janeiro 24, 2006

Metamorfose, n.º 20 de 20 ou O fim

There's no words to say, no words to convey,
This feeling inside I have for you, deep in my heart,
Safe from the guards of intellect and reason,
Leaving me at a loss for words to express my feelings,
Deep in my heart.
Look at me losing control,
Thinking I had a hold,
But with feelings this strong,
I'm no longer the master of my emotions


For You
Tracy Chapman

As palavras da música que aqui fica resumem o que sinto.
Gostei muito de vos ter cá, neste pequeno tasco.
Há escolhas que fazemos na vida que são necessárias, pois o tempo corre sem piedade.
A partir de agora, podem continuar a ler-me no
ante et post

ADENDA: e também aqui.



janeiro 23, 2006

Um ano de 6 em 1 & algo +

moet_chandon.jpg
Foto daqui

Faz, no preciso momento em que este post é publicado, um ano que foi publicado o primeiro post deste blog. 423 posts e 5596 (1341 + 4255) comentários depois, cá estamos para a festa.

Sirvam-se à vontade, há mais no frigorífico.

À VIDA!



Metamorfose, n.º 19 de 20

E assim se chega ao dia de hoje, o dia do 1.º aniversário.

1ano.jpg
Foto daqui.




Metamorfose, n.º 18 de 20

Passei assim a escrever, novamente, em dois blogs. Mas, a 5 de Novembro o meu portátil resolveu pifar, e fiquei quase sem tempo para escrever. Pois é, quando tudo parecia correr bem, acontece uma desgraça destas...

O facto é que dei primazia ao novo blog, dado que era um projecto recém-nascido. Neste blog fui colocando algumas fotos sobre as minhas reparações informáticas. Mas achei que o blog estava em profunda decadência. Daí ter escrito um post onde me questionava se valeria a pena continuar com o blog. Questionei-me outra vez no dia 16 de Dezembro.

E desde então não mais parei de me questionar.

Mas isso não fez com que parasse de manter o blog vivo.

No dia 23 de Dezembro, o blog passou a chamar-se, momentaneamente, HO! HO! HO!, e ofereceu presentes virtuais.

No dia 30 de Dezembro, mudou novamente de nome, para "Mestre Egroj Siarom - Previsões para 2006", na sequência deste post.

Finalmente, com a passagem do ano, o nome mudou novamente para (Dois mil e) 6 em 1 & algo +.

Hoje, depois deste post, o blog retorna ao nome que ostentou durante a maior parte da sua existência, 6 em 1 & algo +.



Metamorfose, n.º 17 de 20

Enquanto preparava os pormenores do ante et post, fui dando música aos leitores, repondo músicas que já tinham passado pelo blog, e avisando que algo estava para acontecer. Até que, no dia 23 de Outubro, o novo blog foi anunciado.

Devo dizer que é um blog do qual muito me orgulho. Acho que estamos a fazer um excelente trabalho, modéstia à parte, e os meus colegas de blog são muito talentosos. Faz hoje 3 meses, e acho que já adquiriu uma dinâmica muito boa.



Metamorfose, n.º 16 de 20

Entretanto, decidi mudar para da blogspot para a weblog, no dia 13 de Outubro. Mantive o link antigo, 6em1.blogspot.com, porque ainda lá permanecem todos os comentários feitos. Foi impossível fazer a migração dos mesmos, o que é uma pena, mas desta forma podem ainda ir lá e lê-los.

As razões que me levaram a mudar para a weblog foram essencialmente duas:
1. As possibilidades de colocar fotografias directamente no servidor e de agrupar os posts por categorias.
2. Um novo projecto que já tinha em mão: o ante et post.



Metamorfose, n.º 15 de 20

No dia 14 de Setembro, escrevi um post sobre o tema Saudade. No meio dos comentários, o Dani referiu que tinha falado sobre esse tema num post do seu blog. Foi este o mote para mais um desafio.

Foi mais um daqueles momentos que valeu a pena e um dos períodos melhores deste blog, na minha opinião. Os contributos dos leitores foram muitos e excelentes, estendendo-se até ao dia 21.

No dia 23 de Setembro, lancei um desafio novo, consistindo numa cadeia de frases. Eu colocava a frase inicial e cada pessoa podia colocar uma frase nova que tinha de começar pela última palavra da frase anterior. No dia 28 de Setembro seria escrita última frase, e o excelente resultado final pode ser visto aqui.

Considero que este foi o ponto alto do blog. Depois disso, já se sabe, vem a decadência...



Metamorfose, n.º 14 de 20

Quando voltei, o blog não retomou o seu funcionamento anterior, de escrever sobre um tema fixo em cada dia da semana. Passou a ser um blog pessoal onde eu ia escrevendo o que me apetecia cada dia. A fórmula que estivera na génese do 6 em 1 tinha acabado de vez. Por isso, cheguei a equacionar uma mudança de nome (que não aconteceu, por algumas opiniões contrárias).

Fui escrevendo o que me apetecia. Assim se passou o mês de Agosto.

Em Setembro tentei definir uma linha editorial, que acabei por nunca cumprir. Houve algumas novidades nesta fase, nomeadamente os calendários, a hora irrepetível, um post que só existia durante uma hora, e A vida irritantemente simples de Zeca Lado.

Até que, a meio de Setembro, novo desafio teve lugar.



Metamorfose, n.º 13 de 20

Como eu já disse, considerava que tinha uma dívida para com o afixe. Mas, ainda em Julho, já tinha concluído que depois de saldada a dívida, deveria voltar para este blog. Por isso mesmo, ainda no dia 3 de Julho, tinha vindo anunciar que o blog voltaria a ser reactivado em Setembro. Quis a sequência de acontecimentos que este regresso fosse antecipado para o dia 28 de Julho.

Foi importante ter reaberto nesta altura, pois recebi muitas mensagens de apoio e incentivo. E como tal não fui capaz de parar de postar durante as minhas férias, fazendo posts quase todos os dias. Enfim, coisas de viciados...



Metamorfose, n.º 12 de 20

Durante dois meses, o afixe foi o centro das minhas atenções. Por outro lado, a minha vida pessoal estava numa fase de grande trabalho. E, acreditem ou não, foi com grande esforço que me dediquei ao afixe, por achar que devia retribuir o convite que me tinha sido feito com alguma produção de posts.

Guardo desta fase do afixe aquela que considero ser o melhor contributo que dei: a blogonovela das 9 da noite, A.F.I.X.E., que teve 10 episódios, mais alguns posts laterais, que depois foi completada com um conjunto de posts entitulados "Instruções para a vida retiradas de canções portuguesas" (que inicialmente pareciam não ter ligação à blogonovela) e com uma entrevista final, entitulada "A.F.I.X.E. - o início".

O fim, não foi bonito, devido a um post de segunda que escrevi, em que me insurgia com algumas situações menos agradáveis que aconteceram e que me pareceram ter um encadeamento, uma lógica de grupo da qual sempre discordei. Devido à proximidade (uma semana antes) de um desses casos, houve, infelizmente, uma associação a esse caso.

Poderia agora estar aqui a explicar o que aconteceu. Acho que não vale a pena. Por causa desse post, acabou a minha ligação ao afixe. Quem hoje o ler e conseguir ter um distanciamento do que se passou, talvez consiga, finalmente, percebê-lo. Houve quem já o fizesse.

De qualquer forma, enquanto estive no afixe, gostei. E isso é o mais importante para mim. O testemunho da minha passagem, embora os posts individuais tenham perdido a referência, ainda permanece aqui.

Entretanto o afixe acabou, mantendo apenas o registo do passado aqui. Das suas cinzas nasceu o de vagares..., com alguns novos colaboradores e, aparentemente, sem o Monty/Rogério (este aparentemente não é inocente, há por ali um João Cúcio que me deixa desconfiado - Rogério, se és tu, diz-me, eu prometo que não digo a ninguém). Os outros colegas de então andam pelo aspirina b, Charquinho, Pópulo, Troll Urbano e Vitrolica Webb's ite (desculpem se me esqueci de alguém). Boa sorte a todos.



janeiro 22, 2006

Metamorfose, n.º 11 de 20

O Canavial era para ser um projecto mais intimista, mas ao mesmo tempo uma alternativa solitária ao afixe. A minha ideia era passar a escrever no afixe, mas queria continuar a ter um blog só meu onde pudesse escrever temas mais leves que não se adequassem ao afixe.

Para todos os efeitos, o Jorge Morais escrevia apenas para o afixe, esse passou a ser o seu único blog. O Canavial era do Zé Canas, uma outra personalidade, com alguma vida própria (embora inspirada na minha).

Mas nunca fechei este blog, apenas o suspendi, queria que a memória dos textos que cá ficaram permanecessem. E várias vezes reapareci, para ver se o pessoal ainda passava por cá, e mudar a música do blog. E assim se manteve até ao dia 28 de Julho.

Entretanto, o Canavial acabou por ser vítima da minha maior dedicação ao afixe, com quem eu achava que estava em dívida, dado que tinha escrito pouco para lá. Por isso, o Canavial foi um projecto efémero, que terminou no dia 4 de Julho.



Metamorfose, n.º 10 de 20

Se no dia 22 de Maio acabei com o blog, por me ser impossível manter a qualidade, não pude deixar de abrir um novo no dia seguinte, mas sob pseudónimo.

Queria poder escrever sem as pessoas me associarem ao meu nome. Porque esperariam de mim um determinado nível de escrita que eu não era capaz de proporcionar. Não conseguiria escrever um poema, uma história e outras coisas mais durante a semana.

Queria acima de tudo um blog que me permitisse escrever de forma mais leve. Mas não queria deixar vestígios que pudessem levar a que me identificassem. Assim, tinha o cuidado de escrever blogue em vez de blog. E nos comentários tentava não escrever da mesma forma. Além disso, para evitar que vissem o meu IP, não comentava noutros locais (e fiz disso uma espécie de mania minha). Algumas vezes, distraí-me e tentei emendar logo. Não sei se alguém chegou a desconfiar quem eu era, pelo menos ninguém me disse nada.

Cometi, talvez, um grande erro. Coloquei um link para quase todos os blogs a que fazia referência no meu. E isso fez com que me descobrissem (o que eu até queria), mas depois sentia-me mal em estar a interagir anonimamente com as mesmas pessoas e não lhes dizer quem era. Por outro lado, não queria revelar quem era, para evitar que todos tivessem expectativas maiores.

E foi assim que, a 23 de Maio, me passei a chamar também Zé Canas, criei o Canavial.



Metamorfose, n.º 9 de 20

Entretanto, a 17ª semana acabou por trazer uma novidade para este blog: a música. Tudo começou com uma música chamada Passenger, do Iggy Pop.

Infelizmente, esta seria também a última semana que o blog funcionou nos moldes descritos. Por motivos pessoais, não conseguia aguentar o ritmo alucinante a que o blog vivia.

Por isso mesmo, no início da 18.ª semana, escrevi este post.



Metamorfose, nº 8 de 20

No dia 8 de Maio, no início da 16.ª semana, escrevi um texto intitulado Encanecer. No dia seguinte, na sequência de um comentário, resolvi desafiar os meus leitores a escreverem sobre o tema.

Eu já tinha por hábito convidar pessoas para escrever no meu blog, mas o tema sempre foi livre, e acontecia apenas uma vez por semana. Neste caso, o desafio era maior, escrever sobre um tema que nem sempre é fácil, e que se prende com a passagem dos anos por nós e dos sinais exteriores dessa passagem.

O resultado desta interacção pode ser visto aqui.



janeiro 19, 2006

Post à Jorge Morais

Eugénio de Andrade é um dos meus poetas favoritos. Nasceu faz hoje 83 anos. Morreu o ano passado. Para sempre ficou a sua poesia. Como este poema sobre Portugal.



janeiro 17, 2006

Vício blogosférico - post interactivo

Não se esqueçam de ir ali, dar as vossas sugestões...



janeiro 16, 2006

30.000 visitas

30kreis.jpg
Copiado daqui.

OBRIGADO POR CONTINUAREM A VIR AQUI TANTAS VEZES!



janeiro 15, 2006

Metamorfose, n.º 7 de 20

A 13.ª semana, por questões pessoais, interrompi, pela primeira vez a sequência de temas diários. Não deixei de postar todos os dias, um pequeno post, como prova de vida, talvez como um pedido: "Não se vão embora que eu volto para a semana". E assim foi, uma semana longe, mas sempre perto.

Aproveitei para fazer uma pequena alteração, passando o tema de domingo a ser sobre os acontecimentos da semana. Comecei também a fazer, pelo menos, mais um post por dia.

Assim, se passaram a 14.ª e 15.ª semanas, sem sobressaltos. Até que, na 16.ª, aconteceu um daqueles momentos que fazem a blogosfera valer a pena.



Metamorfose, nº 6 de 20

Entretanto, e ainda antes de chegar à 12.ª semana, ocorreram dois momentos no afixe que merecem ser referenciados.

O primeiro prendeu-se com um dia em que cheguei a casa, tinha 137 e-mails e um Post à Jorge Morais, da autoria do João Pedro da Costa, cheio de comentários que indiciavam uma guerra interna no afixe.

Antes de mais, dos 137 e-mails, uns 30 eram do pessoal do afixe. E o referido post acabou por ser feito na sequência de uns e-mails. O engraçado é que o post resultou de uma brincadeira do João Pedro da Costa, mas muitas pessoas não perceberam isso e, mais tarde, chegou a ser usado como exemplo de coisas más que ocorreram no afixe.

Em primeiro lugar, sendo terça-feira, eu tinha colocado uma referência a um post que tinha feito neste blog. Na sequência de um comentário de alguém que questionava o porquê de eu fazer isso, nos e-mails entre o pessoal do afixe (nota: não vou estar aqui a revelar e-mails pessoais) levantou-se a questão e o João Pedro, com o seu humor habitual, resolveu fazer o tal post e criar uma guerra fictícia. Devo dizer que, apesar de só depois ter visto, pelos e-mails, o porquê do post, vi logo que se tratava de uma brincadeira. Mas muitos leitores não terão percebido e até associaram isso a acontecimentos posteriores.

De qualquer forma, tal acontecimento levou-me a deixar de fazer essas referências a posts do meu blog, dado que poderia haver interpretações de que me estaria a auto-promover através do afixe, até porque, infelizmente, o contrário (referência de posts do afixe neste blog) não aconteceram com a mesma frequência. Nunca foi essa a minha intenção. Mas fui-me apercebendo que muitas pessoas acabam por ter essa interpretação, por viverem de forma obsessiva os blogs. Enfim, até me apetecia continuar, pois quem não deve não teme, mas eu não estava sozinho, havia uma equipa comigo no blog.

O segundo acontecimento em destaque foi o aniversário do afixe, no dia 12 de Abril. Este e o dia anterior foram de loucos. Cheguei a equacionar a minha saída do afixe nesse dia, até porque estava com alguns problemas pessoais. Mas achei que não devia sair, até porque não tinha ainda contribuído muito para o afixe. E achei que devia isso a quem me convidou.

Nesse dia contribui com um post de aniversário e, na sequência dos comentários, com um post sobre o funcionamento de compiladores, os posts mais elaborados que tinha feito até àquela altura no afixe.



janeiro 09, 2006

Metamorfose, n.º 5 de 20

Voltando à quinta semana, achei que havia dias que não estavam a correr tão bem. Por exemplo, a sexta-feira, com o tema livre. Se tinha fleixibilizado o blog, não faria sentido ter este dia livre. Por outro lado, a frase da semana, aos domingos, não me parecia muito imaginativa. E também não me apetecia falar de política, logo a seguir às eleições legislativas.

Assim, a partir da sexta semana, as sextas-feiras passaram a ter o blog convidado da semana, onde um autor de outro blog escrevia um post para o meu blog. Ficou assim enriquecido o meu blog com os excelentes textos que me ofereceram.

Não contente, na décima semana, mudei de uma assentada dois dias. Domingo passou a ser ocupado pelo acontecimento bloguístico da semana (confesso que os domingos nunca foram um dia em que me agradasse o tema escolhido) e às quartas-feiras o incomparável conceito invertido interactivo, ou seja um "1 em 6", em que eu dava seis hipóteses, e os leitores escolhiam uma, no prazo de 24 horas.

E assim ficaram as coisas até à décima segunda semana.



M. F. A.

Pois é, o M. F. A. (Movimento Feminino do Ante et post) tomou conta do ante et post.

Assim, não me restou outra alternativa que não fosse exilar-me no meu blog e preparar a contra-revolução...



janeiro 08, 2006

Metamorfose, n.º 4 de 20

A colaboração com o afixe começou um pouco por acaso. No dia 22 de Fevereiro, publiquei um estudo sobre as eleições, comparando os resultados com o que aconteceria se o PSD e o CDS/PP concorressem coligados. Como era um estudo que chegava a conclusões curiosas, enviei a informação da publicação do post a alguns blogs, entre eles o afixe, para o caso de quererem referir.

Para espanto meu, o afixe publicou o texto na íntegra, e gerou alguma discussão. Recebi um e-mail do Monty a informar-me da publicação do texto e da polémica que tinha causado. No e-mail, agradeci e referi, por acaso, que mais polémico era o outro texto que eu tinha publicado no mesmo dia.

Como resultado, o Monty publicou uma referência, com um excerto do texto e um link para o meu blog. Como tinha referido aquele texto sem qualquer intenção de haver uma referência para ele, ao contrário do anterior, gostei desta iniciativa, que resultou no primeiro grande pico de visitas no blog. Além disso, tive alguns comentários muito elogiosos de membros do afixe, como o Sharkinho e o João Pedro da Costa. Tendo em conta que eram, e continuam a ser, dois dos mais talentosos bloggers que andam pela blogosfera, foi um grande incentivo para a continuação do blog.

Lembro-me de, na altura ter mandado ainda um e-mail a agradecer e, na brincadeira, disse que não lhe falava de mais nenhum texto, pois ainda corria o risco de ele publicar e, com três textos publicados, eu teria direito ao título de "aphixador honoris causa".

Entretanto, decorreu no afixe uma iniciativa colectiva, intitulada Cadáver Esquisito - o regresso da Baronesa, onde participei activamente. No dia 3 de Março, a pedido do Monty, eu acabei a história. No dia seguinte recebia um convite para escrever no afixe.

Gostando do ambiente que se vivia, não queria deixar o meu blog pessoal. Aceitei, mas dizendo, desde logo, que manteria o meu blog e que, nos casos em que publicasse textos vindos do meu blog, o faria colocando apenas um excerto e um link para o original. Foi-me respondido que tinha liberdade total. E a expressão "liberdade total" levou-me a aceitar imediatamente. E assim começou a minha ligação ao afixe.

Mas durante este período, outras coisas se passaram no meu blog.



janeiro 06, 2006

Metamorfose, n.º 3 de 20

No dia 8 de Fevereiro, o blog mudou de nome, facto assinalado num post intitulado Um novo rumo.
Assim, o blog Ensino Superior em crise acabou, passando a escrever os textos sobre o ensino superior também neste blog, e passei a escrever outros posts para além dos que estavam previstos para cada dia da semana. Por isso, o "6 em 1" passou a chamar-se "6 em 1 & algo +", para reflectir esse algo mais que era acrescentado ao blog.

Foi uma altura em que o blog ficou com uma estrutura mista bastante flexível, mantendo parte da filosofia que lhe estava subjacente. Por esta altura tinha alguns dos leitores que me liam no Ensino Superior em crise, e alguns que iam aparecendo e lendo, muitas vezes chamados por comentários que eu fui fazendo noutros blogs que comecei a descobrir.

Até que, no dia 22 de Fevereiro, na quinta semana, comeceu a história da minha colaboração com o afixe.



janeiro 05, 2006

Há dias assim...

...em que uma pessoa vem escrever, mas as palavras não saem.
Nesses dias, é melhor não escrever nada.
Assim, só resta esperar pelo dia de amanhã, que por acaso até é dia de reis

Olha a estrelinha do Oriente
Traz-nos luz e salvação
Ora vivam os senhores desta casa
São de nobre geração.

three-kings.jpg
Imagem daqui.



janeiro 04, 2006

Metamorfose, n.º 2 de 20

Quando comecei este blog, tinha outro activo, o Ensino Superior em crise, dedicado ao ensino superior, dada a minha ocupação como docente e antigo dirigente do SNESup - Sindicato Nacional do Ensino Superior. Era um blog demasiado fechado, e no qual não conseguia escrever com regularidade. Além disso, havia outros blogs que estavam a fazer um bom trabalho, mais consistente, nomeadamente, o Professorices (entretanto desaparecido), do Prof. João V. Costa, o Que Universidade? e o UniverCidade, para além de outros que também abordavam este tema, e com os quais acabei por co-fundar o Meta-Blog do Ensino Superior.

Queria escrever noutros registos, em poesia e prosa, ficção e realidade. Mas tinha medo de acabar por não conseguir manter o ritmo, como acontecera com o blog anterior. Então pensei em criar um blog que me obrigasse a escrever todos os dias sobre um determinado assunto. Assim, surgiu o conceito "6 em 1": de Domingo a Sexta, escrevia sobre um assunto diferente, e ao Sábado colocava apenas uma fotografia. E foi assim que surgiu o blog, inicialmente baptizado apenas como "6 em 1", cujo primeiro alojamento foi aqui.

Inicialmente, os temas semanais eram os seguintes:
- domingo, a frase da semana;
- segunda, a anedota da semana;
- terça, a história da semana;
- quarta, o comentário político da semana;
- quinta, o poema da semana;
- sexta, o tema livre da semana;
- sábado, o dia do descanso.

Esta separação estava evidente na descrição do blog, de inspiração hereticamente bíblica:
"No primeiro dia escreveu a frase da semana.
No segundo dia escreveu a anedota da semana.
No terceiro dia escreveu a história da semana.
No quarto dia escreveu o comentário político da semana.
No quinto dia escreveu o poema da semana.
No sexto dia escreveu o que bem entendeu, fosse ou não sobre a semana.
Vendo que tudo isto era bom, descansou no sétimo dia..."

Escrevia apenas um post por dia, e sobre o tema específico. E o título indicava esta forma:
x.ª semana, y.º dia - tema semanal

Assim, o primeiro post teve o seguinte título:
1.ª semana, 1.º dia - a frase da semana.

E assim começou este blog, no dia 23 de Janeiro de 2005, com este molde que me obrigava a escrever todos os dias, sobre temas diferentes, exactamente um post por dia. E este modelo durou duas semanas e três dias.



janeiro 03, 2006

Metamorfose, n.º 1 de 20

Como estudei contabilidade durante a escola secundária, desde cedo aprendi que os balanços só se fazem após o ano acabar. Por exemplo, se no Sábado me tivesse saído o totoloto, o ano teria sido muito melhor do que eu teria escrito na Sexta-feira, pelo menos do ponto de vista monetário.

Em relação a este blog, o balanço acaba por ter um aspecto... como poderei chamar... assim, parecido com... é, parece mesmo com... bem, fica aqui a imagem, para vós tirardes as vossas conclusões.

balanco2005.gif

Eu não disse? Se bem que a da esquerda é mais... Adiante!

Como sabem, um texto deve ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Esta é a introdução, amanhã começo a desenvolver o assunto: a metamorfose que tem afectado este blog e que ameaça permanentemente a sua própria existência.



A melhor anedota de loiras de sempre

O Luís tem razão: esta é mesmo a melhor anedota de loiras de sempre.



janeiro 02, 2006

Quem quer mais previsões para 2006?

Hoje às 23:30, o contador de visitas sitemeter registava 541 visitas, o que corresponde a um dos dias de maior movimento neste blog (cuja média varia entre as 100 e as 200 visitas diárias).

O meu primeiro pensamento foi: finalmente, descobriram este blog?

O entusiasmo foi logo embora, quando verifiquei a origem das visitas: motores de busca, pesquisando "previsões para 2006" ou "previsões 2006". Aquilo que foi um post inocente de fim de ano, teve como consequência um súbito aumento de visitas.

Assim, aproveito para avisar aqueles que venham cá ter a partir dos rankings de visitas, que tal não se deve à (falta de) qualidade do blog, mas tão somente a duas palavras: previsões e 2006. Daqui a dias, tudo voltará à normalidade, espero...



janeiro 01, 2006

Para começar o ano...

... e para compensar a maldade de ter colocado a música que coloquei ontem (ainda a podem ouvir no post abaixo, é só clicar), venho hoje colocar esta, mais apropriada para a mudança registada ontem, que durou menos de um segundo.

E como já não vos via desde o ano passado, quero dizer a todos que gosto muito de vos ter por cá, especialmente aqueles que vêm por bem. Aos que não vêm, também gosto de vos ter por cá. Um bom resto de 2006 para todos.



dezembro 31, 2005

Contagem final

Falta pouco para o ano de 2006. Queria colocar aqui uma música alusiva à passagem de ano, á contagem final para o ano novo. O melhor que encontrei foi esta. Carreguem no botão se quiserem, mas não me culpem...

Independentemente de gostarem ou não (eu confesso que eu já não consigo ouvir esta música), o que interessa é que quero desejar a todos

UM BOM ANO NOVO DE 2006

Até para o ano...



dezembro 30, 2005

Previsões para 2006

bruxo.jpg
Foto daqui.

Se estas 5 previsões falharem, fecho o blog e parto esta bola de cristal comprada na feira da Vandoma!

1. O Porto não vai ser Campeão Europeu de Futebol em 2006.
2. Portugal não vai ser o país mais rico da Europa em 2006.
3. A África do Sul não vai aderir à União Europeia em 2006.
4. O badmington não vai destronar o futebol como o desporto preferido em Portugal em 2006.
5. A blogosfera não vai terminar em 2006.

P. S. A previsão de que o Cavaco Silva ia ganhar as eleições presidenciais, e que o Mário Soares e o Manuel Alegre nunca mais se iam falar, e que o Jerónimo de Sousa e o Francisco Louçã iam ficar á frente do Garcia Pereira, eram demasiado evidentes para figurarem como previsões; de certo modo, já são dados adquiridos...

P. P. S. Isto é o que dá escrever posts depois de beber duas caipirinhas feitas em casa. É que dizia na garrafa que eram duas medidas de cachaça, mas não especificavam quanto é cada medida.

P. P. P. S. Se fizerem caipirinha em casa, façam com aguardente Pitú, é a melhor para esse efeito.

P. P. P. P. S. Se quiserem demonstrar virilidade, coloquem 3 ou 4 gotas de Tabasco na palma da mão, lambam e, imediatamente, bebam um shot de aguardente Pitú. Fiz isto uma vez numa despedida de solteiro. Sobrevivi para contar a história.

P. P. P. P. P. S. Se beber aguardente Pitú, não escreva posts.



dezembro 29, 2005

Votos para 2006

O que eu quero desejo para o novo ano é que eu todos consigam atingir os meus seus objectivos, nomeadamente, ganhar o EuroMilhões saúde, um carro novo paz e ver o Benfica ser Campeão Europeu e Portugal ser Campeão Mundial harmonia.



dezembro 28, 2005

Obrigado, Pai Natal...

... por este magnífico presente...

calice_brian.jpg

... que vou poder juntar a este que já me tinham oferecido...

sentido_vida.jpg

... e se não for pedir muito, podias mandar-me, ainda este ano, adiantado, este?

http://www.fnac.pt/produto.aspx?catalogo=dvdVhs&categoria=dvdSeriesTv&produto=733961701746

Eu sei, os presentes são só no do dia 25 de Dezembro de cada ano, e dependem do nosso comportamento nos últimos 365 ou 366 dias, mas...

O quê? Os leitores do blog juntavam-se e ofereciam-me? Epá, não tinha pensado nisso. Achas que eles topam? Eu desconfio que eles nem acreditam em ti. Mas nada como atirar o barro à parede...



dezembro 23, 2005

Peça o seu presente virtual de Natal aqui

painatal.gif
Imagem daqui.

Pois é, o Pai Natal tomou conta do blog, e está a oferecer presentes virtuais. Vão à caixa de comentários e digam: "EU QUERO UM PRESENTE!". O presente será enviado logo que seja possível (as renas estão a planear uma greve por causa dos salários em atraso).

Aproveito para desejar a todos um Bom Natal.

Ho! Ho! Ho!



dezembro 20, 2005

Um sinal de Natal?

O rádio do meu carro já teve melhores dias. A maior parte do tempo está mudo, só o leitor de cassetes funciona bem.
Hoje, quando conduzia, o rádio estava ligado, mas mudo. Eram 17:55. De repente, começou a tocar a canção "A Fairytale of New York", dos Pogues com a Kirsty MacColl. Quando acabou a canção, o rádio emudeceu. Seria um sinal? Pelo sim, pelo não, aqui fica a melhor canção de Natal de sempre.

P.S. Para quem possa pensar que se tratou de mais uma das minhas histórias, como desculpa para colocar aqui a canção, quero deixar claro que o que acabei de contar é a mais pura realidade.

Continue a ler "Um sinal de Natal?" »



Questionário - questão 258

258 é...

a. O número deste post.
b. Os quilómetros por hora a que andei ontem na auto-estrada.
c. O meu colesterol.
d. O número de vezes que eu já pensei em deixar de escrever neste blog.
e. O número médio de vezes que o João Pinto cai durante um jogo de futebol.
f. O número efectivo de dias de trabalho que houve durante o ano (considerando segunda a sexta, excluindo feriados).
g. A terminação da Lotaria de Natal que eu vou ganhar.
h. O número de quilómetros que separam o Porto das Ilhas Berlengas.
i. O número de vezes que a Margarida Rebelo Pinto usou a expressão "tá a ver" nos seus livros.
j. O número de pessoas do PS que ainda acreditam na vitória do Mário Soares (incluindo o próprio e familiares directos).



dezembro 18, 2005

Declaração política - definição pela negativa

Já me perguntaram várias vezes qual o meu partido político, se sou mais de esquerda ou de direita. Eu já tentei explicar por A+B o que é que sou, que nem sou de esquerda nem de direita, ambas as filosofias subjacentes são necessárias e que é no equilíbrio das duas que está o caminho certo, mas talvez esteja na altura de responder pela negativa.

Não sou da direita que apenas vê os trabalhadores como um empecilho ao desenvolvimento do país.
Não sou da esquerda que apenas vê os empregadores como um empecilho ao desenvolvimento do país.

Não sou da direita que pensa que o investimento privado resolve todos os problemas do país.
Não sou da esquerda que pensa que o investimento público resolve todos os problemas do país.

Não sou da direita que considera que a esquerda é responsável pela crise do país.
Não sou da esquerda que considera que a direita é responsável pela crise do país.

Bem, podia estar aqui o resto do tempo com estes pares de frases, mas penso que já deu para perceber o meu ponto de vista, e por que razão nunca me filiei em nenhum partido.



dezembro 17, 2005

A melhor canção de Natal de sempre

Como fazer Copy-Paste num fim de semana dá muito trabalho, vão ver qual é aqui.



dezembro 16, 2005

Valerá a pena...?

... votar nas próximas eleições presidenciais?
... continuar a escrever neste blog?
... acreditar que o Benfica vai eliminar o Liverpool?
... continuar a escrever neste blog?
... acreditar no Pai Natal?
... continuar a escrever neste blog?

Bem, como dizia o Fernando Pessoa, tudo vale a pena, se a alma não é pequena.
Falta medir o tamanho da minha...



dezembro 15, 2005

A força das palavras

Um dia, estando eu nos meus 16 anos, resolvi escrever um conto para um concurso. Foi a primeira história digna desse nome. Passava-se num ambiente de guerra. Para a escrever vesti a pele de um soldado e embrenhei-me nos seus pensamentos. Escrevi, ainda com caneta e papel, o texto, do princípio ao fim, sem parar.

Quando acabei, senti uma sensação estranha. A história tinha entrado dentro de mim e marcou-me profundamente. Tinha feito crescer em mim um sentimento anti-belicista mais forte do que já tinha. Escrevi um poema feroz contra a guerra. E resolvi concorrer com ele ao mesmo concurso, que também contemplava esta vertente.

Não vou falar do resultado do concurso, mas da estranha sensação da força que as palavras ganharam quando passaram para o papel. Nunca consegui escrever uma história sem a viver. E quando a acabo, as palavras escritas passam a fazer parte de mim, perseguem-me para sempre, como fantasmas.

Sempre me assustou esta excessiva dependência, estes fantasmas. Talvez por isso tenha deixado de escrever histórias durante mais de dez anos, até ganhar maturidade para conseguir conviver com eles.



dezembro 14, 2005

História n.º 20

Falhado

Fazes-me rir, não és capaz de organizar as tuas ideias, de ordenar as palavras de uma frase, de seguir um manual de vida e fazer com que ela decorra de forma consequente. Hoje estás aqui, mostrando as notas grandes que ganhaste, sabe Deus como, amanhã vens pedir-me ajuda para pagar as contas do mês.

Finges ser um idealista, incorruptível, um exemplo para o mundo inteiro e para as gerações vindouras. Mas na primeira oportunidade colas-te aos facínoras que detêm o poder. Como podes ver, não passas de uma grande fraude.

Se o teu pai fosse vivo, morreria novamente de vergonha, pelo filho que ajudou a trazer ao mundo. Concluiria que o seu esforço em te ensinar as coisas da vida foi totalmente em vão. Mereceria ele tal sorte por tudo quanto fez para fazer de ti um homem?

E a tua mãe? Gastaste quase tudo o que ela tinha nos teus vícios pérfidos. Não fossem os teus irmãos e estaria ela agora completamente na miséria ou, quem sabe, já fora do mundo dos vivos.

E que dizer dos teus irmãos, que já nem te dirigem a palavra? Usaste e abusaste de toda a confiança que em ti depositaram, da cobertura que deram às tuas parvoíces e do dinheiro que puseram nas tuas mãos para te safarem dos sarilhos em que te ias metendo. Agora acabou, desprezam-te, não passas de um verme para eles.

Aos poucos foste perdendo os amigos. Um a um, foram fugindo da tua péssima influência. Os mais leais aguentaram o que puderam, até que tu te mostraste indigno dessa lealdade, envolvendo-os nos teus caminhos obscuros.

Tens-te safado como podes, mas o teu fim está próximo. Já percorreste todos os caminhos que levam à perdição, mas foste conseguindo encontrar uma saída. Agora já não há mais saídas, todas as portas se fecharam. O caminho está traçado. Avanças e já sabes o que o destino te reserva.

Mas tu não ouves os meus avisos, pois não? Vais percorrer esse caminho, mesmo sabendo que te levará a um beco sem saída e nada do que eu te possa dizer vai fazer-te mudar de ideias.

Um falhado! É o que tu és, um grande falhado! E tu sabes isso. Fazes de conta que não, mas no fundo, bem lá no fundo, sabes que essa é verdade nua e crua. E que é que fazes para mudar isso? Nada!

E por que razão não sais desse lado do espelho e me enfrentas como um verdadeiro homem? Nem para isso tens coragem? Sê homem, pelo menos uma vez na vida...



25.000 visitas

25000.jpg
Retirado daqui.



dezembro 13, 2005

Onde é que estes se meteram?



Da observação à inspiração

Ainda ontem, em resposta a um comentário, notei que a inspiração, para mim, vem muitas vezes da observação, de ver mais do que aquilo que uma observação superficial deixa ver.

Dei como exemplo, a observação de uma pessoa a tomar um café e a olhar fixamente para a janela. Podemos pensar que é simplesmente isso mesmo. Ou podes começar a pensar por que motivo ela olha tanto para a janela. Estará à espera de alguém, a pensar em alguém, a ver a chuva a cair ou a olhar para o relógio da torre da igreja? De repente, temos 4 hipóteses diferentes que podem gerar outros tantos textos.

Hipótese 1

Um homem toma um café, olhando fixamente para a janela. Todos os dias é a mesma angústia. Será que, pela primeira vez, ela não vai aparecer? Teme o dia em que isso aconteça. Não é fácil encontrar o amor. Não é fácil estar descansado quando não se tem controlo sobre as emoções.

Hipótese 2

Um homem toma um café, olhando fixamente para a janela. Lembra-se da janela do seu escritório onde, há algum tempo, ela passava, deixando para trás um rasto de olhares sonhadores. Era o seu anjo da manhã, o seu tónico de boa disposição diária. Até que a empresa mudou de lugar. Nunca mais o ambiente foi o mesmo.

Hipótese 3

Um homem toma um café, olhando fixamente para a janela. Vê as gotas baterem no vidro, como lágrimas outonais, chorando o Verão perdido. O frio vai chegando e com ele vai perder a visão reconfortante das formas voluptuosas de Eva, a empregada que o costuma atender. Verão, volta depressa, estás perdoado.

Hipótese 4

Um homem toma um café, olhando fixamente para a janela. Ao longe, vê o relógio da torre da igreja, majestoso. Lembrava-se quando, em criança, vagueava pelas ruas, roupa remendade e sapatos rotos, e não tinha relógio. O som da "Avé Maria" que vinha da igreja marcava o seu ritmo diário. Até na ecola era o toque de entrada e de saída. Hoje, apesar do Rolex que ostenta no braço esquerdo, prefere procurar na torre da igreja as horas, sempre que pode. Há hábitos que nunca mudam.



dezembro 12, 2005

Conversa de café sobre presidenciais

- Eu até achava engraçado se o Braga fosse campeão.
- Nem penses, o candidato oficial dessa cor é o Benfica.
- Nem pensem, a vitória do Porto já está garantida.
- Então e o Nacional e o Setúbal?
- Esses dois não chegam lá.
- E o Sporting?
- Quem?



Tempestade mental

Por vezes gostava de limpar a cabeça do turbilhão de textos que me assolam a mente. Este blog foi criado para me livrar deles, e obrigá-los a sair, e ao mesmo tempo não deixar que se percam no vento.

Muitos textos vão sendo criados erraticamente, quando vou escrevendo uma coisa ou outra e de repente, a meio, já mudei de ideias, e escrevo sobre outra coisa. Aquele pedaço de texto anterior é liminarmente apagado ou modificado, dependendo do estado de humor em que me encontro no momento ou da incapacidade de remendar um texto que nasceu demasiado torto.

Noutros casos, é um processo de construção. Sei o início, o desenvolvimento e o fim que quero dar ao texto. Os pormenores vão sendo acrescentados para lhe dar corpo. No fim, se gosto, fica assim mesmo, nem uma linha mudo. Se não gosto, sou capaz de o apagar e escrever de novo, ou desistir definitivamente dele.

Em todos os casos, demoro pouco tempo a escrever os textos. Normalmente entre uns 15 a 30 minutos. Perco mais tempo a ler as reacções do que a escrever os textos, estes resultam de uma tempestade mental profunda da qual me quero libertar urgentemente.

Quando o texto demora mais de 30 minutos a ser escrito, já não sai como eu quero, já não me lembro do que pretendia no início, memória curta a minha. Sai um texto labiríntico, sem nexo, auto-contraditório, despojado de sentido. Ou seja, demasiado parecido comigo...



Maldita falta de inspiração

Não há nada a fazer, estou mesmo com falta de inspiração.

Por isso, decidi ser radical e não escrever mais nada até a inspiração voltar.

O que deve acontecer ainda hoje de manhã, alguns minutos depois da farmácia abrir.



dezembro 08, 2005

Estado do blog e do autor do mesmo

pc_const.jpg
Foto daqui.



dezembro 07, 2005

Bailado e Benfica

Acabei por saber do grande resultado do Benfica apenas por SMS, porque havia uma menina de 4 anos que estava a dançar o seu primeiro bailado, Copélia.
Como sempre, era a mais pequenina e a mais bonita, porque olhos de pai não se deixam enganar.
E por muito que gostasse da vitória do Benfica, não foi, decididamente, o mais importante da noite.



Post ateu ou Maldito CAPS LOCK ou Leiam o post anterior para perceberem o título e o conteúdo deste ou ainda Tenho de parar de dar títulos tão grandes aos meus posts

Só para dizer que não estive com Deus, mas com dEUS, ao vivo, ontem à noite, na Casa da Música.

Instant Street
dEUS

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Post católico ou Estou de volta ou ainda Maldito serviço Netcabo...

Antes que pensem que desapareci, é só para avisar que voltei a ter acesso à Internet em casa, o que já não acontecia desde as 16 horas de segunda-feira passada. Depois de 7 telefonemas, algumas conversas surreais e uma equipa técnica que não apareceu, tudo voltou ao normal.

Por que é que este post é católico? Bem, para além da paciência de santo necessária nestes casos, ontem à noite estive a ouvir Deus, ao vivo.



dezembro 01, 2005

Música para um fim de semana prolongado

Wake from your sleep
And dry all your tears
Today we escape
We escape

Pack and get dressed
Before your father hears us
Before all Hell breaks loose

Breathe, keep breathing
Don't loose your nerve
Breathe, keep breathing
I can't do this alone

Sing us a song
A song to keep us warm
There's such a chill
Such a chill

You can laugh
A spineless laugh
We hope your rules and wisdom choke you
Now we are one
In everlasting peace
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke



novembro 30, 2005

Post interactivo - as melhores e as piores anedotas curtas que já ouviram

Ontem ouvi duas anedotas curtas, uma espectacular, outra horrível... Pois, aqui vão:

Anedota n.º 1

Filho no banho, olha para os testículos e pergunta à mãe:
- Mãe, isto é que é o meu cérebro?
Mãe:
- Ainda não.

Anedota n.º 2

Sabem por que é que o Batman colocou o Batmóbil no seguro?
Tem medo que o Robin...

Assim, desafio todos os leitores a enviarem as melhores e piores anedotas curtas que já ouviram.



novembro 29, 2005

Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida!

Na verdade, não me parece que vá ser muito melhor do que os anteriores.
Mas há frases feitas que vale a pena dizer, de vez em quando...

Adenda:
nada melhor do que a música do Sérgio Godinho para decorar este post.

O primeiro dia
Sérgio Godinho

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novembro 27, 2005

Recuperando do choque tecnológico ou @£§#$%& PORTÁTIL!!!

choque.jpg
Imagem daqui.

@£§#$%& PORTÁTIL!!!

Ora bem, vamos lá começar.

Querido Pai Natal,

este ano tenho-me portado muito bem. Não tenho chateado muito os meus pais, até porque eles estão em Chaves e eu em S. Mamede de Infesta. Além disso, já provei que acredito em ti, Pai Natal, dado que votei no Sócrates para as eleições legislativas.

Em suma, penso que estou nas condições exigíveis para ser um dos destinatários de uma prenda neste Natal. Penso que o facto de ter 33 anos não me exclui, dado que todos dizem que a idade está na nossa mente, e aí eu tenho por volta de 6 anos.

Este ano não vou ser muito exigente. Quero apenas uma prenda. Um portátil. Pode ser de qualquer marca, mas de preferência que tenha a palavra Toshiba escrita algures, em letras maiúsculas. Não precisa ser o mais caro, contento-me com o segundo. E se puder trazer já uns programinhas crackados, melhor ainda.

Espero ansiosamente pelo teu presente, que pode inclusive ser entregue antes do dia,
Jorge Morais



novembro 25, 2005

José Quintas' Moving Blogname

jq.jpg

JQ (a.k.a. JQuê?), são as iniciais de José Quintas (embora haja quem diga que pode ser de Jesus Queristo). É um uzbeque de 92, segundo se pode ver no seu perfil.

A verdade é que ele tem, desde há algum tempo, um grande fetiche: mudar o nome do blog. Depois de se ter chamado "Sexo, Crime e Barbaridadezzz", "GUGU DADA" e "Montes de Absolutamente", passou a chamar-se, hoje que passam 30 anos do 25 de Novembro de 1975, (dia de velório:). Desta vez foi mais longe, mudou não só o nome do blog, mas também o aspecto, e tem um único post sobre o FMI (este era um excelente nome para um blog).

Para verem este fantástico requiem do PREC é só carregar na flor aqui em baixo e ser transportados para 30 anos atrás.
flower.gif

P.S. Como "quintas" é (ou era, eu já não ando nisto há uns tempos) o dia em que as mulheres bebiam de graça nas discotecas, sugiro que o próximo nome do blog seja "Lady's night".



novembro 24, 2005

Como daqui a pouco é dia 25 de Novembro: "Alentejo, unido, jamais será vencido!"

Como prometido a uma leitora assídua deste blog, aqui fica uma música rap. Mas não é uma qualquer, é um rap alentejano. E quem mais é que poderia inventar uma coisa destas? Claro, só podiam ser os Enapá 2000. Pouco há a dizer, ouçam e descansem... descansem muito...

Rap Alentejano
Enapá2000

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novembro 23, 2005

Já que estamos a falar de discotecas...

...aproveito para dizer que não sou grande apreciador do género. Não que nos late 80s não tivesse dançado ao som dos Snap, Technotronic, e afins. Mas nunca fui de me sentar a ouvir essas músicas fora do ambiente próprio.

No entanto, considero que há músicas que, pelo seu carácter de excepação, pertencem a um grupo restrito de músicas dançáveis e audíveis em simultâneo. E hoje aproveito para matar dois coelhos de uma só cajadada: colocar aqui uma música recente (apesar de já ser do ano passado) e de abanar o capacete.

caopacete.jpg
Foto daqui.

Assim, aqui fica a fantástica música "Hey Ya", dos Outkast.

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novembro 22, 2005

Imaginação infantil

Colocar a tocar a música "Avé Maria".
Desligar a luz.
Ligar a lanterna.
Fazer movimentos circulares com a lanterna fazendo a luz passar por todas as paredes, tecto e chão.

E assim se cria uma discoteca caseira, no quarto de uma criança de 4 anos.
E eu que só fui a uma discoteca, pela primeira vez, aos 16 anos...

discoteca.gif



Eu... estou aqui... - parte II: separados à nascença?

rabdark2.jpg



Eu... estou aqui...

rabdark.jpg
Foto daqui.



novembro 19, 2005

Palavras e sons reconfortantes

Nunca me canso desta música. Comforting sounds, dos Mew, é uma daquelas músicas que já faz parte da história deste blog. Receberam o prémio MTV da melhor banda finlandesa de 2005, em Lisboa. E pegando nos sons reconfortantes desta canção, juntando às palavras reconfortantes do post anterior, aqui estão de volta como música oficial do blog. E que bem que combina com o seu actual momento. Até daqui a algum tempo.


I don't feel alright in spite of these comforting sounds you make.
I don't feel alright because you make promises that you break.
Into your house, why don't we share our solitude?
Nothing is pure anymore but solitude.
It's hard to make sense, feels as if I'm sensing you through a lens.
If someone else comes, I'd just sit here listening to the drums.

[a partir daqui é a continuação da versão longa]
Previously I never called it solitude.
And probably you know all the dirty shows I've put on.
Blunted and exhausted like anyone.
Honestly I tried to avoid it.
Honestly.
Back when we were kids, we would always know when to stiop.
And now all the good kids are messing up.
Nobody has gained or accomplished anything.

Comforting Sounds
Mew



novembro 18, 2005

E chega aquele dia...

... em que nos perguntamos se vale a pena continuar a escrever no blog ou se deveremos fechá-lo de vez.



novembro 15, 2005

Grupo-Mote para o estado actual da política: Faith No More

Eu sei que a música do Pedro Barroso era mais consensual, mas estava com saudades desta música dos anos 90. Se preferirem Pedro Barroso, é só desligar esta música e ligar a de baixo.

Para quem não conhece, foi uma banda que teve o seu auge no início dos anos 90, e que acabou em 1998. Para a história ficam canções espectaculares, das quais destaco este "A Small Victory", bem como "From Out Of Nowhere", "Epic", "Midlife Crisis", e ainda covers de temas como "Easy", do Lionel Ritchie, e "I Started a Joke", dos Bee Gees. Para saberem mais, vão a http://www.fnm.com/, onde poderão, inclusive, encontrar a sua biografia em português.


A small victory
Faith No More

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novembro 14, 2005

Escritor famoso rima com Pedro Barroso

Pois é, à última da hora resolvi participar no concurso Escritor famoso, com um poema com o título Entrelaçados.
E hoje, ao relê-lo, ao mesmo tempo que ouço esta música do Pedro Barroso, verifiquei que o poema e a música juntos ficam muito bem, parecem rimar. Deixo-vos este duplo exercício, a excelente música do Pedro Barroso e o meu poema.



novembro 13, 2005

Canção-mote para um blog: se houver alguém que não goste, não gaste, deixe ficar...


Menina dos Olhos de Água
Pedro Barroso

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novembro 12, 2005

Diga 33...

number_33.jpg
Foto daqui.

A vida é a única corrida em que não nos importamos de ficar no último lugar.

Principalmente quando lemos isto.



novembro 11, 2005

Como sobreviver a um crash do portátil e continuar de bem com a vida - parte III

Depois de algum pudor derivado do seu excessivo conservadorismo, o meu PC decidiu-se, finalmente, a despir-se de preconceitos e mostrar-se sem roupa. Para começar, decidiu mostrar-se de lado.

pclado.jpg

Sexy, não? Depois ganhou um pouco mais de coragem, e mostrou-se de frente, já sem drive de disquetes.

pcfrente.jpg

O ambiente está a aquecer, não? Finalmente, num último assomo de arrojo, deixou-se fotografar de costas.

pctraseira.jpg

É o delírio total! Bem, quase, é que A PORCARIA DA PLACA COM 4 PORTAS USB 2.0 QUE DECIDI INSTALAR PARA SUBSTITUIR AS 2 MAIS LENTAS USB 1.1 NÃO FUNCIONA!!!

Actaulizar computadores é frustrante, nada funciona à primeira. Mas se não os actualizamos eles ficam facilmente ultrapassados. Felizmente, na minha vida informática, há uma honrosa excepção. Esta:

dj500.jpg

Com 14 anos, esta HP DeskJet 500 funciona às mil maravilhas. É certo que é uma impressora a preto e branco, a jacto de tinta, mas serve para o que eu preciso e nunca teve problemas.



novembro 10, 2005

Para o pessoal mais distraído

Era só para avisar os mais distraídos que tenho escrito alguns textos por ali:
ante et post

Tem uma vantagem em relação a este blog: estou muito bem acompanhado!



novembro 09, 2005

Como sobreviver a um crash do portátil e continuar de bem com a vida - parte II

O facto de ficar sem portátil acabou por não ser tão grave graças a uma providência do destino. É que na semana anterior, tinha começado a arranjar o meu computador antigo, para poder guardar alguma informação (como ficheiros MP3) que estavam a esgotar o espaço em disco no portátil e instalar alguns programas que não necessitavam estar a ocupar espaço. O computador antigo era um Pentium III a 450 MHz, com 128 MB de memória RAM e dois discos, um de 12,9 GB e outro de 4,3 GB. Este último saiu. Ei-lo aqui, maior que o disco do portátil.
discoquantum.jpg
Aproveitei também para tirar o drive de disquetes (já não se usa) e o CD-ROM, que já não funcionava. Ei-los aqui, para peças de museu.
drivesout.jpg
Tinha um disco de 160 GB numa caixa externa, que adicionei ao de 12,9 GB, ocupei os dois slots de memória disponíveis com 128 MB cada, perfazendo um total de 384 MB. Comprei um novo CD-ROM e instalei o Windows XP. Falta apenas instalar o Linux no disco mais pequeno (para brincar um pouco) e instalar portas USB 2.0 (só tem 2 portas USB 1.1, bem mais lentas). E como sempre acontece nestas coisas, sobraram peças:
sobras.jpg
Bem, nada mau para um computador de 1999 (se não estou em erro). Ainda deve durar mais dois ou três anos. A menos que o Pai Natal me traga um novinho em folha. Como me tenho portado bem, estou com muita esperança...



novembro 08, 2005

Lágrimas

O comboio estava prestes a chegar ao seu destino.
Naquele momento olhei pela janela.
Ela chorava,
Enquanto o comboio atravessava a ponte sobre o Rio Douro.
Pus-me a pensar por que choraria...
Seria de felicidade por chegar ao seu destino?
Ou seria de saudade do Rio Tejo,
Que deixara algumas horas antes?
Se o mundo não apareceu sem intervenção divina,
Então Deus,
Ou qualquer outra entidade suprema que tenha criado o mundo,
Devia ter um sentido de humor apurado.
Deu-nos as lágrimas
Para exprimirmos dois sentimentos tão antagónicos:
a saudade que fica quando partimos;
a felicidade que volta quando regressamos.
Eu estava feliz por regressar a casa.
Não chorei,
Tinha estado apenas algumas horas longe.
Mas o céu fez isso por mim.



novembro 07, 2005

Como sobreviver a um crash do portátil e continuar de bem com a vida - parte I

Pois é o meu portátil decidiu pregar-me uma partida e adquirir vontade própria. Perante isto não me restou outra alternativa a não ser meter mãos à obra. O mais importante de tudo é guardar a informação em sítio seguro. Para tal, será preciso remover o disco.

Primeiro de tudo, é preciso uma mala de ferramentas razoável. Em particular, aquela caixinha com 6 chaves de fendas pequenas, ali no lado direito, dá muito jeito.

ferramentas.jpg

Viramos o portátil de pernas para o ar (eu sei que o portátil, tal como o coração, não tem pernas, mas é uma força de expressão). Removemos os parafusos do local onde está guardado o disco.

port_aberto.jpg

Assim, retirando a tampa (A), vem lá aparafusado o disco (B), e que estavam naquele lugar (C).

disco.jpg

E o que nos interessa é apenas o disco, que cabe na palma da mão, que teremos de ligar, por exemplo, a uma caixa externa para discos 2.5'' com ligação USB, de modo a podermos transferir a informação para outro disco. Se tiverem um PC já um pouco antigo como o meu (Pentium III a 450 MHz, com 384 MB de memória), é coisa para durar umas 6 horas.

