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outubro 31, 2008

TERRAMOTO e TSUNAMI em COIMBRA

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9:40 da manhã do dia primeiro de Novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, Lisboa foi abalada por um cenário apocalíptico: um terramoto, seguido de um tsunami, e completado por incêndios terríveis. Quando tudo terminou, talvez 90 000 dos 275 000 habitantes da cidade estavam mortos, e mais de 80% de Lisboa estava em ruínas.

O sismo português teve um impacto profundo no pensamento científico e filosófico da época, mais famosamente nos escritos de Voltaire. Anos mais tarde, em 1835 Darwin veria de perto na viagem do Beagle os efeitos devastadores de um terramoto na América do Sul.

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra comemora o sismo histórico hoje, a partir das 15 horas. O ciclo de 6 conferências tem entrada livre e aborda temas científicos e históricos.

Publicado por tentilhão às 07:42 AM | Comentários (0)

outubro 30, 2008

"Evolução: História e Argumentos"

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Quarta feira, dia 5 de Novembro, às 18h, no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian (Praça de Espanha, Lisboa) antes da conferência “Evolução e Desenvolvimento: variações a dois tempos e muitas cores” da Dra Patrícia Beldade teremos o lançamento oficial do livro “Evolução - História e Argumentos, da Colecção Fundamentos e Desafios do Evolucionismo”.

O livro da Editora Esfera do Caos será apresentado pelo comissário da exposição “Evolução de Darwin” Professor José Feijó.

Os vários capítulos tratam de temas importantes da biologia evolutiva, tais como a Paleontologia, Embriologia e o impacto da Biologia Molecular no estudo da Evolução, escritos por especialistas reconhecidos internacionalmente como Nuno Ferrand, Elio Sucena, Octávio Mateus, Theodosius Dobzhansky e Charles Darwin, entre outros.

Publicado por tentilhão às 08:58 AM | Comentários (0)

outubro 29, 2008

Selecções Naturais* II (Respeitinho)

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O leitor Alberto Bernardo de Magalhães mandou esta foto ao blog, tirada em visita ao Natural History Museum de Londres, durante as preparações para a abertura da exposição “Darwin Big Idea" que abre dia 14 de Novembro. O homem dos rayban é nem mais nem menos que o fundador do Natural History Museum de Londres, Sir Richard Owen. Como veremos, Owen foi o mais importante oponente de Darwin na comunidade de biologia britânica. Autoridade absoluta em anatomia comparada na sua época, e dispondo dos recursos do Império acumulados no NHM para a sua investigação, Owen era um oponente formidável.

Darwin tinha enorme respeito por Sir Richard, e reconhecia a sua influência. Anos antes da controvérsia em torno da publicação da "Origem das Espécies" (leia aqui crítica de Owen à “Origem” ), Darwin enviara-lhe para análise e classificação os fósseis que escavou na América do Sul durante a viagem do Beagle. Ironicamente, ao identificar os ossos gigantes como sendo os restos de preguiças, roedores e outros mamíferos extintos mas semelhantes às espécies que ainda hoje habitam a região, Owen deu uma contribuição prática importante ao desenvolvimento do pensamento evolutivo de Darwin.


*Selecções Naturais publica imagens ligadas a Darwin ou a biologia enviadas ao blog por nossos leitores. Clique aqui para a primeira imagem desta série. O nosso email está no canto superior direito, envie-nos a sua.

Publicado por tentilhão às 08:04 AM | Comentários (0)

outubro 28, 2008

Desenhe um Dinossauro

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Foto: Dinossauros em exposição no Museu da Lourinhã .


O Museu da Lourinhã anuncia o lançamento do Concurso Internacional de Ilustração de Dinossauros. O primeiro prêmio é de 1000 euros, e segundo o regulamento:

“Os trabalhos serão seleccionados pelo seu rigor científico e qualidade de técnica. Dá-se preferência a espécies portuguesas e enquadradas no seu ambiente.”

Publicado por tentilhão às 08:42 AM | Comentários (0)

outubro 27, 2008

Uma Pedra no Caminho

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A alegria de Charles Darwin com o convite para viajar no HMS Beagle durou pouco, entre ele e a epopeia que o levaria a revolucionar a ciência encontrava-se um obstáculo formidável, talvez intransponível.

