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fevereiro 28, 2008

O legado de Darwin (parte II)

Publicado por tentilhão às 09:14 AM | Comentários (0)

fevereiro 27, 2008

O legado de Darwin (parte I)

Publicado por tentilhão às 07:36 PM | Comentários (0)

fevereiro 26, 2008

O ÓSCAR DA EVOLUÇÃO HUMANA

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Não vale a pena tentar explicar...


The Darwin Awards



... e muito menos concorrer.

Publicado por tentilhão às 01:53 PM | Comentários (0)

fevereiro 25, 2008

BISCOITINHOS DO BULLDOG

yoursign.jpg Após divulgar sua teoria ao mundo, Charles Darwin isolou-se novamente na bucólica Down House, onde produziu ainda uma enorme obra científica tocando quase toda a biologia de sua época, das minhocas às orquídeas. Entretanto, uma legião de defensores públicos de suas ideias brotou espontaneamente em todo o mundo- Asa Gray na América, Ernst Haeckel na Alemanha – mas nenhum tão veemente como Thomas Henry Huxley.
Ao contrário de Darwin, que evitava eventos públicos e ruidosas polémicas, comunicando-se com o mundo exterior por cartas, ou recebendo cordialmente visitas na sua residência rural, Huxley procurava brigas, quanto mais públicas e ruidosas, melhor. Por isso mereceu a alcunha “Darwin´s Bulldog”, mordendo dolorosamente bispos e cientistas (talvez nos nossos dias fosse conhecido como o Mike Tyson da Evolução).
T.H Huxley deixou um enorme espólio de frases de efeito, recheio ideal para os biscotinhos chineses da sorte. O blog traduzirá algumas periodicamente, começando pelo muito pouco zen:

“Living things have no inertia, and tend to no equilibrium.”*

Ou

“Os seres vivos não tem inércia, e não tendem para o equilíbrio.”

* Comentário sobre a obra “Vestígios da História Natural da Criação”, clássico da má ciência, que criou enormes problemas para a Evolução- ideia que a obra defendia. Com amigos assim…

Publicado por tentilhão às 11:48 AM | Comentários (0)

fevereiro 22, 2008

DO DIÁRIO DE VIAGEM DO BEAGLE

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Ruínas de Concepcion, Chile.

(Terramoto cont. Leia a parte 1 aqui.)

Como vimos, a 20 de Fevereiro, nosso herói sentiu tremores de terra curiosos, mas aparentemente incosequentes, durante sua passagem pela ilha de Chiloe. Dois dias mais tarde, na entrada de 22 de Fevereiro de 1835 no seu diário, Darwin é forçado a rever ésta avaliação. Darwin desembarca primeiro na ilha de Quiriquina e só dois dias mais tarde vai ao continente, visitando as vilas de Talcuhano e Concepcion. O HMS Beagle está ancorado na baía de Concepcion, também no Chile.

"Enquanto o navio se deslocava para o local de ancoragem, à distância de algumas milhas, fui desembarcado na ilha de Quiriquina. O mordomo da estância rapidamente se dirigiu a nós para nos contar as terríveis notícias do grande sismo do dia 20; 'que nem uma única casa se mantinha de pé em Concepcion ou Talcuhano (o porto); que setenta vilas tinham sido destruídas; e que uma grande onda tinha praticamente levado as ruínas de Talcuhano'."

Na ilha de Quiriquina, afectada pelo efeito do tsunami, tal como o porto de Talcuhano, no continente, a praia está coberta de despojos que incluem não só partes e restos de habitações, como animais afogados e pedaços de rochas arrancados do fundo do mar. Para além disto, o tremor de terra provocou o desabamento de terra em vários pontos da costa. No interior da ilha, Darwin nota que as fissuras e rachas abertas pelo sismo tem uma orientação predominantemente Norte-Sul. Na cidadezinha de Concepcion cada fila de casas foi reduzida a uma linha de escombros, entre os quais se reconhece ainda o que foram as ruas; mas, em Talcuhano, por acção do tsunami, a planta da vila é irreconhecível e as ruínas estão caoticamente espalhadas ao longo da costa toda. Darwin considera surpreendente o número de sobreviventes (as estimativas apontam para uma a duas centenas de mortos) se comparado com o nível de destruição observado. Este facto deve-se provavelmente, adianta Darwin, à hora a que ocorreu o sismo (11:30 da manhã) e ao facto dos habitantes da região estarem “treinados” para reagir ao menor abalo sísmico, abandonando imediatamente as casas.