Finalizada a tarefa, temos de voltar a colocar tudo no sítio, e tentar descobrir onde é o problema. Eu desconfio que é da bateria, mas ainda estou à espera que venha alguém dizer-me que é do carburador...



novembro 05, 2005

Hoje acordei assim...

portestr.jpg
Foto daqui.

É só para avisar que estou sem portátil e a tentar verificar qual é o problema, por isso hoje estou um bocado limitado...



novembro 04, 2005

Gripe das aves

(mais um recebido por e-mail)

Segundo as normas europeias, se um político for infectado com a gripe das aves, terá de se abater o bando todo?



novembro 03, 2005

Hoje é só siglas

SCORM - Sharable Content Object Reference Model
LO - Learning Object
LMS - Learning Management System
CMS - Content Management System
LCMS - Learning Content Management System
PIF - Package Interchange File

(ainda bem que é só hoje e amanhã)



novembro 02, 2005

*** 20.000 visitas ***

Então?
Do que estão à espera?
Alimentem o meu ego na caixa de comentários!!!
Mas não exagerem, ou fico demasiado convencido...



Há exactamente 2 anos - Ensino Superior em crise

Domingo, Novembro 02, 2003
Um novo blog nasceu.

O objectivo deste blog é existir o menos tempo possível. Tal será sinal que a crise no ensino superior terminou de vez, e a razão de ser deste blog extinguiu-se. Enfim, a utopia é sempre possível e, em alguns casos, necessária à nossa sanidade mental.
Como hoje é o primeiro dia, e é domingo, pouco tenho a dizer. Até daqui a alguns dias...

Jorge Morais
(blog admin.)
Colocado por JorgeMorais às 17:14

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Uma causa chamada Proximizade

No mundo em brutal aceleração em que vivemos hoje, escasseia o tempo para pararmos um pouco para reflectir em situações que nos rodeiam, de forma mais ou menos próxima / mais ou menos afastada, relacionadas com pessoas carenciadas, sem voz que permita dar expressão às suas necessidades mais básicas.

Por este motivo, procurando lutar contra o "cultivo da insensibilidade" que de alguma forma se vai instalando, um conjunto de "bloggers" decidiu reunir-se num projecto comum ("Proximizade"), visando potenciar as virtudes da blogosfera, no sentido de "aproximar uma mão amiga" (que será a de todos os que decidam de alguma forma apoiar / colaborar com este projecto) dessas pessoas carenciadas.

Como primeiro gesto prático e concreto, o "Proximizade" começou por "apadrinhar" uma criança carenciada em Moçambique, a Berta, de 3 anos.

A colaboração de todos os bloggers será decisiva na divulgação do blogue criado para o efeito, no qual serão sucessivamente apresentadas organizações ou instituições de apoio a causas solidárias: Proximizade - http://proximizade.weblog.com.pt/.

Proximizade

Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.

Aqui, já está a acontecer.



Actualizando: como disse há 10 minutos... Ou muito me engano, ou HOJE...

...vai ser um dia triplamente especial.
Porquê? Ainda hoje, eu digo... três vezes...



novembro 01, 2005

Ou muito me engano, ou amanhã...

...vai ser um dia triplamente especial.
Porquê? Amanhã eu digo... três vezes...



outubro 31, 2005

O meu contributo para o Dia das Bruxas

Sirvam-se à vontade...

vassouras.gif
Imagem retirada daqui.



outubro 30, 2005

O rapaz que vivia sozinho e gostava muito de pintar, e que um dia descobriu que a sua pintura, de tão real que era, tinha ganho vida e, aproveitando tal facto, pintou a mulher dos seus sonhos, por quem se enamorou, e com quem viveu muito feliz para sempre


P.S. O objectivo deste conto é bater simultaneamente os recordes do conto com o título mais longo, com 49 palavras e 207 caracteres (255 se incluirmos os espaços), e o conto com o conteúdo mais curto (exactamente 0 caracteres).



outubro 29, 2005

Gota a gota

Cada gota que cai na tua cara molhada
Faz a pele suave do teu rosto resplandecer
Enquanto os nossos corpos se molham de prazer



outubro 28, 2005

Aprenda a responder como um político - V

Numa empresa:
- Pode indicar-me o caminho até ao quarto de banho?
- Ora, eis uma questão pertinente. E para a qual não existe uma única resposta. Se estiver na entrada deste edifício, terá que virar no primeiro corredor à direita, ir sempre em frente, subir as escadas, virar à esquerda e logo a seguir à direita. E o quarto de banho será na segunda porta à direita. Se, por outro lado, estiver no gabinete do director, terá apenas que, ao sair, virar à direita e é logo a primeira porta. Do local onde presentemente ambos nos encontramos, é aquela segunda porta à esquerda.



Aprenda a responder como um político - IV

Marido para a mulher sobre o filho:
- Este miúdo está mesmo mal educado, tu não sabes dar-lhe educação?
- Eu conseguiria, não fosse a pesada herança que recebeu de ti...



outubro 27, 2005

Aprenda a responder como um político - III

Mulher para marido:
- Achas que esta roupa parece mesmo feita para mim?
- Querida, eu não conseguiria imaginar outra pessoa a vestir essa roupa.



Aprenda a responder como um político - II

Num estabelecimento do estado:
- O chefe acha que devemos comprar um computador marca branca, mais barato, ou um de marca conhecida, mais fiável?
- Acho que sim.



Aprenda a responder como um político - I

Num restaurante:
- A musse é caseira ou é instantânea?
- É muito boa!



outubro 26, 2005

Éramos 10

Éramos dez...
Amigos? talvez...
Mas um zangou-se
E afastou-se...

Éramos nove...
Peace and love...
Um foi para a guerra,
Despediu-se da terra...

Éramos oito...
Qual o mais afoito?
Um foi para longe,
Viver como monge...

Éramos sete...
Mascávamos chiclete...
Um casou
e nunca mais voltou...

Éramos seis...
Parecíamos reis...
Um quis ser imperador,
acabou desertor...

Éramos cinco...
Trajados com afinco...
Um virou modelo
Nunca mais pudemos vê-lo...

Éramos quatro,
(mas que é que rima com quatro?)
Um nas droga se meteu
E assim pereceu...

Éramos três,
Falávamos inglês,
Um atravessou o mar
E por lá quis ficar...

Éramos dois,
Companheiros, pois...
Mas a vida é assim
Tudo tem um fim...

Sobrei eu...



Conto de fadas moderno

Era uma vez um rapaz que pediu a uma rapariga:
- Casas comigo?

A rapariga respondeu:
- NÃO!

E o rapaz foi à pesca, à caça, ao futebol, saiu com mais amigas e bebeu cerveja sempre que lhe apeteceu, e viveu feliz para sempre.

Fim

(recebido por e-mail)

Adenda:
Graças a um comentário do Eufigénio, encontrei um outro blog que contou o mesmo conto (com pequenas variações) e ainda teve duas versões alternativas. A não perder, aqui.



Cruzamento de dados

A mim sempre me fez alguma confusão a ideia de um Big Brother omnipresente, a seguir todos os nossos passos. Mas muitas vezes somos nós que, inconscientemente, fazemos com que informação privada nossa chegue a terceiros, e que estes consigam padronizar os nossos comportamentos.

Por exemplo, quando passamos a usar um cartão de cliente de um hipermercado ou de uma bomba de gasolina, todas as vezes que fizermos compras, teremos essa informação registada numa base de dados e passamos a pertencer a um grupo de clientes com determinado padrão comportamental, tendo direito a campanhas de publicidade específicas.

Até aqui tudo bem, somos nós que, voluntariamente, damos essa informação. Agora imaginem que o estado passa a fazer isso e consegue saber tudo sobre nós em tempo real. Aqui não temos escolha. Temos um bilhete de identidade ou um passaporte que nos identifica, para além de uma morada, um número de identificação fiscal, etc... E depois, o estado cruza os dados todos e fica a saber quase tudo sobre nós.

É arrepiante, não é? Pior do que isto, só mesmo se o estado disponibilizasse estes dados às empresas. Já pensaram nisto? Bem, alguém já pensou, dado que recebi esta mensagem via e-mail. É um pouquinho comprida, mas vale a pena.

Continue a ler "Cruzamento de dados" »



outubro 25, 2005

Oxalá...

Se olharem para os blogs que estão ali do lado direito, verão um muito especial chamado Assumidamente. Digo especial porque, pesem todos os preconceitos existentes, é, como as próprias autoras dizem, "Um blog assumidamente lésbico, assumidamente apaixonado, assumidamente cultural, assumidamente nosso... assumidamente na penumbra!". É um blog que aconselho todos a ler, não pela diferença, mas por ser um blog muito bem escrito.

Numa dessas minhas visitas, descobri um post que apontava para outro blog, chamado Oxalá..., e para um post intitulado a A maior aventura das nossas vidas, que muito me comoveu. Aconselho todos a ler, é uma história real de coragem e perseverança. E da minha parte, deixo expresso o meu desejo: "Oxalá da próxima tudo corra bem!" e deixo esta música que já por aqui passou anteriormente.


Mujer contra mujer
Mecano

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De volta ao normal

Bem, este blog esteve um pouco parado por causa disto:
ante et post

(podem aproveitar para ver dois posts que por lá deixei)

e depois por causa de um spam infeliz que atacou este e outros blogs.

Mas agora chegou a hora de voltar a postar a sério aqui, por isso, ainda hoje, vai haver novidades.

Até já...



outubro 24, 2005

Post tentado mas não conseguido

Comecei a escrever este texto várias vezes e apaguei-o outras tantas.
O que se passou neste blog hoje deixou-me bastante chateado, até porque eu tenho a minha caixa de comentários sem restrições e isso permitiu que um comentário completamente despropositado estivesse aqui durante 3 horas.
Por isso, e embora estivesse para escrever sobre um assunto que hoje me tocou bastante, vou deixar para amanhã. Decididamente, hoje não consigo.



outubro 23, 2005

Chegou a hora!!!

É só carregar na imagem...
ante et post



Falta 1 hora!



Discos pedidos - o fim

E assim, termina hoje o conjunto de 6 sessões de discos pedidos, terminando em grande, com The Ship Song, de Nick Cave & The Bad Seeds.

Obrigado a todos os que participaram, aqui fica então a última música. Depois, as músicas vão começar a aparecer ali ao lado, com muitas surpresas.


The Ship Song
Nick Cave & The Bad Seeds

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outubro 22, 2005

Faltam 24 horas



Discos pedidos - 5,º dia

Tal como prometido, aqui está a música Mna Na h'Eireann, interpretada por Kate Bush, em gaélico. Esta é a quinta música, e começa a partir de agora a escolha daquela que será a última música a ser "re-tocada" neste blog.

A lista, sem as 5 que já voltaram a passar, é a seguinte:
Love will tear us appart – Joy Division
Ziggy Stardust – David Bowie
Desejo – Ecos da cave
Brown Eyed Girl – Van Morrison
Menino d’oiro – Zeca Afonso
Comforting Sounds – Mew
Bad – U2
The Ship Song – Nick Cave and the Bad Seeds
Martha’s Harbour – All About Eve
Mujer contra mujer – Mecano
Maria Albertina – Humanos
Rugas – Humanos
Sempre Ausente – António Variações

Entre as 15 horas de hoje e as 14:30 de amanhã, podem votar.


Mna Na h'Eireann
Kate Bush

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Meio-dia

Dois ponteiros
Dois olhares
Um único céu



Meia-noite

Dois ponteiros
Dois corpos
Um único momento



outubro 21, 2005

Faltam 2 dias!



Discos pedidos - 4.º dia

Como amanhã não vou poder colocar a música, decidi que hoje e amanhã vão ser colocadas as músicas mais votadas:
Redemption Song - Bob Marley (hoje)
Mna Na h'Eireann - Kate Bush (amanhã)

A partir de amanhã, começará a votação para a última sessão de discos pedidos.


Redemption Song
Bob Marley and The Wailers

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outubro 20, 2005

Adivinha

Pergunta: Qual é coisa qual é ela que antes de o ser já era?

Antiga resposta correcta: a pescada.

Nova resposta: Cavaco Silva.



Faltam 3 dias!



Discos pedidos - 3.º dia

Esta votação voltou a ser equilibrada, apesar de não ter terminado empatada. E assim, hoje passamos a ter Waterboys, com "Fisherman's blues".

E começa um novo dia de discos pedidos.

A lista é a seguinte (já sem as três primeiras):
Love will tear us appart – Joy Division
Ziggy Stardust – David Bowie
Desejo – Ecos da cave
Brown Eyed Girl – Van Morrison
Menino d’oiro – Zeca Afonso
Mna Na h'Eireann – Kate Bush
Comforting Sounds – Mew
Bad – U2
The Ship Song – Nick Cave and the Bad Seeds
Martha’s Harbour – All About Eve
Mujer contra mujer – Mecano
RedemptionSong – Bob Marley and The Wailers
Maria Albertina – Humanos
Rugas – Humanos
Sempre Ausente – António Variações

Entre as 15 horas de hoje e as 14:30 de amanhã, podem votar.


Fisherman's blues
The Waterboys

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outubro 19, 2005

Uma Alegre pedra no sapato

Cada vez que ouço nas notícias o embaraço que a candidatura de Manuel Alegre está a provocar no PS, mais eu penso o quanto a sua candidatura é uma lufada de ar fresco. Mário Soares e José Sócrates, caso se venha a confirmar a supremacia da candidatura de Manuel Alegre relativamente a Mário Soares, arriscam-se a uma derrota sem precedentes.

A candidatura de Mário Soares foi uma candidatura de último recurso, porque ninguém parecia poder fazer frente a Cavaco Silva. Pensando que o contraste entre o Mário Soares bem disposto e o Cavaco Silva sério dos anos 85/95, podia voltar à memória dos portugueses, o PS escolheu uma estratégia errada. Mário Soares envelheceu e já não tem a energia dessa época.

Se virmos o que fez Mário Soares desde que deixou de ser Presidente da República, verificamos que ele já perdeu, há algum tempo, o estatuto de simpatia que tinha granjeado. Eleito para o Parlamento Europeu para ser Presidente do mesmo, acabou por não ser (por mais um erro de estratégia do PS) e acabou por chamar "dona de casa" à senhora que ficou com o lugar. Depois disso, assumiu o lugar de manager de João Soares, ou seja, acabou de vez com a carreira do filho. E agora, aceitou uma corrida à Presidência da República onde se arrisca a mais uma estrondosa derrota. Já que o PS não ganha juízo, não poderia o próprio desistir, alegando "motivos de saúde"?

Por outro lado, Manuel Alegre acaba por ser o candidato da ruptura. Se tivesse sido o candidato pelo PS teria sido um candidato banal, que não daria muita luta a Cavaco Silva. Nas condições em que se candidata, torna-se um candidato independente, que tira votos a Mário Soares, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, para além daqueles que não iriam votar, por falta de candidato credível. E Manuel Alegre será um candidato mais fácil de digerir para o PCP e BE do que Mário Soares.

Não estou a fazer campanha por Manuel Alegre, nem sei ainda em quem vou votar, mas que me daria um gozo enorme ver o PS que tentou ridicularizar a candidatura de Manuel Alegre a engolir uma derrota desta natureza, isso daria...



Discos pedidos - 2.º dia

Depois de uma votação equilibrada (tão equilibrada que ficaram vários empatados), acabei por desempatar com base no primeiro escolhido. E assim, hoje passamos a ter The Smiths, com "There is a light that never goes out".

E começa um novo dia de discos pedidos.

A lista é a seguinte (já sem as duas primeiras):
Love will tear us appart – Joy Division
Ziggy Stardust – David Bowie
Desejo – Ecos da cave
Brown Eyed Girl – Van Morrison
Menino d’oiro – Zeca Afonso
Mna Na h'Eireann – Kate Bush
Comforting Sounds – Mew
Bad – U2
The Ship Song – Nick Cave and the Bad Seeds
Fisherman’s blues – The Waterboys
Martha’s Harbour – All About Eve
Mujer contra mujer – Mecano
RedemptionSong – Bob Marley and The Wailers
Maria Albertina – Humanos
Rugas – Humanos
Sempre Ausente – António Variações

Assim, entre as 15 horas de hoje e as 14:30 de amanhã, podem votar.

[A música esteve aqui durante 72 horas]
There is a light that never goes out
The Smiths

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3 sopros

Ao primeiro sopro, o teu pescoço contrai-se, de surpresa,
Ao segundo sopro, já esperado, fechas os olhos e mordes o lábio inferior,
Ao terceiro sopro...



Mapa visual

Traço todas as linhas do teu corpo
Todos os pontos ao ínfimo pormenor
Para descobrir a melhor forma de o explorar



outubro 18, 2005

Discos pedidos

De hoje até domingo decorre 6 sessões musicais, 5 delas de discos pedidos, a ser escolhidos entre as músicas que passaram neste blog quando ele estava alojado na sua antiga casa.

A lista é a seguinte:
Passenger – Iggy Pop
Love will tear us appart – Joy Division
Ziggy Stardust – David Bowie
Desejo – Ecos da cave
Brown Eyed Girl – Van Morrison
Menino d’oiro – Zeca Afonso
Mna Na h'Eireann – Kate Bush
There is a light that never goes out – The Smiths
Comforting Sounds – Mew
Bad – U2
The Ship Song – Nick Cave and the Bad Seeds
Fisherman’s blues – The Waterboys
Martha’s Harbour – All About Eve
Mujer contra mujer – Mecano
RedemptionSong – Bob Marley and The Wailers
Maria Albertina – Humanos
Rugas – Humanos
Sempre Ausente – António Variações

A primeira música vou ser eu a escolher e é mesmo a primeira música que este blog teve, graças à então preciosa ajuda da Lyra. É do Iggy Pop, chama-se Passenger.

Assim, entre as 15 horas de hoje e as 14:30 de amanhã, decorre a primeira sessão de discos pedidos. A música mais votada aparecerá às 15 horas, substituindo a actual. Cada pessoa vota numa única música, apenas uma vez e com um único voto (esta explicação é para "o habitual prevaricador"). Todos os dias a música terá de ser diferente, pelo que não podem, desde já, votar na música actual.

[A música esteve aqui durante 72 horas]
Passenger
Iggy Pop

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Impressão digital

Tacteei todo o teu corpo
para que as minhas impressões digitais
afastassem todos os outros dedos.



outubro 17, 2005

Amor-Predador

Na penumbra te escondes,
A sombra de ti se esvai,
Contens o ar que te enche o peito,
Nenhum som, nem um ai.

E eu farejo-te pela casa,
Como um lobo esfomeado,
Revolvo tudo, incansável,
Procuro-te por todo o lado.

Até que sinto o teu cheiro
A carne, que me vai saciar,
Salto no teu encalço,
Já não consegues escapar.

Invertem-se então os papéis,
Antes presa, lobo vais ser,
Cravas as unhas na minha pele
Enquanto uivas de prazer.



Rapidinha para lagartos e dragões

(recebida por e-mail)

Havia uma rapariga que quando passava na rua recebia tantos assobios, que as outras raparigas já diziam, com inveja:
- Lá vai a José Peseiro...

(inventada agora)

Havia uma rapariga que era tão esquecida, tão esquecida, que as outras raparigas já diziam, com desdém:
- Lá vai a Co Adriaanse...

P.S. Pois, eu prometi que não falava mais de futebol, mas não resisti...



outubro 16, 2005

Post fair-play

A Luna, do Loucura & Nata, protestou contra o post anterior, e tenho de lhe dar razão. O que eu fiz, não se faz, especialmente depois do post que a Luna fez ontem.

Para me redimir, pintei aquela parte de cima de verde (cuidado com a tinta fresca) em homenagem à Luna e à sua filha, também lagarta.



Problemas cromáticos

Não sei o que se passa com este blog. A cor ali em cima tinha ficado vermelha, agora ficou preta...
E logo hoje que eu queria colocar verde (já esteve azul e vermelho), para que os meus leitores sportinguistas não se sentissem discriminados.

Adenda:
A Académica fez o quê?



outubro 15, 2005

Post mágico

Este post modificou a cor da parte de cima do blog. Segundo me dizem existem dois bons motivos para que tal aconteça. Eu não percebi quais, mas disseram-me que tudo voltará ao normal num próximo post...

Adenda:
O Nuno Gomes fez o quê?



Frase para ambas as claques do Porto - Benfica

ATÉ OS COMEMOS!

bifes.jpg
(imagem de http://portal.montevideo.com.uy/)



Post constipado

constipado.gif



outubro 14, 2005

Desafio aos leitores - músicas de baile portuguesas

Quem nunca foi a um baile ou a um arraial?
Como isto é um 6 em 1, venho fazer este desafio:
- digam 6 músicas de baile portuguesas incontornáveis, aqueles que ouviram vezes sem conta.
Atenção, pensem nas músicas antes de irem à caixa de comentários, para não serem influenciados. No fim, quero apurar qual a música mais citada. Eu próprio vou colocar as minhas músicas na caixa de comentáios.



outubro 13, 2005

Primeiro post na nova casa

E pronto, a mudança está feita, é só trazer alguns móveis em falta, arrumar a casa e mexer um pouco na decoração.
Bem-vindos à inauguração. Sirvam-se à vontade.

moet_chandon.jpg
Foto publicada em http://www.lvmh.com/

À nossa!



outubro 12, 2005

Sou um homem de sucesso

Pela seguinte figura

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descobri que, aos 32 anos, sou um homem de sucesso. Espero poder dizer o mesmo aos 40...

P.S. Ainda bem que, quando a inspiração anda por fora, há alguém que nos manda uns e-mails para não ficar o blog em branco. A boa notícia é que a inspiração está de volta, mas cansada. Amanhã já estará cá...



Post(a) à mirandesa

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Recompensa para quem encontrar a minha inspiração.



outubro 11, 2005

AVISO

PROCURA-SE INSPIRAÇÃO PERDIDA.
A QUEM A ENCONTRAR, PEDE-SE QUE DEVOLVA VIA CAIXA DE COMENTÁRIOS, POR FAVOR.


outubro 10, 2005

A vida irritantemente simples de Zeca Lado (5.º mini-episódio)

Zeca Lado não é homem de se meter em confusões. Tudo o que possa alterar o seu batimento cardíaco é automaticamente apagado da sua memória. Um dia, porém, o chefe decidiu que ia promover a implementação de um sistema de qualidade na empresa, e que os funcionários deveriam eleger, entre si, um representante para participar no processo. Referiu ainda que a pessoa escolhida iria passar a trabalhar, durante um ano, apenas com o chefe.

Imediatamente, todos olharam para o Zeca. Ele, contente com a súbita atenção que despertara, sentiu que aquela vaga de fundo não lhe deixava outra alternativa que não fosse aceitar essa nobre incumbência. Até verificava que era o candidato ideal: frases curtas, ideias geniais, presença firme, etc...

O que ele não esperava era ter concorrência. Na verdade, Lola Mechas, telefonista, conhecida por estar sempre a queixar-se da sua sorte, resolveu ir a um daqueles programas em que alteram o aspecto, e de uma miúda tímida de óculos e vestidos compridos floridos dos anos 60, passou a uma mulher sofisticada, loira, vestido vermelho com uma racha até ao umbigo.

Quando o chefe viu os dois candidatos ao lugar, anulou o concurso, justificando que o trabalho de Zeca era muito importante para ser abandonado, e por isso, sobrando apenas Lola, não havia necessidade de votação. Zeca ficou contente, não apenas porque deixaria de ouvir as queixas de Lola, mas também porque o chefe tinha mostrado que gostava mesmo do trabalho dele.

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outubro 09, 2005

Hoje não há hora irrepetível

Infelizmente, por motivos pessoais, hoje não é possível realizar-se a Hora irrepetível n.º5.

Aviso que nada tem a ver com qualquer má disposição relativamente aos resultados, até porque ainda não sei os resultados das Câmaras de Matosinhos e Chaves (só sei que o meu primo foi eleito secretário da Junta da Freguesia de Eiras, no Concelho de Chaves).

Como podem ver, até tenho razões para estar contente. Para além do meu primo, este senhor

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não conseguiu lá chegar...


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outubro 08, 2005

Angola no Mundial de Futebol FIFA 2006

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Alguns já saberão que nasci em Luanda, capital de Angola. Vim de lá com menos de dois anos, pelo que não sei muito do país, a não ser aquilo que os meus pais, com saudade, me foram contando. Nunca lá fui, embora tenha esse desejo, o de conhecer o país que me viu nascer.

E hoje, como qualquer adepto angolano, estive a ver o jogo pela RTP África, e sofri até que, perto do fim do jogo, Akwá, ex-jogador do Benfica, marcou de cabeça o golo da vitória. E depois até ao apito final, que ditou o apuramento de Angola em detrimento da poderosa Nigéria.

Assim, depois do anterior apuramento do Brasil,

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só resta torcer pelo apuramento de Portugal, logo à noite,

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e teremos três países de língua portuguesa no próximo Mundial.

P.S. OK, eu sei que devia estar a reflectir para as eleições de amanhã, mas é muito melhor ver futebol...


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outubro 07, 2005

Nu-banho

Fala-me ao ouvido...

Conta-me os segredos que guardas contigo,
as palavras que ainda não me disseste,
as histórias que ainda não me contaste...

Sopra-me ao ouvido...

Deixa o teu sopro arrepiar-me a pele,
Acordar todos os meus sentidos,
Os pensamentos perversos escondidos...

Molha-me o ouvido...

Deixa a tua saliva roubar-me ao mundo,
Humedecer este desejo que me impele
A procurar as gotas de água da tua pele...


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outubro 06, 2005

Interior n.º 2

Caminhos

Os passos vão sendo dados.

Portas que se abrem, outras que se fecham, vai-se escolhendo uma das portas abertas, o caminho vai sendo definido.

Algumas das portas rejeitadas mantêm-se entreabertas, durante algum tempo, indicando caminhos alternativos. Depois fecham-se, definitivamente.

A meio do caminho, surge a dúvida: seguir o sentido indicado pela única porta aberta ou arrombar uma das portas fechadas?


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outubro 05, 2005

Nem um, nem outro

Sendo hoje dia da implantação da República Portuguesa, faria todo o sentido falar aqui da Presidência actual e da que há-de vir. Mas quis a sorte que estivéssemos em campanha eleitoral para as autarquias. E quis a sorte que eu tivesse recebido, há algum tempo, uma mensagem a apelar a um boicote ao PS nas eleições autárquicas.

Vou pegar neste ponto. Estamos numa fase da vida política em que parece que os políticos ainda não se aperceberam que o poder não se conquista com mentiras. E José Sócrates mentiu. Não precisava de o ter feito, bastava ter-se calado. Ao dizer, peremptoriamente, que não aumentava os impostos, e ao fazer o contrário logo no início da governação, caiu em desgraça para mim e, penso eu, para muitos eleitores.

Pode-se dizer que não sabia o que ia encontrar. Bastava ter ficado calado. E não precisava de todo aquele espectáculo melodramático, a dizer que a situação era pior do que poderia imaginar. É que só quem for ingénuo acredita. Ou ele ter-se-ia esquecido que no anterior governo PS, Guilherme de Oliveira Martins (para onde é que ele vai agora?) tinha referido um défice de 1,1% ? Foi um mau espectáculo de um péssimo actor.

Estas palavras contra o actual governo podem dar, desde logo, a impressão que irei aceitar o repto para não votar no PS. A verdade é que também não esqueço que antes de Sócrates, houve um Durão Barroso que também mentiu. E depois fugiu. E depois, foi o que se viu.

Nunca fiz parte de nenhuma força partidária. Não me consigo ver como de esquerda ou de direita. Isso dá-me uma vantagem importante. Quando chega a hora de votar, escolho sem preconceitos. Ainda não decidi em quem vou votar ou se vou votar em branco. Mas sei em quem não vou votar: PS e PSD. Há outros em quem também não vou votar, por motivos de total discordância ideológica, mas estes dois são os que quero realçar, pois trairam, a meu ver, a confiança que o eleitorado depositou neles.

É a minha forma de protesto. Se estes dois partidos ficarem bastante abaixo das suas expectativas, talvez percebam que o eleitorado já não se deixa enganar (PS) e que tem memória (PSD). E pode ser que finalmente comecem a perceber que a seriedade deve ser um princípio fundamental para quem governa o país.

É um texto utópico? Talvez. Quem ler isto vai dizer "Nem pensar!", ou "Eu até fazia isso, mas não quero que ganhe o outro", ou "Se eu fizer isso quem vai para lá é aquele independente que está a ser investigado", ou ainda "Este agora tem a mania que é político". Por isso, só posso apelar aos poucos que vão ler este texto e que vão votar, se possível, não votem nem no PS nem no PSD, nem que seja apenas para a Assembleia Municipal.


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outubro 04, 2005

Obra de arte sem preço

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pela menina de 4 anos que faz perguntas sobre o símbolo da Toyota


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Instante

Deitas a tua cabeça para trás,
fechas os olhos,
morta de cansaço,
um raio de luz ilumina o teu cabelo,
e eu fico a olhar,
enquanto escrevo,
neste preciso, único e belo instante.


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outubro 03, 2005

Estarei a exagerar?

(filha, de 4 anos, em diálogo com um pai, de 32, que, por acaso, até tem um blog)

- Pai, o que é isto?
- É o símbolo da Toyota.
- O que quer dizer o símbolo da Toyota?
- Bem, o símbolo da Toyota é composto por 3 elipses, 2 deitadas e uma de pé, que formam um conjunto harmonioso que se assemelha a um T.

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A vez do António Variações

A semana que passou já foi uma homenagem ao génio criativo do António Variações, bem como às excelentes vozes da Manuela Azevêdo, do David Fonseca e do Camané. Esta semana, é a vez de juntar o génio à sua voz. Será mais conhecido por temas como "Canção do Engate", "É para amanhã" ou "O corpo é que paga", mas a minha favorita é esta.

Sempre ausente

diz-me que solidão é essa
que te põe a falar sozinho
diz-me que conversa
estás a ter contigo

diz-me que desprezo é esse
que não olhas p'ra quem quer que seja
ou pensas que não existe
ninguém que te veja

que viagem é essa
que te diriges em todos os sentidos
andas em busca dos sonhos perdidos

uh-uh-uh-uh-uh-uh
uh-uh-uh-uh-uh-uh

lá vai o maluco
lá vai o demente
lá vai ele a passar
assim te chama toda essa gente

mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar

diz-me que loucura é essa
que te veste de fantasia
diz-me que te liberta
de vida vazia

diz-me que distância é essa
que levas no teu olhar
que ânsia e que pressa
que queres alcançar

que viagem é essa
que te diriges em todos os sentidos
andas em busca dos sonhos perdidos

uh-uh-uh-uh-uh-uh-uh
uh-uh-uh-uh-uh-uh-uh

lá vai o maluco
lá vai o demente
lá vai ele a passar
assim te chama toda essa gente

mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas tu estás sempre ausente e não te conseguem alcançar
mas eu estou sempre ausente e não me conseguem alcançar
não me conseguem alcançar
não me conseguem alcançar
não me conseguem alcançar

António Variações


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outubro 02, 2005

Hora irrepetível n.º 4

Acabou mais uma hora irrepetível.Obrigado a todos os que por aqui passaram.

E não se esqueçam, para a semana há mais, como sempre entre as 23 e 24 horas de Domingo.


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Falta 1 hora para a HORA IRREPETÍVEL N.º 4

Tenho dito...
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História n.º19

A vinha

É a minha última vindima. Pelo menos, que eu possa chamar minha. Nasci no tempo delas, no meio de uma vinha. A minha mãe andava a vindimar quando eu quis nascer. E só tiveram tempo de a acomodar no carro de bois, e uma das mulheres, habituada a fazer partos, trouxe-me ao mundo. Foi um acontecimento mágico, que nunca mais se repetiu na aldeia, desde então.

65 anos depois, cá estou eu, na vinha onde nasci. Estava a contar-vos que era a minha última vindima. Pois é, vou reformar-me e, como é hábito, fazer as partilhas pelos meus 7 filhos. Um deles vai ficar com esta vinha, outros com outras terras. A casa será a única coisa que me resta. Tem de ser assim, não vou deixar que o estado venha buscar parte daquilo que ganhei com o suor do meu trabalho.

As vindimas são sempre um acontecimento especial. Várias pessoas andam nas vindimas, à geira, e tudo acaba rapidamente. Vamos conversando, sem parar de trabalhar. O vinho, cuidadosamente à sombra, e um bocado de presunto e pão centeio, e o trabalho rende bastante mais.

Alguns miúdos também vêm ajudar, mas pouco fazem. É mais uma forma de se irem habituando ao trabalho. A maioria passa a vida escondido, a comer uvas. Quando avisto algum faço de conta que estou chateado. Assim, parecendo que estão a ser malandros, sabe-lhes melhor.

No fim, os cestos, até ao último, vão enchendo o carro de bois. Da terra tudo se aproveita. As uvas, para fazer o vinho e para comer, as vides resultantes da poda, para lenha. E a terra, por muito que hoje poucos a queiram lavrar, será sempre o sustento de quem a trabalha.

Levadas as uvas para o lagar, começa a festa. Todos começam a pisar. Os miúdos também. E às vezes, quando não morreu alguém recentemente, há música. A concertina do tio Quim, o realejo do Manel Pastor, e íamos escutando as modas e, quando o vinho aquecia a voz, alguns cantares ao desafio.

No fim, não deixo ir as pessoas para casa sem um farto jantar. Um cozido de carnes ou uma boa feijoada, regados com vinho da minha adega e com pão centeio, que a minha Maria faz como ninguém. Por último, lá recolhemos cada um a sua casa.

A minha mulher reza o seu terço, em agradecimento pela colheita. Eu penso na vida cheia que tive, com alguma saudade. Os meus filhos já não vivem da terra. Gostam, é certo, das partes festivas, como as vindimas, colher as batatas, ceifar o centeio, matar o reco, etc... Mas não têm vida para isto.

Talvez tentem manter isto enquanto eu for vivo, por saberem o que estas terras, conquistadas com suor de sol a sol, significam para mim. Depois, não sei, mas já não estará nas minhas mãos.


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setembro 30, 2005

História n.º 18

A raia

O senhor António amanhava a terra, quando a sua Maria lhe veio dar a notícia: a sua filha Laurinda estava prenha e o mariola era galego. Deixou a terra e as ganchas e dirigiu-se ao tractor. Arreliado, só queria apanhar o malandro que pusera a filha nas bocas do povo. Ele que até se tinha mudado do fundo para a c'roa do povo porque não queria ver a filha no meio daqueles rapazolas da aldeia, tinha vindo agora um galego desgraçá-la.

A mulher, os familiares e os vizinhos, lá o conseguiram demover. O rapaz, pelo sim pelo não, tinha fugido para casa de uns familiares de Zamora, até tudo acalmar. O senhor António lá mandou chamar o pai e o rapaz para acertarem o casamento.

Ao jantar quase não tocou nos chícharos. A mulher olhava para ele, consternada.
- Se eu sabia tinha feito aquele tamaninho de erbanços que tinha ali. Vais ficar de bucho vazio.
- Oh, mulher, deixa-me cá com as minhas coisas. Vai ver a tua filha, que se tu olhasses mais por ela, nada disto acontecia.
- E achas que eu consigo arrumar a casa e vigiá-la ao mesmo tempo. E já te esqueceste que também me embaraçaste quando eu tinha 17 anos?
- Isso era diferente. Tu não tinhas mãe. E pelo menos não foste casar ao outro lado da raia.
- Grande coisa. Se eu sabia que ia acabar com um jarretas como tu...
- Jarretas? Eu queria ver-te a arranjar melhor...
- Olha, a minha irmã Etelvina casou com um espanhol e está bem na vida.
- Pois, pois, todo chique, com as suas pulseiras e meia branca. Parece mesmo um "baron". E a tua irmã com todos aqueles folhos, parece uma Lola.
- Olha que eu não te admito que fales assim da minha irmã. Lá porque também andaste a arrastar a asa para o lado dela e ela não te quis...
- Pois não. E ainda bem, que assim fiquei com a mais bonita da família.
- Olha, que tu és mesmo safado. Chega a hora da cama e já vais amansando.
- Eu? Bô. Achas que tenho lá cabeça para essas coisas? Amanhã é um dia complicado.
- Pois, mas quando chegarmos à cama, de repente ficas com cabeça...
- Bem, vamos lá dormir.
- Espera só um cibinho, que eu vou ver se a Laurinda quer comer alguma coisa, coitadinha.
- Devia ficar a pão e água.
- Bá, não sejas assim. Olha que Deus escreve direito por linhas tortas e se foi essa a vontade dEle, temos de aceitar.
- Vai lá ver. Eu hoje não quero falar com ela, senão ainda perco a cabeça. Tinha de sair estouvada, como a mãe.
- Pois, e tu eras um santo, era só lavar-te os pés e pôr-te no altar.
- Vai lá, não te estiques...

Raios parta a sorte. Dos quatro filhos que teve, tinha de nascer uma rapariga. E era ela a razão dos seus cabelos brancos. Pelo menos só lhe ardia a casa uma vez. Bem vistas as coisas, acontecera o mesmo com a mãe. E o pai dela até deitava chispas quando tentou acertar as contas. O mal é que isso já estava esquecido, agora todo o povo ia comentar e voltar a lembrar a história.


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setembro 29, 2005

Post de 5 minutos

Resolvi escrever um post que demorasse exactamente 5 minutos a escrever, título incluído. Assim, este post, começou às 18:51 e terminará às 18:56.

Fazer um post de 5 minutos para encher chouriços também não vale a pena, por isso decidi escolher um tema. Vou falar sobre a situação actual do país.

Sinto que estamos num país parado, sem garra, sem vontade de viver, de crescer. Sinto que passamos a vida a desperdiçar o que de melhor temos, apenas porque vivemos a pensar naquilo que não temos. Sinto que poderíamos ir muito mais além, se trabalhássemos em conjunto. Mas cada vez a sociedade está mais centrada no eu. Quando muito, pensa-se em nós e na família próxima. Alguns ainda pensarão nos amigos. Colegas de trabalho e vizinhos, já não cabem nas nossas preocupações.

Não temos tempo para mais. O tempo foge-nos, apesar de corrermos contra ele. E o meu fugiu. Passaram 5 minutos.


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setembro 28, 2005

Cadeia de frases - o texto final

PALAVRAS LEVA-AS O VENTO.

Palavras leva-as o vento.
O vento esvoaça por entre saias rodadas e folhas outonais.
Outonais eram as lembranças daquele namoro de Outubro.
Outubro chega tranquilo às nossas almas.
Almas cansadas. Moídas de saudade.
Saudade arde sem se ver!
Ver-te assim abandonada.
Abandonada ao vento num fim de tarde vermelho.
Vermelho rubro de papoilas que tingem o chão.
Chão sagrado desta ilustre e saudosa pátria.
Pátria egrégia de nobres aventureiros navegadores.
Navegadores que pedem aos céus bom vento a soprar e recordam amores nas danças do mar.
O Mar, imenso mar, salgado pelas lágrimas das mães.
Mães hoje, avós amanhã.
Amanhã das incertezas consolidadas.
Consolidadas estão as amizades que resistem ao tempo.
Tempo que estremece nos teus braços mornos.
Mornos como os cafés das nossas discussões acesas.
Acesas no fogo que lavra no âmago do nosso ser.
Ser ou não ser, eis a questão!
Questão que exaurindo os males do coração
nos leva de volta para as palavras com que tentamos colmatar os males que o coração cala.
Cala porque ama, cala porque sofre.
Sofre o imenso silêncio onde submerge revoltado por solidão atroz.
Atroz é deixar-se ficar para trás.
Trás-páz-catrapaz disse o mágico ao tirar o ramo de flores da cartola.
Cartola de fina seda, negra como o carvão, que usava irrepreensivelmente no ângulo exacto de dez graus vincando um cigarro que nunca acendia
porque não era fumador, apenas se socorria dele, para disfarçar atrapalhações de momento.
Momento parado no gesto profano ao te entrelaçar os dedos.
Dedos ásperos e esvaidos em sangue de tanta labuta infinita.
Infinita como a divisão por zero de qualquer número não nulo.
Não nulo, nem ácido, fico-me pelo PH neutro.
Neutro em relação a sua realidade.
Realidade, sonho, esse misto de alucinação provocado pelo sol e pelo calor intenso.
Intenso como o perfume de uma rosa.
Rosa fica a tua bochecha quando coras de prazer...
Prazer que extrais do delicado perfume da vermelha pétala da flor que te adorna a lapela.
A papoila da tua lapela é como o prazer e o sonho, comanda a Vida!
Vida feita de caminhos e modos de caminhar.
Caminhar é bom para o corpo, mas se respirarmos o que oferece o caminho, também é bom para a alma.
Alma de mulher, que desabrocha como uma flor, quando há amor.
Amor terno e puro que brota, qual refrigério de fresca água, do seio impoluto de ti, amor meu!
Meu, teu, nosso, vosso é de todos este belo poema colectivo.
Colectivo fundo azul, onde me alago nos teus olhos.
Olhos doces da Amélia, quem dera que fosses.
Fosses como a lua a brilhar no céu, resplandecente, nua.
Nua, fiquei eu sob a luz do teu desejo...
Desejo que transpira por todos os poros.
Poros que exalam o perfume do cio primitivo.
Primitivo era o rito de iniciação que consistia em expor à luz da Lua os corpos nus.
Nus, sois todos vós como venhais ao mundo desguarnecidos e desprotegidos.
Desprotegidos de paredes e tecto, unidos pela pele e adn originais.
Originais no despojamento das coisas mas não da memória.
Memória é o pedaço de nós que nos vai ficando dos dias.
Os dias são como as palavras.
Palavras étereas, leves como a pluma que, por magia ou alquimia, se transformam em palavras plúmbeas, fortes e densas que nos ferem.
Ferem como farpas largadas ao vento!
Vento que me toca como se fosse a tua pele.
Pele que resguarda das palavras leva-as o vento.
O vento, agradecendo aos criadores destas palavras, levou-as consigo, fazendo-as cumprir o seu destino de voar e fazer voar.

Autores (por ordem alfabética):
Alexandre Mota, ANUKIS, Assumida Mente, Bin, Dani, Gotinha, Hipatia, Homoclinica, J.P., Jacky, Joca, Jorge Morais, Karla, Lilly, Lima, Luna (Crónicas das horas perdidas), Luna (Loucura e Nata), Lyra, Mad, Maria Árvore, Miguel Pinto, MRF, Noite, Santa Cita, Sharkinho, Soslayo, Xana

Texto iniciado no dia 23/09/2005 à 1:00 e terminado no dia 28/09/2005 às 19:46.
O processo de criação pode ser visto aqui.


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setembro 27, 2005

Resposta a um desafio

Eu gosto de desafiar quem me lê. Mas também gosto de atender aos outros desafios. Há um, da Hipatia, que já está há muito tempo sem resposta. Chegou a hora.

O ponto mais belo do teu corpo

Perguntaste-me qual o ponto mais belo do teu corpo.
Não te soube responder.
Fiquei de pensar
e dizer-te um dia.
Hoje acordei,
ainda tu dormias.
O lençol tapava o teu corpo nu.
Devagar,
para não te acordar,
destapei-o,
pouco a pouco.
Percorri as suas ondas,
com o olhar,
com as mãos,
com os lábios,
senti o seu odor,
ouvi o teu suave respirar,
tentando encontrar,
a resposta que procuravas.
Comecei pelos pés,
que, de noite,
se enroscam nos meus,
e pelas pernas,
que me agarram como tenazes,
e que só me libertam
quando sabes que não vou fugir.
Encontrei a tua vagina,
onde o teu corpo me recebe
e toma conta dos meus sentidos,
fazendo da nossa cama
o centro do mundo.
Do outro lado,
as tuas nádegas,
que as minhas mãos,
dez dedos sedentos de pele,
não se cansam de explorar,
até que,
cansados da limitada área de intervenção,
sobem as tuas costas,
percorrendo essa auto-estrada de pele,
em marcha lenta e silenciosa.
Depois,
ganham coragem,
torneiam as tuas ancas,
percorrendo a tua maternal barriga,
brincam com o teu umbigo,
antes de acariciarem os teus seios.
E que dizer dos teus ombros,
redondos e suaves?
Ou do teu pescoço,
quando recolhes os teus cabelos,
convidando-me a beijá-lo?
Olhei a tua face.
Os olhos,
agora fechados,
mas que brilham
quando estamos juntos.
As tuas orelhas,
onde sussurro
inconfessáveis segredos.
O nariz,
que respira o ar da manhã,
suavemente,
levemente,
sem sobressaltos.
E antes que chegasse ao queixo,
que pousas suavemente no meu ombro
quando me segredas ao ouvido,
encontrei a resposta,
nos teus lábios molhados,
sorrindo,
e murmurando,
numa voz doce e meiga:
- Amo-te...


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Fazendo figura de urso...

You Are A: Bear Cub!

bear cubBears are strong and independent creatures who roam in the forest in search of food. Bears are usually gentle, but anger one and be prepared for their full fury! You're big, you won't back down from a fight -- classic attributes of a bear. Intelligent and resourceful, though lazy at times, you are a fascinating creature of the wild.

You were almost a: Monkey or a Kitten
You are least like a: Groundhog or a ChipmunkWhat Cute Animal Are You?
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setembro 26, 2005

Maria Albertina

A minha filha passa a vida a ouvir esta canção. Se já estiverem fartos de ouvir, é só carregar no botão do lado. De certa forma quero, com esta música homenagear 3 boas vozes portuguesas, que dão voz aos Humanos: - a Manuela Azevêdo, vocalista dos Clã, uma das vozes femininas portuguesas mais bonitas, senão mesmo a mais bonita; - o David Fonseca, que devia, de uma vez por todas, ou apostar a sério numa carreira internacional ou cantar em português; - o Camané, para mim a melhor voz masculina do fado actual (e que demonstra, neste disco, ser um intérprete versátil).
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setembro 25, 2005

Hora irrepetível n.º 3

Acabou a hora irrepetível n.º 3. Obrigado a todos os que apareceram durante esta hora.

Para a semana há mais...


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AVISO

Entre as 23 e as 24, vai decorrer a HORA IRREPETÍVEL N.º 3. Para quem nunca assistiu, é um post que vai existir apenas durante uma hora, sendo o seu conteúdo apagado (os comentários permanecerão). Entretanto, depois da Hora irrepetível, o post "Desafio aos leitores - cadeia de frases" vai passar a ficar sempre em cima (vou alterando a data do post de modo a que isso aconteça), embora devam aparecer posts novos por baixo (daqui a nada começo a ser acusado de manter este blog à custa dos meus comentadores...).
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setembro 23, 2005

Desafio aos leitores - cadeia de frases

A ideia é simples. Eu escrevo a frase inicial. Cada comentador pega na última palavra da frase e escreve uma nova frase (pode adicionar um artigo, definido ou indefinido, antes). Nenhum comentador pode escrever duas frases seguidas. As frases podem ser originais ou citações, sem repetições. Eu não interfiro, a não ser na frase inicial e na final, é um post só vosso. Eu vou adicionando as frases que escreveis e verificando se estão de acordo com as regras. Pode acontecer de haver duas frases escritas em simultâneo. Neste caso, vale a que chegar primeiro à caixa de comentários. O post só acaba quando estiver sem frases durante 24 horas, altura em que eu escreverei a frase final.

Exemplo:
O João tem um cão.
O cão é o melhor amigo do homem.
Homem que é homem, gosta de cerveja.
(etc...)

Assim, a frase é:

PALAVRAS LEVA-AS O VENTO.

Palavras leva-as o vento. (Jorge Morais)
O vento esvoaça por entre saias rodadas e folhas outonais. (ANUKIS)
Outonais eram as lembranças daquele namoro de Outubro. (Dani)
Outubro chega tranquilo às nossas almas. (Mad)
Almas cansadas. Moídas de saudade. (Santa Cita)
Saudade arde sem se ver! (Luna)
Ver-te assim abandonada. (Lima)
Abandonada ao vento num fim de tarde vermelho. (Luna)
Vermelho rubro de papoilas que tingem o chão. (Santa Cita)
Chão sagrado desta ilustre e saudosa pátria. (Alexandre Mota)
Pátria egrégia de nobres aventureiros navegadores. (Santa Cita)
Navegadores que pedem aos céus bom vento a soprar
   e recordam amores nas danças do mar. (sharkinho)
O Mar, imenso mar, salgado pelas lágrimas das mães. (Santa Cita)
Mães hoje, avós amanhã. (Dani)
Amanhã das incertezas consolidadas. (Soslayo)
Consolidadas estão as amizades que resistem ao tempo. (ANUKIS)
Tempo que estremece nos teus braços mornos. (J.P.)
Mornos como os cafés das nossas discussões acesas. (Maria Árvore)
Acesas no fogo que lavra no âmago do nosso ser. (Santa Cita)
Ser ou não ser, eis a questão! (Lima)
Questão que exaurindo os males do coração. (Soslayo)
(...)nos leva de volta para as palavras com que tentamos
   colmatar os males que o coração cala. (Hipatia)
Cala porque ama, cala porque sofre. (Noite)
Sofre o imenso silêncio onde submerge revoltado por solidão atroz. (Santa Cita)
Atroz é deixar-se ficar para trás. (Jacky)
Trás-páz-catrapaz disse o mágico ao tirar o ramo de flores da cartola. (Gotinha)
Cartola de fina seda, negra como o carvão, que usava irrepreensivelmente
   no ângulo exacto de dez graus vincando um cigarro que nunca acendia. (Santa Cita)
(...)porque não era fumador, apenas se socorria dele,
   para disfarçar atrapalhações de momento. (Lima)
Momento parado no gesto profano ao te entrelaçar os dedos. (J.P.)
Dedos ásperos e esvaidos em sangue de tanta labuta infinita. (Soslayo)
Infinita como a divisão por zero de qualquer número não nulo. (Homoclinica)
Não nulo, nem ácido, fico-me pelo PH neutro. (Luna)
Neutro em relação a sua realidade. (Lyra)
Realidade, sonho, esse misto de alucinação provocado pelo sol e pelo calor intenso. (Bin)
Intenso como o perfume de uma rosa. (Joca)
Rosa fica a tua bochecha quando coras de prazer... (Jacky)
Prazer que extrais do delicado perfume da vermelha pétala
   da flor que te adorna a lapela. (Santa Cita)
A papoila da tua lapela é como o prazer e o sonho, comanda a Vida! (Luna)
Vida feita de caminhos e modos de caminhar. (Xana)
Caminhar é bom para o corpo, mas se respirarmos o que oferece o caminho,
   também é bom para a alma. (Dani)
Alma de mulher, que desabrocha como uma flor, quando há amor. (Karla)
Amor terno e puro que brota, qual refrigério de fresca água,
   do seio impoluto de ti, amor meu! (Santa Cita)
Meu, teu, nosso, vosso é de todos este belo poema colectivo. (Homoclinica)
Colectivo fundo azul, onde me alago nos teus olhos. (J.P.)
Olhos doces da Amélia, quem dera que fosses. (MRF)
Fosses como a lua a brilhar no céu, resplandecente, nua. (Karla)
Nua, fiquei eu sob a luz do teu desejo... (Jacky)
Desejo que transpira por todos os poros. (Mad)
Poros que exalam o perfume do cio primitivo. (Maria Árvore)
Primitivo era o rito de iniciação que consistia em expor à luz da Lua
   os corpos nus. (Santa Cita)
Nus, sois todos vós como venhais ao mundo desguarnecidos e desprotegidos. (Soslayo)
Desprotegidos de paredes e tecto, unidos pela pele e adn originais. (Lilly)
Originais no despojamento das coisas mas não da memória. (Maria Árvore)
Memória é o pedaço de nós que nos vai ficando dos dias. (Assumida Mente)
Os dias são como as palavras. (Miguel Pinto)
Palavras étereas, leves como a pluma que, por magia ou alquimia,
   se transformam em palavras plúmbeas, fortes e densas que nos ferem. (Santa Cita)
Ferem como farpas largadas ao vento! (Luna)
Vento que me toca como se fosse a tua pele. (Lyra)
Pele que resguarda das palavras leva-as o vento. (Soslayo)
O vento, agradecendo aos criadores destas palavras, levou-as consigo,
   fazendo-as cumprir o seu destino de voar e fazer voar. (Jorge Morais)

(texto iniciado no dia 23/09/2005 à 1:00 e terminado no dia 28/09/2005 às 19:46)


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setembro 22, 2005

O meu talento escondido

E o mais incrível é que é mesmo verdade!

(ou acham que eu ia contrariar uma coisa destas?)

Your Hidden Talent
You're super sensitive and easily able to understand situations.
You tend to solve complex problems in a flash, without needing a lot of facts.
Decision making is easy for you. You have killer intuition.
The right path is always clear, and you're a bit of a visionary.
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setembro 21, 2005

Saudade - contributo da Luna (Crónicas das horas perdidas)

E agora que faço? Eu já sabia da existência de duas Lunas, costumo visitar ambos os blogs. Em tempos já fiz confusão entre as duas. Para que não haja confusão, vou colocar os nomes dos blogs. Aproveito para dizer que, embora com o mesmo nome, são bastante diferentes, mas têm ambas blogs excelentes, a não perder.