Que forças nefastas se alinhavam contra nosso herói? A Igreja? Os defensores do status quo científico? A Maçonaria?

Não exactamente. Darwin explica o problema a J.S. Henslow carta de 30 de Agosto de 1831 :

“Meu Caro Senhor,

A carta do Sr Peacock chegou sábado & eu recebi-a ontem ao fim da tarde. – No que diz respeito à minha própria vontade, penso que deveria certamente ter aceite com deleite a oportunidade, que tão gentilmente me ofereceu. – Mas meu Pai, embora não recuse definitivamente, dá-me conselhos tão fortes contra a minha ida.- que eu não estaria confortável, se não os seguisse. – As objecções de meu Pai são estas; não é adequado para me estabelecer como clérigo. – a minha pouca habituação a viagens marítimas. – o pouco tempo & a chance de não agradar o Capitão Fitzroy”


Algo mais do que apenas respeito e obrigação filial prendia Darwin. A posição de acompanhante do Capitão Fitzroy não era remunerada, e o candidato precisava de meios independentes para se manter ao longo de dois anos no mar (2 anos que se transformariam em 5 a bordo do Beagle).

Entretanto, apesar do tom resignado do jovem Charles, o Dr Robert Darwin deixara uma brecha estreita na sua recusa: se fosse encontrado um homem de respeito e substância que defendesse o projecto, alguém que o Doutor estimasse muito, ele reverteria seu veredicto.

Charles Darwin sabia precisamente a quem recorrer...

-Thiago Carvalho

Publicado por tentilhão às 08:51 AM | Comentários (0)

outubro 24, 2008

NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO (Res.)

Um breve resumo da apresentação de Carlos Marques Silva na inauguração da série "No Caminho da Evoluçao".

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outubro 23, 2008

ARTISTA A BORDO

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O blog “Marítimo” de João Vaz traz-nos um pouco da história de Conrad Martens, artista contratado pelo Capitão Robert Fitzroy para participar da viagem do HMS Beagle.

Publicado por tentilhão às 08:25 PM | Comentários (0)

RECRIANDO A VIAGEM DO BEAGLE

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Uma das idéias mais interessantes do Bicentenário Darwin é o Projecto HMS Beagle, uma iniciativa sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que visa nada mais, nada menos, do que reconstruir o HMS Beagle e circum-navegar o planeta, recriando a viagem de Charles Darwin. O novo Beagle levará laboratórios de ensino e receberá alunos nas cidades onde aportar.

Procura-se: alma caridosa, associação, fundação, cartel, quadrilha ou empresa que patrocine uma paragem do Beagle pelas nossas terras. A webpage também vende souvenirs do projecto e aceita doações particulares.

Karen James, botânica do Museu de História Natural de Londres e Directora Científica da empreitada também mantém um blog do projecto- uma excelente fonte de notícias sobre Darwin, Evolução e, é claro, os preparativos para a próxima viagem do Beagle.


Publicado por tentilhão às 12:06 PM | Comentários (0)

outubro 22, 2008

MEDICINA EVOLUTIVA

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Doonesbury, de Gary Trudeau

Publicado por tentilhão às 01:15 AM | Comentários (0)

outubro 21, 2008

Darwin e a Idade da Terra (cont.)

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Foto: Galeria de fósseis montada na Fundação Calouste Gulbenkian durante a conferência "Darwin: entre a Terra e o Céu" de Carlos Marques Silva. Fósseis cortesia da Dra Liliana Póvoas, Museu Nacional de História Natural.

Segunda parte do texto do Prof Greg King sobre a luta entre Darwin e Kelvin a respeito da idade da Terra. Clique aqui para ler a primeira parte.

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Kelvin estava convencido que a luminosidade do Sol era produzida através da conversão da energia gravitacional em calor. Ele argumentava que a fonte primária de energia disponível para o Sol era a energia gravitacional dos meteoros primordiais a partir dos quais teria se formado a nossa estrela. Foi com grande autoridade e eloquência que Kelvin declarou em 1862:

“O facto de que alguma versão da teoria meteórica é certamente a verdadeira e completa explicação do calor solar dificilmente pode ser questionado, quando as seguintes razões são consideradas: (1) Nenhuma outra explicação natural, excepto a da acção química, pode ser concebida. (2) A teoria química é deveras insuficiente, pois a acção química mais energéticas que conhecemos, tendo lugar entre substâncias que correspondessem a toda a massa solar, gerariam calor apenas durante 3000 anos. (3) Não há dificuldade em contabilizar 20,000,000 anos de calor pela teoria meteórica.”