"O efeito mais evidente (ou talvez mais correctamente, a causa) deste sismo foi a elevação permanente da terra. O Capitão FitzRoy, tendo já visitado por duas vezes a ilha de Santa Maria, com o objectivo de examinar cada circunstância com extrema precisão, recolheu uma quantidade de evidência que prova esta elevação (...) É quase certo, pelas alterações observadas, juntamente com a circunstância do fundo da baía perto de Penco ser de rocha dura, que se provocou um levantamento de, pelo menos, 7.3 metros (1), desde o famoso abalo de 1751. Com esta nova ocorrência ainda fresca na memória, podemos assumir como possível, de acordo com os princípios definidos pelo Sr. Lyell*, outras pequenas e sucessivas elevações, e manter categoricamente que a questão das conchas elevadas, descritas pelo senhor Ulloa, está?explicada."

(*Lyell's Geology, Tomo ii, capítulo. xvi)

É preciso salientar que “A Viagem do Beagle” só é escrito por Darwin, com base nas notas que tomou durante a viagem, depois de regressar a Inglaterra, em 1836. Por isso Darwin acrescenta às descrições que faz, dados e conclusões que só recolheu depois. De relevância, no caso deste sismo, é toda a actividade vulcânica que lhe esteve associada e que continuou depois dos abalos, nomeadamente, a entrada em actividade de várias chaminés vulcânicas da Cordillera central do Chile, e de um vulcão submarino próximo da ilha de Juan Fernandez. Como defendido por Lyell, um geólogo eminente na época, cujos livros Darwin leu durante a viagem, darwin conclui que estes processos, continuados ao longo de milhares de anos, contribuirão para elevar porções de terra. Só assim é possível explicar, por exemplo, a presença de fósseis de animais aquáticos e de conchas no topo de montanhas, como darwin vem a observar depois. A actividade de vulcões explica também as incursões de línguas de rocha vulcânica em estratos rochosos mais antigos – um fenómeno que Darwin observa em abundância quando atravessa a Cordillera Chilena, duas semanas mais tarde.

Embora Darwin formule a teoria de evolução por selecção natural apenas depois do seu regresso a Inglaterra, há duas ideias que parecem começar a formar-se durante a viagem do Beagle: primeiro, a ideia de que o efeito cumulativo de procesos de pequenas dimensões pode, ao fim de milhares de anos, produzir fenómenos aparentemente espetaculares – como a presença de conchas vários quilómetros acima do nível do mar; segundo, a ideia de que os processos que estiveram activos no passado para produzir fenómenos que hoje são “espetaculares” continuam a fazer-se sentir no presente – como a ocorrência de sismos e de vulcões. Estas duas ideias são aspectos fundamentais da ideia de “transformação” de seres vivos, ou evolução, por efeito de selecção natural que Darwin vem a propor mais tarde.


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fevereiro 21, 2008

CONCURSO ERASMUS DARWIN

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A busca pelas origens do pensamento evolutivo de Charles Darwin começa em família, com seu avô paterno. Erasmus Darwin era médico, diplomado pela Universidade de Edimburgo- como o seu filho, Robert Waring (muitos anos mais tarde Charles tentaria a mesma carreira, na mesma escola). Personalidade enorme, figurativa e literalmente, Erasmus transborda esta definição profissional: naturalista, filósofo, poeta, seu apetite intelectual não parecia ter limites. A impressão que nos fica é sobretudo de um homem que não dava exatamente valor à moderação- consta foi preciso recortar sua mesa de jantar para que pudesse acomodar a enorme pança. A imagen do jovem Charles aprendendo história natural e coletando conchas com este ser pantagruélico é tentadora, mas infelizmente ele nunca chegaria a conhecê-lo. Erasmus morreu sete anos antes do seu nascimento.

As ideias biológicas de Erasmus não podem propriamente ser chamadas de teoria- faltava-lhe o rigor sistemático e a clareza do neto, entre outras coisas. Para tornar tudo mais complicado, optou por colocar as ideias em verso, embutidas em enormes poemas.

Em homenagem a Erasmus o blog lança um concurso de tradução: quem apresentar a melhor versão portuguesa do trecho abaixo receberá uma cópia do livro “Darwin’s Origin of Species: A Biography” de Janet Browne.