Assim, neste caso, temos a Luna, do blog Crónicas das horas perdidas, com um texto muito bonito.

Foi há um ano...

... que parti rumo ao desconhecido, de armas e bagagens embarquei na aventura que iria mudar a minha vida, cortando amarras com tudo o que conhecia, pela primeira vez sem raízes, livre, livre como deixamos de o ser desde que nascemos. Sem saber o que me esperava cheguei a Milão, carregada e perdida, sozinha numa cidade estranha mas que haveria de sentir tão minha meses mais tarde, entranhada em cada canto da memória e do meu corpo.

(Resto do texto)


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Saudade - contributo da Anukis

ANUKIS, nome de deusa egípcia, de blog e da respectiva autora, foi uma boa surpresa, de um blog que, se não estou em erro (isto são muitos blogs), ainda era para mim desconhecido. E também respondeu ao desafio com um excelente texto.

Saudades

Saudades
de quem já partiu,
de quem nunca vi,
dos dias abrasadores,
dos momentos felizes,
dos sorrisos,
das gargalhadas,
de amar alguém,
de ser amada

(Resto do texto)


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A vida irritantemente simples de Zeca Lado (4.º mini-episódio)

Zeca Lado é um trabalhador empenhado. Os 30 minutos em que não está a tomar café, a fumar um cigarro, a conversar com o colega do lado, a jogar no computador, ou a navegar na Internet, são de uma produtividade acima da média, e ele sabe que um dia isso será reconhecido pelo seu chefe.

A melhor parte do dia é a corrida de cadeiras, com o Tóli Chado. O Tóli tem por hábito vencer todas as corridas. Mas houve um dia em que, devido a um agrafador que se atravessou no caminho do Tóli, o Zeca ganhou a corrida. Foi uma surpresa. Maior surpresa foi que o chefe descobriu o que se passou e chamou-o ao gabinete. Pensou que estava despedido, mas o chefe só lhe quis dar um aviso: ele tinha apostado dinheiro na vitória do Tóli, por isso tinha de trabalhar mais uma hora para o ajudar a recuperar o investimento perdido.

Zeca fazia o que podia para agradar ao chefe, normalmente exigente. Habitualmente, no meio de todos os habituais pleonasmos, ele passava o tempo a criticar os seus relatórios. Mas hoje, algo diferente aconteceu. O chefe disse-lhe que ele devia voltar para a primária, porque filho dele, que andava na primária, era capaz de fazer relatórios melhores. Zeca ficou contente - tinha sido comparado com o filho do chefe. Afinal, o chefe nutria por ele um carinho especial.


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setembro 20, 2005

English lesson

I've received this english lesson by e-mail. I decided to publish it, while waiting for other contributions about the "Saudade" theme (word that in English needs two words: miss someone/something). You shouldn't see the answer before trying. Good luck.

Translate this Portuguese sentence to English:

Três bruxas observam três relógios Swatch. Que bruxa observa qual relógio
Swatch?

Answer:

Three witches watch three Swatch watches. Which witch watch which Swatch
watch?

For experts:

Três bruxas suecas e transexuais observam os botões de três relógios Swatch
suíços. Que bruxa sueca transsexual observa qual botão de que relógio suíço?

Answer:

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?


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setembro 19, 2005

Saudade - contributo do Dani

Dani, do blog Historias de Dani, esteve na génese deste desafio quando, em resposta ao meu texto com o título "Saudade", comentou que tinha feito um sobre o mesmo tema. E não contente, em resposta ao desafio, prometeu logo outro. Prometeu e cumpriu, com um excelente texto sobre a saudade e a nostalgia.

de fábulas y nostalgias.

Ocurre de vez en cuando que cuando un tema está latente en tu cabeza, las señales se repiten en un corto periodo de tiempo.

Es como esas veces que te encuentras a una persona que hacía años que no veías y de repente la ves varios días seguidos... casualidad?, energía?, algún tipo de señal?

De eso modo, a esto me sonó la conversación del pasado sábado por la noche. Justo después de recibir el desafío desde el blog de Jorge acerca del tema de la saudade y de estar pensando en el post perfecto, no se sabe muy bien que tipo de señal o de energía llevaron el tema, por casualidad, a la mesa de aquel restaurante.

(Resto do texto)


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Saudade - contributo da Hipatia

A Hipatia, do blog Voz em fuga, tem uma coisa em comum comigo: adora fazer desafios. E também de responder com belos textos, como este a seguir.

O sol põe-se, mas há luar

E eu vivo aqui desterrado e Job
da Vida-gemea d'Eu ser feliz!
E eu vivo aqui sepultado vivo
na Verdade de nunca ser Eu!

Almada Negreiros

Li uma vez uma entrevista a Eduardo Lourenço em que lhe era perguntado por um jornalista francês o que era a saudade, se era um sentimento que existe mesmo ou se não passaria de um mito.

(Resto do texto)


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Chegou a vez do Bob Marley

Embora goste muito dos Mecano, adoptei o princípio de mudar a música todas as semanas no fim da hora irrepetível. E chegou a vez do Bob Marley.

Redemption Song

Old pirates, yes, they rob I;
Sold I to the merchant ships,
Minutes after they took I
From the bottomless pit.
But my hand was made strong
By the .and of the almighty.
We forward in this generation
Triumphantly.

Won.t you help to sing
These songs of freedom? -
.cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs.

Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
.cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look? ooh!
Some say it.s just a part of it:
We.ve got to fulfil de book.

Won.t you help to sing
These songs of freedom? -
.cause all I ever have:
Redemption songs;
Redemption songs;
Redemption songs.

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Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our mind.
Wo! have no fear for atomic energy,
.cause none of them-a can-a stop-a the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Yes, some say it.s just a part of it:
We.ve got to fulfil de book.

Won.t you help to sing
These songs of freedom? -
.cause all I ever had:
Redemption songs -
All I ever had:
Redemption songs:
These songs of freedom,
Songs of freedom.

Bob Marley and The Wailers


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setembro 18, 2005

Hora irrepetível n.º 2

Finalmente consegui recuperar o meu blog e voltar a colocá-lo nas cores habituais.

Assim, acabou a hora irrepetível n.º 2.

Obrigado pela vossa visita!


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Não perca... daqui a pouco mais de uma hora...

A HORA IRREPETÍVEL N.º 2 - das 23 às 24.
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Saudade - contributo do mfc

Continuam a chegar contributos de vários lados. O mfc, do blog Pé de meia...., fez também um belo texto sobre este tema. Aqui vai um pouco do texto e um obrigado pela introdução inicial.

Saudades

Claro que tenho saudades.
Se se viveu uma vida sã, há saudades!
Se se fez uma asneira ou outra, há saudades!
Se se amou, há saudades!

(Resto do texto)


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Saudade - contributo do Bin

O Bin tem uma colecção de blogs de fazer inveja a qualquer um, onde o seu tema principal é África: A Grande Fauna, A Mega Fauna, Ali Farka Touré, Imagens de África, Imagens de Marrocos e Já sonho com Ngorongoro. Neste último, colocou uma série que tinha publicado n'A Mega Fauna, em conjunto com a MRF do blog Divas & Contrabaixos, da qual o episódio V foca o tema saudade com as cores de África.

Já sonho com Ngorongoro V

Maria,

Ontem comecei a escrever-te uma carta, mas fui vencido pelo sono e pela noite longa que tive aqui em Nairobi com os "gringos" como lhes chamas eles amanhã partem para a Europa.
Hoje fizemos ou vivemos a festa de despedida, por mais que esteja habituado às partidas durante uns dias vou sentir a falta deles principalmente do João (o que queria ficar por cá connosco) é um tipo alegre e sempre bem disposto, um verdadeiro apaixonado por África!

(Resto do texto)


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setembro 17, 2005

Saudade - contributo da MRF

A Maria do Rosário Fardilha, mais conhecida nos comentários dos outros blogs por MRF, também já tinha feito um excelente texto a respeito do tema "Saudade", há pouco mais de uma semana, no seu também excelente blog, Divas & Contrabaixos.

Lx

Idas e voltas a Lisboa. Descubro que morro de saudades. dos amigos. da esplanada da Nova na Av. de Berna, do café Pato logo em frente (ainda existe?), dos jardins da Gulbenkian, dos espectáculos no anfi-teatro ao ar livre, dos concertos às 6 da tarde,

(Resto do texto)


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Saudade - contributo da Karla

A Karla é uma das leitoras e comentadoras mais assíduas deste blog. E está sempre pronta a colaborar quando eu faço desafios. E assim, como eu já estava à espera, escreveu este belo texto sobre o tema saudade, que publico aqui na íntegra.

Talvez haja saudade.

Já lá vão 6 meses, desde o dia em que deixaste este mundo, sem tempo para um adeus.

Talvez mesmo por isso, por não ter havido lugar a despedidas, eu não te sinta ausente.
Talvez porque tive de agarrar a vida sozinha.
Talvez por tudo à minha volta, ter o teu cunho.
Talvez porque continuo a viver, como se logo entrasses por esta porta.
Talvez porque nos momentos de dúvida e incerteza, és a bússola que me orienta.
Talvez porque continuo a sorrir com as nossas lembranças.
Talvez porque continuo a lutar pelos nossos ideais.
Talvez .
Talvez por teres feito de mim, muito da mulher que sou hoje.
Talvez por tudo . eu não te sinta ausente.

Talvez haja saudade,
Do teu toque
Do teu cheiro
Do teu riso aberto

Talvez haja saudade . mas sou uma mulher feliz.

Karla


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Saudade - contributo do soslayo

Soslayo, nome de blog que é também o nickname do autor, Mateus Gouveia, foi um blog que nasceu com uma homenagem a um amigo que já não está entre nós. Em resposta ao meu desafio, o seu autor brinda-nos com um belo e sentido poema de homenagem a esse mesmo amigo.

Saudade

Quanta saudade sinto de ti
Irmão que nas trevas te imbuíste
das noitadas te livraste
das cumplicidades consentidas
te relevaste.

(Resto do texto)


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setembro 16, 2005

Saudade - contributo da J.P.

Mais um caso de um texto escrito anteriormente que se encaixa neste desafio. A J.P., no seu blog fazdeconta, havia já escrito, em Março deste ano, este belo texto sem título.

Hoje sonhei-me no rio, naquele rio verde e largo de ilhas fechadas, cercadas de amoras pretas e grenás quentes no meio da tarde tão doces...

(Resto do texto)


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Saudade - contributo da Lima

Em boa hora me lembrei de lançar este desafio. Para além de já me terem prometido alguns textos, descobri que já havia alguns escritos há algum tempo. Um deles é este belo texto da Lima, do blog in my secret life, escrito em Outubro de 2004.

saudade

Sinto saudade.
Saudade do que não vi,
saudade do que não dei, saudade do que não recebi.

(Resto do texto)


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Saudade - contributo da Luna (Loucura e Nata)

A Luna, do blog Loucura e Nata, é o que se pode chamar o cúmulo da rapidez: ainda eu nem sequer tinha lançado o desafio e já ela tinha feito um post sobre o assunto. E que belo post.

Cruzamentos...

Cruzei
caminhos por mim nunca
antes navegados

(Resto do texto)


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Saudade - desafio aos leitores

Escrevi há dois dias um post sobre o tema "Saudade". Entre os comentários, o Dani lembrou-me que tinha também escrito um texto sobre o tema, intitulado "Matar saudades".

E isso deu-me logo uma ideia. Um desafio aos leitores, tal como tinha feito sobre o tema "Encanecer", que podem ver ali na coluna do lado.

Assim, desafio os leitores a escrever sobre o tema "Saudade". Quem tiver um blog, pode publicá-lo lá e avisar-me, para eu colocar a referência aqui. Quem não tiver, envia-me o texto e eu publico aqui com referência ao autor. Este desafio fica aberto em permanência. Fico à espera dos vossos contributos (com toda a certeza excelentes).


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setembro 15, 2005

A vida irritantemente simples de Zeca Lado (3.º mini-episódio)

Zeca Lado tem um chefe que se pode designar por sarcástico-pleonástico, e que tem por hobby descarregar as suas frustrações pessoais sobre o nosso homem com uma vida irritantemente simples. As suas frases mais conhecidas são: - Você até podia ser um pássaro, bater as asas e subir para cima, que logo a seguir, alguém lhe dava um tiro e você descia para baixo. - Avance para a frente e deixe-se ficar aí até eu o mandar recuar para trás. - Esteja calado e não fale.

Normalmente podia fazer-se uma previsão de quando ele ia para fora apenas pelo número de pleonasmos que proferia no dia anterior. Quando dizia muitos pleonasmos era sinal que sairia no dia seguinte (estava a dizer todos os que não poderia dizer durante a sua ausência), e o pessoal, umas 2 horas depois do horário de saída, ausentava-se finalmente do emprego para ir comprar champanhe e salgadinhos para a festa do dia seguinte.

Zeca Lado, com o desejo de um dia vir a ser chefe, ia anotando todas as frases, repetindo-as à noite perante o espelho. Por vezes conseguia ser tão convincente que até ele próprio se assustava e obedecia ao seu próprio comando, ficando algum tempo à espera de ouvir a sua própria voz a dar-lhe autorização para falar.


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setembro 14, 2005

Interior n.º 1

Saudade

Saudade. Dizem que é um sentimento bem português, mas eu penso que é universal. Quem nunca sentiu saudade, fosse qual fosse a sua nacionalidade?

Saudade de pessoas, de tempos, de momentos, de cheiros, de acontecimentos insignificantes e ao mesmo tempo inesquecíveis.

Saudade de tudo o que faz falta para se ser feliz.

Saudade.

S
a
u
d
a
d
e
.


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setembro 13, 2005

A vida irritantemente simples de Zeca Lado (2.º mini-episódio)

Uma noite de copos é normalmente acompanhada por umas bifanas e moelas. O que quer dizer que, no dia seguinte, as cólicas são inevitáveis. E nestas alturas há decisões importantes a tomar: o que ler na casa de banho?

Se fosse Sábado ou Domingo, não haveria problema: o Expresso ou o Público de Domingo conseguiriam preencher o tempo de reclusão. Nos outros dias, o jornal não chega, é preciso um livro ou uma revista.

Se for no início do mês, tem a revista das Selecções do Reader's Digest. Mas só dá para um dia. Se tiver um dos livros condensados da mesma editora, ainda dá para dois dias. Por isso, é preciso ter sempre à mão uma alternativa.

Não pode levar um livro de humor, pois correria o risco de morrer a rir, e seriam um fim pouco digno. Livros ou revistas eróticas seriam ergonomicamente inviáveis. A colecção de história de Portugal, coordenada por José Mattoso, também não era boa ideia pois, sendo um patriota, estaria a conspurcar a história do nosso nobre povo. E jamais levaria os discursos de Jorge Sampaio, pois correria o risco de adormecer.

Assim, a solução a que mais vezes recorria acabava por ser ler um livro em inglês. Como não sabia ler inglês, levava um dicionário para traduzir todas as palavras do livro, o que dava para se entreter durante vários dias.


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setembro 12, 2005

A vida irritantemente simples de Zeca Lado (1.º mini-episódio)

Zeca Lado tem uma vida irritantemente simples. Não tem rasgos de génio, daqueles que o imortalizariam para sempre na memória colectiva. Apenas uma existência irritantemente simples. Daquelas que jamais dariam para escrever uma história, nem sequer uma mini-história, composta por vários mini-episódios.

Hoje, Zeca acordou do lado errado da cama. Digo isto literalmente, dado que uma noite de copos fez com que a parte de baixo da cama lhe parecesse mais acolhedora do que a de cima.

Olhou para cima e viu o velho estrado em tabopan, ornado com alguns pequenos buracos. Pensou ir buscar algumas taliscas de madeira para cobrir os ditos buracos, mas lembrando-se da anterior tentativa falhada de pregar um prego na parede para pendurar um quadro, decidiu usar cartolina e cola.

- Essas térmitas pensavam que me ganhavam! - exclamou de alegria, perante a obra feita.


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Mecano

O meu grupo espanhol preferido é este. Não é o único, mas é o meu preferido. O mais difícil é escolher a canção. Sem dúvida que "Hijo de la luna" é a primeira que me vem à cabeça sempre que penso nos Mecano. E é a única deles que eu sei a letra completa (de cantá-la à minha filha).

Mas acabei por optar por uma outra canção, talvez a mais corajosa que eles têm.

Nada tienen de especial
dos mujeres que se dan la mano
el matiz viene despues
cuando lo hacen por debajo del mantel
Luego a solas sin nada que perder
tras las manos va el resto de la piel
un amor por ocultar
y aunque en cueros no hay donde esconderlo
lo disfrazan de amistad
cuando sale a pesar por la ciudad
Una opina que aquello no esta bien
la otra opina que que se le va a hacer
y lo que opinen los demas esta demas
Quien detiene palomas al vuelo
volando a ras del suelo
mujer contra mujer
No estoy yo por la labor
de tirarles la primera piedra
si equivoco la ocasion
y las hallo labio a labio en el salon
ni siquiera me atrevere a toser
si no gusto ya se lo que hay que hacer
que con mis piedras hacen ellas su pared
Quien detiene palomas al vuelo
volando a ras del suelo
mujer contra mujer
Una opina que aquello no esta bien
la otra opina que que se le va a hacer
y lo que opinen los demas esta demas
Quien detiene palomas al vuelo
volando a ras del suelo
mujer contra mujer

Mujer contra mujer
Mecano


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setembro 11, 2005

Hora irrepetível n.º 1

Obrigado pela vossa visita durante a hora irrepetível.

Para a semana há mais...


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Falta 1 hora para a HORA IRREPETÍVEL

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setembro 10, 2005

Frango estufado com ervilhas e puré de batata

É verdade! É a minha perdição. Quando apanho este prato pela frente, não páro, até não sobrar nem um bocadinho. Mesmo que já esteja mais do que satisfeito, continuo a comer até não haver mais. E depois fico mal disposto (para além de ficar com umas medidas 80-100-80).

Depois disso tudo, se assistir a mais uma derrota do Benfica ainda fico mais mal disposto. Antes da conquista do campeonato na época passada, eu até estava habituado, mas agora volta a ser difícil engolir... Espero que o Chaves, pelo menos, comece com o pé direito, amanhã, contra o Leixões.

Para melhorar a disposição, só mesmo lembrando-me da seguinte anedota:

O presidente George W. Bush foi convidado para fazer um discurso no COI (Comité Olímpico Internacional). Pega no papel do discurso e começa:
O... O... O... O... O...

Um assessor de imprensa vem imediatamente ter com ele e segreda-lhe ao ouvido:
- Senhor Presidente, isso são os anéis olímpicos, o discurso começa mais abaixo...


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O que está para vir

Já fui explicando, aos poucos, as alterações que iam haver por aqui nos próximos tempos. No início eu reservava um dia para cada tipo de texto, numerando dessa forma: x.ª semana, y.º dia.

Agora, preciso de um pouco mais de liberdade. Por isso, em vez de reservar um dia para cada tema, vou escrevendo sobre os vários temas conforme a (des)inspiração do momento. Já puderam ver 4 temas diferentes:

  • história;
  • poema;
  • você decide;
  • calendário.

Faltam dois, que vão ser:

  • interior;
  • exterior.

Está assim revelado o que é o "6 em 1", falta o "algo +". Para já, uma parte do "algo +" vai ocorrer aos Domingos.

Assim, aos Domingos, entre as 23 e as 24 horas, vai decorrer a "Hora irrepetível", que é o que o nome diz, uma hora que não se volta a repetir, quem perder, paciência. Será um post que durará apenas uma hora, depois desaparecerá para sempre.

Depois da "Hora irrepetível", mudo a música do blog.

Entretanto, vou avisando, caso haja mais mudanças. Mas não percam, começa já este Domingo, às 23 horas, o novo formato, começando com a "Hora irrepetível".


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setembro 09, 2005

Poema n.º n + 1

O teu sorriso

Queria ser o teu sorriso,
Habitar no espaço entre os teus lábios
Que se cria quando estás feliz.

Gostava de o manter para sempre,
Afastar as sombras do passado
Que te atormentam e escurecem o teu mundo.

Gostava de olhar no fundo dos teus olhos
E conseguir ler o teu pensamento,
Desde o mais leve até ao mais profundo.

Queria neles ler aquilo que tu sentes,
Todas as palavras que não consegues proferir,
Mas que o teu coração, em silêncio, diz.


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setembro 08, 2005

Dependência... a cura!

Fui dormir! Só volto amanhã!
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Dependência... estado crítico

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Dependência... o esquema

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setembro 07, 2005

Dependência...

2 passos

virar à direita

5 passos

virar à direita

2 passos

virar à esquerda

subir 2 degraus

1 passo

virar à direita

2 passos

virar à esquerda

descer 2 degraus

3 passos

virar à direita

2 passos

sentar na cadeira

carregar no botão

esperar

abrir browser

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setembro 06, 2005

Inversão da ordem natural

O assunto de que venho hoje falar é triste. Bateu-me hoje à porta. Se alguém não quiser ser contagiado por esta tristeza, por favor, não leia.

Uma prima da minha mãe, minha em segundo grau, viu morrer-lhe um filho, com cancro no fígado, quando este tinha por volta de 35 anos. Sendo ela uma das pessoas mais alegres que conheço, vi o seu sorriso mais pálido desde então. Como ela mora em França, raramente a vejo. Quando tenho esse privilégio, ela sorri por me ver e nunca a ouço falar do assunto. Eu também evito fazê-lo, com medo de lhe fazer desaparecer o sorriso da cara. Às vezes pergunto-me se faço bem.

Ontem soube do falecimento de uma pessoa com que contactei algumas vezes. Não o conhecia bem e apenas o via de mês a mês. Soube hoje que tinha perdido o filho por volta do início deste ano. Parecia-me doente, mais distante, nos últimos tempos. Agora percebo qual seria o motivo. Ter-se-á suicidado, a dúvida ficará sempre, colhido por um comboio.

Pela ordem natural da vida, é costume os filhos chorarem a morte dos pais. Custa-me falar disso, quero sempre que isso me aconteça o mais tarde possível. Mas ainda me custa mais pensar em alguém perder um filho. Desde que comecei a ser pai, há quase quatro anos e meio, ainda se tornou mais impensável esta inversão da ordem natural da vida.

E quando questões como estas me batem à porta, fico sem reacção, sem saber o que fazer, distante do mundo, e sem vontade de falar com ninguém. Hoje ganhei um pouco de coragem, e decidi escrever. Espero que me desculpem este desabafo interior.

Até amanhã.


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setembro 05, 2005

Comunicado

O nome original era "6 em 1", depois passou a "6 em 1 & algo +". Pensei rebaptizá-lo. Vários nomes me ocorreram, para além dos que me sugeriram.

Um nome mais intelectual: As faces do hexágono.

Um nome menos simbólico: Seis em um e algo mais.

Um nome mais pedagógico: Meia dúzia numa unidade com adição de algo.

Um nome mais internacional: Six in one and something else.

Um nome mais científico: Agrupamento de 6 unidades num único recipiente ao qual é adicionado o reagente algo.

Tendo em conta as reacções que se opunham à mudança de nome, e dado que continuo sem ir ao cabeleireiro, e tendo em conta que em equipa que ganha não se mexe, e que Roma e Pavia não se fizeram num dia, e que mais vale um pássaro na mão que dois a voar, decidi que é melhor manter o nome.


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Desafio musical resolvido

I sit by the harbour The sea calls to me I hide in the water But I need to breathe.

You are an ocean wave, my love
Crashing at the bow
I am a galley slave, my love
If only I could find out the way
To sail you ...
Maybe I'll just stow away ...

I've been run aground
So sad for a sailor
I felt safe and sound
But needed the danger

You are an ocean wave, my love
(...)

Stow away...
Stow away...

Martha's Harbour
All About Eve


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setembro 04, 2005

Desafio musical

Qual o nome e intérprete da nova música deste blog?
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setembro 03, 2005

Indo à bruxa

Tenho andado assoberbado (que linda palavra) de trabalho, daí que estes dois últimos dias tenham sido massacrantes para a minha saúde mental. E como devo estar com um ar cansado, alguém olhou para mim e disse que eu precisava de ir à bruxa. Descrente das capacidades destas para poder colocar a minha existência no rumo correcto, sorri amavelmente e deixei de pensar no assunto.

Eis senão quando, chegado a casa, vou verificar a caixa do correio na esperança de não ter publicidade não solicitada. E com o que é que me deparo? Com o seguinte anúncio, transcrito sem correcção de erros:
"Astróloga - Vidente Professora D*****
Nada na vida acontece por acaso.
Tudo tem um porquê de acontecer.
Se os seus problemas forem da
vontade de Deus, não sou mais que Deus!
Mas se você é vítima de magia negra,
feitiços, bruxarias, inveja, enfermidades
inexplicáveis, saúde, perca de lucro no
comércio e indústria, problemas financeiros,
e amorosos. Seja qual for o seu problema
Professora D***** tem capacidade para
resolver todos os seus problemas com plena
segurança.

Tráz de volta a pessoa amada aos seus pés,
através do poder da amarração.

Especialista em leitura de cartas (Tarot),
búzios e astrologia

Trabalhos rápidos - 100% garantidos

Sigilio absoluto
(...)"

Fiquei estarrecido. Está tudo relacionado: uma pessoa diz-me para ir à bruxa e aparece-me este anúncio na caixa de correio.

Decidi que tenho de ir, é sempre bom explorar as diversas oportunidades de negócio.


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setembro 02, 2005

Mudança

Ainda ontem ouvi uma voz feminina dizer: - Quando uma mulher quer mudar de vida, vai ao cabeleireiro.

Como eu só vou ao cabeleireiro de 6 em 6 meses, não vou contestar esta opinião. Este blog também está em mudança. Já mudou de estilo, vai mudar algumas coisas ali pelos templates quando tiver tempo, só falta mudar de nome e ir ao cabeleireiro.

Pois é por isso mesmo que estou a escrever este texto. Vou mudar o nome do blog. Peço-vos sugestões. Não é qualquer espécie de votação (no fim sou eu quem decide). É mais uma busca de ideias, dado que ainda não escolhi.

A recolha de informação decorre durante o fim de semana.


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setembro 01, 2005

O espelho do elevador

Só há 3 formas de viajar num elevador: sozinho, acompanhado por pessoas conhecidas ou acompanhado por estranhos.

Nos dois primeiros casos, aproveita-se o espelho para arranjar a roupa, o cabelo, até retocar a maquilhagem. No 3.º caso mira-se de esguelha os companheiros de viagem. E tudo é possível, quando se tem um elevador com 50 andares.

E perguntais vós, curiosos leitores, quem sou eu para me achar perito em elevadores? Bem, isso é uma longa história. Se tiverdes paciência para a ler, eu vou contá-la.

Em miúdo, pouco antes de entrar para a escola, fui viver para um edifício com 50 andares. Eu morava exactamente no último, fazia a viagem completa. Fiquei fascinado com o elevador. Era a minha brincadeira diária, subir e descer o elevador, ver pessoas entrar e sair.

A primeira vez que me viam ficavam de pé atrás e olhavam disfarçadamente. Depois, já me conheciam e agiam naturalmente. Tinha a D. Rosa, que usava vários chapéus espampanantes, que ajeitava a aba sempre que entrava, e a sua filha Inês, que fazia o laço no vestido. O Sr. Zé tirava o pente da meia e penteava o bigode e o cabelo.
A Luísa e o seu namorado Quim faziam cara de chateados quando viam que eu estava lá.

E assim, passaram anos, e o elevador continuou a ser a minha paixão. Cheguei aos 10 anos. A minha mãe achou que eu precisava de perder a mania do elevador. Por isso, proibiu-me de andar nele quando não fosse necessário.

Em vez de andar de elevador, vim para a entrada do prédio, triste. Um senhor de idade quis saber o que se passava. Eu contei-lhe a história. Ele deu-me um anel. Disse-me que era mágico e que me permitiria estar no elevador sem ser visto. Só tinha que o colocar e tocar no espelho.

Eu assim fiz e, magia das magias, passei para o interior do espelho. Quando queria sair só tinha de tocar na parte interior do espelho. E assim, a minha mãe nunca me descobriu.

Os anos foram passando. Comecei a descobrir coisas novas. As pessoas, pensando estar sozinhas, agiam de forma diferente. A D. Rosa aproveitava para ajeitar o forro da saia. A Inês, já grande, aproveitava para realçar o decote do vestido. O Sr. Zé, para além das habituais penteadelas, coçava ainda a orelha e tirava macacos do nariz. E também descobri por que razão a Luísa e o agora marido Quim ficavam chateados quando me viam.

E assim, muitas aventuras novas vivi naquele elevador, agora sem ser visto. Aprendi a conhecer as pessoas melhor, os seus hábitos, a sua forma de ser. Muitas vezes olhavam o espelho fixamente, como se pressentissem a minha presença. E eu olhava-as nos olhos e conseguia ler o que lhes ia na alma.

Até que veio o dia fatal. A Luísa e o Quim, como habitualmente, pararam o elevador no 20.º andar, que sabiam ser desabitado, e deixaram a paixão tomar conta dos seus corpos, numa entrega desenfreada. Com o ardor, bateram forte no espelho, o que fez com que o anel me caísse do dedo e rolasse para o lado de fora do espelho. E agora, como é que eu poderia sair?

Tentei gritar, na esperança de que me ouvissem. Mas nada. Quando viu o anel, o Quim pegou nele e levou-o consigo. Pensou que alguém o tivesse perdido. E assim, fiquei para sempre preso.

Nunca mais ninguém soube de mim. Ninguém desconfia que eu sou o espelho do elevador. E quando, na suposta solidão, as pessoas me revelam as suas facetas, tiques e fantasias, eu devolvo-lhes a imagem daquilo que gostariam de ser. E quando saem do elevador, vão mais felizes consigo mesmas.


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Você decide n.º 1

Eis uma nova rubrica neste blog. Eu dou 6 escolhas (afinal isto é um 6 em 1) para o título do post, e vocês escolhem até às 21 horas de hoje. Depois, até à meia-noite, eu escrevo o texto que vocês escolheram.

Aqui vão as hipóteses:
A. A muralha.
B. O sol por trás da montanha.
C. O sonho perdido.
D. O espelho.
E. O elevador.
F. A máscara.

Podem votar, na caixa de comentários.

(Luís, só vale votar uma única vez e numa única hipótese)

(e não, não podes adicionar novas hipóteses)


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agosto 31, 2005

Calendário n.º 2

1986 - alguém que não fosse do Marco ou arredores sabia quem era este senhor?

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Não me perguntem como é que este calendário me chegou às mãos...

(espero que os leitores não fujam ao ver esta cara)


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Calendário n.º 1

1986 - Campanha colorida

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No dia em que Mário Soares vai anunciar a sua candidatura, tentei encontrar um calendário da sua primeira campanha de 1986. Não encontrei. Em contrapartida, encontrei 2 do outro candidato, Freitas do Amaral.

Apontado como favorito, Freitas do Amaral acabou por perder, num confronto esquerda-direita sem precedentes. Curiosas as cores azul e laranja dos calendários...

Passados quase 20 anos, Freitas do Amaral é Ministro e Mário Soares é novamente candidato a Presidente da República. Cavaco Silva, o outro candidato, era Primeiro Ministro na altura. Caso para dizer: são sempre os mesmos...


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Cada tolo tem a sua mania...

...já diz o ditado.

Uma das minhas manias, durante a juventude, foram os calendários. Não comprava (havia coisas mais úteis em que gastar dinheiro, como cigarros), mas guardava todos os que me davam. Assim, uma das novas secções deste blog vai chamar-se "Calendários". Daqui a pouco sai o primeiro...


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agosto 30, 2005

MAI GODE UÃTA MESSE

Uãne ofe dis deis, dis blogue is gona bi a queios (uorste den ite is nau). Ai eme uorningue iu... Iude beter note cãme antil ite gous beque tu normal.

Sained: de menager


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A minha preferida dos rapazes da água

I wish I was a fisherman Tumblin' on the seas Far away from dry land And it's bitter memories Casting out my sweet line With abandonment and love No ceiling bearin' down on me 'cept the starry sky above With light in my head You in my arms Woohoo!

I wish I was the brakeman
On a hurtlin' fevered train
Crashing a-headlong into the heartland
Like a cannon in the rain
With the beating of the sleepers
And the burnin' of the coal
Counting the towns flashing by
In a night that's full of soul
With light in my head
You in my arms
Woohoo!

Well I know I will be loosened
From bonds that hold me fast
That the chains all hung around me
Will fall away at last
And on that fine and fateful day
I will take me in my hands
I will ride on the train
I will be the fisherman
With light in my head
You in my arms
Woohoo!

Fisherman's Blues
Waterboys


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agosto 29, 2005

História n.º 17

Amigos

Aquele Verão foi o melhor de sempre. Éramos 10. Conhecíamo-nos havia 5 anos. Conhecemo-nos ainda melhor nesse Verão. Era seguro para nós que seríamos amigos para sempre. E jurámos que não deixaríamos de nos defender mutuamente.

Colegas na escola, desde o 7.º ano, íamos todos para o 12.º ano, o último antes da faculdade. A Joana, a Raquel, a Marisa, a Carla, a Renata, o João, o Pedro, o Henrique, o Manuel e eu, o Jorge. Mas o ano que pensámos ser de consolidação de uma amizade, acabou por ser o ano em que eu fiquei sem amigos. Ou quase.

Tudo começou quando o Zé Machado, que fazia mil e um truques com a sua Zundap, roubou dinheiro ao João. Nunca imaginámos o Zé a roubar, até porque o pai era dono de uma das maiores oficinas da cidade. Mas o Pedro já tinha ouvido dizer que ele se tinha metido na droga, e assim já fazia sentido.

Usando os nossos códigos de honra, aplicamos um valente correctivo ao Zé. O Henrique, com o seu feitio mais quente, ainda estragou a mota. E lá voltou ele, a sangrar, para casa. Como era habitual, para este tipo de situações não consultávamos as raparigas, pois achávamos que aquilo era serviço para homens. Por isso não sabíamos que o Zé namorava com a Joana, a nossa amiga inseparável.

É fácil de perceber que a Joana saíu do nosso grupo. Eu fiquei triste com a situação, senti-me culpado. Também achava que se tinha ultrapassado os limites, mas na altura nada fiz para acalmar os ânimos. Nem o facto de quase só ter assistido e ainda ter tentado impedir o Henrique de estragar a mota me fazia sentir melhor.

O tempo passou. A Joana tinha um comportamento muito distante na escola. Apercebi-me que também se tinha começado a drogar. Fui falar com ela, em parte para pedir desculpas pelo que tinha acontecido. Fomos até ao bar, conversamos um pouco. Os outros apareceram e fizeram sinal para ir para junto deles. Eu não fui, não podia deixar a Joana sozinha.

No dia seguinte, falei novamente com a Joana. O Henrique veio meter-se entre nós e perguntou-lhe se já estava a angariar mais clientes para sustentar o drogado do namorado. Ela saiu, a chorar. Fiquei furioso com o Henrique. Ele disse-me que ela andava a prostituir-se. Fiquei chocado, sem saber o que dizer. Era a mesma Joana que tinha estado connosco todos aqueles anos. Como teria chegado àquele ponto?

Resolvi ir procurá-la. Ela confirmou. Ela amava o Zé e preferia prostituir-se a ve-lo preso. Ele a princípio não sabia de nada e, quando descobriu, foi contra. Mas ela ameaçou que, se ele continuasse a roubar, o abandonava. O pai descobriu-a e expulsou-a de casa. Só a mãe lhe dava algum dinheiro e comida, sempre às escondidas do pai.

Perguntei-lhe se não havia hipóteses de deixarem a droga. Eles já tinham tentado, mas havia sempre um dos amigos do Zé que lhe emprestava alguma e estragava tudo. Sugeri-lhe que se afastasse, que fosse para outra terra, que tentasse afastar-se dessas pessoas que só os prejudicavam. Ela disse que já tinha pensado nisso, mas temia não conseguir convencer o Zé.

Fui conversando com ela o resto do ano. Ela acabou por desistir da escola, mas não deixei de manter o contacto. Os outros afastaram-se de mim, aos poucos. Até que chegou o dia em que os laços de amizade se quebraram de vez. Quando eles se juntaram e disseram que era ela ou eles. Nem lhes respondi, virei as costas.

O ano chegou ao fim. Eu entrei numa Universidade longe de casa. A Renata foi a única que foi para a mesma Universidade. Voltámos a falar, mas já não éramos amigos. Com os outros nunca mais falei.

O Zé e a Joana partiram para longe, na esperança de encontrarem um sítio onde pudessem ser felizes. Vários boatos se foram ouvindo, que ela teria morrido e ele teria voltado à droga. Mas a Joana continua a ligar-me, e a dizer como as coisas estão a evoluir. Mas esse é um segredo, e quando um amigo promete guardar segredo, essa promessa é sagrada.


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Nova fase!

Hoje começa uma nova fase deste blog. Ao contrário do que fazia antes, em que reservava um dia para cada tipo de texto, vou passar a fazer tudo misturado. Ou seja, vai ser conforme o sítio para onde estiver virado. Os temas vão ser numerados, em vez de manterem a designação anterior da semana e dia.

Hoje estou virado para um conto. Assim seja.


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agosto 28, 2005

A parte má do fim de semana...

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agosto 26, 2005

O meu pai

O meu pai nasceu no dia 26 de Agosto de 1938, na aldeia de Vila Nova de Monforte, no concelho de Chaves. Foi registado apenas no dia 3 de Setembro, e como o meu avô não queria pagar a multa pelo atraso, colocou essa mesma data no registo. Mas os anos são festejados no dia em que realmente nasceu.

São 67 anos de muitas histórias. Aluno brilhante na escola, fez o exame da 4.ª classe, com louvor e distinção. Ficou por aqui, porque numa família de 10 irmãos (ele era o nono) e tendo o meu avô já falecido tinha de ajudar na economia da casa. Ainda durante o tempo da escola era pastor, levava as ovelhas para o monte, para além de trabalhar na lavoura que colocava a comida na mesa. Aprendeu os nomes das árvores e das ervas, dos pássaros e respectivos cantos, dos outros animais. Ainda hoje não esqueceu o que aprendeu.

Aos 15 anos, se a memória não me falha, abalou para Lisboa, para onde foi trabalhar como empregado de balcão num café. Esteve lá, até à idade da tropa. Voltou, já com bigode, mas a minha avó (por curiosidade, nascida e criada no Porto) só o deixou entrar em casa depois de o cortar.

Pouco antes da inspecção teve uma apendicite aguda, e pensou que estava livre. Pura ilusão, lá teve de se conformar. Dois anos cá, dois anos em Angola, nas transmissões. Podia ter seguido a carreira militar, mas já estava farto. Ficou em Angola, a trabalhar em alguns dos cafés da alta sociedade angolana. Conheceu a minha mãe, casou, estabeleceu-se por conta própria, teve dois filhos (eu sou o segundo) e pensou que ia viver sempre em Angola.

Ainda eu não tinha dois anos, em Outubro de 1974, voltamos quase sem nada. Fomos viver para a terra da minha mãe, São Lourenço, e recomeçar tudo do zero.

Trabalhou em dois restaurantes antes de, em 1985, começar a dirigir o seu próprio. A minha irmã mais velha veio estudar para o Porto nesse ano. Era preciso ajudar a manter os estudos, por isso, eu comecei a trabalhar no restaurante com o meu pai, ainda não tinha 13 anos, evitando que o meu pai tivesse de contratar mais um empregado.

Foi o tempo que estive mais próximo do meu pai, antes só o via à noite, quando o sono não me vencia primeiro. Antes, ele trabalhava até aos Sábados e Domingos, para ganhar mais dinheiro. Foram 5 anos de aprendizagem, em que aprendi com o meu pai os ensinamentos mais importantes para a vida, daqueles que não se aprendem na escola.

Felizmente, o negócio correu bem, e eu pude vir estudar para o Porto. Acabei por ficar por cá, longe do meu pai. Entretanto, cansado de trabalhar das 7 da manhã até às 9/10 da noite, acabou por passar o restaurante e reformar-se. Envelheceu muito desde então, parece que lhe fazia falta aquele ritmo de vida.

Hoje, dia 26, vou estar com ele e com o resto da família. Lá não tenho Internet, por isso fiquem bem até ao meu regresso.


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agosto 25, 2005

Há dias assim...

Acordar de manhã, sem ser a tempo e horas, não fazer a barba nem tomar o pequeno almoço. Sair porta fora sem levar a chave do carro. Voltar atrás e pegar na chave errada. Voltar atrás e pegar na chave certa. Nos 15 metros até ao carro, verificar 15 vezes que é mesmo aquela a chave. Entrar no carro e lembrar-se que se esqueceu da pasta. Voltar a casa, com a chave do carro na mão e pegar na pasta. Entretanto, a chave já não está na mão. Vasculhar a casa à procura da chave. Encontrar a chave dentro do frigorífico (onde estava a pasta). Entrar finalmente no carro. Verificar se o colete reflector está no carro. Ligar finalmente o carro. Sair da garagem. Bater com força na porta da garagem que estava apenas parcialmente aberta. Abrir o resto da porta. Sair da garagem. Arrancar. Parar. Fazer marcha-atrás. Parar. Fechar a porta da garagem. Voltar a arrancar. Alguém apita, deve ser conhecido. Acenar e sorrir. Entrar na via rápida. Esquecer-se da saída. Parar. Fazer marcha-atrás. Várias apitadelas, tanta gente conhecida. Agora sim, saída correcta. Ir em direcção ao trabalho. A 50 metros os semáforos ficam amarelos. Acelerar para passar. A 20 metros dos semáforos, ver no espelho retrovisor o carro da polícia. Travar a fundo. Cheiro a queimado, deve ser dos incêndios. Arrancar novamente. Estacionar o carro, tentando não bater nos outros. Missão falhada. Sair e procurar outro lugar para estacionar. Encontrar um lugar para estacionar, com 10 metros de espaço livre. Muito a custo, estacionar sem bater nos outros carros. Sair do carro. Chegar ao trabalho. Voltar ao carro para buscar a pasta esquecida. Descobrir que tem uma mota estacionada debaixo do carro. Que estranho local para estacionar a mota. Chegar novamente ao trabalho. Entrar no gabinete, onde está sozinho, dado os outros colegas estarem de férias. Finalmente, pode dormir descansado.
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agosto 24, 2005

6 em 1 & algo + em todos os continentes

Austrália, Macau, Singapura, Arábia Saudita, Irão, Moçambique, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Turquia, Holanda, Reino Unido, Espanha e, claro, Portugal, foi por onde andou hoje este blog. E ontem já tinha andado também pelo México, França, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha.

Não tenho dúvidas que quase todos foram por acaso, mas não resisti a assinalar esta façanha do blog. O próximo objectivo é a Lua!


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Minimalismo

Hoje estou minimalista, como devem ter notado pelo texto anterior. Estou naqueles dias em que digo apenas o essencial e nada mais do que isso. Ainda assim, nada que se compare com um colega meu da faculdade. O que se segue é um diálogo entre ele e outro colega.

- Tens horas?
- Sim.

Depois de alguns segundos de silêncio:
- E podes-me dizer as horas?
- Claro que posso.

Já em fúria:
- E quantas horas são?
- Não se pede por favor?

Vermelho de raiva:
- Quantas horas são, por favor?
- São 10 horas, mas se tivesses olhado para o relógio ali na parede já sabias.

(o resto do diálogo foi censurado)


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Figuras de barro

Uma das minhas tias foi viver para Caldas da Rainha, levando com ela os meus 3 primos. Só o mais velho continuou a falar à transmontano. O do meio falava "nã vô", em vez de "não vou". O mais novo dizia "tlês" em vez de "três". Já não os vejo há algum tempo.

Ontem entrei numa das muitas lojas chinesas que apareceram recentemente. Vi lá uma figura de barro e perguntei-me se seria chinesa. Perguntei ao senhor quanto custava e ele disse-me: "tlês eulos". O meu primeiro impulso foi largar a peça e gritar:
- PRIMO!

Mas então lembrei-me que o meu primo tinha um nariz mais comprido e era loiro, ao contrário da pessoa que estava a minha frente. Provavelmente, também era de Caldas da Rainha, até porque vendia figuras de barro, mas não era o meu primo.


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agosto 23, 2005

A casa do terror

Aquela casa é, desde tempos remotos, considerada como amaldiçoada. Sobre ela pesam as mais terríveis histórias. Diz-se que há pessoas que lá entraram nunca mais voltaram. As que conseguiram voltar nunca mais foram as mesmas. Há quem afirme que não passam de lendas, mas outros acreditam que é habitada por mortos-vivos prontos a ficar com os nossos corpos e almas.

Deixei o carro a uma distância segura, não demasiado perto para que pudesse ser amaldiçoado nem demasiado longe para poder fugir rapidamente. Caminhei lentamente. O medo impedia que fosse mais rápido, embora uma estranha força me chamasse. Um sussurro parecia ecoar nos meus ouvidos: vem... aproxima-te...

A porta estava aberta. Pensei que era a minha última hipótese de fugir. Acabei por entrar, impelido por uma estranha força. Sombria, asfixiante, murmurante, tudo naquela casa metia medo.

Alguns vultos circulavam, vagarosamente, com um estranho semblante. Alguns suspiravam, outros olhavam-me de esguelha. Fiquei com a sensação de que se tratavam de mortos-vivos, como rezavam as histórias. Sentados em cadeiras, olhavam o vazio e movimentavam-se de forma desconexa. Outros pareciam corpos sem vida, não lhes conseguindo reconhecer qualquer movimento.

Em vez de fugir, embrenhei-me ainda mais no meio daqueles corpos, como quem caminha sobre brasas para um abismo fatal. Tentava descobrir em algum deles um traço de humanidade, algo que me dissesse que as histórias que ouvia não passavam de lendas. Mas ninguém se dirigia a mim.

Até que, após uma hora, vi um vulto caminhar na minha direcção. O meu sangue gelou. Hirto, não consegui fugir em direcção à porta. Queria mover-me, mas o corpo não respondia. Ele estava cada vez mais perto e eu sem conseguir fugir. A 3 passos, debruçou-se na minha direcção ficando a apenas 1 passo, e da sua boca ecoou uma horripilante frase:
- O que é que deseja?

Fiquei sem conseguir falar durante um momento. Eu tinha de conseguir superar o meu medo. Ganhei toda a coragem que consegui reunir, esqueci, por momentos, o meu pavor por repartições de finanças, e disse, trémulo:
- Vim saber por que ainda não me reembolsaram o IRS.


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agosto 22, 2005

Poema de amor tentado

Queria escrever-te um poema de amor. Queria que ele descrevesse o que sinto, Que tivesse o perfume de uma flor, E a frescura do instinto. Pensei chamar-te rainha do meu coração, Pela nobreza do sentimento, Mas soava-me, desoladoramente, a sucessão, E, dessa forma dinástica, seria um amor cinzento. Pensei em mudar para um regime presidencial, Onde eu teria direito a te escolher, Mas sendo o coração o eleitor principal, Não haveria muito que eu pudesse fazer. Decidi então que, em vez de um título, Te atribuiria um adjectivo, Que estivesse presente em cada capítulo Deste nosso sentimento intempestivo. Pensei em vários, como bela e formosa, Como terna, suave, ou até resplandecente, Ou então que és perfumada como uma rosa Ou que és quente como uma brasa incandescente. Pareceu-me tudo muito banal, um pouco déjà vu, E que não consubstanciavam toda a definição do verbo amar, Apercebi-me, finalmente, que o poema de amor és tu, E não um punhado de palavras num papel vulgar.
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agosto 21, 2005

Workaholics...

... never go to bed before midnight!

(Shame on them!)


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agosto 19, 2005

No meio da erva...

Uma das coisas que o Festival de Paredes de Coura tem de particular é a erva, que só não existe no estado líquido (e que jeito que dava um chazinho ao fim da noite). Um palco natural que convida ao são convívio com a natureza e as pessoas (isto se esquecermos o lixo no chão).

Eu só fui no último dia, propositadamente para ver o Nick Cave e as suas "más sementes", que de más nada tinham. Como bónus, tive tempo de assistir a duas boas surpresas:
- Juliette and the Licks, onde a actriz/cantora Juliette Lewis (Cabo do Medo, Strange Days, Assassinos Natos) mostrou que tem garra (voz é uma coisa um bocadinho diferente, mas também não foi muito mal) e bons músicos a acompanhá-la; resta saber se vai mais longe no seu estilo hard rock;
- Vincente Gallo, outro actor/cantor/realizador/modelo, acompanhado por uma excelente voz feminina (Theresa) e por um tal Woody, acalmou os espíritos com algumas baladas melancólicas; confesso que, embora estive ansioso pela chegada do Nick, gostei do que ouvi.

Finalmente, chegou o Nick Cave e as suas "sementes". Fiquei surpreendido pelo tom rock que imprimiu ao concerto, onde canções como "Red right hand" e " Do you love me?" foram interpretadas a um ritmo que fez parecer estarmos perante uma actuação dos Metallica, com um Nick Cave incansável aos saltos e aos golpes a solo de karaté.

Apesar da surpresa, acabou por ser bom ver um Nick Cave que parece pronto para mais, com uma energia inesgotável. E os Bad Seeds são como o Vinho do Porto, cada vez melhores. Só um senão: faltou a canção "Henry Lee", que se desculpa, pelo facto de ser difícil substituir a P. J. Harvey. Pelo menos não faltou "The Ship Song", a nova música deste blog.

Às vezes pergunto-me por que gosto de alguém como o Nick Cave, que tem uma voz incomum (eufemismo para horrível). Não tenho respostas, é daqueles cantores de quem se gosta ou que se odeia. Eu gosto, e gostos não se discutem.


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Acabei de chegar de Paredes de Coura, e estou rouco. Se recuperar a voz, volto mais logo...
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agosto 18, 2005

Hoje em Paredes de Coura

The Ship Song

Come sail your ships around me
And burn your bridges down
We make a little history, baby
Every time you come around

Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down
You are a little mystery to me
Every time you come around

We talk about it all night long
We define our moral ground
But when I crawl into your arms
Everything comes tumbling down

Come sail your ships around me
And burn your bridges down
We make a little history, baby
Every time you come around

Your face has fallen sad now
For you know the time is nigh
When I must remove your wings
And you, you must try to fly

Come sail your ships around me
And burn your bridges down
We make a little history, baby
Every time you come around

Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down
You are a little mystery to me
Every time you come around

Nick Cave & The Bad Seeds


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agosto 17, 2005

Grupo Desportivo de Chaves de volta à Liga de Honra

Quando o Chaves terminou, na época passada, no 17.º lugar da Liga de Honra, traçando como destino a descida à II.ª Divisão B, escrevi algures que nada estava perdido, dado que já anteriormente tinha havido situações em que os clubes desciam mas eram repescados, porque outros não conseguiam garantir condições financeiras para a disputa do respectivo campeonato (como aconteceu com o Salgueiros, na época passada).

E foi o que aconteceu. O Alverca desistiu, por problemas financeiros, e o Felgueiras foi despromovido, por dívidas fiscais. Assim, Gondomar e Chaves, foram repescados (a menos que também não consigam satisfazer as condições exigidas).

Para o Chaves é uma boa notícia. A II.ª Divisão B, está dividida em 3 zonas, sendo a Zona Norte, que o Chaves iria disputar, a mais forte, só subindo uma equipa. Seria muito difícil.

Mais difícil ainda será voltar à Superliga, dado que o número de sócios e a falta de patrocínios não deverão permitir um orçamento a apontar para voos mais ambiciosos. Para já, só quero que não desça. A partir daí, tudo o que vier a mais é lucro...


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Música a condizer

Com um desafio dos U2 em curso, não podia deixar de mudar a música.

Pus-me a pensar qual a música que mais gostava dos U2. Nos últimos tempos, não há nenhuma que eu considere indispensável (embora goste de algumas). Assim, fiz uma lista:
- October;
- New Year's day;
- Sunday bloody Sunday;
- Pride;
- Bad;
- The unforgetable fire;
- With or without you;
- Until the end of the world;
- One.

Fiquei um pouco indeciso. Diminui a escolha para 3:
- Sunday bloody Sunday;
- Bad;
- One.

Bolas, e agora?
A primeira era uma das músicas que ouvia mais na minha juventude. One é uma das músicas que ainda hoje gosto de ouvir.

Decidi-me por Bad. Porque me parece que é a música mais inimitável dos U2. Ninguém consegue imitar a voz de Bono na parte final. Penso que foi a música onde ele conseguiu puxar a voz ao seu limite. E a música é, a meu ver, sensacional.


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agosto 16, 2005

Desafio U2

Conforme prometido, apareço hoje com o "Desafio U2".

Para quem não se lembra, ou ainda não era "cliente habitual", escrevi no passado dia 5 de Abril, um conto com o título "O Comboio".

Agora, depois do concerto, venho deixar um desafio a todos: completar a história. Pode ser de qualquer forma: prosa, verso, desenho, pintura, etc... O que a vossa imaginação e inspiração ditar. Quem tiver blog, pode faze-lo no próprio blog (depois avisem, para eu colocar um link para lá). Quem não tiver (ou não quiser colocá-lo no seu blog), envie-me por e-mail, que eu publico.

