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julho 20, 2008

Orquídeas e Insectos III* (Bonecas Russas)

O louva deus se faz de orquídea que se faz de insecto...

*Uma pausa Wallaciana.

Publicado por tentilhão às 07:40 AM | Comentários (0)

julho 19, 2008

Orquídeas e Insectos* II (Amor)

Cena do filme "Adaptation" (2002), com Chris Cooper e Meryl Streep.


* Uma pausa Wallaciana.

Publicado por tentilhão às 12:32 PM | Comentários (0)

julho 18, 2008

Orquídeas e Insectos* I (Richard Dawkins)


* Uma pausa Wallaciana, em homenagem ao bom tempo

Publicado por tentilhão às 05:26 PM | Comentários (0)

julho 09, 2008

O ARQUIPÉLAGO MALAIO (Wallace p. II)

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"O que vale não é o quão forte consegues bater. O que vale é o quão forte consegues apanhar e continuar a avançar."

Então quando vimos Alfred Russel Wallace pela última vez, o seu irmão tinha morrido de febre amarela, a sua colheita de quatro anos na Amazónia Brasileira esteve primeiro em chamas e a seguir no fundo do Atlântico, e ele próprio levava dos trópicos apenas uma caixa de insectos e a malária que o acompanharia no restante dos seus dias.Nas palavras de seu biógrafo, Ross Slotten “Em circumstâncias semelhantes, um homem normal ter-se-ia afundado numa profunda depressão, chafurdando na auto-piedade” (R. Slotten, “The Heretic in Darwin’s Court”).

Talvez o mais impressionante não é que Alfred Russel Wallace se tenha levantado das lonas após regressar do Brasil. O mais impressionante é ter feito isto sem a inspiração dos filmes “Rocky”. Em 1852, quando Wallace aportou na Inglaterra, as peripécias do Garanhão Italiano eram apenas uma daguerronovela regional, conhecida apenas pelos habitantes da zona metropolitana da Filadélfia.

(Continua)

Publicado por tentilhão às 10:23 AM | Comentários (0)

julho 08, 2008

ALFRED RUSSEL WALLACE

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A.R. Wallace

(continuação de "Portas da Percepção")

Alfred Russel Wallace era um naturalista profissional. O convite para Charles Darwin viajar no Beagle especificava claramente que a tarefa era não remunerada. O Capitão Fitzroy procurava uma pessoa de um certo estatuto social, com meios para pagar os próprios custos durante a viagem. Darwin, com fortunas em ambos os lados da família, precisou somente da autorização do seu pai para fazer a viagem. Já Wallace vinha de uma família de classe média baixa, e que passava por dificuldades financeiras. Pagou a sua primeira viagem com o dinheiro que economizou trabalhando como agrimensor (cerca de 100 libras) e com adiantamentos do seu agente, Samuel Stevens. Stevens era especializado em suprir a febre de objectos e espécimes dos colecionadores Victorianos, e levantou fundos com promessas de fantásticas criaturas tropicais.

A necessidade foi de certa forma a mãe da invenção. Forçado a acumular não só os espécimes de interesse científico ou estético, Wallace precisava do maior número possível de peles, ossos, plantas, etc… para venda. Foi assim que percebeu a extrema variabilidade entre os indivíduos da mesma espécie. Não havia dois indivíduos iguais! As características “médias” não tinham realidade física, o tipo perfeito de uma espécie era um conceito com existência apenas teórica. Darwin observará isto também, mas sobretudo depois de terminada a sua viagem do Beagle, quando estudou a diversidade de espécies domesticadas, e durante os 8 anos de sua vida que dedicou ao estudo intensivo dos… percebes (sim, esses mesmo que se comem nas cervejarias).

A primeira viagem de Wallace, à Amazónia no HMS Mischief foi marcada por desastres e tragédias. O naturalista convidou o irmão mais novo para ser seu ajudante no trabalho de campo. No Brasil, o jovem Edward Wallace contraiu febre amarela e morreu no Pará, a 8 de Junho de 1851. Alfred continuaria na Amazônia até o ano seguinte, quando em Julho assegurou um lugar de volta ao Reino Unido na nau Helen. Pouco depois, o Capitão John Turner disse-lhe calmamente: “Temo que o navio está em chamas. Venham ver o que pensam.” Não havia muito o que pensar, o Helen ardeu espectacularmente e depois foi a pique, levando consigo para o fundo toda a colecção de Wallace. A tripulação esteve ainda 10 dias à deriva em botes salva-vidas antes de ser resgatada por uma embarcação precária que ia para Londres por via de Cuba.

O Naturalista foi salvo da ruína total pela indemnização de 150 libras que recebeu da seguradora pela sua coleta perdida (Samuel Stevens era um agente competente). Amanhã veremos como Wallace investirá este dinheiro.

Publicado por tentilhão às 11:03 AM | Comentários (0)

julho 07, 2008

INTERLÚDICO: CO-EVOLUÇÃO

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Níquel Náusea, de Fernando Gonsales.

Publicado por tentilhão às 12:35 AM | Comentários (0)

julho 04, 2008

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

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Delírio malarial nas selvas do Sul Asiático.