Como acreditava que Darwin estava errado quanto a idade da Terra, Kelvin acreditava que Darwin estava também errado na sua estimativa do tempo disponível para a operação da selecção natural.

Lord Kelvin estimou o tempo de vida do Sol, e por extensão da Terra, da seguinte maneira. Ele calculou a energia gravitacional de um objecto com massa e raio iguais aos do Sol e dividiu o resultado pela taxa pela qual o Sol dissipa energia. Este cálculo deu um tempo de vida solar de somente 30 milhões de anos. A estimativa correspondente para a energia química era de um tempo muito mais curto, pois os processos químicos libertam pouca energia.

Darwin ficou tão abalado pela força analítica de Kelvin e pela sua autoridade em assuntos teóricos que nas últimas edições da “Origem das Espécies” eliminou qualquer menção de escalas temporais específicas. Ele escreveu a Alfred Russel Wallace , o co-descobridor da selecção natural , queixando-se de Kelvin:

“As opiniões de Thomson sobre a idade recente do mundo tem sido durante algum tempo um dos meus problemas mais dolorosos.”

Darwin viu números crescentes de Geólogos interpretarem seus dados de acordo com os limites cronológicos de Kelvin. Na edição final da “Origem das Espécies”, Darwin fez seu último comentário sobre o tópico:

“Com respeito ao lapso de tempo não ter sido suficiente desde a consolidação de nosso planeta para a quantidade presumida de mudança orgânica, e esta objeção, defendida por Sir William Thomson, é provavelmente uma das mais graves avançadas até hoje, eu só posso responder, primeiro, que não conhecemos a medida em anos da taxa da mudança das espécies, e segundo, que muitos filósofos ainda estão relutanctes em admitir que sabemos o suficiente a respeito da constituição do universo e do interior do nosso globo para especular com segurança sobre a sua duração passada.”

Como palavra final, não era propriamente uma grande defesa, mas tão pouco constituía uma rendição.

Durante os dez últimos anos da vida de Darwin, a Geologia conformou-se predominantemente à cronologia de Kelvin, enquanto a paleontologia acumulava evidências a favor da evolução gradual de novas espécies. Passariam mais de 20 anos depois da morte de Darwin até a descoberta da radioactividade lhe dar a resposta que esperava.

Em 1896 Henri Becquerel guardou chapas cobertas com urânio na gaveta de uma secretária, ao lado de chapas fotográficas embrulhadas em papel escuro. Como Paris esteve encoberta por nuvens durante alguns dias, Becquerel não pode "energizar" (impressionar) as suas chapas fotográficas expondo-as ao Sol como pretendia. Ao revelar as chapas, ficou surpreso ao encontrar imagens fortes dos seus cristais de urânio. Tinha acabado de descobrir a radioactividade natural, oriunda da transformação nuclear do urânio.

A relevância da descoberta de Becquerel tornou-se aparente em 1903, quando Pierre Curie e Albert Laborde anunciaram que os sais de rádio libertavam calor continuamente. O aspecto mais extraordinário da descoberta foi que o rádio emitia calor sem arrefecer, mesmo à temperatura ambiente. A radiação do rádio revelou uma fonte de energia até então desconhecida. A seguir, Ernest Rutherford descobriria que quantidades enormes de energia eram libertadas pela radiação de partículas alfa por substâncias radioactivas. Em 1904 ele anunciou :

“A descoberta dos elementos rádio-activos (sic), que na sua desintegração libertam quantias enormes de energia, aumenta portanto os limites possíveis da duração da vida neste planeta, e permite o tempo reclamado por geólogos e biólogos para o processo de evolução.”

Greg King
29 de Setembro, 2008

Publicado por tentilhão às 10:08 AM | Comentários (0)

outubro 20, 2008

Sympathy for the Devil

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Extinto pelo Cancro?