E agora, mãos à obra!

(enquanto isso, eu vou escrevendo outros posts...)


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agosto 13, 2005

Até terça

Estou a aproveitar os últimos dias aqui pelo Algarve.

Segunda-feira vou embora. Até lá vai ser impossível vir até aqui. Assim, desejo-vos um bom fim de semana prolongado e avisar que na terça-feira aparecerei com um "Desafio U2"...

Até terça!


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agosto 12, 2005

Zoomarine

Ontem foi dia de golfinhos, leões marinhos, papagaios, araras, catatuas, bufos, falcões, carrosel, comboio, corneto, e de uma cara a sorrir a toda a hora.

Depois, com os pais já de rastos, a energia ainda se fazia sentir, mesmo depois de chegarmos a casa.

Concluí que já estou um autêntico cota - consegui adormecer antes dela...


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agosto 10, 2005

10 de Agosto

10 de Agosto é dia de São Lourenço. Já sei que estão a estranhar esta minha súbita iniciativa pró-católica, mas passo a explicar.

Eu nasci em Luanda, Angola, no longínquo ano de 1972. Antes de completar dois anos vim para Portugal, passando a morar na aldeia onde nascera e vivera até aos 18 anos a minha mãe: São Lourenço, no concelho de Chaves. Uma aldeia pequena, a uns 7 quilómetros de estrada de Chaves, ou a uns 4, caso se opte pela velha calçada romana degradada. Existe também uma pequena ponte romana de apenas um arco a atravessar o pequeno ribeiro, próximo da minha casa.

Desde há algum tempo que não estou lá no dia da festa. Prefiro gozar férias na primeira quinzena de Agosto e ir lá festejar o aniversário do meu pai, na segunda quinzena. Por isso, a uns 700 quilómetros de lá, aproveito para relembrar um pouco este dia noutros tempos.

Em Agosto, a aldeia cresce. Os emigrantes voltam, fazendo a população crescer de forma abrupta. Tenho alguma família em França, Suiça, Andorra, Estados Unidos, que só revejo neste mês. E a festa serve para todos conviverem, é um ponto de encontro para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de se reencontrar.

No dia 9, por volta das 9:30 da noite, era a procissão das velas. Depois começava o baile da véspera. Quando não havia dinheiro para ter um conjunto as duas noites, havia música com um gira-discos (aquilo que existia antes dos leitores de CD, para os mais novos).

No dia 10, de manhã, havia a missa, onde ouvíamos a história do martírio de São Lourenço, queimado numa grelha. As mulheres aproveitavam para estrear e comentar as roupas novas. Os rapazes novos aproveitavam para micar as raparigas novas, sob o olhar atento dos pais destas. O padre anunciava, no fim da missa, os contributos monetários maiores para a igreja.

Acabada a missa, começava a procissão, com vários andores. Inicialmente adornados com dinheiro, foi-se perdendo essa uso, muito por oposição de um padre. A procissão percorria a aldeia de alto a baixo, acompanhado pelos habitantes. Algumas casas colocavam as toalhas de renda na varanda. Os cafés fechavam a porta à passagem da procissão.

Ao almoço, não podia falta um cabrito assado. Depois, era hora de ir ouvir a banda tocar (a mais conhecida era a banda "Os pardais"), intercalada com o conjunto. À volta instalavam-se algumas barracas e mesas de jogo. Reviam-se as pessoas convidava-se a ir beber um copo lá a casa, ou então a jantar, porque há sempre lugar para mais alguém na mesa. De vez em quando houvia-se o fogo de artifício. Quando algo corria mal, a população acorria logo a dominar o fogo.

Depois do jantar, vinha a noite. O baile durava até às 2 da madrugada. Pelo meio, mais fogo de artíficio pintava o céu de cores vivas. Muitos namoros começavam, outros se desfaziam, uma zaragata ou outra acontecia no meio dos encontrões. As raparigas, sob a vigilância apertada dos pais, tinham de saber esgueirar-se, ou com a ajuda de uma prima ou de alguém de confiança. Depois, uns voltavam para casa, outros ficavam mais um pouco.

E assim, acabava a festa, com vultos caminhando pela aldeia, alguns de mãos dadas ou abraçados, escondendo-se nas sombras, outros em grupo a caminho de casa, e ainda alguns ziguezagueando e cantando na esperança de estar no caminho certo para casa.

E do santo, razão da festa, ninguém mais se lembrava, até ao ano seguinte...


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agosto 09, 2005

Recuperado fisicamente...

... mas ainda sem inspiração.

Que fazer? Nada(r).

A verdade é que as férias são, para mim, antónimo de inspiração. Só me apetece fazer tudo o que não faço durante o resto do ano:
1. Beber cerveja a granel (sempre com tremoços);
2. Deixar de ir à Internet;
3. Trabalhar.

A primeira faço sempre que o corpo está disponível. A segunda já desisti de tentar fazer. A terceira, sigo aquele ditado alentejano: "Mais vale uma mão inchada, do que uma enxada na mão".

Conclusão: para não vos fazer perder a vir aqui ler posts desinspirados, prometo que amanhã me esforço e faço um texto de jeito (vou já começar a pensar nele).

P.S. Existiria uma 4.ª coisa que eu não faço durante o ano, que é correr nu pela praia durante a noite, mas o caminho para a praia aqui é muito íngreme, razão pela qual não arrisco.


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agosto 08, 2005

I don't like mondays!

Tell me why I don't like Mondays (várias vezes), I want to shoot the whole day down.

in I don't like Mondays, Boomtown Rats

Pois, até de férias as segundas são o pior dia da semana. Parece que andei a comer coisas que o meu colestrol alto e os problemas crónicos de digestão me aconselhariam a evitar. O meu médico bem me disse que eu era 20 anos mais velho que a minha idade real, mas eu pensei que ele se estava a referir aos cabelos brancos e à rica actividade cerebral. Pelos vistos, era mesmo do corpo (o tal que paga, quando a cabeça não tem juizo).

Eu até já estava espantado, depois de um começo atribulado as férias até estavam a correr bem. Mas já tenho um remédio irlandês (começa por J, termina em n, e tem ameso no meio) que ajuda a curar isto (receita caseira).

Glu! Glu! Glu!

Onde é que é msemo o btoão paar pulbicar itso? É o cro de larnaja, mas qaul dso 3? Vuo tnetar o do mieo!


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agosto 07, 2005

Post de Domingo

Domingo...

(suspiro)

Bonito sol lá fora...

(espreguiçando)

Pois é, é Domingo...

(bocejando)

O Benfica perdeu 2-0 e jogou mal...

(palavrões)

Bem, hoje não estou muito inspirado, volto amanhã...

(cerveja e tremoços)


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agosto 06, 2005

60 e 10000

Hoje é um dia de números. Há dois dias solicitei a colaboração de todos para que o meu antigo blog Ensino Superior em crise atingisse as 10000 visitas, o que aconteceu ontem. Queria chamar a atenção para o facto de haver muitos blogs parados que ainda têm textos disponíveis e que continuam a ter algumas visitas. Quem procurar "ensino superior" num motor de busca pode ir lá parar, e ler textos que podem ter interesse, dado que se mantêm actuais. É uma das muitas coisas que os blogs têm de bom, mesmo depois de "abandonados" pelos autores.

Mas hoje o número que mais me interessa não é este, mas sim os 60 anos do lançamento da primeira bomba atómica, sobre a cidade japonesa de Hiroxima. Estima-se que terão morrido, imediatamente, entre 80000 a 100000 pessoas, mais 60000 até ao fim daquele ano (números do jornal Público).

Hiroxima ficará sempre ligada a um dos momentos mais negros da humanidade. Ainda hoje se discute sobre a necessidade do seu lançamento e a sua inevitabilidade. Terão sido poupadas vidas? Talvez. Mas será que as pessoas que estavam naquela cidade, naquele preciso momento, mereciam morrer?

Pensava-se, nesse momento, que o facto de ter uma bomba atómica nas mãos certas (que significava Estados Unidos da América) seria um factor dissuasor de outras tentativas de domínio do mundo. Mas não. As ameaças vêm de todos os lados. E já não é unânime que ter os Estados Unidos da América a controlar o mundo é uma garantia de segurança. Ainda para mais quando o seu presidente mostra incapacidade para ser uma pessoa com visão estratégica. Quando o ouvi sugerir que se devia ensinar o criacionismo juntamente com a teoria da evolução senti um arrepio na espinha. Será que depois de uma guerra a favor da tolerância, vamos ser arrastados para uma nova cruzada?

Eu sei, estou a exagerar, ninguém vai ligar ao que ele diz... Mas também ninguém acreditava que ele fosse reeleito... God bless America!


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agosto 05, 2005

Post relâmpago

Hoje estou mesmo limitado em termos de tempo. Vim só cá dizer olá e que volto amanhã. Com o tempo apercebi-me que muitas vezes vale a pena ganhar (e não perder) 5 minutos, só para dizer olá.

OLÁ!


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agosto 04, 2005

Ajudem um blog moribundo!

O meu velhinho blog "Ensino Superior em crise" está a um passo de fazer história. Quando o deixei, abandonado, ainda não tinha chegado às 9000 visitas. Agora, enquanto escrevo este texto, está a apenas 50 visitas de atingir as 10000 (ver contador no fundo do mesmo). Por isso, venho pedir aos meus leitores que carreguem aqui, de modo a que possa finalmente festejar condignamente as suas 10.000 visitas.
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agosto 03, 2005

Post interactivo - desafio de férias

Aproveito estas férias para lançar um desafio. Provérbios tradicionais, reescritos para o âmbito dos blogs. Podem dar as sugestões que quiserem na caixa de comentários. Amanhã, por esta hora, venho cá buscar todos e anexá-los a este post.

Deixo já aqui as minhas sugestões:

Quando bloga um português, blogam logo dois ou três.
Enquanto o blog vai e vem, folgam-se os dedos.
A blog dado não se olha o template.

Fico a aguardar as vossas sugestões. Até amanhã.

Adenda
Os provérbios dos leitores:

Post a post enche o blogger o sitemeter.
Quem bloga sempre alcança.
Vale mais um post no blog, que duas no soutien.
Ao blog e ao blogger põe Deus a mão... no template.
Por Alfredo Caiano Silvestre, Santa Cita.

Enquanto a inspiração vai e vem, folga o blogger.
Por MJMatos, Que Universidade?

Cada blog no seu galho.
Por Saltapocinhas, Fábulas.

Os comentadores ladram, mas o blog passa.
Por karla, Chez Maria.

Quem tem tempo bloga que o blogar está barato.
A blog e a feriado, vai sem seres convidado.
Os comentários são como as cerejas.
O blog proibido é o mais apetecido.
O blog do meu vizinho é sempre melhorzinho.
Nem sempre dormir, nem sempre blogar.
Comentário mole em caixa dura, tanto maça até que fura.
A ignorância de blogar não desculpa a ninguém.
A morte não escolhe blogues.
Antes que blogues, vê o que fazes.
Quem tem blog de vidro, não atira comentários.
A ocasião faz o comentariozão.
Por maria arvore, Chez Maria.

blogs criados, trabalhos dobrados .
Por lyra, A barca de lyra.

Este post interactivo está óptimo, muito obrigado. Acho que o vou deixar em permanência durante uns tempos. Continuem, estou a gostar...


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agosto 02, 2005

Um fim de semana atribulado

Já li alguns protestos, até pensei que fossem mais. Passo a explicar o que se tem passado.

Como sabem, tenho estado com gripe. Que a mim costuma afectar seriamente a vista. Sábado mal podia abrir os olhos, em especial o direito. Isto tinha de me acontecer logo quando já tinha tudo preparado para vir de férias.

Domingo, como já estava previsto, fui para Lisboa. Como a minha mulher estava cansada e eu já estava um pouco melhor, conduzi eu. É claro que, o meu olho direito estava mau, conduzi só com o esquerdo. Descobri que a diferença não é grande, excepto durante as ultrapassagens, onde tinha de virar levemente a cabeça para a direita para verificar que já podia voltar à minha via. Mas, heroicamente, conzudi toda a viagem.

O local onde ia ficar era suposto ter acesso à Internet sem fios, pelo que esperava poder fazer lá um post no domingo. Quando cheguei, descobri que o acesso era só no lobby, com um acesso Vodafone, que me ficava por 5 euros à hora (nesta parte do texto estavam alguns palavrões que foram retirados pelo autor antes de publicar o mesmo). Como a viagem me deixara de rastos, acabei por ficar no quarto a descansar a maior parte do tempo. Na realidade, o colchão e a almofada eram de tal ordem que, para além da gripe, tive direito a um torcicolo extra.

Segunda-feira de manhã, passei pelo meu trabalho para tratar de alguns assuntos (para quem não sabe, eu trabalho na delegação do Porto da Universidade Aberta, cuja sede é em Lisboa, na Rua da Escola Politécnica). As pessoas que já não me viam há algum tempo devem ter pensado: coitado, como está acabado, como as pessoas envelhecem num ano...

Depois disto, segui em direcção ao meu destino (sim, todos temos um!): o Algarve. Se a viagem Porto-Lisboa só com um olho aberto foi uma aventura, a viagem Lisboa-Algarve, só com um olho aberto e um torcicolo foi ainda melhor. Agora, sempre que fazia uma ultrapassagem, tinha de virar o tronco para a direita para verificar que já podia voltar à minha via.

Mas enfim, cheguei ainda a tempo de dar um mergulho (que teria dado, caso não estivesse gripado e torcicolado). O apartamento é óptimo, o melhor onde alguma vez estive. Descobri que por cima de nós temos quatro jovens espanholas, que estão "de vacaciones" sozinhas. Logo naquele dia, uma delas foi-nos bater à porta e perguntou se falava espanhol. Eu, graças aos treinos com o Dani, pude dizer que sim, muito convictamente. Felizmente, aquilo que pretendia era fácil de perceber: aceite. Ainda bem que o problema não era com o rádio, pois se fosse pedir pilhas em espanhol poderia ter havido um incidente diplomático. Pelo sapateado que fizeram durante a noite, suponho que sejam de Sevilha. E antes que comecem a pedir, eu não dou a morada (pelo menos, gratuitamente).

Posto isto, hoje de manhã resolvi pesquisar o que havia à volta. Dei 20 passos para a esquerda e encontrei este posto de acesso à Internet, de onde estou a escrever este texto no meu portátil. Nunca pensei que numa terra com nome de antiga novela da TVI fosse tão fácil encontrar um acesso à Internet. Estou maravilhado. E ainda por cima, a apenas 1,5 euros por hora.

Assim, vou poder vir aqui regularmente e continuar a escrever alguns textos. Durante o mês de Agosto, o "6 em 1 & algo +" vai funcionar em versão light. Vou passar por aqui quase todos os dias e escrever, nem que seja apenas para contar alguma história do dia ou até só para responder a comentários. Um dia ou outro sou capaz de não vir cá, mas penso que ninguém se chateia se eu der um salto à feira da marisco de Olhão ou se for passar um dia com a minha filha ao Zoo Marine.

E agora, me vou, que o sol brilha lá fora, não é hora para estar aqui metido...


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julho 30, 2005

Gripes nesta época são lixadas!

Principalmente quando me preparava para ir amanhã de férias... Sopas e descanso (sim, porque supositórios nem pensar), talvez ainda venha cá escrever alguma coisa mais logo...
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julho 29, 2005

O silêncio...

...é de ouro!

(quero com isto dizer que se por acaso acabei de ganhar o Euro Milhões, ninguém vai saber)


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julho 28, 2005

Comforting sounds

Quando coloquei aqui esta canção dos Mew, Comforting sounds, estava longe de imaginar como seria "ouvir" de novo os sons reconfortantes dos meus leitores, na minha própria casa.

Se acham que abri o meu blog para relançar qualquer polémica, estejam descansados. Para mim, "aquilo" já é passado. O que interessa é o futuro, sempre...


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Reabrindo o tasco...

Estou a começar a limpar as teias de aranha e o pó. Não deve demorar muito...
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julho 16, 2005

Mudando a música

Esta música, em especial a parte final, é um espectáculo. Espero que gostem...
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julho 03, 2005

Mantendo a luz acesa...

Está resolvido. Em Setembro isto vai ser reactivado, com novidades. Em Agosto vou estar de férias. Entretanto, em Julho vou mantendo a luz do blog acesa, até porque, como diz a nova música deste blog, há uma luz que nunca se apaga.
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junho 21, 2005

Solução do desafio

Título: Mna Na h'Eireann

Intérprete: Kate Bush

Álbum: Common Ground - Voices of modern Irish music (vários artistas)

Letra:

Ta bean in Eirinn a phronnfadh sead damh is mo shaith le n-ol
Is ta bean in Eireann is ba bhinne leithe mo rafla ceoil
No seinm thead; ata bean in Eirinn is niorbh fhearr lei beo
Mise ag leimnigh no leagtha i gcre is mo tharr faoi fhod

Ta bean in Eirinn a bheadh ag ead liom mur bhfaighfinn ach pog
O/ bhean ar aonach, nach ait an sceala, is mo dhaimh fein leo;
Ta bean ab fhearr liom no cath is cead dhiobh nach bhfagham go deo
Is ta cailin speiriuil ag fear gan Bhearla, dubhghranna croin.

Ta bean a dearfadh da siulann leithe go bhfaighinn an t-or,
Is ta bean 'na leine is is fearr a mein no na tainte bo
Le bean a bhuairfeadh Baile an Mhaoir is clar Thir Eoghain,
Is ni fhaicim leigheas ar mo ghalar fein ach scaird a dh'ol.


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junho 20, 2005

Um desafio!

Nome e intérprete da nova música?
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junho 10, 2005

Dia de Portugal, de Camões, das Comunidades Portuguesas e de mais uma suspensão da suspensão...

Vim cá para dizer que tenho andado com problemas na minha ligação à Internet, aparentemente já resolvidos...

Assim, aproveitei para:
- mudar a música - espero que gostem;
- avisar quem não sabe que decorre no afixe uma blogonovela da minha autoria;
- que quem quiser acompanhar os meus textos no afixe, pode faze-lo carregando aqui.

Até um dia destes. Prometo que venho responder aos comentários com mais frequência, assim me permita a minha ligação...


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junho 01, 2005

E porque hoje é dia da criança...

...suspende-se a suspensão mais uma vez, para mandar um beijinho a todas as crianças, em especial à minha filha, uma menina d'oiro!
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maio 27, 2005

Mais uma pequena suspensão da suspensão...

...só para avisar que a música mudou, caso tenham desligado o som por estar fartos de ouvir a anterior...
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maio 24, 2005

10.000 visitas

10.000 visitas é um marco, especialmente quando um blog está suspenso, o que significa que vocês têm passado por cá, apesar de eu não escrever. Por isso mesmo, não podia deixar de suspender momentaneamente a suspensão, para vir assinalar esse facto.

Muito obrigado!


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maio 22, 2005

A gente encontra-se por aí...

Deixo-vos, por alguns dias, a música que procurava, uma música do meu passado...

Deixo-vos,
para sempre,
um abraço de amizade,
pois esta continua para além dos blogs...

De vez em quando vou andar ali pelo afixe, a escrever umas coisas, até eles se encherem de mim...

De vez em quando vou passar por alguns blogs e deixar as minhas pegadas...

De vez em quando vou ter vontade de voltar e talvez um dia não resista...

Até lá, fiquem bem...


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maio 21, 2005

17.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
recordando...

Malta, La Valletta   Posted by Hello
Foto publicada em http://forum.eurodesk.org/
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recibido el testigo - corrente internacional

O Dani, do blog Historias de Dani, é uma das minhas recentes descobertas. Um espanhol de Sevilha, que gosta de Portugal e do Benfica, e que escreve num português excelente. Razões mais do que suficientes para responder com seriedade ao questionário que me mandou.

Tamaño total de los archivos de música en mi ordenador?
Tamanho total dos arquivos no meu computador?

Pouco menos de 1GB, num total de 85 canções.

Último disco que me compré:
Último disco que comprei:

Let's make this precious - The best of Dexys Midnight Runners.

Canción que estoy escuchando ahora:
Canção que estou a escutar agora

Atmosphere - Joy Division

- 5 canciones que escucho un montón o que tienen algun significado para mí:
5 canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim

Actualmente, varia muito, dependendo do estado de espírito...

Comforting Sounds - Mew
Passenger - Iggy Pop
Plainsong - The Cure
Romeo and Juliet - Dire Straits
Wish you were here - Pink Floyd

Y como no quiero ser menos que mi predecesor, aquí lanzo el testigo a otros 5 bloggers:
E como não quero ser menos do que o meu predecessor, aqui lanço o testemunho a outros cinco bloggers:

Bin, A Mega Fauna (e outros)
Hipatia, Voz em Fuga
João Pedro da Costa, As Ruínas Circulares e afixe
Lyra, A barca de Lyra
Noite, Ad tempus

Razões para a escolha:
Bin e Noite, por causa das vivências africana e asiática (afinal, o desafio é internacional).
Hipatia e Lyra, porque me ajudaram na escolha e colocação das primeiras músicas no meu blog.
Ao João Pedro da Costa, porque adora música e detesta responder a estes questionários...


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Quem me arranja esta canção???

Na mesma edição do Rock Rendez-Vous em que participaram os Sitiados, com a canção Noite, mais conhecida pela versão dos Resistência, e os Quinta do Bill, com uma canção de que não me recordo o nome, um grupo chamado Ecos da Cave cantava uma canção que nunca esqueci, apesar de já não a ouvir há uns 15 anos.

Por isso, se alguém tem esta canção, nem que seja em cassete, por favor, entre em contacto comigo. Deixo aqui a letra da canção (não sei se é exactamente esta, já lá vão alguns anos) para ajudar.

Desejo - Ecos da Cave

Dia de chuva,
A praia deserta,
A brisa do mar,
Fico quente contigo.
E a água salgada,
Que bebi do teu corpo,
Embriagou-me,
Embriagou-me...
Talvez tu estejas
Em qualquer lado,
E a pensar em mim...
Talvez até estejas no teu quarto,
E me desejes aí,
E me desejes aí,
E me desejes aí...


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maio 20, 2005

Dias duros...

Hoje foi um dia duro, como não devem ser as sextas-feiras... É um daqueles dias que terminam comigo cansado, exausto, desiludido com algumas coisas que me aconteceram.

Estou sem vontade de fazer nada, a não ser vir lamentar-me para o blog. Costumo ser bem humorado, mas tenho direito aos meus minutos de mau humor e que os mesmo fiquem registados para a posteridade.

Por isso, vão ver outros blogs e voltem dentro de alguns minutos, quando isto estiver melhor...


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17.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Hoje convidei um multi-blogger, que consegue manter vários blogs com interesse. Embora goste d'A grande fauna, das Imagens de Marrocos e do seu tributo, agora um pouco desactualizado, ao músico/cantor do Mali, Ali Farka Touré, é n'A Mega Fauna que eu mais me revejo. É neste ambiente de África que o bin_tex, bin para os amigos, me proporciona momentos de beleza infinita.

Eu nasci em África, em Angola, mas como vim de lá antes de completar dois anos, pouco me lembro. O bin consegue transmitir a beleza deste grande continente, aumentando em mim o desejo de o conhecer. Em particular, a sua série de textos "Já Sonho com Ngorongoro" (em colaboração com o blog Divas & Contrabaixos) e as belas fotografias que vão povoando o blog, são um postal ilustrado, a convidar-nos a explorar África. É um dos meus blogs obrigatórios, está tudo dito.

Obrigado, bin, por trazeres um pouco da magia do teu blog para o meu.

Seres Primitivos

Lago Ubari, Líbia  Posted by Hello

Foto de Marchat Loia

Amor
podiamos perdermo-nos
aqui neste oásis
e banharmo-nos
todos nús
como os seres primitivos
naquele lago
por entre as palmeiras
e depois rebolarmos pela areia
sentir o cheiro dela
a sua suavidade
ficar com ela colada ao corpo
aquela areia laranja amor

sentirmos bem juntinhos a brisa
da tarde
e dormirmos ali
enrolados na areia em nós
e em nós e em nós

gosto muito de ti amor

Bin


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maio 19, 2005

17.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Cinco sentidos - os sabores

Sabores amargos,
De amores vagos.
Sonhos que o tempo destruiu,
Sentimento interior que ruiu.

Sabores doces de mel,
De amor escrito na pele.
Sonhos que o tempo guardou,
Sentimento que ninguém apagou.

Sabor teu, intenso,
De amor forte, imenso,
Sonhos que o tempo carrega,
Sentimento que a alma não nega.


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Love will tear us apart

A Hipatia, lembrou no seu blog, Voz em Fuga, os 25 anos da morte de Ian Curtis, dos Joy Division.

Eu estava para colocar aqui a música Atmosphere, mas depois da homenagem que a Hipatia lhe fez, preferi colocar a actual. Espero que gostem.

Adenda:

Entretanto, a Hipatia teve a amabilidade de enviar a letra da canção (obrigado):

When the routine bites hard
and ambitions are low
And the resentment rides high
but emotions won't grow
And we're changing our ways,
taking different roads
Then love, love will tear us apart again

Why is the bedroom so cold
Turned away on your side?
Is my timing that flawed,
our respect run so dry?
Yet there's still this appeal
That we've kept through
our lives
Love, love will tear us apart again

Do you cry out in your sleep
All my failings expose?
Get a taste in my mouth
As desperation takes hold
Is it something so good
Just can't function no more?
When love, love will tear us apart again


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17.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

E assim, já temos os vencedores do conceito invertido interactivo da semana. Hoje com poucos votos, dado que os sportinguistas hoje não blogam e os benfiquistas e portistas já só pensam no fim do campeonato.

Assim, os vencedores são:

Melhor canção dos Pink Floyd Wish you were here Melhor canção do David Bowie Absolute Beginners
Para a semana há mais...
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maio 18, 2005

Ora bolas!!!

Logo hoje que eu torci pelo Sporting...

Por muito benfiquista que seja, hoje fiquei sinceramente triste com o resultado do Sporting. Foi pena, tiveram algum azar ao falhar o empate e sofrer um golo na resposta.

Parece que estamos condenados a ser vice-campeões, a provar que não há duas (Europeu 2004 e Mundial de Futebol de Praia 2005) sem três...


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17.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Na semana passada, foram escolhidos o melhor grupo musical, os Pink Floyd, e o melhor cantor individual, tendo ganho, ex-aequo, o Zeca Afonso e o David Bowie. Hoje queria saber qual a melhor canção dos vencedores. Como em relação ao Zeca Afonso já houve um conceito invertido interactivo, tendo ganho a canção Menino d'Oiro, o conceito invertido interactivo desta semana vai ser novamente duplo.

Devo dizer que foi uma tarefa dura escolher apenas 6. Estas não são exactamente as minhas 6 favoritas, mas evitei escolher mais do que duas músicas do mesmo álbum e tentei abranger uma grande parte da carreira de cada um, em vez de me centrar na parte que gostei mais. As canções são apresentadas por ordem alfabética.

A melhor canção dos Pink Floyd

Nobody home
Run like hell
Shine on you crazy diamond
The final cut
Time
Wish you were here

A melhor canção do David Bowie

Absolute Beginners
China Girl
Heroes
Let's dance
Life on Mars
Space Oditty

Está aberta a votação, na caixa de comentários, até às 16 horas de amanhã. Já sabem, um voto por pessoa, não vale repetir ou votar em mais do que um, os animais não podem votar, etc...


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maio 17, 2005

17.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Oração

Meu Deus,
Desculpa se me dirijo directamente a Ti,
em vez de pedir a um santo para interceder por mim,
mas penso que este assunto diz respeito apenas a Ti e a mim.
Toda a minha vida Te fui temente,
toda a minha vida foi regrada pelos Teus ensinamentos,
toda a minha vida Te venerei e Te amei.
Ensinaste-me a amar o próximo como a mim mesma,
e eu amei, amei mais do que a mim mesma.
Segui todos os Teus ensinamentos, sem excepção.
pequei, como qualquer pecadora,
mas sempre me arrependi sinceramente dos meus pecados,
e por eles Te pedi perdão.
Todos os Domingos, sem excepção,
assisti à Santa Missa,
com devoção,
algumas vezes com sacrifício,
como as vezes em que doente abandonei o calor da minha cama.
Todas as noites rezei a Tua oração,
pedi sempre para os outros,
nada para mim.
Quando encontrei o homem da minha vida,
só aceitei casar com ele quando soube que acreditava em Ti,
como eu ainda acredito.
Casamos,
tivemos o nosso filho,
e eu acreditei que era a mulher mais feliz do mundo,
e que Tu abençoavas a nossa felicidade.
Então, porquê?
Porque me levaste essa felicidade de forma tão cruel?
Levaste de mim o filho e o homem que eu amava...
Aprendi toda a vida que era essa a Tua vontade,
que não devo questionar os Teus desígnios,
mas não consigo compreender.
É um castigo?
É um teste à minha fé?
É uma forma de me dizeres que a verdadeira felicidade não é a terrena?
E como vou explicar ao filho que trago no ventre,
que vai viver sem pai,
que perdeu um irmão mais velho,
que apesar de tudo,
deve acreditar em Ti,
que isso aconteceu por Tua vontade,
e que Tu nos amas?
Ajuda-me,
nesta hora difícil,
a não perder a minha fé,
porque se perder a fé em Ti,
não sei se encontro motivos para continuar a ser feliz.
Perdoa-me por, de alguma forma, questionar a Tua vontade,
mas eu não passo de uma pecadora,
e a Ti confesso as minhas fraquezas.
Peço-Te,
por fim,
se não for pedir demais,
que protejas este filho que vai nascer,
e se alguém tiveres de levar para junto de Ti,
que esse alguém seja eu,
tua humilde serva.


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I am a Passenger, and I ride and I ride

Depois de ontem publicar parte da letra da canção Passenger, do Iggy Pop, hoje podem ouvir a músic no blog (se não quiserem, é só desligar ali na coluna do lado direito).

Sim, porque a Lyra, quando promete, cumpre...


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maio 16, 2005

17.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Coisas da idade dedicado a alguém que entrou na casa dos 40 recentemente

Um homem vai ao médico fazer um check-up. O médico dá-lhe os parabéns:
- Excelentes resultados para uma pessoa com 40 anos.
- Deve ter havido algum engano, eu tenho 60.
O médico, incrédulo:
- 60 anos? Com esse aspecto. Com que idade morreu o seu pai?
- Ainda não morreu, tem 80 anos e ainda corre todos os dias 20 quilómetros a pé.
- E o seu avô, ainda é vivo?
- Sim, tem 100 anos, e costuma acompanhar o meu pai nas corridas, há mais de 90 anos que fazem isso...
- Espantoso. Já agora, com que idade morreu o seu bisavô?
- Quem disse que ele morreu? Tem 120 anos e vai casar para a semana...
- Casar? Com 120 anos? Para que é que ele quer casar com 120 anos?
- Bem, ele não queria, mas engravidou a namorada...


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Encanecer - contributo da LN

A LN, do blog Conversamos?!, tem um dos blogs mais simples e aberto que conheço. Ao mesmo tempo é um dos blogs mais inteligentes, capaz de nos mostrar que o conhecimento pode ser colocado de forma simples e acessível, e cativar as mentes mais cépticas.

Isso mesmo pode ser visto neste excelente texto com que respondeu ao meu desafio. Leiam, vale a pena...

Graying

Passei por lá
http://6em1.blogspot.com/2005/05/encanecer-desafio-aos-leitores.html
Vi o desafio...
Encanecer, pensei?! Credo... porque é que ele gostou deste nome?
A ideia de criar cãs, tornar grisalho, ter cabelos brancos, veste-se com outras roupagens. Como grisalhar, já que grisalho se diz do cabelo encanecido.

(Resto do texto)


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Passenger

I am the passenger And I ride and I ride I ride through the city.s backside I see the stars come out of the sky Yeah, they.re bright in a hollow sky You know it looks so good tonight I am the passenger I stay under glass I look through my window so bright I see the stars come out tonight I see the bright and hollow sky Over the city.s a rip in the sky And everything looks good tonight

excerto de Passenger, Iggy Pop
(retirado daqui)


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maio 15, 2005

17.ª semana, 1.º dia - os acontecimentos da semana

Acontecimento 1 - O abate de sobreiros

Quatro dias antes das últimas eleições legislativas, quando já se sabia que as eleições estavam perdidas, foi assinado um despacho, pelos Ministros do Ambiente, do Turismo e da Agricultura, que autorizava o abate de 2.605 sobreiros, por se considerar de imprescindível utilidade pública a construção no local de um projecto de desenvolvimento turístico, da Portucale (Grupo Espírito Santo).

Foram agora constituídos arguidos Nobre Guedes e Abel Pinheiro, por tráfico de influências. Como, para todos os efeitos, eles são presumivelmente inocentes, só me resta esperar que tudo seja esclarecido rapidamente e congratular-me pelo facto de o referido despacho já ter sido revogado.

Acontecimento 2 - Benfica x Sporting

Um clássico é sempre um clássico. Num clássico nunca se sabe quem ganha. Há festa, há emoção. De preferência, também deve haver golos.

A diferença entre este clássico e o do ano passado de Alvalade, na penúltima jornada, é que no ano passado lutava-se pelo segundo lugar, este ano a luta era pelo título. E este ano a luta é até à última jornada. Só o resultado foi o mesmo, a favorecer o Benfica.

Acontecimento 3 - um charro no Dubai

Ivo Ferreira, foi preso no Dubai por fumar haxixe. Independentemente do julgamento que cada um pode fazer sobre este acto, pareceu infinito o tempo de reacção do governo português, tendo em conta que as leis dos Emiratos Árabes Unidos são bastante duras em relação a este "crime".

E já sabe, se for ao Dubai, afaste-se do haxixe...


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Romeo and Juliet

Juliet, when we made love you used to cry, You said "I love you like the stars above, I'll love you till I die". There's a place for us, You know the movie song: "When you gonna realize it was just that the time was wrong?" Juliet...

excerto de Romeo and Juliet, Dire Straits


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maio 14, 2005

Lenga-lenga de miúdo

Lagarto pintado, Quem te pintou? Foi uma velha, Que aqui passou. No tempo da eira, Fazia poeira, Puxa lagarto Por esta orelha!
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16.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
depois do apito final, claro...
e para a semana a decisão é no Porto...

Estádio do Bessa Posted by Hello
Estádio do Dragão Posted by Hello
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maio 13, 2005

Encanecer - contributo do Miguel Pinto

O Miguel Pinto, do blog outrOOlhar, aceitou o meu desafio para escrever sobre o tema "Encanecer". Aconselho todos a ler não só este texto mas também a explorar o blog do Miguel, onde um dos temas principais é a educação, tema capaz de encanecer qualquer pessoa...

Encanecendo

O tempo é fenomenológico. E como diferem os sentidos subjectivos do tempo.
E se juntarmos ao tempo um corpo fenomenológico? O que é que vemos? Um tempo corporal. Vemos um corpo vivido!

(Resto do texto)


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16.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

O afixe é uma espécie de blog de bloggers, onde cada um dos actuais 12 colaboradores, entre os quais me incluo, tem liberdade total para escrever o que bem entender.

Uma dessas doze pessoas, mais que todas as outras, usa e abusa dessa liberdade, dando largas a uma imaginação desmedida e desconcertante. Estou a falar, como adivinharão os que já são leitores do afixe, da Isabel. Para mim, a Isabel é um blog dentro de outro blog, dona de um humor sem limites, que me agarra da primeira à última palavra. Como podem comprovar pelo texto abaixo.

Sei lá??!!

Uma pessoa chega a casa estafada. Teve um verdadeiro dia de bicho. Não de cão, que os cães são uns gajos porreiros, tirando os Buldogs que têm quase todos cara de cu.

Depois de fazer o jantar, comer o jantar, arrumar a loiça do jantar e a cozinha do jantar, senta-se aqui e pensa. .Vá lá, gaja, vai dar uma voltita p.lo Afixe e ver se já rebentou a 3ª Guerra Mundial. Entretanto, vê lá se tens um tempito para leres as notícias e perceberes aquela história dos chaparros ou lá como é que aquelas árvores se chamam.. Isto ainda sou eu a falar com a gaja.
Abro o Email e quase que me dá uma coisinha má. Um Email do Jorge Morais.ainda procuro se é colectivo para a malta toda lá de casa, mas qual quê.só para mim. Um Email do Jorge Morais.eu penso o que terá acontecido, enquanto a gaja pensa: .Mas o que é que este tipo quer? Anda p.raí a dizer que eu lhe ando a roubar Refeições Felizes e agora vem para aqui chatear-me!!!?? O tipo deve tar maluco.. Isto continua a ser a gaja a pensar.

Só para verem a coisa eu abri o Email do Jorge às 21.35h. E o Jorge diz-me umas tretas muita simpáticas (pela primeira vez na vida, diga-se de passagem) que assim bem espremidinhas se resumem a isto: olha lá eu queria que amanhã fosses a minha convidada lá do blog. Acrescentava, se possível até à meia noite.e se possível ainda que me respondesses depressa.por uma qualquer associação de ideias, aqui lembrei-me de um molhe da malvas. Presumo que para fazer pandan com os sobreiros.
O Jorge passou-se, pensei. Este tipo tá marado da cabeça, pensou a gaja, que com esta treta toda, ainda não tinha tido tempo de ver o que se passava com os chaparros.

Querido Jorge:
Não sei o que te diga. É muita giro tar nos blogs. Gostei muito de te conhecer e se ainda não conheci, gostei à mesma, pronto. Foi-me muito útil uma explicação perfeitamente clara e desinteressada que, um dia, gratuitamente e cheio de boa vontade, me deste sobre uma coisa que compila.
Sou muito tua amiga, mas não te podes esquecer que sou uma gaja muito ocupada. Tenho um rato, um filho e mais umas coisas que não posso aqui dizer, antes que te arrependas mil vezes de me teres enviado o Email.

Não tenho tempo para pensar em nada até à meia-noite, porra. A meia-noite é daqui a duas horas. A única coisa que me ocorre é enviar-te um Boletim de Inscrição do Bloco.se quiseres o jornal, terás que pedir com mais antecedência.a não ser que me convides já para a próxima semana e fica o assunto resolvido.

PS: Para onde é que te posso enviar o NIB?


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maio 12, 2005

16.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Cinco sentidos - os sons

Sons altos,
Sobressaltos,
Ódio, guerra, fúria,
Choro forte, lamúria.

Sons de calma,
Repouso de alma,
Murmúrio, segredo,
Palavras doces, sem medo.

Sons silenciados,
Corpos colados,
Escrevem histórias, sem as contar,
Produzem melodias, sem as tocar.


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Encanecer - contributo da Pedra Pomes

Mais um excelente contributo, desde vez da Pedra Pomes, do Blog da Pedra. Agradeço à Pedra Pomes este "bocadinho" que dedicou ao meu desafio.

Encanecer

O Jorge lançou o desafio e eu fiquei a pensar no assunto. Aqui fica um bocadinho (pequenino) do tanto que pode ser dito sobre o tema.

O Daniel tinha uns vinte e quatro ou vinte e cinco anos, estudava medicina em Lisboa. Lembro-me de o ver de vez em quando nos fins de semana em que voltava a casa dos pais, nossos vizinhos. Eu tinha uns cinco e achava-o imensamente adulto, sendo que .adulto. era a figura do pai e da mãe, do que de mais respeitável e responsável pode existir. Hoje tenho trinta e acho que sou uma miúda. O pior (ou melhor) é que me parece que vou sentir-me assim ainda por muito tempo - assim o espero.

(Resto do texto)


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16.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

Já temos os resultados finais do conceito invertido interactivo da semana. Enquanto na escolha do grupo, houve um vencedor destacado, na escolha do melhor cantor predominou o equilíbrio, acanado por haver dois vencedores.
Melhor grupo musical
Pink Floyd
Melhor cantor individual
David Bowie e Zeca Afonso
Para a semana há mais, podem ir dando sugestões.
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Alternativo, eu? OK, se eles o dizem.

Fiz um teste aqui, e descobri que sou "alternativo".

Your Taste in Music:
90's Alternative: Highest Influence
80's Alternative: High Influence
Adult Alternative: High Influence
Classic Rock: High Influence
80's Rock: Medium Influence
Alternative Rock: Medium Influence
Punk: Medium Influence
80's Pop: Low Influence
80's R&B: Low Influence
90's Hip Hop: Low Influence
90's Pop: Low Influence
90's Rock: Low Influence
Hair Bands: Low Influence
Progressive Rock: Low Influence


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Encanecer - contributo da Maria Árvore

A Maria Árvore, do Chez Maria, respondeu ao meu desafio no seu blog. Agradeço o texto, que considero para além de original, e também a sua lembrança relativamente ao facto de hoje ser o Dia Mundial da Próstata.

Encanecer

Recordo-me dos bigodes retorcidos e negros do meu bisavô exposto na sala da entrada da Sociedade Dramática daquele sítio debruçado sobre o Douro. Da minha bisavó não recordo nada que nessa época as mulheres ainda não ficavam para a posteridade.

(Resto do texto)


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maio 11, 2005

11 de Maio de 1996 - 11 de Maio de 2005

  99999  9     9  9     9  9     9   999999       9      9     9    9   9  9
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16.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Enquanto permanece de pé ESTE DESAFIO vou dar início ao conceito invertido interactivo da semana. E o de hoje resulta directamente de um texto recente.

A princípio pensei pegar nos 5 grupos e 5 cantores lá presentes, adicionar-lhes 1 e teria o meu problema resolvido. Pensei e achei injusto deixar as minhas actuais preferências de fora. Assim, o conceito invertido interactivo da semana, o "1 em 6" vai ser sobre os melhores grupos e cantores de sempre, numa nova dose dupla.

Melhor Grupo Musical

Dire Straits
Marillion
Pink Floyd
Radiohead
The Cure
The Pogues

Melhor Cantor Individual

David Bowie
Peter Murphy
Santana
Sinéad O'Connor
Wim Mertens
Zeca Afonso

Bem, já sabem as regras, têm 24 horas, só podem escolher um em cada categoria, blá, blá, blá, blá, ... (quem tiver dúvidas visita as votações anteriores, está bem?)


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maio 10, 2005

16.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Agosto

Tive 10 filhos. Isto é, a minha mulher, que Deus a tenha, teve-os, eu só ajudei na sua concepção. Desses 10, 3 deles, que Deus os tenhas, morreram ainda pequenos, coisa que acontecia com frequência naqueles tempos. Dos 7 que sobreviveram, nenhum vive já nesta terra que os criou. Todos emigraram, uns para França, outros para a Suiça.

A minha mulher, que Deus a tenha, morreu há 5 anos. E aqui fiquei eu, com 70 anos e os meus cabelos brancos como a neve que se avista na serra. A aldeia está quase deserta, apenas meia dúzia de almas penadas.

Amanhã é dia 1 de Agosto. Aos poucos, eles vão voltando. Primeiro vinham de carro, viajando durante a noite. Era uma noite em que a minha mulher, que Deus a tenha, não dormia, rezando sem parar. Depois, começaram a preferir vir de avião, alugando um carro em Portugal. Dois deles têm um carro cá e outro lá.

A partir de certa altura, quase todos os anos ganhava alguém novo na família: um genro, uma nora, um neto, uma neta, e agora até bisnetos. E Agosto significava o rejuvenescer da aldeia. Desde a morte da minha mulher, que Deus a tenha, era o único mês do ano em que tinha alegria.

Os outros meses eram passados a cuidar das terras, que ainda são o meu sustento. As maleitas da idade lá me vão impedindo de fazer algumas coisas, mas arranjo forças onde elas parecem não existir.

Com o mês de Agosto, volto a recordar-me dos tempos duros em que os meus filhos não puderam aspirar a ir além da quarta classe, porque era preciso ganhar o pão para pôr na mesa. O mais novo até podia ter ido estudar, mas o sentido de justiça, do qual me arrependo um pouco, impediu-me de o deixar ir mais longe que os irmãos. Às vezes tenho medo que ainda não me tenha perdoado.

Agora, vejo-os a vir cá apenas em Agosto. Vale por todos os meses do ano. Todos os dias estão em minha casa. Divirto-me com os netos pequenos e com os bisnetos. Os outros netos, os solteiros aparecem apenas um bocado e vão às suas vidas. Os netos casados passam algum tempo na praia, nem sempre estão cá.

Mas no dia da festa de Nossa Senhora, no dia 15, todos têm de vir. Nesse dia, em vez de minha casa, monto a mesa numa garagem onde tenho o tractor e a palha, e fazemos uma grande festa. À noite, vamos ao baile. Os meus filhos ainda me tentam empurrar para os braços da viúva Laurinda, mas eu nunca pensaria casar com a viúva do meu amigo Zeca, que Deus o tenha.

Aproveito para saber e contar todas as novidades. Ao mesmo tempo, penso que fica tanto por dizer. Gostava de os ter todos aqui comigo, mas a instrução que têm não lhes permitiria ter aqui o mesmo nível de vida. Os netos e bisnetos já não têm uma ligação forte à terra, devem ficar por lá. Os filhos talvez voltem, um dia, a menos que tenham, como eu, saudades dos seus.

Com o dia 31 a aproximar-se, começa a chegar a angústia. Um a um, vão partindo. A aldeia vai-se esvaziando, aos poucos. Eu aceno com todas as minhas forças, em cada despedida, sempre com o receio de ser o último adeus...


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Encanecer - contributo da karla

A karla, do blog Chez Maria, também mandou o seu contributo, no meio de um comentário, ela que é uma das minhas habituais comentadoras. Como havia dúvidas quanto ao título, fica assim mesmo,

Sem título

Eu não sei o que hei-de escrever sobre cabelos brancos.

Com 65 anos, o meu pai, poucos tem. O que, logo à partida, não me permite fazer um texto tão ternurento como o da Lyra, apesar de todo o amor que lhe tenho.

Toda a vida usou barba, até ao dia em que começou a ficar mais branca que o cabelo. Foi um choque ... parecia um homem novo a entrar porta dentro. Foi só mais um, a juntar a alguns outros a que nos ia habituando. Homem de paixões, sempre viveu uma vida intensa, dentro e fora de casa ... e o fora aqui, não era só a nível profissional, onde se destacou no seu meio ... era mesmo "fora".

Tinha eu 13 anos quando me caiu nos braços um irmãozinho, que a cegonha não tinha deixado lá casa, mas noutra. Alguns (muitos) anos mais tarde, outros dois. Ao ponto de aos 63, quando lhe foi comunicado que iria ser avô, franziu o sobrolho e disse - Não sei se me sinto preparado!. É natural, a filha mais nova tinha 6 ...

Isto tudo para quê? Para dizer que o meu Pai é muito especial para mim, quase não tem cabelos brancos e eu, dele, só não herdei os cabelos ... bem, nem a fertilidade.


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Encanecer - contributo do AdamastoR

O AdamastoR, do blog substrato também me enviou o seu contributo. Devo dizer que, independentemente de ter gostado muito dos outros, este tocou-me de uma forma especial, ou não fosse eu transmontano. Muito obrigado.

Bô. Bamos ó riue, ó caraí!?

Cheguei da terra.

Quatro dias na aldeia de Guide, perto da vila de Torre de D. Chama, chegaram para descansar e rever familiares - a minha afilhada Joana, já com dez anos - e lugares que marcaram para sempre a minha existência. Foi um mergulho na mais reconfortante nostalgia.

Há sítios por onde o tempo parece não passar, não fosse o envelhecimento ou crescimento das pessoas e a degradação das casas. As outras diferenças são as vivendas dos emigrantes regressados, que parecem cogumelos reluzentes à volta das árvores [e não falo das parabólicas que lhes enfeitam os telhados] e o menor número de crianças. Há muito menos miúdos que há quinze ou vinte anos atrás.

De resto, a aldeia onde nasceu o meu pai mantém exactamente o mesmo aspecto. Hipertenso e nervoso, porque "a idade não perdoa", o meu pai fica outro, fica novo, assim que põe aqui os pés. Revê o irmão Orlando, os sobrinhos, os amigos de sempre que ainda estão vivos e regressaram de França. Ficaram-lhe aqui as raízes e avivam-se as recordações. A escola primária onde andou é agora um casebre abandonado, cercado por areia fina e um baloiço com ferrugem, mas ainda lá estão os 'graffittis' que pintou a óleo de bateria. O rio onde insistiu em aprender a nadar tem agora menos água, menos alfaiates irrequietos, menos peixes, mas lá continua aquela cachoeira pequena, onde a mãe e as tias lavavam a roupa. A Igreja vazia, com a chave na porta, com as mesmas ripas de madeira comprida no chão e a mesma humidade, a mesma penumbra misteriosa, por mais calor que esteja lá fora e sol que entre pelos vitrais.

Lá em baixo, depois do cemitério, no .concelho. - como chamam à parte antiga da aldeia - os patos continuam a passear-se em fila nas ruelas empedradas, ensolaradas e vazias. O mesmo doido inofensivo contorce-se e resmunga enquanto anda, ou fica especado a rir para nós, como se nos reconhecesse ou quisesse conversar. Do interior dos portões, sai o mesmo cheiro a animais, embora seja menos frequente, porque a maior parte dos cavalos e das mulas de carga foram substituídos por tractores - restam os porcos e as galinhas. As amoras silvestres continuam apetitosas, a tingir os caminhos e os dedos. As andorinhas, aos milhares, que cobrem os fios eléctricos por cima dos telhados, substituem as multidões a que estou habituado na cidade. À beira do rio Tuela lá está o barulho característico dos motores das bombas de água que regam as .olgas.. As pessoas continuam a dedicar-se, essencialmente, ao trabalho da terra. Ou fazem-se pagar pela .jeira. àqueles que, regressados de França, se acham mais importantes que isso. Em Guide, continuam a fazer-se vinho, azeite, alheiras e presunto, a dar-se abóboras gigantes aos porcos, a .encavar-se. cebolas e a reunir-se milhares de batatas nos .baixos., de modo a chegarem para o ano todo. Nos terrenos à volta das casas, ou no .canal., há ainda .chícharos. e feijão verde, .cerdeiros., figos, pêssegos, maças, couve .tronchuda., uvas e ameixas. O resto .não está na época.. E alecrim aos arbustos, intercalados pelas silvas. Uns cheiram bem à passagem dos dedos, outras arranham as pernas dos mais distraídos, como eu. Os pirilampos ainda brilham como se fosse um truque de magia e as cigarras cantam cada vez melhor, como se estivessem num festival. As moscas e o calor continuam quase insuportáveis, mas não conseguem evitar que as saudades apertem, assim que se chega a Lisboa.

Ele vai estar sempre em Guide. E eu também.


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maio 09, 2005

Encanecer - contributo da Hipatia

A Hipatia, do blog Voz em fuga está imparável. Depois do texto que escreveu para mim na sexta-feira passada, respondeu também com prontidão ao meu desafio, ou não fosse ela a desafiadora-mor da blogosfera. Mais uma vez, obrigado.

Encanecer

Abro um sorriso do tamanho do Mundo e prendo-me nos braços quentes da ternura.

Confesso um pecadilho com a inocência de uma criança e passeio os olhos pela tarde.

Remeto ao silêncio a canseira quotidiana, celebrando a vida engalanada nos rostos da esperança.

(Resto do texto)


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Encanecer - contributo da Lyra

O primeiro texto em resposta ao desafio foi da Lyra, do blog A barca de lyra. Trata-se de um texto publicado a 16/11/2004, no seu antigo blog, "Outra de mim". Agradeço à Lyra este texto bonito e sentido.

Do Alentejo com amor

Filho do homem a quem a PIDE obrigou a confessar que era comunista. Do homem que nem sabia o que era o comunismo. Que só sabia trabalhar a terra. Fazia-o desde os 6 anos . Iam-lhe arrancando os testículos... e ele confessou! Claro que confessou. Até lhes diria que era o diabo se eles quisessem. Tornou-se um comunista convicto depois disso, apesar de até morrer nunca ter sabido muito bem o que era o comunismo.
Tal como o pai, começou a trabalhar com 7 anos. Era assim no Alentejo há 60 anos..
Aos 7 anos começou a guardar ovelhas, e porcos, e tudo o que lhes rendesse uns míseros tostões.
Passou fome. Trabalhou a terra. Trabalhou nas salinas. A retirar o sal dentro da água que lhe queimava a pele.
Teve os primeiros sapatos aos 12 anos e por precaução a mãe guardou-lhos para ter o que calçar quando fosse ao médico ou sair a algum lado. Mas ele não ia ao médico...eles nunca saiam... Quando os calçou meses depois os sapatos estavam tão apertados que a mãe cortou-lhes a parte de trás e ficou com uns chinelos... Novos! Nesse dia no bailarico da aldeia ao som de um acordeão que gemia mais que tocava, ele era dos poucos que estavam calçados. Ali não havia pobres ou ricos. Eram todos miseráveis!

Cresceu, tornou-se homem, arranjou um trabalho bem remunerado para alguém com a sua instrução, comprou terra, construiu uma casa, criou dois filhos, educou-os, contou-lhes histórias ao adormecer, histórias que inventava pois não sabia ler, deu-lhes a educação que ele nunca tinha tido, comprou mais terra...
Tem 64 anos está reformado mas tem o vicio do trabalho no corpo. Trabalha ainda. Vai trabalhar até morrer segundo ele diz.
Este homem, de olhar profundo, de mãos calejadas pela luta da vida, de sorriso aberto, este homem é o meu PAI.