A carta bomba continha um manuscrito entitulado “Da Tendência das Variedades de Divergirem Indefinidamente do Tipo”. Por trás do título seco estava a síntese de uma teoria em muitos aspectos idêntica à que Darwin vinha desenvolvendo há duas décadas. Os seus pontos principais estavam todos lá:

- As espécies não seriam entidades fixas, mudavam com o tempo, e as espécies actuais seriam descendentes de espécies que existiram no passado. Esta parte não causou grande ansiedade a Darwin: a ideia da Evolução (“Transformismo”) já estava em voga. Um dos grandes sucessos editoriais da época no Reino Unido, “Os Vestígios da História Natural da Criação” sustentava abertamente esta tese. Mais directamente, o próprio Wallace já tinha publicado uma defesa concisa e bem argumentada da descendência comum dos seres vivos. Ao ler este artigo de 1855*, o amigo e mentor de Darwin, Charles Lyell aconselhou-o a publicar sua teoria o quanto antes, pois Wallace seguia a mesma pista. Darwin não lhe deu muita atenção. O seu enfoque era o mecanismo responsável pela evolução das espécies, algo que não aparecia de todo no artigo. Mas a questão atormentava Wallace, e diz a lenda que durante um terrível episódio de malária, no meio da tórrida selva tropical do Bornéu, enrolado numa manta a tremer de frio, veio a revelação. Os pontos seguintes foram os que causaram pânico no pacato ambiente de Down House.

- Na natureza as espécies não eram entidades monolíticas. Pelo contrário, eram compostas por indivíduos com características heterogéneas, estes mais altos, aqueles mais peludos, e assim por diante.

- Estas diferenças são heriditárias, passando dos pais para os filhos.

- Os pais têm, em geral, muito mais filhos dos que podem sobreviver.

As consequências destes três pontos eram claras. Na natureza não existe um estado de harmonia, e sim uma constante e selvagem competição. Qualquer pequena vantagem de um indivíduo em relação aos outros aumentaria as suas chances de sobreviver e deixar descendentes. Um pouco mais de pêlo num ano frio, ou então poder colher alimentos em galhos altos em anos de seca poderiam ser a diferença entre a vida e a morte. Sendo estas diferenças heriditárias, a cada geração as características da população seriam ligeiramente distintas da geração anterior. Ao longo de milhões de anos, estas pequenas alterações acumular-se-iam, de geração para geração, até produzirem espécies novas, com novas formas físicas, novos hábitos, a capacidade de colonizar novos ambientes, etc...

Darwin estava arrasado. Acontecera exactamente aquilo de que Lyell tentara avisá-lo. Em desespero, escreveu “Toda a minha originalidade, seja ela qual for, foi destruída”. O cientista estava face a um terrível dilema moral. Como proceder?
(cont.)


*”Sobre a Lei que tem governado a introdução de novas espécies”.

Publicado por tentilhão às 05:00 PM | Comentários (0)

julho 02, 2008

LINEU E BUFFON

Amanhã, dia 3 de Julho, as 15h, o Professor Carlos Almaça apresenta a palestra "Lineu e Buffon. Percursos divergentes na História Natural do séc. XVIII" na Academia das Ciências de Lisboa (R. Academia das Ciências, 19).


Publicado por tentilhão às 02:38 PM | Comentários (0)

julho 01, 2008

FELIZ ANIVERSARIO, SELEÇÃO NATURAL

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Nesta data, há 150 anos o mundo foi formalmente apresentado à Teoria da Evolução por Seleção Natural. Nenhum de seus dois pais, Charles Darwin e Alfred Russel Wallace pode estar presente na ocasião. Darwin estava na sua residência em Down House, de luto pela morte recente de seu filho Charles Waring. Wallace estava literalmente do outro lado do mundo, nos arquipélagos do Pacífico Sul. Coube a um certo George Busk, sub-secretário da Sociedade Lineana em Londres ler os ensaios de Darwin e Wallace em sessão extraordinária desta instituição. A reação foi… nenhuma. Terminada a sua leitura, os ensaios não provocaram discussão, durante a sessão ou depois dela. A reunião era extraordinária não por reconhecimento do carácter excepcional das idéias apresentadas. Simplesmente a Sociedade normalmente não se reunia durante os meses de verão, mas o falecimento de um de seus membros, o botânico Robert Brown, levou à convocação dos seus pares para preencher a sua cadeira.

Charles Lyell e Joseph Hooker, amigos e confidentes de Darwin e membros da Sociedade, forçaram na última hora a inclusão da leitura dos textos sobre Evolução na pauta do dia. No mês seguinte, seriam publicados nos Anais da sociedade, novamente com impacto discreto. O silêncio foi atordoante. No final do ano, o Presidente da Sociedade, Thomas Bell, numa das mais famosas demonstrações de falta de visão da história da ciência, concluiu solenemente que 1858 “não foi marcado por nenhuma destas descobertas fulminantes que imediatamente (…) revolucionam o departamento da ciência ao qual pertencem.”

O evento todo havia sido articulado numa frenética troca de cartas entre Darwin, Hooker e Lyell em apenas 13 dias. Porquê a pressa? Afinal, o ensaio que Darwin submeteu à Sociedade Lineana tinha sido escrito 14 anos antes, em 1844, e estava desde então guardado numa gaveta, com instruções para sua publicação póstuma. Ignorando o antigo conselho, vamos espiar como se fez esta salsicha…

Para isso voltamos alguns dias antes, na manhã do dia 18 de Junho de 1858, quando Darwin anota no seu diário: “interrompido por uma carta de A R Wallace.”

Publicado por tentilhão às 02:48 AM | Comentários (0)