Na semana passada Olivia Judson no “Wild Side”, o seu blog no jornal New York Times contou-nos uma história assustadora: uma epidemia de cancro contagioso está a dizimar os Demónios da Tasmânia.

A ciência já conhece alguns exemplos de agentes infecciosos que podem aumentar as hipóteses de ocorrência de determinados tipos de cancro- foi o caso da relação entre a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) e cancro do colo do útero, cuja descoberta deu o Nobel deste ano a Harald zur Hausen.

O caso do marsupial e estrela da televisão Sarcophilus harrisii, mais conhecido pelo público como Demonio da Tasmania, é distinto: o que está a ser transmitido não é um vírus ou qualquer outro agente infeccioso clássico, e sim as próprias células tumorais.

Os tumores (cancros) em vertebrados não deveriam ser contagiosos porque o sistema imunológico é extremamente eficiente na eliminação de tecidos transmitidos de um indivíduo para outro. Posto de outra maneira, a mesma coisa que impede a transplantação de tecidos como o rim ou o fígado sem o recurso a drogas que suprimem a resposta imune do paciente (drogas estas que muitas vezes tem que ser administradas ao longo de toda a vida para evitar rejeição tardia) impede normalmente a “transplantação” dos cancros.

Este sistema de vigilância imunológico tem uma limitação: ele depende da diversidade genética para entrar em acção. Se existem poucas diferenças genéticas entre dador e recipiente, o sistema imunológico não tem alvos, e o tumor terá o mesmo sucesso que tem um cancro surgido nos tecidos do próprio indivíduo. A lógica por detrás disto é a mesma que leva os médicos a buscarem parentes próximos como doadores de rim, quando possível. Os Demónios da Tasmânia ao terem sua população reduzida e isolada numa ilha seriam então uma enorme, mas não feliz*, família, portando genes demasiado similares- e por isso os tecidos (ou tumores) de um indivíduo são rejeitados de maneira ineficiente pelo sistema imunológicos de outros indivíduos da mesma espécie.

* Infeliz e briguenta: os tumores são transmitidos quando um Demónio morde outro.

Publicado por tentilhão às 09:18 AM | Comentários (0)

outubro 18, 2008

A VIAGEM DE CHARLES DARWIN


Está disponível no youtube a série produzida pela BBC em 1978 sobre a vida de Darwin.

Publicado por tentilhão às 06:05 AM | Comentários (0)

outubro 17, 2008

DARWIN VAI AOS GALÁPAGOS

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O HMS Beagle na Terra do Fogo.

Como a Fundação Calouste Gulbenkian lançou esta semana o concurso Darwin regressa aos Galápagos, o blog examina as circunstâncias por detrás da viagem do jovem naturalista no Beagle.

No verão de 1831, Charles Darwin sonhava com uma viagem aos Trópicos. Entusiasmado com os livros do explorador Alexandre Humboldt, Darwin planeava uma visita ás Ilhas Canárias com seu mestre, Henslow.

Darwin daria a volta ao mundo, mas jamais poria os pés nas Canárias. Por intermédio de Henslow, receberia no final de Agosto uma carta do matemático George Peacock (leia o texto desta carta em inglês- a pontuação e sintáctica tentam seguir o original):


"Meu caro Senhor,

Eu recebi a carta de Henslow ontem a noite demasiado tarde para enviá-la pelo correio, uma circunstância da qual não me arrependo, já que me deu a oportunidade de ver o Capitão Beaufort no almirantado (é o Hidrógrafo) e lhe comunicar a oferta que tenho a fazer a vossa pessoa: ele aprova inteiramente a oferta e você pode considerar a situação como estando inteiramente a seu dispôr: confio que a aceitará visto que é uma oportunidade que não pode ser perdida e antecipo com grande interesse os benefícios que as nossas colecções de história natural receberão dos seus trabalhos

As circunstâncias são estas:

