é de leitura fácil, talvez pela profundidade e poder de síntese que o caracteriza, talvez pelo facto de ter constantemente inventado novas formas de resolver problemas.

R. A. Fisher, J. B. S. Haldane and Sewall Wright fundaram a genética de populações, área científica cujo principal objectivo é entender de forma quantitativa as razões evolutivas para um dos mais óbvios dos factos da natureza: todas as espécies tem variabilidade genética e essa variabilidade apresenta padrões. Apesar do seu talento para a matemática o interesse de Fisher era maioritariamente a biologia, como ele disse “uma técnica matemática com interesse biológico é um terreno mais firme que uma técnica biológica com interesse matemático”.

Publicado por tentilhão às 12:44 AM | Comentários (0)

fevereiro 12, 2008

12 de Fevereiro de 1809

charles_darwin_1816.jpg Nasce, em Shrewsbury na Inglaterra, Charles Robert Darwin. Fruto da união de um médico de sucesso, Robert Waring Darwin, com Susannah Wedgwood, filha de um artesão e comerciante de grande fortuna, o jovem Charles tinha diante de si a perspectiva segura de uma vida de conforto e respeitabilidade seguindo os passos do pai, ou uma bucólica existência de cura rural. Mas pairava sobre o berço o corpulento fantasma de seu avô, Erasmus, homem de imensos apetites, autor de versos defendendo uma escandalosa origem para a diversidade de seres vivos que nos cercam…

Publicado por tentilhão às 09:48 AM | Comentários (0)