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16.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Defeito profissional

Um médico, perdido na neve, conseguiu escrever "SOCORRO", em letras grandes, mas não pode ser salvo, pois ninguém percebeu a letra.


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Encanecer - desafio aos leitores

Ontem escrevi um texto, com o título Encanecer. Uma das minhas "leitoras sem blog" (pelo menos que eu saiba), de nickname CotaMarada, disse nos seus comentários, e passo a citar: "É um tema que dá para uma catrefada de posts...".

Eu concordo, e por isso lanço aqui um desafio a todos os leitores. Escrevam sobre este tema, tudo o que vos vier à alma. Se não tiverem blog ou se não quiserem publicar no vosso blog, enviem-me, que eu publico aqui, com a devida referência ao autor. Se tiverem blog, podem publicar no vosso blog, e avisem-me para eu fazer a referência aqui. Em qualquer dos casos, caso o desejem, preservarei o anonimato do autor. Não há regras para o tamanho nem para o formato.

Aguardo ansiosamente pelos vossos contributos.


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maio 08, 2005

16.ª semana, 1.º dia - os acontecimentos da semana

Acontecimento 1 - Vanessa

É incrível ver como as crianças são, muitas vezes, completamente esquecidas pelas instituições que as deviam proteger: a família e o estado.

O que aconteceu à Vanessa é um caso típico em que a família não funciona e o estado não consegue assegurar os seus direitos fundamentais. A Vanessa tinha o direito a ser criança, a ser feliz. Tudo isso lhe foi retirado por pessoas que deviam ser o veículo para essa infância, para essa felicidade.

Acontecimento 2 - Condecoração de Paulo Portas pelos EUA

Sempre achei curioso que um chefe de estado, mesmo quando contestado internamente, era sempre recebido com honras de estado e muitas vezes alvo de condecorações e doutoramentos honoris causa. Confesso que é a primeira vez que me lembro de ver uma condecoração a uma Ministro da Defesa (e dos Assuntos do Mar).

Assim, se alguém quiser candidatar-se a ser condecorado pelos EUA, existem duas coisas fundamentais:
1. Concordar com tudo, mas mesmo tudo, o que os EUA disserem. Discordar uma única vez que seja, já não serve. E se, aliado a isso, se comprar algumas coisas, como submarinos ou armas, ainda melhor.
2. Mostrar que se está sempre preparado para a guerra, quer seja no Iraque, contra possuidores de armas de destruição em massa, quer seja em alto-mar, contra as temíveis mulheres holandesas.

Paulo Portas habilita-se a tornar-se uma figura de proa na política internacional, o Kissinger de Portugal, talvez um novo Secretário-Geral da ONU. Sinceramente, arrisca-se a ser o segundo membro dos governos de coligação PSD+CDS/PP a tirar proveito disso, logo a seguir a Durão Barroso.

Acontecimento 3 - política em Portugal

A política em Portugal está a tornar-se mesquinha. Em primeiro lugar, tenho de dar os parabéns ao Presidente da República por não permitir que a despenalização do aborto fosse a referendo em pleno Verão, com a previsível falta de interesse e de mobilização que iria haver. Ao mesmo tempo devo repudiar completamente a actuação do PS e do PSD. O PSD pela chantagem que fez, de condicionar a revisão constitucional ao adiamento do referendo, o PS ao tentar retirar das suas costas essa responsabilidade, remetendo para Jorge Sampaio. Ambos ficam mal na fotografia, e as mulheres é que continuam a pagar.

Outro sinal dessa mesquinhice tem a ver apenas com o PSD. Marques Mendes diz que quer moralizar o partido. Mas o retirar do tapete a Santana Lopes, a Isaltino Morais e Valentim Loureiro soa mais a um ajuste de contas do que a qualquer moralização. Para termos a certeza, só falta esperar por saber se Isabel Damasceno, implicada no "caso apito dourado", tal como Valentim Loureiro, vai ou não ser candidata à Câmara Municipal de Leiria. Só aí é que se vai saber se Marques Mendes passa o teste da coerência ou não.


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Encanecer

Posted by Hello Já por várias vezes referi a minha infância numa pequena aldeia transmontana. De um modo geral, as pessoas tiravam da terra e da criação o sustento para a mesa. Se tivessem outra actividade, conseguiam ter mais algum dinheiro para outras coisas. A actividade primária ia subsistindo, muitas pessoas só iam à cidade de Chaves, a uns 7 quilómetros, às quartas-feiras, dia de feira. E mesmo assim, muitos iam a pé, de modo a poupar algum dinheiro. Como o meu pai trabalhava em Chaves, por vezes pediam-lhe boleia, mas não deixavam de lhe oferecer um coelho, uma galinha ou alguma coisa da horta.

O dinheiro era gasto apenas em coisas necessárias: roupa, utensílios da casa e alguma comida que não fosse produzida em casa. Tinta para o cabelo era um luxo, que quase ninguém se atrevia a comprar. Os homens não podiam usar, ou eram olhados com alguma desconfiança. As mulheres casadas não deviam gastar dinheiro em coisas desnecessárias, para além de deixarem os maridos mais ciumentos. Assim, a partir de uma certa idade, eram os cabelos brancos que povoavam as cabeças da maior parte das pessoas. E as rugas povoavam a face, dado que não havia dinheiro para cremes anti-rugas.

Não sei se foi por estar habituado a ver os cabelos naturalmente brancos, estranhava quando via alguém com os cabelos pintados, parecia-me tão pouco natural como as perucas em cabeças calvas. Talvez as cores fossem menos naturais do que agora, mas na altura não achava bonito.

Talvez por a minha mãe ter deixado os cabelos encanecer naturalmente, sem o pintar, eu nunca percebi o trauma que o aparecimento deles provoca nas pessoas (especialmente nas mulheres). A minha avó, para além dos cabelos brancos, tinha a cara enrugada, mas bonita, nunca deixou de o ser.

Lembro-me que se devia respeitar os cabelos brancos das pessoas. Quanto mais brancos fossem os cabelos, mais respeito mereciam essas pessoas, porque eram sinal da sabedoria, da vivência. Lembro-me de, quando alguém queria mostrar que era mais experiente, dizer:
- Eu já tenho demasiados cabelos brancos na cabeça para me virem dizer como devo fazer as coisas.

Hoje, tendemos a esconder tudo: os cabelos brancos, as rugas, a nossa forma de ser. É claro que os cabelos brancos e as rugas são pouco graves, mais uma questão de auto-estima. Já quando escondemos a nossa forma de ser, entramos num jogo perigoso de dissimulação, em que a todo o tempo podemos ser descobertos.

Eu não tenho medo de envelhecer, penso que é a ordem natural das coisas. Não são as rugas ou os cabelos brancos que, aos 32 anos, já povoam em razoável quantidade a minha cabeça, que me apoquentam. O que me preocupa mesmo é que esses cabelos brancos não mereçam o respeito que eu dediquei a outros cabelos brancos. Eu faço o que posso para merecer esse respeito, por muito que algum cinismo que noto no mundo actual me dificulte esta tarefa, mas temo sempre ser demasiado fraco para suportar o peso. Paradoxalmente, penso que este temor pela fraqueza é a minha grande força.


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maio 07, 2005

15.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Museu Soares dos Reis, Porto   Posted by Hello
Foto publicada em http://www.rpmuseus-pt.org/
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A propósito do número 5

Falei, há alguns dias, sobre "Os Cinco", de Enid Blyton. A verdade é que o número 5, passou a ser um número mágico para mim. É claro que há excepções (como o "6 em 1 & algo +"), mas sempre que quis fazer alguma coisa, tentei sempre pensar em 5 alternativas, mesmo quando pensava já ter escolhido a melhor.

E muitas vezes a escolha não é simples. Quais os meus 5 livros preferidos, quais as 5 bebidas favoritas, quais os 5 pintores preferidos? Hoje já não tenho paciência para tal. Tirando este blog e o conceito invertido interactivo da semana, ou "1 em 6", só consigo fazer selecções do tipo, Sim/Não.

Umas vezes tenho apenas 1 preferido, outras 2, por vezes dezenas. Mas houve um fase da minha vida em que resolvi que ia designar os 5 grupos musicais e os 5 cantores preferidos. Aconteceu há uns 16 anos, tinha eu metade da minha idade actual. Hoje pus-me a pensar na escolha, e descobri que continuo a gostar dos mesmos grupos e cantores, embora possam não ser, actualmente, os meus preferidos ou, em alguns casos, não terem desde então conseguido fazer melhor.

Foi com espanto que verifiquei que, apesar de ter havido alguma evolução nos meus gostos e nos meus pensamentos, houve algumas escolhas que permaneceram comigo desde então e que são, talvez, o elo que me liga a essa juventude já algo distante. Há também escolhas em que houve um corte profundo com o passado (por exemplo, a minha simpatia com o ideal de igualdade preconizado pelo comunismo, desfeito com a queda do muro de Berlim e com a tentativa de deposição de Gorbachov), outras que permanecem ainda mais de trás (por exemplo, a simpatia clubística pelo Benfica). Mas na música permaneceu alguma continuidade aliada a uma evolução natural.

Já agora, por curiosidade, cá fica a lista com 16 anos (por ordem alfabética):

GRUPOS MUSICAIS
Dire Straits
Marillion
Pink Floyd
The Cure
The Pogues

CANTORES:
Alison Moyet
Bruce Springsteen
David Bowie
Peter Murphy
Tracy Chapman

Só agora reparei: não há portugueses na lista...


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maio 06, 2005

A propósito do George Clooney

Faz hoje 44 anos, como podem confirmar aqui.
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15.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

A minha convidada de hoje é uma eterna surpresa. Sempre que vou ao seu blog não sei o que me espera. Pode ser um desafio, uma fotografia artística de um jogador de râguebi, uma bela imagem com um texto lindíssimo, ou mesmo um texto pessoal, onde revela parte do seu íntimo.

Quando a convidei, foi com o mesmo espírito que o fiz, esperando ansiosamente o resultado surpresa. E, como seria de esperar, não defraudou as minhas expectativas, escrevendo com a sua linguagem directa, incisiva e despudorada de sempre.

Depois desta descrição, já todos devem saber de quem estou a falar: da Hipatia e da sua Voz em fuga. Uma "voz" que não me canso de "ouvir", e da qual não há fuga possível. Mas isto sou eu a falar, eu sou suspeito, sou um fã incondicional deste blog, mesmo quando as fotografias não me interessam...

Até à meia-noite

(até à meia-noite, disse ele. Até à meia-noite? Bolas! 23:34h. O que se escreve em menos de meia hora? Vamos lá ver o que sai.)

Talvez a sorte tenha sido eu estar a ver o .Saltos Altos. do Almodóvar. É sempre um bom começo. Até porque o filme surpreende-me sempre, naquele entrelaçado de emoções, naquela confusão de sentimentos e a voz da Luz Casal em pano de fundo: .piensa en mi, cuando llores.. .piensa en mi, cuando sufras.. .piensa en mi..

(só me questiono se o Jorge estará bom das ideias para me pedir um texto numa altura em que são músicas como esta que me deixam mais perto das lágrimas.)

Mas voltando ao filme. O mais curioso sempre foi para mim a figura do juiz, que se mascara dos seus próprios informadores. E o estranho que sempre me pareceu que apenas um bigode e barba postiços, juntamente com uns óculos de sol (horríveis, por sinal), fossem motivo suficiente para que ninguém o identificasse, incluindo todas as mulheres com quem ia dormindo ao longo do caminho. E isto vai ao ponto de haver um artifício identificativo da personagem: um sinal na glande.

Já sei, já sei: é filme. E é um Almodóvar, ainda por cima. Não é para levar a sério nem procurar entender estas particularidades. Mas que é estranho, é. E não abona nada a favor da capacidade de observação feminina. Porque é mesmo um disparate pegado.

Ou não seria um absurdo de todo o tamanho andarmos para aí a solicitar um breve descer de calças masculino para identificar pelos sinais presumíveis na ponta da pila os juízes do nosso destino?

(Bolas! Será que se pode escrever sobre pilas no 6 em 1? Bem, já escrevi. Agora é lá com o Jorge. Quem anda à chuva molha-se e assim. Pelo menos são 23:47h e já tenho um texto para mandar.)


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maio 05, 2005

A pedido de várias famílias:
nova foto do George Clooney

George Clooney Posted by Hello
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15.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Cinco sentidos - o cheiro

Cheiro a mar,
Em constante ondular,
A areia por ele humedecida,
A odores frescos da vida.

Cheiro a campo,
A flores de encanto,
A erva fresca dos prados,
A pensamentos lavados.

Cheiro a lar,
A lençóis de amar,
Ao odor intenso a mel,
Que emana da tua pele.


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15.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

Hoje estou sem palavras. Aqui ficam os resultados finais, referindo que a escolha não foi da minha responsabilidade... Para a semana há mais...

A mais sexy

Miss Piggy Posted by Hello


O mais sexy

George Clooney Posted by Hello


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maio 04, 2005

15.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Hoje, mais uma vez, é o dia do conceito invertido interactivo, isto é o 1 em 6. Eu dou 6 opções, os meus leitores escolhem uma, só uma, uma única vez, e não são admitidos votos de animais (estas explicações todas servem apenas para evitar tentativas de fraude verificadas anteriormente). Hoje, para variar, a dose é dupla. Assim, hoje temos

A mais sexy

Britney Spears
Salma Hayek
Anna Kournikova
Elsa Raposo
Lili Caneças
Miss Piggy

O mais sexy

Justin Timberlake
George Clooney
Brad Pitt
Pedro Santana Lopes
Capitão Roby
Cocas

Antes de votarem, queria só esclarecer que as propostas de nomes não foram feitas por mim, mas por um painel de especialistas masculinos e femininos. A minha única intervenção foi no sentido de retirar o meu nome da lista masculina, porque poderia ser colocada em causa a independência da votação. Por último, todos podem votar em qualquer das categoria ou em ambas (as "bocas" que possam ouvir depois não são da minha responsabilidade).

Bem, vamos lá a votos. Não se esqueçam que
SÓ TÊM 24 HORAS PARA VOTAR, ISTO É, ATÉ ÀS 16 HORAS DE AMANHÃ!!!


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Texto triplo: uma operação, um concurso e um regresso à dura realidade

1. Operação

Ontem, a minha filha foi operada. Nada de muito complexo: líquido nos ouvidos, adenóides e amígdalas. Correu bem, já está em casa. Mesmo sendo simples, é uma angústia completa durante os dias anteriores, mas o próprio dia é o pior de todos. Queremos sempre estar no lugar dos nossos filhos nestes maus momentos. Felizmente, tudo está bem quando acaba bem.

2. Concurso

Felizmente, os pais puderam passar a noite com a filha. Aproveitamos para fazer um concurso, a minha filha e eu, para ver quem ressona mais e mais alto.

Embora a minha filha tenha algum futuro nesta modalidade, rezam as crónicas que o pai venceu a grande distância. Consta, contudo, que o ruído produzido conseguiu ficar dentro dos limites legais. Tal não impediu que os bombeiros e a polícia acorressem ao local para verificar o que se passava. Testemunhas oculares garantiram que ficaram preocupadas com as oscilações verificadas no edifício.

3. Regresso à realidade

24 horas depois, estou outra vez na Internet, de regresso à dura realidade: problemas no acesso. Tenho conseguido visitar páginas, por vezes com alguma lentidão, mas não consigo receber o meu e-mail. Se alguém está à espera de resposta, aguente-se...


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maio 03, 2005

15.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Mais um dia

O dia começou, mais um dia. O barulho dos carros e os passos apressados das pessoas já se fazem sentir. O Faísca está acordado e a olhar para mim, esperando um sinal meu para me dar a primeira lambidela do dia.

Esta noite ninguém me chateou e consegui dormir descansado. De vez em quando há alguém que não me quer à porta do prédio e chama a polícia. É engraçado que de dia sou quase invisível, mas à noite as pessoas reparam em mim. Desta vez não tive problemas.

O Faísca já deve estar com fome. Arrumo o cobertor no carrinho de mão que anda sempre comigo, encontrado numa lixeira há algum tempo. No talho do Sr. António há sempre um osso para o Faísca. Por vezes, no Natal, na Páscoa, ou quando ele vê que estou um pouco adoentado, diz-me para passar por lá na hora do almoço, para me dar um pouco do seu.

Depois de tratar do Faísca, passo pela padaria do Sr. Carlos, que tem sempre uma regueifa para mim. Depois, no restaurante do Sr. Zé, ele dá-me um copo de leite e um pacotinho de manteiga para o meu pequeno almoço. O Sr. Zé dá-me ainda a sopa ao almoço e ao jantar.

Durante o dia, percorro as lixeiras dos bairros mais ricos. De vez em quando lá se encontram umas latas de conserva fora do prazo, ou uns pêssegos enlatados, que sempre dão para uma refeição diferente. Se tiver sorte, ainda encontro alguns objectos interessantes, como o carrinho de mão, que me dá um grande jeito, um cesto e uma almofada, que servem de cama para o Faísca, e ainda um tacho, que me serve para transportar a comida.

À hora da missa vou para a porta da igreja, tentar arranjar alguns trocos, que vou juntando religiosamente, tirando alguns copitos de vinho para afastar a amargura. Hoje, as pessoas já não dão tantas esmolas, com medo que o dinheiro vá ser gasto em drogas.

E assim vou passando o dia, até que a noite me leva para algum recanto mais abrigado onde possa dormir.

O Sr. Zé arranjou-me o cobertor e vai-me arranjando uns cigarritos, para matar o vício antigo. Aquelas pessoas foram-me aceitando aos poucos. Tanto o Sr. Zé como o Sr. António e o Sr. Carlos estão sempre preocupados comigo. Quando adoeço dão-me alguns dos seus remédios. Uma vez, levaram-me ao hospital, enquanto tomavam conta do Faísca. Também me arranjam roupas que já não usam, sempre que as minhas dão sinais de não aguentar muito mais.

Eles são os poucos que sabem porque eu ando nesta vida. Sabem como eu gastava todo o dinheiro que ganhava, deixando a mulher e os três filhos em casa passar necessidades. Um dia, um acidente deixou-me sem dois dedos e sem trabalho, e vim-me embora para a cidade, à procura de melhor sorte. E depois de dois empregos breves, acabei nas ruas.

Não soube mais da mulher nem dos filhos. Penso que eles também não querem saber de mim. Quando saí de lá pensava voltar, com dinheiro, para reparar a minha má conduta anterior. Mas agora perdi tudo, não posso voltar...

Um dia arranjaram-me um bilhete de comboio, deram-me banho e barbearam-me, vestiram-me com uma roupa melhor, e ainda me puseram cinco contos no bolso, para eu poder voltar. Não passei da porta da estação...


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Agradecimento à cap ao cap

Obrigado, cap!
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maio 02, 2005

15.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

As siglas uma anedota futebolística dado que o campeonato está quase no fim

Significado das siglas:
FCP - Fomos Campeões Portugueses
SCP - Seremos Campeões Portugueses
SLB - Seremos Leiloados Brevemente


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Os Cinco

Os Cinco, de Enid Blyton, foram os meus livros de eleição entre os 7 e os 12 anos. Li-os todos, os 21, se não me falha a memória. Vi na televisão as suas aventuras. Até o meu cão se chamou Toddy, que era o nome real do cão que fazia de Tim na série televisiva.

Tornei-me um explorador, explorava tudo em meu redor, criava aventuras sozinho, por entre as altas fragas que circundavam o rio, perto de minha casa, onde abundavam os fetos, até aos locais recônditos, no meio das giestas, tojos e silvas, que me rasgavam a roupa e a pele.

A única diferença das minhas aventuras era que eu fazia de bom e de mau, e não tinha quatro companheiros para me ajudar. Vivia num local a que chamavam a c'roa do povo, longe do centro da aldeia, conhecido pelo fundo do povo. Mais tarde surgiu o Toddy, um cão perdido que se tornou no meu companheiro de aventuras.

Depois veio a puberdade, e acabaram-se as aventuras deste tipo, começaram outras, completamente novas, mas não menos interessantes...


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Para não me repetir...

... podem ir ao afixe ver os meus dois textos a seguir? É que era um desperdício de espaço copiar tudo para aqui...

CÁ EM CIMA TUDO BEM!
DA TANGA AO TANGO, PASSANDO PELO CHORADINHO

Mas voltem, que eu ainda vou escrever mais por aqui...


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maio 01, 2005

15.ª semana, 1.º dia - os acontecimentos da semana

Acontecimento 1 . Mourinho

Goste-se ou não, ele chegou viu e venceu. Podem chamar-lhe tudo o que quiserem, de arrogante a cínico, mas ninguém lhe tira o mérito de ter, logo no primeiro ano no Chelsea, conseguido ser campeão inglês. E é preciso não esquecer que também conquistou a Taça da Liça e ainda pode vencer a Liga dos Campeões.

Pode não se gostar do estilo, mas a palavra competência está sempre ligada à sua pessoa. Acima de tudo, José Mourinho mostrou-nos que não precisamos de ir lá para fora com a pose de .coitadinhos., desde que sejamos empenhados e competentes podemos vencer e convencer em qualquer parte do mundo.

Depois do .discurso da tanga. de Durão Barroso, em que a nossa auto-estima desceu a níveis nunca vistos, alguém nos mostra, mesmo aos que não gostam de futebol, que podemos fazer coisas boas, basta querermos.

Acontecimento 2 . a crise na justiça

Esta semana foram libertados 3 suspeitos do assassínio de um Inspector-Chefe da Polícia Judiciária, por ter sido atingido o prazo limite para a prisão preventiva. É simplesmente lamentável.

Como é que se pode exigir que a nossa polícia aja, se depois o sistema judicial não consegue actuar dentro dos prazos? O que pensarão a família e os colegas do elemento assassinado? Uma última pergunta: o tal inquérito que vai ser feito, vai realmente apurar responsabilidades?

Acontecimento 3 . 25 de Abril, sempre!

31 anos da revolução dos cravos. Não falei muito da revolução neste blog, porque me considero um herdeiro da mesma, não um dos actores.

Ainda não tinha dois anos aquando da revolução. A revolução trouxe grandes mudanças para a minha vida. Pouco depois, o regresso de Angola, onde nasci, e o recomeço de uma nova vida, praticamente do zero. Depois, a possibilidade de, num país livre, reconquistar alguma segurança financeira, que permitiu à minha irmã e a mim a prossecução dos estudos até à licenciatura, permitindo-nos uma vida mais fácil que a dos nossos pais. Por último, a possibilidade de eu estar a escrever neste blog, sem medo de retaliações.

Assim, tenho muito a agradecer à herança da revolução dos cravos. Mas também aos meus pais, por terem sabido recomeçar do zero e permitir-me alcançar a minha própria independência sem grandes sobressaltos.

Hoje é dia da mãe, por isso, neste dia, ela merece um carinho especial...


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A todas as mães

PARABÉNS!
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abril 30, 2005

14.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Fátima   Posted by Hello

P.S. Mas o que é que um não católico anda a fazer em Fátima???


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Englishman in New York...

... é uma canção do Sting, que fala sobre viver deslocado.

A verdade é que eu também me sinto um flaviense no Porto, onde trabalho, ou em São Mamede de Infesta, onde resido. Se juntarmos a tudo isto ainda o facto de ter nascido em Luanda (apesar de ter vivido lá pouco menos de 2 anos), de já ter trabalhado em Lisboa quando já vivia em São Mamede de Infesta, e de ser benfiquista apesar de viver acima do Rio Douro, o que é que podemos concluir?

Eu concluí que ou convivo bem com isso, ou mais vale voltar para Chaves, onde o presunto com pão centeio e um bom vinho tinto fazem esquecer-nos rapidamente as chatices da vida...


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abril 29, 2005

14.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

O meu convidado de hoje é, nas suas próprias palavras, minimalista. Tal não é, para mim, qualquer problema. Muitas vezes gasta-se muitas palavras para escrever poucas ideias.

O cap, no seu (Re)primadesblog s/ teclado bloqueado, faz o contrário. Parco nas palavras, as imagens, as ideias e as pequenas frases, mais uma grande dose de imaginação inteligente e surpreendente, transmitem muito mais do que o tamanho dos textos poderia indicar. É, sem sombra para dúvidas, um dos meus blogs de eleição.

Poderia dizer muito mais, mas para ser coerente com o meu blog convidado, fico-me por aqui.

UM CONTRIBUTO PARA AS CIÊNCIAS EXPERIMENTAIS

Houve um tempo em que os animais falavam e traziam em si a sabedoria que tantas vezes falta (ainda) ao ser humano. Desde então, cansados de tão fracos discípulos, eles deixaram de o fazer. Talvez tenha sido na Arca de Noé, última assembleia geral de que há registo, o certo é que, aborrecidos de tanta persistência no erro, desistiram de nos ensinar.

Alguma semente germinou, contudo, nos obtusos humanos. A prova? O misto de fascínio e de repulsa que permanece em nós. Demonstrando: por que outra razão utilizaríamos, por exemplo, a raposa, o burro, o camelo, ou o cavalo, o cão e a abelha para afirmar as nossas singularidades?

Esta é uma experiência que podem realizar em casa sem necessidade de grande investimento. Qual foi o último animal de que se socorreram para mimosear alguém e porquê?


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O que significa IRS?

Irritantemente Registando Salários? Isto Riscado Serve? Inês Rita Susana? Ilídio Rogério Sebastião? Intão Raisparta Sócontas? IRSe embora e voltar de tarde?

Bem, vou ler o que diz o cabeçalho, deve estar lá a explicação...

Adenda das sugestões da karla:
Inevitável Responsabilidade Social.
Infelizmente Reservado Só a alguns.
Importante Restruturar o Sistema.

Adenda da sugestão da Pedra Pomes:
Imbora Raspar-Se daqui (que é fim de semana).

Adenda da sugestão do bin:
Indivíduos Revolucionários Sempre.

Adenda das sugestões da Noite:
Ide Roubar Salafrários.
Imenso Rombo Salarial.

Adenda da sugestão da seila:
Inteligência Realmente Sextuplicada.


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abril 28, 2005

14.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Luz

A luz nos teus olhos
Brilha mais que as estrelas do céu.
Iluminam os meus dias,
São o meu farol...
Nos momentos tristes,
Nos momentos ternos,
És tu que me alumias,
Minha lua, meu sol...


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Entrada sem texto...

...e à espera de comentários Posted by Hello
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14.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

Desta vez a votação não deixou grandes dúvidas, com a canção Menino d'Oiro a ser a vencedora do conceito invertido interactivo da semana, apesar de, inicialmente, ter sido a Canção de embalar a arrancar na frente. A preferência por baladas demonstrada pelos meus leitores é um caso a estudar...

Assim, anunciamos o grande vencedor:

A melhor canção de Zeca Afonso
(das preferidas pela minha filha)
Menino d'Oiro

Não se esqueçam de me enviar sugestões para a próxima semana, fico à espera...


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abril 27, 2005

E se...?

E se o mundo não fosse redondo, mas um cubo, onde 5 faces poderiam ser reservadas pelas principais religiões, e na outra só pudessem viver todas as pessoas que não vêem na religião obstáculos a uma vida feliz, estaríamos mais seguros?

E se Portugal não tivesse um governo, mas um treinador, de preferência o Mourinho, será que deixávamos de estar na cauda da Europa?

E se em vez de braços tivéssemos asas, voaríamos como Ícaro ao encontro do sol, ou teríamos medo de largar o chão?

E se no lugar da televisão tivéssemos um aquário, no lugar do computador um livro e no lugar da Internet uma sombra amiga, seríamos capazes de sobreviver?

E se o autor deste blog fosse um pintor, pintaria as palavras no ecrã com várias cores ou preferiria pintá-las a carvão, para não fugirem do traço original?


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14.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Hoje, o conceito invertido interactivo da semana, o 1 em 6, vai ter a ajuda indirecta da minha filha e do Zeca Afonso. Festejou-se na Segunda-feira passada mais um aniversário da revolução dos cravos. Todos os anos é habitual ouvir, vezes sem conta, a canção "Grândola, Vila Morena", interpretada pelo Zeca Afonso. A minha filha não gosta particularmente dessa canção, mas gosta de outras. E é por isso que hoje o conceito invertido interactivo é

A melhor canção de Zeca Afonso
(das preferidas pela minha filha)

Assim, começo pela canção que eu lhe cantava para dormir, a "Canção de embalar". Mais tarde foi "Verdes são os campos", retirada de um poema de Camões, que ela aprendeu a cantar. Depois foram surgindo outras, naturalmente, como "Natal dos simples" e "Canto moço" (ela adora o ritmo desta última). Mais tarde, ouviu o "Menino d'oiro" e também gostava de ouvir no meu colo. Finalmente, uma que ela adora ouvir e também cantar: "Senhora do Almortão".

Assim, cá estão as 6 canções, para os meus leitores escolherem uma, apenas uma, e vontando uma única vez com um único voto (esta explicitação das regras é por causa do Luís...) canção do Zeca Afonso. Recapitulando as seis canções:
Canção de embalar
Verdes são os campos
Natal dos simples
Canto moço
Menino d'oiro
Senhora do Almortão (à falta de página, com a letra completa, fica aqui toda a canção, com pedido de desculpas por alguma eventual incorrecção):
"Senhora do Almortão,
Oh, minha rosa encarnada,
Ao cimo do Alentejo
Chega a vossa nomeada...

Senhora do Almortão,
Flor minha linda raiana,
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana,
Não queirais ser castelhana, ahhh...

Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso...

Senhora do Almortão,
A vossa capela cheira,
Cheira a cravo, cheira a rosa,
Cheira a flor da laranjeira,
Cheira a flor da laranjeira, ahhh...

Nossa Senhora da Póvoa,
Nossa Senhora da Póvoa...
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa,
Minha maçã camoesa...
Criada no paraíso,
Criada no paraíso..."

Já sabem, só têm 24 horas para escolher a melhor...


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abril 26, 2005

14.ª semana, 3.º dia - a história da semana

A Ponte

Não sei quando tudo começou. Terá entrado de mansinho, e foi-se instalando aos poucos, espalhando-se, conquistando espaço, até que se apoderou por completo de mim. Hoje quero ver-me livre dela, mas não consigo. A angústia tomou conta de mim.

Muitas vezes me interroguei por que algumas pessoas perdem a vontade de viver, a ponto de pretenderem pôr termo à própria vida. Não compreendia esse sentimento extremo de atracção pela morte. Via-o como algo doentio, de alguém precisado de cuidados médicos.

Um amigo meu, um dia, disse-me que a morte era uma forma de libertação desta vida que amamos mas que nos oprime. Eu fiquei assustado, porque amava a vida de forma entusiástica, e não me passava pela cabeça abdicar dela.

De vez em quando surgiam notícias, sobre suicídios, conseguidos ou tentados, sob as mais variadas formas. A verdade é que para acabar com a vida até não é muito difícil, existem vários métodos eficazes. Mas o que leva alguém a dar o último passo?

Sentei-me a pensar, tentando descortinar as origens do meu estado de espírito. Porque é que cheguei a este ponto de angústia extrema? Quais foram as encruzilhadas da vida que me levaram a este estado de alma?

Fechei os olhos. Tentei ouvir o vento. Nada. Apenas uma aragem fresca. Onde estará aquele vento de menino, que assobiava por entre as árvores, no meio dos montes, arrastando consigo tudo o que podia. Havia um lugar, no cimo de um morro, onde abríamos os braços e nos atirávamos para o ar. O vento, talvez agastado com a nossa zombaria, carregava-nos alguns metros, mostrando o seu poder. E muitas vezes, mesmo sem nós pedirmos, desequilibrava-nos com a sua força.

Bons tempos, esses passados nos montes, longe do rebuliço citadino. Quando percorria a aldeia na minha bicicleta, pensava que não havia nada mais rápido à face da terra. Hoje, quando voo na auto-estrada, ao volante de um Porsche, sei que os conceitos variam consoante o nosso conhecimento do mundo.

Nesses tempos, acordava todos os dias com o sol a embater nos vidros da minha janela. Levantava-me de um salto, contagiava todos à minha volta com a minha alegria. A noite era calma, passada com os companheiros de infância, com as primeiras namoradas ou com os amigos dos copos.

Hoje acordo após o quinto toque do despertador, corro para o trabalho, no meio da poluição atmosférica e sonora de uma grande cidade, chego ao fim do dia cansado, com mais de 40 canais de televisão para escolher, de modo a preencher as últimas horas do dia. Acabo por dormir apenas uma 4 ou 5 horas, porque me entusiasmo a ver um filme extraordinário.

E a comida? Aquela fruta apanhada directamente das árvores, às escondidas do dono. Aquela hortaliça, plantada na imensidão do nosso terreno. Os animais, criados nos pastos próximos ou nas lojas e galinheiros das casas. Era comida com um sabor sem igual.

Agora nem sei de onde vem o que como, muitas vezes nem sei bem quais os ingredientes que estão lá dentro. Comer num restaurante de fast-food é uma autêntica aventura de adivinhação. Às vezes prefiro levar umas latas pré-preparadas para casa. Supondo que é verdade o que diz na embalagem, pelo menos sei o que estou a comer.

Mas o que me faz mais falta é aquele espírito de entreajuda que existia. Toda a aldeia ajudava nas vindimas, nas sementeiras e nas colheitas. Quando pedíamos a um vizinho uma ajuda para mondar o terreno, ele não pensava duas vezes, deitava mãos à obra imediatamente.

No meu actual emprego, é cada um por si. Ninguém ajuda ninguém, a menos que esteja hierarquicamente acima. Temos de andar sempre atentos, não vá alguém retirar-nos o tapete sob os nossos pés. Acabamos por conseguir ter uma relação mais próxima com dois ou três colegas, mas mesmo esses não são de confiança, quando virem que é melhor para eles, viram-nos as costas.

Saí de carro para fora da cidade, ao entardecer. Encontrei uma ponte sem trânsito. O vento era um pouco mais forte, embora não tão forte como o da minha infância. Lembrei-me que o meu avô, pouco antes de morrer, me disse que a passagem para a morte era como atravessar uma ponte, para uma outra margem desconhecida.

Saí do carro e caminhei pela ponte. Olhei para baixo. Era alto, uma queda seria fatal. Subi o pequeno muro e senti o vento a rodear-me. Abri os braços e entreguei o meu destino ao vento, esperando que ele me empurrasse para um ou outro lado.

Mas o vento não quis tomar nos seus braços tamanha responsabilidade. Fui eu que tive de decidir. Não sei se foi por cobardia de morrer ou por coragem de viver, mas decidi.


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Algumas novidades e um pedido...

Como já devem ter notado, a partir do Domingo passado tenho todos os dias pelo menos dois textos. Espero que não se cansem e que tenham paciência para me ler duas vezes por dia...

Finalmente, actualizei a minha lista ali do lado. Alguns links ficaram ali na esperança de ainda voltarem, outros são textos antigos de blogs que mudaram de local (nem todos têm os textos antigos) mas vou reformular, de modo a poder informar sobre a frequência de actualização dos mesmos.

Entretanto, tenho um pedido aos leitores.

DIGAM-ME, POR FAVOR, SE EXISTE, NA VOSSA OPINIÃO, ALGUMA FALTA GRAVE NA LISTA ALI DO LADO... É QUE COM TANTOS BLOGS, PODE HAVER ALGUM QUE ME ESTEJA A FALHAR...


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abril 25, 2005

14.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Antes do 25 de Abril uma singela homenagem à data histórica

Nos tempos do Salazar:
- quem denunciasse um comunista recebia 100$00;
- quem denunciasse dois comunistas recebia 200$00;
- quem denunciasse três comunistas era preso - já conhecia demasiados comunistas.

Adenda 23:40 (para os leitores mais novos):
100$00 lê-se "cem escudos" e corresponde a, aproximadamente, 50 cêntimos.
200$00 lê-se "duzentos escudos" e corresponde a, aproximadamente, 1 euro.


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Cadeia de literatura - finalmente a resposta

Fui desafiado, por isso aqui vai (respondi e publiquei imediatamente, para não me arrepender de qualquer resposta).

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Um livro em branco, onde registaria a história.

Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem de ficção?

Sim, pelo Génio da Lâmpada. Sempre sonhei ter uma coisa daquelas, quando era criança e pediria 3 coisas: ser um grande jogador de futebol, ter uma mulher bonita e uma caixa sem fundo de dinheiro.

Qual foi o último livro que compraste?

Através das lentes, da National Geographic.

Qual foi o último livro que leste?

O evangelho segundo o filho, de Norman Mailer.

Que livros estás a ler?

(com voz pesarosa) Livros para o meu doutoramento:
Java distributed computing, de Jim Farley.
Mining the World Wide Web, de George Chang et al.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Um livro sobre cada uma destas 5 religiões: budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo e judaísmo (por ordem alfabética). Para descobrir porque são incompatíveis e até que ponto são compatíveis, e para me dar por feliz por estar numa ilha deserta para poder escolher entre uma delas ou nenhuma.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Ao Miguel Torga, ao Camilo Castelo Branco e ao Bocage, porque se algum deles responder é sinal que existe vida para além da morte.

E os vencedores são?

As três pessoas que referi na resposta anterior, porque para além de serem escritores portugueses que admiro nunca tiveram de viver durante um governo do Durão Barroso nem do Santana Lopes.


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abril 24, 2005

14.ª semana, 1.º dia - os acontecimentos da semana

O 1.º dia estava consignado ao acontecimento bloguístico da semana. Hoje, depois da semana de "ausência", pensei e repensei, e cheguei à conclusão que era melhor falar apenas dos acontecimentos da semana, no plural (porque é muito difícil escolher apenas um), sejam ou não relacionados com blogs, porque a vida não é só feita de blogs.

Acontecimento 1 - Habemus Papam

Que é que se pode dizer sobre a escolha dos cardeais? O Cardeal Ratzinger era um dos menos desejados, ainda antes do início do conclave, tido como um conservador e apontado como o culpado das piores decisões da Igreja nos últimos tempos. Não me vou alongar na biografia do novo Papa, amplamente divulgada nos últimos tempos, apenas na minha impressão pessoal do mesmo.

Depois de João Paulo II, conhecido como um Papa caloroso, Bento XVI é a imagem de um Papa distante, que tenta a todo o custo mudar essa imagem. É também um Papa com uma idade avançada (era o decano dos cardeais elegíveis), já com problemas de saúde, não se esperando um longo papado.

O que terá passado na cabeça dos cardeais para o eleger? Não sei. Supondo que eles são iluminados pelo Espírito Santo na sua escolha (segundo a versão da própria Igreja), não resta aos Católicos outra alternativa que não seja pensarem que foi a melhor escolha...

Acontecimento 2 - o novo líder do CDS/PP

Ribeiro e Castro foi a surpresa. Depois de vários congressos partidários onde o evento servia apenas para formalizar a escolha já feita (e desta vez parecia ser Telmo Correia), este voltou a demonstrar alguma emoção. Depois de um congresso do PS onde o Sócrates não sofreu contestação, de um congresso do PSD em que o vencedor anunciado acabou por ver a sua vantagem esmagadora ser reduzida substancialmente (e logo contra Luís Filipe Menezes, que muitos davam como um candidato sem grandes hipóteses de ultrapassar os 10%), chegou finalmente a surpresa, num partido em que ninguém parecia querer pegar.

Só dois comentários que me parecem pertinentes:
1. A vitória de Ribeiro e Castro, independentemente da opinião que eu possa ter relativamente a ele, é uma vitória contra o cinzentismo e alguma falta de emotividade de alguns políticos portugueses. Telmo Correia fez um discurso "certinho", mas sem emoção. Marques Mendes só não perdeu porque do outro lado estava alguém que peca por excesso de protagonismo e de semelhança com Pedro Santana Lopes, porque o seu desempenho no Congresso do PSD também pecou por falta de emotividade. E um líder cinzento não conquista eleitores.
2. Uma constatação: quem é apoiado por Luís Nobre Guedes, ganha o congresso.

Acontecimento 3 - Um grande 31

Amanhã, festejam-se 31 anos da revolução de Abril. Revolução e não evolução, porque não se reescreve a história tirando um 'r'. Porque é que falo já nisto? Porque há 31 anos a revolução já estava em marcha. E faz hoje 31 anos que se viveu o último dia sem liberdade. E é por isso que hoje posso estar aqui a escrever, sem restrições.


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Como recompensar os leitores pela semana de ausência?

É fácil, vou comprometer-me a fazer 2 (DOIS) textos por dia. Um sobre o tema do dia e outro sobre o que me apetecer... Agora, não me peçam grandes testamentos (até porque temos um novo Papa)...
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De volta!!!

Cá estou eu de volta.

Ainda não é o texto do dia, mas tão só a vontade de agradecer a quem, apesar de eu ter dito que só voltava hoje, continuou a visitar este blog regularmente.

Aproveito para lembrar que a Mostra UP termina hoje. Quem quiser ir lá visitar a Mostra, isto é, quem não aproveitou o fim de semana prolongado, lembro que estou lá das 13:00 às 17:00, em representação do LIACC (quem entra, ao fundo, ao lado esquerdo). Levem as crianças, elas vão adorar os caezinhos robôs que lá temos (reagem a festas, a comandos de voz, dançam, etc...).

Aproveito ainda para fazer um pouco de publicidade sobre o meu grupo de investigação, o NIADD/LIACC (Núcleo de Inteligência Artificial e Análise de Dados do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores):

ÁREAS CIENTÍFICAS
- machine learning e data mining;
- inteligência artificial;
- estatística e análise de dados;
- ciências da decisão;
- ciências cognitivas.

APLICAÇÕES
- web inteligente, a web adaptada a cada utilizador;
- event mining, detecção de intrusões e fraudes;
- economia, estudo da demografia das organizações;
- gestão, marketing;
- bolsa, sistemas autónomos de negociação;
- ecologia, previsão da quantidade de algas nocivas no rio Douro;
- biologia, análise de DNA usando dados de microarray;
- biologia molecular, composição de fármacos.


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abril 23, 2005

13.ª semana - acaba hoje, amanhã volto...

Porto   Posted by Hello
Foto publicada em http://www.porto-digital.com/

Depois desta semana sabática, em que não escrevi nada neste blog, volto amanhã... Esclareço que o facto de ter coincidido com a semana 13 é mera coincidência. Eu não sou supersticioso, porque dá azar...


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abril 22, 2005

13.ª semana - apesar da Mostra UP 05, continua a não haver...

Sim, eu podia vir aqui dizer que desde ontem, 21 de Abril, até Domingo, dia 24, decorre a Mostra UP 05, no Pavilhão Rosa Mota, mais conhecido por Palácio de Cristal, no Porto, onde participa o meu grupo de investigação, o NIADD/LIACC (Núcleo de Inteligência Artificial e Análise de Dados do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores), e que eu vou lá estar (com um crachá a identificar-me) nos dias 23 e 24, das 13:00 às 17:00, e convidar-vos para aparecer por lá, mas... eu já prometi que só voltava a este blog no dia 24 de Abril...
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abril 21, 2005

13.ª semana - apesar da chuva, continua a não haver...

Até porque o dia acordou em lágrimas com um dia de atraso...
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abril 20, 2005

13.ª semana - apesar do novo Papa, continua a não haver...

Mas que me apetecia falar sobre a eleição de um Papa ultra-conservador, apetecia...
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abril 19, 2005

13.ª semana - hoje apetecia-me, mas não pode ser...

É que não pode mesmo... nem aquele inquérito sobre o Fahrenheit 451 (e eu a pensar que era 9/11)...
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abril 18, 2005

13.ª semana - é que não há mesmo...

Eu só volto mesmo no dia 24 de Abril...
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abril 17, 2005

13.ª semana - não há

Volto dia 24 de Abril, na 14.ª semana...
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abril 16, 2005

12.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
agora com mais música

Porto   Posted by Hello
Foto publicada em http://www.cm-porto.pt/
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abril 15, 2005

12.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Em Portugal é noite, manhã em Macau, Noite em Macau. Não é essa noite que nos faz recolher diariamente, mas a Noite, autora de um blog escrito num local longínquo, para onde somos transportados pelos seus belos textos.

Muitas vezes, quando os leio, sinto-me a respirar os mesmos odores que ela sente, envolvido nesse mesmo ambiente asiático com alguns retoques portugueses que ela nos descreve. Convidei-a hoje a escrever no meu blog, assim como ela me convida, através da leitura do seu blog, a conhecer o recanto onde vive o seu dia a dia. Ler o seu blog aumentou em mim a vontade que já tinha de conhecer Macau. Isso acontecerá um dia, ad tempus.

As passagens da Noite por Macau

Era o meu irmão muito pequenino e costumava dizer .eu quero ir à China.. Na altura ir à China era algo tão impraticável, que fazíamos um sorriso compreensivo, como quem acha piada ao miúdo que não tem noção do que o mundo é.

Alguns anos passados e o meu irmão concretizou o seu sonho, quando num dia quente de Setembro aterrámos no já desaparecido aeroporto de Kai Tak em Hong Kong. Esse dia nunca se apagará da minha memória, como se de um filme se tratasse. Quando saímos do avião rumo ao autocarro que nos iria transportar ao terminal do aeroporto sentimos um calor abrasador, um ar irrespirável, um cheiro estranhíssimo. Olhar em volta era intimidante: as pessoas, os sons, a linguagem, tudo era diferente. Senti-me como se estivesse num sonho, daqueles de que apetece acordar depressa. A travessia de Hong Kong, a viagem de barco, a curta visão do caminho em Macau não foram de modo algum grandes auxílios para o fim da minha sensação de pesadelo.

Nos dias que se seguiram, as minhas descobertas sobre o território foram-se alargando, mas as experiências dos primeiros dias não foram mais agradáveis que as da chegada. Percorri ruas com dois dedos a tapar o nariz porque não suportava os cheiros, senti o que era realmente ter calor, aprendi que as praias podiam ter água castanha e areia preta, conheci hábitos muito diferentes dos meus, percebi que a falar podemos não nos entender. Do que me lembro, a única coisa de que verdadeiramente gostei foi da comida chinesa!

Naqueles dois primeiros anos não sei dizer se fui feliz. Creio que não. Senti-me sempre uma estranha numa terra estranha. Nesse tempo não amei Macau. Não se ama Macau em apenas dois anos. Para amar esta terra é preciso conhecê-la, percebê-la, encontrar-lhe o sentido. E eu não o encontrei. Durante esses anos fui apenas uma passageira que ansiava o fim da sua viajem para poder voltar para a sua terra e para os seus.

Sem beber a água do Lilau*, voltei a Macau dois anos depois, desta feita para a amar. Pouco foi novidade, pelo que rapidamente me adaptei. O meu olhar sobre as coisas era outro e assim descobri o que estava à minha volta e percebi o seu sentido. A distância e a saudade acompanharam-me sempre, mas aprendi a conjugá-las com as coisas boas que aqui fui descobrindo e construindo. Voltei a Macau para aprender a amá-la. Aprendi que aqui se pode ser feliz!

Como não há duas sem três, voltei a Macau pela terceira vez. Creio que neste momento sinto por esta terra um misto de amor e estranheza. Porque eu mudei, porque ela mudou. Amo Macau, mas já a amei mais do que a amo hoje. Há lugares onde não devíamos voltar, para que a realidade não atraiçoe a nossa memória.

* água da Fonte do Lilau, água de nascente da qual se dizia que quem dela bebesse voltaria a Macau.


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abril 14, 2005

12.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Ausente

Vozes sobrepostas, gestos repetidos,
Risos estudados, não sentidos.
Frases desprovidas de conteúdo,
Silêncio de alma, frio e mudo.
E eu ausente, num outro lugar,
No brilho claro do teu olhar...


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12.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

E assim, após um início de votação renhida, o vencedor acabou por se destacar na recta final, sendo assim um justo vencedor.

Assim, o slogan, que será adoptado oficialmente durante uns tempos (pelo menos até eu me cansar de o ver) é o slogan à Skip:

6 em 1 & algo + recomendado pelas principais marcas de blogs
Obrigado a todos os que ajudar a escolher o slogan. Entretanto, podem ir fazendo sugestões para a próxima semana.
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Diz-me com quem andas...

Aqui há dias, num comentário ao texto da Mar, o PimPão Digital avisou-me que ia colocar uma referência ao meu blog, perguntando-me se não me importava de ficar entre o "Votem nas putas" e o "Jumento". Como o texto era da Mar, não respondi, mas aproveito para dizer que claro que não me importo, ficava chateado era se me colocassem entre o "Abrupto" e o "Blog do Pedro Santana Lopes".

Agora fui ver ao Blogómetro a minha posição na lista. E o que é que eu descubro? Que estou classificado entre o "sex in Lisbon" e o "Diário de um pintelho".

Pois é, como diz o ditado, diz-me com quem andas...


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abril 13, 2005

12.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Esta semana decidi que ia fazer um conceito invertido interactivo que me fosse útil. Assim, resolvi encontrar um slogan apropriado para o meu blog. A verdade é que a imaginação é pouca e resolvi "plagiar" slogans já existentes. Assim, cada um dos leitores pode escolher um, e somente um (leste bem, Luís?) slogan, de entre os seis que eu proponho. E têm 24 horas a partir da data e hora de publicação deste textos. Agradeço desde já a Vossa colaboração.

O slogan do 6 em 1 & algo +

Slogan à Porto Ferreira:
Foi você que pediu um 6 em 1 & algo + ?

Slogan à Pasta medicinal Couto:
6 em 1 & algo + anda no ecrã de toda a gente.

Slogan à Skip:
6 em 1 & algo +, recomendado pelas principais marcas de blogs

Slogan à Tide:
6 em 1 & algo +, blog mais blog não há!

Slogan à BES:
Já leste o teu blog? Não, li o 6 em 1 & algo +.

Slogan à Galp Energia durante o Euro 2004:
Menos ais, menos ais, menos ais, quero o 6 em 1 & algo +.


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abril 12, 2005

12.ª semana, 3.º dia - a história da semana

A fuga

Dois filhos e uma filha, um marido, falecido há um ano. Tive uma vida familiar rica. Agora, conto os dias até àquele em que saberei se existe outra vida para além desta.

António, que saudades. A vida sem ti é inconcebível. Será que me olhas, meu ateu fundamentalista? Sinto saudades das tuas heresias, mais ainda da tua companhia. Lembras-te do nosso lugar secreto, que só nós dois conhecíamos? Foi lá que nos amámos. Era lá que voltávamos, sempre que o amor parecia esmorecer. Era um lugar só nosso, mágico, onde a natureza tinha pintado a sua maior obra de arte.

João, meu filho mais velho, aluno brilhante, sempre carregado de livros. Engenheiro civil, sempre de um lado para o outro, em obras. Não tem tempo para nada. Nem para os filhos, nem para a mulher, nem para mim.

Luísa, a minha filha, não pára. Tornou-se hospedeira de bordo e vejo-a de tempos a tempos. Ainda não casou. Enquanto morávamos juntos, vi vários namorados passar na sua vida, mas nenhum ficou.

Carlos, o meu mais novo. Sofri tanto com ele. Meteu-se em más companhias, começou a drogar-se. A certa altura começou a roubar a própria casa, e o António escorraçou-o. Eu encontrava-me às escondidas com ele, coração destroçado, para saber se como ele estava. Entretanto, foi preso. Saiu na semana passada.

O João e a Luísa, depois da morte do pai, devido ao pouco tempo que tinham para mim e dado o meu débil estado de saúde, resolveram colocar-me num lar, onde estou enfiada, entre quatro paredes, olhando os prédios em frente. De vez em quando, eles aparecem. A minha nora aparece mais vezes do que o meu filho, os meus netos muito raramente. Sinto saudades das brincadeiras com eles.

O Carlos, mal saiu da prisão, veio ver-me. Falou-me sobre a sua vontade em largar as drogas, estava a fazer um programa de cura. Fiquei contente. Veio-me visitar todos os dias. Falamos bastante. Até que, ontem, planeamos a minha fuga. Sim, decidi que era chegada a hora de abandonar aquele cemitério em vida.

Hoje, aproveitamos uma distracção da enfermeira para fugir. Metemo-nos os dois no carro e fugimos, estrada fora, rumo ao lugar secreto. O Carlos merecia conhecer esse lugar, onde os seus pais foram felizes.

Chegamos lá. O lugar está igual. As flores enchem o espaço à volta do caminho íngreme, que agora me custa a percorrer. As fragas, cheias de musgo, enormes, e o regato suave, completam o quadro.

O Carlos trouxe a minha cadeira e a minha manta. Sentei-me aqui a observar o céu azul, limpo. Que saudades! Já estava farta daquele tecto branco, com muitas rachadelas. Aposto que logo à noite se vão poder ver as estrelas todas no céu.

O Carlos está sentado a meu lado, maravilhado com este lugar secreto. Espero que o ajude a procurar a beleza na vida, que lhe tem fugido sempre. Gostava que o João e a Luísa aqui estivessem, mas eles jamais concordariam com tamanha loucura. Apesar de tudo, não me sinto zangada com eles, eu não quero ser um fardo para ninguém.