O Capitão Fitzroy (um sobrinho do Duque de Graftons) zarpa no fim de Setembro numa nau para mapear em primeira instância a Costa S.(ul) da Terra do Fogo, e depois visitará as Ilhas dos Mares do Sul e retornará por via do Arquipélago Indiano à Inglaterra: A expedição tem fins inteiramente científicos e o navio aguardará o tempo necessário para seus estudos de história natural (…): O Capitão Fitzroy é um oficial de espírito público e zeloso, bem disposto e muito amado pelos seus irmãos oficiais: ele foi com o Capitão Beechey e gastou 1500 libras trazendo e tomando conta da educação de 3 nativos da Patagónia: ele contratou do próprio bolso um artista por 200 libras por ano para ir com ele: pode então você ter a certeza de ter um companheiro agradável, com quem compartilhar todas as suas opiniões

O navio zarpa em torno do fim de Setembro e você não deve perder qualquer tempo em comunicar a sua aceitação ao Capitão Beaufort, Hidrógrafo do Almirantado, com quem tenho me correspondido muito sobre este tema, que sente como eu muito ansioso que embarque. Espero que outros compromissos não interfiram com isto

O Capitão dar-lhe-á o ponto de encontro e toda a informação necessária: eu devo recomendar que venha a Londres, para vê-lo e completar os seus acordos Eu partirei de Londres na segunda-feira: talvez você tenha a bondade de me escrever em Denton, Darlington, para dizer que irá.

O Almirantado não está disposto a dar-lhe um salário, mas terá um cargo oficial e todas as acomodações: se entretanto um salário for preciso, estou inclinado a pensar que seria concedido

Creia-me, Meu caro Senhor, Verdadeiramente seu, Geo Peacock

Se está com Sedgwick, espero que lhe dê os meus melhores votos"

- Thiago Carvalho

Publicado por tentilhão às 11:36 AM | Comentários (0)

outubro 16, 2008

CONCURSO GULBENKIAN: DARWIN REGRESSA ÀS GALAPAGOS

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“NATURALISTA PRECISA-SE”

Como nos lembrou ontem o Professor Carlos Marques Silva na sua conferência, “No Henslows, No Darwins” (sem Henlows, não há Darwins).

Este slogan, que se integrou a mitologia da Universidade de Cambridge, onde John S. Henslow ensinava Geologia e Botânica e tinha o jovem Charles Darwin como aluno, reconhece a influência que alguns professores podem ter na nossa vida. Certamente foi o caso na vida de Darwin, que passava tanto tempo em longas conversas com seu mentor que muitos o conheciam na época como o “homem que caminha com Henslow”.

Como veremos mais tarde, foi Henslow quem determinou toda a trajectória de Darwin, ao apresentar-lhe um convite para embarcar numa longa viagem de descoberta, a bordo da nau Beagle.

O regulamento e caderno de apoio para o concurso encontram-se no site da exposição A Evolução de Darwin. Clique aqui para fazer download do formulário de inscrição.

Publicado por tentilhão às 11:25 AM | Comentários (0)

outubro 15, 2008

NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO

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Quem quiser uma cábula da conferência de hoje do Professor Carlos Marques Silva (auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian na Praça de Espanha) pode visitar a página web do Carlos .

O Carlos explica, entre outras coisas, o que faz um paleontólogo, o que são fósseis, e até oferece um roteiro urbano para encontrá-los (os fósseis, não os paleontólogos).

Publicado por tentilhão às 01:43 PM | Comentários (0)

Darwin e a Idade da Terra

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Para complementar a conferência de hoje do Professor Carlos Marques Silva, o blog traz um texto em duas partes sobre a controvérsia a respeito da idade da terra no segunda metade do século XIX. O texto é uma contribuição de Greg King, investigador visitante do Instituto Gulbenkian de Ciência. O Dr King, que é físico, apresenta-nos a polémica entre Darwin e o maior físico da sua época, Lord Kelvin.
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Darwin e a Idade da Terra

Darwin via a seleção natural como um processo que operava de acordo com as leis naturais. Ele reconhecia que o conceito era viável se (e somente se!) tivesse havido tempo suficiente para que actuasse de forma progressiva. Darwin estava confiante que Charles Lyell tinha apresentado uma defesa convincente de uma Terra “inconcebivelmente” velha no seu livro “Princípios da Geologia”. Por isso, na primeira edição de “A Origem das Espécies” (1859), Darwin sentiu-se obrigado apenas a ilustrar a vasta extensão do tempo geológico. Ele fez isto estimando quanto tempo levaria a erosão, decorrendo esta das taxas observadas na era moderna para escavar o Weald, um grande vale que se estende pelo sul da Inglaterra. O número que ele obteve para a “desnudação do Weald” foi da ordem de 300 milhões de anos. Darwin não tencionava que este cálculo fosse interpretado como qualquer coisa mais do que uma aproximação grosseira. Entretanto, ele provocou uma reação imediata e lançou um debate científico sobre a “Idade da Terra” que se prolongou pelo século XX.