Organic life beneath the shoreless waves
Was born and nurs'd in ocean's pearly caves;
First forms minute, unseen by spheric glass,
Move on the mud, or pierce the watery mass;
These, as successive generations bloom,
New powers acquire and larger limbs assume;
Whence countless groups of vegetation spring,
And breathing realms of fin and feet and wing.

Erasmus Darwin. The Temple of Nature. 1802.

Publicado por tentilhão às 11:48 AM | Comentários (0)

fevereiro 20, 2008

DO DIÁRIO DE VIAGEM BEAGLE / FROM THE DIARY OF THE HMS BEAGLE*

Portugal-1.pngNesta seção iremos acompanhar as viagens dos nossos protagonistas- no século XIX a viagem dos naturalistas aos confins dos respectivos Impérios era uma verdadeira experiência formativa- no caso de Charles Darwin a viagem de cinco anos no HMS Beagle foi o evento central da sua vida. Darwin guardou seus diários de bordo, que mais tarde organizou e publicou. O diário do Beagle foi um enorme sucesso de vendas, surpreendendo o próprio autor, e de lá tiraremos vários episódios para compartilhar com nossos leitores. Além do famoso diário do Beagle, vamos também passear com Thomas Huxley abordo do HMS Rattlesnake e Alred Russell Wallace pelos mares do sul da Ásia, entre outros.

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A 20 de Fervereiro de 1835, a HMS Beagle está ancorada no Chile, ao largo da Ilha Chiloe. Darwin está em terra firme, a dormitar num bosque, quando é acordado por um tremor de terra. O abalo dura cerca de dois minutos e Darwin descreve a impressão como a de alguém a fazer patinagem sobre gelo fino, quando o gelo afunda, sob o peso do patinador, à medida que este avança. No bosque, o sismo não tem consequências visíveis e, mesmo na cidade, onde estão FitzRoy, capitão do Beagle, e outros tripulantes, as casas, que são de madeira, abanam e estalam, fazendo os seus habitantes correr em pânico para as ruas, mas nenhum edifício cai por terra. O efeito do sismo na maré é descrito a Darwin por uma observadora que estava na praia: à altura do abalo a linha de água, então em baixa-mar, subiu rapidamente até ao nível de maré-cheia, voltando, logo depois, ao nível original. O efeito, constata Darwin, é visível na linha de areia molhada na praia.

De facto, resume Darwin, embora compreensivelmente capazes de provocar grande insegurança nos habitantes daquela região do Chile, os efeitos do terramoto não são impressionantes. Na realidade, a dimensão devastadora do sismo só se torna clara para Darwin, quando o Beagle ancora ao largo da Ilha de Quiriquina, dois dias mais tarde.

* Entrada bilingue

(continua)

British_flag.gifIn this section, we will follow our protagonists as they sail around the world. The XIXth century naturalist�s voyage was a rite of passage for many, if not most, of the leaders in the field that would one day be known as Evolution. Charles Darwin thought of his 5 years on board the HMS Beagle as the central experience of his life, and at the end of our trip we will surely agree. Darwin later adapted his diaries of this period in book form, and to his own surprise, the Beagle diary became a runaway bestseller. We will bring to our readers stories from this journey, as well as from other naturalists sailing under different guises to exotic lands. We will meet the young surgeon's mate on the HMS Rattlesnake, Thomas Huxley and check in on the malaria stricken Alfred Russell Wallace as his feverish dreams lead him to an interesting revelation. So let's raise the anchors and sail off to�

February 20th, 1835. The HMS Beagle has stopped in Chile, off the coast Chiloe Island. Darwin is on dry land, sleeping in the woods, when he is jarred awake by a tremor. The disturbance lasts about 2 minutes, and Darwin describes the sensation as akin to skating on thin ice as the ice sinks under the weight of the skater. In the woods, the sismic event has no visible consequences. Even in the nearby city, where Robert FitzRoy, Captain of the Beagle, and other crew members, the wooden houses creak and tremble, but none collapse. The effects on the sea were described to Darwin by an observer on the beach: at the time of the quake, the waterline, then at low tide, rapidly rose to a full tide level, and then with the same speed subsided back to normal.

Darwin sums up the effects of the tremor as provoking an understandably intense feeling of insecurity in the inhabitants, but did not then consider them of great real significance. The devasting dimension of the earthqua ke would oly be clear to him a couple of days later, when the Beagle anchors at Quiriquina Island.

(to be continued).