Escrevo agora as minhas últimas palavras, antes de pousar a caneta que o António um dia me ofereceu. António, espero que estejas errado e que nos possamos encontrar lá em cima. Meus filhos, espero que sejam felizes como eu fui. Agora quero ficar a olhar o céu, respirar o ar puro que me resta e, depois, fechar os olhos, calmamente.


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O afixe está em festa...

Parabéns!

P.S. Deixei lá este texto.


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abril 11, 2005

12.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

As bodas de ouro A terceira anedota de alentejanos deste blog e uma homenagem aos casais duradouros

Um alentejano para o seu compadre:
- Vou fazer 50 anos de casado e não sei que surpresa vou fazer à minha mulheri...
- Pense no que fez aos 25 anos de casado, pode ser que ajude - responde o compadre.
O alentejano pensa e exclama:
- Obrigado, compadre. Como não pensei nisso antes? Há 25 anos levei-a pela primeira vez a Lisboa. Agora, vou buscá-la...


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abril 10, 2005

12.ª semana, 1.º dia - o acontecimento bloguístico da semana

Monty/afixe

No preciso momento em que o afixe, projecto em que comecei a colaborar recentemente, é um dos blogs mais lidos no país (ver o 3.º lugar no Blogómetro), um dos seus fundadores, o Monty, decidiu que precisava de se afastar. Esperamos que seja por pouco tempo e que o bichinho dos blogs o obrigue a regressar.

Tendo sido o Monty que me convidou, há pouco tempo, a ser um dos colaboradores do projecto, tenho pena do pouco convívio que entretanto tivemos. Mas acredito que, depois do descanso, voltará com energia renovada.


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abril 09, 2005

11.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
Excepto para alguns

Pombal   Posted by Hello
Foto publicada em http://gato.ece.cmu.edu/
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abril 08, 2005

11.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Como escreveu Fernando Pessoa, "Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu". Resumindo, o mar pode ser uma fonte de tormentos, mas é também uma espécie de Espelho Mágico.

No entanto, algo está errado, no mundo real. Sendo o mar tão belo, na minha modesta opinião, deveria ser feminino. Felizmente, na blogosfera, este erro foi corrigido, e temos a Mar, plena de maresia tornada poesia, reflectindo a beleza das suas palavras pelo Espelho Mágico.

E hoje, a Mar veio encher este meu blog de odores, imagens, sons, sabores e sensações marinhas. Usem os cinco sentidos e deixem-se arrastar com as suas palavras...

O muro

Do outro lado do muro estava o mundo. E nunca o tinha atravessado. Ainda não reunira a coragem suficiente para o subir a pulso, um pé aqui, numa saliência da pedra coberta de musgo verde, outro mais acima, os dedos bem seguros numa ranhura, a força de braços, um impulso e enfim, o topo, a parede plana e o horizonte do outro lado, a perder de vista. Não que soubesse como era, mas imaginava que seria assim: a grandeza infinita e azul. Parecia-lhe que haveria de ser azul não sabia bem porquê, talvez porque o seu olhar apenas conseguia ver o céu e essa cor e por isso imaginava que, do lado de lá, o azul se estenderia a tudo o resto.

Sonhava todos os dias com o momento em que pousaria os braços no topo do muro e lá se deixaria ficar, em êxtase, em contemplação. Talvez depois se sentasse. As pernas penduradas já do lado de lá, a balançar, as mãos no regaço ou estendidas para o céu, tão altas que quase tocariam as nuvens. Ficaria ali muito tempo. Sentada, a recuperar o fôlego, à espera que o coração parasse de bater em galope louco, resultado de um misto do esforço dispendido na subida e da ansiedade que a consumia. Dividida entre o medo do desconhecido, e o desejo de desvendar os seus mistérios.

Certa vez, ousara subir para duas ou três das enormes lajes que compunham o muro, a perder de vista em direcção ao céu. Mas não mais que isso. Sabia que, no dia em que se decidisse, já não haveria volta atrás. A subida teria que ser de sentido único, irreversível. Seria o dia em que, deixaria de ser quem era para passar a ser quem sempre tinha querido ser. Aquela por quem esperara toda a vida. Quieta, ali, enclausurada na arena plana delimitada pelo muro, naquele espaço à sua medida, onde estava desde que se conhecia e onde, aos dias azuis se sucediam as noites e as estrelas, num calendário que ela seguia religiosamente, para nunca esquecer quanto tempo passara. Desconhecia tudo o que estava para além destes seus dias, do regato cristalino onde se banhava, dos frutos de que se alimentava, desta espécie de redoma onde existia com tranquilidade e segurança. Mas sem magia. Às vezes, encostava-se às paredes de pedra fria, ao musgo fresco com cheiro de terra, fechava os olhos e deixava que despertassem todos os outros sentidos. Aspirava com deleite o aroma que adivinhava do lado de lá, a flores e a maresia, ouvia o piar aflito de um pássaro mais incauto que por vezes embatia no muro, sentia com a palma das suas mãos suaves a rugosidade da pedra. Colava todo o seu corpo ao muro, como se quisesse, dessa forma, abraçar o mundo que estava do outro lado. Tão próximo...

Uma noite, àquela hora em que a aurora já risca de fogo o escuro do céu, acordou em sobressalto. Mais que o estrondo, o barulho, tinha sido o tremor no seu peito o que a havia despertado. O pressentimento. E quando se ergueu, ainda confusa, olhando em redor, não viu o muro. O círculo de céu azul que todos os dias via sobre a sua cabeça, tinha crescido para todos os lados, rodeava-a, estendia a mão, receosa ainda, e tocava a imensidão. Deu alguns passos hesitantes, depois mais um e foi então que o viu. Estava ali de pé, parado, imponente como uma estátua de sal, contra o brilho do sol acabado de nascer, que a ofuscava. Numa mão trazia duas flores silvestres e no olhar, a força com que havia conseguido derrubar, uma por uma, as pedras do muro com que a vida a tinha aprisionado.

Sem nada dizer, encarou-o com o seu olhar transparente e deu-lhe a mão.


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abril 07, 2005

11.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Vazio

Sorriso de dor feito,
Lágrima de despedida,
Aperto de morte no peito,
Vazio aberto em ferida...


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11.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

Já temos os resultados do conceito invertido interactivo da semana. Desta vez houve um empate no primeiro lugar.

Melhor "cantora" portuguesa de sempre Ágata e Madalena Iglésias

A votação foi muito disputada, tendo as tentativas de fraude sido magistralmente resolvidas por mim. De referir que Tonicha ficou a apenas um voto das duas vencedoras.

Para a semana vamos ter um novo conceito interactivo invertido. Aceitam-se sugestões, para além das que já tinham sido feitas na semana passada. Lembro que pode ser qualquer coisa, desde que eu possa nomear 6 e os leitores escolherem 1. Fico à espera.


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abril 06, 2005

11.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Depois de ter sido escolhido o melhor "cantor" português de sempre, prémio atribuído a José Cid, chega a hora da correspondente no feminino. Hoje é o dia em que o conceito 6 em 1 é invertido, tornando-se 1 em 6, com a interactividade dos leitores.

Melhor "cantora" portuguesa de sempre

Assim, começamos pela inevitável, Madalena Iglésias, esse ícone do festival da canção (ainda existe?)... Também não é de esquecer a Tonicha, e o seu "zumba na caneca". Depois destas, houve uma fase em que as mulheres tiveram pouca audiência. Até chegar... a Ágata, com o perfume da outra mulher. E depois a sua sobrinha Romana, dizendo que já não é bebé. Por último, não me posso esquecer desses dois ícones actuais: a Rute Marlene, do "Pisca Pisca" e a Mónica Sintra, cantando que "Afinal havia outra". E assim, aqui estão as 6 candidatas a melhor "cantora" portuguesa de sempre.

Agora já sabem, é só votar na caixa de comentários, durante as próximas 24 horas. O vencedor será anunciado, com toda a pompa e circunstância, logo após a contagem dos votos.

Madalena Iglésias
Tonicha
Ágata
Romana
Ruth Marlene
Mónica Sintra

Desta vez, decidi não votar, e só darei o meu voto final em caso de empate. Por isso, podem começar, na caixa de comentários...


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5NNN VISITAS

NBRIGADN!!!
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abril 05, 2005

11.ª semana, 3.º dia - a história da semana

O comboio

Ainda me lembro, como se fosse agora, o meu ano de estágio na sede da empresa. Na cidade onde eu vivia, havia uma delegação, mas os estágios tinham todos de ser feitos na sede, a 300 quilómetros de casa. Todos os domingos de tarde, embarcava no comboio rápido, numa viagem de três horas, voltando sexta-feira, ao fim da tarde.

O primeiro mês correu sem sobressaltos. A partir do segundo mês, apareceu ela. Apanhava, invariavelmente, o mesmo comboio, tanto na ida como na vinda. Olhei para ela sem conseguir desviar o olhar, morena de olhos escuros, cabelos longos ondulados, semblante triste e ausente.

***

Aquele foi o ano em que a maior tristeza abalou a minha vida: a lenta morte do meu pai. Todas as sextas-feiras, à tardinha, apanhava o comboio, que me levava até à terra onde nasci e o meu pai vivia. Ao domingo, também de tarde, voltava à minha cidade de adopção. Eram fins de semana sofridos, mas também de redenção, após quase 3 anos em que não nos falámos. Tanto tempo perdido.

Nos dois primeiros meses, fazia as viagens alheada do que me rodeava, como se fosse a única pessoa a viajar naquele comboio. Até que, um dia, reparei num homem que me olhava discretamente. Os olhos verdes, sob uns óculos que lhe davam um certo ar de intelectual, cabelo castanho claro liso. Tinha um ar confiante, de alguém que sabia o que o futuro lhe reservava.

***

Nos primeiros tempos, penso que ela nem reparou em mim. Eu olhava e imaginava o que tornava o seu olhar triste. Inclinava-me mais para uma paixão não correspondida. E pensava que era uma pena uma jovem tão bonita sofrer de paixão.

Passado algum tempo, vi que ela começou finalmente a reparar em mim. Desviava o olhar, levemente, de modo a não deixar que ele fixasse o meu. Foi a partir daí que comecei a sentir alguma mudança nela. O ar triste começou a ser substituído por um sorriso, inicialmente embaraçado, mais tarde repleto de sensualidade.

***

Nos primeiros tempos, ficava um pouco embaraçada com aquele olhar. Por vezes, os lugares permitiam-nos ficar no campo de visão do outro, outras vezes não. Nestas vezes, levantávamo-nos várias vezes e circulávamos pelo comboio, de modo a podermos passar em frente um do outro. E a primeira coisa que fazíamos quando chegávamos ao comboio era saber onde estava o outro.

Com o tempo, comecei a sentir-me mais ousada. Comecei a escolher roupa mais sensual para a viagem, e comecei a ganhar coragem para abrir e direccionar o meu sorriso. Não sei o que pensava, não estava à espera que acontecesse alguma coisa, mas sentia-me bem com aquele jogo de olhares cruzados e com o silêncio acolhedor do outro lado. Estava sempre com medo de um som saído dos seus lábios arruinar para sempre o jogo dos sentidos.

***

Ela começou a ficar mais solta, com o passar do tempo. Olhava-me, provocadoramente, mas ao mesmo tempo de forma a inibir qualquer tentativa de aproximação da minha parte. E eu, qual cachorrinho obediente obcecado por obter a atenção da dona, não contrariava aquilo que parecia ser o seu desejo.

Um dia, uma sexta-feira, finalmente, quis o destino que ficássemos lado a lado. Era um dos últimos dias do estágio. Foi uma viagem silenciosa, em que quase não conseguimos olhar-nos. Fui reparando nos pormenores, na pele, no perfume, nos objectos que trazia consigo, onde se destacava um CD dos U2. Só quando saímos é que nos olhamos de frente, talvez uns 30 segundos, e ouvi finalmente a sua voz doce:
- Até à próxima.
Já não me lembro o que respondi, mas senti o coração bater aceleradamente, como se finalmente este assumisse a vontade de explodir.

***

Às vezes o destino prega-nos partidas. Numa sexta-feira, finalmente, ficamos lado a lado. Eu ia sentindo a forma como ele me olhava, me percorria. Vi como olhou para tudo, incluindo o CD dos U2 que levava comigo. No fim da viagem, decidi que queria conhecer o som da voz dele e disse:
- Até à próxima.
Ele não esperava. Meio engasgado, lá disse:
- Até Domingo.

Mas Domingo o meu pai morreu, após meses de sofrimento. Acabei por ficar, nos 15 dias seguintes, tratando dos vários assuntos burocráticos inerentes ao seu falecimento. Mas, em grande parte, o meu pensamento estava naquele comboio, nele.

***

Tinha decido que, naquele Domingo, iria falar com ela, custasse o que custasse. Mas ela não apareceu. Nem na semana seguinte. Entretanto, acabou o estágio, e nunca mais a vi, nem sei o que lhe aconteceu. Passados 3 anos, continuo a pensar nela, nos tempos em que as viagens eram um momento de alegria para mim...

***

Quando voltei, ele não estava. Percorri todas as carruagens, mas ele não estava em nenhuma. Procurei-o na estação, na sexta-feira seguinte, e nem sinal dele. Pensei que o perdera, para sempre...

***

Tenho a certeza que a vou encontrar. Consegui um bilhete para o concerto dos U2. Sei que ela vai lá estar. Ela tem de lá estar. E eu não descanso enquanto não a encontrar.

***

Ele vai lembrar-se, de certeza. Ele não pode ter deixado de reparar no CD dos U2. Já tenho o bilhete. Havemos de nos encontrar, custe o que custar.


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abril 04, 2005

11.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

O assalto A segunda anedota de alentejanos deste blog
e uma homenagem ao excesso de zelo dos noticiários

Dois alentejanos, após um assalto com sucesso:
- Então, vamos contar o dinheiro?
- Não, espera pelas notícias...


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abril 03, 2005

11.ª semana, 1.º dia - o acontecimento bloguístico da semana

A morte do papa e a normalidade bloguística

Começando por falar na primeira pessoa, considero João Paulo II um papa político, que soube ver para além da Igreja Católica. Neste ponto, a sua luta pela preservação da Igreja na Polónia que, queira-se ou não, foi fundamental para a queda do regime comunista, e a sua coragem em assumir posições de carácter político que outros não conseguiram (como receber o Dalai Lama, visitar o Muro das Lamentações e Cuba, etc...), são dignas do meu respeito. Outras posições, mais conservadoras, foram mais enviadas para o seio da própria Igreja, considero uma oportunidade perdida para a sua modernização, embora não me sinta minimamente afectado por elas. No cômputo geral, considero-o um homem que ficará para a história, um homem bom, embora imperfeito, como qualquer ser humano.

Relativamente aos outros blogs, registo a quase consensualidade relativamente a este tema. Desde as críticas à forma como a televisão cobriu exageradamente a situação (que subscrevo) até às declarações após a morte, considerando o papa uma personalidade marcante, houve uma "quase unanimidade" relativamente a esta questão. Há sempre as excepções já conhecidas.

No meio disto tudo, vem aquilo que designei por normalidade bloguística. Apesar de tudo isto, os blogs continuaram iguais a si próprios, não se prendendo em demasia com esta questão (excepto os blogs mais ligados aos assuntos religiosos). É uma prova de dinamismo da blogosfera, que poderia servir de lição aos media em geral. Numa semana em que as televisões ficaram "paradas" a seguir a evolução do estado do Papa, a blogosfera prosseguiu, conseguindo respeitar, simultaneamente, a personalidade em questão.


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abril 02, 2005

10.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
O dia em que Carlos morreu

Vaticano   Posted by Hello
Foto publicada em http://www.dominicos.org/scatalina/
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abril 01, 2005

10.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Um tubarão precisa do seu elemento natural. Sei de um que, sendo pouco exigente, basta-lhe um Charquinho. Talvez pela exiguidade do espaço, o tubarão, de seu nome Shark Inho, deixou de lado o seu ar feroz, brindando-nos com textos de uma rara beleza narrativa e uma absoluta genialidade. O mais genial dos seus textos é que, apesar de completos, conseguem dinamizar grandes diálogos na sua caixa de comentários, que acabam por ser um suplemento extraordinário.

É assim o meu blog convidado da semana, um blog que dispensa mais palavras, pois tudo o que se poderia dizer sobre ele jamais lhe faria justiça. Assim é o Charquinho.

COM REGRAS

Sem regras, disse-me ele. Convidou-me para postar no seu espaço e não me pediu empenho, ofereceu-me liberdade de expressão. E exibiu confiança na minha capacidade e discernimento para postar à altura do blogue que criou.

Escolhi a confiança como tema para esta ocasião especial. Por ser um tema preponderante nesta nossa comunidade, na maioria anónima, e para homenagear o gesto do meu anfitrião.

As relações entre blogueiros são construídas passo a passo, com base no grau de confiança que se desenvolve a partir das palavras (a única arma de que dispomos para nos desenhar) e de algumas acções.

A caixa de comentários é a primeira prova de fogo para um blogueiro maçarico. E constitui o ponto de partida para o contacto entre quem bloga. Pelo teor dos comentários recolhemos a primeira impressão de quem se predispõe a comunicar e, ao fim de algum tempo que confirma a coerência e consolida a primeira opinião, começamos a traçar um perfil.

A caixa de comentários é o equivalente à mesa de um café, onde o destino também nos pode sentar com todo o tipo de pessoas.

A troca de emails é o passo natural a seguir. Mesmo depois de gerada alguma empatia e existindo pretextos para aprofundar a relação virtual, convertendo-a de pública em privada, não é um passo tão simples como possa parecer. Ao nível da blogosfera, a confiança necessária para se enviar e sobretudo para responder a um email equivale quase à de um telefonema (fora do contexto em que nos situamos). E nesta linha de comparação, divulgar o endereço do dia a dia (em regra diferente do hotmail ou do iol que usamos na blogosfera) é como partilhar o telefone fixo depois de algum tempo a falar pelo telemóvel.

Nesta fase da nossa relação a confiança já assume um papel absolutamente fundamental. Por email mantêm-se as conversas que queremos afastadas do domínio geral (o dos comentários) e, por norma, algo mais importantes para nós. Temos que acreditar no sigilo, na discrição de quem passa a partilhar connosco algumas confidências.

Só depois, a pretexto de um encontro de blogueiros ou na sequência do contacto por email, vem o "temível" confronto com a pessoa tal como ela é. E aqui, só mesmo com um grau de confiança que não é fácil de obter apenas com palavras. Sabemos mais uns dos outros do que a maioria das pessoas que partilham o nosso quotidiano, mas encaramos sempre um rosto estranho nesses (quase) .blind dates.. É uma sensação curiosa, mas quebrado o gelo não tarda a impor-se um grau de intimidade equivalente (existem excepções óbvias) ao que se desenvolveu no suporte electrónico da nossa comunicação.

No meio disto tudo estão os blogues que fazemos, a expressão mais tangível do que valemos ou apenas do que queremos parecer. E ao contrário do que se pensa, também no que postamos encontram-se elementos que podem desmistificar ou certificar a essência da pessoa que bloga. Tendemos a minimizar essa fonte de referências por assumirmos que todos jogam à defesa no que postam, quando afinal é aí que mais nos revelamos. Nem que seja pelas contradições que só podemos justificar assumindo uma mentira qualquer, no que postamos ou no que dizemos nas caixas ou por email. Por isso prefiro os blogues que reflectem os seus autores e não uma personagem irreal, um carácter diferente do que o da pessoa por detrás do monitor.

A confiança, ofereço-a e aceito-a na blogosfera com base nos critérios que citei. Mais o respeito por algumas regras elementares da ética própria deste grupo (conjunto de grupos, aliás), directamente relacionadas ou equiparáveis com as que aplicamos "lá fora".

E porque já me estiquei no lençol e assim acabo de abusar da confiança do anfitrião, refiro em meu abono que se deve apenas ao facto de me sentir tão à vontade na casa dele como na minha.


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março 31, 2005

10.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana
Resultados finais

Tenho o prazer de anunciar que já temos os resultados do conceito invertido interactivo da semana:

Melhor "cantor" português de sempre José Cid

Embora a votação fosse renhida, tendo vencido apenas por um voto o Quim Barreiros e o Zé Cabra, e eu não tenha votado nele, foi um justo vencedor, e o único dos concorrentes que tem um blog (pelo menos que eu saiba).

Para a semana vamos ter um novo conceito interactivo invertido. Aceitam-se sugestões. Pode ser qualquer coisa, desde que eu possa nomear 6 e os leitores escolherem 1. Fico à espera.


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10.ª semana, 5.º dia - poema da semana

Nos meus braços

Não saias dos meus braços
que te protegem das trevas,
das dúvidas,
da incerteza.
Neles descansa,
sente a leveza,
a esperança,
a confiança.

Não saias dos meus braços
que te abraçam
e te roubam ao mundo.
Neles os minutos passam,
Num silêncio profundo.

Não saias dos meus braços,
Que eu tenho medo que não voltes para eles...


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março 30, 2005

10.ª semana, 4.º dia - o conceito invertido interactivo da semana

Tal como aconteceu com o 1.º dia, o 4.º dia também vai sofrer alterações. Assim, até agora, este era o dia do comentário político da semana. Tendo em conta que já declarei publicamente que votei no PS, e que penso que, enquanto cidadão, se deve dar tempo aos governos, para além de não me querer transformar no Luís Delgado deste governo, decidi mudar o tema (embora possa, algumas vezes, fazer alguns comentários políticos).

Desta forma, o 4.º dia vai passar a ser o dia do conceito invertido interactivo. Passo a explicar. O blog chama-se "6 em 1 & algo +". Ao 4.º dia, o conceito é invertido, sendo o dia do "1 em 6". E para além disso, é interactivo: eu dou 6 coisas à escolha, os leitores votam para escolher a melhor, isto é, 1 em 6. Além disso, aceitam-se sugestões para as semanas seguintes...

E hoje começa com...

O melhor "cantor" português de sempre

Aqui há alguns dias, alguém falou sobre os bailes nas aldeias, nos comentários a propósito de um texto publicado neste blog. Eu ainda me lembro de alguns desses bailes. Para além das festas em honra dos santos padroeiros, havia quem colocasse uma aparelhagem numa garagem e fizesse uma festa.

E aí, havia nomes obrigatórios: Marco Paulo e José Cid. Pelo meio, havia sempre alguém a pedir o António Calvário (normalmente, a dona da garagem, pelo que tinha de se atender ao pedido). Quando o vinho tinto e as cervejas atingiam um consumo relativamente alto, entravam em cena Quim Barreiros, com o seu bacalhau, e o Nel Monteiro, "com os marmelinhos quase de fora". Mais recentemente, estive numa festa onde se ouviu o único e inabalável Zé Cabra.

Fico indeciso quanto à escolha do melhor desta meia dúzia de "cantores" que povoam o meu imaginário festivo. Assim, no prazo de 24 horas após a publicação deste texto, podem votar no vosso favorito, usando os respectivos comentários.

Candidatos (por ordem alfabética):
António Calvário
José Cid
Marco Paulo
Nel Monteiro
Quim Barreiros
Zé Cabra

P.S. Se alguém conhecer links melhores, por favor, avise. Por exemplo, o do Quim Barreiros, não consegui encontrar melhor. Já o do José Cid...


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março 29, 2005

10.ª semana, 3.º dia - a história da semana

O rio

Espero pelo amor da minha vida na beira do rio.
Uma vidente me disse que ele apareceria diante dos meus olhos,
descendo o rio,
directo aos meus braços.
Disse também que a vida dá muitas voltas e revoltas,
mas que jamais se pode perder a esperança...

Dias frios, ventanias, chuva, calor, tudo aguentei,
pela promessa de amor esperei e desesperei,
até que um dia,
descendo o rio,
ele chegou e sorriu,
e eu sorri, em resposta.

Não sei se por ser Primavera,
tudo parecia perfeito,
o rio cantava e encantava,
as cores pareciam mais vivas,
mais brilhantes,
o próprio céu parecia ter-se engalanado
para este encontro inesperado,
encantado,
recheado de todos os condimentos de uma bela história de amor.

Ele ficou,
e de mim se enamorou.
Juras de amor eterno trocámos,
nossos corpos ao amor entregámos
e a alma unimos
para sempre
no altar dos sonhos.

Por vezes partia,
e voltava ainda mais belo,
feliz,
por aquele mesmo rio
por onde um dia chegara.

E eu esperava,
ouvindo a água,
o vento,
os sons do campo,
e sonhava com o reencontro,
sempre apaixonado.

Até que um dia,
no dia marcado,
ele não voltou,
a sua mão na minha não tocou,
nem a surpresa,
que tinha para lhe dar,
guardada no meu ventre,
o pode encantar.

Não acredito no fim,
ele não poderia partir assim,
sem um último abraço,
sem um último beijo,
sem a última alegria
de um filho gerado.

Recuso-me a acreditar...
O fruto do nosso amor,
guardado no meu ventre,
não mo permite...

Espero pelo amor da minha vida na beira do rio.
Uma vidente me disse que ele apareceria diante dos meus olhos,
descendo o rio,
directo aos meus braços.
Disse também que a vida dá muitas voltas e revoltas,
mas que jamais se pode perder a esperança...


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março 28, 2005

10.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

2 em 1 no 6 em 1 - Feminismo e Machismo no Paraíso

Anedota feminista

Deus fez primeiro o homem, depois a mulher.
Qualquer artista faz primeiro o esboço e só depois a obra de arte.

Anedota machista

Adão pede a Deus: Gostava que me fizesses uma companheira compreensiva, carinhosa, capaz de partilhar comigo uma vida feliz e harmoniosa.
Deus: Oh, Adão, mas isso vai-te custar todos os ossos do teu corpo.
Adão, depois de pensar: E por uma costela, o que é que se arranja?


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março 27, 2005

10.ª semana, 1.º dia - o acontecimento bloguístico da semana

Hoje, muda o tema do primeiro dia. Até à 9.ª semana, o 1.º dia era dedicado à frase da semana. Como Pedro Santana Lopes deixou de ser Primeiro-Ministro, arriscamo-nos a ter, daqui para a frente, poucas frases que possam ser realmente interessantes.

Assim, a partir de hoje, o 1.º dia é dedicado ao acontecimento bloguístico da semana. E para começar, temos

O fim da tese azul

Pois é, ainda esta sexta-feira ela foi a minha convidada, e escreveu um excelente texto, o qual agradeço mais uma vez. O blog Um pouco mais de azul apareceu a meio de uma tese de doutoramento. Ao longo do seu mais de um ano de existência, fomos conhecendo as peripécias e desesperos inerentes a uma tarefa destas, condimentadas com outros acontecimentos "colaterais".

Agora, finalmente, foi anunciado o FIM. Mas o fim é sempre um recomeço, e espero que, a partir de agora, a sua autora Azul possa começar uma nova vida, mas que não deixe de escrever no seu blog. Os meus sinceros PARABÉNS!


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março 26, 2005

9.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
Hoje também Sábado de Aleluia

Claustro da Sé Velha de Coimbra   Posted by Hello
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março 25, 2005

9.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Um pouco mais de Azul é um blog que eu já referi aqui, num texto chamado Revolução tranquila.

É certo que as revoluções raramente são tranquilas. E este blog, surgido a meio de uma tese de doutoramento, acaba por conseguir ser, por vezes, tranquilo, outras vezes, como a autora define, o seu saco de boxe. Tudo passou por lá...

Agora a tese de doutoramento está a chegar ao fim (foi esta uma das razões porque só agora lhe pedi um texto). Espero que o blog não siga o mesmo caminho, pois iria fazer-me muita falta, assim como aos outros leitores assíduos.

Obrigado por existires e por me teres dado um pouco mais de azul...

O meu quintal

As histórias que o Jorge todas as semanas nos conta costumam ter um denominador comum, o campo, o que as torna especialmente atraentes para mim, que sempre vivi na cidade e não possuo raízes aldeãs.

As minhas memórias de brincadeiras de criança têm como palco o velho quintal de casa dos meus pais . quintal à moda dos prédios de há uns quarenta e tal anos, que reservavam a parte de trás para uns pequenos pátios, um para cada andar, com canteiros e um galinheiro (raramente ocupado, diga-se de passagem). O nosso ligava-se ao da vizinha, e entre um e outro andávamos de bicicleta, saltávamos à corda, brincávamos no baloiço, enfeitávamo-nos com brincos de princesa ou apanhávamos .bolinhas. dos cedros, que nos deixavam as mãos perfumadas. Aí aprendemos como as plantas cresciam, com a ajuda de uma grande oliveira que recordava o tempo em que aquela zona da cidade fora coberta por olivais. Graças a uma aula paterna sobre caroços e sementes, uma nespereira veio a nascer, e nunca houve nêsperas melhores do que aquelas, que cresciam sem adubos nem pesticidas, tal como não existiam morangos mais suculentos e saborosos do que uns, pequeninos e feios, que outra experiência .agrícola. tinha feito crescer num canteiro.

Nesse quintal passávamos as tardes de sol, a minha irmã e eu. Sobretudo quando apareceram os gatos. A história é banal: uma gata aparece com gatinhos, os vizinhos do prédio compadecem-se dos animaizitos e começam a deixar-lhes comida, num repente os quintais passam a ser vistos pelos bichanos como a sua própria casa. A mãe gata e a sua primeira geração de filhotes por ali ficaram durante vários anos, para grande alegria minha, que sempre tinha querido ter um cão ou um gato, sem que os meus pais atendessem ao meu pedido. Os gatos não entravam em casa, por proibição da minha mãe . mas subiam as escadas numa alegria, sempre que ouviam abrir a porta das traseiras. Enquanto a minha mãe estendia a roupa, um dos gatos roçava-se nas suas pernas incessantemente, ronronando. Se era hora de comer, juntavam-se todos, como se estivessem esfomeados, junto ao prato que lhes levávamos. Chegou a haver onze gatos ao mesmo tempo a morar entre a nespereira, os cedros e a velha oliveira do quintal.

Mas um quintal feito de cimento, nas traseiras de um prédio, mesmo cheio de gatos, não substitui o campo, o ambiente da aldeia, os cheiros vindos da terra. E por isso, sinto a nostalgia de uma ruralidade que não conheci. É possível sentir saudades daquilo que nunca tivemos.


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março 24, 2005

9.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Forças ocultas escrito aos 17 anos, em 1990

Há forças invisíveis
Que passam por nós,
Sistemas sensíveis,
Sem rosto nem voz,
Pesadelos terríveis
De que estamos sós,
Sós,
Num Universo atroz...


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Post it

QUARTA-FEIRA, 23 DE MARÇO - TODO O DIA FORA DO PORTO, NÃO TENDO TEMPO PARA FAZER O TEXTO DE QUARTA-FEIRA "O COMENTÁRIO POLÍTICO DA SEMANA" QUINTA-FEIRA, 24 DE MARÇO - SÓ CHEGO A CASA ÀS 20 HORAS, CANSADO E FAMINTO

PLANO DE EMERGÊNCIA:
- LOGO A SEGUIR AO JANTAR, TENTAR FAZER O TEXTO DE QUARTA-FEIRA; COMO A FILHOTA NÃO VAI DEIXAR, E VAI QUERER QUE EU BRINQUE COM ELA, SÓ DEVO ACABAR PERTO DA MEIA-NOITE;
- FAZER BATOTA: PUBLICAR HOJE MAS COM A DATA DE ONTEM, PARA PARECER QUE TUDO CORREU NORMALMENTE; COMO ESSE TEXTO VAI APARECER DEPOIS DESTE POST (IT), NINGUÉM VAI NOTAR A ALDRABICE;
- COMO A SEGUIR VOU ESTAR SEM INSPIRAÇÃO PARA O POEMA DA SEMANA, VOU APENAS ESCREVÊ-LO AMANHÃ E FAÇO O MESMO QUE FIZ COM O DE ONTEM, ISTO É DE HOJE, ISTO É... JÁ ME PERDI...


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março 23, 2005

9.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

1, 2, Esquerda, Direita

Onde acaba a esquerda e começa a direita? - perguntar-nos-emos hoje em dia. Esta pergunta surge também, com alguma insistência, quando há alguém que, supostamente, transita de um partido de esquerda para um de direita ou vice-versa.

Se pensarmos em Pacheco Pereira e Zita Seabra, do PCP para o PSD, ou em Durão Barroso, do MRPP para o PSD, ou ainda, no sentido inverso, de Sousa Franco, do PSD para o PS, e de Freitas do Amaral, do CDS para um governo PS (este último caso acaba por não ser uma mudança de partido, dado que Freitas do Amaral é independente), verificamos uma mudança de paradigma partidário.

Mas o que é a esquerda e a direita? Esqueçamos a história das origens da designação e avancemos para o caso concreto pós-25 de Abril. Lembro-me, quando era pequeno, de ouvir as pessoas ditas de direita dizerem que os de esquerda eram os "comunas", e as pessoas ditas de esquerda dizerem que os de direita eram os "fascistas". Ou seja, o PS era um partido "comunista", o PSD era um partido "fascista". O CDS era um partido de centro, cristão, também "fascista" (devido, tal como o PSD, à grande presença de ex-Ministros e deputados da ditadura).

Mais de 30 anos depois, já nada é o que era:
- o PS meteu o socialismo na gaveta (apesar de tudo, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não");
- surgiu o Bloco de Esquerda, e com ele o conceito de marketing político de esquerda;
- o CDS virou PP e também virou completamente à direita, assumindo algumas posições da extrema-direita europeia;
- o PSD, ora mais liberal ora mais conservador, adapta-se sempre à imagem do líder.

Assim, só o PCP e o PCTP/MRPP é que continuam iguais a si próprios. Tudo o resto mudou.

Parece-me natural a aproximação do PS ao centro, especialmente após o surgimento do Bloco de Esquerda, dado que existem 3 partidos de esquerda e 2 de direita com assento parlamentar (isto se esquecermos os partidos que vão de boleia às eleições). Por outro lado, parece-me má a estratégia de aproximação do PSD ao CDS/PP, dado que perde eleitorado "de centro".

Nas últimas eleições, este foi um facto, quanto a mim, decisivo, embora o cansaço relativamente às políticas do anterior governo também ajudasse. A aproximação do PS ao centro, e a coligação pós-eleitoral (uma grande trapalhada, sem sentido) entre o PSD e o CDS/PP, acabaram por beneficiar o PS. Ou seja, o eleitorado de centro ou neutro (isto é, que nem é de esquerda nem de direita) é aquele que me parece decisivo nas eleições.

Assim, será que a diferença esquerda/direita actual não passa apenas de filosofia barata? E quem se pode, efectivamente, auto-proclamar como sendo de esquerda ou direita? Deixo aqui um endereço que pode ser útil para quem ainda não se consegue auto-definir: http://www.politicalcompass.org/.


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março 22, 2005

9.ª semana, 3.º dia - a história da semana

O dia do casamento

Um casamento era notícia de primeira página no .jornal da aldeia.. De boca em boca, o .jornal. tinha a tiragem igual ao número de casas da pequena povoação. Era um jornal tecnologicamente avançado, as notícias evoluíam quando eram retransmitidas. Que o diga a Inês, filha da D. Laurinda, que tendo tido um enjoo devido a uma feijoada mais pesada, viu este transformar-se numa gravidez e, mais tarde, num aborto clandestino. Seria, certamente, o segundo caso conhecido de uma gravidez concebida sem pecado, mas a reputação da Inês nunca mais foi a mesma e ela foi ganhar o pão para outras bandas.

O .jornal. noticiava agora o casamento da Mariazinha e do Quim. Ela estava grávida, e desta vez a notícia era correcta. E nestes casos, o .jornal. virava .telejornal., com comentadores especialistas no assunto. Os pormenores eram esmiuçados ao detalhe: onde se encontravam, o que aconteceu quando se descobriu, como é que os pais dela deixaram isto acontecer (sim, a culpa era sempre dela e dos seus pais), etc.

Infelizmente, o .jornal. não tinha recursos suficientes para conhecer todos os passos que levaram ao casamento. Mas eu, o noivo, vou transformar-me em repórter por alguns instantes, e contar o que se passou.

A Mariazinha é da minha idade e foi colega de escola. Eu achava-a demasiado convencida, ela olhava-me com algum desdém, como se eu não fosse digno de pisar o mesmo chão que ela. Dificilmente pensaria que um dia íamos casar.

Quando nos apaixonamos? Naquele dia quente de Verão em que ela foi ao chafariz buscar água. Era normal haver falta de água no Verão, e o chafariz era o ponto de convergência para todos os habitantes.

Ela chegou, com o seu vestido fino florido, cântaro numa mão, rodilha para a cabeça na outra. Eu, em tronco nu, com a camisa à cintura, refrescava-me. Quando a vi chegar, dei-lhe a vez. Enquanto ela enchia o cântaro, olhei-a pela primeira vez como uma mulher, esquecendo a imagem de infância. Principalmente, quando tentou colocar o cântaro na cabeça, encharcando-se de água.

O brilho do sol, pôs a nu toda a sua silhueta. A água fez o resto, pintando de sensualidade o seu corpo esbelto e dando à sua face a pureza de uma pele límpida acabada de sair do banho.

Embaraçado, ofereci-me para a ajudar a transportar a água. Ela aceitou, sorrindo, enquanto escondia como podia o seu belo corpo. Conversamos muito no caminho até casa dela. Felizmente o calor era tanto que o vestido secou completamente, evitando explicações embaraçosas. E foi assim que tudo começou.

No mês seguinte, foi a festa na aldeia. Dançamos toda a noite. Os pais tinham confiado a guarda dela a uma prima. Eu consegui que um amigo meu distraísse a prima e escapulimo-nos da festa. Fomos para o celeiro de um primo meu. A ideia era apenas estarmos sozinhos, mas entusiasmamo-nos e acabamos a fazer amor.

Algum tempo depois, ela descobriu que estava grávida. Ainda foi com a prima a uma parteira, mesmo antes de eu saber, mas não teve coragem. Eu fiquei sem saber o que fazer. Como é que nós não tínhamos tido o cuidado de nos prevenirmos? Sabíamos que, a qualquer momento, podia acontecer. Eu culpava-me ainda mais, porque sabia que ela ia sofrer mais do que eu.

Contei à minha mãe e ela engendrou rapidamente um plano. Assim, as nossas mães entraram em conversações diplomáticas. Prepararam o meu futuro sogro, enquanto eu evitava aparecer na rua e dar de caras com ele, pois estava sujeito à sova habitual nestas situações. Um primo meu não se livrara da sova, numa aldeia vizinha e teve de casar com um dente a menos. A minha fama de ser um rapaz trabalhador e o facto de querer casar com a filha acabaram por acalmar a sua ira.

O casamento acabou por ser marcado com urgência. Afinal era a honra de uma rapariga solteira que estava em causa. Também por isso, a boda foi preparada em cima da hora. Os meus sogros arranjaram o quarto da filha de modo a podermos ficar lá até arranjarmos casa.

A festa foi simples, muito caseira. A mãe da noiva, como era hábito entre as famílias mais pobres, não assistiu à cerimónia, dado que estava a preparar o almoço do casamento. Independentemente de tudo, toda a família, sem excepção, tinha de ser convidada. Assim, apesar dos poucos recursos, foi festa para mais de 50 pessoas. Por sorte, grande parte da família eram emigrantes, senão seriam perto de 300.

Apesar da pressa, sinto-me feliz e ela também. Esta noite, deitamo-nos, felizes por estarmos juntos. O pai dela quer que eu o ajude no negócio do gado, e ainda tenho a serralharia do meu pai. Tudo vai correr bem, tenho a certeza. E havemos de conseguir realizar os nossos sonhos. É um começo difícil, ainda para mais tendo ambos 16 anos, mas estamos ambos cheios de esperança.


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março 21, 2005

Últimos dias de Inverno

Sexta-feira

Um magnífico e ternurento texto da Emiéle, companheira do afixe, publicado no meu blog. Record absoluto de visitas. Obrigado, Emiéle.
Um calor infernal em pleno Inverno.
Filha doente, na pediatra. Felizmente, nada de grave.

Sábado

Dia do Pai, passado com a filha mais linda do mundo (pelo menos, aos meus olhos).
Dia do Pai, sem o pai, a 170 quilómetros.
Ementes, um grupo de bloggers anda algures à procura de papoilas...

Domingo

Recebo a notícia de falecimento de um tio, o Tio Quim, misto de tristeza e alegria:


  • tristeza porque era uma das pessoas mais puras que já conheci, incapaz de fazer mal a uma mosca, pronto para ajudar em qualquer situação;

  • alegria, porque estava a sofrer muito, com um cancro no pulmão, e acabou por a agonia durar pouco tempo.


Dia alternado entre o velório e a minha filha, resguardada da tristeza reinante, noutro local. Ela sabia que o Tio Quim estava doente, eu disse-lhe que tinha morrido (o que ela aceitou muito bem, dizendo que ia para o cemitério onde estava a bisavó), mas penso que o ambiente pesado de um velório e de um funeral ainda são demasiado para uma criança desta idade.
Visitas da praxe de dia de ramos:

  • de manhã, o meu afilhado trouxe um vaso de flores;

  • à noite, foi a minha filha a levar um ramo de flores à sua madrinha.


Ementes, os bloggers voltaram para as suas casas, sem encontrar as papoilas.
A noite acaba já no dia seguinte, com uma troca de correspondência, via e-mail, que dura entre a 1 e as 4 da madrugada...

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9.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Semana de trabalho A primeira anedota de alentejanos deste blog

Pergunta: Porque é que, à segunda-feira, os alentejanos saem de casa pela janela?
Resposta: Porque sabem que têm uma semana de trabalho à porta.


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março 20, 2005

9.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

Não se pode confundir alternância democrática com alternância acrobática. Pedro Santana Lopes (quem mais), referindo-se aos primeiros dias do novo governo, durante o Congresso da JSD

Confesso que tinha outra frase, mas esta pérola não podia escapar. É que Santana Lopes está, com esta frase, a admitir que o seu governo fazia acrobacias, pois para haver uma alternância acrobática tem de ter havido acrobacias anteriormente.

Além disso, para quem sempre se queixou que não teve tempo para governar, começa a criticar muito cedo. Enfim, depois de voltar à posição de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, parece não querer deixar que nos esqueçamos dele, para mal dos nossos pecados. E eu também ajudo, com este destaque...

E assim, aqui fica a frase, como aperitivo para a anedota da semana...


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março 19, 2005

8.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
Hoje também Dia do Pai

Publicada no afixe depois de várias tentativas falhadas usando o Picasa e o Hello.
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março 18, 2005

8.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Emiéle, nome e figura enigmática da nossa blogosfera. Companheira no afixe, onde temos tido uma grande capacidade de sincronização, que levou algumas pessoas a pensar que estaríamos a combinar escrever ao mesmo tempo. Infelizmente, não sei quem Emiéle é pessoalmente, e talvez nunca venha a saber. Mas tenho o prazer de conhecer a sua forma de escrever. Além disso, é uma honra para mim ela ter aceitado o convite que lhe enderecei. Os outros 9 aphixadores que me perdoem, mas penso que concordarão que a Emiéle é uma digna representante do afixe. No hard feelings?

Sinais Exteriores de Ternura

Há uns dias precisei de confirmar uma citação e fui reler os poemas do Zé Gomes Ferreira acabando por ficar colada ao livro, a relembrar passados. A poesia tem muito essa força, agarra-nos e atira-nos para memórias antigas.

Logo quando abri o livro, o olhar caiu numa poesia onde primeiro verso, .dá-me a tua mão. desencadeou montes de recordações.

O mundo da ternura é enorme mas é de grande delicadeza. E o gesto de .dar a mão. sendo dos mais puros, mais limpos, é um dos que mais me perturba. É certo que se começa por dar a mão quando se é criança e é um gesto de confiança e entrega. Quando damos a mão a um adulto acreditamos que estamos protegidos, que estamos a salvo do mal, é um gesto muito doce.

Mais tarde, ainda criança mas noutra fase, mais crescidos, e entre amigos, é cumplicidade e é algo de indizível.

Nunca hei-de esquecer uma menina dos seus 10 anos que, transferida por necessidade para uma terra estranha e uma escola desconhecida, sentindo-se muito infeliz, queixava-se à mãe com uma vozinha a tremer .Mas, mãe, eu cá não tenho uma amiga-de-dar-a-mão !.

E, depois, em adulto, é um gesto no limiar do gesto erótico, mas mesmo no limiar. Está naquela margem onde tudo é ainda permitido, se pode ousar, se pode sonhar, mas se pode também ainda recuar. É um toque muito expressivo, mas inocente. Deixem-me dizer que, para mim, é talvez de todos o gesto mais sensual. Exactamente por tudo ser ainda permitido.


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março 17, 2005

8.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Hoje, não!

Hoje não quero escrever,
Ler,
Pensar,
Falar,
Morrer,
Ressuscitar.
Apenas viver,
E amar...


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março 16, 2005

8.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

A orfandade cíclica do PSD

O PSD entra, em cada descida da cadeira do poder, numa fase de orfandade, sem pessoas capazes dispostas a segurar o barco. É uma orfandade cíclica em que o PSD mergulha.

Quando Cavaco Silva abandonou a liderança do partido, as expectativas ainda eram de continuidade no poder. Nessa altura, os favoritos do partido, Fernando Nogueira e Durão Barroso, disputaram a liderança (com Santana Lopes a retirar-se no fim).

Fernando Nogueira perdeu, demitiu-se e ninguém quis pegar no partido. Teve de vir Cristo à terra para que Marcelo Rebelo de Sousa pegasse no partido. Mas, para todos os efeitos, sempre foi visto como um líder a prazo, continuando Durão Barroso como o desejado.

Depois, deu-se a célebre demissão de Marcelo Rebelo de Sousa, após a ruptura com Paulo Portas, pouco antes das eleições. Durão Barroso acabou por pegar no partido e perder, naturalmente, as eleições. Pouco depois, já tinha Santana Lopes e Marques Mendes a disputar-lhe a liderança. Durão Barroso segurou a liderança, mas muito a custo (um pouco acima dos 50%) e ficou com a sua imagem interna diminuída. Santana Lopes, com aproximadamente 33% parecia em crescendo no partido. Marques Mendes, por sua vez, tinha uma derrota pessoal, ao ficar atrás de Santana Lopes.

A demissão Guterres acabou por beneficiar Barroso que, mesmo assim, venceu as eleições legislativas com alguma dificuldade. Depois foi o próprio Barroso que fugiu (e não me digam que ele aceitou o cargo para o bem da nação, que eu não gosto que insultem a minha inteligência), deixando o poder entregue a Santana Lopes. Depois, foi Santana Lopes a perder o poder, e a deixar o PSD novamente órfão e na oposição.

A questão que se coloca aqui é muito simples. Quando o partido tem uma perspectiva de só poder voltar ao poder daqui a 4 anos, quem é que se candidata? Os mais competentes? Não.

Primeiro, ninguém que seja competente está para ficar 4 anos na oposição ao mesmo tempo que lida com oposição interna. Manuela Ferreira Leite é a desejada, actualmente. Mas eu penso que ela tomou a posição correcta. Ia pegar no partido, organizá-lo, encontrar uma estratégia, e arriscava-se depois a ter outras pessoas a querer mandá-la embora (como Santana Lopes e Marques Mendes tentaram fazer com Durão Barroso).

Em segundo lugar, quem se candidata é quem, noutras circunstâncias, jamais ganharia (ver o exemplo de Marques Mendes, na sua tentativa anterior). É que se torna mais fácil quando o partido está em baixo e longe do poder, caso contrário os candidatos apareceriam mais facilmente.

Assim, restam-nos Marques Mendes e Filipe Menezes. Venha o diabo e escolha. Manuela Ferreira Leite faz bem em ficar de fora, só ia ter problemas. O PSD está órfão, e assim vai continuar, até que o poder esteja de novo à vista. Aí, muita gente vai querer pegar no partido, e as mãos que agora aplaudem vão ser as mesmas que vão empurrar o novo líder para fora da liderança.


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março 15, 2005

8.ª semana, 3.º dia - a história da semana

A casa dos anjos

O meu nome é José Carlos, ou Zeca, como era conhecido pelos meus irmãos da "Casa dos Anjos", uma casa para crianças órfãs e de famílias desavindas. Formávamos uma grande família. A designação da casa não fazia justiça aos autênticos diabinhos que nós éramos. Mas houve um anjo que passou por lá, e é sobre ele que vos quero falar.

Mas comecemos pelo início, quando eu fui parar à Casa dos anjos. O meu pai morrera num desastre de automóvel, a minha mãe de overdose. E assim ali entrei, uma criança séria e desconfiada. E assim cresci, sério e desconfiado de tudo e de todos.

Diziam-me que éramos uma grande família. Mas faltava-me o carinho que a minha mãe, quando estava bem, ainda me ia dando. Os funcionários e os voluntários faziam o que podiam, mas não conseguiam dar um carinho comparável ao de uma mãe. E eu, a criança séria e desconfiada, ainda menos carinho conseguia conquistar.

De vez em quando uma das crianças abandonava a casa, para ir para uma família pequena, muitas vezes a de origem. Eu ficava sempre para trás, não cativava ninguém com a minha forma de ser.

Uma vez, próximo do Natal, ouvi a história da anunciação do anjo a Maria, e de como ela ficou contente com a notícia. Nessa mesma noite, nas minhas orações, pedi a Deus que enviasse um anjo que me trouxesse felicidade, como fez com Maria.

Meses mais tarde, apareceu na Casa dos anjos um bebé abandonado. Acerquei-me, curioso. Ele olhou-me e começou a sorrir. Surpreendido, fiquei a pensar no que ele teria visto em mim, para me ter sorrido daquela forma.

O bebé chamava-se Gabriel, o mesmo nome do anjo de Maria. O Gabriel parecia um bebé normal, mas tinha uma estranha particularidade: sorria, sempre que me via. Com o tempo, os funcionários começaram a perceber isso. E quando ele chorava, levavam-me até ele, e ele desatava a rir. E assim foi crescendo, sempre com essa particularidade.

Mirei-me ao espelho várias vezes. Continuava com aquele ar sério e desconfiado. Como é que o Gabriel se ria daquela forma comigo? Que teria eu de tão engraçado? Havia alguma coisa de errado ali e eu tinha de descobrir o que era.

Um dia vi a médica que nos visitava regularmente conversar com uma das funcionárias. No fim da conversa, a funcionária, com algumas lágrimas a escorrer-lhe pela face, contou a outra:
- O nosso anjinho vai-nos deixar em breve!

Descobri, finalmente, que era o anjo que eu tinha pedido. Claro! Ele sorria mal me via, algo que era impossível para uma criança normal. Mas talvez só me quisesse mostrar que eu podia gerar alegria, que era só procurar em mim a forma apropriada de o fazer.

Um dia a médica veio buscá-lo. Segundo uma funcionária, ele ia ser adoptado, ia viver num lar feliz. E, pela última vez, sorriu para mim, enquanto eu lhe acenava, sorrindo também.

Com o tempo aprendi a fazer rir todos os meus irmãos, funcionários e voluntários. O meu ar sério e desconfiado desaparecera, dando origem a um Zeca alegre e sempre disponível para tudo.

Hoje, sou uma estrela. Faço rir crianças e adultos, no circo onde actuo. Tudo graças ao anjo que me foi enviado.

Um dia encontrei uma das funcionárias da Casa dos anjos, e quis saber o que era feito do Gabriel. Soube então que ele nascera com SIDA, e tinha morrido pouco depois.

Muitos se perguntarão se terá valido a pena viver aquela curta existência, condenada à partida. Para mim valeu. Ele foi o meu anjo, foi ele que me indicou o caminho que me levou a ser o que sou hoje.


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março 14, 2005

8.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

O outro

Um homem está sentado no café quando entra um amigo:
- Tu nem imaginas, no café do outro lado da rua acabo de ver a tua mulher com outro.
- Não acredito - responde. - É impossível.
- Se não acreditas, vai ver com os teus próprios olhos.
O homem assim fez, e volta, todo contente:
- Eu bem te disse que ela não estava com outro. É o mesmo de sempre...


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Estou de volta

Acabei de passar um dos piores minutos da minha vida. Felizmente, já tenho outra vez tempo para escrever. A todos os leitores, peço desculpa por este minuto de ausência.
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Até breve

Neste momento não tenho tempo para escrever. Por isso decidi suspender este blog por tempo indeterminado. Quando tiver tempo e vontade, volto.

Até breve.


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março 13, 2005

43 novos blogs

Adicionei, na lista ao lado, 43 blogs que estavam em lista de espera há algum tempo. Tive esta ideia para recordar a alguém que há uns meses disse que precisava de actualizar a sua lista e ainda não o fez. Espero que essa pessoa não passe por aqui, ou estou em sarilhos...
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8.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

O PSD precisa de pessoas normais. Marques Mendes, candidato à liderança do PSD

Marques Mendes justificou esta frase, dizendo que é uma pessoa normal, e que é disso que o país precisa. Depreende-se daqui que Luís Filipe Menezes não será uma pessoa normal, e que Marques Mendes será o candidato ideal. Eu tenho de discordar, dado que penso que nenhum dos dois candidatos tem perfil para liderar o partido. No entanto, relativamente à frase, sou obrigado a concordar, embora não me pareça que a normalidade deverá bastar para superar a falta de outras qualidades.