Logo após a publicação da primeira edição, Darwin deu-se conta de que havia cometido um erro na maneira pela qual apresentara o seu cálculo. Respondendo a um aviso de Charles Lyell, ele incluiu na segunda edição (que saiu já um mês após a primeira) uma nota sugerindo que o tempo necessário para desnudar o Weald pode precisar de ser reduzido por um factor de duas ou três vezes. Em 1860, John Phillips apresentou argumentos indicando que a desnudação do Weald provavelmente se deu ao longo de 1.3 milhões de anos, e concluiu (na primeira tentativa importante de calcular o tempo geológico a partir da taxa de acumulação de camadas) que provavelmente apenas 95 milhões de anos teriam passado desde o início do período Cambriano. Era uma mera fração do tempo que Darwin acreditava necessário para a sua teoria.

Em resposta às críticas de Phillips e outros, Darwin retirou qualquer menção dos cálculos de Weald da terceira edição (1861). Nesta altura, Charles Darwin achava que tinha se livrado de uma situação problemática. Ele estava confiante que seria demonstrado que o mundo tinha uma idade superior à postulada por Phillips, mas estava igualmente certo que o seu próprio cálculo estava errado.

Alguns anos mais tarde, entretanto, apareceu uma resenha crítica da “Origem” de autoria de H.C. Fleeming Jenkin*. Darwin considerou-a uma das mais valiosas críticas jamais escritas a cerca da sua teoria. Jenkin apresentou duas importantes objeções. Ele argumentou contra a possibilidade de que uma variação presente num indivíduo se perpetuasse numa comunidade de indivíduos normais. Esta crítica seria resolvida subsequentemente pela descoberta da genética Mendeliana. A segunda crítica enfatizava o quão inadequado seria o tempo geológico. Ele chamou atenção para o facto que num mundo finito aquecido por um sol finito, a quantidade de energia disponível teria que ser limitada, e explicou porque, de acordo com a Segunda Lei da Termodinâmica, toda transformação de energia (isto é, todo o processo de mudança) tem que dissipar uma parte desta energia e torná-la inútil para transformações futuras. Em termos geológicos ele argumentava que estes factos significavam que a Terra estaria a esgotar a sua energia, e que portanto as forças geológicas do presente teriam que ser menos poderosas do que as do passado. Consequentemente, não seria possível usar as taxas actuais de mudanças geológicas como um guia para a idade do mundo, esta abordagem teria que “se curvar perante métodos mais precisos de cálculo”- os métodos da Física.

A crítica de Jenkin invocando a segunda lei da termodinâmica não era originalmente sua, tinha sido apresentada cinco anos antes pelo seu amigo William Thomson, o futuro Lord Kelvin e um dos maiores físicos do século XIX. Kelvin (como doravante nos referiremos a Thomson) e Rudolf Clausius formularam a segunda lei da termodinâmica. Ele usou-a para desenvolver uma estimativa da Idade do Sol e da Terra. A segunda lei da termodinâmica diz que o calor flui naturalmente de um corpo mais quente para um mais frio, e não ao contrário. Kelvin deu-se então conta que o Sol e a Terra teriam que arrefecer a menos que tenham uma fonte externa de calor e que eventualmente a Terra se tornaria demasiado fria para sustentar a vida.

*N.E. O texto completo de Fleeming Jenkin (em inglês) esta disponível aqui.
(Continua Amanhã)

Publicado por tentilhão às 12:15 AM | Comentários (0)

outubro 14, 2008

LANÇAMENTO DO LIVRO "A ORIGEM DAS ESPÉCIES DE CHARLES DARWIN"

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Amanhã, quarta-feira 15 de Outubro as 18 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian durante a sessão de abertura das conferências "No Caminho da Evolução" a FCG e a Gradiva lançam a edição em português do livro "A Origem das Espécies de Charles Darwin".