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fevereiro 19, 2008

NA FRONTEIRA DA CIÊNCIA

Aterações na estrutura de várias proteínas, bem como a sua deposição sob a forma de aglomerados, são características comuns a doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson ou a “doenças das vacas loucas”. No laboratório, a equipa de Tiago Outeiro utiliza, entre outros modelos, a levedura Saccharomyces cerevisae, para estudar a base molecular destas doenças. Uma questão que permanece sem resposta é se os aglomerados proteícos são uma consequência nociva da doença ou um mecanismo de defesa do organismo afectado. Associando modelos biológicos, novas ferramentas moleculares e novas tecnologias, é hoje possível seguir vários processos em organismos vivos, bem como utilizar de forma inovadora proteínas que se consideravam nocivas noutros processos, estratégisa que poderão abrir novas portas no sentido de melhorar as condições de vida dos pacientes com doenças neurodegenerativas.

Amanhã (20 de Fevereiro) as 18 horas no auditorio 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, o investigador Tiago Fleming de Oliveira Outeiro falará sobre este tema na palestra "Vacas loucas, leveduras neuróticas e regresso ao futuro." A apresenta se insere no ciclo "NA FRONTEIRA DA CIÊNCIA", organizado pelo Serviço de Ciência da FCG.


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Tiago Fleming de Oliveira Outeiro

Licenciado em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universdade do Porto e doutorado pelo Whitehead Institute fo Biomedical Research do MIT, nos EUA, Tiago Outeiro é actualmemte director da Unidade de Neurociência Celular e Molecular no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, mantém uma posição de investigador visitante no General Hospital de Massachussets, da Harvard Medical School, nos EUA, e é Vice-Presidente do Forum Internacional de Investigadores Portugueses.

Publicado por tentilhão às 08:43 AM | Comentários (0)

fevereiro 18, 2008

Diversidade da Vida

Está em andamento no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra uma exposição entitulada “Diversidade da Vida” que comemora os 300 anos do criador da taxonomia (o ramo da Biologia dedicado a classificação dos organismos) moderna, o sueco Carlos Lineu. “Diversidade da Vida” tem apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e será visitável até Junho de 2008. A equipe do blogue já planeja uma odisseia à longínqua cidade para trazer aos nossos leitores mais detalhes desta iniciativa.


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Publicado por tentilhão às 07:46 PM | Comentários (0)

fevereiro 17, 2008

R.A. Fisher

fisher.gifSir Ronald Aylmer Fisher, ou R.A. Fisher como é conhecido na comunidade cientifica, nasceu em Londres a 17 de Fevereiro de 1890. Foi o maior estatistico do seu tempo, quiçá de todos os tempos, e um dos maiores sucessores de Charles Darwin. Como é que um homem conseguiu reunir em si a capacidade de criar os fundamentos da estatistica moderna e simultaneamente produzir a síntese da selecção natural de Darwin e da genética Mendeliana? Numa palavra só: genialidade!

Fisher foi de facto um génio cujas ideias, deduções e previsões em biologia evolutiva continuam vivas na ciência actual e continuam a ser testadas e demonstradas nos mais recentes artigos cientificos. Não é dificil encontrar nas páginas das revistas científicas deste ano frases como “assim como Fisher escreveu em 1930 no seu livro A Teoria Genética da Selecção Natural ....”. Os métodos estatisticos por ele desenvolvidos são usados diariamente em todo o mundo. Quem não teve já que recorrer a métodos de análise para pequenas amostras? Quem não fez alguma vez na sua vida escolar ou profissional uma análise de variância? Ou se tal ainda não lhe aconteceu, quem ainda não se perguntou como dizer se uma dada caracteristica mensurável está correlacionada com outra? Pois saiba que Fisher pensou nisto tudo e resolveu. Resolveu isto tal como resolveu muitos outros problemas, às vezes escrevendo nos seus artigos “como é evidente”, sendo que o que para Fisher era evidente demorava largas horas e várias páginas de papel a deduzir pelos seus colegas matemáticos. Já agora, saiba também que Fisher explicou a razão de o rácio entre sexos ser 1 para 1, um dos melhores exemplos de que a selecção natural não tem que levar necessariamente a uma maximização de fitness (ou aptidão).

Infelizmente nem todos pudemos ter o prazer de conhecer Fisher e só alguns podem ter a felicidade de compreender na profundidade os seus ensinamentos, mas todos temos a liberdade de ler os muitos artigos e livros que ele escreveu. O legado de Fisher não é de leitura fácil, talvez pela profundidade e poder de síntese que o caracteriza, talvez pelo facto de ter constantemente inventado novas formas de resolver problemas.