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março 12, 2005

7.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Interior do Coliseu Romano, Roma   Posted by Hello
ou o regresso d'As Ruínas Circulares

Foto publicada em http://www.pierreci.it/
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março 11, 2005

7.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Hoje estava para começar a escrever "o meu segundo blog convidado", mas penso que tal seria incorrecto. Há alguns blogs (não vou dizer exactamente quantos, para não ferir susceptibilidades) que poderiam ser o primeiro, mas só posso convidar um de cada vez. É assim com o Professorices, do João Vasconcelos Costa, vulgo JVC. O início do percurso bloguístico foi quase comum, quando em Novembro de 2003, o "Professorices" e o meu "Ensino Superior em crise" deram os primeiros passos. E como o meu teve altos e baixos, só posso agradecer ao JVC ter conseguido manter o seu a um alto nível, condimentado com outros assuntos variados, muitas vezes bem humorados, unindo à sua volta uma legião de leitores. Agora, o "Professorices" está em mudança, ainda um pouco indefinida, eu diria que algures entre um semanário e um diário com suplemento de fim de semana. Mas continua a valer a pena.

Crónica de inválido

Hoje estou entrevadinho, estendido na cama a escrever no PowerBook, a
distrair-me das dores. Tudo por causa do meu gato Peúgas e logo por uma
coisa a que lhe acho muito piada, o de ser o meu relógio de sol.
Fronteira à minha escada fica uma grande janela, dois andares de
altura, a receber sol todo o dia, de ângulos diferentes. O Peúgas é
sabido e passa todo o dia esparramado num degrau da escada, o mais
ensolarado. Quando conto os degraus até ao dele, já sei que horas são.

Que ninguém se atreva a enxotá-lo. Quem quer passar, que galgue dois
degraus. Foi o que fiz mas tropeguei os pés, grande estenderete e uma
contusão valente numa perna. Para perceber bem o que tinha, lá fui a um
dos meus livros de Medicina. Afinal, tenho um "oedema, tumor branco,
inerte, molle, insensível, causado por hum humor fleumático, infiltrado
no tecido da pele e sobre o qual fica a impressão do dedo, quando se
lhe carrega".

Tudo isto vem em "O Enfermo", obra dirigida principalmente aos RR.
párocos para assistência aos enfermos na última agonia (salvo seja!),
dedicada à Sagrada Família Jesus, Maria, José, por Francisco José de
Campos, bacharel pela Universidade de Coimbra, e dada à estampa em
MDCCXXV.


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março 10, 2005

7.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

O dia em que o tempo parou

Um dia o tempo parou,
E os amantes abraçou.

Tudo à volta desapareceu,
Só os sentidos ficaram.
No meio da rua, debaixo do céu,
Sem receio se beijaram.
Os olhos cruzaram-se, mutuamente,
Numa expressão terna e calma,
Flamejaram de amor ardente,
Leram o fundo da alma.
Num abraço terno e lento,
As mãos os corpos percorreram,
Os cabelos, soltos ao vento,
Tudo à volta esqueceram.
Mas o tempo não pára eternamente,
Sem paixão, comanda a vida,
Mas o amor estará sempre presente,
Em cada nova despedida.

E o tempo voltou a andar,
Até os amantes se voltarem a encontrar.


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março 09, 2005

7.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Freitas do Amaral

Muito se tem falado sobre a surpresa de Freitas do Amaral fazer parte do governo de maioria absoluta do PS. Eu também me considero surpreendido, não por considerar, como alguns, a ideia absurda, mas porque foi uma aposta arriscada de José Sócrates dentro do próprio partido.

Afirmar que Freitas do Amaral é um homem de direita é, para mim, uma ideia absurda. Tal como é absurdo dizer que é um homem de esquerda. Ele é, como sempre, um homem do centro. Mais absurdo é o CDS/PP querer fazer crer que Freitas do Amaral é um vira-casacas, quando foi o CDS/PP que mudou do centro para a direita, com Manuel Monteiro.

Não me interessa aqui defender Freitas do Amaral, nem concordar ou discordar com a sua escolha para Ministro. Penso que há aspectos negativos e positivos. Os aspectos negativos prendem-se com a polémica que causou a sua escolha, que poderão condicionar a sua acção, até porque a sua escolha pode não ter sido pacífica dentro do PS. Por outro lado, é preciso não esquecer que tem no seu currículo a Presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas, o que se traduz numa mais-valia para o cargo.

De qualquer forma, penso que muitas vezes se vê as suas declarações fora do contexto de alguém que já não se identifica nem é identificável com o CDS/PP. Só para dar um exemplo: o facto de ter pedido maioria absoluta para o PSD nas anteriores eleições e agora ter feito o mesmo para o PS. Parece-me lógico em alguém que é centrista e que considere necessária uma maioria absoluta.

É preciso também não esquecer que o PS não pode ser considerado, hoje em dia, um "partido de esquerda". Para captar eleitorado, terá sempre que se ir buscá-lo ao centro, e foi isso que o PS fez: aproximou-se do centro, embora mantendo uma filosofia de esquerda. Foi também, a meu ver, esse o motivo principal da subida dos outros dois partidos de esquerda nestas eleições.

Resumindo, Freitas do Amaral parece ainda ser vítima das presidenciais que disputou com Mário Soares, onde houve uma guerra esquerda/direita sem precedentes, acabando por personificar a direita que o apoiava. E também de alguma confusão entre o que era o CDS dessa época e o que é o CDS/PP de hoje.

Um último ponto, em jeito de post scriptum. Não me atrai, particularmente, a figura de Freitas do Amaral, mas tenho a convicção de que tem o perfil necessário para o cargo em apreço. Até porque já houve outras personalidades pelas quais eu não dava muito, e conseguiram-me surpreender positivamente. E neste momento, apetece-me mais pensar que o país precisa ganhar confiança do que pensar: "Espero que ele falhe, para depois poder dizer que eu tinha razão".


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março 08, 2005

7.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Mãe e filha

Uma filha resulta, em geral, de um acto de amor entre um homem e uma mulher. Por vezes planeada, outra vezes obra do acaso. Na maioria dos casos, ambos ficam felizes. Noutros casos, infelizmente, não.

No meu caso, a minha mãe, solteira, ficou grávida do meu pai. Quando soube, em vez de ficar contente, fugiu para França, só voltando a aparecer, já casado, 3 anos depois.

Entretanto, eu nascera, no meio dos comentários das vizinhas, em casa da minha tia. A minha mãe sofreu na pele o estigma de ser mãe solteira, ainda para mais o meu pai não consertara o seu erro e fugira.

Quando o meu pai voltou, não foi para me ver, foi para recuperar da minha mãe todas as cartas que lhe tinha enviado, provas da sua ligação. A minha mãe, perante aquela atitude, deu-lhe as cartas, e nunca mais o quis ver.

Fui crescendo, apenas com a minha mãe a meu lado. Ela nunca mais casou, nem poderia. Quem, naquele tempo, casaria com uma mãe solteira? Assim, ficou condenada à solidão para toda a sua vida.

Conforme fui tomando consciência da situação, comecei a odiar o meu pai. Um ódio tremendo, que me impedia sequer de olhar para ele. Quando era pequena, via a minha mãe muitas vezes entrar para dentro de casa comigo, quando ele passava. Eu espreitava à janela, via-o passar.

Quando tinha 18 anos apaixonei-me por um homem, que quase me levou à loucura. Mas a imagem da minha mãe impediu-me de ir mais longe. Felizmente, dois anos mais tarde, conheci o futuro pai dos meus filhos.

Mais calmo e respeitador, acabou por me conquistar, e dois anos depois casávamos. Foi muito importante para a reabilitação da imagem da minha mãe. Pelo menos, conseguira educar a sua filha para não cair no mesmo erro dela.

No ano seguinte, estava eu grávida do primeiro filho, quando disseram que o meu pai tinha morrido. Não esbocei uma lágrima, um sentimento único. Mas decidi ir ao seu funeral, muito embora me tentassem dissuadir a não o fazer. Sangue é sangue.

No funeral pude ver o seu filho, meu meio-irmão, que nunca conhecera. Olhei para ele e pensei quantas festas teriam passado naquele cabelo, quantos carinhos ele recebera, quantas vezes se sentara no colo do pai.

Voltei para casa. Antes passei por casa da minha mãe, mas o portão estava fechado à chave, o que significava que devia estar a rezar. Entrei no meu quarto, fechei a porta à chave, e chorei pela primeira e última vez pelo meu pai.


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8 de Março
o dia de uma mulherzinha muito especial

Faz agora exactamente 4 anos que, no dia da mulher, nasceu uma mulherzinha na minha vida. Ela é a minha luz, o meu sol, a minha lua, a minha vida. Parabéns, filha.
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março 07, 2005

7.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Uma questão de posição

Numa conferência sobre sexo, o conferencista começa:
- Existem exactamente 32 posições sexuais...
- 33 - interrompe um dos ouvintes.
O conferencista, visivelmente irritado:
- Eu gostaria que me deixassem fazer a minha apresentação até ao fim e depois poderão fazer as perguntas que quiserem. Continuando, existem exactamente 32 posições sexuais. A primeira, a mais habitual, consiste na mulher deitada de costas para baixo, o homem deitado sobre ela de barriga para baixo...
- Ah! Então são 34, ainda não conhecia essa...


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março 06, 2005

7.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

CDS-PP vai enviar retrato de Freitas do Amaral para o Largo do Rato

Simplesmente ridículo, principalmente vindo de um partido que esteve até há pouco no governo. Tal como Trotsky saiu das fotografias oficiais do regime soviético, agora é a vez de Freitas do Amaral desaparecer da história do CDS/PP. Dadas as diferentes proporções, este acto não ficará para a história a não ser como um mero acto patético. Pelo menos, pelo que sei, os seus parceiros de coligação não são dados a este tipo de infantilidades, e a foto de Sousa Franco ainda continua na sede do PSD.


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março 05, 2005

6.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Mar de Creta, Grécia   Posted by Hello

Foto publicada em http://www.ente-turismoellenico.com/.
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Texto afixado...

... no afixe.
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março 04, 2005

6.ª semana, 6.º dia - o blog convidado da semana

Para inaugurar "o blog convidado da semana", convidei o Luís Aguiar-Conraria, autor de um dos meus blogs preferidos, A destreza das dúvidas, herdeiro de outro, Nas fronteiras da dúvida, onde consegue impor o seu estilo único, bem humorado, de narrar as suas aventuras pessoais por terras do Tio Sam. Às segundas-feiras, como bónus, temos os magníficos textos do seu pai, Cristóvão de Aguiar, sobre as regras da língua portuguesa. Enfim, uma dupla de sucesso.

Boletim meteorológico

Há dois anos que vivo com o José e o Mathis. Raramente nos víamos de manhã. O Mathis, fazendo jus às suas raízes germânicas, não se levanta depois das sete da manhã. Apanha o autocarro das oito. Eu acordo às 8.30 e saio uma hora depois. O José, orgulhoso do seu sangue hispânico, nunca se levantava antes do meio-dia. Só à noite nos víamos. Este semestre tem sido diferente.

Hoje, acordei com o José a arfar na sala. Não é a primeira vez. Tinha a televisão ligada num canal hispânico. Por volta das oito e meia da manhã, anunciam o calor. O José apaixonou-se pela menina do boletim meteorológico. Uma venezuelana de corpo quente por quem o José madruga e arfa matinalmente. Depois, toma o pequeno-almoço comigo e volta para a cama.

Como regresso a Portugal em Julho, o José e o Mathis procuram um roommate que me substitua. Uma, aliás. A preferida era a Erica. Uma das moças mais bonitas do departamento. A sua ascendência chinesa desperta muitas fantasias. O José, apesar das suas duas namoradas e da menina do boletim meteorológico, que anuncia o calor, também se apaixonou pela Erica. Muito amor...

A Erica é uma aluna do segundo ano. O namorado estuda na Escola de Direito. Vieram juntos e viviam juntos. Romperam o namoro pelo Natal. Mal se espalhou a notícia, saltaram sete cães a um osso. Sei o nome de dois deles. José e Patrick. O Patrick desistiu rapidamente. O José, mais persistente, convidou-a para tomar o meu lugar.

Na semana passada, a Erica reatou o namoro com o Bill. Não querendo viver juntos, a Erica continua à procura de apartamento. Ainda não respondeu ao convite do José, que, coitado, bem o quer retirar. Mas o Mathis não deixa.

A ChingMei foi outra das paixões falhadas do José. Tem azar com as chinesas. Um tributo à inteligência delas. Em Novembro, fui com a Sandra, e mais seis amigos da Cornell, ao casamento da Chingmei. Em Taiwan. Num dos nossos passeios pela ilha, ficámos no Grand Formosa Hotel. Dentro do hotel, havia umas piscinas de águas quentes, vindas directamente das profundezas da ilha. Teríamos também direito a umas massagens regeneradoras.

Não tínhamos levado fato-de-banho. Tentámos comprar à entrada. Não era necessário. Entrava-se nu. Entreolhámo-nos. Haveria coragem para ir para uma piscina de nudistas?... Eu e a Sandra resolvemos avançar. Dizem-nos então que as piscinas eram separadas. Homens para um lado, mulheres para o outro. Viemo-nos embora.


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março 03, 2005

6.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Acordar

Acordar...
A geada matinal...
O manto branco em redor...
A névoa a aproximar-se,
Lentamente,
Meu pensamento ausente
Algures
Nas árvores nuas
Que cercam as ruas,
Nos penhascos distantes,
Gigantes,
Nas montanhas ao fundo,
Fim do mundo,
No céu cinzento,
Desalento,
Nos caminhos vidrados,
Gelados,
No frio
Vazio.
A névoa o manto branco vem roubar,
Em breve nenhum vestígio ficará,
Toda a beleza que me ausenta cessará
Até ao meu próximo acordar.


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Ensino Superior - A propósito de Bolonha

No início de Janeiro dei uma entrevista ao Miguel Lourenço Pereira sobre a Declaração de Bolonha. Descobri que a entrevista já foi publica, juntamente com as de outros colegas e outros textos complementares, que podem ler no site JornalismoPortoNet.

De notar apenas que o contexto do país mudou, pelo que as referências ao governo referem-se, obviamente, ao anterior governo. O PS já declarou, entretanto, algumas alterações ao que estava a ser feito, nomeadamente no que se refere ao financiamento.


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março 02, 2005

Manifesto anti-você

Hoje, neste blog, foi decidido democraticamente por todos os autores deste blog (isto é, eu, o filho do meu pai, e o pai da minha filha), que o você seria irradiado dos comentários deste blog. A partir de agora, quem comentar neste blog, só pode tratar os outro por tu.

Da mesma forma, estão proibidos os títulos, quer sejam académicos(Prof., Eng., Dr., Arq.º, etc...), nobiliárquicos (Conde, Visconde, Sua Alteza Real, Sua Majestade, etc...) ou de deferência (V. Ex.ª, Ilmo. Sr., Exmo. Sr., etc...).

QUEM SE ATREVER A IR CONTRA ESTAS NORMAS...

... não lhe acontece nada, mas eu fico triste, como um menino guerreiro, que precisa de carinho, ...


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6.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Vitorino, quo vadis?

A notícia veiculada hoje de que António Vitorino não faria parte do próximo governo é, caso se venha a confirmar, um rude golpe na credibilidade do futuro governo. António Vitorino sempre foi visto como imprescindível no governo em formação e como uma garantia de qualidade. Desta forma, por muito bom que seja o governo, vai sempre parecer que falta uma peça fundamental.

Recuando às eleições internas do Partido Socialista, quando Ferro Rodrigues abandonou a liderança, António Vitorino era uma espécie de D. Sebastião, desejado por todos. Ainda na Comissão Europeia, decidiu não se candidatar.

José Sócrates venceu, houve eleições antecipadas, e o novo líder do PS não teve dúvidas em recorrer aos serviços de António Vitorino nas eleições legislativas. Este acabou por ter um papel preponderante no movimento "Novas fronteiras" e no programa do governo.

Durante a campanha, muitas foram as vozes que consideraram que preferiam ver António Vitorino como candidato a Primeiro-Ministro, mas que votavam em José Sócrates porque este tinha aquele do seu lado.

A verdade é que, sem António Vitorino do seu lado, José Sócrates dificilmente teria tido o resultado que teve. António Vitorino tem, para além de um considerável prestígio decorrente da forma como exerceu o seu cargo de comissário europeu, uma enorme capacidade de trabalho.

Assim, perante esta notícia, começam as especulações sobre o governo de José Sócrates. Também Ferro Rodrigues e Jorge Coelho não deverão fazer parte do governo, embora o peso destes dois nomes seja claramente inferior ao de António Vitorino. Que nomes ficarão?

Uma das más notícias que já ouvi prende-se com a hipótese de regresso ao passado, com o Ensino Superior a voltar para o Ministério da Educação, e com um Ministério da Ciência e Tecnologia. Ainda pior será se se vier a confirmar o nome de Augusto Santos Silva para a pasta da educação. Nada me move contra a pessoa em si, até considero uma pessoa bem acima da média, mas não me esqueço que Augusto Santos Silva foi, durante o governo de Guterres, transferido do Ministério da Educação para o da Cultura, após um anteprojecto de estatuto de carreira docente universitária contestado por toda a academia.

Quando considerei que era positivo o facto de o governo ser feito fora da comunicação social, não queria com isso dizer que isso era uma garantia de um bom governo. É apenas um bom caminho para não ter um mau governo.

Espero, muito sinceramente, que a notícia seja falsa, e que se trate apenas de uma manobra jornalística na tentativa de fazer o governo ser divulgado rapidamente ou um mero expediente para vender mais jornais. Caso contrário, José Sócrates arrisca-se a perder o estado de confiança ainda antes de começar a governar. E sem a confiança dos eleitores, um governo tem mais dificuldades em se impor.


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março 01, 2005

6.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Conversa Final - parte I

- Onde vais?
- Embora.
- Embora, como?
- De vez, vou sair de casa.
- .
- É melhor assim.
- Então e nós?
- Já não há nós há algum tempo.
- Então o que é que temos estado a fazer os dois na mesma casa?
- Pergunto-me o mesmo.
- .
- .
- Como chegamos a este ponto?
- Não sei, fomos caminhando para ele, aos poucos, sem nos apercebermos do rumo que as coisas estavam a tomar.
- E não há forma de voltar atrás?
- Será que vale a pena reviver os mesmos problemas?
- Achas que não?
- A princípio, seria bom. E depois? Não te lembras que já fizemos isso?
- Sim, tens razão.
- .
- Sabes para onde vais?
- Sim, tenho uma pessoa amiga que me deixa lá ficar até arranjar casa.
- Porque não ficas aqui? Temos um quarto a mais.
- Seria insuportável para mim. É melhor sair mesmo.
- Existe outra pessoa?
- Não.
- Então, porquê essa pressa?
- É um passo que tenho de dar agora ou culpar-me-ei por não ter tido coragem de o dar.
- .
- .
- Se tivéssemos filhos, seria diferente?
- Talvez. Pelo menos, obrigava-me a pensar mais.
- Por que razão não tivemos filhos?
- Primeiro quisemos viver, depois estivemos a investir nas nossas carreiras, depois já era tarde.
- E eu, que fiz de errado, para te ires embora dessa forma?
- Não foste tu, fomos nós. Transformamos pequenos problemas em grandes, e eles acabaram por nos devorar.
- E os sentimentos? Acabaram?
- Não, não acabaram. É para preservar tudo o que houve de bom que tenho de sair.
- .
- .
- Lembras-te do nosso casamento?
- Como me poderia esquecer? Aquela chuva toda.
- Dizem que a chuva traz felicidade ao casamento.
- E trouxe. Fomos felizes durante muito tempo. Ou já te esqueceste de tudo?
- Eu não, tu é que queres ir embora.
- Já te expliquei a razão.
- Ainda o ano passado, nas férias, estávamos tão bem.
- Mas depois, quando voltamos, o que é que aconteceu? Será que 15 dias bons, valem pelo resto do ano?
- Talvez não.
- .
- Eu também vou sair.
- Porquê?
- Não vou suportar ficar aqui. Vai tudo ficar demasiado vazio.
- E tens para onde ir?
- Sim, também tenho amigos.
- .
- Não pensas voltar atrás, quem sabe, um dia?
- Não, a decisão está tomada.
- Então, é para sempre?
- Sim.
- Também era o casamento.
- As coisas mudaram, nós mudámos, já não somos os mesmos.
- E agora, não podem mudar?
- Gostava de acreditar, mas a água não passa duas vezes no mesmo moinho.
- .
- .
- Então, adeus.
- Adeus.
- .
- .
- Liga-me, de vez em quando.
- Está bem, mas não nos próximos dias.
- Vai, não prolongues a minha agonia.
- Não precisas de nada?
- Nada que me possas dar agora.
- Toma conta de ti.
- .
- .
- Amo-te.
- Eu também te amo.
- .
- .


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fevereiro 28, 2005

Aula de Matemática para não matemáticos

Hoje resolvi dar uma Aula de Matemática para não matemáticos, inspirado por um "vago" comentário de um leitor. Vou falar de números racionais, que podemos, de forma informal, definir como todos números que podem ser escritos como a razão (divisão) de dois números inteiros. Resolvi escrever apenas em HTML, para ser mais rápido na escrita do texto e para não afastar ninguém com simbologia matemática aterradora.

Podemos dividir estes números em três categorias: os inteiros, as dízimas finitas e as dízimas infinitas periódicas.

Os inteiros, na sua forma não reduzida podem ser escritos sob a forma de uma fracção. A forma mais simples, será transformar um inteiro k na fracção k/1.

As dízimas finitas são fáceis de transformar numa fracção. Basta contar o número n de casas decimais, multiplicar por 10n e dividir por 10n. Por exemplo, 3,12 é igual a 312/100.

O mais complicado será transformar uma dízima infinita periódica numa fracção. Para fazer o contrário, basta uma máquina de calcular. Por exemplo, 5/3=1,666(6), onde o 6 se repete infinitamente. Mas como se chega do 1,666(6) a 5/3. A resposta está no estudo das progressões geométricas.

Na realidade,
1,666(6) = 1 + 0,6 + 0,06 + 0,006 + ... = 1 + 6 x 10-1 + 6 x 10-2 + ... + 6 x 10-n + ... = 1 + S

onde S é a série cujo termo geral ou sucessão geradora é 6 x 10-n. E trata-se de uma progressão geométrica, dado que a razão r entre dois termos consecutivos un+1 e un é constante (r = 1/10 = 0,1).

Para quem se lembra da matemática do ensino secundário, se a razão em módulo é inferior a 1, então a série é convergente e a sua soma é S = u1/(1-r). Neste caso, S = 0,6 / (1-0,1) = 0,6 / 0,9 = 6 / 9 = 2 / 3.

Assim, temos que 1,666(6) = 1 + S = 1 + 2 / 3 = 5 / 3.

Quando dava aulas de Matemática (há mais de 5 anos), costumava colocar, na sequência desta explicação, um problema aos meus alunos:
Mostre que 0,999(9), dízima infinita periódica, não existe.

Perante a admiração dos alunos e uma série de comentários, acabava por reformular a pergunta, dizendo:
Mostre que 0,999(9) = 1.

Posso dizer que era das poucas vezes que encontrava entusiasmo nos alunos relativamente à Matemática. Espero que este texto, ao invés de afastar os leitores não matemáticos, lhes mostre que a Matemática pode ter um lado divertido e prático.

Assim, desafio todos os leitores, especialmente os não matemáticos, a resolver o problema que eu colocava aos meus alunos.


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6.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Evolução do ensino

Ensino da matemática nos anos 40/50:
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda. Qual foi o seu lucro?

Ensino Tradicional - Anos 60:
Um camponês vendeu um saco de batatas por 100$00. As suas despesas de produção foram iguais a 4/5 do preço de venda, ou seja, foram de 80$00. Qual foi o seu lucro?

Ensino Moderno - Anos 80:
Um camponês troca um conjunto B de batatas por um conjunto M de moedas. O cardinal do conjunto M é de 100 e cada elemento de M vale 1$00. Desenha o diagrama de Venn do conjunto M com 100 pontos que representam os elementos desse conjunto. O conjunto C dos custos de produção tem menos 20 elementos do que o conjunto M. Representa C como sub-conjunto de M e escreve a vermelho o cardinal do conjunto L do lucro.

Ensino Renovado - 1990:
Um agricultor vendeu um saco de batatas por 100$00. Os custos de produção elevam-se a 80$00 e o lucro é de 20$00. Trabalho a realizar: Sublinha a palavra "batatas" e discute-a com o colega de carteira.

Ensino Reformado - 2002:
Um kampunes reçebeu um çubssídio de 50 euros para purdusir bué de çacos de batatas o qual vendeo por 100 euros e gastou 80 euros.
Analiza o texto do iserçício, converte euros em escudos e em ceguida dis o que penças desta maneira de henriquesser.


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fevereiro 27, 2005

6.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

O Governo não será formado na Comunicação Social, nem pela Comunicação Social. António Vitorino, quando os jornalistas lhe perguntaram se faria parte do próximo governo.

António Vitorino tem sido indicado como um nome seguro no próximo governo. Vários nomes têm sido apontados também. Mas o silêncio do lado de José Sócrates tem sido, a meu ver, bem gerido.

Esta frase quis marcar a diferença relativamente à formação dos anteriores governos, onde todos os nomes vinham para a praça pública "às pinguinhas", incluindo os convites não aceites, fazendo-se logo uma seriação de importância de Ministros, sendo alguns etiquetados como segunda e terceira escolhas.

Até pode ser que os nomes que a comunicação social teima em avançar venham a mostrar-se acertados (alguns parecem óbvios ao comum mortal), e até se pode vir a saber os pormenores dos convites não aceites, mas a intenção demonstrada, só por si, já é positiva, e indicadora de uma vontade de não deixar a comunicação social comandar a acção governativa.

É claro que as práticas nem sempre seguem a teoria...


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fevereiro 26, 2005

5.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Faculdade de Ciências da Universidade do Porto   Posted by Hello onde obtive a Licenciatura em Matemática Aplicada (ramo de Ciência de Computadores), entre 1990 e 1994


Foto publicada em http://shw.fotopages.com/1927721.html
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fevereiro 25, 2005

5.ª semana, 6.º dia - o tema livre da semana

Irmandades

Nestes blogs, vão-se estabelecendo irmandades. Umas mais fortes, outras mais esporádicas, outras obra do acaso. Mas acabamos por escolher um conjunto de blogs com os quais nos identificamos mais e que visitamos com maior regularidade. Já aqui falei de um blog em particular, mas gostaria de falar de mais.

Quando falei de irmandades, esqueci-me que esta é uma relação transitiva, isto é, se A é irmão de B e B irmão de C, então A é irmão de C. Na realidade, vim a constatar que a blogosfera é mais uma meia-irmandade, o que já não é uma relação transitiva, isto é, A é meio-irmão de B e B é meio-irmão de C, não implica que A é meio-irmão de C. O objectivo desta explicação não é mandar embora todos os que não gostam de Matemática, mas sim falar sobre as boas e más relações inter-blogs.

Assim, nesta meia-irmandade, existem blogs que eu gosto de visitar (e que por isso estão na minha lista à direita). Alguns são blogs rivais, outros são blogs amigos, outros são blogs "água com azeite", impossíveis de misturar. Mas não sendo uma relação transitiva, consigo gostar de todos sem me ver obrigado a colocar-me de um dos lados da barricada.

Sendo docente do ensino superior, comecei nesta blogosfera com um blog "Ensino Superior em crise", em Novembro de 2003. Nesse mesmo mês, começou também o "Professorices". Aos poucos outros foram aparecendo, enquanto o meu tinha altos e baixos, provocados por alguma falta de tempo da minha parte: "O fio de Ariana", o "holocénico", o "Que Universidade?", o "UniverCidade", e paro por aqui para não ser injusto com os demais. Entretanto, outros blogs que não se dedicavam apenas à temática do ensino superior também apareceram, como o "Acontecencias". De notar que este último e o UniverCidade são os únicos cujos autores conheço pessoalmente.

Assim, com naturalidade nasceu o "Meta-Blog do Ensino Superior", um blog dos blogs do ensino superior, onde são colocadas referências para textos sobre esta temática nos respectivos blogs. Entretanto, cansei-me de só falar de ensino superior e criei o "6 em 1". Duas semanas depois decidi fundir o "Ensino Superior em crise" e o "6 em 1", passando a chamar-se "6 em 1 & algo +".

No meio desta transformação, comecei a ter tempo para ler com mais atenção outros blogs. E fui descobrindo blogs de diferentes temas, diferentes níveis, diferentes cores. Com pena, vi que muitas vezes este arco-íris bloguístico gera alguns diferendos. Por isso, com alguma pena vi alguns dos blogs que visito regularmente fazerem críticas aos outros, algumas justas, outras injustas, mas a maioria delas desnecessárias. Coisas de uma blogosfera onde as pessoas não estão sentadas num café a conversar, por isso muitas vezes surgem mal-entendidos que se resolveriam rapidamente durante um café ou uma cerveja, com uma anedota picante pelo meio.

Mas também há coisas positivas. Hoje tenho pena que o Weblog esteja em baixo, porque poderia fazer algumas referências a colaborações interessantes que se vão estabelecendo. Desde o "cadáver esquisito", no "afixe" (aproveito para agradecer a publicação de dois textos meus), até à conversa sobre "pombas", n'"A destreza das dúvidas", houve coisas engraçadas a acontecer neste meia-irmandade (não se esqueçam de ir ver quando o Weblog "arrebitar"). Felizmente a Daniela Kato ficou no Blogspot e posso continuar a ver o "Wolf Tongue", único blog em inglês que visito diariamente ("Great blog, I've already told you that"). Em contrapartida, o "Professorices" ameaça acabar (amanhã saberemos...).

Quando o "6 em 1" virou "6 em 1 & algo +", acabei por flexibilizar a estrutura fixa do tema diário, introduzindo outros textos de tema livre em qualquer altura que me apetecesse. Assim, considero que o tema livre da semana ao 6.º dia deixou de fazer sentido. O que me trouxe um problema: o que vou passar a fazer no 6.º dia da semana?

Pensei, e cheguei a uma conclusão, baseada na análise que fiz anteriormente neste texto, e resolvi que, a partir da próxima semana, o 6.º dia vai deixar de ser "o tema livre da semana" e vai passar a ser "o blog convidado da semana". O que vai acontecer é muito simples: vou convidar o(s) autor(es) de um blog para escrever(em) um texto de tema livre para o meu blog (que pode ser publicado também no seu blog). Para manter o suspense, não vou revelar, a não ser ao(s) autor(es) do blog convidado, quem é que vai escrever em cada semana. Só posso dar uma certeza: não vai ser o blog do Pedro Santana Lopes.

Assim, não percam para a semana, o fabuloso, o incrível, o fantástico blog convidado da semana, o blog...


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fevereiro 24, 2005

5.ª semana, 5.º dia - poema da semana

Pequeno poema para ti

Hoje mandei o sol brilhar
Com o seu tom mais belo,
Mandei o céu ficar azul
Sem nuvens a escondê-lo.
Mandei calar o mar,
Enquanto ondulava,
Mandei parar a caravela
Que nele navegava.
Às pessoas que estavam na praia
Pedi-lhes para sorrirem.
Às plantas em meu redor
Pedi-lhes para florirem.
Às gaivotas, barulhentas,
Pedi que estacassem,
Aos aviões no céu
Que suas rotas desviassem.

Quando tudo estava perfeito,
Os teus olhos vendei
E ao alto do monte mais alto
Em segredo te levei.

De lá te pude mostrar
Um quadro vivo, imaginário,
O melhor que pude encontrar
Para o teu aniversário...


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fevereiro 23, 2005

5.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Vencedores e vencidos

Domingo, 20 de Fevereiro, houve eleições. Depois de todas as sondagens, de todas as certezas dos candidatos, de todos os comentários políticos, chegou a hora em que não há dúvidas sobre quem foram os vencedores e os vencidos. Três dias depois, já todos os comentadores sérios (e também o Luís Delgado) já fizeram este comentário em tom sério. Por isso, só me resta faze-lo em tom de brincadeira, embora falando a sério (um pouco ao contrário de Pedro Santana Lopes, que dizia aquela piada "Domingo vamos ganhar" com tom sério).

GRANDES VENCEDORES


  • José Sócrates. Ganhou primeiro o partido, depois o país. Teve uma estratégia de contenção a toda a prova, soube transformar os boatos a seu favor, soube dramatizar quanto baste, teve a coragem de pedir uma maioria absoluta e ganhou-a. Agora tem uma grande responsabilidade nas mãos, tem que mostrar que a mereceu.

  • PSD. Livrou-se primeiro de Durão Barroso, agora de Santana Lopes.

  • Durão Barroso. Trocou os assobios e desgraça nacionais pelas palmas e regalias europeias, dizendo que era para o bem do país. Foi mais inteligente que Guterres: fugiu, mas em grande estilo...

OUTROS VENCEDORES


  • Francisco Louçã. Depois da infeliz declaração sobre o desconhecimento de Paulo Portas em relação à geração de vidas, soube recuperar, tendo sido bastante convincente quanto às suas capacidades no debate a cinco, digo, quatro.

  • Ortodoxos do PCP. Se o PCP tivesse um mau resultado, ou se tivesse ficado atrás do Bloco de Esquerda, mostraria ao PCP que devia renovar-se. Com este bom resultado, os ortodoxos venceram.

  • Guterres. Acabou por reaparecer e limpar a imagem. A sua fuga simples, comparada com a elaborada de Durão Barroso, acaba por desculpá-lo relativamente ao eleitorado. Se este protagonismo que Sócrates deu a Guterres foi um teste, este pode ter-se lançado definitivamente na corrida às eleições presidenciais.

  • Jorge Sampaio. Conseguiu, quase sozinho, enterrar definitivamente qualquer ideia que pudesse existir de que Pedro Santana Lopes seria competente.

GRANDES VENCIDOS


  • Pedro Santana Lopes. Depois de ter conseguido ultrapassar o Princípio de Peter, isto é, ter subido muito acima do que a sua competência permitiria, perdeu em toda a linha. O país não o quer, o partido não o quer, duvido que Lisboa o queira, só lhe resta o Luís Delgado...

  • Paulo Portas. O seu discurso "de feira" já cansava, mas continuava a conquistar alguns votos. Ficar atrás da CDU e um pouco à frente do Bloco de Esquerda, foi o seu fim.

  • Renovadores do PCP. Durante quatro anos, o PCP vai continuar na mesma.

OUTROS VENCIDOS


  • Luís Delgado. Penso que não é preciso explicar nada, pois não?

  • Pacheco Pereira. Foi um dos perdedores, a partir do momento em que disse cobras e lagartos de Pedro Santana Lopes e depois afirmou que ia votar nele. Se houvesse um prémio para a incoerência, seria para ele (o da coerência seria para o Luís Delgado).

Finalmente, o grande VENCEDOR DOS VENCEDORES. E o prémio vai para... PORTUGAL.
A abstenção diminuiu.
A confiança nacional parece ter sido reconquistada.
O ciclo PSD + CDS/PP chegou ao fim.
Os fatos de riscas de Paulo Portas vão deixar de aparecer tanto nos ecrãs.
A esperança voltou.

Só esperamos que, depois da euforia, não voltemos ao mesmo.


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fevereiro 22, 2005

5.ª semana, 3.º dia - a história da semana

O segredo

O meu nome é Sandra, nome fictício, e esta é a minha história. Uma história nem sempre alegre, nem sempre triste, mas uma história de segredo.

Joana, também nome fictício, vive comigo há doze anos. Oficialmente, somos duas amigas solteiras que partilham um apartamento. A realidade é diferente, uma história comum de amor que tem a incomum particularidade de não ser a de um casal tradicional.

Como todas as relações, esta história tem altos e baixos. Como em todas as relações, existem momentos inesquecíveis. Como em todas as relações, existem momentos que preferimos esquecer. Mas, ao contrário das outras relações, nós não podemos expor livremente o nosso amor.

Talvez por isso, a Joana por várias vezes teve dúvidas sobre o futuro da relação. Muitas vezes saiu de casa, à procura de uma vida normal. Chegou a namorar com alguns homens. Embora me custasse saber isso, sempre interpretei como uma incerteza acerca da sua sexualidade. Penso que, caso tivesse um relacionamento com outra mulher, jamais lhe perdoaria. Mas, dois ou três meses depois, ela voltava, arrependida, e tudo voltava ao normal.

Havia sempre uma ou outra pessoa que desconfiava, mas nunca demos espaço para que confirmassem. Apenas o Carlos, outro nome fictício, nosso colega da faculdade, homossexual, era da nossa confiança. Era o nosso escape, alguém com quem podíamos falar livremente e que tinha um sentido de humor que nos deixava mais leves.

Acresce a tudo isto o facto de eu ser católica e a minha relação ser um pecado aos olhos da Igreja. Muitas vezes pedi, nas minhas orações, para que Deus me guiasse, que me indicasse o caminho correcto, mas em vão...

A Joana ainda não arranjou coragem para contar à família. Eu, depois de muita insistência sobre a inexistência de namorado, acabei por contar aos meus pais e à minha irmã. A princípio foi difícil aceitarem mas, aos poucos, a Joana começou a ser visita da casa.

A minha mãe sentia alguma dificuldade em ultrapassar os seus preconceitos, mas fazia um esforço, e conseguia falar comigo sem restrições. A minha irmã até achou engraçado ter uma irmã diferente, e até começou a mandar piadas, como finalmente perceber algumas atitudes de quando era mais nova. O meu pai nunca quis falar sobre o assunto. Gostava de falar comigo sobre tudo, menos sobre a minha relação com a Joana. Quando ela ia lá a casa, falava o mínimo possível, apesar de ser amável.

Conheci a Joana, na faculdade, depois de dois namoros falhados com rapazes. Eu vivia num apartamento que os meus pais compraram para mim, a Joana vivia na residência universitária feminina. Começamos a estudar juntas em minha casa, dado que na residência era impossível, e foi assim que tudo foi começando, por magia, sem que nenhuma de nós tivesse tido uma relação com outra mulher antes. No ano seguinte, ela foi viver comigo. Eu usei o pretexto de que ter alguém a viver comigo poderia ajudar nas despesas, ela conseguiu convencer os pais que na residência era impossível estudar e que arranjara um quarto barato.

Embora a nossa relação fosse bonita, havia sempre uma coisa que faltava. Eu sempre quisera ser mãe, mas como poderia sê-lo numa família não tradicional. A Joana zangava-se, e dizia que eu estava apenas a querer magoá-la, a vingar-me das saídas dela. Mas não. Era uma vontade superior. E quando a minha irmã teve o primeiro filho, fiquei ainda mais
desejosa de ser mãe.

Há cinco anos atrás, a minha vida mudou. Em mais uma das crises de identidade sexual da Joana, eu decidi que, sozinha ou não, iria ter uma filha. O Carlos ajudou-me. Ainda chegamos a colocar a hipótese de seguir o método tradicional (ainda hoje rimos sobre essa hipótese), a adopção seria um processo praticamente impossível, pelo que acabamos por conseguir arranjar forma de eu fazer uma inseminação artificial.

Engravidei. Estava eu grávida de três meses quando a Joana voltou. Apreensiva de início com a minha iniciativa individual, logo começou a viver comigo aquela emoção. Parecíamos um casal normal, à espera do primeiro filho. A minha família também acabou por aprovar e ficaram contentes com a vinda de um novo neto.

Hoje, a nossa filha Inês, nome fictício, tem quatro anos. O Carlos é o pai oficial, a Joana a madrinha oficial e o namorado do Carlos (Rui, outro nome fictício) é o padrinho oficial. O Carlos e o Rui também gostariam de ter um filho, mas para eles é mais difícil. Tornaram-se activistas dos direitos dos casais homossexuais à adopção, mas temo que não consigam atingir os seus objectivos facilmente.

A nossa filha é uma criança perfeitamente normal, muito esperta e traquinas. Tem o seu namorado na escolinha, é muito bem comportada, as educadoras gostam muito dela. E nós, tudo fazemos para que ela tenha um ambiente normal.

A Joana nunca mais saiu de casa. Acho que o facto de ser mãe a fez esquecer as dúvidas. A nossa relação está mais estável que nunca e começo a acreditar que será um daqueles amores para toda a vida.

Quanto à minha relação com Deus, ficou mais tranquila. Não sei se o que faço é pecado, se vai contra os Seus desígnios. Muito já se disse e desdisse em Seu nome. Mas sei que só consigo ser feliz assim. Acima de tudo, acredito que Deus será aquele Pai que, embora não aprove o comportamento dos filhos, terá sempre a porta aberta para os receber.


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E se o PSD e o CDS/PP concorressem coligados?

A resposta é: o PS poderia perder a maioria absoluta!

Tendo em conta os dados do STAPE, o PS tem neste momento 120 deputados, e o PSD mais o CDS/PP 84, quando faltam apurar os votos da emigração.

No caso de uma coligação pré-eleitoral (que na prática corresponde ao mesmo, já que se sabia que após as eleições os dois partidos se coligariam), o PS perderia 6 deputados para a coligação PSD+CDS/PP.

O PS apenas perdeu no distrito de Leiria e na Região Autónoma da Madeira. Caso houvesse uma coligação, perderia ainda em Aveiro, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Em relação aos deputados, perderia deputados em Aveiro, Castelo Branco, Faro, Santarém, Vila Real e Madeira, passando a ter apenas 114 deputados. Assim, estaríamos neste momento à espera dos resultados da emigração, para saber se haveria ou não maioria absoluta.

Podemos especular se a votação seria igual em caso de coligação. Parece-me que sim, dado que havia um acordo, e votar no PSD ou no CDS/PP acabava por ser a mesma coisa. Seria diferente se concorressem separados, mas sem acordo. Isso demonstra que a estratégia seguida pelos dois partidos foi completamente errada, dado que se sabe que o método de Hondt favorece coligações em vez de partidos separados. É claro que perderiam sempre, mas poderiam evitar a maioria do PS.


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Free Mojtaba and Arash Day

Este texto é só para publicitar a iniciativa do Paulo Querido, no seu blog (o vento lá fora)*, hoje com o nome "Free Mojtaba and Arash Day". Os meus parabéns ao Paulo Querido e a outros que colaborem nesta iniciativa.
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fevereiro 21, 2005

5.ª semana, 2.º dia - anedota da semana

O génio da lâmpada

Um homem, nascido em Portugal, filho de pai madeirense e mãe açoriana, encontrou uma lâmpada. Quando a esfregou, encontrou um génio. Este disse-lhe que lhe concederia um desejo (não 3, porque o país está em crise).

O homem, dada a sua proveniência, disse:
- Quero uma auto-estrada que ligue o continente, os Açores e a Madeira, para poder visitar a minha família sem ser de avião.

O génio disse, imediatamente:
- Tu estás doido? Já viste como isso fica caro? Só a burocracia toda, mais o arquitecto, o engenheiro, a mão-de-obra, os materiais... Pede uma coisa mais simples.

O homem pensou um pouco e disse:
- Bem, então há uma coisinha que eu há muito tempo quero: conhecer o pensamento das mulheres.

Responde o génio:
- Ora bem, queres a auto-estrada com 4 ou 6 vias?


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fevereiro 20, 2005

5.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

Meus caros amigos e camaradas, conseguimos, conseguimos... José Sócrates, primeiras palavras após a vitória do PS

Seria injusto que a frase da semana não fosse a do vencedor da semana, na sua declaração de vitória. Parabéns a José Sócrates pela primeira maioria absoluta do PS. Um novo ciclo começa e só resta desejar que consiga ir ao encontro da vontade das pessoas que o elegeram.


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fevereiro 19, 2005

4.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso
Hoje, também dia de reflectir

Inch Beach, perto de Dingle, Irlanda   Posted by Hello

Fotografia publicada em http://www.twdf.net/
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fevereiro 18, 2005

4.ª semana, 6.º dia - o tema livre da semana

Pontos mais e menos da campanha eleitoral

Pontos mais:
  .
.....
  .

Pontos menos:

.....


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Bola de cristal - parte II

Ontem só falei das minhas previsões em relação aos candidatos que participaram no debate da RTP. Mas agora quero falar dos dois candidatos de que se tem falado neste blog: a "Um pouco mais de azul" (Azul para os amigos) e eu próprio.

Esta primeira parte que vou revelar não é uma previsão, mas uma certeza, dado que faço parte deste acordo. Assim, resolvemos deixar de ser adversários políticos, e vou desistir da minha candidatura a Ministro a favor da Azul (agora posso chamá-la assim, dado que, depois deste acordo, passamos a ser oficialmente amigos) e, em contrapartida, se ela for chamada a ocupar algum cargo em Bruxelas, eu substitui-la-ei.

Assim, já posso prever o discurso da Azul no dia da vitória:
"Hoje é um dia feliz, dia em que o azul do céu, do mar e das flores azuis, se sobreporá ao cinzentismo político vigente. É a todos vós que agradeço neste momento de vitória.
Mas nada disto seria possível, sem a decisiva colaboração do Jorge Morais, um verdadeiro 6 em 1 na arte da política, e cujo perfil para ser Primeiro-Ministro é mais do que evidente."


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fevereiro 17, 2005

4.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Soneto por Quioto

Rios livres, rasgando os altos montes,
Barulhentos, reclamam novo mundo,
Livremente, correndo sob as pontes,
Gritam: "Terra, planeta moribundo!".

Quanta mata terá de sucumbir,
Quanta vida terá de ser perdida,
Quanta fauna terá de se extinguir,
Quanta luta terá de ser vencida?

A vontade dos donos desta Terra,
Entre muros de culpa, mal escondida,
É pensar nos motivos para a guerra.

Mas não podem calar a voz da vida,
Quanta força em nós Quioto encerra,
Ver a nossa querida Terra protegida.


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Bola de cristal

Depois de a minha campanha política de candidato a Ministro ter tido grande sucesso na blogosfera, mas este sucesso não ter tido continuidade do mundo político sério e cinzento, resolvi enveredar por uma carreira de vidente.

Assim, vou prever os discursos dos líderes partidários conhecidos.

José Sócrates:
"Esta vitória vai significar um novo rumo para o país, um país moderno, virado para a tecnologia, para o combate ao desemprego e para a retoma da confiança das portuguesas e dos portugueses.
Ficamos a apenas um voto da maioria absoluta, mas temos todas as condições para governar, e sabemos que não haverá queijos, digo, queixas da nossa governação."

Pedro Santana Lopes:
"Pela minha parte, tendo em conta tudo o que se disse nesta campanha, considero este resultado muito honroso, dando-me força para continuar a guiar os destinos deste partido, contra ventos e marés.
Quando partimos para esta campanha davam-nos cerca de 29% das intenções de voto. Nós tivemos 29,1%, o que é uma grande vitória para o PPD/PSD, por isso vamos processar as empresas de sondagem por este erro grave."

Francisco Louçã:
"O Bloco de Esquerda é o grande vencedor das eleições, tendo conseguido o terceiro lugar, feito inédito na vida do partido. Fomos nós que tiramos a maioria absoluta ao PS, porque o povo português foi da opinião que o Bloco de Esquerda deveria fazer parte do futuro governo.
Pela nossa parte, estaremos disponíveis para validar um governo estável, assente numa política de esquerda, onde os temas prementes da nossa sociedade como o aborto, os casamentos entre homossexuais e adopção de crianças por casais homossexuais, serão a nossa prioridade."

Paulo Portas:
"O Partido Popular teve uma grande vitória. Depois de todos terem dito que ficaríamos no quinto lugar, conseguimos o quarto, o que é sinal de que o povo português reconheceu o bom trabalho dos Ministros do nosso partido no governo, e que não foi por nossa culpa que o governo caiu.
Assim, o CDS/PP mostrou que continua a ser uma força viva na nossa democracia. Viva Portugal. Viva o CDS/PP. Viva a nossa pátria. Cantemos todos o hino nacional..."

Jerónimo de Sousa:
".................
..................
..................
..................
.................."


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fevereiro 16, 2005

4.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Desgoverno total

O debate de ontem deveria ter servido para os candidatos a Primeiro-Ministro, candidatos a parceiros de coligação e candidato a nem uma coisa nem outra (Bloco de Esquerda) mostrarem o que valem. O que concluí foi que, a não ser que sejamos muito optimistas ou que haja uma intervenção divina (apesar acreditar mais na versão da anedota da semana), estaremos sempre perante um desgoverno total.

O debate acabou por ser apenas a quatro, devido à falta de voz de Jerónimo de Sousa. Numa altura em que há uma luta pelo 3.º lugar, este incidente pode ter custado alguns votos a Jerónimo de Sousa, que precisava de aparecer como um candidato forte, capaz de fazer esquecer Carlos Carvalhas (já que é impossível fazer esquecer Álvaro Cunhal).

Passando aos candidatos a Ministro. Em relação a estes dois, tirando o factor positivo de se terem evitado os irritantes boatos, não houve nada de novo. Quem viu o debate a dois, não perdeu nada se desligou o som da televisão enquanto José Sócrates e Pedro Santana Lopes falavam. O primeiro não concretizou quase nada, parecendo apostar numa estratégia de se comprometer o menos possível em relação ao eleitorado. O segundo tentou fazer-nos acreditar que a culpa era (uma pausa para evitar rir-me) da pesada herança deixada pelo Partido Socialista (pronto, desmanchei-me a rir).

Mais positiva foi a presença de Paulo Portas e Francisco Louçã. O primeiro mostrou, mais umas vezes, a sua capacidade verbal, chegando a brilhar ao falar sobre a reabilitação das oficinas do exército, que o PS quereria fechar enquanto governo de gestão. Também foi convincente (embora aqui as suas afirmações sejam anedóticas para quem percebe um pouco de estatísticas) quando afirmou que uma subida do CDS/PP retiraria a maioria absoluta ao PS.

Quanto a Franscisco Louçã, conseguiu apagar a má imagem deixada aquando da polémica com Paulo Portas a propósito do aborto. Conseguiu passar algumas ideias interessantes, relativamente às políticas de incentivo ao emprego, e acabou por ser o portador do grande trunfo do debate: uma isenção fiscal concedida pelo actual governo ao Grupo Santander, tendo ainda sobrado para o PS, que teria feito o mesmo durante o seu governo.

A haver um vencedor, seria Francisco Louçã, pela forma como soube deixar para trás as polémicas passadas e dar uma imagem séria. Paulo Portas ficaria em segundo lugar, porque deu a entender que o que foi mau no governo não era da sua responsabilidade.

Do lado dos derrotados, Jerónimo de Sousa arrisca-se a ficar em quinto lugar nestas eleições, por não ter podido mostrar ideias. Pedro Santana Lopes arrisca-se a ficar abaixo do resultado das europeias. E José Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta.

Assim, e pegando no título deste comentário, quando num debate a quatro, quem parecem mais preparados para governar são os líderes que não são candidatos a Primeiro-Ministro, e que os verdadeiros candidatos demonstraram uma gritante fraqueza de argumentos (mais valia ficarem-se pelo debate a dois, sem a primeira parte sobre boatos), notamos que o país parece condenado a um desgoverno total.


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fevereiro 15, 2005

4.ª semana, 3.º dia - a história da semana

O abrigo

Era eu pequeno, ainda não andava na escola, vivia numa casa afastada da povoação, quando via passar a D. Emília, levando as ovelhas para o monte. Com ela ia Inês, a menina da trança, morena de olhos negros. Diziam que era filha de um cigano que passara por aquelas redondezas, mas a mãe nunca revelou quem era o pai. De vez em quando ia com elas, quando a minha mãe tinha que ir a algum lado sem mim.

Entramos no mesmo ano na escola, éramos os melhores amigos. Os outros miúdos diziam que éramos namorados. Por vezes, chamavam-lhe cigana, e eu, furioso, defendia-a. Ainda hoje guardo algumas cicatrizes desses tempos.

Acabada a instrução primária, cada um foi para a sua escola (eu para a preparatória da cidade, ela para a telescola). Mas, acabada a escola, juntávamo-nos e continuávamos os melhores amigos do mundo.

Depois, enquanto eu fui para a escola secundária, ela emigrou com a mãe para França. Perdi a minha amiga predilecta durante quase todo o ano mas, chegado o mês de Agosto, matávamos todas as saudades.

Enquanto os anos passavam, fomos crescendo e a nossa amizade também, começando a transformar-se em algo mais, se bem que continuasse a ser uma relação de amizade. O amor, esse era platónico.

Até que um dia, tínhamos ambos 18 anos, ia eu entrar na Universidade e ela ia voltar para França, fomos até ao monte onde ela guardara ovelhas. E, acreditem ou não, foi a primeira vez que os nossos lábios se juntaram num longo beijo, no abrigo onde tantas vezes nos abrigáramos da chuva e do vento.

Esta foi a última vez que nos vimos durante 15 longos anos. Escrevemo-nos durante algum tempo, mas ao fim de ano e meio as cartas pararam de circular. Já não me recordo quem escreveu a última, mas elas pararam. Ela tinha começado a trabalhar e não tinha férias em Agosto, pelo que nos deixamos de ver. Depois, também deixou de vir a Portugal.

Fui sabendo notícias pela minha mãe, ao mesmo tempo que as nossas vidas iam decorrendo. Ela juntou-se com um francês, e já tinha uma filha. Eu também acabei por casar e ter uma filha. Chamei-lhe Inês.