O livro serve de ponto de entrada para a principal obra de Darwin (e da Biologia), "A Origem das Espécies". Janet Browne, a autora, é professora de história da ciência na Universidade Harvard nos EUA e é actualmente a mais importante biógrafa de Charles Darwin.

Em entrevista na rádio americana NPR (audio em inglês) a Dra Browne conta-nos um pouco da vida e obra de Darwin.

Publicado por tentilhão às 09:50 AM | Comentários (0)

outubro 13, 2008

Inauguração da série "No Caminho da Evolução"

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O paleontólogo e professor do Departmento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Marques da Silva apresentará nesta quarta-feira (15 de Outubro) às 18 horas a primeira conferência da série "NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO".


Entitulada "Darwin: entre a Terra e o Céu", a conferência aberta ao público terá lugar no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, na Praça de Espanha (Lisboa), com transmissão directa on-line.


Carlos Marques Silva oferece aos nossos leitores um breve resumo do seu tema de quarta-feira:


"Quando pensamos em Darwin e na sua Teoria da Evolução por Selecção Natural vem-nos imediatamente à mente um Darwin biólogo, estudando tentilhões e tartarugas terrestres nas Galápagos... E, no entanto, quer no que respeita aos fundamentos, quer às implicações da Teoria darwinista, a Geologia teve um papel importante. O próprio Darwin, enquanto naturalista, apesar de um primeiro contacto algo desmotivador com a Geologia, acabou por adquirir uma sólida formação geológica de base e desenvolveu trabalho importante no domínio das Ciências da Terra. Efectivamente, é considerado por muitos – nomeadamente pelo próprio e pelos seus contemporâneos – mais um geólogo que um biólogo.

Iniciada a sua notável “voyage” de circum-navegação (1831-36), o primeiro desembarque de Darwin é efectuado em Cabo Verde, na Ilha de Santiago. Aí, num local impiedosamente castigado por um Sol abrasador, o que domina é a Geologia. São, pois, de natureza geológica as primeiras observações do jovem naturalista do HMS Beagle. Muitas outras se seguiriam.

Com base no trabalho realizado durante a sua viagem, Darwin publicou posteriormente diversos trabalhos de índole geológica. Dessas obras, porventura, a mais conhecida é aquela, publicada em 1842, em que, discorrendo sobre a estrutura e a distribuição dos recifes coralígenos, desvenda a origem dos recifes em atol do Pacífico, explicando a sua formação em torno de ilhas vulcânica sujeitas a erosão e a subsidência.

Está bem patente em “A Origem das Espécies” (1859) a influência que a leitura da obra “Princípios de Geologia” (1830-33), de Charles Lyell, cujo primeiro volume lhe foi oferecido por Robert FitzRoy, capitão do Beagle, teve em Darwin. A Teoria da Evolução por Selecção Natural pressupõe a existência de tempo, de muito tempo, do tempo suficiente para as mudanças evolutivas gerarem a biodiversidade que actualmente conhecemos. A assunção, em “A Origem das Espécies”, de um tempo geológico imensamente extenso, aliada a uma visão “uniformitarista” do mundo natural, de acordo com a qual a Terra mudava paulatinamente, ao longo de uma escala temporal vastíssima, segundo processos idênticos -- em natureza e em intensidade -- aos que actualmente vigoram, apoia-se em grande medida da leitura da obra de Lyell.

Por outro lado, a escala temporal a que, segundo a perspectiva darwinista, baseando-se no uniformitarismo de Lyell, a evolução ocorria entrava directamente em conflito com leituras e interpretações cronológicas mais conservadoras dos textos bíblicos. Juntamente com, por exemplo, a questão da “origem simiesca” da Humanidade, este tema suscitou reacções arrebatadas por parte dos sectores mais conservadores da já de si conservadora sociedade vitoriana inglesa da segunda metade do séc. XIX e alimentou variadas e calorosas polémicas."

Enfim, Darwin e a sua Teoria da Evolução, estavam e ainda estão, literalmente, entre a Terra e o Céu."

Publicado por tentilhão às 12:00 PM | Comentários (0)

NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO

Download do cartaz da série de conferências No Caminho da Evolução (PDF)

Publicado por tentilhão às 11:56 AM | Comentários (0)