R. A. Fisher, J. B. S. Haldane and Sewall Wright fundaram a genética de populações, área científica cujo principal objectivo é entender de forma quantitativa as razões evolutivas para um dos mais óbvios dos factos da natureza: todas as espécies tem variabilidade genética e essa variabilidade apresenta padrões. Apesar do seu talento para a matemática o interesse de Fisher era maioritariamente a biologia, como ele disse “uma técnica matemática com interesse biológico é um terreno mais firme que uma técnica biológica com interesse matemático”.

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fevereiro 16, 2008

Selecções naturais*

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Estátua de Charles Darwin, fotografada por César Garcia, enviado acidental ao Museu de História Natural de Londres.

*Estamos abertos a publicar contribuições dos leitores relevantes para este blogue, ou seja, tudo o que estiver relacionado com Charles Darwin e outros evolucionistas, a teoria da evolução e as suas implicações. O nosso email está no canto superior direito. Talvez seja oportuno informar que as contribuições dos criacionistas não podem ultrapassar 5% do total e nunca farão parte das 10 primeiras, a menos que o remetente seja Noé.

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fevereiro 14, 2008

O Ovo e a Galinha- Sem Ovo, e Sem Galinha

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Quando escreveu "A Origem das Espécies", Charles Darwin já previa que explicar a existência de alguns seres vivos daria mais dores de cabeça do que a de outros. O capítulo sexto da obra é intitulado simplesmente "Dificuldades da Teoria", e na sua primeira página ele nos coloca a questão: "(...) é possível que um animal tendo, por exemplo, a estrutura e hábitos de um morcego, possa ter sido formado pela modificação de algum animal com hábitos inteiramente diferentes?"
Darwin se referia principalmente ao surgimento da capacidade de vôo em um mamífero. Mas os morcegos estão longe de serem simples "ratos-alados" e apresentam muitas outras adaptações peculiares - entre elas a sua capacidade de ecolocação, ou seja, de navegar por radar (ou melhor, sonar), emitindo sons e interpretando seus ecos. Há décadas que a comunidade de investigadores dos Chiroptera (nome científico da Ordem a qual pertencem, do grego “cheir”, mão e “pteron”, asa) tem encenado a sua própria versão do debate ovo-galinha: o que teria surgido primeiro nos morcegos, o vôo ou o sonar?
A última edição (14 de fevereiro, 2008) da revista “Nature” traz um artigo de Nancy Simmons e colaboradores que resolve a controvérsia. Os autores descrevem os espécimes mais antigos de fósseis de morcegos - datando de mais de 50 milhões de anos atrás. A arquitetura do esqueleto de ambos é claramente a de um morcego voador. Tão claro também em ambos é a ausência das estruturas ósseas do ouvido que possibilitam o funcionamento do “sonar”. Então teriam estes morcegos hábitos diurnos? Ou será que voavam pela noite a dar pancadas em galhos e pedras, como um Mister Magoo prehistórico? É possível também que tivessem um sentido de visão especialmente adaptado ao vôo nocturno… Mas este mistério permanecerá por hora sem resolução, pois infelizmente a região dos olhos dos dois crânios fósseis encontra-se completamente esmagada.

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fevereiro 13, 2008

Jornal Inglês "The Guardian" Lança Página Darwin

O "Guardian" comemorou o aniversário de Charles Darwin disponibilizando uma excelente página web com artigos e links sobre o cientista e suas ideias (infelizmente, só em inglês). Alguns dos autores recrutados são conhecidos do grande público, como o geneticista Richard Dawkins. Vale conferir.