15 longos anos depois, já formado e de volta à minha terra, ela voltou, com a filha e com o seu companheiro. Evitei encontrá-la durante vários dias. Mas, no dia da festa foi impossível evitar. Os olhos fixaram-se e não mais se largaram, mesmo que disfarçassem a cumplicidade.

A minha mulher, fruto da cidade, e o seu "franciú", tipo empertigado, não eram dados a estas festanças, e acabaram por abandonar a festa mais cedo. Foi o pretexto para a convidar para dançar. E dançamos toda a noite, sem cessar. Falamos de tudo e mais alguma coisa, mas ficou tanto por dizer... Acabou a festa. Cada um foi para o seu lar. Desejamos felicidades um ao outro, pensado que não nos veríamos mais nesse Verão.

No dia seguinte, fui até ao monte, impelido por uma vontade estranha. Lá estava ela, recordando outros tempos. A paixão foi mais forte, esquecemos o mundo e, naquele abrigo, entregamo-nos, mutuamente, desvairadamente, como se o mundo fosse acabar.

O resto do Verão subimos o monte sempre que pudemos. Quando um de nós ficava sozinho deixava uma marca numa fraga existente ao lado do abrigo. E sempre que nos encontrávamos, o mundo parava.

Até que veio o dia da despedida. Sabíamos que tinha sido um Verão lindo, mas as nossas vidas continuavam. Chorámos juntos, mas prometemos que guardaríamos sempre aquele Verão.

No Verão seguinte, ela voltou. Pediu-me que fosse visitá-la ao abrigo. Fui, sem saber o que me esperava. Ela disse que decidira voltar de vez. Fiquei perplexo.

Ouvi um choro lá dentro. Ela disse:
- Deve querer conhecer o pai.

O meu coração bateu acelerado, enquanto ela voltava com um bebé pequeno nos braços. Fiquei sem saber o que fazer, o tempo parou, naquele abrigo, onde o tempo sempre parara.

Este dia marcou uma reviravolta na minha vida. Ela não me exigiu nada, só queria que eu soubesse que o nosso amor tinha dado frutos. Mas eu não podia deixar que, tal como a mãe, o filho não soubesse quem era o pai. E acima de todos os problemas e inconvenientes que esta situação viria a causar, o amor teria sempre que vencer, ou não seria verdadeiro. Ali, no abrigo, não havia dúvidas...


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Se os políticos fossem animais irracionais, o que seriam?

No seguimento da definição do perfil exigido a um Primeiro-Ministro, discutido, neste blog, nos últimos dias, estou a fazer uma sondagem, que será, necessariamente, alvo de processo judicial, dado que a probabilidade de ocorrer é, (in)felizmente, muito reduzida. Assim, se os políticos candidatos a Primeiro-Ministro (apenas os com hipóteses de chegarem ao lugar) fossem animais irracionais, o que seriam e porquê?

Candidatos:


  1. José Sócrates

  2. Pedro Santana Lopes

  3. Um pouco mais de azul

  4. Jorge Morais (eu)

Fico a aguardar, usem os comentários (não há dinheiro para uma sondagem a sério)...


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fevereiro 14, 2005

4.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Governo

George W. Bush, Vladimir Putin e Pedro Santana Lopes subiram aos céus. Pediram para falar com Deus, dado que queriam saber a resposta a uma questão que os inquietava.
Pergunta George W. Bush:
- Deus, quando é que o meu país vai conseguir ultrapassar a crise em que estamos?
Deus responde:
- Não será durante o teu governo. Talvez no próximo.
Putin faz a mesma pergunta. Deus responde:
- Não será durante o teu governo, nem durante o próximo. Talvez a seguir.
Santana Lopes acaba por também fazer a mesma pergunta. Deus responde:
- Não será durante o Meu governo.


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fevereiro 13, 2005

4.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

Hoje havia 3 frases candidatas, da mesma pessoa, e não consegui escolher uma. O autor é Nuno Fernandes Thomaz, Secretário de Estado dos Assuntos do Mar, e foram proferidas durante um comício do CDS/PP em Santarém. Por isso, ficam as 3 como frase da semana:
  1. Vou a Fátima, vou a umas toiradas, vim ver uns amigos, mas nada mais. Nuno Fernades Thomaz explicando a sua ligação profunda ao distrito de Santarém, onde é cabeça de lista.
  2. Gostava de ir à praia e andar de barco, nada mais. Nuno Fernandes Thomaz, explicando que tal como caiu de pára-quedas em Santarém também já tinha caído de pára-quedas na Secretaria de Estado dos Assuntos do Mar
  3. Temos que construir o Museu da Bíblia no norte e no sul um parque temático como a Eurodisney. Nuno Fernandes Thomaz anunciando duas grandes promessas para o distrito de Santarém.
Alguém consegue decidir qual a melhor frase?
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Candidatura a Ministro - parte II

Chamou-me a atenção a Lucília Nunes, do excelente blog "Conversamos?!", que faltavam alguns Ministérios e que teria caído a Inovação no MCIES.

Quanto a isto, devo dizer que a Inovação caiu porque nunca existiu, isto é, perdeu por falta de comparência. Também não falei dos Assuntos do Mar, dado que mandar navios de guerra amedrontar um barquinho qualquer um pode fazer.

Em relação aos outros Ministérios foram omitidos porque já têm dono:
Ministério das Actividades Económicas e Trabalho - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério dos Negócios Estrangeiros - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério da Justiça - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério das Cidades e Administração Local - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério da Segurança Social, Família e Criança - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".
Ministério do Turismo - Luís Aguiar-Conraria, blog "A destreza das dúvidas".

Sim, é verdade, depois de ter ganho todos os prémios Fronteiras de Ouro do ano passado, saiu do anonimato, tendo já garantidos estes postos, independentemente de quem vier a governar. O facto de se encontrar nos Estados Unidos não é problema, devendo governar directamente através do seu blog, sendo os assuntos confidenciais tratados por SMS.


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Candidatura a Ministro

Decidi candidatar-me a um dos lugares de Ministro no próximo governo, seja ele qual for. Serve qualquer Ministério, dado que posso provar que tenho perfil para qualquer um deles.

Ministro da Ciência e do Ensino Superior: esta é fácil, estou mesmo no ramo.
Ministro da Educação: sei dizer "obrigado".
Ministro da Saúde: tenho feito muito trabalho de campo (gripes, constipações, etc...).
Ministro das Finanças: estudei a minha repartição durante horas.
Ministro da Economia: tenho algumas.
Ministro da Defesa: já fui algumas vezes à feira.
Ministro da Indústria: é uma discoteca do Porto, já lá fui.
Ministro dos Transportes: uso.
Ministro do Desporto: abuso.
Ministro da Cultura: ainda não li "O Código Da Vinci".
Ministro do Ambiente: separo o lixo.
Primeiro-Ministro: sou muito sexy...


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fevereiro 12, 2005

3.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Varandas de Chaves   Posted by Hello

Uma das 100 fotos da cidade de Chaves em www.cm-chaves.pt/fotos_.htm
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fevereiro 11, 2005

3.ª semana, 6.º dia - o tema livre da semana

Copiar - património nacional

Penso que não será necessário voltar a contar a história sobre a forma como a Universidade de Helsínquia decidiu não aceitar mais estudantes provenientes da Universidade do Porto (para quem ainda não leu a história, pode faze-lo aqui). Parece-me, e penso que será essa a ideia generalizada apesar de já ter ouvido opiniões contrárias, que a acção presumivelmente errada de um aluno (ou de outros que anteriormente já possam ter feito o mesmo) não deverá prejudicar a imagem dos outros, nem prejudicar a intenção de outros alunos que gostariam de estudar em Helsínquia nos próximos anos. Mas não é disso que quero falar aqui. Quero falar do património nacional que é a "arte" de copiar.

Existem várias desculpas para um aluno copiar:


  • era muita matéria, era impossível saber aquilo tudo;

  • se eu reprovasse a esta cadeira, reprovava o ano todo;

  • eu nunca vou fazer esta cadeira sem um auxiliar de memória.


A lista seria infindável. Existem ainda os alunos que nem sequer se preocupam em arranjar desculpas. Copiam, porque sempre o fizeram e poucas vezes foram apanhados. E quando o foram, só tiveram a chatice de ter que ir outra vez a exame e, obviamente, esconderam melhor o copianço.

Assim, copiar pode ser considerado património nacional, tal a frequência com que este acto se pratica no nosso país. E para o crime, pois é de um crime que se trata, não há, de uma forma geral, castigo. Não admira que os estudantes portugueses se surpreendam com a visão finlandesa acerca deste acto.

Em Portugal, na maioria dos casos, o aluno é apenas expulso da sala e pode fazer exame na época seguinte. Em alguns casos, nem é expulso: anexa-se o copianço ao exame, e só se anula as perguntas que constavam do mesmo. Até agora, o regulamento mais severo que vi foi o da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde um aluno que seja apanhado a copiar era imediatamente expulso da sala, o exame anulado e não se podia inscrever na disciplina no ano lectivo seguinte. Não sei se ainda se mantém este regime em vigor, nem sei se existem outros semelhantes noutras escolas.

Mas o caso mais frustrante que eu já tive conhecimento, passou-se numa instituição do ensino superior da qual não vou revelar o nome. Um aluno, bom aluno, já tendo sido aprovado a uma disciplina, foi fazer o exame na vez de outro colega. A professora, conhecendo o aluno, dado que era um bom aluno, pensou que ele tinha ido fazer melhoria. Achou estranho não encontrar o nome do aluno e facilmente descobriu o que se tinha passado, comparando as caligrafias.

A professora denunciou a situação ao órgão próprio da escola, que agiu disciplinarmente, expulsando os dois alunos da escola. E o que é que aconteceu aos dois alunos?

O bom aluno, foi para uma instituição privada, onde não perdeu o ano dado que lhe deram equivalência às disciplinas em que tinha sido aprovado. O outro, voltou a entrar, no ano seguinte, na mesma instituição.

É preciso dizer mais alguma coisa?


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O teu desenho

o desenho do poema de ontem   Posted by Hello
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Malditos bancos...

Porque é que alguns bancos têm que fechar às 3 horas em ponto? E se uma pessoa chega 1 minuto ou 2 depois, já não nos abrem a porta?

Será que eles não sabem que uma pessoa, para tentar chegar a horas, arrisca-se a bater com um frágil automóvel num possante jipe, ficar sem um farol e com a frente amolgada, enquanto o jipe fica com apenas algumas arranhadelas? Vou mais longe: não deveriam impedir os jipes de andar nas nossas estradas perto da hora de fecho dos bancos?

E agora pergunto: porque é que nenhum partido colocou esta questão no seu programa eleitoral? Serei eu o único português a preocupar-se com este flagelo da sociedade portuguesa?

Espero sinceramente que o candidato Pedro Santana Lopes obrigue, tal como fez com a questão dos casamentos homossexuais e da adopção de crianças por estes, o candidato José Sócrates a pronunciar-se sobre o flagelo da hora de fecho dos bancos e da sua recusa em aplicar a lei da tolerância aos minutinhos de atraso em vigor na sociedade portuguesa.

P.S. Já agora, se alguém souber de um mecânico baratinho na zona do Porto, agradeço...


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Ensino Superior - Despedimentos em massa na Escola Superior Agrária de Castelo Branco?

O texto abaixo foi-me enviado por uma leitora deste blog. Está também publicado na página do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup).

Sendo o segundo texto que publico vindo do SNESup não posso deixar de esclarecer, antes de transcrever o texto, o seguinte:


  • este blog não é um blog de publicidade ao SNESup;

  • se houver outros textos de outros sindicatos, também poderão ser publicados;

  • se algum leitor quiser enviar um texto de opinião relativamente a temas do ensino superior, pode fazê-lo, que ele será publicado (desde que dentro de limites de tamanho razoáveis).


"Despedimentos em massa na Escola Superior Agrária de Castelo Branco?

Alguns sócios do SNESup fizeram chegar à Direcção do Sindicato as suas preocupações pelo facto de o Conselho Científico da ESACB ter elaborado um anteprojecto de distribuição de serviço docente para o próximo ano lectivo de 2005/2006, o qual parece prever o despedimento de 16 dos 32 assistentes da Escola.

Na sequência dessas preocupações realizou-se uma reunião de esclarecimento entre o Director da ESACB e o Presidente da Direcção do SNESup e uma reunião da Secção Sindical do SNESup na ESACB alargada a todos os docentes interessados.

Registamos com agrado as preocupações também manifestadas pelo senhor Director da ESACB relativamente às perspectivas de despedimento de docentes e a sua vontade em promover iniciativas que visem a resolução dos problemas orçamentais existentes, nomeadamente pela oferta de novas alternativas de formação e a sensibilização do Instituto Politécnico de Castelo Branco para a especificidade da ESACB e a necessidade de reconhecer o esforço de formação de docentes que tem sido promovido pela Escola. Foi decidido manter os contactos entre a Direcção da Escola e o SNESup para análise do evoluir deste processo.

Na Reunião da Secção Sindical participaram cerca de 30 docentes. Foram analisadas as diferentes informações sobre a intenção do Conselho Científico em não renovar os contratos a cerca de 16 docentes. Foi chamada a atenção para o facto de a ESACB ter, segundo o critério de alunos/docente ETI, apenas um docente em excesso. Foi ainda referido o facto de o CC não cumprir a Lei nº 1/2003 e a passividade de alguns membros do CC perante a necessidade de aprovar novos projectos e propostas formativas. Foi decidido recusar que fosse definido qualquer critério conducente ao despedimento de docentes, uma vez que se trata de docentes de carreira, a grande maioria com mais de 6 anos de serviço e alguns com bolsas PRODEP de doutoramento. Foi ainda decidido criar uma Comissão de docentes, integrando os delegados sindicais do SNESup, a qual iria solicitar reuniões com o Director da ESACB e o Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, para exigir a resolução da problema orçamenta l da ESACB, sob pena de Escola ficar impedida de cumprir a sua missão, designadamente a conclusão de inúmeros projectos de investigação/prestação de serviços desenvolvidos pelos assistentes da Escola.

O SNESup continuará a acompanhar com preocupação a situação na ESACB, escola que tem seguido uma política correcta de formação de docentes, contando com 16 doutores e 51 mestres nos 86 docentes ao seu serviço. Não podemos deixar de denunciar, que a grande maioria dos assistentes que obtiveram o grau de mestre estão a ser obrigados a passar à condição de docentes convidados para evitar o desemprego. Urge resolver o problema do bloqueamento de carreira que se verifica na generalidade dos Institutos Politécnicos, porque, ao contrário do ensino universitário, os assistentes de carreira não ascenderem automaticamente à categoria de professor-adjunto logo que obtenham as habilitações requeridas pelo ECPDESP.

Pela Direcção

O Presidente da Direcção

9-2-2005"


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fevereiro 10, 2005

Eu prometo...

Não, não se trata de mais uma promessa em plena campanha eleitoral. É uma promessa séria. Ei-la:

Este texto vai ser substituído pelo desenho a que se refere o poema da semana! Só não foi colocado hoje, porque o scanner não funcionou... @#£$§%&


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3.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

O teu desenho

O teu desenho
Tem a força da esperança,
Do teu génio de criança,
Do teu mais puro engenho.

O arco-íris, as nuvens, o sol,
Chuva no horizonte,
O rio a correr do monte,
A passo de caracol.

Três peixes nadam em fila,
Maria nas mãos segura
Laranjas cheias de frescura,
De sandálias pisando a argila.

A árvore na outra margem,
De laranjas carregada,
De ervas altas rodeada,
Faz merecer a passagem.

Quase quatro anos depois
Do dia em que ao mundo vieste,
Este lindo desenho fizeste,
Estando sozinhos nós dois.


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fevereiro 09, 2005

Revolução tranquila

Aos poucos, os amigos da blogosfera vão substituindo os links para o "Ensino Superior em crise" para este blog. O "Que Universidade?" foi o primeiro que eu soube, o "Professorices" também já fez o mesmo, não sei se mais alguém o fez (o "outrOOlhar" e o "A destreza das dúvidas" já tinham colocado anteriormente, ainda com o nome "6 em 1").

Entretanto, fui actualizando as minhas referências a outros blogs que fui conhecendo. Nuns tenho passado sem comentar. Noutros, especialmente os que compõem o "Meta-Blog do Ensino Superior", costumo comentar mais vezes.

Recentemente (apesar da sua já longa existência e de já ter visto a autora a comentar noutros blogs) descobri um blog interessante, muito pessoal e intimista, onde costumo passar e comentar diariamente. Chama-se "Um pouco mais de azul" e é semelhante àqueles cafés onde nos sentamos e conversamos sem ser necessariamente sobre coisas sérias, e muitas vezes encontramos pessoas com quem temos afinidades até então desconhecidas. Está na minha lista de imprescindíveis (apesar de este blog não constar da sua lista), mesmo que não seja sobre Ensino Superior. Até porque o Ensino Superior não é tudo na vida.

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Ensino Superior - Concurso polémico anulado

Transcrevo o comunicado que recebi do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), a quem dou os parabéns por esta iniciativa em defesa da transparência nos concursos de docentes:

"SNESUP OBTÉM ANULAÇÃO DE CONCURSO POLÉMICO

Segundo comunicação que recebemos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria foi anulado o concurso aberto através do edital publicado em 22 de Dezembro com o nº 2 010/2004, concurso para uma vaga de Professor Adjunto da disciplina de Electroquímica e Corrosão, em que se colocava como condição de admissão ser licenciado em Química, especialidade Química Alimentar e, bem assim, deter mestrado ou doutoramento em Química dos Processos Naturais, com especialização em Compostos Heterocíclicos.

Queremos aqui deixar os nossos agradecimentos

- aos colegas que nos alertaram para a situação através do endereço transparencia@snesup.pt;

- à comunidade científica da área de química, em particular à Sociedade Portuguesa de Química, pela colaboração que dela recebemos com vista às diligências que vínhamos desenvolvendo.

Vamos agora solicitar a esta mesma Escola do Instituto Politécnico de Leiria

- a anulação do concurso aberto pelo edital publicado em 30 de Dezembro de 2004 com o nº 2 026/2004 (2 ª série) para uma vaga de Professor Coordenador na disciplina de Física Aplicada às Comunicações, em que se colocam como condições de admissão ao concurso, o vínculo à função pública e o grau de Doutor em Física com investigação do domínio da interacção da radiação com a matéria e suas aplicações em imagiologia com Raios X e gama;

- o integral cumprimento da Lei nº 1/2003, de 6 de Janeiro, na parte que define a composição dos Conselhos Científicos das instituições de ensino superior politécnico.

Saudações académicas e sindicais
A Direcção do SNESup

em 9-2-2005"


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3.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Diz que disse

Hoje não vou falar sobre os programas dos partidos para o ensino superior, dado que já o fiz recentemente aqui, nem sobre o debate, também já comentado aqui. Vou falar apenas da campanha.

A campanha eleitoral consegue ser ainda pior do que alguma vez imaginei. Tinha a expectativa que o PS iria tentar passar uma imagem de mudança e de capacidade de governar. O PSD, por outro lado, iria investir na imagem de governação de rigor, numa fase difícil do país, eventualmente tentando fazer crer que a decisão do Presidente da República foi injusta. O CDS/PP iria voltar a percorrer as feiras e a prometer acabar com as pensões de miséria. O PCP continuaria a apostar na sua doutrina marxista-leninista, embora piscando o olho ao PS. O Bloco de Esquerda iria ser o animador com os seus temas de campanha polémicos.

O primeiro sinal do que estaria para vir foi o início dos boatos sobre a vida privada dos principais candidatos a Primeiro-Ministro. O líder do PS não desmentiu logo, e muito bem, dado que ninguém é obrigado nem a falar da vida privada nem a dar crédito a boatos. Por outro lado, o PSD teve uma atitude de não comentar directamente, mas sempre dando a entender que era por não querer falar da vida privada do líder da oposição, não por considerar os boatos infundados. Parecia, pelo tom, que queria deixar passar a mensagem que o boato era verdadeiro, mas que não comentavam por causa de ser um tema privado. Depois vieram as afirmações sobre "os colos" de cada um, e o desmentido em pleno debate por parte de José Sócrates. No cômputo geral, foi uma fase lamentável do processo eleitoral.

Comecei logo por notar que o PSD tinha importado os ensinamentos das eleições norte americanas, com uma campanha negativa de cartazes, com ataques directos aos adversários, semelhantes aos do Bloco de Esquerda mas com menos humor. O que é que se depreende daqui? Que o PSD não quer falar sobre a sua governação, antes preferindo desacreditar o seu adversário. No entanto, parece-me que os cartazes se acabaram por se virar contra o PSD: Sócrates nunca foi Primeiro-Ministro, Santana Lopes ainda é, e todos sabemos o que fez, conforme refere o cartaz, e o panorama não é nada bom.

Depois, quando Santana Lopes era acusado de fazer nomeações enquanto governo de gestão, vieram as célebres acusações sobre o facto de José Sócrates ter feito o mesmo. O desmentido, o contra-desmentido, a exigências de pedidos de desculpa, tudo augurava uma campanha deplorável. Agora, repete-se a história: Santana Lopes teria trocado o carro por um "Falcon" para fazer campanha escondido sob a capa de Primeiro-Ministro. A resposta foi que Sócrates tinha feito o mesmo, em 2001, em plena campanha para as eleições autárquicas. Sócrates já desmentiu. Mas mesmo que fosse verdade, as situações não são comparáveis: Sócrates não era candidato a essas eleições e era Ministro de um governo que não estava em gestão.

Pedro Santana Lopes, depois das facadas que se afirma ter levado nas costas, parece ter uma propensão para a auto-mutilação política. Até agora, parece estar sozinho na campanha, com poucos elementos do PSD a quererem aparecer na fotografia ao seu lado. Com esta atitude, dificilmente inverte este afastamento. Parece um líder a prazo, tal como Marcelo Rebelo de Sousa foi (mas durante mais tempo), estando os outros nomes do partido à espera do momento certo para avançar.

José Sócrates, por outro lado, parece que só tem que aproveitar as escorregadelas e quedas estridentes do seu adversário para alcançar o seu desejo de maioria absoluta. Aos poucos, já se apercebeu que nem precisa de se esforçar muito, nem dramatizar excessivamente (nos primeiros tempos exagerou-se nas exigências de pedidos de desculpas). Infelizmente, isto pode ser sinal de uma menor discussão de temas de interesse. Mas terá que partir do PSD a mudança de atitude, o PS só está a aproveitar (muito bem) as debilidades do adversário.

Era bom que se acabasse de vez com este "diz que disse" que não leva o país a lado nenhum. Já nos bastam, para pontos negativos, a entrada em força do moralismo eclesiástico na campanha, a propósito da alteração à lei do aborto (para não falar do contra-moralismo surpreendente de Francisco Louçã). O mais surpreendente é que esta intromissão do clero na campanha consegue ter mais impacto mediático do que as posições do CDS/PP, PCP e Bloco de Esquerda, cujas campanhas que normalmente marcam pela diferença, são completamente apagadas pelo rumo que a campanha tomou.


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fevereiro 08, 2005

Um novo rumo

Para quem não sabe, tenho outro blog, chamado "Ensino Superior em crise". Sendo o nome muito restrito, resolvi criar este blog, para aqui poder divagar um pouco mais e escrever sobre outros temas que me interessam. É que escrever apenas sobre o ensino superior acaba por ser pouco estimulante.

Hoje, não sei se por ter escrito sobre milagres ou por ser Carnaval, tive daqueles momentos em que uma ideia fulminante me atingiu. Assim, decidi dar um novo rumo ao "6 em 1", agora rebaptizado como "6 em 1 & algo +":


  • além do sistema 6 em 1, onde em cada dia colocarei um texto sobre o tema do dia, vou escrever o que me apetecer sempre que me apetecer; os temas do dia manterão a forma dos títulos actuais, os outros textos terão um título livre;

  • acabei com o blog Ensino Superior em crise, apesar de manter os textos que lá existem, passando agora os textos sobre ensino superior a ser escritos em formato livre, sendo o título iniciado por "Ensino Superior".

Desta forma, espero poder satisfazer os leitores de ambos os blogs, e também escrever mais livremente. Voltem sempre.


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3.ª semana, 3.º dia - a história da semana

Nosso Senhor dos Milagres

António, o mais velho de 8 irmãos, há muito tempo que não via a cruz de Nosso Senhor dos Milagres, gasta pelo tempo rude dos montes. A crença nos seus poderes, quando era pequeno, tinha-se desvanecido com o passar do tempo.

Quase chegado aos 40 anos, não tinha conseguido realizar os seus sonhos de menino, os mesmos que pedira enquanto depositava a esmola, na caixa em frente da cruz. Agora pediam-lhe que pintasse a imagem de Nosso Senhor dos Milagres na cruz, de modo a devolver-lhe os traços que o vento apagara.

Recordava o ponto de viragem na sua vida. Aos 14 anos, quando estudava e sonhava ser arquitecto e pintor, o pai morreu. Ele, irmão mais velho, teve que abandonar os estudos e tornar-se o chefe da família.

No cemitério, entre as lágrimas e gritos, levou aos lábios um punhado de terra e, antes de a arremessar para cima do caixão, jurou que não deixaria a família passar necessidades.

Hoje, sentia que tinha cumprido o seu dever. 3 irmãos tinham optado por emigrar, e estavam bem na vida, 2 tinham-se dado bem nos negócios, outro dava aulas de matemática e o último tinha concluído o seu sonho: o curso de arquitectura. Foi a sua maior alegria.

Ele, tinha tomado conta das terras e do gado do pai. O gosto pela pintura ficara, era considerado o artista da terra. Não expunha em grandes galerias, mas pintara as paredes da taberna, o muro do Sr. Torcato, até o Santo António da entrada do Sr. Amaro. Mas a obra mais bela era o retrato da sua mãe, exposto na nova casa da família, que ele próprio arquitectara. Doeu-lhe, quando teve que ser um arquitecto a assinar o projecto, mas era a sua casa.

Agora, era Nosso Senhor dos Milagres que tinha de pintar. Atirou-se ao trabalho como uma missão que tinha de cumprir rapidamente. Apenas não tinha recusado pintar Nosso Senhor dos Milagres porque sabia que a mãe ficaria muito triste caso recusasse. E agora, que os médicos lhe davam poucos dias de vida, não a queria contrariar.

Terminado o trabalho, instintivamente, fez o sinal da cruz. Nosso Senhor dos Milagres estava como novo, resplandecente. Mas não havia tempo a perder, não queria estar longe quando a mãe abandonasse o mundo dos vivos.

Os dias passaram, a mãe melhorou. Foi Nosso Senhor dos Milagres, afirmou a mãe. O padre fez eco do milagre. Milhares de crentes rumaram até à cruz. António, não sabia no que acreditar, mas a sua arte era agora mais apreciada do que qualquer pintura exposta numa grande galeria. Quer acreditasse quer não, tinha que agradecer esse facto a Nosso Senhor dos Milagres.


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fevereiro 07, 2005

3.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Cuidado com as respostas aos inquéritos

MULHER: Se eu morresse, casavas outra vez?
MARIDO: Claro que não!!!
MULHER: Não? Porquê? Não gostas de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!!!
MULHER: Então porque é que não casavas de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: Casavas?
MARIDO: Sim...
MULHER: E dormirias com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que tu querias que nós dormíssemos?
MULHER: E substituirias as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não.
MULHER: Como podes ter a certeza?
MARIDO: Ela não conduz...


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fevereiro 06, 2005

3.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

It's fun to shoot some people. Lt. Gen. James Mattis

Sem comentários. Para saber mais, ler aqui.

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fevereiro 05, 2005

2.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Serra da Estrela   Posted by Hello

Foto publicada no site www.motocadia.pt
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fevereiro 04, 2005

2.ª semana, 6.º dia - o tema livre da semana

Ontem, na SIC, houve uma oportunidade para os indecisos poderem dissipar as suas dúvidas: o debate entre Pedro Santana Lopes e José Sócrates. Hoje, no tema livre, vou falar sobre este debate, dado que, como eleitor, segui atentamente o debate.

Tendo em conta o tom dos últimos dias de campanha, estava expectante quanto ao nível que o debate iria ter. E comecei, desde logo, a ficar decepcionado, quando durante mais de 20 minutos se falou sobre o tema mais desinteressante da campanha: os boatos. A diferença é que, desta vez, a culpa foi dos jornalistas.

Passado este reparo, passemos à apreciação dos candidatos. De um lado, José Sócrates, confiante, do outro lado, Pedro Santana Lopes, batalhador. Sem dúvidas que, tendo em conta os resultados das sondagens, este debate era mais importante para Santana Lopes do que para Sócrates. José Sócrates pode ter abusado do excesso de confiança, mas mostrou estar bem preparado para ser Primeiro-Ministro. Pedro Santana Lopes, por seu lado, parece preferir seguir o exemplo da campanha dos Estados Unidos, onde John Kerry acabou por perder alguma da credibilidade e, na dúvida, os americanos acabaram por preferir manter George Bush.

Se compararmos as tarefas dos dois candidatos, José Sócrates tem uma tarefa mais difícil: tem que provar que vai ser um bom Primeiro-Ministro, que vai conseguir tirar o país da actual situação de depressão colectiva. Pedro Santana Lopes tem contra si a forma como o governo terminou. No entanto, ao colocar as culpas em Jorge Sampaio, devido à sua ligação ao PS, e ao tentar demonstrar que José Sócrates não fará nada de diferente daquilo que ele fez, é possível que consiga ir buscar algum eleitorado mais receoso.

Lembro, para todos os efeitos, a última campanha, com Durão Barroso contra Ferro Rodrigues. Durão Barroso partia com as portas escancaradas para a maioria absoluta, dada a forma como o António Guterres se demitiu. Ferro Rodrigues, eleito rapidamente após a demissão de Guterres, conseguiu contrariar essa tendência, muito por culpa da falta de credibilidade que Durão Barroso demonstrou, por exemplo, nas explicações sobre o choque fiscal (que acabou por ficar na gaveta). O PSD acabou por ficar aquém dessa maioria, e teve que fazer a coligação com o CDS/PP.

José Sócrates corre esse risco. As actuais sondagens dão-lhe a maioria absoluta. Mas se Pedro Santana Lopes conseguir fazer passar a sua mensagem, essa maioria pode desaparecer. Os últimos dias da campanha serão fundamentais. Assim como será fundamental a forma como José Sócrates conseguirá, ou não, contraria a campanha de Pedro Santana Lopes.

Na minha opinião pessoal, gosto mais do estilo positivo da campanha de José Sócrates, mostrando o seu programa eleitoral, falando dos problemas que interessam ao país. Pedro Santana Lopes, por outro lado, está a fazer uma campanha negativa, uma campanha do medo, tentando falar de temas incómodos para um PS que tem que conquistar o eleitorado de centro.

De certa forma, penso que o resultado destas eleições vai mostrar a maturidade dos eleitores. Será que o medo vai imperar sobre os projectos? Será que a campanha negativa do PSD se vai sobrepor à campanha do PS? A resposta não é óbvia. Eu gostaria que o PSD mudasse para uma campanha mais positiva, de forma a que pudéssemos escolher o futuro Primeiro-Ministro com base em factos e não no medo.

A última questão é: quem ganhou o debate?

Eu diria que José Sócrates ganhou o debate, pela forma positiva como o encarou. Conseguiu passar a imagem de segurança, confiança e conhecimento dos problemas do país, mostrando perfil para ser Primeiro-Ministro.

Por outro lado, Pedro Santana Lopes sobreviveu, embora usando uma táctica mais negativa. No entanto, mostrou que está habituado às câmaras de televisão, especialmente na declaração final, e pode convencer o eleitorado mais receoso. Se isso chegará para retirar a maioria absoluta ao PS, só o saberemos no dia 20 de Fevereiro.


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fevereiro 03, 2005

2.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Tu

Tu
Entraste na minha vida,
De rompante,
Sem pedir,
Sorrindo,
Alegremente,
Com esse semblante
Lindo,
Uma semente
Que começou,
Imediatamente,
A florir,
E foi assim,
Que em mim,
O amor entrou.

Muita água pode passar,
Ventos e tempestades soprar,
Mil enganos nos atormentar,
A vida toda mudar,
Mas tu,
Dentro de mim,
Vais sempre ficar...


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fevereiro 02, 2005

2.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

O ensino superior nos programas eleitorais

Estive a ler os programas eleitorais dos candidatos às eleições legislativas que actualmente têm assento parlamentar, com especial incidência no que concerne ao ensino superior (reflexo da minha actividade como docente universitário).

Para começar, realço o facto de o CDS/PP ainda não ter disponível (pelo menos que seja do meu conhecimento) o seu programa eleitoral na sua página. A própria lógica seguida pelo partido de primeiro apresentar os ministros e depois o programa pareceu-me francamente infeliz. Deu-me a entender que o partido ainda não tem ideias consolidadas sobre o que quer para o país relativamente ao ensino superior. Fica-se por declarações a roçar a pura demagogia sobre a necessidade de acabar com os cursos que geram licenciados desempregados. Parece que o CDS/PP só estudou o programa para as áreas onde ambiciona poder fazer parte do governo, e o ensino superior não é uma delas.

(Nota: sobre o programa do CDS/PP, ver adenda no fim do texto.)

Se olharmos para os outros dois partidos que ambicionam ser parceiros de coligação, verificamos que o PCP consegue ser bastante mais consistente que o Bloco de Esquerda, se bem que, em muitas áreas, defendam os mesmos princípios, nomeadamente no que toca à aversão ao Processo de Bolonha ou na defesa de um sistema único (sem a actual separação Univesidade/Politécnico). De notar que o PS, possível parceiro de coligação, tem posições diferentes relativamente a esta matéria. Penso que a maior qualidade do programa do PCS, não deverá ser alheia à presença da deputada Luísa Mesquita, figura incontornável do PCP na área da educação e grande conhecedora dos temas do ensino superior. Se estou enganado, corrijam-me.

O PSD acaba por ser a grande desilusão. Um candidato a governar o país não pode apresentar um programa tão fraco, tão ausente de ideias, tão abstracto. O PSD parece estar a esconder o programa, como se a sua revelação fosse resultar na perda de mais votos. É claro que se o seu objectivo é manter a actual política (como é visível nas poucas partes onde se atreve a levantar o véu) o resultado seria mesmo esse. Mas quem quer governar o país tem que acreditar nas suas convicções, fazer com que o país acredite, não esconder os pontos mais polémicos.

Por último, o programa do grande favorito das sondagens. O PS apostou forte nestas eleições. Mesmo que se critique a sua actuação como sendo um remake do guterrismo, o PS mostrou saber ouvir e leu bem alguns dos actuais problemas do ensino superior. Mostrou cautela em algumas posições (por exemplo, ao não assumir um sistema único, mas apontando para uma convergência no nível de qualidade). Também não assumiu completamente o que vai fazer relativamente à organização do ensino superior, mas declarou que vai alterar as más leis do anterior governo, o que já é um bom sinal. Se não optar pela cegueira política da coligação actual, pode ser que o ensino superior possa dar alguns passos necessários em frente.

Adenda 03/02/2005

Entretanto, apareceu finalmente o programa do CDS/PP. Com quatro parágrafos apenas sobre o ensino superior, pergunto-me se valeu a pena esperar tanto. Ainda por cima porque os pontos em si nada trazem de novo, e não respondem aos problemas essenciais do ensino superior.


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fevereiro 01, 2005

2.ª semana, 3.º dia - a história da semana

A solidão

Por diversas razões, Zé da Vinha não casara. Tinha 50 anos e continuava sem companhia. O pai morrera muito cedo, deixando-o filho único de uma mãe que nunca mais casou nem homem teve. Namoradas teve algumas, mas tinha o estranho fado de sempre que abandonava uma, era abandonado, pouco depois, pela nova.

A mãe nunca se zangou por ele se ter mantido solteiro. Pelo menos ele tinha namoradas, não era como aquele Carlinhos, sempre acompanhado por homens. Por outro lado, todas as namoradas que a mãe escolhia ao filho, ele acabava por abandoná-las. Trocava-as por outras, que não serviam para o seu filho, e que acabavam por abandoná-lo (dizem as más línguas que isso acontecia mal conheciam a mãe).

Sem família para sustentar que não fosse a mãe, foi um homem de biscates, só se preocupando com o trabalho quando lhe começava a faltar o dinheiro. O tempo foi passando. Chegou aos 45 anos e ficou sem mãe, quase sem dinheiro e com pouco trabalho, dado que já era muito conhecido pelos seus desaparecimentos antes de a obra acabar.

Sozinho, a bebida era o seu único consolo. Em pouco tempo transformou-se num farrapo, com a roupa suja, cabelo por pentear, barba por fazer, cara por lavar e um cheiro nauseabundo.

Na taberna, era motivo da risota. Os rapazes mais novos metiam-se com ele. Ele não ligava, até ao dia que lhe disseram que devia arranjar uma mulher. Começou a pensar seriamente nessa hipótese. E no dia seguinte perguntou aos mesmos rapazes se conheciam uma moça nova que quisesse casar com ele.

Os rapazes, tentando conter o riso, disseram-lhe que uma moça nova não o ia querer, porque precisava de um homem com dinheiro. Ele tinha era que procurar uma viúva rica, que o sustentasse. Ele começou a pensar e lembrou-se da D. Rita, que ficara viúva há alguns meses e que tinha algum dinheiro e terras.

Foi a casa dela, mas ela nem sequer o recebeu, pensando que ele vinha pedir trabalho. A sua fama era bem conhecida. Cabisbaixo, voltou para a taberna. Os rapazes continuaram a espicaçá-lo. Ali na aldeia não podia ser, as viúvas eram muito reservadas. Tinha que ir procurar na cidade.

No dia seguinte, meteu-se a caminho, a pé, percorrendo os 10 quilómetro até à cidade. Procurou, mas nada conseguiu, sendo até corrido por algumas à paulada. Voltou para a aldeia, muito triste.

Os rapazes, talvez já com um pouco de sentimento de culpa, disseram-lhe que ele não ia conseguir nada naquela figura. Tinha que tomar banho, fazer a barba, vestir um fato. Um deles prometeu que lhe arranjava um fato, e levou-lhe um antigo do seu pai. Estava decidido. Tomou banho, fez a barba e vestiu o facto. Um dos rapazes emprestou-lhe uns sapatos e ainda lhe deu boleia de mota até à cidade. Emprestou-lhe algum dinheiro e disse-lhe que o voltava a levar à noite.

Mesmo assim, embora de cara lavada e vestido a rigor, a sorte parecia madrasta. Entrou numa taberna vazia, para beber uns copos. Ao balcão estava uma mulher, também pelos seus 50 anos. Acabaram a conversar, a falar das suas histórias. Ela era viúva, e ficara com a taberna, que ia dando para sobreviver.

A taberna fechou mas ficaram os dois a conversar, bebendo juntos. Tinha descoberto a sua mulher. Passados 3 meses casavam, numa festa que a rapaziada ajudou a organizar. Ele ganhou nova vida, foi viver para a cidade e começou a trabalhar na taberna. Se a mãe fosse viva, aprovaria certamente o casamento.

Mas a felicidade pode durar anos, ou pode acabar rapidamente. Nove meses depois a mulher morria, com uma trombose. Toda a rapaziada compareceu ao funeral, onde ele não parava de chorar. Não compreendia que a vida pudesse ser tão madrasta com ele.

Colocou a taberna à venda e voltou para a aldeia. Voltou a visitar a taberna da aldeia, bebendo ainda mais do que antes. Os rapazes tentavam animá-lo, mas a dor, a mágoa, a solidão não desapareciam.

Um dia ele não apareceu na taberna. Ninguém deu muita importância, pensaram que teria ido à cidade. Mas ao fim de uma semana sem dar notícias, resolveram ir procurá-lo. Encontraram-no morto, no fundo do poço, ao lado da sua casa.

Uns disseram que se teria atirado, outros que teria caído acidentalmente devido ao estado de embriaguez. O padre encomendou a sua alma ao criador, onde se espera que ele esteja, acompanhado de quem ama, longe da solidão.


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janeiro 31, 2005

2.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

Depois da frase da semana que escolhi ontem, não resisto a contar esta que ouvi a semana passada.

Visita ao hospital psiquiátrico

Durante uma visita de estado (não de campanha) a um hospital psiquiátrico, Pedro Santana Lopes visita a instituição, mostrando-se muito interessado e já pensando em transformá-la num Hospital S.A.. A determinada altura da visita, pergunta ao responsável:
- Como é que sabem que um paciente está curado?
- É muito fácil - responde o responsável. - Enchemos uma banheira de água, e damos-lhe para a mão uma colher e uma chávena, e dizemos-lhe que tem que esvaziar a banheira.
- Já percebi - interrompeu imediatamente Pedro Santana Lopes. - Se estiver curado escolhe a chávena, porque permite esvaziar a banheira mais rapidamente.
- Não... se estiver curado tira a tampa do ralo...


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janeiro 30, 2005

2.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

Isto demonstra que está montada uma mega-fraude em torno desta matéria frase de Pedro Santana Lopes, Primeiro-Ministro e candidato a Primeiro-Ministro pelo PSD, a propósito das sondagens desfavoráveis

Comentário

Estive em dúvidas entre esta frase e do Ministro Bagão Félix relativamente a Freitas do Amaral, ou ainda, a pérola do repto de ontem sobre os casamentos entre homossexuais. Depois pensei que este tipo de frases deveria cair no esquecimento, para podermos pensar que vivemos num país normal. No fim, acabei por colocar esta frase, dado que penso que é altura de pensarmos a sério qual é o país que temos e que queremos.

A verdade é que depois da teoria da cabala dos comentários contra o governo, vem agora a teoria da mega-fraude sobre as sondagens. Pedro Santana Lopes devia aprender com Paulo Portas como se contorna a questão dos resultados desfavoráveis. Só tinha que dizer que as sondagens já se tinham enganado antes, dando alguns exemplos. É claro que os exemplos podiam não ser correctos (veja-se as acusações posteriormente desmentidas sobre uma nomeação de Sócrates).

Isto faz-me lembrar aquela célebre "ameaça" que recebeu enquanto Presidente do Sporting: "Cuidado com os rapazes", que não era mais do que uma campanha publicitária. É caso para dizer: há pessoas que não aprendem com as lições da vida. E Pedro Santana Lopes arrisca-se a perder a pouca credibilidade que ainda lhe resta.


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janeiro 29, 2005

1.ª semana, 7.º dia - o dia do descanso

Faial visto do Pico   Posted by Hello

Fotografia publicada na revista Ensino Superior n.º4
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janeiro 28, 2005

1.ª semana, 6.º dia - o tema livre da semana

60 anos

Ontem, dia 27, fez 60 anos que o Exército Vermelho libertou o campo nazi de Auschwitz-Birkenau. Um momento que ficará para sempre marcado na memória, não apenas dos que já então eram vivos, mas também das gerações seguintes. Muito se poderia dizer sobre este facto histórico, mas penso que, dada toda a informação já existente, vou apenas registar este facto, sem mais comentários, e falar do dia seguinte.

No dia 28 de Janeiro de 1945, um dia depois, nasceu a minha mãe. Hoje é o seu 60.º aniversário. Infelizmente, por motivos de doença minha, não pude deslocar-me até à aldeia de S. Lourenço, no concelho de Chaves, onde ela nasceu, onde eu cresci e onde ela vive actualmente. Um telefonema não apaga a distância. O amor de um filho não tem distâncias. Parabéns, mãe!


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janeiro 27, 2005

1.ª semana, 5.º dia - o poema da semana

Traz os montes

Para lá do Marão,
Onde a rudeza do clima
E a beleza agreste se fundem,
Pisei muitas vezes o chão
Empedrado dos velhos caminhos,
Avistando lá de cima
Os montes vizinhos,
Que no horizonte se confundem.

Hoje, as casas tomaram o lugar dos montes,
As portas o lugar das fontes,
O asfalto o lugar dos caminhos,
A indiferença o lugar dos vizinhos.

Por vezes, em dias de melancolia,
Tenho saudades do calor sentido em dias gelados,
Das adegas onde o vinho acompanhava o pão centeio,
Das noites à lareira em família,
Das geadas que um manto branco deixavam,
Das estrelas que num céu descoberto brilhavam,
Da lua que alumiava os prados,
Da promessa do progresso, que nunca veio.

Por vezes, uma brisa fria devolve-me a lembrança,
E traz os montes de volta ao meu pensar,
Trazendo consigo a ténue esperança
De um dia, talvez, regressar...


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janeiro 26, 2005

1.ª semana, 4.º dia - o comentário político da semana

Independentes e pára-quedistas

Eleições legislativas. Listas de candidatos. Independentes e pára-quedistas. Uma rápida definição para quem é alheio a estes termos:
- independente é alguém que depende de um partido para poder estar dentro (in) da lista, embora não esteja inscrito nesse partido - daí o termo, in + dependente;
- pára-quedista é alguém que foi ao cinema ver o grande candidato aos óscares, "O aviador" e, quando deu por isso, foi enviado de pára-quedas para território desconhecido (leia-se, lista em distrito que desconhece).

Passado o breve período de humor, vamos falar de coisas sérias. Comecemos pelos independentes. Eu posso ser considerado um verdadeiro independente, dado não ter qualquer ligação partidária. Existem depois os falsos independentes. Pergunto-me como alguém se pode auto-intitular independente ao mesmo tempo que concorre por uma partido político. É independente de quê?

Gosto muito de ser independente. Isso permite-me falar sem amarras, dizer o que me dá na real gana. Mas jamais me passaria pela cabeça concorrer a umas eleições por um partido político com o estatuto de independente. É como casar sem prometer fidelidade.

De notar que nada me move contra independentes poderem exercer funções governativas nessa qualidade, dado que os membros do governo não precisam ser eleitos, logo não dependem de nenhum partido. Em algumas áreas até considero que serão bem-vindos. Mas durante as eleições, em quem é que eu estou a votar? No partido? No independente?

Depois temos os "pára-quedistas". Aqui o problema parece-me ser mais do próprio sistema.

Os deputados são eleitos por distrito por que razão? Aparentemente, deveria ser uma forma de os eleitores terem um conjunto de candidatos que conhecem a região e poderem transportar essa mais-valia para o parlamento. Talvez até saberem a quem deveriam poder pedir contas. Se assim é, porque é que aparecem nas listas os chamados "pára-quedistas", deputados cuja única ligação ao distrito poderá ser ter passado por lá quando ia de férias ou ter lá um primo afastado?

Talvez eu esteja errado e, apesar de eleitos descentralizadamente, os deputados representam o país num todo, não tendo que prestar contas àquele distrito em particular mas a todos os portugueses, como um todo. Mas então, porque é que não fazem um único círculo nacional?

Logo aqui, no início das eleições, começa a desenhar-se um panorama negro. Falsos independentes, "pára-quedistas"... que mais virá depois? Logo à partida, não sabemos o que podemos esperar das pessoas em quem votamos. Como poderemos depois confiar que o governo, no qual não somos tidos nem achados, vai ser constituído de acordo com a nossa vontade?

Por mim, sempre que algum Primeiro-Ministro disser "fui eleito por vontade do povo português", eu direi "tiraram-me a nacionalidade e eu nem sabia".


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janeiro 25, 2005

1.ª semana, 3.º dia - a história da semana

A dúvida

O Sr. Cristóvão era um velho alto e forte, ainda eu era um menino franzino, de fisga no bolso das calças remendadas, que dava os primeiros passos na escola. Rondava os 80 anos, mas tinha ainda pujança física para arcar com as duras tarefas do campo, não se coibindo de auxiliar toda a população. Aparecia sem que o chamassem, mas ninguém recusava a sua preciosa mão-de-obra.

De poucas falas, cultivava à sua volta uma aura de mistério, que não se dava ao trabalho de rebater. Morava isolado, no topo da colina, ponto mais alto da aldeia. De lá observava a aldeia, saindo sempre que era preciso auxiliar alguém ou, religiosamente, aos domingos, para assistir à missa. Nos funerais, nunca aparecia. Mas muitas vezes foi visto, horas depois, dentro do cemitério, fugindo quando pressentia a chegada de alguém.

Muitas lendas se contavam. Diziam que ia ao cemitério falar com os espíritos, mas sempre que alguém tentou contratar os seus serviços, para falar com entes queridos falecidos, foi corrido sob ameaça das suas forquilhas. Outra lenda dizia que, durante a grande guerra, matara mais de mil homens. O que não era descabido, dado manter, apesar da idade, uma figura de fazer inveja a muitos homens. Mas só eu sei a verdadeira história, e hoje, o resto do mundo também a ficará a conhecer.

No dia do funeral do meu avô, não pude deixar de notar um vulto espreitando ao longe. Embora a distância fosse enorme, vi que era o Sr. Cristóvão. Lembrei-me das histórias que contavam sobre ele e decidi que voltaria mais tarde para ver se o encontrava no cemitério. Assim o fiz, e fiquei, expectante, escondido atrás de uma campa, de onde podia ver a do meu avô.

Algum tempo depois, o Sr. Cristóvão entrava no cemitério. Aproximou-se da campa do meu avô e ali ficou, cabisbaixo, aparentando estar a rezar. Ouvi o que me parecia ser um soluçar. Na minha ânsia de o ver melhor, fui traído por uma pedra solta e o seu olhar molhado trespassou o meu, surpreendido. Não sei como, em vez de desatar a fugir a sete pés, encontrei forças para perguntar:
- Conhecia o meu avô?

Ele pareceu surpreendido, por eu estar ali e a falar com ele. Disse que sim, conhecia todas as pessoas da aldeia. Perguntou-me o que fazia ali. Contei-lhe a razão da minha permanência no local, da curiosidade que sentia relativamente às lendas que sobre ele circulavam. O seu rosto rude foi-se abrindo, chegando a brilhar perante a franqueza das minhas perguntas. E ele contou-me a verdadeira história. Ainda hoje, as palavras que saíram da sua boca ecoam na minha mente:

Na grande guerra, éramos dez. Dez rapazes que saíram desta aldeia para combater. Eu fui o único que sobreviveu. Daí existirem tantas lendas. Mas não é verdade. A verdade é que nem eu sei se matei ou não um homem. Um único homem.

Quando tudo começou, fiquei imediatamente ferido, contorcendo-me de dores. Fiquei ali, esperando que alguém me viesse auxiliar. Ia perdendo e recuperando a consciência. Numa das vezes vi um soldado inimigo. Com as poucas forças que tinha, apontei e atirei, e vi-o cair. Mas não sei se o matei ou não. É a minha dúvida.

Finalmente, acordei fora do campo de batalha, rodeado de outros feridos. Acabei por voltar para casa. Nunca quis saber o que se passara. Para mim, o passado tormentoso ficara para trás. Excepto aquela dúvida. Teria ou não matado um homem?

Decidi expiar o meu possível pecado, ajudando os outros. Mas nunca consegui falar sobre a guerra. Nunca consegui encarar a morte dos outros. Por isso venho aqui, sozinho, rezar pelas suas almas e pela alma daquele homem.

Pediu-me que nunca contasse a ninguém. Isso poderia abalar o seu sossego. E eu assim cumpri, até hoje, dia em que, voltando à aldeia, de onde saí ainda jovem, soube da sua morte, há alguns anos atrás. Agora sei que nada poderá abalar o seu sossego e penso que terá finalmente esclarecido a sua dúvida.

Eu, de menino franzino em cientista me transformei. Não sei se foi pelo exemplo do Sr. Cristóvão, mas, tal como ele, tenho uma relação estreita com a dúvida. Ele teve na maior parte da sua vida uma dúvida que jamais poderia desvendar. Eu, como cientista, tento dissipar todas as dúvidas. Algumas rapidamente, outras com maior dificuldade. Em todos os casos, temo sempre que, um dia, apareça uma dúvida que não consiga resolver e que a mesma me isole do mundo em que vivo, como aconteceu com o Sr. Cristóvão.


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janeiro 24, 2005

1.ª semana, 2.º dia - a anedota da semana

O comentário de ontem, sobre quem atira a primeira pedra, quase me fez mudar a anedota de hoje. Cheguei a pensar também não escrever uma anedota propriamente dita e dizer apenas que a anedota da semana seria a campanha eleitoral. Confesso que até penso que teria a sua graça, mas para um blog 6 em 1, acabava por adulterar o espírito inicial. Assim, decidi-me por um pouco de humor negro.

O mau condutor

Nos Estados Unidos, existia um homem que era muito mau condutor. De tal forma, que teve um acidente onde matou 10 pessoas. Julgado, foi condenado à cadeira eléctrica. No dia da execução, após 10 descargas eléctricas, ele teimava em sobreviver. Resolveram investigar e encontraram a explicação: ele era mau condutor.


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janeiro 23, 2005

1.ª semana, 1.º dia - a frase da semana

PS exige desculpas públicas e formais de Santana Lopes no site do PS

Comentário:

Porquê? Pelas acusações a José Sócrates? Pelo estado do país? Por aparecer caricaturado mais vezes que o José Sócrates?

O pior aqui não é quem tem razão ou deixa de ter. As acusações do PSD foram a resposta a acusações do PS. E se o que se vai seguir durante a campanha eleitoral é acusações deste género podem ter a certeza que não me dou ao trabalho de ir votar.

Penso que se pode aqui usar aquela máxima: quem nunca errou que atire a primeira pedra. E agora pergunto-me: se tivessem pensado nisso, será que alguma pedra teria sido atirada?


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