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fevereiro 12, 2008

12 de Fevereiro de 1809

charles_darwin_1816.jpg Nasce, em Shrewsbury na Inglaterra, Charles Robert Darwin. Fruto da união de um médico de sucesso, Robert Waring Darwin, com Susannah Wedgwood, filha de um artesão e comerciante de grande fortuna, o jovem Charles tinha diante de si a perspectiva segura de uma vida de conforto e respeitabilidade seguindo os passos do pai, ou uma bucólica existência de cura rural. Mas pairava sobre o berço o corpulento fantasma de seu avô, Erasmus, homem de imensos apetites, autor de versos defendendo uma escandalosa origem para a diversidade de seres vivos que nos cercam…

Publicado por tentilhão às 09:48 AM | Comentários (0)

A EVOLUÇÃO DE DARWIN

gi-j.feijo_headpict.jpgEm 12 de Fevereiro de 2009 comemoram-se os 200 anos do nascimento de Charles Darwin. Talvez nenhum homem tenha tido tão vasta influência em tantas facetas da vida social e intelectual da civilização ocidental como Darwin. A sua obra teve um impacto enorme não só na nossa forma de entendermos algumas das características mais importantes das Ciências Naturais, como a níveis muito mais profundos e transversais da natureza humana. Os seus escritos desafiaram tudo o que tinha sido previamente pensado acerca dos seres vivos e tornaram-se num factor crucial nas transformações intelectuais, sociais e religiosas que tiveram lugar no Ocidente durante o século dezanove.

Pedra fundamental desta influência é a sua obra máxima, a "Origem das Espécies", de cuja publicação também se comemoram 150 anos em 2009. Num século em que as ciências biológicas progrediram de forma vertiginosa, podia certamente esperar-se que as "Origens" se tivessem tornado obsoletas. É surpreendente que não seja esse o caso. Embora Darwin estivesse errado em vários aspectos da sua discussão dos factos, muito por força da falta de disciplinas hoje fundamentais para a compreensão da vida, como a genética ou a biologia molecular, ele foi bem sucedido na descoberta dos mecanismos básicos da mudança evolutiva. Como referia Ernst Mayr na re-edição da primeira edição da "Origem das Espécies", "a biologia evolutiva está hoje mais próxima do Darwin de 1859 que em qualquer outro período dos últimos 100 anos".

De facto o legado de Darwin aparece indissoluvelmente associado ao conceito de Evolução Biológica. A descoberta e compreensão do processo da evolução representa uma das mais poderosas conquistas na história da ciência. A evolução explica com sucesso a diversidade na Terra e tem sido confirmada repetidamente através de observação e experimentação numa largo espectro de disciplinas científicas ao longo destes 150 anos. Por certo muitos aspectos irão certamente ser aperfeiçoados, mas a evolução é hoje um facto tão científico quanto a existência de átomos ou a movimento da Terra em torno do Sol. Por direito próprio, a Teoria Evolutiva está hoje de par com outros grandes princípios estruturais do conhecimento humano, como a Teoria Atómica, a Teoria da Relatividade, ou a Teoria da Ligação Química.

Celebrar hoje Charles Darwin é também celebrar a história da Biologia contemporânea, já que do entendimento da evolução dependeram e continuam a depender aspectos fulcrais da pesquisa médica, vacinas, farmacologia, melhoramento de espécies agrícolas, sustentabilidade ecológica e muito mais. Numa palavra, da melhoria da nossa qualidade de vida enquanto sociedade, e da nossa sobrevivência enquanto espécie.

E é por tão vastas e fundamentais contribuições científicas, a maioria tão válidas e estimulantes como no dia em que ele as criou, que olhamos com entusiasmo para as celebrações do próximo ano.

A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu mais uma vez tomar a dianteira na promoção dos valores que nos devem distinguir como uma sociedade baseada e organizada na cultura e no conhecimento, e promover um conjunto de actividades em torno deste aniversário. A organização duma grande
exposição de vocação internacional intitulada "A Evolução de Darwin", será o epicentro dum conjunto doutras iniciativas, incluindo ciclos de conferências, programas de extensão pedagógica às escolas, concursos, etc., que se pretendem tragam o nome de Darwin e as suas ideias para um plano de destaque na nossa agenda cultural.

Damos hoje o primeiro passo nesta aventura lançando este weblog.Destinado a ser ponta-de-lança na difusão das nossas actividades, terá também preocupações de divulgação de matéria de trabalho e reflexão com que pretendemos atingir o grande público por todos os canais que as novas vias de comunicação têm imposto. Este será um local de divulgação, de discussão, de permanente renovação que esperamos venha a cimentar todo o conjunto de iniciativas que irão ter lugar já a partir de Outubro deste ano.

A um ano do dia 12 de Fevereiro de 2009, só nos resta convidar-vos a embarcar nesta aventura, possa algum de nós tirar dela a inspiração que Darwin tirou da sua viagem no Beagle!

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José Feijó, comissário da exposição A Evolução de Darwin

Publicado por tentilhão às 09:02 AM | Comentários (0)